abril 28, 2004

E também no porto há feira

A Feira do Livro do Porto realiza-se este ano entre 19 de Maio e 10 de Junho e, como é tradição, no Pavilhão Rosa Mota.
Esta edição da Feira tem como mote a homenagem a Eugénio de Andrade, com leitura de poemas, debates, exposições de pintura e outras referâncias à obra do poeta.

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O programa desta 74ª Feira do Livro do Porto só será divulgado na 5ª feira, mas o horário já é conhecido: de segunda a sexta a Feira abre as portas pelas 16:00 horas e aos sábados, domingos e feriados às 15:00 horas.

Eugénio de Andrade no MUITA LETRA

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abril 27, 2004

Venha ver, ó freguês!

Iniciou-se na passada quinta feira e prolonga-se até 9 de Maio. É a Feira do Livro de Coimbra, onde 250 editoras nacionais e estrangeiras, distribuídas por 53 expositores, vão tentar cativar os visitantes.

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A Feira decorre numa tenda instalada na Rua Engenheiro Jorge Anjinho.

Diariamente, entre as 15:00h e as 23:00h, e às sextas-feiras e sábados até às 24:00h, a Feira do Livro de Coimbra espera contar com um total de 80 mil visitantes.

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abril 24, 2004

Durão Barroso ensaia-se na lucidez

O Primeiro Ministro compreendeu que José Saramago é alguém que não pode estar de relações cortadas com o Governo. A relevância do Nobel da Literatura como escritor e, cada vez mais, como figura política, é demasiado grande.
Assim, o Primeiro Ministro, com a sensata ajuda da Ministra dos Negócios Estrangeiros, colocou o Estado fora de assuntos que não lhe dizem respeito, como religião e moral.

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Foi em 1992 que o rotundo Sousa Lara, então Secretário de Estado da Cultura, instigou o Governo a ter uma atitude inquisitória para com o escritor José Saramago. O Estado não podia estar em conúbio com um comunista e ateu que promovia a “blasfémia” contra o catolicismo, o capitalismo e os costumes.
Por isso, O Evangelho Segundo Jesus Cristo foi banido da candidatura a um concurso literário europeu.

Ora, o agora Nobel da Literatura e figura de proa do debate político nacional (veja-se o recente Ensaio Sobre a Lucidez, que remete para segundo plano o romance e dá maior relevância aos postulados políticos do autor) não pode continuar a ser, como percebeu a inteligente Teresa Gouveia, excomungado pelo Estado com base na sua ideologia.

Em vésperas do 25 de Abril, o PSD parece ter ganho juízo, por muito que isso doa ao PP, e decidiu deixar de intrometer-se em assuntos que não lhe dizem respeito, como os pressupostos morais ou políticos de quem quer que seja.

Afinal, o valor de Saramago enquanto escritor é indiscutível (goste-se ou não dele) e o Estado, se bem que não deve ter artistas “protegidos”, não deve também hostilizá-los. E, se não deve hostilizar o artista, muito menos deve, como fez Sousa Lara, hostilizar o artista enquanto homem.

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abril 23, 2004

o livro em festa

Comemora-se hoje o Dia Mundial do Livro e a data é assinalada com iniciativas em várias cidades do país.

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Em Lisboa, 300 jovens actores oferecem livros de autores portugueses a utentes dos transportes públicos.

Ainda em Lisboa, o Ministro da Cultura, Pedro Roseta participa na campanha Salvem um Livro, que decorre às 18:00h na Biblioteca Nacional e que tem como objectivo de angariar fundos para o restauro de obras literárias.

Várias outras iniciativas decorrem em paralelo, durante todo o dia, na capital.

No Porto, a Biblioteca Almeida Garrett oferece oa público um vasto programa, que inclui colóquios, sessões de contos, entrega de prémios e pedipaper pelos jardins do Palácio de Cristal.

Posted by Andreia C. Faria at 11:07 PM | Comments (0)

abril 21, 2004

Parlamento expõe marcas da censura

Perto da comemoração dos 30 anos do 25 de Abril, o Parlamento decide expor algumas obras que têm a marca do lápis azul. A mostra de livros censurados começa esta tarde, na Livraria Parlamentar da Assembleia da República.

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A maioria das obras em amostra são provenientes de colecções particulares ou do Fundo Bibliográfico Piteira Santos, em depósito na Biblioteca da Amadora.

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abril 07, 2004

A Televisão Antes e Depois do Big Brother

Andy Warhol escreveu que “no futuro, todos seremos famosos durante quinze minutos”. Não saberemos, ao certo, qual o alcance que o expoente máximo da Pop Art via nas suas próprias palavras. Talvez seja um exagero considerarmos que, de facto, todos um dia seremos famosos durante quinze minutos, assim como será abusivo pensarmos que este fenómeno se possa vir a verificar, não na totalidade dos seres humanos, mas numa grande maioria deles. Por Ricardo Simães

Importa aqui, parece-me, analisar a frase directamente a partir do conceito que, julgo, lhe está subjacente. “No futuro todos teremos os nossos quinze minutos de fama” quer dizer, apenas, que a fama retratará o Pop, o popular, na mesmíssima proporção que a arte o fez, precisamente na Pop Art, sendo as latas de sopa “Campbell’s” o mais exacto exemplo da afirmação precedente.
O que continham estas latas de sopa de tão especial que pudesse levar um artista plástico, Warhol, a representá-las? Nada. A sua essência residia exactamente na sua vacuidade, em nada terem que pudesse ser considerado artístico. Warhol viu nestas uma manifestação de uma cultura emergente, o preâmbulo da sociedade massificada, da sociedade de consumo? Se não o viu, tê-lo-á, pelo menos, pressentido. Retratou-as maravilhado com uma cultura verdadeiramente popular que descobriu? Ou, ao retratá-las, lançou um olhar irónico, quiçá desiludido, perante uma cultura assente, precisamente, no facto de ser popular, de ser para todos, de ser de todos e ser, assim, uma cultura em que a arte já não é verdadeiramente interventiva? É possível que Warhol tenha percebido o quão kitsch o mundo se tornava e ele próprio terá levado a sua arte a um extremo do kitsch. Para que pudéssemos compreender até que ponto o kitsch é vazio? Para que pudéssemos compreender até que ponto o kitsch é ridículo?
Não sendo importante até que ponto Warhol pretendia ser interventivo, é porém importante compreendermos que na sua vida, nas suas expressões artísticas (recordam-se dos célebres filmes realizados pelo artista plástico americano?), nessa frase que ficou para sempre, é notório que Warhol percebeu em que direcção caminhava o mundo, mais concretamente a sociedade americana e, por inerência, grande parte do mundo ocidental, no qual Portugal se insere.
Poder-se-á, embora eu pense que o leitor mais atento já terá compreendido de que forma Andy Warhol surge neste contexto, dizia eu que se poderia perguntar o que é que Andy Warhol tem a ver com o “Big Brother” mais ainda quando este nome advem da mente de um brilhante escritor, George Orwell, e de um livro em particular, “1984”. Assim sendo, o que é que Andy Warhol tem a ver com o Big Brother?
A resposta a esta questão é a seguinte: O programa em si deriva, na forma, do conceito de Orwell. No conteúdo, porém, alimenta-se do Pop de Warhol. No aspecto sociológico, e aqui entra o antes e o depois da televisão, porque é que o Big Brother existiu? Porque é que foi um sucesso? O que é que veio mudar? No aspecto sociológico este Big Brother é muito mais de Warhol pois foi este quem o previu nos moldes a que hoje, em termos gerais, o programa Big Brother ou, mais ainda, a cultura Big Brother se cinge.

Para entendermos melhor o alcance daquilo que para trás se tentou explicitar, é necessário que atentemos no próprio programa em si. Um determinado número de pessoas está encerrado numa casa, sem qualquer meio de comunicação para com o exterior. Essas pessoas irão estar ali um determinado espaço de tempo. A fazer o quê? Por muito que se inventem tarefas, desafios, etc., essas pessoas, durante o tempo que estiverem ali, e esse é verdadeiro objectivo do programa, vão estar ali a serem elas próprias. Quem são essas pessoas? Pessoas normais, comuns. Qual é a sua marca distintiva? O que é elas têm de tão especial para aparecerem, e viverem durante meses, na televisão, perante o olhar de milhões? Nada. Absolutamente nada Com o devido respeito, são exactamente iguais a milhões de outras pessoas. Precisamente como as latas de sopa Campbell’s...

Chegamos aqui a um ponto que me parece essencial: a descaracterização dos indivíduos. O vazio interior porquanto já não são as latas de sopa, mas antes os seres humanos, as suas reacções, a sua vivência emocional e afectiva, a sua rotina diária, que se tornam objectos de consumo das massas. E é paradoxal que esta cultura de descaracterização vá à procura, exactamente, do indivíduo, da pessoa concreta, individual. Será uma busca de uma identidade perdida? Não me parece crível pois, se assim fosse, o programa não seria feito com pessoas que, e uma vez mais com o devido respeito, são iguais a milhões de outras. A resposta reside, exactamente, neste milhões anónimos. São estes milhões de anónimos que, se não têm “a fama durante quinze minutos”, ao tornarem o Big Brother no sucesso em que este se tornou, fazem com que fama não valha, de facto, mais do que um mero quarto de hora...

O Big Brother veio tornar explícito algo que era já latente: se, de uma ou de outra forma, todas as culturas tendem sempre a caminhar para um estado kitsch, dado que esse kitsch é, digamos assim, o ideal, a cultura ocidental esvaziou-se. Esvaziou-se . Entenda-se porém que não terá sido de valores que esta se esvaziou, pois é precisamente em valores que o kitsch assenta os seus pilares. Esvaziou-se de pessoas e, consequentemente, insuflou-se de latas de sopa Campbell’s que, curiosamente, se chamam Marco, Zé Maria, Sónia, etc. ... Estes nomes que citei, citei-os porque tiveram de facto os seus quinze minutos de fama. Tenho que citar também as latas de sopa Campbell’s chamadas António, Pedro, Maria, Manuela, etc., que aos milhões por esse mundo fora viveram os quinze minutos de fama dos primeiros.

O Big Brother foi a verdadeira explosão da cultura vazia das nossas sociedades. Não a inventou, não a fortaleceu, apenas, como Warhol fizera com as suas latas de sopa, a retratou. O problema, porém, é que o Big Brother não é a obra de um génio que pressente a direcção em que caminha um determinado modelo de sociedade. O Big Brother É essa sociedade. É de si, para si. Nada prevê, nada aponta. Apenas, inconscientemente, se reflecte a si própria. Foi isto que Warhol previu quando desenhou a sua lata de sopa. A nossa sociedade deu-lhe razão.

Por isso, mais do que o que é que mudou na televisão antes e depois do Big Brother, a verdadeira questão é “O que é que mudou em nós para que a Televisão tivesse um Big Brother”? Nada. Simplesmente faltava um click para que acontecesse aquilo que, mesmo inconscientemente, todos esperávamos, aquilo porque todos ansiávamos. E o que é isto porque tanto ansiávamos?
Pensemos: há décadas atrás, todas as pessoas queriam muito ter uma televisão numa casa perto de si, para poderem ver aquela caixinha mágica. Depois, todas as pessoas passaram a querer muito ter essa caixinha dentro de sua própria casa. Depois, inconscientemente, todas as pessoas passaram a querer muito ter a sua casa dentro dessa caixinha mas, como ainda existe um certo pudor, uma determinada hipocrisia, as pessoas arranjaram um compromisso diferente.
Senão vejamos: pegaram no muito querer, juntaram a este o pudor, e a estes a hipocrisia, e o que obtiveram como solução final? Voyeurismo. Passaram a querer muito ter a caixinha dentro de uma casa normal, como a deles, uma vez que a deles não podia ser, devido ao pudor supracitado. E como, de uma forma geral, esta regra se aplicava a todas as pessoas, qual foi a solução encontrada? Uma casa que não é de ninguém e que é de todos, e essa caixinha lá dentro: A Casa do Big Brother.

Depois deste acontecimento, é neste patamar de intimidade vazia (vazia porque, não o esqueçamos, o voyeurismo é uma actividade solitária, mesmo se praticada por milhões de pessoas), que a luta das audiências se joga. Seria fastidioso enumerar os sucedâneos do Big Brother a que já pudemos assistir, desde as sequelas do mesmo, até ao Survivor, ao Bar da TV e por aí fora, até pararmos na bem actual “Operação Triunfo” ou nos "Soccastars". O denominador comum é sempre o mesmo. Latas de sopa Campbell’s a viverem os seus quinze minutos de fama. Latas de sopa Campbell’s a vibrarem com um mundo em que, finalmente, as latas de sopa Campbell’s têm direito aos seus quinze minutos de fama...

A televisão não muda. São as pessoas que mudam. E hoje, ao olharmos para a televisão, percebemos que as pessoas mudaram e se tornaram em latas de sopa de consumo popular...
Terminando a analogia, Warhol pintou umas quantas Campbell’s ao longo da sua vida. Comparativamente, essas chamam-se Zé Maria, Marco, todos as conhecemos. As outras, as que também existiram mas que nunca foram pintadas pelo artista norte-americano, cada uma terá o seu nome, mas ninguém sabe qual é...
No final todas serão esquecidas porque, no meio de tudo isto, um facto parece ser incontornável: as latas de Warhol são intemporais. Todas as outras, se tiverem sorte e um pouco menos de pudor, poderão sair do esquecimento e descobrirem-se resplandecentes mas, no entanto, restritas a uns meros, sim o adjectivo, final e afinal, é mesmo este, a uns meros “quinze minutos de fama”...

Como dizia Tyler Durden “fomos amamentados a TV, fomos convencidos que, um dia, todos seríamos rock stars, estrelas de cinema, famosos, ricos e bonitos...”. Nada está mais longe da realidade...

Ricardo Simães.

Posted by Andreia C. Faria at 03:36 AM | Comments (0)

abril 06, 2004

Crítica da Crítica

Hoje em dia assiste-se na crítica poética, infelizmente, a uma gratuitidade na forma como se trocam o que, supostamente, seriam ideias ou diferentes concepções estéticas. Trocar ideias, cada vez mais e repito-o, infelizmente, é algo que se esbate em favor da pura agressão verbal. Novos poetas, poetas mais velhos, pessoas que gostam de poesia, e pessoas que julgam que gostam de poesia, parecem envenenadas por uma intolerância incompreensível relativamente ao trabalho de outras pessoas. Por Ricardo Simães

Há algo de errado quando, ao lermos crónicas, debates, etc., podemos reparar numa tendência pecaminosa para, ao ler os textos de outrém, se atentar, apenas, em possíveis erros. Erros, claro está, na opinião de quem lê, de quem, pretensamente, analisa.
Não está em causa o direito de gostar ou de não gostar, assim como não está em causa o direito de se achar que o poema a ou b tem, ou não, qualidade. Por inerência, não está em causa a qualidade, ou a falta dela, que podemos atribuir a este ou àquele autor.
O espírito crítico é um bem essencial da humanidade.
O que, porém, terá que ser posto em causa, é a gratuitidade de muitas afirmações.
O que terá que ser posto em causa, é a forma escolhida - muitas vezes violenta - para se comentar o trabalho de alguém. Como se, volto a dizê-lo, a maior preocupação ao ler um poema, devesse ser encontrar-lhe eventuais falhas, encontrar nas palavras aquilo de que não gostamos, aquilo que, a nosso ver, serão opções, estéticas ou de conteúdo, a oscilar entre o mau gosto e o vazio.
Pela minha parte, reservo-me o direito de gostar ou não daquilo que leio. Pela minha parte, reservo-me o direito de, mediante a minha própria escala de valores, atribuir mais ou menos qualidades a um ou a outro autor. Mas, pela minha parte também, reservo-me o direito de ler porque entendo que, de facto, existe no acto criador uma mais valia humana.
E reservo-me, naturalmente, a boa educação e o bom senso quando, seja em que situação for, se revelar pertinente dar a minha opinião sobre o trabalho de uma outra pessoa.
A crítica tem, por definição e perdoe-se-me o pleonasmo, que ser crítica. Mas, também por isso mesmo, tem que ser crítica em relação a si própria e, desta forma, compreender que a distância entre a crítica e a materialização de uma forma envenenada de encarar tudo o que seja o trabalho alheio, se encontra delimitada por uma fronteira que, apesar
de me parecer bem nítida, me parece também, e cada vez mais, mais fácil de ultrapassar.

Ricardo Simães.

Posted by Andreia C. Faria at 06:57 PM | Comments (3)

abril 02, 2004

Literatice e criancice

O dia Internacional do Livro Infantil comemora-se hoje. Várias actividades que procuram cativar os mais jovens para a literatura multiplicam-se pelo país.

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A Biblioteca Municipal da Nazaré e a Câmara Municipal de Santo Tirso convidam as crianças entre os 8 e os 12 anos a participarem n´A Arca dos Contos, escrendo estórias.

Em Lisboa, os mais novos podem participar n´O Livro Surpresa, na Bedeteca Municipal.
Leitura de contos pela boca da escritora Glória Bastos é o programa oferecido pela Biblioteca Penha de França.
Já a Biblioteca Camões propõe a dramatização de uma história, ateliers de expressão plástica, ateliers de expressão musical e leitura de poesias.

Posted by Andreia C. Faria at 09:42 PM | Comments (2)