Os cidadadãos contestam, a Câmara de Lisboa continua a querer a demolição e o gabinete da ministra da Cultura diz que ainda nada está decidido: continua o braço de ferro em torno da casa de Almeida Garrett, que vem recrudescendo desde Novembro do ano passado, quando se assinalaram os 150 anos da morte do escritor.

Quanto tempo restará à casa de Campo de Ourique?
Depois de ter dado parecer negativo à proposta do movimento cívico Cidadania Lisboa, que fez correr um abaixo-assinado apelando à transformação do edifício em casa-museu, a vereadora do Urbanismo, Eduarda Napoleão, suspendeu o início das obras de demolição da casa de Garrett e pediu um parecer aos colegas responsáveis pela Cultura. No entanto, fonte da autarquia declarou à Agência Lusa que o processo deverá mesmo ser levado a cabo.
Esta vontade da Câmara deve-se, segundo a mesma fonte, à proximidade da Casa Fernando Pessoa e aos «encargos avultados» que a reconversão do edifício acarretaria.
Recorde-se que a autarquia tinha dado, no ano passado, o seu aval ao projecto de Manuel Pinho, actual ministro da Economia e Inovação e proprietário do prédio, que previa a construção de um T3, dois T4 e um duplex com cinco assoalhadas.
A plataforma de cidadãos que deseja ver a casa 68 da Rua Saraiva de Carvalho transformada num museu dedicado a Almeida Garrett tinha reunido, em Fevereiro, 2300 assinaturas para impedir a sua demolição. Agora, mesmo sendo previsível o parecer negativo da autarquia, promete não desistir da luta. Pedro Policarpo, da Cidadania Lisboa, acusa as autoridades de negligenciarem a cultura e garante que «não é um parecer da Câmara que diz que a cultura em Lisboa não faz sentido que nos vai fazer desistir».
No entanto, Isabel Pires de Lima ainda não tomou uma decisão quanto ao futuro da casa onde morreu, há 150 anos, o pai do Romantismo português. A Lusa, citando fonte do gabinete da Cultura, diz que ainda não é certa a demolição do edifício, até porque «a ministra é sensível ao valor cultural do edifício e está a acompanhar o caso com atenção», enquanto aguarda «um parecer técnico do IPPAR».
O impasse quanto ao futuro da casa do escritor dura há meses, com a Cidadania Lisboa a pressionar a Câmara Municipal a construir no edifício um museu dedicado ao escritor, dramaturgo e deputado. Depois de quase esquecido nos 150 anos da sua morte, o legado de Garrett parece destinado ao abandono pelas autoridades.
O MUITA LETRA seguiu de perto a polémica da casa de Garrett.
Posted by Andreia C. Faria at abril 1, 2005 01:55 AMQuanto tempo realmente....tive a sorte de viver perto da casa Garrett e de facto à semelhança do que se fez com a casa Pessoa, aliás não muito longe, fisicamente. Podia-se criar um espaço de cultura, nesta casa aliás lindissima.
Não sei se repararam, mas a única coisa que nos indica que Garret ali viveu é uma placa no prédio, aliás pouco visível...
Esperemos que Garret tenha a mesma sorte que Pessoa