novembro 18, 2007
Margaret Atwood

No dia em que Margaret Atwood comemora o seu 68º aniversário, o MUITA LETRA traça-lhe um pequeno perfil e relembra um dos seus mais celebrados romances, "Olho de Gato".
À escala real

“Por cima do sofá Chesterfield temos uma rede de badmington, esticada na parede. Nos buracos desta rede os meus pais penduraram os cartões de Boas Festas deles. Não há mais ninguém que eu conheça que tenha uma rede de badmington na parede. A árvore de Natal da Cordelia não é como as outras: está coberta de fios de anjo diáfanos e todas as luzes e decorações são azuis. Mas ela safa-se bem com as diferenças dela, eu não. Vão-me fazer pagar pela rede de badmington, mais cedo ou mais tarde.” (pág. 120)
Margaret Atwood, Olho de Gato, 1988
Tradução de Ana Heizkessel
Publicações Europa-América, Colecção Século XX
Não só de diferenças, mas principalmente da singularidade de um percurso pessoal, nos fala o sétimo romance da escritora canadiana Margaret Atwood. Diz-se que “Olho de Gato” (Cat’s Eye) é o mais biográfico dos seus trabalhos e dificilmente poderia ser de outro modo.
Reabertura de actividade
Não é como com os recibos verdes, mas quase. Até agora, no período pós-Licenciatura em Jornalismo e Ciências da Comunicação, o MUITA LETRA tem tido uma actividade pobre e esporádica, mal gerida e mal recompensada, centrada nas minhas deambulações pessoais e também por elas condicionada.
No entanto, tenho sempre querido retomar o blogue, em moldes menos pessoais e assente em bases mais seguras do que a minha produção de pequenos textos publicáveis. É por isso que agora reato o MUITA LETRA com o intuito de falar de livros e de autores que me suscitem interesse, assegurando também algum trabalho de acompanhamento das novidades editoriais.
Falar sobre livros, pensá-los e analisá-los, é um bom exercício para quem quer um dia escrevê-los. Falar sobre alguns romancistas e poetas pode ser tão entusiasmante quanto para uma criança falar sobre os seus super-heróis. Assim, convido todos aqueles que saltitam de blogue em blogue a pararem por aqui um pouco, de quando em quando. Haverá sempre um livro para ler.
maio 24, 2007
Aquisição de sede para o Espaço T

O Espaço T conta connosco. Vamos ajudar.
maio 11, 2007
Can´t stop thinking about it

Pois é, mesmo viciante. Obrigada, Ana, pelo(s) presente(s). Não ouço outra coisa.
maio 08, 2007
Uma Carta ao mundo

This is my letter to the world
This is my letter to the world,
That never wrote to me,
The simple news that Nature told,
With tender majesty.
Her message is committed
To hands I cannot see;
For love of her, sweet countrymen,
Judge tenderly of me!
Emily Dickinson
Autora de 1789 poemas (qualquer semelhança com o ano da Revolução francesa é coincidência), nascida na década de 30 do século XIX em Amherst, nos Estados Unidos, Emily Dickison passou desapercebida aos conterrâneos, para depois se tornar num dos mais sensíveis, dúcteis e acutilantes nomes da poesia norte-americana.
A existência hermética da autora deixou um baú repleto de surpresas, aquando da sua morte: a família deparou-se com mais de 1700 poemas inéditos. Em vida, as suas publicações sempre haviam sido esparsas e pouco notadas. E foi postumamente que Thomas Wentworth Higginson e Mabel Loomis Todd começaram a organizar e coligir todo o trabalho poético de Dickinson.
Hoje é uma das mais cantadas poetisas norte-americanas e o seu nome deixa um laivo de mistério sempre que é pronunciado. Muitas áreas da sua vida continuam a ser dúbias para os investigadores, ou mesmo intangíveis. Atrevo-me a dizer que a sua obra teve forte influência na de outra grande poetisa, Sylvia Plath. Vale a pena (re)descobrir a sua carta ao mundo.
maio 01, 2007

Skull with pink rose, Georgia O'keeffe
"The bones seem to cut sharply to the center of something that is keenly alive on the desert even tho' it is vast and empty and untouchable - and knows no kindness with all its beauty" - Georgia O´Keeffe, About myself