dezembro 01, 2004

Na estante ou no sapatinho

O MUITA LETRA fez uma ronda pelas várias editoras nacionais e, durante os próximos dias, diz-lhe o que de mais apetecível pode encontrar para o Natal. Hoje folheámos o catálogo da Editorial Presença, da Caminho, da Quasi e da Relógio D´Água.


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Editorial Presença

A Presença dá grande ênfase aos clássicos (Eça de Queiroz, Dostoievsky) e à poesia (Ruy Belo, João Miguel Fernandes Jorge) nas várias colecção que disponibiliza este Natal. Seguem-se algumas sugestões.

Sendo hoje um autor universal, Fernando Pessoa é pouco conhecido enquanto poeta anglófono. Mas a verdade é que, antes de se dedicar à língua de Camões, o poeta da Mensagem sonhava tornar-se um dos nomes maiores da literatura inglesa. The Mad Fiddler (O Louco Rabequista), colectânea de poemas em inglês, surge em versão bilíngue, com tradução de José Blanc de Portugal.

O encontro com uma pomba ferida leva Noel a deparar-se com o que de mais absurdo e sinuoso há na natureza humana. Assim tem início A Pomba, conto que sucede ao aclamado romance O Perfume na lista de obras do escritor alemão Patrick Süskind.
Herdeiro de uma enorme expectativa, A Pomba não conseguiu estar à altura de O Perfume, não tanto pela sua qualidade, mas pelo avassalador sucesso, difícil de repetir, do seu antecessor. A merecer a atenção de quem gostou d´A Metamorfose, de Kafka.


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A obra de Patricia Cornwell (cuja vida dava, ela mesma, um extenso livro) é um dos trunfos da Presença. Os policiais da autora norte-americana são considerados dos melhores que se faz, actualmente, no género e um presente acertado para quem gosta de suspense.


Editorial Caminho

Uma das mais influentes editoras nacionais, a Caminho é também das que apresenta um melhor catálogo na época mais rentável do ano.

Como era ser mulher no Portugal dos anos 40? A literatura tornava visível as faces da precaridade da condição feminina nos anos mais duros do Salazarismo e é através dela que Ana Paula Ferreira nos dá esse complexo retrato. A Urgência de Contar. Contos de Mulheres dos Anos 40 é uma colectânea de contos de autoras portuguesas da época (Natércia Freire, Maria Archer, Manuela Porto, entre outras).


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A antologia Mar é incontornável no catálogo da editora. É a mais completa antologia poética de Sophia de Mello Breyner Andresen e o culminar de uma colecção de 14 volumes dedicados à obra de Sophia que a Caminho vinha lançando. Inclui poemas até agora inéditos.

E como o Natal é dos mais novos, convêm não esquecer as "gurus" da literatura infanto-juvenil em Portugal, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada. As autoras da mítica colecção Uma Aventura continuam imparáveis e a prenda de Natal que este ano oferecem aos fãs é Natal! Natal!, que inclui cinco histórias de Natal e uma peça de teatro para ser representada em família.


Edições Quasi

Já sem valter hugo mãe para passar o Natal, a Quasi continua a ser uma alternativa às obras mais "mainstream" das grandes editoras.

O monólogo Os Cantos de Maldoror é um clássico entre os "malditos", da autoria do Conde Isidore Ducasse (dito Lautreamon, nome que dá asas a grandes discussões sobre a ligação à divindade egípcia Amon, deus do sol). Personagem envolta em mistério, Ducasse escreveu seis cantos que não tiveram a desventura de, como As Flores do Mal, de Baudelaire, caírem nas graças do público em geral após um período inicial de repúdio. Bizarria por vezes patética, por vezes comovente, Os Cantos... não admitem sinopse ou comentário. Têm de ser lidos.


os cantos de maldoror


As incursões de Fernando Ribeiro, vocalista da banda Moonspell, na poesia é outra das apostas da Quasi. As Feridas Essenciais é o sucessor de Como Escavar um Abismo e, actualmente, consegue ser um dos mais procurados no género da poesia. Num tom intimista, Fernando Ribeiro fala de amor e sofrimento.

Quem gosta de descobrir novos autores pode encontrar no catálogo desta editora de Vila Nova de Famalicão uma vasta oferta de poesia acabada de "sair da gaveta".


Relógio D´Água

Especializada em literatura e ensaio, esta editora tem um excelente catálogo de poesia (Hölderlin, Mário de Sá Carneiro ou Gastão Cruz são apenas alguns exemplos) e é por este género que começamos.

Ariel reúne os poemas escritos por Sylvia Plath entre a edição do seu primeiro livro, em 1960, e a sua morte, três anos depois. Se, só por essa vertente documental, este livro já merecia referência, a singularidade de uma obra que do desespero conseguia arrancar tão belas e inquietantes imagens reforça a convicção de que Sylvia é uma das mais inteligentes e lúcidas poetisas conhecidas. Aqui em edição bilingue, com tradução de Maria Fernanda Borges.

Se há um livro que define o amor, é este A Espuma dos Dias, de Boris Vian. Com humor, absurdo e ternura, Vian leva-nos para um mundo que, apesar de muito peculiar, não é só seu. É fácil, após o primeiro espanto, criar afinidades com a obra de Vian. Se O Arranca Corações ou O Outono em Pequim pecam pela repetição exaustiva da "fórmula Vian", A Espuma dos Dias tem as medidas certas e é a obra prima do autor.


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A estante fica completa por hoje com o vencedor da edição deste ano do Prémio Círculo de Leitores, Gonçalo M. Tavares. Dono de um requintado lirismo, os trabalhos deste poeta têm sido muito aclamados pela crítica. Mais do que uma jovem promessa, Gonçalo M. Tavares é já um valor seguro a ter em conta.
1 é um dos "livros pretos" do autor.

Posted by Andreia C. Faria at dezembro 1, 2004 08:50 PM
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