As Intermitências da Morte, novo romance de José Saramago, já está na editora para ser publicado, anunciou ontem a Editorial Caminho. O livro, com uma tiragem inicial de 100 mil exemplares, vai ter edição simultânea em Portugal, Brasil, Itália, Argentina, México e Espanha.

Ainda este ano, Saramago publicou Don Giovanni ou O Dissoluto Absolvido, peça de teatro inspirada na ópera de Mozart Don Giovanni ou O Dissoluto Punido.
A editora venezuelana Letralia publica online uma antologia de dezassete escritores hispânicos em honra dos 400 anos do Dom Quixote de Cervantes. Q. En Un Lugar de Las Letras é o nome do e-book que reúne ensaios, textos dramáticos e narrativas e está disponível gratuitamente para download no site da editora.

Na obra digital podem ser encontrados textos dos venezuelanos Rafael Fauquié, María Eugenia Sáez e Carlos Yusti, do uruguaio Armando Quintero Laplume e dos argentinos Alfredo Jorge Maxit. Também os espanhóis Santiago Aguaded, Abelardo Barceló Amorós, Estrella Cardona Gamio, Isidro Iturat Hernández, Rafael Pérez Ortolá e Octavio Santana Suárezo, o boliviano Víctor Montoya, a mexicana Gricel Avila Ortega, os chilenos Marco Massoni-Oyarzún e Alicia Carolina Ugas Pazos, o colombiano Dixon Moya e o peruano Jorge Zavaleta Balarezo integram a antologia de homenagem ao herói de Miguel de Cervantes Saavedra. A epígrafe é da autoria do argentino Aldo Novelli.
Q. En Un Lugar de Las Letras está disponível aqui.
Durante o mês de Maio o leituras com net promove um concurso de micro-contos. Saiba como concorrer aqui e leia alguns dos contos a concurso já disponíveis online aqui.

FICÇÃO
O Livro da Rititi
Rita Barata Silvério
Oficina do Livro
Vril - O Poder da Raça Vindoura
Sir Edward Bulwer-Lytton
Vega editora
A Dança dos Mamelucos
José Maria García Lopez
Temas e Debates
Objectos no Espelho
Katharine Weber
Temas e Debates
Sonhando Com a Palestina
Randa Ghazy
Temas e Debates
A Expulsão do Inferno
Robert Menasse
Ulisseia
Os Meus Anos em Cuna
Eduardo Manet
Ulisseia
A Árvore do Céu III - A Semente Escarlate
Edith Pargeter ( Pseud: Ellis Petters)
Bizâncio
Capão Pecado
Ferréz
Palavra
Quase Memória
Carlos Heitor Cony
Palavra
Bidé: Leituras de Casa de Banho
Nuno Gervásio
Palavra
Sábado
Ian McEwan
Gradiva
Expiação
Ian McEwan
Gradiva
O Guardador de Almas
Rui Vieira
Ambar
A Tempestade
Juan de La Prada ( Prémio Planeta)
Ambar
A Segunda Vez
Mary Higgins Clark
Bertrand
O Iluminador
Brenda Vantrease
Bertrand
Trezentos Cilentes Fixos
Carla Almeida
Quetzal
E se amanhã o medo
Ondjaki
Caminho
Setentrião
João Paulo Borges Coelho
Caminho
Jonathan Strange e o Senhor Norrell
Susanna Clarke
Casa das Letras
The Kitchen Boy: os Últimos Dias dos Romanov
Robert Alexander
Casa das Letras
A Bela Angevina
José-Augusto França
Editorial Presença
Augusto - Imperador de Roma
Augusto Fraschetti
Editorial Presença
Numa Fracção de Segundo
David Baldacci
Editorial Presença
Antero de Quental - O Bacharel José
Ana Maria Almeida Martins
Editorial Presença
Contigo Esta Noite
Joana Miranda
Editorial Presença
Crónicas de Allaryia: A Essência da Lâmina
Filipe Faria
Editorial Presença
Dante e os Crimes do Mosaico (romance histórico)
Giulio Leoni
Editorial Presença
Um Amor Nunca Vem Só
Sarah Dunn
Editorial Presença
Zorro, O Começo da Lenda
Isabel Allende
Difel
O Cavaleiro da Águia
Fernando Campos
Difel
Dom Quixote
Cervantes
Tradução e o prefácio são de José Bento
Ilustrações de Lima de Freitas
Relógio D"Água
O Bom Aprendiz
Iris Murdoch
Relógio D"Água
A HISTÓRIA FABULOSA DE PETER SCHLEMIHL
Adelbert von Chamisso
tradução de João Barrento
escolha de imagens de Lourdes Castro
Assírio & Alvim
RUM
Blaise Cendrars
tradução de Armando Silva Carvalho
Assírio & Alvim
UM ACONTECIMENTO NA PONTE DE OWL CREEK
Ambrose Bierce
tradução de Fernando Luís Sampaio
Assírio & Alvim
COMO ME TORNEI MONJA
César Aira
tradução de José Agostinho Baptista
Assírio & Alvim
A Lenda de Hiran e Belkiss
Bento da Cruz
Âncora
A Guardadora de Gansos
Luísa Monteiro de Sá
Âncora
A Magnífica
Isaure de Saint Pierre
Europa-América
Hy Brasil
Margaret Elphinstone
Europa-América
O Clube da Conspiração
Jonathan Kellerman
Europa-América
A Companhia Branca
Arthur Conan Doyle
Europa-América
A Flor do Sal
Rosa Lobato de Faria
Asa
Qualquer Coisa de Bom
Sveva Casati Modignani
Asa
O Pássaro espectador
Wallace Stegner
Teorema
O Livro dos Seres Imaginários
Jorge Luís Borges
Teorema
O Grande Fogo de Londres
Peter Ackroyd
Teorema
Doze
Nick McDonell
Teorema
A Biblioteca
Zoran Zivkovic
Cavalo de Ferro
Infância de que Nasci
Natércia Freire
Quasi Edições
Million Dollar Baby
F. X. Tool
Editorial Magnólia
Um Amor Para Toda a Vida
Sandra Guimarães
Editorial Magnólia
Morte no Nilo
Agatha Christie
Asa
Falem-me de Amor
Pina Bausch
Fenda
O Castelo da Ceia
Bernard Noël
Fenda
Manual de Civilidade para Meninas
de Pierre Louÿs
com ilustrações de Pedro Proença
Fenda
A Casa Quieta
Rodrigo Guedes de Carvalho
Dom Quixote
A Palavra Mágica e Outros Contos
Rui Zink
Dom Quixote
Diário Remendado
Luis Pacheco
Dom Quixote
Dom Quixote
Carlos Drummond de Andrade
21 ilustrações de Cândido Portinari
Dom Quixote
As Mulheres que Há em Mim
Maria de La Pau Janer
Dom Quixote
A Sombra do Templário
Nuria Masot
Dom Quixote
O Manuscrito de Sir Charles
Carlos Alberto Torres
Dom Quixote
A História Secreta
Donna Tart
Dom Quixote
O Aroma de Goiaba
Gabriel García Márquez e Plinio Apuleyo Mendoza
Dom Quixote
Um Quarto só para si
Virgínia Woolf
Relógio D"Água
POESIA
A INVENÇÃO DO DIA CLARO
José de Almada Negreiros
Assírio & Alvim
O TEMPO QUE NOS CABE
Antonio Mega Ferreira
Assírio & Alvim
MÚTUO CONSENTIMENTO
Helder Moura Pereira
Assírio & Alvim
VAI E VEM
Manuel de Freitas
desenhos de Filipe Abranches
Assírio & Alvim
Crepusculario
Pablo Neruda
Quasi Edições
These Pretty Love Songs
Perry Blake
Quasi Edições
Livro de Natércia
Vários Autores
Quasi Edições
A Nuvem Prateada das Pessoas Graves
Rui Costa
Quasi Edições
Repetir o Poema (1979-1999)
Isabel de Sá
Quasi Edições
As Pontes da Vida
Vítor Gomes e Alfredina Ribeiro, ( Poesia)
Bertrand
Praça da Canção
Manuel Alegre
edição especial ilustrada por José Rodrigues
Dom Quixote
Algarve todo o Mar- Antologia
Org. de Adosinda Providência Torgal e Madalena Torgal Ferreira
Dom Quixote
Alice Vieira traduz do castelhano e o humorista espanhol Mingote ilustra O Meu Primeiro Dom Quixote, editado pela Dom Quixote a pensar nos mais novos. Em ano de comemoração dos 400 anos da obra de Cervantes, o cavaleiro andante é a personagem literária que todos querem conhecer ou revisitar.

Ilustrações de Mingote para Dom Quixote
O Meu Primeiro Dom Quixote custa 12,50 euros e reconstrói, de forma resumida, o romance original de Cervantes.
A editora ArcosOnline disponibiliza gratuitamente, em formato e-book, o livro Histórias que Acabam Aqui, de Teresa Lopes, com ilustração de Sara Costa. Editado pela primeira vez em formato tradicional, pela editora Autores de Braga, o livro esgotou e é agora reeditado em formato digital para ser acessível e gratuíto ao público.

Histórias que Acabam Aqui é uma obra composta por «seis contos para a infância», mas destinada a toda a gente e está disponível aqui.
A editora ArcosOnline anunciou já que vai disponibilizar online livros como As Sete Fontes, de Concha Rousia, O Salústio Nogueira, de Teixeira de Queirós, O Malogrado Capitão Osório, de José Domingos Costa e Lince Ibérico, Revista Literária de Expressão Ibérica.
Em Maio serão lançadas no mercado nacional duas edições do clássico de Miguel de Cervantes. José Bento traduz e Lima de Freitas ilustra a edição da Relógio D' Água, enquanto Miguel Serras Pereira é o responsável pela tradução na edição que a Dom Quixote vai fazer acompanhar de ilustrações de Salvador Dalí.

Uma das ilustrações de Dalí para Dom Quixote
No ano em que se comemoram os quatro séculos passados sobre a publicação de Dom Quixote em Portugal, o poeta José Bento, que traduziu a obra para a Relógio D' Água, afirmou à Lusa ter «uma relação de toda a vida» com o herói de Cervantes, já que leu o livro pela primeira vez «há mais de 50 anos».
A editora Dom Quixote, que assinala em 2005 o seu 40º aniversário, lança também nas próximas semanas uma edição da obra que conta com tradução de Miguel Serras Pereira e ilustrações de Dalí. Serras Pereira tem certamente, também ele, uma relação de proximidade com a obra de Cervantes pois, como disse à Lusa, leu o livro «pela primeira vez com 14 ou 15 anos, numa tradução livre de Aquilino Ribeiro, reli-a uma segunda vez numa versão dos viscondes de Castilho e de Azevedo e uma terceira já em castelhano».
Até agora, o mercado português contava com as traduções de Dom Quixote da Lello Editores, Clássica Editora, Civilização, Bertrand, Publicações Europa-América e da Vega. Com os 400 anos da publicação da obra a serem comemorados em todo o mundo, as editoras portuguesas tentam despertar novo interesse pelo texto fundador do romance Ocidental.
No rescaldo da operação de maketing inédita organizada pela Dom Quixote para o lançamento do novo livro de Gabriel García Márquez, a jornalista da Lusa Helena de Sousa Freitas falou com responsáveis de editoras e livrarias e descobriu que, cada vez mais, o mercado livreiro aposta na promoção dos livros. O marketing é tão importante que a disposição dos livros nas montras e nos expositores das livrarias não é feita ao acaso, mas, pelo contrário, obedece a uma lógica.

Essa lógica é planeada entre livrarias e editoras, que cada vez mais investem dinheiro na promoção dos seus livros. «Em regra, seis a dez por cento do investimento feito num livro destina-se à sua promoção», explica João Rodrigues, da editora Dom Quixote. O director editorial adianta que «a visibilidade do livro é hoje tão importante que o esforço de divulgação já se tornou crónico».
Para que os livreiros dêem destaque às obras da editora, esta disponibiliza expositores de balcão ou de chão, porque é fundamental que os clientes da livraria as vejam.
João Rodrigues diz também que o «programa de comunicação e marketing é pensado livro a livro» e vai sendo reajustado ao longo do ano, já que há obras que superam, em número de vendas, as expectativas da editora. No entanto, a última palavra quanto ao destaque a dar nas montras a determinado livro cabe sempre ao livreiro: «a editora sugere, mas a última palavra é sempre do livreiro», afirma o director editorial da Dom Quixote.
António Pinheiro, responsável pelas livrarias da Bertrand, explica o papel dos livreiros na promoção da obras: «se uma obra mostra potencial, os livreiros têm todo o interesse em destacá-lo, em colocá-lo à vista nos escaparates, para bem do seu próprio negócio». Esse esforço combinado entre editores e livreiros tem tido, na sua opinião, uma «evolução muito lenta», se bem que o panorama começa a alterar-se.
A Bertrand faz catálogos próprios, com uma tiragem de 80 mil exemplares, onde inclui sinopses e fotografias de capa das obras. Uma estratégia de marketing que sai cara e, como tal, «os editores que queiram participar devem entrar com um valor para a inclusão da foto e do resumo e facultar um abatimento de entre três e cinco por cento», já que a editora «não pode suportar esse custo sozinha», afirma António Pinheiro.
O MUITA LETRA diz-lhe o que pode encontrar nas livrarias em Abril.

Palavra
Capão Pecado, Ferréz
Bidé Leituras de Casa de Banho, Nuno Gervásio
Quasi
Aqui Vem o Sol, Alexandre Andrade
Teorema, Pier Paolo Pasolini
Teorema
Eleanor Rigby, Douglas Coupland
A Morte, Michel Rio
Um Amante na Palestina , Sélim Nassib
Infortúnios Trágicos da Constante Florinda, Gaspar Pires de Rebelo
Edição de Nuno Júdice
Bizâncio
Os Factos da Vida, Graham Joyce
Em Casa de Estranhos, Margarida Brum
Caminho
Largo da Memória, Homero Serpa
Índicos Indícios, João Paulo Borges Coelho
Jerusalém, Gonçalo M. Tavares

Assírio & Alvim
Como Me Tornei Monja, César Aira
Tradução de José Agostinho Baptista
Viagem ao Baobá, Wilma Stockenström
Um Acontecimento na Ponte de Owl Creek, Ambrose Bierce
Ramo, Luís Marigómez
Quetzal
Um Monstro Também Precisa de Amigos, Jeff Lindsay
A Infanta e o Pintor, Jean-Daniel Baltassat
Europa-América
O Anjo de Bagdade, Paul-Loup Sulitzer
David Foi Encontrado, Jacques Lanzmann
Kane e Abel, Jeffrey Archer
Micah Clarke, Sir Arthur Conan Doyle
Morte Em Oxford, Verónica Stallwood
Livros do Brasil
Os Últimos Dias, Joel C. Rosenberg
Nove Meses, Sarah Ball
A Minha Vida Secreta (1º Vol), Anónimo
À Beira do Abismo, Fernanda Pratas
Specterworld, Isidore Haiblum
Os Homens Justos de Córdova, Edgar Wallace
Ratos e Homens, John Steinbeck
O Patriota, Pearl S. Buck

Cavalo de Ferro
Os Pais dos Outros, Romana Petri
A mulata Solidão, André Schwarz-Bart
Landru: precursor do feminismo, Jean-Baptiste Botul
Pinóquio: um livro paralelo, Giorgio Manganelli
Relógio d' Água
O Amante de Lady Chatterley, D. H. Lawrence
Um Quarto Só para Si, Virginia Woolf
Difel
A Misteriosa Chama da Rainha Loana, Umberto Eco
Asa
Longe de Manaus, Francisco José Viegas
A Amêndoa, Nedjma
Música do Acaso, Paul Auster
A Vida Secreta das Abelhas, Sue Monk Kidd
Gradiva
O Clube Social das Latinas, Alisa Valdes-Rodriguez
Entre os Lençóis
O Fardo do Amor, Ian McEwan
Uma Casa no Fim do Mundo, Michael Cunningham
Gótica
Shutter Island, Dennis Lehane
Dom Quixote
Agradece o Beijo, Ana Zanatti
Intimidades - 10 Histórias Portuguesas e Brasileiras, Várias autoras
Dom Quixote, Cândido Portinari e Carlos Drummond de Andrade
Dom Quixote de La Mancha, Cervantes
Ilustrações de Salvador Dali
Num País Livre, V. S. Naipul
O Teu Rosto Amanhã, Javier Marias
Resistir, Ernesto Sábado

Casa das Letras
Rainha da América, Nuria Amat
O Mistério da Cripta Assombrada, Eduardo Mendoza
Ambar
A Tempestade, Juan de La Prada
O Guardador de Almas, Rui Vieira
Editorial Presença
Mãe e Filha, Marianne Fredriksson
Guerra e Paz - Livro 1, Lev Tolstói
Tradução directa do russo por Nina Guerra e Filipe Guerra
A Última Feiticeira - A Saga das Pedras Mágicas, Sandra Carvalho
A Mente do Universo, Ian Stewart e Jack Cohen
Encontro Em Jerusalém, Tiago Rebelo
O Olhar de Um Desconhecido, Karin Fossum
Irmãs Inseparáveis, Tina Grube
Oficina do Livro
Nem Tudo Começa Com Um Beijo, Jorge Araújo e Pedro Pereira
Rosa Brava, José Manuel Saraiva
Splaaash, Francisco Salgueiro
Amados Gatos, José Jorge Letria
A Casa da Prelada, Gilberto Pinto
Editora Ulisseia
Rei Artur, Allan Massie
O Atentado, Henry Porter
As Minhas Noites com Descartes, Huguette Bouchardeau
Temas e Debates
Pó Branco, Luz Verde, James Hawes
O Último Jurado, John Grisham
Rocco/Temas e Debates
O Prazer de Matar, Tamy Hoag
Campo das Letras
Histórias Falsas, Gonçalo M. Tavares
Oklahoma Blue, Filomena Cabral
pergaminho
Vidas Que Se Repetem, Dulce Regina
O Zahir, Paulo Coelho
Campo das Letras
Treze Sonetos de Bocage,
Ilustrações de Severino
Camões Fala a Natércia, Ana Luísa Amaral

Assírio & Alvim
Antologia do Cadáver Esquisito, Mário Cesariny
Reedição
Sol a Sol, Armando Silva Carvalho
Quasi
Na Terra dos Sonhos, Jorge Palma
Dança de Matisse, Maria Augusta Silva
Poemas, Isabel Meyrelles
Obra Poética - Vol. III, Artur do Cruzeiro Seixas
Deste Lado da Morte Ninguém Responde, Pedro Sena-Lino
Canções que Já Não Existem, Clara Pinto Correia / José Pedro Sousa Dias
Luz Triste, Carlos Matias
Repetir o Poema (1979-1999), Isabel de Sá
Desde o momento em que é apresentado à editora até ao momento em que é publicado, um livro pode ter de esperar dois anos. Esse tempo varia, no entanto, consoante o prestígio do autor ou a associação da obra a um acontecimento da actualidade. A jornalista Helena Sousa Freitas, da Lusa, falou com autores e responsáveis de diferentes editoras que explicam o processo de publicação.

Joana Gonçalves, da Gradiva, diz que «existem livros que a editora tem interesse em publicar rapidamente, seja pela sua qualidade, seja pela proximidade de um evento com o qual a obra se relaciona». Um livro de José Rodrigues dos Santos, por exemplo, «não vai ficar à espera».
Caso a obra não se insira na «linha editorial» da Gradiva, «a resposta ao autor é dada em uma ou duas semanas». Se houver um interesse inicial, «o original é enviado aos colaboradores da Gradiva para leitura, passando o tempo a depender da agenda destes». Ou seja, entre mês e meio e um ano, é o tempo que um autor pode ter de aguardar para ver o seu livro publicado.
Já na Quasi, o tempo que a editora leva a decidir se tem ou não interesse na obra está «entre um e três meses». Para ser publicado, o livro espera «mais dois ou três meses e cerca de 15 ou 30 dias para a distribuição nas livrarias», explica Jorge Reis-Sá, responsável pela editora famalicense.
A importância de um nome
A consagração do autor é mesmo o principal motor de publicação de uma obra. Manuel Gusmão, que em Janeiro venceu o Prémio Dom Diniz, confessa que o seu primeiro livro de poemas «esperou dois anos até chegar às livrarias, mas agora aguardo poucos meses, menos de seis».
Quanto ao ensaio, o premiado autor de Migrações de Fogo explica que é um género mais moroso de publicar, já que «algumas editoras optam por se candidatar a subsídios de edição, o que as coloca na dependência dos prazos de candidatura e de resposta».
Gonçalo M. Tavares, por seu lado, considera que «a poesia e o teatro, devido aos poucos leitores, e os géneros literários mistos, por serem menos comuns, encontram maiores dificuldades de publicação».
A correspondência com acontecimentos actuais é outros dos factores que pode acelerar a publicação da obra. Teresa Rita Lopes dá o exemplo do seu livro A Nova Descoberta de Timor, que a Imprensa Nacional, «geralmente muito lenta», demorou cerca de três meses a editar. Estávamos na altura da independência do território.
Na data em que se assinala o Dia do Livro Português, os escritores nacionais que ainda não sairam da gaveta ficam a saber quanto tempo mais podem ter de esperar antes de verem os seus trabalhos nas montras das livrarias.
Poesia, prosa, ensaio e teatro que Teixeira de Pascoaes escreveu entre o final do século XIX e meados do XX com prefácio e organização do "surrealista dissidente": a antologia Poesia de Teixeira de Pascoaes é uma homenagem de Mário Cesariny à memória do amigo amarantino.

Esta antologia, publicada pelo Círculo de Leitores, acompanha o percurso do poeta saudosista desde Belo (1896) ao póstumo A Minha Cartilha (1954). São cerca de 40 textos que dão ao leitor uma visão múltipla e abrangente sobre a personalidade artística de Teixeira de Pascoaes.
Em 1972 duas antologias do poeta amarantino haviam sido publicadas em separado. Agora, a Poesia de Teixeira de Pascoaes reúne os dois livros sobre a direcção de Mário Cesariny. O posfácio é de António Cândido Franco.
Co-fundador da revista A Águia, o poeta para quem o Universo «é a expressão cósmica da saudade» deixou, entre 1895 e 1952, ano da sua morte, uma extensa obra que engloba principalmente a poesia, mas também o ensaio, o teatro e prosa.
As livrarias Assírio & Alvim em Lisboa e no Porto fazem um desconto de 50% em todos os livros de poesia do catálogo da editora, durante o dia de amanhã. Uma forma de comemorar o Dia Mundial da Poesia que vai certamente agradar aos leitores.

No Porto, a livraria Assírio & Alvim situa-se na Rua Miguel Bombarda, 531 (telefone 22.600 70 10, aberta das 15:00 às 19:00 horas).
Em Lisboa, os espaços da editora são na Rua Passos Manuel, 67-B (telefone 21.358 30 30, aberta das 10:00 às 13:00 horas e das 14:00 às 19:00 horas) e no Edifício Cinemas King, Av. Frei Miguel Contreiras, 52-E (telefone 21.847 99 92, aberta das 13:00 às 00:30 horas.
O catálogo dos livros disponíveis pode ser consultado aqui.
Conheça a poesia que as editoras têm para oferecer em Março.

Dom Quixote
Algarve, Todo o Mar, (Org. de Adosinda Providência e Madalena Torgal)
Assírio & Alvim
Poesia em Viagem, Blaise Cendrars

Poemas, Pier Paolo Pasolini
Diário Flagrante [Poesia], Fernando Alves dos Santos
Manual de Prestidigitação (2ª edição), Mário Cesariny
Antologia do Cadáver Esquisito (2ª edição), Mário Cesariny
A Estrada Branca, José Tolentino Mendonça
Asa
Instantes. Permanência, Agripina Costa Marques
Passagens
Ciclo do Cavalo
Do Domínio Plástico
Os Quatro Elementos
Os Signos da Amizade
Poemas da Resistência, António Ramos Rosa

Saiba o que pode encontrar este mês nas livrarias.

Editorial Notícias
O Reino Encantado, Mário Ventura
O Farol do Fim do Mundo, Júlio Verne (texto inédito em Portugal - edição comemorativa do centenário da morte do autor)
Renascer em Córdova, Luís Vieira da Mota (Prémio Literário Vasco
Branco, da C.M. Aveiro)
Editorial Presença
Sem Nome, Helder Macedo
Quimera, Valerio Massimo Manfredi
Mau Dia Para Conquistar Um Herdeiro, Wendy Holden
Desaparecido Para Sempre, Harlan Coben
Quero Ser Uma Vedeta Famosa, Jacqueline Wilson
O Plano Diabólico - As Crónicas de Spiderwick, Tony DiTerlizzi e Holly Black
Neverwhere - Na Terra do Nada, Neil Gaiman
Uma Outra Maneira de Ser, Elizabeth Moon
Guerra e Paz - Livro I, Lev Tolstói
Pensar É Transgredir, Lya Luft
Oficina do Livro
Escritório, Marta Medina
O Caso da Rua Direita, Carlos Fonseca
Livros do Brasil
O Regresso, Jane Rogers
As Verdes Colinas de África, Ernest Hemingway

Nove Meses, Sarah Ball
A Escolha do Ladrão, Lawrence Block
O Alquimista de Neutrónio-4, Peter F. Hamilton
Relógio D’ Água
O Tempo Reencontrado - Em Busca Do Tempo Perdido, Vol. VII, Marcel Proust
O Mar, o Mar, Iris Murdoch
Jakob Von Gunten, Robert Walser
Os Subterrâneos, Jack Kerouac
(tradução de David Furtado)
Mulheres Apaixonadas, D. H. Lawrence
O Mensageiro Diferido, Rui Nunes (reedição com alterações)
O Sentido da Neve (crónicas), Ana Teresa Pereira
Temas e Debates
Este Lado Para cima, Holly Fox
As Três Bruxas, Terry Prachett
Se Ninguém Falar das Coisas Maravilhosas, Jon McGregor
Gailivro
Paixão no Lago, Thomas Christopher Greene
Caminho
No Antigamente na Vida, José Luandino Vieira
Asa
Os Filhos, Dan Franck

O Único Amante, Éric Deschodt e Jean-Claude Lattès
O Jardim das Delícias, João Aguiar
As Paixões de Júlia, Somerset Maugham
Perry Mason - O Caso da Bela Mendiga, Erle Stanley Gardner
O Império dos Lobos, Jean Christophe Grangé
Bertrand
Anjos e Demónios, Dan Brown
Joana d’ Arc, Michel de Grèce
A Conspiração do Mal, Christian Jacq
Gradiva
De Amor, Danièle Sallenave
Guia Completo para Compreender os Gajos, Dave Barry
(tradução de Ricardo de Araújo Pereira)
Difel
A Boda Mexicana, Sandra Sabanero
A Vizinha do Lado, Barbara Delinsky

Teorema
Alice deste Lado do Espelho, Lisa Dierbeck
A Imperatriz Orquídea, Anchee Min
Marilha, Cristovão de Aguiar
Resistir, Ernesto Sábato
Memória das Minhas Putas Tristes, Gabriel García Márquez
Dom Quixote de La Mancha, Cervantes (com ilustrações de Salvador Dalí)

Ilustração de S. Dali, Dom Quijote de La Mancha, 1946
Moçambique, Ricardo Marques
Duque d’ Ávila e Bolama, José Miguel Sardica
Vitorino Henriques Godinho, Vitorino Magalhães Godinho
Status – Ansiedade, Alain de Botton
Diário de uma Stripper, Leonor Sousa Correia
Xeque-Mate, Sérgio Rocha
Assírio & Alvim
René Leys - A Cidade Proibida, Victor Segalen
Ramo, Luis Marigómez
Bizâncio
Os Factos da Vida, Graham Joyce
Civilização
Príncipe das Nuvens, Gianni Riotta
Um romance em Veneza, Andrea di Robilant
Reencontro com o Passado, Patrícia Tyrrell
Os apreciadores dos campeões de vendas Gabriel García Marquez, Paulo Coelho ou Dan Brown já podem encomendar online as suas mais recentes obras, ainda não disponíveis em Portugal. Com 10% de desconto.

A livaria online Webboom.pt está já a aceitar pré-encomendas de Memória das Minhas Putas Tristes, possívelmente o último romance de Gabriel García Marquez, de Zahír, do esotérico campeão de vendas Paulo Coelho e de Anjos e Demónios, em que Dan Brown faz ressurgir o herói de O Código Da Vinci, Robert Langdon.

Este último livro estará disponível nas livrarias nacionais a 3 de Março, enquanto Memórias..., de García Marquez, sai a 18 de Março. A 12 de Abril é a vez do novo livro de Paulo Coelho chegar até nós.

Sabendo que estes são três autores muito populares entre nós, a Webboom.pt oferece 10% de desconto a quem pré-encomendar qualquer destas obras.

O MUITA LETRA já escolheu os melhores livros portugueses de 2004.

Antes do Degelo, Agustina Bessa-Luís, Guimarães Editores

O Belo Adormecido, Lídia Jorge, Dom Quixote
Ensaio sobre a Lucidez, José Saramago, Caminho
Jerusalém, Gonçalo M. Tavares, Círculo de Leitores

Poetas Visitados, Maria Augusta Silva, Edições Caixotim
Eu Hei-de Amar uma Pedra, António Lobo Antunes, Dom Quixote
Poesia, Daniel Faria, Quasi

Mar, Sophia de Mello Breyner Andresen, Caminho
Relâmpagos de Nada, António Ramos Rosa, Labirinto
Rafael, Manuel Alegre, Dom Quixote

As compras não param. A Gradiva, a Europa-América e a Asa entram hoje na rota de Natal do MUITA LETRA.

Gradiva
A Filha do Capitão é a segunda incursão de José Rodrigues dos Santos na ficção e saber como se comporta o conhecido jornalista na arte do romance não deixa de gerar curiosidade. Uma história de amor em tempo de guerra que quer provar que a esperança é a última a morrer.
Outro "corpo estranho" ao mundo das letras é Woody Allen. Para quem não resiste ao humor do realizador de Manhattan sugere-se Prosa Completa, a colectânea de textos sobre a essência humorística das mais pequenas coisas do quotidiano.

Romance geracional de um dos mais celebrados autores americanos contemporâneos. Sangue do Meu Sangue precedeu As Horas, mas não fica nada atrás da obra vencedora do Pulitzer em 1999.
Europa-América
Bruxas, vampiros e romance. Anne Rice já encontrou a fórmula que tanto agrada aos seus fãs e neste Cântico de Sangue não foge à regra. Lestat, é claro, não podia faltar à mais recente obra da autora de Entrevista com o Vampiro.
Um clássico da literatura erótica, A Filosofia na Alcova, do Marquês de Sade, não sai dos escaparates das livrarias. Esta obra vale também pelas reflexões sobre o mais obscuro da natureza humana, por parte de um "maldito" do século XVIII.

Aparentemente contra a corrente festiva, os mais novos encontram entre as novidades da Europa-América O Horrível Natal. Mas não há que temer, é só um livro com curiosidades sobre tudo o que envolve a quadra natalícia.
Asa
A Asa acertou em cheio ao publicar A Pianista, numa altura em que poucos suspeitavam de que Jelinek venceria o Nobel deste ano. Esta é uma história que explora os meandros sado-masoquistas e bizarros do sexo e dos relacionamentos humanos, temática sempre explorada pela escritora austríaca.

Para quem aprecia as colecções juvenis de aventuras sugere-se Maldição no Teatro (Colecção Bando dos Quatro), de João Aguiar. No mais recente volume da colecção, o grupo de amigos tem como desafio um teatro fechado e uma possível maldição. Nada que o seu faro de detectives não resolva.
Do vencedor do Prémio de Poesia Teixeira de Pascoas, a Asa tem em catálogo Salmo. Pessimismo, sarcasmo e ousadas figuras de estilo é o que se pode esperar da poesia de Amadeu Baptista.
As prendas ainda estão por embrulhar, mas o MUITA LETRA deixa-as já no seu sapatinho. Hoje com livros da Guimarães Editores, da Dom Quixote e da Estampa.

Guimarães
Cabeça de cartaz do catálogo da Guimarães é, como não podia deixar de ser Agustina Bessa Luís. A editora de sempre da autora de Vale Abrãao tem no seu novo romance o trunfo deste Natal.
Saído muito recentemente, e em ano de Prémio Camões e cinquentenário d´A Sibila, Antes do Degelo é mais uma estocada certeira do génio de Agostina no romance nacional. Um livro que prova que Agustina só melhora com a idade.
A Vida é Sonho, de Manuel Lemos Macedo, recomenda-se a quem goste de romances de amor e de costumes sociais. Reflexões sobre estes temas e outros na busca do sentido da vida e do amor pelo filho de uma família aristocrata.
A Selva foi há pouco transposta para o cinema e é a obra mais significativa de Ferreira de Castro, mestre do neo-realismo português. Romance humanista e de denúncia das más condições de vida dos mais pobres, em cujo enredo se conta a história de um jovem imigrante português no Brasil que trabalha na selva amazónica e nos navios mercantes, sofrendo a exploração que estava destinada ao proletariado.

Dom Quixote
Até ao Oriente - E outros Contos para Wesceslau de Moraes reúne textos de Eduardo Brum, Inês Pedrosa, Jacinto Lucas Pires, Luís Cardoso, Marilene Felinto, Mário Cláudio, Possidónio Cachapa, Richard Zenith numa homenagem ao escritor que nasceu em lisboa no século XIX e morreu no japão.
Numa altura em que se assinalam os 25 anos de vida literária de António Lobo Antunes, a Dom Quixote está a reeditar a bibliografia completa do autor. Destaque para Eu Hei-de Amar Uma Pedra, romance em jeito de retrato autobiográfico da infância.

Um presente especial para quem gosta de Natália Correia será sem dúvida a sua Poesia Completa. Editado em 1999, esta obra reúne num único volume, cronologicamente, a obra poética da açoriana poeta e deputada.
Estampa
O MUITA LETRA destaca, da editora Estampa, o seu extenso catálogo de literatura fantástica.
Escrito em 1830, O Elixir da Longa Vida, de Honoré de Balzac, é uma obra fantástica, integrada na colecção de textos do autor que compõe A Comédia Humana. Da "mítica" colecção Livro B.

Um dos grandes nomes da literatura norte-americana do século XX, F. Scott Fitzgerald está também presente neste catálogo com A Década Perdida. Ídolo literário da juventude do seu tempo, Fitzgerald traça um retrato dos americanos anos 20 da sua juventude.
Deambulações pelas ruas de Paris, uma mulher com poderes misteriosos e uma escrita estranha à realidade é o que nos oferece este Nadja, romance de um dos expoentes do surrealismo francês (mais conhecido pelos seus poemas) André Breton.
O MUITA LETRA não deixa as prendas de Natal por mãos alheias e hoje propõe-lhe alguns livros da Quetzal, da Livros do Brasil e da Campo das Letras

Quetzal
A Quetzal apresenta um catálogo que prima pela diversidade de autores e de géneros. O destaque vai para os portugueses.
O Segredo da Mãe é um conto de um autor que reconhecemos pela admirável obra poética. Nuno Júdice escreveu O Segredo da Mãe inspirando-se na obra da pintora Graça Morais.

Um poema de amor por cada dia do ano (bissexto) é o que propõe Vasco Graça Moura na antologia 366 Poemas que Falam de Amor. São 577 páginas em que a poesia vê em antologia o seu tema de eleição. Poetas portugueses e estrangeiros, contemporâneos ou de outros tempos, estão lá tudo o que de melhor se diz sobre o amor.
Rodrigues, o Intérprete, é um jesuíta português do século XVI que, inserido na corte japonesa, nos conta em cartas as aventuras que a descoberta de uma cultura tão distante da ocidental lhe proporciona. Michael Cooper é o autor de um livro em que a história e a aventura se aliam para fazer da leitura aquilo que às vezes ela se esquece de ser: um prazer.
Livros do Brasil
A Livros do Brasil já nos habituou a um catálogo recheado de grandes nomes da literatura anglo-saxónica e francesa. E, como em equipa que ganha não se mexe, as melhores obras do catálogo da editora passam mesmo pelos clássicos.
Em ano de centenário, uma espécie de autobiografia daquele que muitos colocam sem reservas entre os maiores escritores do século XX. Em Uma Espécie de Vida, Graham Greene fala da sua infância, do primeiro romance e da conversão ao catolicismo. Este é o primeiro volume da autobiografia do autor e a Livros do Brasil prepara-se para publicar os outros dois (Ways of Escape e A World of My Own).
Mais um clássico, Sommerset Maughan, está em destaque nesta editora. Em catálogo, a obra completa do autor do incontornável O Fio da Navalha. Expoentes do romance filosófico em vinte e oito livros. Só para quem tiver férias prolongadas.
Os melhores autores brasileiros também não escapam à Livros do Brasil. Recomenda-se este conjunto de sete das melhores obras (entre contos e novelas) de Lygia Fagundes Telles. Destaque para Ciranda de Pedra (que no Brasil "virou" tele-novela e em Portugal fez também sucesso) e para a colectânea de contos A Noite Escura e Mais Eu.

Campo das Letras
Esta editora portuense pode não ter os nomes mais sonantes e rentáveis da literatura nacional, mas nem por isso deixa de ter um catálogo de qualidade, sustentado por autores portugueses. No que se refere à literatura infanto-juvenil, tem provavelmente as melhores obras deste Natal.
O Caçador de Sonhos, de Miguel Miranda, é uma boa sugestão para os nostálgicos dos Descobrimentos. Os caçadores de sonhos procuram chegar à Terra da Vaca Sagrada, a oriente de tudo o que era mundo conhecido, onde encheriam as suas caravelas de Pó-de-Conservar-Sonhos. Um livro que promete aventuras e talvez mais, pela mão do portuense autor de A Mulher que Usava o Gato Enrolado ao Pescoço
Pablo Neruda, o chileno Nobel da Literatura, está no top de vendas desta editora com Cem Sonetos de Amor. Mais conhecido por uma obra fortemente comprometida com a realidade social que o rodeava, Neruda é igualmente apreciado pela sua poesia amorosa (Veinte Poemas de Amor y Una Canción Desesperada fez as delícias de muitos). Escritos em 1959 e dedicados a Matilde Urrutia, um dos grandes amores do poeta, Cem Sonetos... marca a mais firme presença do amor na obra de Neruda.
Peça escrita para o Teatro de Marionetas do Porto, O Polegarzinho, de João Paulo Seara Cardoso. Baseado nas várias versões existentes de Polegarzinho, o autor escreveu um livro com que as crianças não vão ficar desapontadas.

O MUITA LETRA fez uma ronda pelas várias editoras nacionais e, durante os próximos dias, diz-lhe o que de mais apetecível pode encontrar para o Natal. Hoje folheámos o catálogo da Editorial Presença, da Caminho, da Quasi e da Relógio D´Água.

Editorial Presença
A Presença dá grande ênfase aos clássicos (Eça de Queiroz, Dostoievsky) e à poesia (Ruy Belo, João Miguel Fernandes Jorge) nas várias colecção que disponibiliza este Natal. Seguem-se algumas sugestões.
Sendo hoje um autor universal, Fernando Pessoa é pouco conhecido enquanto poeta anglófono. Mas a verdade é que, antes de se dedicar à língua de Camões, o poeta da Mensagem sonhava tornar-se um dos nomes maiores da literatura inglesa. The Mad Fiddler (O Louco Rabequista), colectânea de poemas em inglês, surge em versão bilíngue, com tradução de José Blanc de Portugal.
O encontro com uma pomba ferida leva Noel a deparar-se com o que de mais absurdo e sinuoso há na natureza humana. Assim tem início A Pomba, conto que sucede ao aclamado romance O Perfume na lista de obras do escritor alemão Patrick Süskind.
Herdeiro de uma enorme expectativa, A Pomba não conseguiu estar à altura de O Perfume, não tanto pela sua qualidade, mas pelo avassalador sucesso, difícil de repetir, do seu antecessor. A merecer a atenção de quem gostou d´A Metamorfose, de Kafka.

A obra de Patricia Cornwell (cuja vida dava, ela mesma, um extenso livro) é um dos trunfos da Presença. Os policiais da autora norte-americana são considerados dos melhores que se faz, actualmente, no género e um presente acertado para quem gosta de suspense.
Editorial Caminho
Uma das mais influentes editoras nacionais, a Caminho é também das que apresenta um melhor catálogo na época mais rentável do ano.
Como era ser mulher no Portugal dos anos 40? A literatura tornava visível as faces da precaridade da condição feminina nos anos mais duros do Salazarismo e é através dela que Ana Paula Ferreira nos dá esse complexo retrato. A Urgência de Contar. Contos de Mulheres dos Anos 40 é uma colectânea de contos de autoras portuguesas da época (Natércia Freire, Maria Archer, Manuela Porto, entre outras).

A antologia Mar é incontornável no catálogo da editora. É a mais completa antologia poética de Sophia de Mello Breyner Andresen e o culminar de uma colecção de 14 volumes dedicados à obra de Sophia que a Caminho vinha lançando. Inclui poemas até agora inéditos.
E como o Natal é dos mais novos, convêm não esquecer as "gurus" da literatura infanto-juvenil em Portugal, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada. As autoras da mítica colecção Uma Aventura continuam imparáveis e a prenda de Natal que este ano oferecem aos fãs é Natal! Natal!, que inclui cinco histórias de Natal e uma peça de teatro para ser representada em família.
Edições Quasi
Já sem valter hugo mãe para passar o Natal, a Quasi continua a ser uma alternativa às obras mais "mainstream" das grandes editoras.
O monólogo Os Cantos de Maldoror é um clássico entre os "malditos", da autoria do Conde Isidore Ducasse (dito Lautreamon, nome que dá asas a grandes discussões sobre a ligação à divindade egípcia Amon, deus do sol). Personagem envolta em mistério, Ducasse escreveu seis cantos que não tiveram a desventura de, como As Flores do Mal, de Baudelaire, caírem nas graças do público em geral após um período inicial de repúdio. Bizarria por vezes patética, por vezes comovente, Os Cantos... não admitem sinopse ou comentário. Têm de ser lidos.
As incursões de Fernando Ribeiro, vocalista da banda Moonspell, na poesia é outra das apostas da Quasi. As Feridas Essenciais é o sucessor de Como Escavar um Abismo e, actualmente, consegue ser um dos mais procurados no género da poesia. Num tom intimista, Fernando Ribeiro fala de amor e sofrimento.
Quem gosta de descobrir novos autores pode encontrar no catálogo desta editora de Vila Nova de Famalicão uma vasta oferta de poesia acabada de "sair da gaveta".
Relógio D´Água
Especializada em literatura e ensaio, esta editora tem um excelente catálogo de poesia (Hölderlin, Mário de Sá Carneiro ou Gastão Cruz são apenas alguns exemplos) e é por este género que começamos.
Ariel reúne os poemas escritos por Sylvia Plath entre a edição do seu primeiro livro, em 1960, e a sua morte, três anos depois. Se, só por essa vertente documental, este livro já merecia referência, a singularidade de uma obra que do desespero conseguia arrancar tão belas e inquietantes imagens reforça a convicção de que Sylvia é uma das mais inteligentes e lúcidas poetisas conhecidas. Aqui em edição bilingue, com tradução de Maria Fernanda Borges.
Se há um livro que define o amor, é este A Espuma dos Dias, de Boris Vian. Com humor, absurdo e ternura, Vian leva-nos para um mundo que, apesar de muito peculiar, não é só seu. É fácil, após o primeiro espanto, criar afinidades com a obra de Vian. Se O Arranca Corações ou O Outono em Pequim pecam pela repetição exaustiva da "fórmula Vian", A Espuma dos Dias tem as medidas certas e é a obra prima do autor.

A estante fica completa por hoje com o vencedor da edição deste ano do Prémio Círculo de Leitores, Gonçalo M. Tavares. Dono de um requintado lirismo, os trabalhos deste poeta têm sido muito aclamados pela crítica. Mais do que uma jovem promessa, Gonçalo M. Tavares é já um valor seguro a ter em conta.
1 é um dos "livros pretos" do autor.
Tem apenas 4 anos, mas já é uma das editoras mais promissoras a nível nacional.
A Editora Ausência, de Vila Nova de Gaia, nasceu como projecto pessoal, mas aos poucos vai dando passos consistentes rumo à implementação no mercado livreiro português. O Muita letra falou com o director/editor Manuel Reis, que nos revela alguns dos momentos marcantes da (curta) vida da Ausência.

“Tudo começou com um sonho, um desejo antigo que vinha dos tempos da faculdade, e que despoletou a paixão pela edição”. A primeira obra publicada, uma fotobiografia de Adriano Correia de Oliveira, foi lançada na Festa do Avante e, diz-nos o editor, “ficou pronta na véspera”, adiantando, em jeito de confissão, que “não havia dinheiro para o livro e foi na festa que se ganhou o suficiente para pagá-lo”.
Nesta primeira fase, Manuel Reis fazia todo o trabalho, mas aos poucos apercebeu-se da necessidade de criar uma equipa para a editora. É essa equipa que hoje põe em prática um projecto que, de acordo com o editor, “se vai restruturando todos os dias”, não deixando de admitir, no entanto, que “quem se mete nisto da edição tem que partir do princípio de que o pouco que já fez não é nada comparado com outras editoras e com o que se faz noutros países”.
Para Manuel Reis, nesta equipa, bastante jovem, todos sabem bem as suas funções, já que “numa editora todos os sectores são importantes, todos têm que funcionar bem”, e a aprendizagem faz-se no dia-a-dia, “com os erros”.
O critério que parece comandar todo este projecto é o da qualidade. Para o editor, este é um factor a ter em conta sempre, mas existe o “reverso da medalha”, que é a questão da sobrevivência da editora. “Publicam-se coisas que dão prazer, outras que nem por isso, mas que são vitais para sobreviver”, mas procurando sempre “acrescentar algum valor, alguma qualidade à obra já publicada”.
A aposta nos mini-livros, nos (já famosos) maços poéticos, entre outras pequenas publicações, é aquela que verdadeiramente “sustenta a editora”, e é a venda destes que permite o financiamento de obras de autores menos conhecidos.
Mas numa pequena editora é necessário encontrar alternativas aos grandes nomes lançados por outras editoras, e aqui Manuel Reis defende que "o truque é a imaginação": "se fizeres coisas diferentes, se fores onde os outros não vão, consegues sobreviver".
Na identificação ideológica, o editor não tem dúvidas: “somos uma editora de esquerda e não o escondemos”. As próprias motivações de Manuel Reis aquando da criação da empresa eram claras: “a editora foi criada como arma de intervenção social e de defesa da língua portuguesa”. Para ele não há “autores malditos”, apesar de haver autores que nunca publicaria, sendo que o factor ideológico não é tido como uma barreira inultrapassável, até porque “há autores de direita que possuem qualidade e coerência”.
Em dias conturbados para a economia nacional, a viabilidade de uma pequena editora é posta à prova todos os dias e Manuel Reis não tem ilusões: “com este mercado, não sabemos se é viável ou não, apenas lutamos”. O editor reafirma a grande competitividade deste sector: “o mercado do livro é pequeno, e produz-se demasiado para ele; é dos mais competitivos da sociedade”. E aponta como responsáveis aqueles que o regulam e que o deixaram atingir o ponto em que vigora a “lei da selva”.
Para Manuel Reis, “o pouco apoio, a falta de políticas concertadas e as más apostas governamentais” só têm contribuído para que a situação se agrave. As excepções, para o editor, são fruto de “pura carolice” ou de grandes instituições como a Gulbenkian, “mas mesmo esta já passa por dificuldades”.
Ricardo Bastos
Uma pequena editora, sem grande nome no mercado, mas com trunfos para apresentar. Esta descrição poderia servir para várias editoras, e a Ausência não é excepção. Os trunfos que apresenta são de diferentes géneros, de diferentes autores, mas da mesma (boa) qualidade.
Propostas que vale a pena descobrir...
Têm conversas com D. Manuel Martins, ex-bispo (incómodo) de Setúbal, por Manuel Dias. Revelam que “No Mar não há Árvores”, da autoria da eurodeputada Ilda Figueiredo.
Estas são algumas das propostas da editora Ausência, verdadeiros trunfos, que não se esgotam por aqui.
A propósito de uma conversa com Manuel Reis, director/editor da Ausência, é o próprio que nos revela as suas recomendações.
Aqui ficam os títulos recomendados, na primeira pessoa: “recomendo todos!; o romance histórico 'O Corvo de Wotan', de Mário Escoto; a peça de Odete Santos 'Em Maio há cerejas', para quem gosta de teatro; e 'Semelhante à Bondade da Primavera', de Manuel Dias Duarte, professor de Filosofia, uma lição de Filosofia e de História, que relata a vivência da mulher, falando dela como poucos autores conseguiram”.
Ricardo Bastos