abril 17, 2005

OS DIAS DA RÁDIO III - A DITADURA DA PLAY-LIST

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Nem de propósito. A crónica de Carlos Tê esta semana no Expresso, suplemento Guia, página 30, intitula-se Os Dias da Rádio. E para Carlos Tê estes dias não são famosos. A página não está disponível na net, por isso fica aqui um pequeno excerto que evidencia o que Carlos Tê pensa da rádio que se vai fazendo por aí.
"É depois de definido o seu público-alvo que uma emissora elabora a «play-list», esse hambúrguer radiofónico destinado a impedir que o radialista se disperse pelo labirinto do seu próprio gosto. Daí hoje já não haver autores de programas de rádio, mas sim amanuenses que accionam o «enter» do programa do computador.
Por isso a «play-list» não é uma emanação diabólica do mercado, como diz a indústria discográfica, mas uma ferramenta que fideliza o «target» consumidor e o agrilhoa a uma irresistível cadeia de canções ao fim da qual o espera um «jingle» a um plano de poupança. Poder-se-ia dizer que é uma variante maciça dessa entidade que ganhou espessura artística no século passado - o «disc-jockey».
É ela que leva os promotores de markting das editoras a andar com os discos dos seus artistas no bolso a mendigar um lugar na lista".

Escrito por Pedro Leal às 11:11 PM | Comentários (0)

outubro 06, 2004

JORNALISMO VS BLOGS

No Poynteronline um interessante artigo de Kelly McBride sobre a relação entre o jornalismo tradicional e os Blogs. A autora fala dos desafios lançados pela blogosfera e da atitude de vigilância dos Blogs sobre os jornalistas.
Na opinião da autora os jornalistas terão mesmo perdido parte do seu poder. “We journalists are no longer the gatekeepers in the marketplace of ideas. The doors have been flung wide open by the egalitarian nature of the Internet and when you look at the big picture you see – chaos. You see a medium in its infancy, howling and kicking against the limitations of the world into which it was born”.

Escrito por Pedro Leal às 04:51 PM | Comentários (0)

outubro 03, 2004

DE NOVO BOLONHA E O MODELO ADOPTADO PARA PORTUGAL

Manuel Braga da Cruz, Reitor da Universidade Católica, introduziu hoje um novo argumento para o debate sobre o modelo a seguir em Portugal (3+2 ou o 4+1).
Em entrevista à Rádio Renascença e ao jornal Público, Manuel Braga da Cruz alerta para o risco do nivelamento por baixo do ensino universitário, caso a via 3+2 seja seguida. O reitor da Universidade Católica refere que a maior competição ao sistema universitário europeu vem dos Estados Unidos, pelo que considera difícil que as universidades norte-americanas aceitem alunos para efeitos de estudos complementares com licenciaturas de três anos – ouvir aqui.
O reitor da Universidade Católica sublinha que nesta matéria a posição do Conselho de Reitores aponta para a solução 4+1 e alerta para o exemplo de alguns países europeus, que seguiram o modelo 3+2, que estão arrependidos do passo dado.
A entrevista a Manuel Braga da Cruz foi emitida hoje no programa Diga Lá Excelência, pode ser vista ainda esta noite na 2 e lida amanhã no Público.

Escrito por Pedro Leal às 07:44 PM | Comentários (1)

setembro 28, 2004

O PROCESSO DE BOLONHA E O ENSINO DO JORNALISMO

A ministra da Ciência e do Ensino Superior tomou uma decisão sobre a forma como os cursos superiores vão estar organizados. E a decisão é a seguinte: três anos de formação base mais dois de formação complementar. A decisão foi conhecida sexta-feira.
Para se perceber melhor o alcance desta medida, é importante ler os comentários de Manuel Pinto e de Luis Santos, nos blog's Jornalismo e Comunicação e Atrium
A estas duas reflexões acrescento mais uma: no caso do ensino do jornalismo isto vai significar menos carga horária nas cadeiras de práticas de jornalismo. Vai significar licenciados mais jovens e menos preparados, logo mais susceptíveis de serem manipulados. Vai ainda significar uma maior exploração dos estagiários que, em algumas empresas, vão ver os estágios prolongados para além do admissível. Por último esta decisão terá como consequência o aumento da precariedade financeira dos candidatos a jornalistas.

Escrito por Pedro Leal às 01:00 AM | Comentários (2)

abril 12, 2004

O REPÓRTER E A EMPATIA

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Um artigo de Anna Quindlen na Newsweek, com o sugestivo título "The Great Obligation ” fez-me recordar os dilemas que vivi nos primeiros anos como jornalista e repórter. O que mais me preocupava é que por muito que sofresse, devido à dureza das condições em que as reportagens eram realizadas, as pessoas de quem o dia a dia relatava, ficariam lá depois de eu regressar ao conforto da minha redacção. As minhas dificuldades tinham sempre um prazo, as dificuldades dos outros tinham apenas o prazo da incerteza.

É por estas e por outras que me faz alguma confusão a proliferação de jornalistas que têm histórias para contar, vivências para partilhar. As únicas vivências que aceito como legitimas, e que devem ser partilhadas, são aquelas que nos ajudam a perceber o que se passa no local, seja ele o Bairro S. João de Deus ou Gorazde. Diz Anna Quindlen que "Reporters are often asked about their obligation to readers, but perhaps the most important obligation is the one we owe the subjects of our stories, whose lives are limned by our words, for better or for worse".

Escrito por Pedro Leal às 11:40 PM | Comentários (0)

janeiro 29, 2004

PARA ALÉM DO RELATÓRIO HUTTON

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O relatório Hutton está publicado. Blair foi ilibado, a BBC criticada. Em consequência uma demissão foi já anunciada e outras poderão seguir-se. Nos próximos dias muito se vai escrever sobre o futuro da BBC, a sua independência e sobre os instrumentos de controlo. Mas, além do impacto de todo este caso, o que mais me impressionou foi o comportamento da BBC, na cobertura da própria notícia.

Ao longo da tarde, através do BBC World Service, fui acompanhando a cobertura televisiva. Os pesos pesados da estação foram chamados à antena e o resultado foi uma lição de jornalismo de excelência. Para os que perderam a transmissão televisiva, podem verificar, isto mesmo, através do site da BBC World.
E nesta altura surge-me uma pequena questão: E se tudo isto tivesse sido em Portugal? Com a BBC, o que ficou em causa foram afirmações imprecisas, proferidas por um jornalista às 06:15 da manhã, em directo. Uma imprecisão fatal que abalou a credibilidade da BBC. Em Portugal, ao eleger-se o directo quase como a forma principal de fazer jornalismo, quantas imprecisões não vão para o ar? Quantos não acontecimentos são projectados?
Todo este caso vem reforçar a minha convicção de que o jornalismo precisa cada vez mais de calma, ou seja, de espaço de reflexão. Para que os jornalistas não sejam "apenas mensageiros" é necessário analisar, perceber, reflectir. Numa altura em que o imediato quase que se impõe, num blog destinado a estudantes de jornalismo, este alerta tem que ser permanente.

Escrito por Pedro Leal às 12:29 AM | Comentários (0)