abril 10, 2005

Marketing cada vez mais importante na venda de livros

No rescaldo da operação de maketing inédita organizada pela Dom Quixote para o lançamento do novo livro de Gabriel García Márquez, a jornalista da Lusa Helena de Sousa Freitas falou com responsáveis de editoras e livrarias e descobriu que, cada vez mais, o mercado livreiro aposta na promoção dos livros. O marketing é tão importante que a disposição dos livros nas montras e nos expositores das livrarias não é feita ao acaso, mas, pelo contrário, obedece a uma lógica.


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Essa lógica é planeada entre livrarias e editoras, que cada vez mais investem dinheiro na promoção dos seus livros. «Em regra, seis a dez por cento do investimento feito num livro destina-se à sua promoção», explica João Rodrigues, da editora Dom Quixote. O director editorial adianta que «a visibilidade do livro é hoje tão importante que o esforço de divulgação já se tornou crónico».
Para que os livreiros dêem destaque às obras da editora, esta disponibiliza expositores de balcão ou de chão, porque é fundamental que os clientes da livraria as vejam.

João Rodrigues diz também que o «programa de comunicação e marketing é pensado livro a livro» e vai sendo reajustado ao longo do ano, já que há obras que superam, em número de vendas, as expectativas da editora. No entanto, a última palavra quanto ao destaque a dar nas montras a determinado livro cabe sempre ao livreiro: «a editora sugere, mas a última palavra é sempre do livreiro», afirma o director editorial da Dom Quixote.

António Pinheiro, responsável pelas livrarias da Bertrand, explica o papel dos livreiros na promoção da obras: «se uma obra mostra potencial, os livreiros têm todo o interesse em destacá-lo, em colocá-lo à vista nos escaparates, para bem do seu próprio negócio». Esse esforço combinado entre editores e livreiros tem tido, na sua opinião, uma «evolução muito lenta», se bem que o panorama começa a alterar-se.

A Bertrand faz catálogos próprios, com uma tiragem de 80 mil exemplares, onde inclui sinopses e fotografias de capa das obras. Uma estratégia de marketing que sai cara e, como tal, «os editores que queiram participar devem entrar com um valor para a inclusão da foto e do resumo e facultar um abatimento de entre três e cinco por cento», já que a editora «não pode suportar esse custo sozinha», afirma António Pinheiro.

Posted by Andreia C. Faria at abril 10, 2005 10:41 AM
Comments

Querida,
Já trabalhei para essa gente - os livreiros.
O seu diabolismo é incrível: de um objecto tão mágico como o livro, por vezes mais mágico que um ser vivo (talvez porque seja vivo), conseguem retirar todo o charme e todo o encanto. Continuo no 'negócio' dos livros, e continuo a assistir ao crepúsculo de Byblos...
Desculpa lá o desabafo...
Muitos muitos beijinhos

Posted by: Cassiopeia at abril 10, 2005 05:39 PM

A minha opinião quanto aos livreiros forma-se apenas enquanto espectadora exterior, não estou por dentro do assunto como tu. Parece-me que, como tudo hoje em dia, a literatura é encarada por editoras e livreiros como sendo um negócio. Acho que o problema não é tanto o livro ser um objecto que tem de dar lucro (o que, sendo triste, é inevitável), mas o facto de se apostar, em grande parte, na promoção de livros fáceis (e fácil, em literatura, é sinónimo de mau) como meio de alcançar, também facilmente, o lucro. Tantas obras de qualidade que mereciam ser promovidas...

Compreendo que, por veres todos os dias injustiças serem feitas, tenhas mágoa em relação às prioridades dos livreiros. Todos nos sentimos enganados quando nos tentam vender livros de má qualidade. O teu desabafo, e a tua experiência no ramo, são sempre bem-vindos.

Beijinho*

Posted by: Andreia C. Faria at abril 10, 2005 08:23 PM
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