Primeira edição de Hobbit atingiu os 8560 euros num leilão na Inglaterra.
Fonte: BBC

O livro que antecedeu a trilogia de Tolkien foi publicado em 1937 e pertenceu sempre à mesma família. Neste livro o autor descreve a Terra Média que mais tarde será o palco das aventuras do senhor dos aneis.
A popularidade da obra de Tolkien foi impulsionada pelos filmes de Peter Jackson, o realizador que ganhou 13 óscares em 2003 com o último capítulo da trilogia.
O livro acabou por ficar nas mãos de um comprador local com menos 1700 contos no bolso, aproximadamente.
O responsável pelo leilão afirma que a popularidade de Tolkien não dá sinais de diminuição, toda a obra do autor é «intemperal e muitíssimo respeitada».
Turquia vai receber uma exposição sobre Fernando Pessoa. O Primeiro Ministro, Pedro Santana Lopes e a directora da Casa Fernando Pessoa, Clara Ferreira Alves, vão inaugurar sexta-feira «o labirinto Pessoano» instalado por João Francisco Vilhena na galeria Yapi Kredi Kultur.
Fonte: RTP
Última Fotografia de Fernando Pessoa
Fernando Pessoa e os Mundos Esotéricos de José Manuel Anes é o nome do mais recente livro sobre o Universo Pessoano. Inspirado nas novas descobertas deste autor, João Francisco Vilhena elaborou uma exposição sobre o esoterismo e a heteronímia do poeta.
Nesta exposição a infância de Pessoa é vista como um labirinto pessoal e a árvore assume um papel principal já que «tem uma natureza mágica forte», segundo o artista plástico.
A magia da escrita é, segundo José Manuel Anes, uma das facetas esotéricas presentes na obra do poeta e dos seus heterónimos. O mediunismo e a sociedade Rosa-Cruz fizeram parte da vida de Pessoa e intensificaram nele o gosto pelos Templários, pelo hermetismo, pela alquimia, pelo gnosticismo, pela maçonaria e pela teosofia.
Anes considera que «a obra pessoana assenta numa complexa estrutura esotérica», sendo por isso «um bom exemplo daquilo que se entende por uma literatura esotérica».
Prova disso é «um mundo intermediário entre o sensível e o inteligível, entre o imaginário e o simbólico» que o investigados afirma que Fernando Pessoa criou.
José Manuel Anes descreve o poeta como um «viandante»,«eternamente medium de si próprio e dos outros». Nesta perspectiva insere-se a exposição composta por João Francisco Vilhena que pretende evidenciar o misticismo e o mediunismo de Pessoa.
Esta faceta de Fernando Pessoa é bem conhecida. O Poeta chegou mesmo a traçar as cartas astrológicas dos seus heterónimos e a confessar à Tia Anica que acreditava ter tido uma experiência mediúnica envolvendo um dos seus textos.
Como o próprio poeta afirmou: o seu destino pertenceu a «outra Lei», «subordinado (...) à obediência a Mestres que não permitem nem perdoam».
Fernando Pessoa no MUITA LETRA.
Nadine Gordimer lançou o repto e mais de 20 escritores aceitaram o desafio. Telling Tales é a antologia de contos que resulta da participação de nomes como Saramago ou Woody Allen e as vendas revertem a favor da luta contra a sida.
Fonte: Diário Digital

Nadine Gordimer, coordenadora de Telling Stories
Margaret Atwood, Gunther Grass, Susan Sontag, Gabriel Garcia Marquez, Arthur Miller são outros dos autores que colaboram em Telling Tales. A coordenação da obra é da escritora sul-africana e Nobel da Literatura em 1991 Nadine Gordimer.
Nenhum dos textos se refere especificamente à doença, apesar da intenção ser doar os lucros do livro ao projecto Treatment Action Campaign, que fornece medicamentos a doentes com sida.
Nadine Gordimer é embaixadora da boa vontade nas Nações Unidas. O lançamento oficial será feito por Kofi Annan na véspera do Dia Mundial da Luta contra a Sida.
Telling Stories estará traduzido em 12 línguas. Ainda não é conhecida a data de publicação em Portugal.
Leia aqui alguns excertos da obra
Os dois poetas portugueses estão em destaque em dois ensaios lançados pela Roma Editora. Poética do Sensível, de José Fernando Castro Branco, destaca a «coerência estético-literária que caracteriza, de ponta a ponta, a poesia de Albano Martins». Interfaces do Olhar é uma antologia crítica de textos de vários autores sobre a poeta e pintora Ana Hatherly e compilada pela própria.
Fonte: Diário de Notícias

O ensaio de José Fernando Castro Branco é o resultado de uma tese de mestrado sobre Albano Martins. Poética do Sensível conta ainda com uma antologia de textos do poeta.

Interfaces do Olhar é composta por textos de vários autores (Ana Gabriela Macedo, Ana Marques Gastão, Casimiro de Brito, Elfriede Engelmayer, Fernando J. B. Martinho, Maria João Fernandes, Pedro Sena-Lino, Rogério Barbosa da Silva e Ruth Rosengarten) sobre o perfil multidisciplinar da obra de Hatherly que, para além da poesia, dedica-se também à pintura, ao ensaio e à investigação.
Estes ensaios fazem parte da colecção Faces de Vénus da Roma Editora, coordenada por Annabela Rita. A apresentação das obras decorreu no Instituto Camões, em Lisboa. Casimiro de Brito foi o responsável pela apresentação de Interfaces do Olhar.
O poeta e sócio da editora Quasi anunciou o seu afastamento do projecto em carta tornada pública, mas não apresentou os motivos do abandono.
Fonte: Diário Digital

valer hugo mãe (à esquerda) com Jorge Reis-Sá, co-fundador da Quasi
valter hugo mãe (assim mesmo, com minúsculas) era até agora, juntamente com Jorge Reis-Sá, o principal rosto da editora de Vila Nova de Famalicão. A Quasi foi fundada por ambos em 1999 e em 2000 tornou-se na empresa cultural Do Impensável, na qual se integra a editora.
A Quasi destaca-se pelo grande destaque dado à poesia e por, em alguns anos, ter dado a conhecer obras de poetas até então ignorados pelas editoras.
Nascido em 1971, em Angola, valter hugo mãe tem publicados, até ao momento, vários volumes de poesia, entre os quais O Resto da Minha Alegria Seguido de a Remoção das Almas, Útero ou Estou Escondido na Cor Amarga do Fim da Tarde. Em prosa, publicou O Nosso Reino.
Após a saída da Quasi, e sem especificar que projectos tem para o futuro, o poeta garante que vai continuar, no entanto, «no meio dos livros» e «disponível para todas as conversas para que me queiram».
Bibliografia completa de valter hugo mãe
A peça de Eric-Emmanuel Schmitt está em exibição no Teatro do Campo Alegre, no Porto. A luta de dois homens pelo amor de uma mulher é motivo de reflexão sobre literatura, amor e sexo.
Fonte: Agenda do Porto

Um escritor isolado numa ilha, onde escreve cartas à mulher amada, é surpreendido pela visita de um jornalista. Assim começa o diálogo entre os dois personagens da peça que o francês Eric-Emmanuel Schmitt escreveu entre 1996 e 1997.
A peça chega agora ao Porto pela mão da Seiva Trupe. Júlio Cardoso e António Reis interpretam, sendo o último responsável pela encenação. Variações Enigmáticas pode ser vista no Teatro do Campo Alegre até 12 de Dezembro.
Guardador de Almas, romance de Rui Vieira, foi a obra eleita na edição deste ano do Prémio Literário Cidade de Almada.
Fonte: Jornal de Notícias

O galardão, no valor de 5000 euros, foi atribuído por um júri formado pelo escritor José Luís Peixoto e por dois membros da Associação Portuguesa de Escritores e da Associação Portuguesa de Críticos Literários.
O romance de Rui Vieira foi escolhido entre os 71 originais a concurso.
Arthur Hailey, escritor britânico responsável por best-sellers como Hotel ou Aeroporto, morreu hoje, vítima de enfarte cardíaco, nas Bahamas.
Fonte: Diário Digital
O suspense é o elemento da obra de Haley, o que fez com que Aeroporto fosse transposto para a tela do cinema, trazendo reconhecimento ao escritor.
Natural do Reino Unido, Haley mudou-se para o Canadá após a II Guerra Mundial, onde se dedicou à escrita de guiões para televisão.
A obra de Arthur Haley é composta por 11 títulos, entre os quais se destacam Detective, Colapso ou Strong Medicine.
Personalidades de vários quadrantes da vida nacional organizaram a colectânea Poemas da Minha Vida, para a qual escolheram os poemas que mais os marcaram. Os primeiros quatro volumes foram ontem apresentados na Fundação Mário Soares. Os autores desta antologia, exteriores ao meio literário, provam que a poesia pode, mesmo assim, ser marcante.
Fonte: Público

Mário Soares, Miguel Veiga, Diogo Freitas do Amaral e Urbano Tavares Rodrigues são as personalidades responsáveis pelas escolhas destes quatro volumes de Poemas da Minha Vida. Este último é o único escritor entre o lote de economistas, médicos ou advogados que seleccionaram Os Poemas da Minha Vida.
Entre os senhores que se seguem, estão Ramalho Eanes, Vasco Gonçalves ou Marcelo Rebelo de Sousa.
A maior parte dos poemas escolhidos pertencem a autores portugueses, mas alguns nomes estrangeiros também figuram entre os eleitos. Cada poema conta com um prefácio em que cada personalidade explica o motivo da sua escolha.
Refira-se que Mário Soares, chamando a obra de Herberto Helder a Os Poemas da Minha Vida, consegue fazer com que o poeta participe numa antolgia, ideia a que raramente se encontra receptivo.
José da Cruz Santos, com experiência na área editorial, é o coordenador da obra e assegura que «uma escolha de poemas permite formar uma ideia sobre a pessoa que seleccionou, e isso pode cativar leitores que, não sendo tão afectos à poesia, serão aqui movidos pela curiosidade de saber mais sobre os antologiadores».
Os Poemas da Minha Vida é uma colecção do jornal Público e hoje encontrava-se já disponível nas livrarias. Dia 27 é a vez da Biblioteca Almeida Garrett, no Porto, receber a apresentação desta antologia poética.
Herberto Helder no MUITA LETRA
As Obras Completas de William Shakespeare em 97 Minutos é uma comédia que põe em palco 37 obras do dramaturgo inglês...em apenas 97 minutos. O Coliseu do Porto recebe a peça esta sexta-feira.
Fonte: Agenda do Porto

Os norte-americanos Adam Long, Jesse Borgeson e Daniel Singer são os autores desta colectânea de textos de Shakespeare. Em Portugal, a direcção da peça é de Juvenal Garcês e os actores são Manuel Mendes, João Carracedo e Simão Rubim. A encenação é da Companhia Teatral do Chiado.
Em cena desde 1996, a peça já conta com mais de 117 mil espectadores em Portugal.
Em Espanha, onde se encontra a promover o seu mais recente livro, a escritora disse que, «quer se goste, quer não», pôs Portugal a ler.
Fonte: Diário Digital

A autora de best-sellers como Não há Coincidências ou Sei Lá apresentava Alma de Pássaro ao país vizinho quando disse aos jornalistas que «pôs Portugal a ler», num momento em que «o panorâma editoral se encontrava agonizante».
A escritora justifica o seu sucesso dizendo-se «um fenómeno cultural e social» que teve o mérito de «democratizar a leitura».
A verdade é que Margarida Rebelo Pinto é um fenómeno de vendas, com mais de 1 milhão de exemplares vendidos em Portugal. Acusada por muitos críticos de ser um produto sub-literário e de ter um estilo "pimba", Rebelo Pinto é também muito popular no Brasil ou em Espanha.
Margarida Rebelo Pinto no MUITA LETRA
Há muito tempo que suspeitava, se não com inquietação pelo menos com tristeza, que em Portugal só a arte da bola motiva as pessoas e todas as outras formas de expressão atravessam um deserto de indiferença. A morte de Sophia de Mello Breyner em vésperas de final do Campeonato da Europa e a possibilidade de os 150 anos da morte de Almeida Garrett serem ignorados pelas entidades públicas vieram confirmá-lo.

Gosto muito de futebol. Nenhum outro desporto me entusiasma, só o futebol exerce um inexplicável fascínio sobre mim. Talvez por isso seja o desporto-rei, e a comprová-lo há milhões de adeptos em todo o mundo. Mas também sei que, se há coisas importantes e às quais vale a pena dar atenção, o futebol não é uma delas. Porque a atenção que já lhe é dada é excessiva e está a retirar espaço e visibilidade a outras coisas.
Sophia de Mello Breyner Andresen morreu dois dias antes da ansiada final do Euro 2004. Não estava à espera que alguém deixasse de assistir, 48 horas depois, ao jogo com a Grécia, mas a apatia com que a notícia da morte de alguém tão especial como Sophia foi recebida só pode ser sinal de duas coisas: mau carácter ou estupidez. Incrível como a tanta gente passou despercebido que, com a morte da poetisa, Portugal sofria uma perda mais irreparável do que a de qualquer jogo de futebol.
Para além dos comentários de pêsames de governantes e figuras de vulto da cultura nacional, ninguém mexeu uma palha em homenagem a Sophia até bem depois do dia 4 de Julho. Resta-nos o consolo de saber que Sophia, ela, estava consciente da sua grandeza: «Para que é necessário que os outros saibam que somos grandes se nós o somos realmente?».
Almeida Garrett, figura de proa do romantismo português e à qual os estudantes do secundário prestam, quantas vezes a contragosto, reverência, morreu há 150 anos. Seria de esperar alguma iniciativa da parte da Câmara Municipal do Porto ou do Ministério da Cultura no sentido de assinalar a data, mas até agora nada, ninguém se chegou à frente.
Das duas uma: ou Almeida Garrett é mais do que o personagem que o tempo tornou pitoresco e que o programa lectivo impõe aos estudantes, e como tal deve ser tratado com respeito e a importância da sua obra relembrada em datas como esta, ou então é um escritor datado, em quem já ninguém vê génio, e como tal deve ceder o seu lugar a outros nos livros de português e nas comemorações públicas. Eu acredito que Garrett contribuiu para a evolução da literatura portuguesa e que os 150 anos da sua morte mereciam mais do que esquecimento.
Como fã de futebol, sei que as emoções que este desperta são por vezes incontroláveis. Sei que o futebol é um fenómeno social de grande relevo, que une as pessoas como poucos outros. Mas quando o futebol ocupa, nos meios de comunicação social e na vida das pessoas, o espaço de todos os outros fenómenos sociais (entre eles, a arte) algo vai mal.
O Presidente da República vai condecorar António Lobo Antunes com Grã-Cruz da Ordem de Sant'lago, por ocasião dos seus 25 anos de carreira, e ninguém duvida que Sampaio esteja ciente do mérito do autor de Memória de Elefante. Mas quem não se lembra das lágrimas de Sampaio ao condecorar os vice-campeões da Europa? Depois disso, tudo o que seja menos do que lágrimas por Lobo Antunes ou outros de igual mérito não é suficiente.
Não sei se, 150 anos após a morte de Figo, alguém lembrará o jogador. Sei, sim, que nem a sua melhor finta deve fazer esquecer um poema de Sophia.
Sophia de Mello Breyner Andresen no MUITA LETRA
António Lobo Antunes no MUITA LETRA
A três semanas dos 150 anos da morte de Almeida Garrett, Câmara Municipal do Porto e Ministério da Cultura parecem ter esquecido a efeméride. Até agora, só a Livraria Académica, no Porto, e o Grémio Literário, em Lisboa, se preparam para lembrar a data.
Fonte: Jornal de Notícias

Estátua do escritor, frente à Câmara Municipal do Porto
A Cooperativa Árvore contactou a autarquia no sentido de se associar aos eventos comemorativos da data. A Árvore pediu apoio logístico e um subsídio para a distribuição de convites, mas até agora não obteve resposta. E nenhuma iniciativa oficial de homenagem ao escritor portuense está ainda programada.
Em declarações ao JN, José Rodrigues, presidente da cooperativa, explica esta indiferença pelo autor de Folhas Caídas, dizendo que os portugueses são «um povo sem memória e tendem a desconsiderar o que é nosso. Como tal, estamos condenados a ser absorvidos».
Até ao momento, as únicas iniciativas previstas são de âmbito privado: a Tertúlia da Livraria Académica, no Porto, prepara conferências e venda de livros; em Lisboa, o Grémio Literário organiza visitas a lugares significativos na vida de Garrett.

Última residência do escritor, em Lisboa
A casa vem abaixo?
A última casa onde o escritor viveu, em Lisboa, corre o risco de ser demolida. A Câmara Municipal de Lisboa ainda não deu luz verde ao projecto, mas circula já uma petição que visa impedir esta demolição.
Há investigadores que atribuem valor histórico à casa n.º 66-68 da Rua Saraiva de Carvalho e que defendem a sua conversão em casa-museu.
Maria Augusta Silva, jornalista do Diário de Notícias, lança em livro uma compilação de entrevistas e poemas inéditos de alguns dos maiores nomes da poesia actual. Poetas Visitados é apresentado esta noite, a partir das 21 horas, na Biblioteca Almeida Garrett, no Porto.
Fonte: Editora Caixotim

Aguarelas de João Alfaro ilustram o livro
«É urgente sentir estas reflexões e estes poetas, porque isso é olhar o mundo no seu todo. A voz dos poetas é a que mais nos leva para fora de nós», diz a autora desta compilação, ao mesmo tempo obra de arte e documento.
Os autores "visitados" por Maria Augusta Silva são de Albano Martins, Ana Luísa Amaral, António Osório, António Ramos Rosa, Armando Pinheiro, Casimiro de Brito, Cruzeiro Seixas,E. M. de Melo e Castro, Gastão Cruz, João Rui de Sousa, Joaquim Pessoa, José Manuel Mendes, Manuel Alegre, Manuel António Pina, Teresa Rita Lopes e António Gedeão.

Para além de poemas inéditos e entrevistas (seis das quais nunca antes publicadas), Poetas Visitados, publicado pela editora Caixotim, conta ainda com ilustrações de João Alfaro e retratos dos poetas entrevistados.
A apresentação desta noite, no Porto, é de Salvato Trigo. Dia 23 é a vez de Mário Bettencourt Resendes dar a conhecer, na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa, esta colectânea de poemas e entrevistas.
António Ramos Rosa no MUITA LETRA
A Tertúlia Policiária do Norte apresenta durante o dia de hoje e amanhã, no Pequeno Auditório do Fórum da Maia, 3.º Colóquio Nacional sobre Literatura Policial e o 1º Colóquio dobre Problemística Policiária em Portugal. Este ano, os 75 de vida de Tintin, o célebre personagem de banda desenhada, estão em destaque.
Fonte: Jornal de Notícias

É precisamente o jornalista criado por Hergé que hoje, às 15 horas, abre o Colóquio. A Biblioteca Municipal da Maia acolhe também a exposição Uma Evocação de Tintin.
Amanhã é a vez da literatura policial ser debatida no Colóquio de Problemística Policiária, que se inicia às 10 horas.
Esta é a terceira edição do Colóquio Sobre Literatura Policial. Na edição enterior, em que o MUITA LETRA esteve presente, o destaque foi para George Simenon.
Quando as Estevas Entram no Poema, de Graça Pires, foi a obra vencedora do Prémio de Poesia Oliva Guerra. O Prémio Vergílio Ferreira foi para Maria Luísa Guerra, pelo ensaio A simbólica da chuva no Livro do Desassossego.
A Câmara Municipal de Sintra, que instituiu os dois prémios literários, deverá publicar as obras vencedoras em 2005.
Fonte: e-cultura

Os Prémios, no valor de 5000 euros cada, contaram com a participação de 125 concorrentes o que, segundo a autarquia sintrense, foi «um número excepcional».
Clara Noite de Trevas, de Nuno de Figueiredo, e Corpo e Sangue, de Ruy Ventura, foram ainda distinguidos com Menções Honrosas pelo júri do Prémio de Poesia Oliva Guerra. António Manuel Caldeira ganhou igual distinção, referente ao Prémio Vergílio Ferreira, com o ensaio Portugal - O Outro Eleito de Deus.
Maria Luísa Guerra é autora de outros ensaios sobre Fernando Pessoa e seus heterónimos.
O Prémio Vergílio Ferreira, instituido em 1997, comtemplou, entre outros, nas edições anteriores, Maria Velho da Costa, Maria Judite de Carvalho, Mia Couto e Almeida Faria e Eduardo Lourenço.
A associação CAIS assinala o seu 10º aniversário com a publicação de um eclético livro de contos. Margens - Outros de Nós conta com a participação de autores tão diversos como José Saramago, Lídia Jorge ou Margarida Rebelo Pinto.
Fonte: RTP

Margens - Outros de Nós é uma colectânea de treze contos, com o qual a assciação de apoio aos sem-abrigo pretende celebrar o décimo ano da sua existência. Henrique Pinto, Pedro Krupenski, Margarida Fonseca Santos, Risoleta Pedro Pinto, Sara Monteiro, Lídia Jorge, Ana Ramalhete, José de Matos-Cruz, Alexandra Quadros e José Antunes, para além de Lídia Jorge, Saramago, Rebelo Pinto e Mia Couto, são os autores dos textos.
A apresentação do livro realiza-se dia 24 de Novembro, na FNAC do Chiado.
Conta-se com a quadra natalícia para potenciar as vendas do livro, cujos lucros deverão reverter a favor da CAIS.
Margarida Rebelo Pinto no MUITA LETRA
Livros sobre o Natal para os mais novos. Já sabíamos que mais tarde ou mais cedo eles iam aparecer para deliciar as crianças que gostam de ler. Agora só falta mesmo saber os títulos, os autores e as editoras.

Sobre o Natal a Porto Editora aposta em Neil Reed. O Ursinho Mágico, A Noite de Natal do Palhaço João-Surpresa e A Pequena Árvore de Natal. No primeiro, a ilustração ficou a cargo do autor e nos dois últimos a tarefa coube a Susanna Ronchi.
Ainda com a quadra Natalícia como pano de fundo, a Ausência dá vida a Vinte Belos Contos de Natal de Manuela Espírito Santo.
A Labirinto anima a colectânea Histórias para um Natal, que conta com alguns inédito e também reedições dos trabalhos de Altino do Tojal, Alexandre Parafita, António Mota, João Ricardo Lopes, Cunha de Leiradella, Artur Coimbra, Carlos Vaz, Cláudio Lima, Conceição Dinis Tomé, José Abílio Coelho, José Oliveira, José Salgado Leite e Pompeu Miguel Martins.
João Artur Pinto, editor da Labirinto, defende que os contos de natal respondem "a uma necessidade patente no desejo de muitos leitores de se reencontrarem com a sua infância, nas vésperas desta quadra".
O negócio da época natalícia está novamente em marcha. As editoras não querem perder a oportunidade que esta época do ano oferece. Por isso, o escaparate de natal começa-se a compor.

De Moçambique para o sapatinho de Natal chega-nos A Chuva Pasmada de Mia Couto, um livro já galardoado. Danuta Wojciechowska recebeu o Prémio Nacional de Ilustração de 2003 e é também candidata ao Prémio Hans Christian Andersen.

Também para todas as idades a Vega traz-nos Goelas, Canta!, escrito e ilustrado por Catarina Pé-Curto.
Do nosso país surgem agora O Livro dos Homens Sem Luz de João Tordo, editado pela Temas e Debates, Os Cavaleiros de São João Baptista de Domingos Amaral, publicado pela Editorial Notícias e O Silêncio de um Homem Só de Manuel Jorge Marmelo, lançado pela Campo de Letras.
Para oferecer dia 25 de Dezembro pode ainda escolher entre Iluminati de Luís Miguel Otero e A Ilha dos Homens Sós de Leopoldina Serrão, ambos publicados pela Ausência. A Editorial Notícias lança também Lullaby de Chuck Palahniuk.

De todo o mundo chegam mais novidades. A Vega lança o conto de Oscar Wilde "O Gigante Egoísta", a Ésquilo publica "O Homem de Fogo de Francesca Caroutch, sobre a vida de Giordano Bruno e a Campo de Letras aposta no diálogo entre Giovanna Borradoni, Jurgen Habermas e Jacques Derrida em "Filosofia em Tempo de Terror.
A Gótica antecipa o 250º aniversário do grande terramoto de 1755, com "Lisboa Antes do Terramoto", volume sobre azulejaria coordenado por Paulo Henriques.

Mas como o Natal é sobretudo para os mais novos, eles não passaram despercebidos. A editora Campo das Letras publicou A Baleia Constipada e Outras Histórias escrito por Marita Ferreira e ilustrado por Hélio Falcão. Da mesma editora, O Menino que se apaixonou por uma Guitarra - Carlos Paredes de José Jorge Letria com José Emídio nas ilustrações.
Chuck Palahniuk no MUITA LETRA
Vencedor do maior prémio brasileiro de literatura, poeta, professor e tradutor vê nos sonetos uma forma de luta pela lingua portuguesa.
Paulo Henriques Brito nasceu em 1951 no Rio de Janeiro. Começou a escrever aos 6 anos, mas foi em 1982 que se estreou como poeta, com a obra Liturgia da Matéria editada pela Civilização Brasileira. A esta seguiu-se Mínima Lírica, publicada pela Livraria Duas Cidades em 1989 e Trovar Claro em 1997. Este é considerado o seu melhor livro pela crítica e valeu-lhe o prémio da Fundação Biblioteca Nacional no mesmo ano de publicação da obra. Mas foi com Macau que venceu a edição este ano do prémio PT de literatura Brasileira.
É professor, mas no mundo literário é mais conhecido como tradutor. No seu port-folio encontramos versões em português de autores como Philip Roth, Thomas Pynchon, Don DeLillo, Henry James, Elisabeth Bishop, Salman Rushdie, entre outros.
Entre as suas grandes influências estão Haroldo e Augusto de Campos, com quem afirma ter aprendido a escrever, juntamente com as suas traduções dos poemas de Wallace Stevens e Emily Dickinson.
Paulo Henriques Brito foi o grande vencedor do mais importante prémio literário brasileiro.

«Escolhi o título Macau, pequena ilha de língua portuguesa encravada no meio da China, para mostrar o lugar do nosso idioma no cenário mundial», afirmou o escritor carioca depois de receber 100 mil reais, 28 mil euros. Foi através do bom humor dos seus sonetos e da preocupação com a língua portuguesa que Paulo Henriques Brito conquistou o júri, em São Paulo.
O Voo da Madrugada de Sérgio Sant´Anna ficou em segundo lugar, seguido pelo romance A Margem Imóvel do Rio de Luís António de Assis Brasil.
O livro de contos somou 8,3 mil euros (30 mil reais), e o terceiro premiado 5,6 mil euros (20 mil reais). Os três vencedores receberam também um troféu criado pelo artista plástico Paulo Von Poser.
O prémio PT de literatura brasileira de 2004 debruçou-se sobre as obras literárias em primeira edição no Brasil do ano passado, escritas por autores brasileiros em língua portuguesa.
Esta foi a terceira edição de uma gala cujo objectivo é publicitar a Portugal Telecom, segundo Carlos Vasconcelos, presidente da PT Investimentos Internacionais.
«Como um grupo de origem portuguesa, nada melhor do que investir na língua portuguesa, que aproxima Brasil e Portugal», afirmou o Presidente.
Com o dinheiro, Paulo Henriques Brito pretende pagar uma dívida médica, tal como Sérgio Sant´Anna e também trocar o seu carro de 12 anos.
Macau e o O Voo da Madrugada estão editados pela Companhia das letras, enquanto que A Margem Imóvel do Rio foi publicado pela L&PM.
A escritora americana, autora de best-sellers como The Rape of Nanking e The Chinese in America foi encontrada morta no seu carro, na Califórnia. A polícia pensa que se tratou de suicídio.
Fonte: Diário Digital

Aprentemente, a morte foi causada por um tiro auto-infligido. A escritora de 36 anos tinha estado hospitalizada recentemente devido a uma depressão, o que fortalece a hipótese de suicídio.
Iris Chang fica conhecida pelos seus romances históricos em que retrata a História e a imigração chinesa nos Estados Unidos da América.
A Filha do Capitão é o primeiro romance do autor, mais conhecido do grande público como jornalista. Esta história de amor em tempos de guerra já foi considerada por Francisco Moita Flores como «um marco na literatura portuguesa».
Fonte: Diário Digital

A estreia ficcional do jornalista tem todos os condimentos para ser um sucesso: A Filha do Capitão conta-nos a história de um amor impossível entre o Capião Afonso Brandão, destacado para as trincheiras da Flandres na Grande Guerra de 1914-1918, e uma francesa de olhos verdes.
José Rodrigues dos Santos apresenta-nos este romance como um «tributo» aos portugueses mortos em La Lys.

A forte aposta da editora Gradiva neste romance não deverá ser em vão: a primeira edição, de 10.000 exemplares, já esgotou.
Portugal começa aos poucos a redimir-se da indiferença com que foi recebida a notícia da morte de Sophia de Mello Breyner Andresen. Era isso ou a final do Euro 2004, não havia coração que chegasse para as duas emoções e o futebol ganhou.
Desta vez, o Oceanário de Lisboa homenageia a poetisa, dando o seu nome a uma das principais salas e hospedando uma exposição de poemas retirados da antologia Mar.
Fonte: Oceanário

A exposição é inaugurada dia 15 deste mês, ao mesmo tempo que é apresentada uma versão revista e aumentada por Maria Andresen de Sousa Tavares da antologia Mar. O posfácio, de Francisco Sousa Tavares, consiste na recuperação de um texto que aquele que viria a ser o marido da poetisa escreveu em 1944 para o seu livro de estreia, Poesia
Esta edição de Mar conta com 130 poemas, incluindo três (Mar, Gráfico e O Sol o Muro o Mar) parcialmente inéditos, uma vez que nunca tinham sido publicados na sua totalidade.
Após a atribuição em 2003 do XII Prémio Rainha Sofia à poetisa nortenha, a Caminho, sua editora, iniciou a reedição por volumes da sua obra completa. Mas, completa esta reedição, a Caminho tenciona publicar em 2005, num único volume, toda a obra de Sophia.
Irène Némirovsky escreveu Suite Fançaise, um incómodo retrato da França colaboracionista da II Guerra Mundial. Némirovsky acabou por morrer em Auschwitz, e o facto de, pela primeira vez, este importante prémio literário ser atribuido a um autor já desaparecido está a causar polémica.
O Goncourt contemplou Laurent Gaudé, mais conhecido enquanto escritor de peças teatrais, pelo romance Le Soleil des Scorta.
Fonte: Diário Digital

Gaudé, contemplado com o Goncourt deste ano
O livro, descoberto pela filha da Némirovsky, veio recentemente a público. Suite Française foi o último manuscrito da escritora, russa e judia emigrada em Paris, e a sua publicação está a reavivar nos franceses os fantasmas do colaboracionismo de Pétain.
O secretário geral do Prémio Renaudot, André Brincourt, exprimiu o seu desagrado pela atribuição do galardão a uma escritora desparecida, dizendo que «apesar do livro ser bom (...) [o prémio Renaudot] não existe para reparar as injustiças da morte».
Irène Némirovsky nasceu em Kiev, em 1903. Já em Paris, conhece o sucesso como escritora com David Golder. Durante a Guerra, é presa pela "gendarmerie" francesa e deportada para Auschwitz, onde morre em 1942.

Gaudé é um jovem escritor mais conhecido como dramaturgo do que como romancista e, por isso, a atribuição do Goncourt deste ano causou surpresa. Le Soleil des Scortas é uma saga familiar com todos os condimentos para se tornar um sucesso editorial. O livro vai ser publicado em Portugal pela Asa.
Irène Némirovsky: bibliografia completa
Laurent Gaudé: bibliografia completa
Exposições de arte, música e conferências assinalam hoje, no Teatro São Luiz em Lisboa, os 25 anos desde a publicação de Memória de Elefante e Os Cús de Judas.
Fonte: Público

A iniciativa António Lobo Antunes, 25 Anos de Vida Literária foi organizada pela editora do escritor, a Dom Quixote. Matts Gellerfelt (Suécia), Wolfram Schütte (Alemanha) e Maria Luísa Blanco (Espanha), Maria Alzira Seixo e Mário Claúdio (Portugal) são os críticos que vão falar sobre a obra de Lobo Antunes. Os dois críticos portugueses vão apresentar Eu Hei-de Amar Uma Pedra, o novo romance do autor.
Os músicos Vitorino e Kátia Guerreiro irão interpretar temas escritos pelo aniversariante e José Maria Nolasco e Patrícia Reis irão expor cartazes alusivos à sua obra.
A acompanhar o lançamento de Eu Hei-de Amar Uma Pedra, a Dom Quixote publica também Fotobiografia de António Lobo Antunes, de Tereza Coelho.
Dia 12 será a vez do Porto homenagear o escritor, no Grande Hotel do Porto.
Sugestão: entrevista a Lobo Antunes no DN de hoje
Provavelmente encorajada pela mãe, que já tinha surpreendido com incursões comercialmente bem sucedidas na literatura infantil, Lourdes Leon, filha mais velha de Madonna, escreveu um conto de Natal. Uma estreia precoce, já que Lourdes tem apenas 8 anos.
Fonte: Diário Digital
Madonna e Lourdes: uma família das letras
O conto da autoria da pequena Lourdes vai ser incluido na colectânea Christmas Stories, a lançar pela editora Selfridges.
Para além da filha de Madonna, outros famosos contribuiram para o livro com contos de sua autoria, como o futebolista Michael Owen ou a Duquesa Sarah Ferguson. As receitas do livro revertem a favor de associações de doentes com cancro.
Espera-se agora para ver até que ponto futebolistas, figuras do jet-set e crianças de oito anos têm talento para a literatura.
A publicação de livros por autores desconhecidos do grande público é cada vez mais uma realidade. Escritores e poetas procuram ser editados, uma "aberta" que algumas editoras, geralmente as mais pequenas, estão dispostas a dar-lhes.
Por outro lado, as grandes editoras parecem limitar as suas apostas aos nomes firmados da literatura portuguesa e à importação de fenómenos de vendas com cartas dadas lá fora.
Como estão a ser aproveitadas as primeiras obras de autores desconhecidos? Há lugar no mercado para elas? As editoras que as lançam têm meios de promoção? As editoras que dominam o mercado mostram interesse por jovens escritores ou ignoram-nos, com receio de que não dêem lucros?
Com o intuito de realizar um trabalho aprofundado sobre estes temas, o MUITA LETRA gostaria de ouvir o que escritores e editores têm para dizer.
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Roteiro de eventos literários portuenses actualizado mês a mês.
As Guerras na Literatura Infantil e Juvenil são o tema dos 10º Encontros Luso-Galaico-Francófonos do livro infantil e Juvenil, que decorrem entre os dias 10 e 12 deste mês. Os encontros terão lugar na Biblioteca Municipal Almeida Garrett e as inscrições devem fazer-se previamente.
Também na Biblioteca Almeida Garrett, a comunidade de leitores orientada por Artur Jorge Silva, reúne-se até dia 2 de Dezembro para debater três obras: Pedro Páramo (Juan Rulfo), Henrique IV - Parte I (William Shakespeare) e Memórias de um Anão Gnóstico (David Madsen).
Maria do Rosário Pedreira trará às Quintas de Poesia no Teatro do Campo Alegre poemas da sua autoria, com a participação de diseurs e músicos. Dia 18 de Novembro, às 22:00h, O Vento Ainda Assobia no Meu Quarto.
Alguns aspectos do universo poético de Sophia de Mello Breyner Andresen são transmitidos aos mais novos e a educadores e professores do 1º e 2º cíclo no seminário O Fascínio das Palavras, a decorrer dia 19 na Biblioteca Municipal Almeida Garrett.
Quando foi publicado, em 1928, Orlando era a menos “woolfiana” de entre as obras de Virginia Woolf. Nesta biografia ficcionada, os traços realistas ficaram de fora para dar lugar à exploração dos limites da consciência humana e à reflexão sobre o efeito do tempo no Homem.
Este é um texto com grandes potencialidades, aberto a vários níveis de interpretação: há quem veja nele a história de um personagem imaginário, um ideal andrógino do ser humano, e há quem veja muito mais do que isso. Talvez, acreditando nas palavras da própria Orlando, esta seja simplesmente a história de alguém que busca «a vida e um amor».
Imagens do filme Orlando, de Sally Potter
A vida de Orlando é tão excepcional quanto nos é narrada com grande naturalidade pela “biógrafa” Virginia Woolf: Orlando é-nos apresentado nas primeiras páginas da obra como um nobre e belo rapaz e a última vez que o vemos é enquanto mulher de trinta e seis anos.
O que sucede pelo meio? Orlando experimenta a decepção amorosa pelas mãos de Sasha, a princesa russa que o vai seduzir e desaparecer e a traição do poeta admirado que escreve um poema satírico inspirado no nobre rapaz que acreditava poder ser feliz entre os seus cães, a Natureza e a poesia.
É enquanto cônsul na Turquia que Orlando, então com trinta anos, acorda após um sono de sete dias para descobrir que o seu corpo é agora o de uma mulher. Esta mudança parece perturbá-la apenas no regresso à terra natal, quando Lady Orlando se sente mulher e compreende as contingências dos dois sexos.
As peripécias sucedem-se (a relação de Orlando com o Conde romeno que a corteja inclui episódios muito divertidos) até a mulher, já madura, encontrar aquilo que procura: o amor nos braços do misterioso Shelmerdine, que lhe dará um filho, e a vida feita da sabedoria acumulada durante séculos.

Talvez este texto devesse começar por aqui: aparentemente, Orlando é imortal e o período da sua vida que Woolf retrata estende-se desde a corte isabelina de 1600 até 11 de Outubro 1928, ano em que o livro é escrito.
Mas, como já se disse, a biógrafa descreve Orlando como meramente humano (Woolf impinge ao leitor este delicioso engano) e este ser, excepcional pela sua bondade, pela sua beleza, pela sua coragem apaixona facilmente aqueles leitores que têm o hábito de contrair “paixonetas” literárias.
Orlando foi inspirado por uma mulher por quem Virgínia Woolf alimentava um amor obsessivo, e este retrato parece ser a utopia eugenista da escritora: um ser humano imortal, leal, corajoso, inocente e puro. Alguém, de facto, que se assemelha a um ser humano, mas que pela sua perfeição nunca o poderia ser.
Orlando recebeu grande aceitação aquando da sua publicação, tanto na Grã-Bretanha como nos Estados Unidos. Diga-se que foi esta obra que permitiu ao casal Leonard e Virginia Woolf comprar o carro que os passeava por Londres e viver desafogadamente durante o resto das suas vidas. Este sucesso deveu-se ao burburinho causado pela explícita colagem do biografado a Vita Sackville-West, a mulher que obcecava Virginia e para quem Orlando foi escrito como «uma extensa carta de amor».
Para além do escândalo social, outras controvérsias fizeram do livro um tema apetecível de discussão. As feministas viram em Orlando o que lhes convinha: uma reflexão sobre o papel das mulheres na sociedade e na literatura, uma apologia da igualdade entre sexos ou até mesmo uma alegoria à superioridade do sexo feminino (recorde-se que, na última página do livro, Orlando é mulher, mãe e, principalmente, sábia e feliz).
E, se as interpretações feministas não fazem hoje sentido, a obra não perde por isso pertinência nem charme. Pelo contrário, liberta de eventuais manipulações ideológicas, - Virginia não rejeita ao livro essa carga ideológica, mas ao descrevê-lo como «uma piada» (referindo-se ao escândalo causado) ou como «uma extensa carta de amor», o feminismo parece remetido para um plano muito secundário - esta biografia fantástica ganha novas perspectivas e força intemporal.
Acima de tudo, Orlando é uma obra singular (tanto no panorama literário em geral quanto na bibliografia da também única Virginia Woolf), repleta de momentos de delicioso humor e de verdadeira poesia. Se não imediatamente na primeira página, o leitor é inevitavelmente levado a “apaixonar-se” por Orlando à medida que ele/a amadurece.

A crítica aclamou o livro pela abordagem vanguardista que a autora fez da biografia enquanto género literário. Sendo Orlando imortal e, num primeiro momento, um nobre ao serviço da pátria, a sua vida calca os mesmos caminhos de importantes acontecimentos históricos, o que lhe confere uma capacidade desejada pela maioria dos mortais e que tanto talento e perspicácia exige ao biógrafo: ser, num único corpo, múltiplos indivíduos, viver inúmeras vidas e ver através de mais do que um par de olhos, relativizando (ou tornando obsoleta) a noção de tempo.
Refira-se que, apesar da sua peculiaridade, Orlando contém alguns elementos comuns a toda a obra de Woolf e que fizeram dela uma das mais importantes escritoras do Modernismo literário de início de século: a exploração do íntimo da personagem (impossível imaginar Orlando sem uma boa dose de liberdade subjectiva) e dos limites da consciência.
Muito se poderia dizer sobre esta biografia magistralmente ficcionada pela escrita elegante, inteligente e ritmada de Virginia Woolf, até porque, como já se disse, a cada leitura o texto se torna mais plural e as deambulações pelas quais a autora atinge epifanias sobre os temas que aborda parecem abrir novos caminhos. O comentário aqui feito constitui apenas uma leitura pessoal da obra.
Para quem gostar do livro (e muito facilmente Orlando se torna um fetiche literário), recomenda-se o filme, do mesmo nome, realizado por Sally Potter e que consegue recriar o ambiente mágico, por vezes irreal, e manter intacto o humor do livro.
A edição centenária do Prémio francês Fémina foi atribuído a Jean-Paul Dubois, pela obra Une Vie Française. O Médicis, por sua vez, foi para La reine du silence, de Marie Nimier.
Fonte: Diário de Notícias

Dubois e Nimier: vencedores de dois importantes prémios franceses
Une Vie Française, de Dubois, é descrito como «radiografia trágica e cómica» do quotidiano galês e será publicado em Portugal em 2005, pela ASA.
Marie Nimier escreveu La Reine do Silence, romance sobre o desaparecimento, quando era uma criança de 5 anos, do seu pai.
Já o Fémina Estrangeiro foi atribuído ao escritor irlandês Hugo Hamilton por Sang Impur, enquanto o Fémina do Ensaio galardoou o francês Roger Kempf, autor de L'indiscrétion des Frères Goncourt.
Aharon Appelfeld, escritor israelita, foi distinguido com o Médicis Estrangeiro pela sua autobiografia Histoire d'Une Vie; o Médicis Ensaio recompensou Diane de Margerie, por Aurore et George.
O Prémio Fémina foi fundado há 100 anos por um grupo de mulheres que pretendiaopor-se à «misoginia» do Prémio Goncourt. O Médicis é mais recente, foi instituído há 58 anos. No entanto, a maior parte dos escritores distinguidos com este Prémio são homens.
A França aguarda agora os resulatdos do Goncourt e do Renaudot, outros dos prémios mais desejados pelo palmarés de qualquer escritor francês, que serão serão atribuídos a 8 de Novembro. O vencedor do Interallié será conhecido a 16 de Novembro
A livraria Poetria, no Porto, está a organizar cursos de poesia e teatro para os mais novos. Dina Ferreira, sócia da livraria especializada nestes temas, explica que a ideia «não é ensinar a escrever poesia ou teatro, mas sim sensibilizar os jovens para estas vertentes da arte».
Por: Andreia C. Faria e Tatiana Palhares

Dina Ferreira, responsável pela Poetria
Os cursos destinam-se a jovens entre os 10 e os 14 anos e tem a duração de um ano lectivo. Durante duas horas semanais, o objectivo é sensibilizar e criar um público com espírito crítico para estas duas vertentes artísticas.
O programa destas aulas foca sobretudo autores portugueses e explora as características mais significativas da poesia, tais como a musicalidade, e do teatro como a experimentação, a interpretação e a crítica. Dina Ferreira diz que o importante é «quebrar barreira, apostando numa forma diferente de apresentar a poesia e o teatro aos mais novos».
A coordenação do workshop está a cargo de João Carlos Lobo Xavier (teatro) e João Negreiro (poesia), ambos actores. A oficina de poesia tem lugar no espaço da livraria Poetria enquanto o teatro se explora na livraria Garfo & Letras.
Os cursos arrancam quando o número de inscrições for suficiente. A frequência faz-se mediante o pagamento de 100 euros e as inscrições realizam-se na livraria Poetria (em frente ao teatro Carlos Alberto, no Porto).
Mil livros a um euro cada, foi esta a forma escolhida pela editora Arca das Letras para comemorar o seu primeiro aniversário.

Até 30 de Novembro, esta mega feira do livro vai ser dinamizada com "jantares poéticos", em que actores conhecidos do grande público darão voz a poetas como Pedro Homem de Mello ou Miguel Torga.
Para além de livros a baixo preço, os visitantes podem também encontrar raras como Os Novos Poemas de Deus e do Diabo, de José Régio (edição comemorativa dos 25 anos da morte do poeta) ou a Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra.