
“Por cima do sofá Chesterfield temos uma rede de badmington, esticada na parede. Nos buracos desta rede os meus pais penduraram os cartões de Boas Festas deles. Não há mais ninguém que eu conheça que tenha uma rede de badmington na parede. A árvore de Natal da Cordelia não é como as outras: está coberta de fios de anjo diáfanos e todas as luzes e decorações são azuis. Mas ela safa-se bem com as diferenças dela, eu não. Vão-me fazer pagar pela rede de badmington, mais cedo ou mais tarde.” (pág. 120)
Margaret Atwood, Olho de Gato, 1988
Tradução de Ana Heizkessel
Publicações Europa-América, Colecção Século XX
Não só de diferenças, mas principalmente da singularidade de um percurso pessoal, nos fala o sétimo romance da escritora canadiana Margaret Atwood. Diz-se que “Olho de Gato” (Cat’s Eye) é o mais biográfico dos seus trabalhos e dificilmente poderia ser de outro modo.
Elaine Risley está de volta a Toronto, a cidade onde passou a infância, para uma retrospectiva do seu trabalho enquanto pintora. Agora na meia-idade, é confrontada com um passado que nunca deixou de a perseguir, a irmandade silenciosa, o sofrimento tácito que as amigas Grace, Carol e principalmente Cordelia a fizeram atravessar em criança.
Com a incerteza quanto ao sucesso da exposição em pano de fundo, Elaine mergulha nos primeiros anos da sua vida. Revive a húmida fealdade da Toronto pobre e pré-fabricada do pós-II Guerra, onde acorrem as famílias deserdadas do conflito. É nesta cidade de transição, de vazios lúgubres, de vastos espaços de silêncio, neve e lama que conhece as três amigas de escola. Que hão-de tornar a sua vida num pesadelo claustrofóbico, mas também dar-lhe a força obstinada que a raiva traz.
O cauterizar das feridas deixadas por essa época faz-se sem subterfúgios: recordam-se as complexas teias de solidariedade que as raparigas estabelecem desde cedo, não deixando que o mal que se infligem entre si transpire para o exterior. Esgrimem-se as consequências de uma violência não expressa, sem rosto, sem corpo definido, sitiando os nervos da pequena Elaine, que encontra no desmaio e na auto-mutilação uma forma de alívio, de escape. Sofre-se pela resignação da mãe de Elaine, consciente da tortura perpetrada na filha, mas impotente para libertá-la. Tudo é analisado a frio, num lento girar de caleidoscópio. E a metáfora desse escrutinar por uma mulher madura do seu passado é o berlinde 'olho de gato' que a autora guarda desde sempre e que roda entre os dedos, admirando-o de todas as posições.
Uma mulher sabe que as amizades apaixonadas e eloquentes da juventude são apenas a superfície calma do lago. Os códigos ocultos, os segredos pérfidos, são a descoberta das últimas fronteiras da crueldade, um magma mais denso. Nenhuma de nós ficou imune, em crianças estivemos em qualquer dos lados da barricada, no de carrasco e no de vítima, quantas vezes até em simultâneo. É isso que torna este livro tão libertador: relembra uma infância da qual, enquanto adultos, fazemos tabu.
Já mãe, Elaine espia as filhas, tentando ver nelas resquícios do seu próprio sofrimento, ou de malvadez. Não pode esquecer-se de Cordelia, da intimidade que tinham, tão assustadora e indesejada como olhar-se horas sem fim ao espelho, das finas teias de exclusão que Cordelia teceu em seu redor. De volta a Toronto, deseja encontrar a amiga numa esquina pedindo esmola, numa cama de hospital, exalando o último suspiro antes de morrer. Procura alguma espécie de paz, de redenção. Mas sabe que entre mulheres o segredo não é traído. Nunca Cordelia lhe pedirá desculpas. A última vez que a vê, muitos anos antes do presente narrativo, está ela internada num manicómio, derrotada, fora de combate.
A relação de Elaine com os homens é desenhada nos antípodas da sua relação com as mulheres. Enquanto que as raparigas sobrevivem à custa de armadilhas, jogos calados e crueldades necessárias, os rapazes têm códigos frontais, limpos, uma lealdade de que não desistem mesmo durante as brincadeiras mais bárbaras. É por isso que Elaine se sente mais segura na companhia deles. As maldades que fazem são aquelas que ela pode ver, são ruidosas e não deixam rancores.
Pode desde aqui ser traçado o seu percurso amoroso: o velho professor de desenho, Jon, o artista diletante, ou Ben, o marido tranquilo que chega na meia-idade. Nenhum deles intimida Elaine. Com eles sente que joga entre iguais, sabe o que a espera e sabe jogar para ganhar. Mesmo na derrota, quando a relação com Jon chega ao fim, ela luta sem temer represálias. Não cala, não consente. Quando necessário, retalia com qualquer objecto pesado ou pontiagudo que esteja à mão. Se com Cordelia sofreu em silêncio, se se libertou do jugo pela dor que infligia a si própria, com os homens Elaine sabe expandir-se, com eles pode sofrer e fazê-los sofrer ostensivamente.
O plano menos extenso do livro é o que tem lugar no momento presente, na Toronto dos anos 70, com Elaine de regresso à sua cidade natal como artista conceituada. Entrecortando o fôlego que a narração de toda uma vida exige, (e o risco de exposição prolongada que Margaret Atwood corre perante o leitor) os episódios mais nítidos e curtos, relativos à preparação da exposição e à descrição do espantoso crescimento da cidade, são refrescantes e de um audaz sentido de humor.
Veja-se a entrevista que a jovem jornalista Andrea faz a Risley, tentando a todo o custo forjar-lhe uma série de postulados feministas.
“- Bom, e então a respeito de, sabe, do feminismo? – diz – Muita gente lhe chama pintora feminista.
-Então e depois? – digo. Detesto directivas, detesto guetos. Seja com o for, sou demasiado velha para o ter inventado e você demasiado nova para o compreender, por isso para que é que vale a pena discuti-lo?
- Então é uma classificação que não faz sentido para si? – diz.
- Gosto que as mulheres apreciem o meu trabalho. Porque não havia de gostar?
- Os homens gostam do seu trabalho? – pergunta com astúcia. Vê-se que esteve a consultar os arquivos, que viu algumas daquelas obras de bruxas e súcubos.
- Que homens? – digo. – Nem toda a gente gosta do meu trabalho. Não é por eu ser uma mulher. Se não gostam das obras de um homem não é porque ele é homem. Pura e simplesmente não gostam. – Estou em terreno movediço, e isso enfurece-me. A minha voz está calma; o café ferve dentro de mim.” (pág. 88)
A voz de Elaine Risley é, ao longo de todo o livro, a voz da adolescente arisca e desenvolta que sobreviveu à trindade Cordelia-Grace -Carol. Ela admite-o: quando cresceu e se libertou da ameaça, quando a amiga se deixou cair no limbo da loucura, a sua língua tornou-se viperina, sagaz. Ganhou poder e passou a ter resposta pronta para tudo. É esse linguajar perspicaz e inteligente que salva o livro. Nunca Elaine se vitimiza. Nunca Atwood fica absorta num mero exercício de memória. Mergulha bem fundo nas recordações, não é indulgente e o passado jorra-lhe das mãos, incontido. Mas nunca a autora se excede no que é relevante para a economia do romance.
Este é um romance extenso e doloroso. Para Elaine Risley/Margaret Atwood, trata-se de domar uma infância que não estancou com a idade, que se infiltrou na vida adulta e que a definiu enquanto mulher e enquanto pintora/escritora. Um livro tão fiel e apegado à vida real que quem o lê se sente crescer a par com a personagem. Talvez por isso, como diz a escritora em entrevista, este livro seja consensual. Nem mesmo as feministas, sempre atentas ao seu trabalho, o repreenderam. É que “também elas foram rapariguinhas”.
Escute aqui um excerto de “Olho de Gato” lido por Margaret Atwood.

Documentário sustenta novas teses àcerca da morte de Federico Garcia Lorca.
Espanha assinalou os 70 anos passados sobre a execução do poeta andaluz.
"Fama e Segredo na História de Portugal" tem a partir de hoje pré-publicação no blogue "Abrupto". Iniciativa é inédita em Portugal.

O blogue "Abrupto" vai anteceder a chegada às livrarias de "Fama e Segredo na História de Portugal”, o novo livro de Agustina Bessa-Luís, publicado pela editora Guerra & Paz. Todos os dias, a partir de hoje e até 10 de Abril, o blogue de Pacheco Pereira vai publicar excertos de uma das 12 histórias que compõe "Fama e Segredo da História de Portugal", bem como as ilustrações que acompanham esse capítulo.
Este é um evento "inédito em Portugal, não se conhecendo ao nível da edição tradicional, registo de iniciativa semelhante noutros países europeus", pode ler-se em comunicado conjunto do "Abrupto" e da editora.
"Entendemos experimentar uma forma de divulgação original, diferente das estratégias tradicionais de comunicação de um livro. Fizemos a proposta [de pré-publicação] ao Abrupto, que nos recebeu de braços abertos", disse Manuel S. Fonseca, responsável pela recém-criada editora Guerra & Paz, em declarações ao JPN.
O blogue faz parte das estratégias de publicação da Guerra & Paz porque, refere o editor, "é uma das formas de criar uma fácil acessibilidade e liberdade de consulta do leitor". O "Abrupto" foi o escolhido por ser "um dos mais consolidados blogues portugueses" e porque Pacheco Pereira "tem uma afinidade cultural e intelectual com Agustina Bessa-Luís que recomendava essa aproximação".
Em "Fama e Segredo na História de Portugal", Agustina relata 12 episódios da História de Portugal de um ponto "nada unânime", considera Manuel S. Fonseca. Para o responsável pela Guerra & Paz, "o livro é um sobressalto. História a história vamos descobrindo abordagens completamente novas [da História de Portugal], não só porque a autora procura uma factualidade muito própria e especial, como também não hesita a juntar à factualidade um universo de lendas e efabulações".
O livro, definido pelo editor como um "álbum de luxo", é composto por 136 páginas e conta com ilustrações de Luís Miguel Castro. "Fama e Segredo na História de Portugal" estará nos escaparates das livrarias a 10 de Abril pelo preço de 55 euros.
Imagem: Guerra & Paz"

Fonte de mel
Nuns olhos de gueixa
Kabuki máscara
Choque entre o azul
E o cacho de acácias
Luz das acácias
Você é mãe do sol
A sua coisa é toda tão certa
Beleza esperta
Você me deixa a rua deserta
Quando atravessa
E não olha pra trás
Linda
E sabe viver
Você me faz feliz
Esta canção é só pra dizer
E diz
Você é linda
Mais que demais
Você é linda, sim
Onda do mar do amor
Que bateu em mim
Você é forte
Dentes e músculos
Peitos e lábios
Você é forte
Letras e músicas
Todas as músicas
Que ainda hei de ouvir
No Abaeté, areias e estrelas
Não são mais belas
Do que você
Mulher das estrelas
Mina de estrelas
Diga o que você quer
Você é linda
E sabe viver
Você me faz feliz
Esta canção é só pra dizer
E diz
Você é linda
Mais que demais
Você é linda, sim
Onda do mar, do amor
Que bateu em mim
Gosto de ver
Você no seu ritmo
Dona do carnaval
Gosto de ter
Sentir seu estilo
Ir no seu íntimo
Nunca me faça mal
Linda
Mais que demais
Você é linda sim
Onda do mar do amor
Que bateu em mim
Você é linda
E sabe viver
Você me faz feliz
Esta canção é só pra dizer
E diz
Caetano Veloso, "Circuladô Vivo"
As ministras da Cultura de Portugal e Espanha anunciaram a criação de um galardão bianual para distinguir criadores ibéricos. Isabel Pires de Lima disse ainda que Portugal deve seguir o exemplo das políticas culturais do país vizinho, nomeadamente no que diz respeito ao Plano Nacional de Leitura espanhol.

Foto: Sérgio Freitas
Isabel Pires de Lima e Carmen Calvo, ministras da cultura de Portugal e Espanha, respectivamente, anunciaram ontem à tarde no Convento da Madredeus, em Lisboa, a criação do maior prémio artístico ibérico.
O galardão, no valor de 120 mil euros, terá uma frequência bianual e será atribuido a uma personalidade "absolutamente indiscutível" da cultura hispano-portuguesa.
As duas ministras anunciaram ainda que Portugal e Espanha vão apresentar candidaturas comuns a programas comunitários. Isabel Pires de Lima e Carmen Calvo prometem prestar especial atenção à arte contemporânea.
Para 2006, está já agendada a Semana da Cultura Espanhola em Portugal. Em 2007, o evento deve repetir-se, desta vez em Espanha. A ministra portuguesa da Cultura quer levar a Barcelona uma mostra do arquitecto Siza Vieira e ao Museu do Prado, em Madrid, outra de Artes Plásticas.
Durante o anúncio do prémio não foi adiantada a quantia que Portugal vai investir, mas Pires de Lima afirmou que "o envelope financeiro está decidido".
Isabel Pires de Lima disse que o nosso país deve seguir o exemplo espanhol. Para a ministra da Cultura, "as boas práticas de Espanha", nomeadamente os programas Media e Cultura 2000 e o Plano Nacional de Leitura de Espanha, que obtiveram bons resultados, devem ser aproveitadas.
A ministra espanhola, Carmen Salvo, também defendeu uma “abertura total entre Portugal e Espanha na área da criação e intercâmbio cultural".
Para além da criação de um prémio artístico conjunto, Portugal e Espanha vão unir-se na promoção do cinema ibérico e no combate à pirataria.
Os pormenores desta parceria serão anunciados durante a Cimeira Ibérica, que se realiza até ao final deste ano em Évora.
Vários municípios minhotos vão ter cafés literários. Este é um projecto de incentivo à leitura que conta com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian.

As populações dos municípios de Viana do Castelo, Caminha, Esposende, Ponte de Lima, Ponte da Barca e Arcos de Valdevez vão ter à sua disposição cafés literários. Os bibliocafés são um projecto que visa estimular o gosto pela leitura nos mais novos.
Os jovens entre os 14 e os 20 anos têm assim acesso privilegiado a jornais, revistas, literatura e livros de consulta. A iniciativa é da comunidade urbana Valimar e conta com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian.
As Bibliotecas Públicas Municipais, as associações comerciais locais, a comunidade educativa do espaço territorial da Valimar ComUrb e o Instituto Português do Livro e das Bibliotecas também apoiam o projecto.
O MUITA LETRA passa em revista a imprensa numa semana em que o lançamento do novo volume de Harry Potter é fenómeno incontornável.

Harry Potter, o fenómeno, crónica de Pedro Mexia no DN.
"Os primeiros passos do último labirinto", entrevista a Casimiro de Brito no DN.
"O estilo de um poeta é a sua impressão digital", continuação da entrevista a Casimiro de Brito, no DN.
Literatura choque na base dos mestres ingleses, sobre “The Line of Beauty”, de Alan Hollinghurst, no DN.
Reporters' log: Harry Potter launch, a febre 'Harry Potter' atinge todo o mundo, na BBC.
Why I believe in Harry Potter, o pequeno feiticeiro visto paa além do fenómeno, no arts.telegraph.
Ray Bradbury's sunny terrors, Ray Bradbury, expoente cultural do século XX?, no calendarlive.com.
"Harry Potter and the Half-Blood Prince" foi lançado em inglês na passada semana e é já o livro mais vendido de todos os tempos. O manuscrito original já se encontra na posse da Presença, a editora responsável pelo lançamento da versão portuguesa do livro. O lançamento está previsto para Outubro.

Imagem: Reuters
O livro de JK Rowling encontra-se à venda há menos de uma semana, mas já bateu todos os recordes. "Harry Potter and the Half-Blood Prince" tornou-se no mais vendido de sempre no Reino Unido e nos Estados Unidos logo nas primeiras 24 horas em que esteve disponível ao público.
A Scholastic, editora do livro nos Estados Unidos, revela que já foram vendidos 6,9 milhões de exemplares e que a segunda edição está já na calha. No Reino Unido foram vendidos dois milhões de exemplares de "Harry Potter and the Half-Blood Prince".
As vendas astronómicas dos seis volumes da saga Harry Potter fazem de JK Rowling a mulher mais rica do Reino Unido. Mas, em entrevista ao canal televisivo ITV, a autora já disse que o feiticeiro só sobreviverá por mais um livro. Depois do sétimo e último volume de Harry Potter, Rowling diz que continuará a escrever, mas sob anonimato.
"Harry Potter and the Half-Blood Prince" ainda não tem edição em português, mas encontra-se ainda assim no primeiro lugar dos 'tops' de vendas da Fnac e da Bertrand.
A Editorial Presença, que vai lançar o livro entre nós, está desde ontem na posse do manuscrito original. A versão portuguesa está a cargo dos tradutores Isabel Fraga, Manuela Madureira, Isabel Nunes e Alice Rocha. O lançamento está previsto para Outubro.
Harry Potter chega hoje às livrarias
Cinco autores portugueses integram a colectânea poética "El Verbo Descerrajado", que tem como objectivo denunciar a situação dos presos políticos no Chile. O livro é composto de poemas de escritores de várias nacionalidades e será lançado naquele país na segunda quinzena de Julho.

António Barbosa Topa, Helena de Sousa Freitas, João Sevivas, Marília Gonçalves e Viriato Teles são os poetas portugueses participantes.
A inciativa parte da Associação Latino-Americana de Poetas e das Edições Apostrophes, que convidaram 76 poetas de diversas nacionalidades para mostrarem o seu descontentamento com a situação dos presos políticos.
Os cinco presos com que este livro se solidariza estão encarcerados há 14 anos devido à participação num golpe de Estado que tentou derrubar o regime de Augusto Pinochet.
Hardy Peña Trujillo, Claudio Melgarejo Chávez, Fedor Sánchez Piderit e Pablo Vargas López foram presos durante o primeiro governo democrático chileno, mas foram julgados ao abrigo de uma lei, datada do período da ditadura, que visava reprimir a oposição.
O site das Edições Apostrophes informa que "El Verbo Descerrajado" é uma forma de diálogo com "Balada de la Cárcel de Alta Seguridad", livro escrito pelos presos políticos. Em Maio desta ano, os presos iniciaram uma greve de fome que durou 50 dias, como forma de protestar contra a sua situação.
A revista de imprensa está de regresso após algumas semanas de férias. Às sextas, como de costume.

'Iluminações' sobre a vida e a obra dum 'ladrão do fogo' , sobre uma biografia de Rimbaud, no DN.
Pois o tempo ruiu, crónica de Pedro Mexia no DN.
Luz é palavra-chave de uma poesia sábia no olhar e na escuta , sobre "Instantes. Permanência", de Agripina Costa Marques, no DN.
The curse of Scrofa, a importância do nome, no The Guardian
The gender equation and artistic recognition, ser mulher no mundo da arte, no International Herald Tribune.
The tale of an ugly duckling, as mentiras de Hans Christian Andersen sobre a sua família, no arts.telegraph.
Le Prix Nobel de littérature Claude Simon est mort, sobre a morte do escritor francês no Le Monde.
Claude Simon, la mort d'un homme d'images, sobre Claude Simon, no Midi Libre.
Este é um dia de magia para os fãs do pequeno feiticeiro, com o lançamento mundial de "Harry Potter and the Half-Blood Prince". O sexto volume da saga criada por JK Rowling, chegou às livrarias de todo o mundo à meia-noite de hoje. O livro ainda não está traduzido para português, mas a versão inglesa da editora Bloomsbury ( a única disponível por enquanto) pode ser encontrada nas livrarias Bertrand e Bulhosa de todo o país e na FNAC do Chiado.


O livro é lançado com duas capas: uma para crianças, outra para adultos
A Bloomsbury colocou no mercado duas edições do livro: ambas têm 608 páginas e textos semelhantes, mas apresentam capas diferentes, uma considerada para adultos, outra para crianças. A provar que o fenómeno Harry Potter é destinado ao público de todas as idades.
A versão portuguesa portuguesa chega aos escaparates em Outubro, com a chancela da Editorial Presença. Isabel Fraga, Manuela Madureira, Isabel Nunes e Alice Rocha são os tradutores.
Em todo o mundo, as livrarias preparam-se para procura massiva do novo volume da saga do pequeno feiticeiro, já que o livro está disponível a partir das 00h00 de hoje.
Os responsáveis pelo lançamento de "Harry Potter and the Half-Blood Prince" tomaram medidas de segurança de modo a evitar que, como sucedeu com volumes anteriores da colecção, que o enredo fosse tornado público ou o livro estivesse disponível antes da data prevista.
A verdade é que a Raincoast Books Ltd., responsável pela edição do livro no Canadá, colocou à venda, na semana passada em Vancôver, 14 exemplares da obra. A transgressão deu lugar a uma orden judicial que obrigou à devolução de todos os exemplares.
Também em Nova Iorque um fã do feiticeiro teve acesso indevido ao livro. Sylum Mastropaolo, de nove anos, comprou "Harry Potter and the Half-Blood Prince" numa loja em que o exemplar se encontrava à venda por engano. O livro também já foi devolvido.
Sobressaltos à parte, o livro é aguardado em todo o mundo com expectativa pela legião de admiradores que Harry Potter amealhou ao longo de vários anos, desde a publicação de "Harry Potter e a pedra Filosofal".
A juntar ao novo volume da saga, os admiradores de Potter podem ver ainda este ano no grande ecrã "O Cálice de Fogo", adaptação cinematográfica do anterior livro de JK Rowling. O filme tem estreia prevista para 24 de Novembro.

Não sabia de nada ? Quem ? Bem, não era nada que não se tivesse à espera…
Posso dizer-lhe que eu era a pessoa mais próxima nos tempos da primária. Tenho algumas lembranças dele. Nessa altura ele já lia os clássicos como quem come sugos. Ele era assim. Nem se importava de ir a guarda-redes. Como a nossa equipa tinha uma grande defesa era da maneira que podia continuar a ler enquanto jogávamos à bola. Era tímido também. Nunca teve sucesso com as raparigas e por isso masturbava-se frequentemente. Às vezes via-o a dar pão aos pombos no pátio da escola. É verdade, voltei a vê-lo. Uma vez fui parar a casa dele anos mais tarde quando trabalhei como carteiro e fiquei muito deprimido. Uma coincidência porque se enganaram na morada e a entrega que trazia era livros precisamente. Algumas paredes estavam rabiscadas até se antever o tijolo,percebe? Acha que estou a exagerar? Olhe que demorei de certeza mais de meia hora em encontrá-lo no meio daqueles livros todos que se transformaram numa espécie de fortaleza. Além disso não havia quase luz na casa. Havia um fedor a peixes mortos. Ele fechara as persianas todas e só se ouvia por vezes uma música muito baixa que falava das faluas do Tejo. Quase que me veio uma lágrima, aquilo era tudo muito triste, triste no sentido mais triste da palavra, não sei se está a ver? Está? Ainda bem. Sim, recordo-me bastante bem desse momento. Tenho-o gravado na memória como um relâmpago ou uma fotografia que por acaso não descobri na sua casa. Ele estava a murmurar com a cabeça encostada a uma janela. Quem sabe algumas ideias para um livro, ele sempre foi um observador, entende? nunca parou de ver, imaginar, pensar. Foi o destino, é tudo o que lhe tenho a dizer. O sonho dele era ser escritor e a solidão deixou de lhe fazer companhia. Ele estava só.
Paulo Eduardo
Na imagem: Tubulações, Marcia Xavier
Poetas da China, Hong Kong e Macau homenageiam o poeta português, recentemente falecido, na próxima sexta-feira em Macau.

A cerimónia de homenagem a Eugénio de Andrade decorre no Instituto Internacional de Macau, no próximo dia 8 de Julho, pelas 18h00. No evento, organizado pelo Instituto Português do Oriente, estarão presentes poetas de Hong Kong, Xangai, Cantão e Macau.
Representantes da revista Poesia e Homem, publicação que deu a conhecer na China, pela tradução do poeta Yao Jingming, a obra de Eugénio, estarão também presentes.
O editor da revista, o poeta Huang Li Hai, entregará ao cônsul português em Macau o prémio que aquela revista atribuiu, no ano passado, ao poeta e que será depois entregue à Fundação Eugénio de Andrade.
O evento conta com um café literário onde se discutirá, de modo informal, a obra do poeta português recentemente falecido e onde se declamarão poemas de sua autoria e poemas chineses em sua homenagem.
Ao mesmo tempo, decorrerá uma exposição evocativa de Eugénio de Andrade, concebida por João Barroso.
Eugénio de Andrade no MUITA LETRA
A primeira edição do Grande Prémio Sophia de Mello Breyner Andresen foi atribuida a António Ramos Rosa, pela antologia O Poeta na Rua. O prémio, instituido pela Câmara Municipal de São João da Madeira e pela Associação Portuguesa de Escritores, tem o valor pecuniário de 10 mil euros.

O Poeta na Rua foi a antologia que valeu a António Ramos Rosa o galardão do Grande Prémio Sophia de Mello Breyner Andresen. Esta é a primeira edição do prémio, que será atribuido de dois em dois anos.
O júri, constituido por Manuel Castro Almeida, José Manuel Mendes e pelo professor Carlos Sousa, decidiu atribuir o galardão a António Ramos Rosa pelo «percurso invulgar e fulgente de um autor cuja vida tem sido por inteiro doada à escrita poética».
O galardão tem o valor pecuniário de 10 mil euros e foi instituido pela Câmara Municipal de São João da Madeira e pela Associação Portuguesa de Escritores. A cerimónia de entrega decorrerá em S. João da Madeira, em data ainda a determinar pela organização.
António Ramos Rosa tem 80 anos e é considerado um dos mais importantes autores portugueses contemporâneos. Natural de Faro, o poeta e ensaísta dedicou-se a publicações como a Seara Nova.
Foi director das revistas Cadernos do Meio-Dia, Árvore e Cassiopeia. Em 1960 publicou aquela que é, porventura, a mais célebre das suas obras, Viagem Através duma Nebulosa.
António Ramos Rosa no MUITA LETRA
A escritora Lídia Jorge foi condecorada com o Grau de Oficial das Artes e Letras pelo Governo francês. A arquitecta Margarida Veiga e o designer Mário Caeiro são os outros dois portugueses distinguidos com o Grau.

Lídia Jorge é uma das escritora portuguesas mais reconhecidas em França. O seu último romance, O Vento Assobiando nas Gruas, foi considerado naquele país um dos mais importantes do ano e chegou, inclusivamente, a ser nomeado para o Prémio Fémina 2004 e foi um dos finalista do Prémio Leitoras da revista Elle.
Margarida Veiga trabalha regularmente com o Musée des Beaux Arts de Lyon. Colaborou com a Fondation Cartier e com o Museu de Arte Contemporânea de Bordéus. É, de momento, responsável pelas artes visuais no Instituto das Artes do Ministério da Cultura em Portugal.
Mário Caeiro também mantêm uma forte ligação a França, já que colaborou com Serviço Cultural da Embaixada de França e o Instituto Franco-Português no projecto Luzboa. Deste projecto resultou a primeira Bienal da Arte da Luz em Lisboa, em Junho do ano passado.
A entrega das insígnias em nome do governo de França será feita pelo embaixador francês em Portugal, Patrick Gautrat. A cerimónia vai realizar-se a 5 de Julho na embaixada francesa em Lisboa.
A demolição da casa de Campo de Ourique que pertenceu a Almeida Garrett foi suspensa pelo presidente da Câmara de Lisboa, Santana Lopes, após uma visita ao local. O futuro da casa onde Garrett passou os dois últimos anos de vida fica assim suspenso por seis meses, há espera do veredicto do próximo autarca lisboeta.

Foto: JN
«O presidente da Câmara de Lisboa deu hoje ordem de suspensão da demolição da casa onde viveu Almeida Garrett», anunciou o gabinete de Pedro Santana Lopes em comunicado enviado à Agência Lusa.
Após deslocar-se aos números 66 e 68 da Rua Saraiva de Carvalho, e depois de reunir-se com a vereadora do Urbanismo, Eduarda Napoleão, e com a vereadora da Cultura, Maria Manuel Pinto Barbosa, Santana Lopes decidiu suspender a demolição do edifício, iniciada há uma semana.
Manuel Pinho, actual ministro da Economia, é o proprietário do edifício, e fora-lhe concedida autorização camarária para demolir o edifício e construir um apartamento T3, dois T4 e um duplex.
No mesmo comunicado, Santana Lopes declara que «a Câmara Municipal de Lisboa defendeu como solução que fosse o próprio Ministério da Cultura a adquirir a casa, até porque, como é público, o proprietário do imóvel é um ministro do mesmo Governo».
A suspensão da demolição do edifício tem, por lei, a duração de seis meses, o que significa que o futuro da casa que Almeida Garrett habitou nos dois últimos anos de vida só será decidido terminado o mandato do actual presidente da Câmara de Lisboa.
A demolição da casa de Campo de Ourique, iniciada há uma semana, tem causado polémica há meses. Um movimento cívico fez circular uma petição a favor da transformação do edifício em casa-museu dedicada a Garrett, que recolheu 2.300 assinaturas.
Figuras públicas como Manuel Alegre e Guilherme de Oliveira Martins, o Bloco de Esquerda e organismos como a Sociedade Portuguesa de Autores, o Pen Clube, a Associação Portuguesa de Escritores também se manifestaram contra a demolição do edifício.
O MUITA LETRA acompanhou desde o início a polémica em torno da Casa de Garrett.
O Instituto Português do Livro e das Bibliotecas (IPLB) anunciou a ligação de 150 bibliotecas públicas através da Internet. O projecto chama-se Rede de Conhecimento das Bibliotecas Públicas e visa tornar mais rápido e fácil o acesso gratuito às colecções.

O IPLB, responsável pela iniciativa, prevê ainda o acesso público gratuito em banda larga e a criação de serviços interactivos, de modo a promover a leitura e dar resposta às necessidades dos leitores. Com este projecto, as bibliotecas públicas passam a trabalhar em rede a partir de uma plataforma tecnológica comum.
Serão instalados, nas 150 bibliotecas públicas com que o projecto arranca, mais computadores com acesso à Internet e os utilizadores podem ainda aceder à Internet sem fios através de computadores portáteis. O público tem à disposição ferramentas de pesquisa de catálogos, reserva e empréstimo de documentos e troca de informação entre os utilizadores.
O projecto Rede de Conhecimento das Bibliotecas Públicas é apresentado hoje na Torre do Tombo, em Lisboa, numa cerimónia em que estarão presentes Isabel Pires de Lima, ministra da Cultura, e Mariano Gago, ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.
A partir de hoje e até 30 de Junho, os visitantes do Museu da Imprensa, no Porto, podem imprimir manualmente alguns poemas de Eugénio de Andrade, que ali lançou, em 1999, numa sessão solene com a presença do Presidente da República, o livro Sulcos e Poemas.
Para além dos nove textos que compõem Sulcos e Poemas, fará parte da exposição igual número de desenhos de rostos do artistas plástico José Rodrigues. A mostra de fotografias, jornais e imagens em vídeo da presença de Eugénio de Andrade, acompanhado por Jorge Sampaio, no Museu, completam esta homenagem ao poeta, filho adoptivo do Porto desde 1950 e falecido no passado dia 13 de Junho.
O Museu da Imprensa pode ser visitado todos os dias, incluindo feriados, das 15h00 às 20h00.
Eugénio de Andrade no MUITAS LETRA

A música separa o Homem de si, providencia-lhe um meio pacífico de libertar a dor acumulada da sua misantropia.
Imagem de Alain Hanel
Ronda pela imprensa numa semana marcada pela morte de Eugénio de Andrade.

«Os jovens são capazes de aprender mais do que pensamos» - Bryan Perro, entrevista ao escritor canadiano n´O Comércio do Porto de Domingo, dia 12 de Junho [sem link directo].
Democracia ou Condomínio, as aparências iludem, numa crónica de Pedro Mexia no DN:
Dossier Eugénio de Andrade, a secção de Cultura do DN dedica-se em exclusivo ao poeta, no dia seguinte à sua morte.
Italiana estuda poesia de Eugénio, o impacto do poeta no mundo, no JN.
Dossier Eugénio de Andrade, no Público.
Décès du poète Eugénio Andrade, artigo e dossier sobre Eugénio, em Nouvelobs.com
Regarding Cervantes, Multicultural Dreamer, as origens árabes de Dom Quixote, no NY Times.
In Love with Jane, Jane Austen ainda desperta paixões, no The NY Review of Books.
O Prémio Príncipe das Astúrias das Letras 2005 foi atribuido à escritora brasileira Nélida Piñón. De origem galega, Piñón é considerada uma voz com "pronúncia" espanhola em terras brasileiras. Paul Auster, Philip Roth e Amos Oz estavam entre os candidatos ao prémio.

Nélida Piñón nasceu no Rio de Janeiro em 1937, oriunda de uma família de origem galega. Formada em jornalismo, foi a primeira mulher a dirigir a Academia Brasileira de Letras, entre 1996 e 1997.
Estreou-se com o romance Guia-mapa de Gabriel Arcanjo, em 1961. O desejo, o sexo, a política, as origens galegas marcam uma forte presença nos seus romances e contos.
Foram-lhe atribuidos importantes galardões, entre os quais o prémio da União Brasileira de Escritores de São Paulo, pelo romance A doce canção de Caetana (1987), o Prémio Golfinho de Ouro, pelo conjunto de obras, conferido pelo governo do Estado do Rio de Janeiro (1990) e o Prémio Internacional de Literatura Juan Rulfo, o mais importante da América Latina, concedido pela primeira vez a uma mulher e a um autor de língua portuguesa (1995).
O Prémio Príncipe das Astúrias das Letras já distinguiu autores como Mario Vargas Llosa, Camilo José Cela ou Susan Sontang. À edição deste ano apresentaram- se 31 candidaturas de 16 países, entre as quais as de Paul Auster, Philip Roth e Amos Oz.
Obras de Nélida Piñón
- Guia-mapa de Gabriel Arcanjo (1961)
- Madeira Feita Cruz (1963)
- Tempo das Frutas (1966)
- Fundador (1969)
- A casa da Paixão(1972)
- Sala de Armas, (1973)
- Tebas do Meu Coração (1974)
- A Força do Destino (1977)
- O Calor das Coisas (1989)
- A República dos Sonhos (1984)
- A Doce Canção de Caetana (1987)
- O Pão de Cada Dia (1994)
- A Roda do Vento (1996);
- O Ritual da Arte, Ensaio Sobre a Criação Literária (inédito).
Obras da autora disponíveis em Portugal.
O corpo de Eugénio de Andrade foi ontem a enterrar no jazigo municipal do Cemitério do Prado do Repouso. Numa despedida em que o clima de tristeza não impediu a serenidade, cerca de três centenas de portuenses e algumas figuras públicas prestaram uma última homenagem ao poeta de As Mãos e os Frutos.

Imagem: DN
A ministra da Cultura esteve presente no adeus a Eugénio
A Cooperativa Árvore foi pequena para acolher as pessoas que ali se deslocaram numa última homenagem a Eugénio de Andrade, falecido às 3h30 do dia 13. Alguns poetas, entre os quais Ana Luísa Amaral e Manuel António Pina, recitaram poemas de Eugénio em jeito de homenagem. A ministra da Cultura Isabel Pires de Lima e o assessor do Presidente da República estiveram também presentes na galeria portuense.
O cortejo fúnebre partiu da Cooperativa Árvore às 16h30 da tarde. Pelas ruas do Porto, cerca de 300 pessoas partilharam a última viagem de Eugénio de Andrade até ao Cemitério do Prado do Repouso. Durante o percurso, o cortejo parou no número 111 da Rua Duque de Palmela, que o poeta habitou até 1993, ano em que se mudou para a Fundação com o seu nome.
«Eugénio não se fechou sobre si mesmo»
Na igreja, Arnaldo Saraiva, presidente da Fundação Eugénio de Andrade, fez o discurso de despedida, lembrando Eugénio como «um poeta que nunca se fechou sobre si mesmo. Mesmo agora, no fim da vida, ele gostava de ler jovens autores, quando reconhecia que havia talento neles».
Saraiva sublinhou ainda a dimensão humilde do poeta, que não se comportava como se já conhecesse «os segredos todos da poesia. Ele nunca deixou de ter vontade de aprender, e sabia que podia aprender com todas as pessoas».
O presidente da Fundação aproveitou ainda a ocasião para incentivar o público a ler poesia, e a própria poesia a tornar-se acessível aos leitores.
«Corpo deverá ser transladado para sepultura melhor»
O presidente da Câmara, Rui Rio, realçou «o grande orgulho da cidade em ter um poeta como Eugénio», que viveu no Porto desde 1950. O autarca garantiu que a obra de Eugénio não será deixada ao esquecimento e expressou o desejo de «transferir mais tarde o corpo do jazigo municipal para uma outra sepultura melhor».
Francisco Louçã, dirigente do Bloco de Esquerda, Rosa Mota, o ex-presidente da autarquia portuense Nuno Cardoso e o jornalista e historiador Germano Silva foram algumas das personalidades dos vários quadrantes da vida nacional que marcaram presença na cerimónia de despedida ao poeta Eugénio de Andrade.
Eugénio de Andrade no MUITA LETRA
O funeral do poeta, falecido ontem aos 82 anos, sai às 16h30 da tarde de hoje da sede da Cooperativa Cultural Árvore para o Cemitério do Prado do Repouso.

Imagem: O Comércio do Porto
Recorde-se que Eugénio de Andrade morreu às 3h30 da madrugada de dia 13 de Junho, devido a doença prolongada, na sua casa no Porto, disse à Agência Lusa fonte da Fundação Eugénio de Andrade.
O poeta, que dedicou Adolescente (1942), seu livro de estreia, a Fernando Pessoa, morreu no dia em que se assinalaram os 117 anos do nascimento do poeta da Mensagem.
Biografia de Eugénio de Andrade
O poeta Eugénio de Andrade morreu hoje, às 03h30, na Fundação Eugénio de Andrade, no Porto, de doença prolongada. José Fontinhas, que escrevia sob o pseudónimo de Eugénio de Andrade, tinha 82 anos.

Eugénio de Andrade nasceu na Póvoa da Atalaia, em 1923, e vivia no Porto, onde criou a Fundação com o seu nome, desde 1950. É um dos poetas mais reconhecidos e premiados da literatura portuguesa contemporânea e a sua obra está traduzida para alemão, asturiano, castelhano, catalão, chinês, francês, italiano, inglês, jugoslavo e russo.
Outros artigos sobre Eugénio de Andrade no MUITA LETRA
O escritor argentino de 67 anos morreu ontem num hospital de Paris na sequência de doença prolongada, informaram hoje fontes familiares. Juan José Saer dedicou-se à literatura, à crítica literária, ao ensino e ao cinema e era considerado um dos mais importantes escritores contemporâneos da Argentina.

O escritor de origem síria nasceu a 28 de Junho de 1937 em Serondino, na província argentina de Santa Fé. Mudou-se para a capital francesa em 1968, altura em que lhe foi concedida uma bolsa de estudo. No seu país natal estudara Direito e Filosofia e em França leccionou na Faculdade de Letras da Universidade de Rennes até 2002, ano em que se retirou.
Colaborou como crítico literário na imprensa e chegou a realizar algumas crutas-metragens. Foi no romance, na poesia e no ensaio filosófico, no entanto, que mais se destacou (obra completa). Em 1987, La Ocasion valeu-lhe o Prémio Nadal, um dos mais importantes das letras espanholas. No ano passado venceu, ex-aequo com o romeno Virgil Tanase, o Prémio da União Latina das literaturas românicas (artigo). Antes, em 2003, vira-lhe ser atribuido o Prix France Culture.
Livros do autor disponíveis em português.
O mundo à volta dos livros.

«Esta é a história de me tornar honesto», entrevista a DBC Pierre, no Diário de Notícias.
«O álcool ajudou-me a sobreviver ao Booker», continuação da entrevista a DBC Pierre, no DN.
Camões, sobre Luís de Camões, no DN, por Pedro Correia.
Just give me that old-time atheism!, artigo de Salman Rushdie no Toronto Star.
A tale of two writers, quando H. C. Andersen e Charles Dickens se conheceram, no The Independent.
And The Winner Is…, o livro eleito pelos britânicos como o melhor de sempre, na BBC.
Top 100, a lista dos restante 99 livros escolhidos pelos britânicos.
Umberto Eco: Miracles in Milan, o último romance de Umberto Eco?, no The Independent.
Com as Feiras do Livro de Lisboa e Porto a decorrer, a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) apresenta o projecto APEL Digital. O projecto consiste numa base de dados com o registo de título e autor de todas as publicações portuguesas, tornando possível a pesquisa online, e estará disponível na Internet na próxima semana.

No site da APEL podemos ler que este este projecto pretende «conseguir disponibilizar mais informação, de um modo dinâmico e contínuo, bem como tornar muito mais célere todo o modelo de interacção da estrutura associativa com os seus associados e o público em geral».
Deste modo, todos os livros, portugueses ou estrangeiros, publicados no nosso país podem ser encontrados, de forma rápida e fácil, online. A APEL Digital quer assim tornar-se uma ferramenta indispensável no quotidiano dos profissionais do livro.
A concretização desta base de dados saldou-se em 370 mil euros, dos quais a APEL financiou 40% e o Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e ao Investimento (IAPMEI) o restante. O projecto APEL Digital é hoje apresentado hoje, pelas 18:30 horas, no auditório da Feira do Livro do Porto.
O Silêncio de um Homem Só é o livro com que o escritor Manuel Jorge Marmelo convenceu o júri do Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco, instituído pela Associação Portuguesa de Escritores (APE) com o patrocínio da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão.

O prémio, relativo ao ano de 2004, tem o valor pecuniário de 5 mil euros. O júri, composto por Cristina Almeida Ribeiro, Fernando Campos e Mário Ventura, escolheu a obra de Marmelo por unanimidade.
Manuel Jorge Marmelo nasceu no Porto, em 1971. É jornalista desde 1989 e estreou-se nas letras em 1996, com O homem que julgou morrer de amor/O casal virtual. Mantêm um site pessoal e um blogue.
Agustina Bessa-Luís esteve ontem no café literário da Feira do Livro do Porto para falar do seu último livro, Antes do Degelo, e da reedição do primeiro, Mundo Fechado. Com o público fascinado pela sua presença, a escritora acabou por fazer outras confissões.

Imagem: Jornalismo Porto Net
Quando a autora d´A Sibila chegou, vestida com a discrição elegante de quem sempre pertenceu a uma espécie de aristocracia, fez-se silêncio no café literário do Pavilhão Rosa Mota. Era óbvia a admiração dos presentes pela mulher e pela escritora. A sua estatura pequena, o seu andar passarinhado, o brilho infantil dos olhos que traía os seus 83 anos causaram forte impressão.
Bessa-Luís começou por falar da experiência de escrever e publicar o seu primeiro livro: «O Mundo Fechado foi escrito enquanto a minha filha, bebé então, dormia. Era o único tempo que tinha livre». Aos anos, a jovem Agustina leu A Selva, de Ferreira de Castro. O pai dissera-lhe que era o melhor livro de um escritor português. Agustina não teve problemas, logo aí, em afirmar: «Se isto é o melhor livro de um escritor português, eu vou fazer o melhor livro de um escritor português». Assim, a boa recepção do seu romance de estreia não a surpreendeu, já que a escritora debutante estava «muito segura daquilo que tinha escrito».
«Há que gerir o Mal de forma a torná-lo impraticável»
Antes do Degelo, publicado em 2004, foi também tema de conversa. «O enigma da culpa é a chave do livro», explicou Agustina, que escreveu o seu mais recente romance inspirada na obra Crime e Castigo de Fiódor Dostoievski. «O homem vive da culpa, precisa da culpa para criar. A mulher é aquilo que é, tem esse dom criador, ao ser mãe. O homem usa a culpa como modo de superar esse dom da mulher. É pela culpa que se dão os grandes feitos da humanidade», defendeu.
A problemática do Bem também mereceu a atenção de Agustina: «Cinco séculos de moralidade, de pregação do Bem, não deram resultado. A questão é agora gerir o mal de modo a que ele se torne impraticável», considera. Para a escritora, «o Mal é um excitante. Quando perde a natureza de trangressão, de mistério, deixa de ser excitante e de interessar as pessoas».
«A palavra do crítico não define o destino do escritor»
Questionada por uma leitora sobre a sua faceta perversa enquanto escritora e carinhosa enquanto pessoa, Bessa-Luís disse que a perversidade sempre a acompanhou: «sempre tentaram aplicar-me esse adjectivo como modo de travar a minha vivacidade, a viscosidade do talento. A civilização é perversa, o ser humano é perverso no modo como tenta adestrar a Natureza, é assim para sobreviver».
Durante esta conversa informal com os seus leitores, a escritora confessou que recebe muitas obras de jovens escritores que lhe pedem opinião. Nem sempre responde: «sou generosa em coisas profundas e, mesmo quando leio um livro na diagonal, se percebo que tem qualquer coisa sou a primeira a dirigir-me a essa pessoa». Mesmo sendo uma das mais importantes escritoras contemporâneas, Agustina Bessa-Luís é uma mulher presa à sua geração e por isso não dá grande atenção ao que de novo se vem fazendo na literatura portuguesa: «se calhar injustamente leio pouco novos livros, mas não é a palavra de um crítico que define o destino de um bom escritor».
Como «uma enorme responsabilidade», é assim que Mário Cláudio lhe vê ser entregue o Prémio Pessoa 2004. «O facto de existirem nomes maiores da cultura portuguesa associados ao prémio leva-me também a encará-lo com humildade», acrescentou ontem o escritor, durante a cerimónia de entrega do galardão, pelo Presidente da República, no Museu Militar em Lisboa.

O júri do Prémio Pessoa distingue o escritor portuense por, «como ficcionista, ser autor de uma obra que se caracteriza pela mestria da língua, a preocupação historiográfica, a tentação biográfica e a extraordinária invenção narrativa».
O vencedor do galardão, no valor de 42.500 euros, foi anunciado, como o MUITA LETRA noticiou, em Dezembro de 2004. Manuel Alegre (1999), José Cardoso Pires (1997) ou Herberto Helder (1994) estão entre os escritores distinguidos com o Prémio Pessoa.
Mário Cláudio prepara já um novo livro, de que não revela o título, mas que adianta ser «um compromisso entre a História e a ficção», baseado na vida de «uma figura da Cultura portuguesa», e deverá ser publicado no próximo ano pela .
Mário Cláudio, o «escritor raro»
Por duas horas, a Feira do Livro do Porto reuniu ontem amigos e estudiosos do professor e ensaísta Óscar Lopes. Durante o tributo, a ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, pôs de parte o cargo político para ler «uma declaração de amor» ao amigo. Manuel Dias da Fonseca, Ana Maria Brito, Fátima Oliveira, Fernando Guimarães e Leonor Curado Neves também fizeram parte do painel de especialistas, numa cerimónia a que só faltou o homenageado, por motivos de saúde.

Imagem: O Comércio do Porto
Depois de Eugénio de Andrade (2003) e Agustina Bessa-Luís (2004), esta edição da Feira do Livro do Porto presta tributo a Óscar Lopes, considerado por Jorge Araújo, vice-presidente da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), como «uma das figuras mais importantes da cultura portuguesa do século XX».
Para debater o homem e a sua obra, reuniu-se no Pavilhão Rosa Mota um painel de seis especialistas em estudos literários, dos quais se destaca a actual ministra da Cultura.
Isabel Pires de Lima pôs em relevo «a sua [de Óscar Lopes] dimensão integradora», «o seu carácter evolutivo e consequente» e a «abertura de espírito e o rigor no que faz, o amor pela língua, como pelas flores, gatos e pela vida». Pires de Lima, que já tinha realizado, em conjunto com Francisca Gorjão Henriques, um documentário sobre Óscar Lopes (Óscar Lopes - Os Sinais e os Sentidos), apresentou-se no certame como amiga do homenageado e não como representante de um cargo governamental, lendo um texto seu, escrito há 15 anos, que rotulou de «uma quase despudorada declaração de amor» ao antigo colega da Faculdade de Letras do Porto.
Óscar Lopes, escritor e ensaísta, professor, crítico literário e linguista, nasceu em Leça da Palmeira, Matosinhos, no ano de 1917. Licenciou-se em Filologia Clássica na Faculdade de Letras de Lisboa, é diplomado pelo Instituto Britânico e pelo Conservatório de Música do Porto. Desde 1974, lecciona na Faculdade de Letras do Porto.
Faz parte do comité central do Partido Comunista Português, a que aderiu em 1945. Enquanto ensaísta e crítico literário, colaborou com vários jornais e revistas. Da sua vasta bibliografia destaca-se a História da Literatura Portuguesa, que escreveu em colaboração com António José Saraiva.
O Booker Prize, o prémio maior das letras britânicas, foi este ano atribuído ao escritor albanês Ismail Kadaré. O júri escolheu Kadaré por considerá-lo um «escritor universal na tradição dos contadores de histórias que remontam a Homero». Com a atribuição do prémio a um autor não britânico, os responsáveis pelo Booker respondem aos que os acusam de apenas levarem em conta autores britânicos ou da Commonwealth.

Imagem: BBC
Ismail Kadaré vive actualmente em Paris, depois de fugir da Albânia comunista no início da década de 90. A sua obra de poeta e romancista, que há vários anos faz deste escritor um forte candidato ao Nobel da Literatura, foi até há pouco tempo proibída no seu país natal. Ainda assim, é o autor mais reconhecido pelos albaneses, talvez porque os seus livros exploram a identidade do país, constantemente questionada pelo choque entre oriente e ocidente.
Além da literatura, Kadaré dedica-se também ao jornalismo. Nascido em 1936, deixou os Balcãs há 15 anos para poder escrever em liberdade. Em 1996 foi eleito membro da Academia das Ciências Morais e Políticas e, recentemente, foi agraciado com a Legião de Honra, em França.
Kadaré, que se declarou «profundamente honrado» com este prémio, deixou para trás, na corrida ao Booker deste ano, autores como Muriel Spark, Doris Lessing ou Ian McEwan. O galardão, no valor de 60 mil libras, será entregue a 27 de Junho, em Edimburgo.
Livros do autor disponíveis em Portugal.
A semana letra a letra.

«A solidão é a doença do milénio», entrevista a Margarida Rebelo Pinto no Correio da Manhã.
Num idioma sagrado e sexual, comentário de Pedro Mexia ao livro A Alegria do Mal, de José Emílo-Nelson, no Diário de Notícias.
Apontamentos sobre o escritor japonês do momento Haruki Murakami, por João Céu e Silva no DN.
«Ressuscitar Camilo através do seu estudo», entrevista a Aníbal Pinto de Castro, director do Centro de Estudos Camilianos, no DN.
Identidade nacional e sexual em causa no tecido da ficção, comentário de Elizabete França a O Mensageiro Diferido, de Rui Nunes, no DN.
Ten Most Harmful Books of the 19th and 20th Centuries , os livros que a Human Events considera os mais nefastos dos últimos dois séculos.
Heavyweight champion, entrevista a Umberto Eco no Arts.telegraph.
Juntamente com cinco outros institutos culturais europeus, o Instituto Camões recebeu ontem o Prémio Príncipe das Astúrias de Comunicação e Humanidades 2005. O ministro dos Negócios Estrangiros, Freitas do Amaral, já se congratulou com a vitória deste organismo de divulgação da língua portuguesa, dizendo ter recebido a notícia «com enorme honra e satisfação». O Prémio será entregue em Outubro, numa cerimónia a realizar-se em Oviedo.

Para além do Instituto Camões, também foram distinguidos o Instituto Cervantes (Espanha), a Alianza Francesa (França), a Sociedade Dante Alighieri (Itália), o British Council (Reino Unido) e o Goethe Institute (Alemanha). Todos estes organismos têm como função a protecção e divulgação da língua dos respectivos países.
O Prémio Príncipe das Astúrias de Comunicação e Humanidades foi instituído em 1980 e tem como objectivo dar visibilidade a quem se destaque no trabalho científico, técnico, cultural, social e humano nas categorias da Comunicação e Humanidades, Ciências Sociais, Artes, Letras, Investigação Cientifica e Técnica, Cooperação Internacional, Paz e Desportos. Umberto Eco, George Steiner ou o canal televisivo CNN são alguns dos vencedores em edições anteriores.
Criado em 1992 para promover no exterior a língua e a cultura portuguesa, o Instituo Camões é actualmente presidido por Simonetta Luz Afonso, pelo que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Freitas do Amaral, já felicitou a reposnável pelo Instituto, realçando «a extrema importância de um prémio que distinguiu o esforço e o trabalho que o Instituto Camões tem vindo a desenvolver, ao longo deste 13 anos, para a promoção da língua e cultura portuguesa em todo o Mundo».
Saiba mais sobre o Prémio Príncipe das Astúrias.
Com a 75ª edição da Feira do Livro do Porto a decorrer, há quem considere que o modelo segundo o qual o certame se organiza está «esgotado». Em conversa no Pavilhão Rosa Mota, no âmbito da Feira, Francisco Madruga, da APE, o escritor Germano Silva, o cronista e historiador Hélder Pacheco, e o livreiro Nuno Canavez criticaram o «afastamento entre as empresas e a Feira do Livro» e a ausência de alfarrabistas no evento.

Germano Silva: «gostava de ver a Feira ao ar livre»
Imagem: JN
O actual modelo da Feira não é do agrado de Germano Silva, que afirmou gostar «de a ver [a Feira do Livro] ao ar livre, no Jardim de Arca d'Água ou no Jardim das Virtudes». Por seu lado, Hélder Pacheco prefere o Clérigos Shopping, que «serviria como estrutura de apoio. A feira teria de ser em moldes completamente diferentes». O historiador alerta também para a necessidade de se «pensar como promover o livro português, defender a língua portuguesa».
Para Fernando Madruga, é preocupante o «afastamento entre as empresas e a Feira do Livro», enquanto que Nuno Canavez considera «inconcebível» a ausência de alfarrabistas no certame.
Apesar das críticas, a Feira do Livro prossegue até dia 13 de Junho. O programa do evento pode ser consultado aqui.
O Estado dos Campos valeu a Nuno Júdice a unanimidade do júri do Prémio Consagração do VIII Concurso Nacional de Poesia/Prémio Cesário Verde, promovido pela Câmara Municipal de Oeiras. Filipe Borges Tereno, nascido em 1974, venceu o galardão na categoria Revelação pela obra A Perfeita Ocupação do Espaço.

Do júri do prémio fizeram parte Vasco Graça Moura, Mafalda Lopes da Costa, Filipe Leal, Fernando Pinto do Amaral e Jorge Barreto Xavier.
Com O Estado dos Campos, Nuno Júdice já havia ganho, em 2004, como o MUITA LETRA noticiou, o Prémio Ana Hatherly.
Nuno Júdice: a obra por conhecer
Após 60 anos passados no Real Gabinete de Leitura do Rio de Janeiro, no Brasil, o manuscrito original de Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco regressa a Portugal. A obra-prima da pena de Camilo chega ao nosso país a tempo da inauguração do Centro de Estudos Camilianos, em São Miguel de Seide, onde ficará exposta ao público de 1 a 5 de Junho.

Imagem: Lisa Soares, JN
Para o presidente da Câmara Municipal de Famalicão, Armindo Costa, a chegada do manuscrito «numa altura em que se abre uma nova página na herança camiliana, com a inauguração do Centro de Estudos Camilianos, projectando para o futuro a vida e obra do escritor [...] terá um significado muito especial, para todos os amantes da literatura e não só».
O manuscrito está, assim, de volta a Portugal a tempo do II Congresso Internacional de Estudos Camilianos, que abordará o tema A Retórica na Ficção Camiliana. O Congresso junta no Centro de Estudos Camilianos, que amanhã será inaugurado pela ministra da Cultura Isabel Pires de Lima, especialistas na obra do escritor oriundos de vários países.
Tudo a postos para inauguração
Para além da ministra da Cultura, na cerimónia de abertura do Centro de Estudos Camilianos estarão presentes Aníbal Pinto de Castro, director da Casa de Camilo, Agustina Bessa-Luís e o arquitecto responsável pelo projecto do Centro, Álvaro Siza Vieira.
O edifício, no qual a autarquia famalicense investiu 3,6 milhões de euros, está equipado com um auditório com 138 lugares, um átrio polivalente, uma biblioteca camiliana, uma sala de exposições, depósitos para o acervo camiliano, gabinetes de trabalho e uma cafetaria com esplanada.
Os livros falam.

Os 70 anos da Penguin, crónica de Pedro Mexia no Diário de Notícias.
Mais poeta do que prosador, depoimentos sobre Vasco Graça Moura, vencedor do Grande Prémio de Romance e Novela 2004 da APE, no DN.
Enchente e vendas de costas voltadas, um retrato do segundo dia da Feira do Livro do Porto, no Jornal de Notícias.
Postmodern Fog Has Begun to Lift, o retorno à realidade numa era de incertezas, por Morris Dickstein no L. A. Times.
Borges and the Eternal Orangutans, crítica ao livro de Luís Fernando Veríssimo no The Complete Review.
Hans Christian Andersen by Jens Andersen, crítica ao livro sobre H. C. Andersen no Times Online.
Dois livros por hora, 46 por dia e 16.850 durante o ano: são estes o número da edição de livros em Portugal, em 2004, segundo a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL). Isabel Carvalho, da APEL, disse à Lusa que a edição de livros no ano passado aumentou 47,3% em relação aos quatro anos anteriores, fazendo de 2004 o ano do século XXI em que ocorreu um maior crescimento nesta área.
Mas, analisando os números da Biblioteca Nacional (BN), fica-se com uma ideia totalmente oposta: segundo esta instituição, deu-se uma quebra acentuada em todos os géneros literários entre 2003 e 2004.
Nem a APEL nem a BN têm explicações exactas para a discrepância dos números, mas não deixam de apontar o dedo ao não cumprimento da Lei do Depósito Legal por parte das tipografias.

Segundo Maria Luísa Cabral, da BN, em 2004 a BN recebeu 9.602 novos títulos, menos 2.149 do que no ano anterior. Como se explica esta contradição de números entre a APEL e a BN? Maria Luísa Cabral aponta as «faltas ao cumprimento da Lei do Depósito Legal» por parte das tipografias que, ao não enviarem os exemplares exigidos por lei, «não se apercebam do real prejuízo que causam» ao controlo bibliográfico nacional.
Isabel Carvalho não é tão dura nas críticas, referindo que «por vezes as gráficas reúnem várias obras antes de enviar, e isso pode atrasar a contagem na Biblioteca Nacional, talvez daí a discrepância».
Os números da APEL...
A acreditar nos números relativos à edição de livros em 2004 apresentados pela APEL, em Portugal publicaram-se, no ano transacto, 16.850 títulos, quase mais 50% do que em 2003. Este número faz de Portugal um país que respira saúde no que à actividade editorial diz respeito, com dois livros, em média, editados por hora e 46 por dia.
... e os da BN
Mas se nos orientarmos pelos dados da Biblioteca Nacional, o panorama é exactamente o oposto: de 2003 para 2004 houve uma quebra de 41,3% na edição de títulos de literatura portuguesa (os volumes de correspondência desceram 82,6%, o teatro 50,6% e a poesia 45,5%. Os ensaios literários, os livros de crónicas e memórias também sofreram uma forte queda de 45,2 e 41,9%, respectivamente).
Embora o crescimento da ficção seja consensual tanto para a APEL quanto para a BN, a verdade é que, segundo os dados fornecidos pela Inspecção-Geral das Actividades Culturais (IGAC) à Lusa, o crescimento deste género em 3,1 % não compensa as baixas de as baixas de 29,5% no teatro, de 7,9% na poesia de 7,4 % nos estudos.
A Lusa procurou conhecer os números do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas (IPLB), mas esta instituição não dispõe de estatísticas sobre a edição de livros em Portugal.
Por detrás da Magnólia foi o melhor romance português de 2004, segundo a Associação Portuguesa de Escritores (APE). O Grande Prémio de Romance e Novela, no valor de 15 mil euros, foi atribuído por unanimidade ao tradutor e escritor Vasco Graça Moura.

Num júri presidido por José Correia Tavares e composto ainda por Fernando Campos, Serafina Martins, Teolinda Gersão, Teresa Martins Marques e Vergílio Alberto Vieira, só Teolinda Gersão não deu o seu voto a Por detrás da Magnólia, preterindo-o em favor de O Vendedor de Passados, de José Eduardo Agualusa.
A 23ª edição deste prémio, que se realiza desde 1982, foi a mais concorrida de sempre, com 85 romances e novelas de 60 autores e 23 autoras a concurso. A totalidade das obras foi publicada em 2004 por 35 editoras.
O Grande Prémio de Romance e Novela já galardoou 20 escritores, representados por 12 editoras, mas esta é uma estreia tanto para vasco Graça Moura como para a Quetzal, editora da obra vencedora.
Por Detrás da Magnólia: onde comprar
Porque há muito a dizer sobre os livros.

Sendo no verso feminina gente, crítica aos últimos livros de Ana Luísa Amaral e de Inês Lourenço, no Diário de Notícias.
Mundo e obra reencontrados no caleidoscópio de Marcel, sobre Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust, no DN.
Casas de Escritores, crónica de Pedro Mexia no DN.
Tout autour d'aujourd'hui de Blaise Cendrars, sobre Blaise Cendrars no Le Figaro.
Rhyme & Unreason: how a Web site purporting to uncover fraud shook up the world of poetry contests": por dentro dos concursos de poesia, no The Chronicle.
Poetic vistas of eternity, sobre uma antologia poética de Johann Wolfgang von Goethe, no The Guardian.
Say it loud – it's Schiller and it's proud, sobre FRIEDRICH SCHILLER, no Sign and Sight.
Are There Seven Basic Plots?: há apenas sete formas de contra estórias?, no The Washington Post.
O escritor cabo-verdiano Germano Almeida venceu a 5ª edição do Prémio Fundação Casa da Cultura de Língua Portuguesa. O júri, que este ano tinha por objectivo distinguir uma personalidade cabo-verdiana que tenha contribuído para a promoção da cultura lusófona, escolheu de forma unânime o nome do autor de O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo. O galardão será entregue a Germano Almeida na próxima quinta-feira, Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto.

O Prémio, atribuído de dois em dois anos, visa distinguir «personalidades ou instituições que tenham contribuído de forma notável para a promoção e difusão das culturas que se exprimem em língua portuguesa». A Fundação Casa da Cultura de Língua Portuguesa foi criada em 1990, na Universidade do Porto, e procura desde então distinguir os agentes culturais que promovem a lusofonia.
A Casa do Alentejo de Toronto, o alemão Peter Koj, a angolana Gabriela Antunes e o embaixador brasileiro Dário Castro Alves estão entre os anteriores vencedores deste prémio.
Germano Almeida nasceu em 1945 na ilha da Boavista, e estudou Direito em Lisboa. Vive actualmente em Cabo Verde, onde exerce advocacia. O seu livro mais conhecido é O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo (1991), já transposto para o cinema, mas entre as suas obras estão também, por exemplo, As Memórias de Um Espírito ou A Ilha Fantástica. Os seus títulos encontram-se publicados em espanhol, francês, italiano, alemão, sueco, holandês, basco e norueguês.
Em Portugal, a sua obra está editada pela Editorial Caminho.
É, segundo António Souza Pinto, director da editora Livros do Brasil, «uma feliz coincidência», a vinda de Lygia Fagundes Telles (LFT) a Portugal, em Setembro, pois já estava agendada antes de o seu nome ser anunciado para o Prémio Camões deste ano. Responsável pela publicação entre nós de sete dos livros da escritora brasileira, a Livros do Brasil vai investir em novos títulos de Fagundes Telles, que certamente atrairão agora novos leitores.
Na mesma altura em que a escritora brasileira vence o mais importante galardão da literatura lusófona, é publicada em Portugal, pela Dom Quixote, a antologia de contos eróticos Intimidades, em que, juntamente com LFT, participam outras autoras portuguesas e brasileiras.

LFT participa nesta colectânea de contos eróticos
Intimidades procura dar a conhecer, em Portugal e no Brasil, a escrita feminina contemporânea de língua portuguesa. Com prefácio de Luísa Coelho, a colectânea inclui, para além de LFT, contos de Lídia Jorge, Inês Pedrosa, Maria Teresa Horta, Teolinda Gersão, Rita Ferro, Ana Miranda, Branca Maria de Paula, Guiomar de Grammont e Nélida Piñon.
A autora do prefácio diz que os textos escolhidos para integrar a colectânea são escritos por mulheres, porque «é nesse domínio que a divulgação é menor e portanto o desconhecimento mútuo é maior». Quanto à temática comum aos textos, Luísa Coelho declara que o erotismo «se encontra no centro de toda a problemática da arte», o que justifica a sua escolha.
Sete livros, alguns esgotados
Apesar de sete dos mais significativos títulos de LFT (A Estrutura da Bola de Sabão, A Noite Escura e Mais Eu, Antes do Baile Verde, As Horas Nuas, As Meninas, A Ciranda de Pedra e Histórias do Desencontro) estarem editados entre nós pela Livros do Brasil, a verdade é que se os procurar provavelmente vão dizer-lhe que estão esgotados. O último livro que a editora portuguesa da escritora publicou foi As Horas Nuas, em 1990. Porque a publicação deste romance foi dificultada por problemas na transposição da ortografia original, não está disponível entre nós a totalidade da obra da vencedora do Prémio Camões 2005.
Livros disponíveis em Portugal (sem link directo).
Excepcionalmente esta semana, a Revista de Imprensa sai ao domingo.

Lygia, dissecadora de desencontros, sobre Lygia Fagundes Telles no Diário de Notícias.
Lygia Fagundes Telles vence Prémio Camões, perfil da vencedora do Prémio Camões 2005, no Público (acesso pago).
«Com a idade fui ficando muito mais essencial», entrevista a Margarida Rebelo Pinto, do DN.
«Nunca tive a pretensão de fazer livros extraordinários», continuação da entrevista a MRP no DN.
«Mi libro es un delirio estructurado », entrevista a António Lobo Antunes no El Pais (acesso pago).
Win novels from top authors, o Times Online está a oferecer livros das autoras nomeadas para o Orange Prize deste ano.
A escritora brasileira foi a escolhida pelo júri da 17ª edição do Prémio Camões. Aos 82 anos, Lygia Fagundes Telles vence assim o mais importante galardão das letras lusófonas.

Prometendo para mais tarde um texto completo sobre a vida e a obra da autora de A Noite Escura e Mais Eu, o MUITA LETRA deixa-lhe por enquanto um link para a página da escritora na internet (aqui) e para um texto, publicado neste blogue há uns meses, sobre a minha autora brasileira favorita (aqui).
O Rio de Janeiro é a cidade de onde sairá o nome do vencedor do Prémio Camões 2005. O júri do galardão reúne hoje na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro para escolher e anunciar o autor de língua portuguesa cuja obra tenha contribuido para o enriquecimento dos patrimónios cultural e literário em Português.

O júri da 17ª edição do Prémio Camões é composto pelos escritores António Carlos Sussekind (Brasil), Ivan Junqueira (Brasil), Vasco Graça Moura (Portugal), Germano de Almeida (Cabo Verde), José Eduardo Águalusa (Angola) e Agustina Bessa-Luís, agraciada com o galardão em 2004.
O Prémio Camões foi instituído pelos governos portugueses e brasileiros com o objectivo de distinguir autores de língua portuguesa que tenham contribuido para o seu enriquecimento e promoção e tem o valor de 100 mil euros.
Os vencedores
1989 - Miguel Torga
1990 - João Cabral de Melo Neto
1991 - José Craveirinha
1992 - Vergílio Ferreira
1993 - Rachel Queiroz
1994 - Jorge Amado
1995 - José Saramago
1996 - Eduardo Lourenço
1997 - Pepetela
1998 - António Cândido de Mello e Souza
1999 - Sophia de Mello Breyner Andresen
2000 - Autran Dourado
2001 - Eugénio de Andrade
2002 - Maria Velho da Costa
2003 - Rubem Fonseca
2004 - Agustina Bessa-Luís
O poeta e autor de livros infantis conquistou o galardão por Os Livros. Esta edição do Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores/CTT é relativa ao ano de 2003 e tem o valor de 5 mil euros. À Lusa, Manuel António Pina declarou estar «particularmente lisonjeado» por uma obra sua ter sido escolhida por um júri «de grande qualidade», mas diz que o mais importante é que «o livro venda e deste modo haja mais leitores de poesia».

Foto: Diário de Notícias
O júri do Prémio (constituido por Clara Rocha, Francisco Duarte Mangas, José Manuel de Vasconcelos, José Carlos Seabra Pereira e Paula Morão), por seu lado, justifica a escolha de Os Livros dizendo que na obra há «uma continuidade das grandes linhas do trabalho poético de Pina, mas há novidade e maturidade».
Para José Manuel Vasconcelos, porta-voz do júri, a poesia de Pina é comparável a «um vinho de reserva», pela sua «maturidade» e por reflectir «uma riqueza existencial e uma vivacidade de pensamento».
Recorde-se que o escritor e jornalista natural do Sabugal e há muito a viver no Porto já tinha sido galardoado, no final do ano passado, por Os Livros com o Prémio de Poesia Luís Miguel Nava.
Libro delle Cadute, que Casimiro de Brito lança hoje no Instituto Italiano de Cultura, em Lisboa, foi eleita pelo júri do Prémio de Poesia Aleramo-Mário Luzi a melhor obra estrangeira publicada em Itália em 2004. «É o último livro da minha vida», disse o poeta português à Lusa, acrescentando que vai escrevê-lo «até morre». Libro delle Cadute é uma antologia bilingue que reúne as quatro centenas de textos já escritos para Livro das Quedas, em que Casimiro de Brito vem trabalhando desde 1996 e que, de momento, conta com «mais de mil páginas».
O galardão será entregue ao vencedor a 9 de Julho, numa cerimónia a relizar em Itália.

Casiniro de Brito, que é também presidente do Pen Clube Português, afirmou sentir-se «honrado por ficar associado ao nome de Mário Luzi» (poeta que conheceu em vida e que faleceu recentemente) e por «estar acompanhado de Franco Loi», que venceu o Prémio na categoria de melhor livro de poesia poesia italiana publicado em 2004 naquele país.
Libro delle Cadute, que é hoje apresentado no Instituto Italiano de Cultura pelo poeta italiano Enrico d’Angelo, conta com organização e tradução de Manuel Simões, docente de Literatura Portuguesa na Universidade de Veneza. Durante a mesma sessão será apresentada, por João Bigotte Chorão, Bestiário, obra de António Osório, também em edição bilingue. Está agendada para o final das apresentações uma sessão de autógrafos com os dois poetas na Livraria Italiana. A entrada é livre.
O edifício, que se situa nas traseiras da Câmara Municipal de Matosinhos, acolhe a Biblioteca, o Arquivo e a Galeria municipais. Florbela Espanca foi o nome escolhido para "apadrinhar" o espaço, já que foi em Matosinhos que a poetisa passou os seus últimos anos de vida. A nova Biblioteca Municipal será inaugurada esta tarde, pelas 17:30 horas, numa cerimónia que conta com a presença do Presidente da República e da ministra da Cultura.

Foto: O Comércio do Porto
A nova construção, bem como o seu mobiliário e equipamento, foi desenhada por Alcino Soutinho. O edifício conta com dois blocos interligados: num concentram-se a Biblioteca e o Arquivo, no outro situa-se a Galeria, cuja programação já está assegurada pelo Museu de Arte Contemporânea de Serralves.
O orçamento da obra foi estimado em 7,5 milhões de euros e, apesar de a empresa construtora inicialmente encarregue do projecto ter falido a meio do processo, Fernando Rocha, vereador da Cultura da Câmara Municipal de Matosinhos declarou ao jornal O Comércio do Porto que «não houve grandes derrapagens no orçamento». A construção do edifício prolongou-se durante cinco anos, estando projectada por Alcino Soutinho desde 1998.
Jorge Sampaio e a ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, inauguram esta tarde a nova Biblioteca Municipal de Matosinhos. O edifício onde até agora se situava a Biblioteca passará a albergar o Museu da Cidade e o Gabinete Municipal de Arqueologia e História.
Matosinhos, o último reduto de Florbela
Os últimos anos de vida de Florbela Espanca (1894-1930) foram passados em Matosinhos. Esta foi a cidade escolhida pela poetisa para se refugiar do mundo e escrever, após a primeira tentativa de suicídio e quando já lhe tinha sido diagnosticado um edema pulmunar. Apesar do efeito apaziguador que Matosinhos devia inspirar-lhe, Florbela suicida-se na noite de 7 para 8 de Dezembro de 1930, ingerindo dois frascos Veronal, o barbitúrico que tomava para dormir.
O poeta Ferreira Gullar foi contemplado pela Academia Brasileira de Letras com o Prémio Machado de Assis 2005. Depois de ter vencido o Prémio Príncipe Claus, da Holanda, o escritor e colunista da Folha de São Paulo é agraciado com um dos galardões mais importantes das letras brasileiras.

José Ribamar Ferreira nasceu a 10 de Setembro de 1930, na capital do Maranhão, São Luiz. Na adolescência apaixona-se por Terezinha, sua vizinha, e deixa de estar com os amigos para se dedicar à leitura e à poesia.
Em 1948 torna-se locutor de rádio e colabora no jornal Diário de São Luís. Pouco tempo depois publica, com recursos próprios, o seu primeiro livro de poesia, Um Pouco Acima do Chão.
Em 1951 muda-se para o Rio de Janeiro e três anos mais tarde casa-se com a actriz Thereza Aragão, com quem tem três filhos. Entretanto, mantém colaborações com vários jornais. Continua a escrever poesia, teatro e ensaios.
A década de 70 marca o seu percurso por Moscovo, Lima, Buenos Aires e Santiago do Chile, enquanto exilado político. É nessa altura que começa a dedicar-se à pintura. Em 1977 regressa ao Rio de Janeiro. Preso por 72 horas, é libertado por pressão dos amigos junto das autoridades do regime militar.
Entretanto, aos poucos, retoma a sua actividade enquanto poeta, ensaista e colaborador na imprensa. Continua a publicar com frequência e arrecada vários prémios. Em 2002, é proposto por nove professores titulares de universidades do Brasil, Portugal e Estados Unidos ao Prémio Nobel da Literatura. Agora, quando está prestes a completar 75 anos, é agraciado com um dos mais prestigiantes galardões brasileiros. Os 75 mil reais que constituem o valor do prémio serão entregues a 20 de Julho.
Em viagem pela Europa e pelo Brasil, para promover a sua obra, José Luís Peixoto encontra-se já a trabalhar em dois novos projectos: uma peça de teatro, que deverá chegar a Portugal em 2006, depois de subir pela primeira vez ao palco em Novembro deste ano, em Paris, e um novo romance, «que deve ser lançado antes do final do ano», assegura o escritor.

Em declarações ao jornal O Primeiro de Janeiro, o autor de Morreste-me fala da digressão internacional que vem realizando desde o início do ano, para promover a sua obra, dizendo que «tem sido benéfica porque daí resultaram novas experiências e matéria-prima para escrever», mas confessando que «também tem afectado o ritmo de escrita». Apesar disso, o escritor prepara já um novo romance, a ser lançado ainda este ano, e uma peça teatral que vai estrear em Novembro no Theatre de la Bastille, na capital francesa.
Depois de em Fevereiro ter estado em Mérida, Espanha, para promover a edição castelhana de Morreste-me e em Março ter estado presente no Festival Sete Sóis, Sete Luas na Toscânia, em Itália, José Luís Peixoto ruma agora a Paris para participar no debate A Nova Literatura Portuguesa, organizado pelo Centro Cultural Calouste Gulbenkian.
Na agenda preenchida do escritor podemos ver marcada, para Junho, uma participação no Lahti International Writers’ Reunion, encontro a realizar na Finlândia, onde o português tem publicado Nenhum Olhar. Julho é a vez de Peixoto visitar o Brasil para participar na Festa Literária Internacional de Parati, que conta com escritores de renome mundial como Paul Auster, Margaret Atwood, Ian McEwan, Martin Amis e o nosso conhecido José Eduardo Agualusa.
Para José Luís Peixoto, esta digressão serve não apenas para promover o seu trabalho, mas também «a língua e a literatura portuguesas, mostrando nos outros países o que se faz em Portugal».
Porque o tradutor é «o herói não celebrado», os organizadores do Booker Prize internacional decidiram estabelecer um galardão que reconheça o seu trabalho. Ao novo prémio estão habilitados os tradutores de romances traduzidos para inglês. Entre os prováveis vencedores da primeira edição do prémio estão Gabriel García Márquez e Milan Kundera.

Kundera está entre os nomeados à primeira edição do prémio
Margaret Atwood, Muriel Spark e Ian McEwan estão também nomeados. O vencedor será anunciado no próximo mês, imediatamente a seguir ao anúncio do Booker Prize internacional.
John Carey, presidente do Booker internacional, declara que os responsáveis pela atribuição do galardão tomam «cada vez mais consciência da importância do tradutor ao tornar acessível a um público global ficção da melhor qualidade».
Sete dias em torno dos livros.

Auster, Estrela Intelectual, crónica de Pedro Mexia no Diário de Notícias.
«O grande inimigo da SPA chama-se hoje pirataria», entrevista a José Jorge Letria escritor e vice-presidente da SPA, no DN.
«Vai surgir novo discurso político», continuação da entrevista a José Jorge Letria.
Great Dane, sobre Hans Christian Anderson, por Harold Bloom, no Opinion Journal.
Survive Dicken' s London, jogo em que a cidade e os personagens de Dickens são o desafio, na BBC.
Bird with a Brain, sobre o 70º aniversário da editora Penguin, no Times Online.
O Forum Cidadania Lisboa, que organizou uma petição para impedir que a casa de Almeida Garrett em Campo de Ourique fosse demolida, apela agora ao Presidente da República para que intervenha, «na certeza de que uma palavra sua fará toda a diferença». O Forum apela também aos 2300 subscritores da petição para que se unam e criem a Associação de Amigos da Casa Garrett.

Depois do Ippar ter declarado que a casa não reúne «as condições necessárias para, do ponto de vista arquitectónico, ser classificada como património nacional», foi a vez da ministra da Cultura se pronunciar. Isabel Pires de Lima apelou, por sua vez, aos movimentos de cidadãos para que pressionem a autarquia lisboeta no sentido de ponderar «a classificação [da Casa de Garrett] como imóvel de interesse municipal».
O Forum Cidadania Lisboa considera «injustificável» o despacho da ministra da Cultura e também não compreende o parecer do Ippar. Quanto à sugestão do Ministério da Cultura para que os cidadãos encetem negociações com o proprietário do imóvel (Manuel Pinho, actual ministro da Economia), o Forum responde, dizendo que «não estamos em regime anárquico, nem de auto-gestão».
O MUITA LETRA segue a polémica da Casa de Garrett

gosto da palavra morte
um som ressoante no início
depois o ó aberto de agonia
seguido duma vibrante
a prolongar o desespero
a acabar uma oclusiva muda
antes da vogal velar
vinda das entranhas
gosto da palavra morte
e tudo em cinco letras
os dedos duma mão
os suficientes para me sufocar
João Artur Santos
Na imagem: Good Mornig Babylon, por Bartolomeu dos Santos
O escritor israelita foi escolhido pelo «irrepreensível sentido de responsabilidade moral» do conjunto da sua obra, disse Petra Roth, presidente da Câmara de Frankfurt e do júri do prémio. Amos Oz irá receber o galardão a 28 de Agosto, dia do aniversário de Goethe.

Em Israel, o escritor e activista pela paz mostrou-se surpreendido com o Prémio, pois «nem sabia que era candidato. Estou muito comovido, este é um prémio prestigiante que já foi atribuido, no passado, a Thomas Mann e Sigmund Freud.»
O galardão, no valor de 50 mil euros, é atribuido a cada dois ou três anos pela cidade de Frankfurt, cidade de natal de Johann Wolfgang Goethe (1749-1832), e é entregue a 28 de Agosto, dia em que se celebra o aniversário do maior vulto das letras germânicas.
O escritor Herman Hesse e o realizador sueco Ingmar Bergman são alguns dos vencedores anteriores do Prémio Goethe.
Amoz Oz nasceu em 1939 em Jerusalém. É conotado com a esquerda israelita e um dos principais rostos do movimento Israeli Peace Now desde a fundação, em 1977.
Escritor internacionalmente aclamado, recebeu o Prémio Fémina, francês, e o Frankfurt Peace Prize. É professor de Literatura na Universidade Ben-Gurion. Entre as suas obras mais conhecidas estão Não Chames à Noite Noite, A Caixa Negra ou O Mesmo Mar, todas editadas em Portugal.
A semana em torno dos livros.

O Melhor Candidato, Pedro Mexia vota em Leonard Cohen para Nobel da Literatura, no Diário de Notícias.
«Enquanto tiver dois dedos de tino, continuo a traduzir», entrevista a Pedro Tamen no DN.
«Agora vou-me entregar ao Balzac, a actual obsessão», continuação da entrevista a Pedro Tamen, no DN.
«Com a palavra escrita vou atravessando a vida », entrevista a Helena Langrouva, no DN.
A Rational Quixote, ensaio sobre o herói de Cervantes e o Ilumismo, por Julian Evans, na Prospect.
Who Was That Masked Man?, crítica ao Zorro de Isabel Allende no Guardian.
Céline et La Littérature Contemporaine, crítica ao ensaio de Philippe Roussin sobre Céline no Le Figaro.
Book Smart, o que acrescentam os blogues à literatura? Uma reflexão no The Village Voice.
O que começou por ser uma brincadeira do jornalista radiofónico canadiano Paul Kennedy assume cada vez mais contornos de realidade. Kennedy lidera uma campanha que visa levar a Academia Sueca a nomear o cantautor Leonard Cohen para o Prémio Nobel da Literatura deste ano e justifica a sua intenção dizendo que Homero, o poeta grego da Odisseia, era também um cantor. A moda parece ter pegado e há já quem fale em Bob Dylan e John Lennon para o maior galardão das letras mundiais.
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Se dependesse dos fãs, Cohen receberia o Nobel deste ano
Ninguém duvida que as letras de Leonard Cohen são pura poesia, mas será que a a Academia Sueca vai levar a sério o intento do jornalista da rádio CBC? Para Paul Kennedy, que primeiro falou na hipótese do cantor canadiano vencer o Nobel «em jeito de brincadeira», durante um programa radiofónico, Cohen é «um poeta universal e não consigo pensar em ninguém que se lhe assemelhe desde Homero - pelo menos na tradição Ocidental. E, já agora, Homero era também cantor».
Há já quem fale em Bob Dylan e John Lennon como cantautores dignos do Nobel, embora ainda não sejam conhecidas campanhas nesse sentido. O que é certo é que a Academia não costuma deixar-se influenciar por campanhas, por isso, se Leonard Cohen for nomeado para o Nobel deste ano, a surpresa será grande.
Antes de se tornar cantor, Cohen escrevia e publicava. Beautiful Losers, romance que lançou em 1966, mereceu o seguinte comentário do jornal Boston Globe: «James Joyce não morreu. Ele vive em Montreal e chama-se Cohen». Mas já em 1956 Cohen tinha publicado Let Us Compare Mythologies, seu primeiro livro de poesia. Em 1967 o jovem artista torna-se músico e lança Songs of Leonard Cohen, o seu primeiro álbum. O resto é história.
Em algumas culturas, como a russa, as letras das canções têm o mesmo estatuto da poesia, mas o mesmo não sucede no mundo anglo-saxónico. Em Portugal, nos anos 70, a música e a poesia de intervenção eram inseparáveis. O poeta Manuel Alegre é o mais musicado de sempre entre nós.
Álbuns e livros de Leonard Cohen
Em Junho, mês em que se comemoram 117 anos passados sobre o nascimento de Fernando Pessoa, a RTP celebra o aniversário com várias transmissões diárias de 10 poemas recitados por actores, músicos e jornalistas, nos vários canais da televisão pública. Pessoas dizem Pessoa integra-se no programa Voz e nasce de um protocolo que a RTP e a Casa Fernando Pessoa assinam esta noite.

Maria de São José Ribeiro, directora-adjunta de Programação da RTP, disse hoje à Agência Lusa que os canais RTP 1, 2:, Internacional e África vão transmitir, a partir de 10 de Junho, 10 emissões diárias, excluindo sábados e domingos, do programa Pessoas dizem Pessoa. A televisão pública já tinha preparados sete poemas de Pessoa e seus heterónimos para assinalar o aniversário do nascimento do autor, iniciativa para a qual a Casa Fernando Pessoa contribui com mais três.
Manuela Azevedo, dos Clã, Sónia Tavares, dos The Gift, os fadistas Camané, Ana Moura e Cristina Branco e os actores Diogo Infante, Rogério Samora, José Pedro Gomes, Virgílio Castelo, Joana Seixas, Cristina Carvalhal e Beatriz Batarda interpretam os poemas de Fernando Pessoa e heterónimos no programa Voz.
Desde 21 de Março, Dia Mundial da Poesia, que a RTP emite o programa Voz, com o objectivo, diz Maria de São José Ribeiro, de «fazer um bom programa de televisão a partir da poesia». De um total de 75 poemas em língua portuguesa que tem programados, a RTP já emitiu 20, de vários poetas lusófonos como, por exemplo, António Franco Alexandre, Manuel António Pina, Eugénio de Andrade ou Chico Buarque.
Fernando Pessoa nasceu em Lisboa às 15:20 horas de 13 de Junho de 1888. Por ter vindo ao mundo no dia em que se realizam as festas em honra do santo padroeiro da cidade, o menino foi baptizado com os nomes Fernando António.
Em Novembro deste ano assinalam-se os 70 anos passados sobre a morte daquele que é unanimemente considerado um dos mais geniais nomes das letras portuguesas e mundiais.
Da reunião do Conselho Consultivo do Instituto Português do Património Arquitectónico (Ippar), no passado dia 21, saiu a decisão de que a Casa de Garrett em Campo de Ourique não deverá ser classificada Imóvel de Interesse Público, por não apresentar «as condições necessárias para, do ponto de vista arquitectónico, ser classificada como património nacional». O Ippar sugere, no entanto, à Câmara Municipal de Lisboa que desencadeie o processo de classificação do edifício, usando a figura de Imovel de Interesse Municipal. A autarquia, por sua vez, diz que a atitude do Ippar é «um lavar de mãos como Pilatos».

Foto: Jornal de Notícias
Eduarda Napoleão, vereadora do Licenciamento Urbanístico, chama ao assunto o Ministério da Cultura (MC) que, afirma, «pode comprar o imóvel, até porque tem espólio que a câmara não tem».
Em comunicado, o MC sugeriu à autarquia, após a deliberação do Ippar, que «pondere a sua classificação como imóvel de interesse municipal». O MC apela também aos movimentos cívicos, que já se manifestaram contra a demolição do edifício, para que sensibilizem a Câmara Municipal no sentido de esta «rever a sua posição» e para que se dinamizem na «criação de parcerias e concessão de apoios visando a definição de um destino adequado para o edifício».
Na óptica do MC, a preservação dos números 66 e 68 da Rua Saraiva de Carvalho deve passar por uma «solução harmoniosa», ou seja, pela «negociação directa com o proprietário», Manuel Pinho, actual ministro da Economia, de modo a que haja uma permuta da casa que Almeida Garrett habitou nos dois últimos anos de vida por outro edifício que seja propriedade municipal.
O impasse da Casa de Garrett dura há meses e nenhum dos intervenientes, apesar dos protestos de notáveis e de abaixo-assinados de cidadãos apelando à tranformação do edifício em casa-museu dedicada ao escritor, parece disposto a salvá-la da demolição. Mas também nenhum deles assume a responsabilidade pela anunciada destruição.
O MUITA LETRA acompanhou a par e passo a polémica da Casa de Garrett.
O escritor paraguaio, eterno candidato ao Nobel da Literatura, morreu ontem devido a complicações após uma cirurgia à cabeça. O autor de Hijo de Hombre, amado no seu país natal por trazer a História do Paraguai à literatura, morreu aos 88 anos no seu apartamento em Assunção, cidade onde nasceu.

Segundo Rómulo Caffarena, seu médico pessoal, o estado de saúde de Roa Bastos agravou-se ontem de forma irreversível, depois de na segunda-feira se terem registado ligeiras melhoras e o escritor não estar sujeito a respiração assistida.
Augusto Roa Bastos é um dos nomes mais sonantes das letras paraguaias. Nascido em 1917, passou 50 anos no exílio em Inglaterra, Argentina, França e Espanha, durante a ditadura de Alfredo Stroessner. Antes, passara pela Guerra del Chaco (1932-1935), que opôs o Paraguai à Bolívia, como enfermeiro voluntário. Entretanto publicara alguns artigos no jornal El País local.
Na Argentina, onde se refugiara da repressão de Estado a uma tentativa de golpe, trabalha nos mais diversos ofícios, mas nunca deixa de escrever. Segue para França, onde ensina Literatura e Guarani (língua da tribo dos Tupi-guaranis) na Universidade de Toulouse le Mirail. Em 1982 regressa ao seu país por breves dias e a cidadania paraguaia acaba por lhe ser retirada. A espanhola ser-lhe-á concedida no ano seguinte.
Sempre falado como possível vencedor do Nobel, é o Prémio Cervantes, o mais prestigiado das letras hispânicas, que lhe é atribuído em 1989.
Antes do romance, Roas Bastos entrou na literatura escrevendo peças de teatro, como La carcajada (1930) ou El Niño del Rocío, publicada em 1972, no mesmo ano em que se estreia na poesia com El Ruiseñor de La Aurora y Otros Poemas. Dois anos depois, integra o grupo Vy'a Raity (O Ninho da Alegria), vanguarda na renovação das linguagens poéticas e plásticas no Paraguai. Em 1937 escrevera o romance Fulgencio Miranda, que nunca chegou a ser publicada.
Os mais conhecidos de entre os seus romances são Hijo de Hombre, o primeiro que publica no exílio, em 1960, e que retrata a História de exploração do seu país pelas potências estrangeiras e pelas vicissitudes do poder, e Yo, El Supremo, inspirado no Dom Quixote de Cervantes. Para além do romance, do teatro e da poesia, Roa Bastos escreveu ensaios e guiões cinematográficos.
A edição de hoje do Correio da Manhã divulga um estudo da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), ainda em fase de finalização, segundo o qual os portugueses andam a ler mais.

O estudo reporta-se ao primeiro trimestre de 2005, mas permite tirar algumas conclusões. E os números surpreendem, quando comparados com os relativos ao ano passado: das pessoas que reponderam ao inquérito, 91,4 por cento afirmou ler livros (em 2004, à mesma pergunta responderam afirmativamente 44 por cento dos inquiridos).
Dos 91,4 por cento que lê livros, 68,4 afirma estar a ler um neste momento (contra 58 por cento em 2004).
O estudo revela também que, em média, cada português lê três a cinco livros por ano. Apenas 6,1 por cento diz ler mais de vinte livros por ano.
O tempo médio dedicado à leitura também aumentou, comparativamente ao ano passado: 26,6 por cento dos portugueses passa entre trinta minutos e duas horas por semana em volta dos livros.
Espanhol nascido em Roma em 1927, Rafael Sánchez Ferlosio escreve ensaios e colabora com alguns jornais e revistas. Chega a renunciar à ficção, irritado com o sucesso da sua estreia no género e abalado pela morte da filha. Mas é na ficção que acaba por deixar a sua marca, com livros aclamados pela crítica e feitos best-sellers pelo público espanhol.

Texto originalmente publicado no MUITA LETRA a 4 de Dezembro de 2004
Antes da escrita
Começa por estudar arquitectura, mas logo se muda para a Faculdade de Filosofia e Letras. Depressa faz amizade com outros estudantes, aqueles que mais tarde seriam considerados os melhores escritores espanhóis da sua geração: Ignacio Aldecoa, Jesús Fernández Santos e Carmen Martín Gaite, com quem acabará por casar.
Interessa-se pelo cinema e até tenta a sua sorte na Escuela Oficial de Cinematografía, mas também deste curso há-de desistir.
As primeiras incursões na literatura dão-se na década de 40, com a publicação de contos em revistas.
Em 1951 é publicado Industrias y Andanzas de Alfanhuí, livro repleto de personagens peculiares. Esta estreia não passa despercebida à crítica, que aplaude a obra.

Mas é a El Jarama que deve todo o reconhecimento que desde então conquista. Aos 27 anos, Ferlosio causa furor no mundo das letras espanhol com o relato de um passeio no rio Jarama, durante o qual se estabelece um diálogo entre duas gerações. O livro ganha o epíteto de " novela magnetófono", devido à minúcia, numa tentativa de aproximação à linguagem cinematográfica, com que tudo é descrito.
O morto dentro de casa
Os prémios não se fazem esperar: El Jarama vale-lhe o Prémio Nadal em 1955 e, dois anos depois, o Prémio da Crítica. O sucesso, em vez de lhe agradar, contraria-o. Ferlosio desparece das luzes da ribalta, isolando-se em casa durante longos períodos, sem que ninguém, nem mesmo Carmen, o veja ou saiba o que se passa com ele. Ironicamente, chega a dizer à mulher que ela era «uma viúva que tinha o morto dentro de casa».
Mas não deixa de escrever e publicar. Às bem sucedidas duas primeiras obras, seguem-se Alfanhuí y Otros Cuentos (1961), Las Semanas del Jardín (1974), La homilía del Ratón, Campo de Marte e Mientras no Cambien los Dioses Nada Ha Cambiado (1986).
En 1992 publica a compilação Ensayos y Artículos e em 1993 é a vez do livro de aforismos Vendrán Más Años Malos y Nos Harán Más Ciegos, com o qual conquista o Prémio Nacional de Ensaio 1994.
Entretanto, em 1985 morre-lhe a única filha, dor que o faz isolar-se ainda mais.
Jornalismo também lhe valeu prémios
Contos, ensaios, artigos em que deixa patente a força crítica do seu pensamento. A invasão do Iraque, o neo-capitalismo da União Europeia ou mesmo o ex Primeiro Ministro Aznar não ficam fora da sua mira.
Mas a ficção fica em silêncio. Não lançara, desde 1955, mais nenhuma novela ou romance. O jejum de Sánchez Ferlosio ao género que o consagrara só terminaria em 2000, com a publicação de El Alma y la Vergüenza. Seguem-se La Hija de la Guerra y la Madre de la Patria e Non olet, em 2002 e 2003, respectivamente.
A sua colaboração com a imprensa mantem-se ao longo dos anos e os seus artigos são publicados no ABC, no El Pais e em inúmeras revistas.
Chega mesmo a ganhar o Prémio de Jornalismo Francisco Cerecedo, em 1983, pelo artigo La Conciencia del Débil se Lava en Sangre. No ano passado foi a vez do Premio Francisco Valdés, também de jornalismo, lhe ser atribuído.
Foi também agraciado com vários galardões literários, como o Premio Comunidad de Madrid, em 1991, para além dos já referidos Nadal e da Crítica. Este ano é-lhe atribuído o mais prestigiado prémio da literatura hispânica, o Cervantes.
Rafael Sánchez Ferlosio recebeu hoje, das mãos do Rei de Espanha, o Prémio Cervantes, o mais ambicionado das letras espanholas. O galardão, relativo a 2004, e que já havia sido anunciado em Dezembro do ano passado, foi entregue numa data duplamente especial: hoje é Dia Mundial do Livro, mas é também o aniversário da morte de Miguel de Cervantes.

A 30ª edição de entrega do Prémio Cervantes decorreu na Universidade de Alcalá de Henares, cidade natal do escritor de Dom Quixote. No discurso de agradecimento do Prémio, Ferlosio falou sobre o livro de Cervantes, explicando que «a natureza ímpar de Dom Quixote consistia em ser uma personagem de carácter, embora a sua vontade fosse ser uma personagem de destino». Além disso, acrescentou, Dom Quixote «está na encruzilhada, inevitavelmente conflituosa» entre duas ordens contraditórias: a «ordem do carácter e a do destino».
A concluir um discurso recheado de referências a autores como Ortega y Gasset, Hegel, Aristóteles, Walter Benjamim ou o próprio Miguel de Cervantes, Rafael Sánchez Ferlosio defendeu que «ninguém questiona que Dom Quixote e Sancho Pança sejam personagens de carácter. Contudo, a aventura encetada pelo engenhoso fidalgo não é ética, mas sim estética».
Desde Dezembro de 2004 que se conhecia o nome de Ferlosio como vencedor do galardão, anúncio que, na altura, o MUITA LETRA noticiou.
O Prémio Cervantes, galardão maior da literatura hispânica, foi instituído em 1975 pelo ministério espanhol da Cultura, sendo atribuido pela primeira vez no ano seguinte. Com ele, já foram agraciados Jorge Luis Borges, Octávio Paz, Torrente Ballester, María Zambrano ou Mario Vargas Llosa.
Reflexão sobre a guerra publicada esta semana
Conhecido opositor à guerra do Iraque, Sánchez Ferlosio lançou esta semana em Espanha, numa edição do Instituto Cervantes, a obra Un Escrito Sobre la Guerra, em que explica o que considera ser a evolução da «antiga ética da guerra» e a substituição da guerra justa pela guerra escatológica.
A semana literária no MUITA LETRA.

«Na literatura, o mal é sempre menor que na vida», entrevista a Romana Petri no DN.
«Ser vítima da brutalidade é bem pior do que a morte», continuação da entrevista a Romana Petri no DN.
Agostinho da Silva, dossier sobre o poeta na TSF.
Camilo na Rússia, crónica de Manuel Poppe no JN.
The pleasure of ruins, crítica ao livro Istanbul: Memories of a City, de Orhan Pamuk, no Arts.telegraph.
Giant Steps, sobre Saul Bellow no Guardian.
Bookwise: Questions, questionário no Times Online.
Depois das críticas, da controvérsia e das vendas astronómicas, chegam os galardões. O Código Da Vinci, best-seller de Dan Brown, foi eleito na categoria de Melhor Livro na edição deste ano do British Book Awards. Numa declaração em vídeo, o escritor norte-americano confessou estar «deliciado» pela polémica que o livro tem causado.

«Para que conste, O Código Da Vinci é um romance», acrescentou Brown, que, apesar de não desdenhar a polémica em torno do livro, não deseja certamente menosprezar o seu valor literário.
O escritor perdeu para a inglesa Sheila Hancock o prémio na categoria de Melhor Autor. Na 16ª edição do galardão, os restantes vencedores foram Cloud Atlas, de David Mitchell, na categoria de Melhor Leitura do Ano, My Life, de Bill Clinton, em Biografia, William Pitt em História. John Mortimer foi distinguido com o Prémio de Carreira.
Um ano e... 367 624 exemplares depois
A Bertrand, editora de Dan Brown, revelou o volume de vendas de O Código Da Vinci em Portugal. Com 367 624 exemplares vendidos no período de um ano, o livro insiste em não deixar os tops de vendas nacionais, em parceria com o mais recente de Brown, Anjos e Demónios. Em todo o mundo, o fenómeno esotérico-religioso iniciado pelo americano já vendeu 17 milhões de exemplares e originou uma panóplia de livros do género.
O Governo venezuelano vai disponibilizar gratuitamente, no próximo sábado, um milhão de exemplares de Dom Quixote, com prefácio de José Saramago. O anúncio foi feito pelo Presidente Hugo Chávez, que incitou os seus compatriotas a lerem a obra de Cervantes, cujo herói possuia o «espírito de um lutador que queria reparar as injustiças e melhorar o mundo».

Chávez fez o anúncio durante o seu programa semanal Alô Presidente
Durante o programa dominical Alô Presidente, transmitido pela rádio e pela televisão, Chávez disse que os venezuelanos são «adeptos de Dom Quixote» e incentivou-os à leitura deste clássico da literatura mundial: «vamos todos ler Dom Quixote para nos alimentarmos ainda mais do espírito de um lutador que queria reparar as injustiças e melhorar o mundo.», disse.
Um milhão de cópias do livro de Miguel de Cervantes, o mais publicado de sempre depois da Bíblia, já foi mandado imprimir pelo Governo e será distruibuído gratuitamente, nos 24 estados da venezuela, em todas as Praças Bolívar.

Este é o primeiro capítulo dos quatro que constituem o conto O Póster, da minha autoria. Podem acompanhá-lo diariamente a partir de hoje, espero que valha a pena.
O juiz era um homem vasto e imóvel. Em vez de pernas, tinha criado raízes debaixo do tampo do balcão. Os olhos eram do vidro glacial dos berlindes e sobre eles bolbos tristes de pele cansada faziam movimentos grotescos à medida que ele falava com voz opulenta. Cristiano deixava-se entorpecer pelo prolixo encadeamento de palavras com que o juiz enredava a desatenção dos jornalistas que, nas suas costas, sussurravam e faziam estalar os seus gadjets. A madeira polida do tampo da mesa retribuía-lhe, ao olhá-la, o baço borratão de um rosto e o rapaz apercebeu-se com surpresa de que, de há alguns dias a essa parte, renunciara ao doloroso confronto com a lâmina fria do espelho. Evitava aquele que, estilhaçado e amaciado por dezenas de dedos gordurosos dos reclusos que o precederam, lhe sorria meigamente da parede nua da cela.
Retesou os músculos e semicerrou as pálpebras. Não olharia para trás, não pensaria em Sílvia, escutando com apressada deferência o infindável discurso do juiz, curvando o peito afável e olhando com rancor o relógio que se demorava de encontro a mais uma hora reservada a desnecessárias operações de charme em algum reduto de admiradores ou a um agradável almoço de conversas e vinho morno no seio dos amigos e dos discretos negociantes que lutavam surdamente para a conservar objecto de cobiça de companhias discográficas e capas de revista. Talvez ela nem lá estivesse, entre a horda de jornalistas e os bancos vazios que a resguardavam vagamente do réu. O mais sensato teria sido enviar uma desses anódinos homens-cigarra que se obstinavam sem sossego contra qualquer importúnio que pudesse pôr em causa a aura semidivina da sua cliente. Ela, Sílvia, não viria. Claro. Tinha sido apenas um desejo raivosamente formulado durante o sono da noite anterior. O sono traía-o. Os seus lábios encresparam-se na amargura de um sorriso. Miserável o homem que não havia sido traído por amigos, nem por entes queridos ou pelo ciúme dos amantes. Nem esse último resquício de calor humano lhe era concedido. Traíra-se a si mesmo, em sonhos, como aquele que sofre de gula e morde a própria língua.
Inquietou-se. Agora colocavam-lhe perguntas. A cara raquítica do advogado de acusação adejava à s
ua frente, querendo saber que lugar lhe cabia no expediente com sabor a mofo do escritório, que predizível falhanço o arrancara à hostilidade dos corredores da faculdade. Por que motivo se aproximara dela? Em que momento ficara explícito que a insistente presença do desajeitado campónio era aceite pela impessoal delicadeza que a jovem, por educação, mantivera durante os primeiros contactos? Quem lhe dissera que seria sensato deixar a traquinice das vacas entregues ao reumático pastoreio do pai, que obscura intenção o levara a instalar-se no quarto com vista para o parque onde ela caminhava pela manhã, primeiro desacompanhada, olhar vago e indecifrável de mulher que sonha (não sonhos de amor e glória, como ele pensara, mas de simples e abstracta ambição, como só agora compreendia) e, mais tarde, acolitada pelo vulto excitado de algum jornalista; por fim, de que espécie de legitimidade se julgara conferido para poisar a mão sobre o ombro desarmado dela, para a olhar ternamente nos olhos enquanto a puxava duramente para si? – o cerco adensava-se. Um raio do sol do meio dia entrou pelas vidraças imponentes do auditório e prostrou-se no castanho seco dos olhos do advogado; a sombra de luz era uma lâmina, um golpe de guerra sobre o olhar esvaziado de homem sagaz. «A menina Sílvia será benevolente para consigo. Devido ao seu problema psiquiátrico.», explicou com a cruel condescendência de um professor que não suporta crianças, «Mas eu, prometo-lho, não o serei da próxima vez que a sua sombra se insinuar a menos de duzentos metros da minha cliente.».
Sílvia suspirava de alívio e sorria ao namorado, caninamente sentado a seu lado, com um trejeito irresponsável de menina que não sabe senão seduzir. A adolescente envelhecida de olhar doce e revolto, cujos anéis de cabelo acenavam ao vento como uma promessa de revelação, desaparecera algures durante o dúbio trote dos últimos meses. Era agora uma mulher da qual nada parecia poder-se esperar, envernizada por um brilho estéril. O papel macio das revistas tornava indefinidas as sua feições e a fria volúpia do seu corpo parecia impalpável sob o sumptuoso assombro dos vestidos. Sílvia era agora tudo aquilo que o magoava com a eficácia límpida e esterilizada de um bisturi que opera à distância. Mas Sílvia não resplandecia, conseguida a dupla e ultrajante vitória da piedade, nas suas costas. Sílvia não viera, era apenas a dissonância do seu sono confuso.
O juiz teve um trejeito de resignação e o martelo pôs um misericordioso término à sessão que já fazia tardar o almoço. Os jornalistas ripostaram e o estribilho das suas máquinas fotográficas e gravadores lembrava alguém que se afogasse chapinhando na borda de água. Dois guardas ergueram Cristiano pelo braço e conduziram-no pelo corredor até à porta, não se importando em saber se ele tinha brios especiais para aquele acto derradeiro de nobreza, em que o homem condenado sairia com passos firmes e próprios, aceitando como benéfica a punição. Ele agradecia não o colocarem perante o constrangimento desse ou de qualquer outro ritual de dignificação. Sentir-se-ia a velha actriz que mentia ao esquecimento, adejando os empoeirados endereços do teatro fantasma. Ele não tinha orgulho. Tinha tido a firme convicção de que não seria negado.
Os pais, na sua louvável honradez aldeã, lançavam-lhe olhares suplicantes de inocente que não entende a linguagem bruta da desgraça. A caminho de casa, vendo com angústia a noite que alagava os campos da aldeia, Cristiano não diria uma palavra. Não abriria a boca cuspidora do ninho em que se parira.
Imagem de Cindy Sherman
Até hoje permanecem misteriosas as razões que levaram Mehmet Ali Agca a balear o Papa João Paulo II, a 13 de Maio de 1981, na Praça de São Pedro. Agora o turco que considera Woityla seu «irmão espiritual» quer ajudar Dan Brown, autor do best-seler mundial O Código da Vinci, a escrever uma sequela do livro, em que será contada a sua história. Em fax enviado à agência francesa France Press, o advogado de Agca convida o escritor a deslocar-se a Istambul.


Agca e Brown prometem formar uma controversa parceria
«Se Dan Brown aceitar e o Ministério da Justiça turco autorizar, [Ali Agca] faz saber que resultados benéficos para toda a humanidade poderão sair deste encontro», diz Mustafa Demirbag, advogado de Agca, que explica ainda em que moldes se concretizará a eventual colaboração: «depois deste encontro, o meu cliente deseja escrever com Dan Brown um livro cujo título poderá ser O Código do Vaticano».
Mas Dan Brown não é o único com quem o turco se deseja encontrar. Mel Gibson, que segundo o New York Post está a produzir um filme sobre a vida de João Paulo II, também deve ser contactado pelo advogado de Ali Agca.
Recorde-se que Mehmet Ali Agca, antigo militante ultra-nacionalista, está preso há 24 anos e cumpre pena de prisão perpétua pela assassínio de um jornalista em 1979. Em 1983, dois anos após ter sido atingido no abdómen pelo tiro de Agca, Karol Woityla deslocou-se à prisão para conceder-lhe o seu perdão.

«O crítico literário é um pouco o parasita da obra do criador. Eu experimento esse grande confronto com as obras dos outros, como qualquer coisa que ao mesmo tempo me exalta e, ao mesmo tempo, causa uma grande tristeza por eu próprio não ser capaz de me erguer a esse tipo de criações ou de momentos de sublimidade, que são aqueles que justificam que nós possamos aceitar a existência como qualquer coisa de tolerável», Eduardo Lourenço.
Ontem durante o Décimo Encontro de Escritores de Português, promovido pela Areal Editores, Eduardo Lourenço foi homenageado. Na Casa Diocesana de Vilar, onde decorreu o evento, estiveram presentes Mário Cláudio, Agustina Bessa-Luís e Mafalda Ivo Cruz.
Agustina definiu o pensador como um homem que «está profundamente ligado àquilo que é o mistério da vida». Para Mário Cláudio, «Eduardo Lourenço é a consciência da cultura portuguesa». Manuel Alegre não esteve presente, mas enviou um poema inédito, Canção do que Pergunta pelo Mar (A Eduardo Lourenço), lido por José Carlos de Vasconcelos.
O Encontro de Escritores termina hoje, no Porto. Consulte aqui o programa para hoje.
A vereadora do Urbanismo da autarquia lisboeta, Eduarda Napoleão, disse em Assembleia Geral que já foram emitidas as licenças de demolição e construção relativas ao edifício de Campo de Ourique. Embora a decisão final caiba ao Ippar, a Câmara de Lisboa reitera assim a ideia de que a casa de Almeida Garrett «não é uma prioridade».

Imagem: Jornal de Notícias
«Seria um investimento enorme que a câmara teria de fazer e a autarquia decidiu que isso não é prioritário», declarou Eduarda Napoleão esta terça-feira, durante a Assembleia Geral da autarquia lisboeta. Ainda segundo a vereadora do Urbanismo, «a casa em si, o interior, já desapareceu há muitos anos e não há qualquer espólio de Garrett», alojando agora toxicodependentes e sem-abrigo. Assim, «a fachada da casa não tem, do ponto de vista patrimonial, valor que justifique a sua classificação», não havendo, além disso, «nenhuma legislação que obrigue a câmara e o proprietário a manter o edifício».
PS, PCP e Bloco de Esquerda apresentaram, durante a sessão, uma proposta para a salvaguarda do edifício e sua transformação em casa-museu.
As licenças de demolição e construção já foram emitidas, admitiu Eduarda Napoleão. Manuel Pinho, actual ministro da Economia e proprietário do edifício, poderá construir um edifício de habitação, segundo projecto de Manuel Taínha, se a decisão do Ippar, que tem a última palavra na questão, for no sentido da da autarquia. O O conselho consultivo do Ippar deverá reunir-se para discutir o futuro da casa onde Garrett viveu os dois últimos anos de vida a 21 de Abril.
Siga no MUITA LETRA a polémica da casa de Garrett.
Nasci Adulta e Morrerei Criança é o título do documentário biográfico sobre Agustina Bessa-Luís realizado por António José de Almeida. O filme, que conta com depoimentos de quem lida de perto com a escritora e imagens dos locais da sua infância e adolescência, estreia amahã, no canal a dois, a partir das 22:30 horas.

Imagens: a dois
«Não sou nenhuma Agustina Bessa-Luís», foi desta forma irónica que a escritora falou ontem, no auditório da Cinemateca Portuguesa, em Lisboa, antes da primeira projecção da sua videobiografia. Também segundo Agustina, estes 55 minutos de percurso pela sua existência mostram «o lado comum de uma vida, de uma existência feliz, o mais obscuro e tenebroso não aparece».
A escritora avisa o público de que lida «muito mal com a [sua] imagem», mas ele, o público, é que «tem de dar a sua opinião».
Quem esteve na antestreia do filme ficou, certamente, espantado com as afirmações de uma das mais produtivas e geniais escritoras contemporâneas sobre a sua arte: «a literatura está em vias de extinção. A literatura tem cinco milénios, é tempo de mudar de caminho», disse Agustina, apontando a ciência como possível novo caminho.

João Bénard da Costa, Manoel de Oliveira, Eduardo Prado Coelho, Inês Pedrosa, Pedro Mexia, Alberto Vaz da Silva e Francisco Cunha Leão são algumas das personalidades que nos contam as suas impressões sobre a autora. Depoimentos que não impressionaram Agustina, já que «conheço bem as pessoas, são da minha geração e minhas contemporâneas, por isso não fiquei surpreendida». O documentário conta ainda com uma entrevista de Anabela Mota Ribeiro à biografada.
Os lugares onde a escritora amarantina viveu e que transpôs para as suas obras são revisitados pela câmara de António José de Almeida, que nos mostra Vila Meã, onde Agustina nasceu e recolheu os cenários d' A Sibila e a Póvoa da Varzim, onde passou grande parte da infância.
Laura Mónica Baldaque, filha da escritora, fala sobre a mãe e a própria Agustina fala sobre a sua juventude e revela que passou por problemas comuns em adolescentes, como a anorexia.

O documentário dá a conhecer alguns episódios que apresentam uma mulher forte e decidida. Por exemplo, anos após uma contenda com o crítico literário de O Primeiro de Janeiro, que havia proibido a publicação do nome da escritora no jornal, Agustina é nomeada directora do mesmo. Ou os conflitos que a adaptação cinematográfica dos seus livros Fanny Owen e Vale Abraão geraram entre si e o cineasta Manoel de Oliveira.
Curiosa é também a faceta de Agustina revelada por Inês Pedrosa, que a descreve como uma mulher coquette, mais entusiasmada com um vestido bonito do que com o sucesso dos seus livros.
Nasci Adulta e Morrerei Criança foi gravado em alta definição, com pós-produção de Pedro Clérigo, imagem e direcção de fotografia de Jorge Afonso. O guião é da jornalista Anabela Almeida.
O mais recente livro de Gonçalo M. Tavares, Investigações Geométricas, vai ser apresentado amanhã, às 22:00 horas, no Teatro do Campo Alegre, integrando mais uma sessão das Quintas de Leitura. A apresentação será acompanhada por uma exibição da bailarina Vera Mantero.

Investigações Geométricas é a mais recente obra a ser lançada na colecção Cadernos do Campo Alegre.
Na primeira parte da sessão o autor e Paulo Condessa lêem excertos do livro. Em seguida, Vera Mantero, Vítor Rua e Nuno Rebelo apresentam a performance So Happy Together, que inclui duas guitarras portuguesas mutantes, os poemas zen de Herberto Helder e uma voz.
O best-seller de Patrick Süskind vai ser transposto para o cinema pelo realizador Tom Tykwer. As filmagens têm início em Julho, em Espanha e na Alemanha.

Ben Whishaw interpreta a busca de Grenouille pela perfeição
Os direitos da obra foram já adquiridos pela Constantin Films e pela Dreamworks. O argumento do filme é assinado por Bernd Eichinger (que já adaptou ao cinema livros como O Nome da Rosa e A Casa dos Espíritos. Dustin Hoffman, Alan Rickman e Ben Whishaw (no papel principal de Jean-Baptiste Grenouille) são os actores que encarnam a demanda de um homem pelo perfume ideal, na Paris do século XVIII.
O Perfume, obra que consagrou o escritor alemão Patrick Süskind, foi publicada em 1976 e, desde então, vendeu 12 milhões de exemplares em todo o mundo. Entre nós, o livro está editado pela Editorial Presença.
O futuro da casa onde Almeida Garrett passou os dois últimos anos de vida está nas mãos do Ippar. No entanto, com a demolição do edifício perto de se tornar realidade, alguns notáveis juntam a voz ao coro de contestação dos cidadãos lisboetas. Manuel Alegre questiona a Ministra da Cultura sobre as medidas tomadas para salvaguardar a casa de Campo de Ourique, a SPA apela a Isabel Pires de Lima para não levar a cabo a sua «inadmissível demolição» e Guilherme d' Oliveira Martins diz que a memória de Garrett deve ser preservada.

Manuel Alegre pede explicações a Pires de Lima
Segundo a edição de hoje do Diário de Notícias, ergue-se um coro de protesto contra a demolição da casa de Lisboa onde viveu Almeida Gatrrett. Manuel Alegre escreveu um requerimento à Ministra da Cultura, questionando-a sobre «se está a ser devidamente encarada a possibilidade de aí [no número 68 da Rua Saraiva de Carvalho] ser criada uma casa-museu onde possam vir a concretizar-se, sem prejuízo dos direitos que assistem aos proprietários, os objectivos nacionais que se impõem». Para o escritor e deputado socialista, a protecção e valorização do espólio de Garrett passa pela «função que poderia ser desempenhada» pela transformação do edifício em casa-museu.
Por sua vez, a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) apelou à «sensibilidade» da Ministra para que promova a «classificação urgente e a recuperação em tempo útil» do imóvel.
O presidente do Centro Nacional de Cultura, Guilherme d' Oliveira Martins, considera «indispensável não esquecer a preservação da memória de Garrett» e afirma que as alternativas à demolição devem ser estudadas. O ex-Ministro da Educação de António Guterres diz-se «surpreendido» com o não da autarquia à transformação do edifício em casa-museu.
Estes notáveis juntam-se assim à Cidadania Lisboa, movimento cívico que fez circular um abaixo-assinado para promover o imóvel de Campo de Ourique a casa-museu dedicada ao escritor e deputado portuense. O conselho consultivo do Ippar deverá reunir-se para discutir o assunto a 21 de Abril.
Acompanhe aqui a polémica da casa de Garrett
O 3º cíclo de Entre Pedras, Palavras arranca hoje com Bruno Santos, um escritor da terra. No ano que a autarquia penafidelense quer seja de «consolidação do projecto», a estratégia passa pela presença de autores reconhecidos e pela associação entre a palavra e as outras artes.

Ondjaki: o escritor angolano vai estar em Penafiel
A iniciativa, que decorre até 11 de Junho, pretende trazer a população à reflexão e ao debate em torno dos livros. Tito Couto, da organização, disse a O Comércio do Porto que este ano «se dará destaque às artes em torno das palavras, convocando imagens e música para novas conversas sobre literatura e livros».
A Nuvem Prateada das Pessoas Graves, de Rui Costa, obra vencedora da edição deste ano do Prémio Daniel Faria, vai ser apresentada durante o certame, que reunirá, na Biblioteca Municipal, José Rodrigues dos Santos, Mário Augusto, Jorge Palma, Artur Portela, Rui Zink e o angolano Ondjaki.
A Câmara Municipal de Penafiel financia o evento e o autarca Alberto Santos aposta em 2005 como sendo «o ano de consolidação do projecto», que vai na 3ª edição.
Em edições anteriores, Mia Couto, José Saramago ou José Eduardo Agualusa marcaram presença em Penafiel.
Entre Pedras, Palavras no MUITA LETRA
Saiba o que se disse sobre literatura durante a semana.

Saul Bellow, le grand écrivain de l'autre Amérique, no Le Monde.
Reader, I shagged him, sobre Charlotte Brontë, no The Gardian.
Bard of the boulevards, sobre Shakespeare o livro Shakespeare Goes to Paris, por Jonathan Bate.
A literatura infantil é tardia, entrevista a Matilde Rosa Araújo no Correio da Manhã.
Um Andersen auto-erótico , no Diário de Notícias.
Um escritor maior do que a sua própria vida, por Isabel Lucas, sobre Saul Bellow, no Diário de Notícias.
O edifício em degradação, a humidade e a proliferação de bichos estão a destruir muitas das obras da Biblioteca Pública de Évora, onde se encontram 700 mil obras. O alerta é feito por José António Calisto, director da Biblioteca, que, para além da falta de condições de manutenção dos livros, se queixa da falta de espaço para os guardar, da ausência de catalogação e da escassez de funcionários.

Em declarações à edição de ontem do Correio da Manhã o director da biblioteca de Évora explicou que «as condições de temperatura e de humidade que a documentação exige são diferentes daquelas que as pessoas necessitam»; as que existem no edifício são desfavoráveis e potenciam «o desenvolvimento de bichos que comem os livros».
Sem mencionar títulos de obras em risco nem números exactos, José António Calisto aponta os 27 mil volumes que se encontram na sala de leitura, todos antigos, como estando, potencialmente, «em fim de vida».
As novas instalações da Biblioteca Municipal de Évora, que é também depósito legal, estão em fase de projecto e o director avisa desde já que, «quando se fizer a mudança, todo o material terá de ser tratado para não levarmos os bichos». O processo de eliminação dos bichos passa pelo «expurgo para serem gaseados e isso implica uma quarentena, de forma a que posteriormente não façam mal às pessoas».
Torre do Tombo não está a par
Contactado pelo CM, Pedro Dias, responsável pela Torre do Tombo, afirmou não ter em seu poder «qualquer informação de termos livros em perda». Este responsável diz saber que os livros da Biblioteca de Évora não se encontram nas melhores condições, mas diz não ter conhecimento de obras em risco de se perderem. No entanto, caso seja informado da existência de um livro em risco, este «depressa será levado para os laboratórios de conservação e restauro da Torre do Tombo», afirma.
Outras dificuldades
Calisto apontou, ao CM, as dificuldades que a Biblioteca atravessa. A falta de funcionários - seis pessoas no quadro e mais «duas ou três a contrato» - junta-se à inexistência de catalogação das obras entradas nas duas últimas décadas, o que as torna inacessiveis aos utilizadores. A falta de espaço de armazenamento dos livros é também um problema, já que implica que sejam empilhados até ao tecto, de modo inadequado tratando-se de obras antigas, algumas mesmo incunábulos.
Além disso, a Biblioteca tem vindo a perder leitores, uma queda de 50% na última década que está a ser combatida com um sistema de empréstimo de livros, com a catalogação das obras e com a dinamização do espaço, através do encontro entre escritores e da representação teatral.
O Festival Palavreiros, que reúne online poemas em português e castelhano, prepara a edição de 2005, a quarta do evento. A participação é aberta a todos e o prazo de entrega dos trabalhos é a 31 de Maio.

Os poemas ou textos poéticos em prosa devem ser enviados, no máximo de três por participante, para o endereço electrónico palavreiros@uol.com.br. Será feita uma selecção para escolher os que virão a figurar na antologia de 2005.
O objectivo deste evento é unir os povos luso-castelhanos na «casa comum» que é a língua. Os poemas reunidos nas anteriores edições do Festival Palavreiros foram divulgados não só na página online do grupo, mas também pela UNESCO.
Para mais informações, consulte os Palavreiros
Vencedor do Nobel da Literatura em 1976 e um dos mais importantes romancistas norte-americanos do pós II Guerra Mundial, Saul Bellow morreu ontem, aos 89 anos, de doença prolongada. Segundo o seu advogado, o escritor faleceu na sua casa em Brookline, no Massachusetts, acompanhado pela mulher e pela filha, e foi de «uma lucidez extrema até ao fim».

Nascido Solomon Bellows, em Lachine, no Quebeque, em 1915, Saul é considerado um dos principais escritores judeus americanos.
Mudou-se para Chicago aos 9 anos de idade. Viveu de perto a Grande Depressão e serviu na Marinha durante a II Guerra Mundial. Em Dangling (1944), o seu primeiro romance, um jovem vive o dilema da decisão de se alistar ou não como soldado no conflito mundial.
Entre as suas obras mais importantes contam-se The Adventures of Augie March, que o consagrou, Henderson the Rain King, Seize the Day ou Herzog.
Diplomado em antropologia e sociologia, foi professor na Universidade de Wisconsin. Venceu o Prémio Nobel da Literatura em 1976, pela combinação, na sua obra, da «compreensão da natureza humana e da análise subtil da cultura contemporânea», e tornou-se o primeiro escritor a receber por três ocasiões, em 1954, 1965 e 1971, o National Book Award, um dos mais importantes da literatura norte-americana.
Philip Roth, outro dos mais conceituados escritores contemporâneos, descreveu-o como sendo, juntamente com William Faulkner, «a espinha dorsal da literatura americana do século XX».
Bellow casou por cinco vezes e foi pai pela quarta vez aos 84 anos. Para o funeral está prevista uma cerimónia privada.
A publicação das 23 cartas que o escritor mexicano endereçou a Helena Garro durante o ano de 1935 pode estar comprometida devido à disputa de direitos de autor entre o sobrinho de Garro e Marie José Paz, viúva e herdeira universal do Nobel da Literatura em 1990.

Jesús Garro Velásquez, sobrinho de Helena, pretende publicar, sob o título de Querida Helena. Cartas de amor. 1935, as cartas que Octávio escreveu àquela que viria a tornar-se sua mulher. O jornal mexicano El Universal cita Velásquez, que diz que os direitos legais de compilação lhe foram atribuídos em 2001.
Marie José Paz, por sua vez, assegura que as cartas lhe pertencem, visto que é herdeira universal de Paz.
A escritora, coreógrafa e jornalista Helena Garro esteve casada com Octavio Paz até 1959 e dessa relação resultou Helena Paz Garro, a única filha do Nobel e Prémio Cervantes.
Com Marie José Paz, Octavio esteve casado desde 1970 até ao ano da sua morte, em 1998.
Grande variedade, tiragens ambiciosas, ilustrações de qualidade e a colaboração de escritores "para adultos": estes podem ser alguns dos motivos para o bom momento de forma que a venda de literatura infanto-juvenil atravessa. No Dia Internacional do Livro Infantil, o panorama apresentado por livreiros, editores e autores não podia ser mais positivo.

Mas esta dinâmica deve-se, antes de mais, aos jovens leitores que procuram os livros e exigem qualidade. Com hábitos de leitura mais enraizados e muito por onde escolher, os mais novos são também consumidores atentos e os esforços de editores e escritores para acompanhar as expectativas deste público-alvo aumentam.
Os autores que desde há anos fazem as delícias dos mais novos continuam a ser procurados por sucessivas gerações. Isabel Alçada e Ana Maria Magalhães criaram há mais de duas décadas um grupo de amigos que vive todo o tipo de aventuras. Os livros que ajudaram a crescer muitos dos adultos de hoje ainda são populares entre a nova geração e a comprová-lo estão os 50 mil exemplares de tiragem inicial do mais recente volume de Uma Aventura.
Alice Vieira, que se estreou em 1979, teve uma primeira edição de 20 mil exemplares para o seu mais recente trabalho, O Casamento da Minha Mãe. «Se existem livros que vendem em Portugal são os infantis e os juvenis», diz em declarações ao Diário de Notícias.

Magalhães e Alçada: 20 anos de aventuras
A prosperidade do sector é tanta que nomes reconhecidos da "literatura para adultos" não resistiram a experimentar: Agustina Bessa-Luís, José Eduardo Agualusa ou Mário de Carvalho já escreveram para os mais novos. E se se iniciaram num registo que não era o seu, estes autores vieram também trazer ao género infanto-juvenil mais diversidade e qualidade, dinamizando-o.
Mercado em expansão
Nos últimos anos, têm surgido em catadupa livrarias especializadas na literatura para crianças e jovens, como a Pequeno Herói, em Lisboa, ou a Salta-Folhinhas, no Porto, ou a História com Bichos, em Barcarena.
As editoras também se posicionam na crista da onda, já que este sector do mercado está ainda em fase de expansão. A Asa, por exemplo, vai lançar 114 livros infanto-juvenis este ano, depois dos 59 de 2004. Paulo Gonçalves, responsável pela Porto Editora, explica ao DN que a editora vai continuar a apostar no género, já que foi o que mais cresceu nos últimos anos.
A ilustração, história dentro da história, é outro dos campos em crescimento em que surgem novos valores e, cada vez mais, ilustradores de qualidade. Trabalhando em condições ainda precárias, já que muitas vezes se dedicam aos livros infantis por razões económicas, os jovens ilustradores têm trazido novos olhares ao género e, com o tempo, gnham um estatuto próprio.
Género muitas vezes menosprezado, considerado uma categoria inferior de literatura, a pujança do infanto-juvenil no mercado nacional vem acordar para uma nova realidade quem considerava este um género mais permeável ao facilitismo.
Livros e escritores à volta do mundo.

Verne Contrabandista do Sonho, por Manuel Poppe no Jornal de Notícias.
«A grande tragédia da Ilíada é a paz como impossibilidade», entrevista de Isabel Lucas a Frederico Lourenço, no Diário de Notícias.
«Não sei se o que escrevi se presta a ser traduzido», continuação da entrevista a Ferderico Lourenço.
Sonhos e Manuscritos Encontrados, por Mário Santos no Público.
Poesia do Século, por Eduardo Prado Coelho no Público.
«Não posso imaginar tema melhor. O sentimento amoroso é muito profundo» (sem link directo), entrevista a Jordi Nadal na edição de 30 de Março de O Comércio do Porto.
Helder Macedo, Sem Nome, entrevista a Helder Macedo por Carlos Vaz Marques, na TSF.
How Scotland inspired Jules Verne, por David Henderson na BBC Scotland.
José Saramago revisita o mito de Don Juan, entrevista a José Saramago por Ubiratan Brasil, no jornal O Estado de São Paulo.
Os cidadadãos contestam, a Câmara de Lisboa continua a querer a demolição e o gabinete da ministra da Cultura diz que ainda nada está decidido: continua o braço de ferro em torno da casa de Almeida Garrett, que vem recrudescendo desde Novembro do ano passado, quando se assinalaram os 150 anos da morte do escritor.

Quanto tempo restará à casa de Campo de Ourique?
Depois de ter dado parecer negativo à proposta do movimento cívico Cidadania Lisboa, que fez correr um abaixo-assinado apelando à transformação do edifício em casa-museu, a vereadora do Urbanismo, Eduarda Napoleão, suspendeu o início das obras de demolição da casa de Garrett e pediu um parecer aos colegas responsáveis pela Cultura. No entanto, fonte da autarquia declarou à Agência Lusa que o processo deverá mesmo ser levado a cabo.
Esta vontade da Câmara deve-se, segundo a mesma fonte, à proximidade da Casa Fernando Pessoa e aos «encargos avultados» que a reconversão do edifício acarretaria.
Recorde-se que a autarquia tinha dado, no ano passado, o seu aval ao projecto de Manuel Pinho, actual ministro da Economia e Inovação e proprietário do prédio, que previa a construção de um T3, dois T4 e um duplex com cinco assoalhadas.
A plataforma de cidadãos que deseja ver a casa 68 da Rua Saraiva de Carvalho transformada num museu dedicado a Almeida Garrett tinha reunido, em Fevereiro, 2300 assinaturas para impedir a sua demolição. Agora, mesmo sendo previsível o parecer negativo da autarquia, promete não desistir da luta. Pedro Policarpo, da Cidadania Lisboa, acusa as autoridades de negligenciarem a cultura e garante que «não é um parecer da Câmara que diz que a cultura em Lisboa não faz sentido que nos vai fazer desistir».
No entanto, Isabel Pires de Lima ainda não tomou uma decisão quanto ao futuro da casa onde morreu, há 150 anos, o pai do Romantismo português. A Lusa, citando fonte do gabinete da Cultura, diz que ainda não é certa a demolição do edifício, até porque «a ministra é sensível ao valor cultural do edifício e está a acompanhar o caso com atenção», enquanto aguarda «um parecer técnico do IPPAR».
O impasse quanto ao futuro da casa do escritor dura há meses, com a Cidadania Lisboa a pressionar a Câmara Municipal a construir no edifício um museu dedicado ao escritor, dramaturgo e deputado. Depois de quase esquecido nos 150 anos da sua morte, o legado de Garrett parece destinado ao abandono pelas autoridades.
O MUITA LETRA seguiu de perto a polémica da casa de Garrett.
Fantasia para dois Coronéis e uma Piscina, um dos livros mais falados de 2003, venceu o Grande Prémio de Literatura ITF/DST. Mário de Carvalho recebe o galardão a 2 de Abril, quando se realiza a Feira do Livro de Braga.

Vítor Manuel Aguiar e Silva, José Manuel Mendes e Carlos Sousa Mendes constituiram o júri que atribuiu a o prémio a Mário de Carvalho, no ano em que é alargado a todo o território nacional.
O galardão, no valor de 15 mil euros, é atribuído pelo grupo económico ITF/DST, de Braga, e vai na décima edição. O prémio é rotativo e contempla num ano o género da poesia e no ano seguinte a prosa.
A Feira do Livro de Braga, a decorrer no Parque de Exposições, tem início a 1 de Abril. No dia seguinte, o galardão será entregue ao escritor lisboeta.
Lançado depois de um interregno de oito anos na carreira do escritor, Fantasia para dois Coronéis e uma Piscina foi um dos mais aclamados romances portugueses de 2003. Dois coronéis reformados, retirados no Alentejo, comentam o país. O quadro traçado é tragi-cómico.
O livro infantil de Sophia de Mello Breyner vai ser publicado na Tailândia, com ilustrações de Sudpai Mungtai. Entretanto, para os fãs portugueses da obra há também boas notícias: 45 anos depois de ter sido contada em disco, pela EMI-Valentim de Carvalho, A Menina do Mar vai ser reeditada.

A Menina do Mar em palco, por F. La Féria
Foi David Mourão-Ferreira quem teve a ideia, em 1960, de gravar aquela que seria a primeira história portuguesa publicada em disco. O livro, esse, tinha sido lançado dois anos antes.
À música original de Fernando Lopes Graça, e sob a direcção de Artur Ramos, juntam-se as vozes de Eunice Muñoz, Francisca Maria, António David e Luís Horta. As vozes infantis, segundo a EMI, serão dos filhos de Sophia.
A tradução de A Menina do Mar para tailandês é um projecto de Ana Sofia Carvalho, do Centro Cultural Português de Banguecoque. Em Maio, as livrarias daquele país já disponiblizam a obra.
O novo director do Instituto Cervantes em Lisboa diz que marcar presença no «Norte de Portugal, e sobretudo na cidade do Porto» é um dos objetivos do seu mandato. Em entrevista a O Primeiro de Janeiro, Ramiro Fonte fala das iniciativas que estão a ser promovidas na cidade invicta e não põe de lado a hipótese de vir a ser construida uma sede do Instituto no Porto.

Foto: O Primeiro de Janeiro
Traçando as linhas de acção do seu mandato, iniciado em Fevereiro, o director do Instituto Cervantes em Lisboa fala em «continuidade» do trabalho feito pelo seu antecessor, Manuel Fontãn del Junco, e destaca a região Norte do país como «prioritária» na política do Instituto.
Para além do apoio ao evento literário Correntes D' escritas, Ramiro Fonte diz que o Instituto tem «colaborado com a Biblioteca Almeida Garrett, com o Museu de Arte Contemporânea de Serralves, com a Faculdade de Letras do Porto» e que tenciona «continuar a apoiar as exposições que se fazem, por exemplo, no Centro Português de Fotografia, no Porto».
O Instituto Cervantes, destinado a promover a língua e literatura espanhola em todo o mundo, tem, segundo o director em Lisboa, «características especiais» em Portugal, devido à «proximidade existente entre a cultura espanhola e a cultura portuguesa», que faz com que «seja mais necessária a nossa presença».
Instituto Cervantes no Porto?
O desejo da existência de uma sede do Instituto na cidade invicta é assumido por Ramiro Fonte, que não descarta essa hipótese: «é uma velha aspiração e creio que o novo director do Instituto Cervantes [em Madrid], António Molina - que é também um galego, como eu - tem pensado nesta possibilidade».
Ramiro Fonte é poeta, ensaísta e professor, para além de ser membro da Real Academia Galega. Obras como Mínima Moralidade (1998) ou Os Meus Ollos (2003) fazem dele um dos mais importantes nomes da poesia espanhola contemporânea.
Leia a entrevista completa aqui
A semana santa levou a Roma e ao Vaticano algumas centenas de pessoas que, em vez da Bíblia, traziam Anjos e Demónios debaixo do braço, desejosas de conhecer os locais relatados no livro. A Igreja Católica ainda não se pronunciou sobre a mais recente obra de Dan Brown, mas depois de ter criticado a temática de O Código Da Vinci, semelhante à deste livro, não é de esperar uma reacção benevolente.
Entretanto, durante uma homilia Pontifical da Ressurreição do Senhor, D. José Policarpo acusou hoje algumas pessoas, numa alusão clara ao escritor norte-americano, de «falsear a verdade histórica dos Evangelhos» e de «destruir a fé» católica.
Foto: BBC
Segundo a bbc.news, centenas de turistas, principalmente americanos e britânicos, escolheram a Páscoa para realizar uma peregrinação não tanto ao Vaticano e mais aos locais onde o enredo de Anjos e Demónios decorre. Aos estrangeiros, juntam-se estudantes italianos, que se deslocam à Cidade Eterna em excursões como a Angels and Demons Tour.
Na ficção, Brown utiliza uma estátua do século XVII, de Gian Lorenzo Bernini, situada à entrada do Vaticano, como portadora de símbolos que levam aos Iluminatti, sociedade secreta que deseja destruir a Igreja Católica em vésperas da eleição de um novo Papa.
I. C. portuguesa contesta Brown
Na homilia de hoje, o cardeal patriarca de Lisboa, sem nunca mencionar o nome do escritor do best-seller O Código da Vinci, acusou algumas pessoas de «falsear a verdade histórica dos Evangelhos, chegando a acusar-se a Igreja de ter inventado a fé na Ressurreição e escondido a verdade histórica acerca de Jesus». Para D. José Policarpo, «a abordagem histórica de Jesus só é possível respeitando a historicidade dos Evangelhos» e, por isso, esta «moda» pretende mostrar Jesus Cristo «apenas como um homem, extraordinário porventura, mas sujeito aos limites da raça humana» e deve ser desacreditada, já que pode «destruir a fé» de alguns crentes.

Brown tem motivos para sorrir: a controvérsia é boa publicidade
Recorde-se que há algumas semanas o cardeal Tarcisio Bertone, falando em nome do Vaticano, classificou as teses apresentadas n’ O Código..., especialmente a que se refere ao casamento de Cristo com Maria Madalena, de «vergonhosas e infundadas mentiras».
Anjos e Demónios, outro fenómeno de vendas, ainda não suscitou qualquer reacção por parte das autoridades católicas.
O Código... parte II
Robert Langdon regressa, em Anjos e Demónios, para identificar o símbolo inscrito no peito de um cientista brutalmente assassinado. Victoria Vetra, também ela uma cientista, acompanha o herói de O Código... num enredo entusiasmante que leva ao desmantelamento de uma organização secreta apostada em destruir a Igreja Católica.
A especulação em torno da religião é um dos trunfos da obra de Brown e tem fascinado os leitores de todo o mundo. Anjos e Demónios tinha sido concluído antes de O Código da Vinci, mas a sua publicação posterior assegura-lhe vendas fenomenais. A polémica em que os livros do norte-americano se vêem envoltos certamente ajuda a mantê-los nos "top" de vendas.
Uma ronda pela semana literária.

O Visionário que Ainda Surpreende, por Ana Navarro Pedro, no Público.
Comunidade de Leitores, por Pedro Mexia no Diário de Notícias.
O Marketing e a Literatura, por Pedro Mexia no Diário de Notícias.
Os Escritores não são Pessoas para Serem Levadas a Sério, entrevista a José Riço Direitinho, n´O Comércio do Porto. (link provisório).
Centenaire de Jules Verne: des passionnés du monde entier sur sa tombe, no Le Figaro.
A windmill I won't tilt at, por Simon Jenkins na Times Online.
Desperately Seeking Susan, por Terry Castle na London Review of Books.
After the Last Battle, por Margaret Atwood sobre o livro Visa for Avalon , de Bryher, na The New York Review of Books.
The Making of William Faulkner, por J. M. Coetzee, sobre One Matchless Time: A Life of William Faulkner, de ay Parini, na The New York Review of Books.
A Câmara Municipal de Coimbra apresentou à UNESCO a candidatura da cidade a Capital Mundial do Livro em 2007. As infraestruturas, a tradição académica e o comércio livreiro justificam, segundo a autarquia, a atribuição da iniciativa à cidade.

Em declarações à Agência Lusa, o presidente da Câmara de Coimbra diz que a candidatura da cidade a Capital Mundial do Livro vem no seguimento das actividades de promoção da leitura que se têm sido desenvolvidas. A criação da Casa Museu Miguel Torga, a aliar à tradição de uma das mais antigas universidades europeias provam, segundo Carlos Encarnação, que a cidade está à altura de organizar a iniciativa.
A existência da Biblioteca Geral, da Biblioteca Joanina (que intrega obras únicas no mundo), do Arquivo e da Imprensa, assim como a preponderância económica que o mercado livreiro tem em Coimbra, serão outros dos trunfos da candidatura portuguesa a um evento que já foi acolhido por Alexandria, Madrid, Turim ou Nova Deli. Além disso, a Casa da Escrita, inserida no projecto europeu Cidades Refúgio, vai acolher o escritor dissidente cubano Pedro Marqués de Armas e sua família.
A proposta chegou à UNESCO no passado sábado, último dia de entrega, já que a autarquia só tomou conhecimento da candidatura três dias antes. Caso Coimbra venha a ser Capital Mundial do Livro, há já vários eventos em preparação, como o lançamento do espaço Saber Ler ao Cubo, no Parque Verde do Mondego e a presença na cidade de autores Nobel da Literatura. Positiva ou não, a resposta da UNESCO deverá ser conhecida dentro de dois ou três meses.
Um poema de João Artur Santos.

Transfiguração
A expansão dum rosto é terrível
Encosta-se o relevo da carne
ao arame
e tinge
Na outra mesma margem
o cabelo flutua na água
Imagem de Jean-Michel Basquiat

Agustina Honoris Causa: «Não é para melhorar o mundo que se trabalha. É para ter efeito sobre o nosso tempo, e conseguir uma resposta justa sobre aquilo em que nos interrogamos. Uma resposta justa delicia-nos como um beijo».
Eugénio de Andrade não esteve presente na cerimónia por motivos de saúde.
Badajoz recebe a 9 e 10 de Abril o Congresso de Escritores Extremenhos. Na nona edição, o Congresso aborda os pontos de contacto entre a literatura portuguesa dos últimos anos e a obra de autores daquela região de Espanha. Mafalda Ivo Cruz e Ángel Campos Pámpano são alguns dos escritores ibéricos que vão marcar presença.

Luís Landero fará o discurso de abertura do Congresso
Urbano Tavares Rodrigues, valter hugo mãe, Mafalda Ivo Cruz e Fernando Pinto do Amaral representam Portugal nos dois dias do Congresso, durante os quais serão acompanhados pelos espanhóis Serafín Portillo, Luís Landero (responsável pela cerimónia de apresentação), Luís Sáez Delgado e Ángel Campos Pámpano.
Este encontro é organizado pela Associação de Escritores Extremenhos e conta com os patrocínios do Instituto Camões e do Instituto Cervantes de Lisboa e do governo regional da Extremadura.
O Congresso, que se celebra a cada quatro anos, vai decorrer na Casa de Cultura Luis Landero de Alburquerque. Em discussão estará também o futuro da literatura extremenha num contexto de globalização.
Conheça o programa e inscreva-se aqui
No ano em que comemora o 94º aniversário, a Universidade do Porto atribui o grau de Doutor Honoris Causa a Agustina Bessa-Luís e a Eugénio de Andrade. A cerimónia de homenagem aos dois escritores, cujas vidas e obras são conotadas com a cidade invicta, está marcada para as 10:00 horas de amanhã no salão nobre da Faculdade de Ciências.


O ensaísta Eduardo Lourenço será padrinho de Eugénio e o elogio do doutorando será feito por Maria João Reynaud, docente de Literatura Portuguesa na FLUP.
Arnaldo Saraiva, catedrático na FLUP, vai apadrinhar Agustina e Fátima Marinha, que também lecciona Literatura Portuguesa na instituição, vai ler o elogio da doutoranda.
José Meirinhos é o mestre de cerimónia e o momento musical estará a cargo do Grupo de Metais de Gaia, que interpretará as Cantatas de Johann Sebastian Bach.
A atribuição do grau de Doutor Honoris Causa aos dois escritores já estava anunciada desde Fevereiro, mas sem data marcada devido ao débil estado de saúde do poeta de Os Amantes sem Dinheiro.
Eugénio de Andrade nasceu na Póvoa da Atalaia, mas o Porto é a sua cidade adoptiva desde 1948. Agustina Bessa-Luís é natural de Amarante e o Douro marca presença na sua obra. Dois nomes maiores da literatura portuguesa com os quais a cidade cultiva uma forte afectividade.
Os poemas de A Nuvem Prateada das Pessoas Graves constituem o original eleito pelo júri do Prémio Daniel Faria. Rui Costa, o vencedor, tem agora a oportunidade de publicar, através da editora Quasi, a sua primeira obra.

A publicação da obra e os direitos de autor constituem o Prémio, do qual não consta um valor pecuniário. Apesar de Rui Costa já ter publicado, anteriormente, na colectânea Jovens Criadores-97, o júri, constituido por Jorge Reis Sá, Luís Adriano Carlos, Tito Couto e Vera Vouga, decidiu atribuir o galardão a este trabalho pela sua «a qualidade de composição».
Para o jovem poeta, este prémio tem um sabor especial, já que considera que«Daniel Faria sempre procurou a transformação como poeta e como pessoa». Rui Costa é licenciado em Direito, mas escolheu o mestrado em Saúde Pública por ser uma área «mais ligada às pessoas».
O Prémio Daniel Faria foi hoje entregue em Penafiel. Em Maio, a Quasi vai publicar A Nuvem Prateada das Pessoas Graves.
Este galardão nasce de uma parceria entre a editora famalicence, a Câmara Municipal de Penafiel e os herdeiros de Daniel Faria.
Segundo O Diário de Notícias, o prémio será atribuído, pelo menos, durante os próximos nove anos.
Prémio Daniel Faria no MUITA LETRA
O IV Encontro de Poetas/Festa da Poesia leva hoje à Figueira da Foz alguns dos mais relevantes nomes da poesia nacional para participarem em debates, colóquios e sessões de declamação.
No ano em que o evento atinge a «maturidade», Luís Machado, organizador, avisa que esta edição «pode muito bem ser a última».

Teresa Rita Lopes: a poetisa vai estar na Figueira
O programa da Festa inicia-se com o colóquio O Mistério da Criatividade na Grandeza da Palavra, sobre a obra de Natália Correia, David Mourão-Ferreira e Ramos Rosa. Ao colóquio, moderado por Paula Costa, Álvaro Manuel Machado, Fernando Dacosta, segue-se a mesa-redonda para debater as questões Que Poetas Somos? Que Poetas Queremos Ser?.
Ana Luísa Amaral, Armando Silva Carvalho, João Rui de Sousa, Manuel Gusmão e Teresa Rita Lopes são os poetas com presença garantida no debate.
Com Palavras Amo é o recital de poesia dedicado a Eugénio de Andrade que vai decorrer ao fim da tarde. À noite, A Poesia Serve-se Quente, com os poetas Ana Eduarda Santos, António Arnaut, Ernesto Melo e Castro, António Augusto Menano e Alexandre Vargas.
No âmbito da Festa, Joaquim Pessoa, Maria Lúcia Lepecki e Jacinto Simões são outros dos poetas que marcarão presença na Figueira da Foz.
«IV edição pode muito bem ser a última»
Em entrevista ao jornal Correio da Manhã, Luís Machado, Comissário da Festa, diz que os objectivos que se propôs desde a primeira hora, a criação de «novos públicos, divulgação, dinamização e descentralização cultural», foram atingidos, mas deixa no ar a ideia de que 2005 poderá ser o último ano do evento.

Luís Machado mostra-se desanimado e diz que, em embora tenha «lutado pela internacionazação» do festival, não tem conseguido «a sensibilização dos patrocinadores». Apesar de juntar «figuras de prestígio», a Festa conta com «um orçamento irrisório (6750 euros)», o que pode ditar a sua extinção.
Esta não é a primeira vez que o organizador do evento se queixa da falta de apoios. Já em Fevereiro o MUITA LETRA tinha registado as críticas de Luís Machado à «falta de apoio das empresas» da Figueira.
O discurso do Comissário é, todavia, marcado por uma nota de esperança. Quando questionado sobre as expectativas que alimenta quanto a Isabel Pires de Lima, ministra da Cultura e doutorada em Literatura Portuguesa, Luís Machado confessa que «esta mulher do Norte» lhe trouxe «uma primavera de esperança».
Veja aqui o programa do evento
A participarem no Salão do Livro de Paris, os escritores Dulce Maria Cardoso, José Luís Peixoto e Pedro Rosa Mendes recusaram a etiqueta de representantes da nova geração de escritores portugueses e explicam que o traço mais importante da sua escrita «é a sua individualidade».

Ao afirmar que «a marca desta geração de escritores é a sua individualidade», José Luís Peixoto foi de encontro à opinião dos escritores portugueses, conotados como sendo da "nova geração", que o acompanharam no debate O Romance Português - A Nova Geração, que se realizou no Salão do Livro de Paris.
Dulce Maria Cardoso considera que o seu livro «e o do José Luís Peixoto são completamente diferentes e cada um tem as verdades do seu autor». A autora vai de encontro ao individualismo referido por Peixoto ao dizer que os seus livros nascem «da solidão».

Já Pedro Rosa Mendes explica com o contexto histórico e cultural esta liberdade criativa que os escritores do pós-25 de Abril cultivam. Com a ausência de causas sociais e políticas que os escritores que viviam sob o espectro do Estado Novo partilhavam, é natural que a variedade de temas e a mundivisão dos ficcionistas portuguesas seja mais heterogénea. «Nessa altura, a realidade claustrofóbica obrigava os autores a escolherem lados e agora não temos essa responsabilidade», defendeu o autor de Ilhas de Fogo.
O romance é suficiente?
Num debate organizado pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas e pelo Instituto Camões, Dulce Maria Cardoso e Pedro Rosa Mendes revelaram opiniões divergentes quanto à interacção entre a imagem e o texto literário.

Enquanto o escritor e jornalista confessou que as viagens o fascinam, como o demonstra a sua obra, e que gosta de aliar a ilustração e a fotografia aos seus livros, Dulce Maria Cardoso disse que «o romance é suficiente» e que a imagem faz com que os leitores caiam no facilitismo, já que «se os romances tiverem fotografias, as pessoas não irão ler mais, será muito mais fácil». A autora de Os Meus Sentimentos acrescentou ainda que as viagens só lhe agradam quando se realizam «em frente ao computador».
Um dos mais badalados escritores e argumentistas da actualidade vem a Lisboa promover a nova tradução de A Música do Acaso. Na Culturgest, a 29 de Abril, Paul Auster vai falar da sua vida e obra e participar na sessão de leitura do livro.

Aos 51 anos, o escritor norte-americano é já uma das referências da sua geração. Em Portugal, os títulos mais significativos da sua obra ficcional encontram-se publicados pela Presença e pela Asa.
O cinema é outra das paixões que alimenta, a par da literatura. Para além de escrever crónicas, poesia e romances, é argumentista e realizador. Lulu on The Bridge foi o seu primeiro filme.
Conheça aqui a obra de Paul Auster
Os livros também são notícia. O MUITA LETRA diz-lhe o que se diz sobre escrita e escritores.

Escrita para exorcizar memórias, sobre o livro Olhando o Nosso Céu, de Maria Luísa Soares, no Jornal de Notícias
«O amor ainda pode dar sentido à existência humana», entrevista de Fernando Pinto do Amaral ao Diário de Notícias, por Maria Augusta Silva
¿Quieres ver escribir a Julia Navarro?, entrevista à escritora na revista Qué Leer
La memoria pertinaz, entrevista a Mario Vargas Llosa no jornal El Comercio
A Casa das Centenas, crónica de Pedro Mexia no Diário de Notícias
A Casa das Centenas (2), continuação da crónica de Pedro Mexia
A solidão não é um produto especial do Japão», entrevista a Harikuri Murakami, por Bárbara Reis, no Público
Murakamimania, crónica de Isabel Coutinho no Público
The Riddles of Kafka, crítica ao livro Kafka de Nicholas Murray por Michael Maar, no The Times Literary Supplement
Através do site www.que-leer.com quem quiser poderá acompanhar, em directo e ao vivo, Julia Navarro na escrita de La Biblia de Barro. A escritora espanhola pretende partilhar com os leitores o processo criativo, lendo os seus comentários e respondendo aos seus e-mails.

O processo de escrita em directo e ao vivo de La Biblia de Barro será dividido em duas sessões. A primeira realiza-se a 10 de Março, tendo como título La Biblia de Barro - Verdade ou Ficção; a segunda sessão, a 15 deste mês, versa sobre o tema O Saque de Obras de Arte em Tempos de Guerra. Porque «os livros, afinal, são de quem os lê» e a escritora quer «estabelecer um contacto mais directo com o leitor».
Neste projecto inovador, Navarro conta com o apoio da revista literária espanhola Qué Leer, que disponibiliza o seu site na Internet para que os ciberleitores a possam visualizar em pleno processo criativo.
A escritora e jornalista admite estar habituada a ser lida diariamente por milhões de pessoas, mas diz-se «curiosa» quanto ao resultado desta experiência, já que «é a primeira vez que se faz uma coisa destas».
Navarro garante que o facto de ser seguida em directo e interpelada pelos leitores não a incomoda, pois possuí «uma enorme capacidade de concentração e abstracção».
A autora do best-seller A Irmandade do Santo Sudário demostra mais uma vez a sua astúcia: após lançar o primeiro romance - que já estaria escrito antes de O Código da Vinci, de Dan Brown, andar pelas bocas do mundo - em 2004, na crista da onda do fenómeno policial-religioso, a escritora explora agora as potencialidades da Internet para dar visibilidade ao seu trabalho.
Os Cadernos de Poesia nasceram em 1940 para tornar «só uma» as várias correntes literárias em voga no país. Publicada até 1953, a revista foi palco da evolução poética de Eugénio de Andrade, Jorge de Sena ou Sophia de Mello Breyner e marcou as gerações futuras. A editora Campo das Letras publica agora os cadernos numa reprodução fac-similada, com direcção de Luís Adriano Carlos e Joana Matos Frias.

Jorge de Sena, um dos impulsionadores dos Cadernos
Os Cadernos de Poesia juntaram, nas décadas de 40 e 50 do século passado, vários autores e estéticas literárias com o intuito de «arquivar a actividade da Poesia actual», como se explicava na primeira série da revista, publicada entre 1940 e 1942 com a direcção de Tomaz Kim, José Blanc de Portugal e Ruy Cinatti e da qual resultaram cinco números antológicos.
A segunda série, datada de 1951, juntou Sena e José Augusto França a José Blanc de Portugal e Ruy Cinatti, que se mantinham desde o início, para a edição de sete números não antológicos. Nos dois anos seguintes, os organizadores da revista deram continuidade ao projecto e lançaram os últimos três fascículos dos Cadernos....
Foram, ao todo, quinze números em que participaram pós-simbolistas modernistas, presencistas, neo-realistas e autores afectos a outras estéticas. Trabalhos de Fernando pessoa e Teixeira de Pascoaes juntaram-se aos de Fernando Namora, Eugénio de Andrade, Casais Monteiro, José Régio, Sophia de Mello Breyner ou Saul Dias, entre outros, na publicação que era a montra do que então se fazia entre nós e que teria uma forte influência sob os escritores futuros.

A edição fac-similada que a campo das Letras lança agora reproduz os exemplares pertencentes ao poeta Albano Martins e visa facilitar a pesquisa por poemas e por autores através de três índices (um de autores, um de títulos e um geral).
Esta publicação insere-se na colecção Obras Clássicas da Literatura Portuguesa Séc.XX e é patrocinada pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas/ Ministério da Cultura.
Saiba mais sobre esta publicação
O escritor peruano foi galardoado, no início deste mês, com o Irving Kristol Award 2005 e já adiantou que o seu próximo livro, Travesuras de la Niña Mala, está quase concluido. A «sucessão de contos» que compõe o romance ocorre em épocas e locais distintos, mas inscreve-se «numa história global», explica Mario Vargas Llosa.

O título do livro em que se encontra a trabalhar é ainda provisório, como explicou Vargas Llosa em entrevista ao jornal peruano El Comercio, adiantando que o ponto de partida para este livro é «a memória», que fornece sempre «imagens muito férteis sobre as quais fantasiar».
Quando questionado sobre a estrutura de Travesuras de la Niña Mala, o escritor peruano explica que «é um romance composto por uma sucessão de contos: cada capítulo [...] pode ser lido como um relato independente e, ao mesmo tempo, como capítulo de uma história que engloba todos estes relatos, [...] que ocorrem em cidades e épocas distintas». Apesar de ter aproveitado as suas constantes viagens (Llosa vive entre Lima, Paris, Londres e Madrid) o livro «não é de todo autobiográfico».
Nesta entrevista, o mais popular escritor peruano da actualidade fala dos seus autores favoritos (Flaubert, Faulkner, Cervantes, Tolstoi ou Baudelaire fazem parte das suas paixões literárias) e da situação política do seu país.
O escritor defende que o Presidente Toledo deve terminar o seu mandato em vez de desistir a meio, como pretendem os seus opositores, já que o país «tem uma democracia muito frágil e a pior forma de a conservar é alterar as regras do jogo [...], que é o fundamental numa democracia.»
No entanto, Llosa considera haver «muitos corruptos» no actual Governo e acusa os nacionalismo de terem «atrasado e empobrecido» o Perú.
Trabalho e Prémios
Vargas Llosa terminou no ano passado um ensaio sobre Victor Hugo e neste momento dedica-se ao novo romance.
O Irving Kristol Award foi-lhe atribuído dia 2 de Março, nos Estados Unidos, pelo Council of Academic Advisers.
O autor de A Cidade e os Cães já foi alvo dos mais honrosos prémios da literatura hispânica e mundial: em 1994 foi-lhe atribuído o Prémio Crevantes e três anos mais trade o norte-amerciano National Book Critics Circle Award for Criticism.
Memórias das Minhas Putas Tristes, que a Dom Quixote lança no mercado nacional dia 18, terá uma primeira tiragem de 60 mil exemplares. O novo romance de Gabriel García Márquez é já um best-seller anunciado e a promoção do livro incluirá algumas «iniciativas inéditas» por parte da editora.

Aquele que poderá sem o derradeiro romance de "Gabo" promete grandes vendas entre nós. Ricardo Machaqueiro, da Dom Quixote, revelou à Agência Lusa que esta «será uma das maiores primeiras edições de sempre de um autor estrangeiro no mercado nacional» e promete «iniciativas inéditas» para chamar a atenção dos lisboetas para o livro. O responsável pela editora não revelou pormenores, mas adiantou que «será uma iniciativa que envolverá toda a cidade de Lisboa, procurando vivenciar o universo do escritor colombiano».
O novo livro do Nobel da Literatura, que já não presenteava os seus admiradores com um romance desde Notícia de um Sequestro, já vendeu um milhão de expemplares em Espanha. Nas ruas de Bogotá, antes mesmo da publicação oficial, já se encontravam à venda cópias ilegais do livro do escritor colombiano.
Após ter atingido os países hispânicos, a "Gabomania" parece ter chegado a Portugal.
O Soldado Romano, o mais recente livro de Agustina Bessa-Luís, foi hoje apresentado numa escola do concelho de Vila do Conde. Em conversa com os alunos, a escritora falou do «prazer» que foi regressar à sua infância, enquanto trabalhava neste romance infanto-juvenil autobiográfico, e disse que «ser escritor é uma aberração».

Os alunos das escolas EB 1 de Bagunte, de Outeiro Maior e EB 2/3 Carlos Pinto Ferreira, de Vila do Conde, juntaram-se para ouvir Agustina Bessa-Luís falar do seu novo livro, da sua própria infância e do ofício de escritor.
A escritora, que durante a infância passava férias na Casa de Cavaleiros, em Outeiro Maior, começou por referir que O Soldado Romano é fruto de «memória que veio à superfície» e que «foi um prazer voltar a este lugar através das palavras».
O que é necessário para ser escritor? Esta foi uma das perguntas mais repetidas pelos alunos, que não deixaram de aproveitar a oportunidade de interpelar uma das mais consagradas autoras nacionais. Descontraída, Agustina explicou que, no seu caso, escrever é um acto «mecânico, nunca emocional», que requer um «disciplina» que não lhe falta, e que pode ser interrompido em qualquer ponto, já que trabalha «com muita facilidade».
A definição mais curiosa que Bessa-Luís deu de quem escreve foi a de que «ser escritor é uma aberração», já que «nasce-se escritor, como se nasce com o nariz de determinada forma».
Uma das professoras presentes considerou o contacto entre a autora d' A Sibila e os alunos «extremamente interessante para incentivar as crianças para a leitura». A directora da Biblioteca Municipal José Régio, Marta Miranda, disse, por sua vez, que esta visita contribuiu para «dessacralizar um pouco a figura do escritor, [...] que são pessoas comuns, apesar de terem um dom extraordinário».
Agustina com agenda preenchida
Aos 83 anos, a escritora continua imparável. O rítmo de publicação tem sido acelerado e Agustina não nega, em declarações ao jornal O Comércio do Porto, que tem tido «conferências, visitas e muito trabalho». As viagens também se mantêm e, já na próxima semana, a República Checa é ponto de paragem da escritora.
Agustina Bessa-Luís no MUITA LETRA
Anjos e Demónios é a mais recente publicação de Dan Brown, que faz reviver Robert Langdon, desta vez para gerir as tensões em vésperas de eleição de um novo papa e evitar a destruição do Vaticano por uma sociedade secreta.
A Bertrand, que adquiriu os direitos da nova obra de Brown para Portugal, prevê que os 70 mil exemplares postos à venda esgotem dentro de um mês.
Depois da popularidade alcançada por O Código Da Vinci, o escritor norte-americano promete confirmar o fenómeno da ficção em torno da Igreja Católica.

As 39 livrarias Bertrand existentes em todo o país esperam vender pelo menos 70 mil exemplares de Anjos e Demónios no mês de Março, em que a obra surge pela primeira vez nos escaparates. De momento, 20 mil exemplares já se encontram a caminho das lojas da editora, e Paula Nascimento, responsável pela Bertrand, disse, em declarações ao jornal Público, que os livros vendidos deverão ser «quase tantos como de O Código Da Vinci».
A obra, lançada em Abril de 2004, vendeu em Portugal 350 mil exemplares. Por todo o mundo, foram 17 milhões os que levaram para casa o controverso segundo livro de Dan Brown.

Fórmula mantém-se
Para além do personagem central de Anjos e Demónios ser o mesmo do livro anterior, as semelhanças entre as duas obras não se ficam por aqui: os Illuminati planeiam atacar o Vaticano durante a realização de um Consílio que elegerá um novo Papa. Seguindo as pistas deixadas pela sociedade secreta, Robert Langdon, acompanhado por uma atraente cientista, acaba por salvar a Igreja Católica da destruição.
Escrito em 2000, Anjos e Demónios, tal como as obras anteriores de Brown (Digital Fortress e Deception Point que, em 2004, estiveram em simultâneo no top de vendas do The New York Times), ancora-se ao sucesso de O Código Da Vinci para conseguir boa aceitação por parte do público. A aposta já está ganha.
De que falam jornais e revistas quando falam de literatura? O MUITA LETRA deixa-lhe algumas pistas.

Jesus é um mistério fascinante, ainda em aberto, entrevista de António Marujo, do jornal Público, a José Tolentino Mendonça.
O cavaleiro irónico de eterna figura, no Diário de Notícias.
Erotismo sexista destrói a escrita das mulheres, crítica ao livro Uma Mulher Nua, de Lola Beccaria, por Maria Teresa Horta, no Diário de Notícias.
Page One: Where New and Noteworthy Books Begin, na Poets & Writers.
The Written Image: Walt Whitman , na Poets & Writers.
Jane Austen and the Enlightnment, por Peter Knox-Shaw, no The Times Literary Supplement.
Authors in the front line: Martin Amis, no Times Online.
My Secret Stash of Books on Tape, por Thomas H. Benton em The Chronicle.
D H Lawrence: The life of an outsider, by John Worthen, por D J Taylor, no The Independent Online.
Joyfully surfing the waves of confusion: Joanna Kavenna reviews On Literature by Umberto Eco, por Joanna Kavenna no Arts.Telegraph.
The Best American Liturgy: how Contemporary American Poets Are Denaturing the Poem,
Part IX , por Joan Houlihan no The Boston Comment.
Paradise is paper, vellum and dust, por Ben Macintyre no Times Online.
Don Quixote at 400: Still Conquering Hearts, por Ilan Stavans, no The Chronicle.
The Little Prince, sobre Hans Christian Anderson no Times Online.
The Classics in the Slums, por Jonathan Rose no City Journal.
Portugal é um dos trinta países que a Dinamarca elegeu como «prioritário» nas comemorações do bicentenário do nascimento de Hans Christian Andersen. A fadista portuguesa Mariza foi a eleita pelo representante diplomático da Dinamarca em Lisboa para divulgar entre nós a obra do autor dos contos infantis que todos conhecemos. Além disso, estão já programadas várias formas de assinalar, no nosso país e por todo o mundo, os duzentos anos sobre o nascimento do escritor.

Theis Truelsen, representante diplomático dinamarquês em Portugal, escolheu a fadista Mariza para promover a obra de Andersen por ser «uma personalidade de relevo na vida cultural portuguesa e muito conhecida além fronteiras», acresecentando que «no fado, tal como na obra de Hans Christian Andersen, há uma melancolia de forma poética que se tornou universal».
Em 1866 o escritor passou três meses em Lisboa e por isso a Fundação Hans Christian Andersen, criada especialmente para assinalar o bicentenário e patrocinada pela Raínha Margarida II, considera que Portugal é um «país prioritário» nas comemorações.
A Fundação vai também patrocinar a publicação do conjunto das obras de Hans Christian Andersen pela editora Gailivro.
Os duzentos anos do nascimento do escritor estão a ser comemorados internacionalmente. A juntar-se a Mariza, personalidades mundialmente conhecidas como Isabel Allende, Susan Sarandon, Suzanne Vega ou Pelé vão ser embaixadores de Andersen nos respectivos países.
Outras iniciativas
Em Portugal as comemorações do bicentenário vão incluir várias iniciativas. O escritor dinamarquês será objecto de vários filmes animados, criados pela Castello-Lopes Multimédia para serem difundidos no canal televisivo a 2:.
O autor de A Pequena Sereia servirá igulamente de inspiração a um vinho, já que Hans Kristian Jorgensen, proprietário da Sociedade Vinícola Portuguesa Cortes de Cima, irá produzir um lote com o seu nome. Os lucros da comercialização do vinho reverterão a favor do combate ao analfabetismo, através da Fundação HCA-abc.
Por fim, entre Março e Junho o município de Odesa, de onde o escritor é natural, organiza em Lisboa, Sintra e Setúbal uma exposição itinerante sobre a sua vida e obra.
Consulte aqui a cronologia bibliográfica de Andreson
Mario Luzi foi encontrado morto em casa pelos familiares, esta segunda-feira. Deputado vitalício, especialista em literatura francesa e tradutor, o «poeta da Toscância» tinha 90 anos. A causa da sua morte não foi divulgada.

Os primeiros poemas de Luzi são marcados por uma forte presença lírica. La Barca, de 1935, é a sua primeira obra e vai abrir caminho para novas explorações. Cinco anos depois, Avvento Notturno leva-o ao hermetismo italiano, de que se estabelece como figura de proa.
O «eterno candidato ao prémio Nobel», como é conhecido no seu país (Luzi já foi candidato ao galardão da Academia sueca por seis vezes) rompe com esta estética em 1957, aquando da publicação de Onore del Vero. Antes, lançara Primizie del Deserto, livro conotado com o existencialismo.
A sua obra é atravessada por várias estéticas e temáticas. Colaborou com várias revistas literárias, especializou-se em teoria e crítica literária e em literatura francesa. O simbolismo de Mallarmé foi, aliás, uma das suas grandes fontes de inspiração. A tradução de obras de William Shakespeare, Samuel Taylor e Racine também fazem parte do seu trabalho.
Luzi é um dos poetas mais populares de Itália e foi designado senador vitalício pelo Presidente Carlo Azeglio Ciampi, a 14 de Outubro passado, quando estava prestes a completar 90 anos.
Conheça alguns poemas de Mario Luzi
A Fundação Eugénio de Andrade foi ontem palco do lançamento do número 15 da revista Relâmpago, com um especial dedicado ao poeta da Póvoa da Atalaia, e do livro Ensaios Reunidos, de Luís Miguel Nava. O poeta de Vulcão, assassinado em 1995, foi amigo de Eugénio e, por isso, Gastão Cruz, director deste número da revista, considerou «feliz» a coincidência.
Na cerimónia de lançamento da revista, que contém ensaios e fotografias inéditas de Eugénio de Andrade, a sua ausência foi colmatada pela presença e pelo testemunho de amigos. Como Arnaldo Saraiva, que fez questão de realçar que «a poesia de Eugénio está viva e sã».
Relâmpago conta com ensaios sobre a relação entre o poeta e os animais e sobre a animalidade de Eugénio, de que Eugénio Animal Amoroso, Eugénio Animal Poético ou Contos da Docilidade são exemplo.
Este número da revista inclui também com depoimentos de António Ramos Rosa, Agustina Bessa-Luís, Arnaldo Saraiva, Carlos Mendes de Sousa e Maria Helena Rocha Pereira, que reconstituem, através das palavras, a obra, a personalidade e o rosto do poeta.
Luís Miguel Nava, amigo e autor de uma Fotobiografia de Eugénio de Andrade, incluiu dele seis textos nos seus Ensaios Reunidos. A ligação poética e de amizade entre os dois fez com que a data do lançamento da revista e do livro de enaios coincidisse.
Relêmpago é uma publicação semestral com edição da Fundação Luís Miguel Nava e da editora Relógio D' Água.
Luís Machado, responsável pelo IV Encontro de Poetas/Festa da Poesia que o Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz vai acolher a 21 de Março, queixa-se de «falta de apoio das empresas» locais. O evento, que se realiza no Dia Mundial da Poesia e que reúne escritores como Ana Hatherly, Joaquim Pessoa ou Teresa Rita Lopes ainda não ganhou «a luta para [se] internacionalizar».

Esta reunião de poetas de todo o país em debates, colóquios, recitais e mesas-redondas conta com um orçamento de 7 mil euros, proveniente do Ministério da Cultura/IPLB, da Câmara Municipal da Figueira da Foz, da Associação Portuguesa de Escritores, da Figueira Grande Turismo e do Casino da Figueira, mas Luís Machado, organizador, considera a verba «irrisória» e não compreende a recusa das empresas figueirenses em apoiar o Encontro, até porque acredita que «com mais apoios e com os contactos que tenho, conseguiríamos um programa mais ambicioso e de nível internacional».
Apesar de, em entrevista ao JN, se queixar da falta de apoios, o comissário do evento assegura estar garantida a «qualidade». O IV Encontro de Poetas/Festa da Poesia tem entrada livre e o cartaz conta já com os nomes de Ernesto Melo e Castro, Jacinto Simões, Joaquim Pessoa, José Correia Tavares, Maria Almira Medina, Teresa Rita Lopes e Vergílio Alberto Vieira. António Menano, Armando Silva Carvalho, Alexandre Vargas, António Arnaut e Ana Hatherly também têm presença garantida.
O autor de La Havana Para um Infante Defunto faleceu devido a uma septicemia, uma semana após ter caído e partido a anca na sua residência em Londres. Opositor ao regime de Fidel Castro e vencedor do Prémio Cervantes em 1997, o escritor cubano tinha 75 anos.

Há vários meses que o auotr de Três Tristes Tigres sofria de complicações de saúde, como diabetes e uma pneumonia. Em Agosto, havia sido submetido a um "bypass". A septicemia de que faleceu deveu-se à progressiva degradação da sua saúde.
Guillermo Cabrera Infante dedicou-se à narrativa, ao ensaio e à crítica cinematográfica. Esteve também ligado ao jornalismo que, juntamente com o cinema, era a sua grande paixão, e, no mesmo ano em que Fidel castro ascendeu ao poder, torna-se subdirector do jornal Revolución e director do Consejo Nacional de Cultura.

O semanário Lunes de Revolución, que funda em 1960, vale-lhe a perseguição por parte do Governo cubano e a prisão. É o início da dissidência com o regime de Fidel. No mesmo ano publica o seu primeiro trabalho de grande envergadura, Así en la Paz Como en la Guerra.
Por esta altura, o escritor começa a dedicar-se mais profundamente à literatura e os seus contos são motivo de várias distinções.
Depois de se mudar para a Bélgica, como adido cultural, Cabrera Infante «abre os olhos» em relação aos métodos de governação de Fidel Castro, dos quais começara a discordar aquando da sua prisão.
Regressaria a Cuba em 1965 para assistir ao funeral da mãe. Apesar de amar o seu país e não o deixar ausente da sua obra, o escritor e jornalista decide abandonar a diplomacia e exilar-se na Europa. Desde então Londres foi a sua cidade adoptiva.
Na sua vasta obra destacam-se Tres Tristes Tigres (1967) ou La Habana Para un Infante Difunto (1979). Em 1997 foi galardoado com o mais prestigiante prémio das letras hispânicas, o Cervantes.
Obra completa de Cabrera Infante
As Bolsas de Criação Literária (BCL) estão de volta. As novas regras a que atribuição da bolsa estará sujeita passam pela exclusão de escritores sem obra publicada e pela penalização dos que não entreguem a tempo a obra pela qual foram subsidiados. Rui Pereira, presidente do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas (IPLB), diz que a nova regulamentação é «mais clara, rigorosa e equitativa» do que aquela que foi suspensa em 2002.

Ainda não está definido o número de BCL que serão atribuídas pelo Estado, mas o presidente do IPLB garante que não deverão ser mais do que 12, número em vigor até 2002.
Foi pelos erros cometidos na atribuição de bolsas até esse ano que, segundo Rui Pereira, se tornou indispensável criar um novo regulamento. Assim, os candidatos a este subsídio, que terá a vigência de um ano e poderá ser prorrogado uma vez, deverão ter obra publicada; quem for contemplado com a bolsa, mas não entregar o livro, será penalizado.
Rui Pereira defende estas «afinações» na regulamentação das BCL, já que, em anos anteriores ocorreram casos em que «alguns autores não concluíam os projectos ou limitavam-se a entregar trabalhos de 10 páginas».
O novo regulamento foi elaborado pelo IPLB após análise de uma comissão constituída por Luísa Costa Gomes, Pedro Mexia, António Osório e José Manuel Mendes.
Esta bolsa destina-se a autores que, assim, poder-se-ão dedicar em exclusivo, durante determinado período de tempo, à escrita.
Rui Pereira deixa a porta aberta aos novos autores que, não sendo contemplados com este subsídio, poderão ser apoiados por um programa do IPLB que chega a custear 60% do preço total de publicação do livro, em parceria com as editoras.
Consulte aqui o novo regulamento para atribuição de BCL
Os 18 finalistas do Booker International Prize já estão escolhidos. A versão global do prémio britânico, aberta a autores de todo o mundo, tem este ano a primeira edição e conta já com Milan Kundera, John Updike ou Margaret Atwood, entre outros.

Este novo galardão, no valor de 85 mil euros, visa homenagear um autor vivo de qualquer nacionalidade pelo conjunto da sua obra. Talvez isso explique o "assalto" de grandes nomes da literatura mundial aos 18 lugares de finalistas do Booker Internacional Prize.
Dos candidatos ao prémio, dois, Ian McEwan e Margaret Atwood, já venceram o principal Booker.
Ao prémio, que será atribuído bianualmente, podem concorrer todos os autores que tenham a sua obra publicada em inglês. Esta modalidade internacional do Booker Prize surge na sequência de críticas à não contemplação de autores que não pertencessem ao Reino Unido ou à Commonwealth.
O galardão será entregue ao vencedor numa cerimónia a decorrer em Junho, em Londres.
Lista dos nomeados
Margaret Atwood (Canadá)

Saul Bellow (Canadá)
Gabriel Garcia Marquez (Colômbia)

Gunter Grass (Alemanha)
Ismail Kadare (Albânia)
Milan Kundera (República Checa)
Stanislaw Lem (Polónia)
Doris Lessing (Reino Unido)

Ian McEwan (Reino Unido)
Naguib Mahfouz (Egípto)
Tomas Eloy Martinez (Argentina)
Kenzaburo Oe (Japão)
Cynthia Ozick (EUA)
Philip Roth (EUA)

Muriel Spark (Reino Unido)
Antonio Tabucchi (Itália)
John Updike (EUA)
Abraham B Yehoshua (Israel)
Este tem sido o ano da consagração do poeta e ensaista eborense. Depois do Prémio Dom Diniz, Manuel Gusmão foi o vencedor do Prémio Vergílio Ferreira 2005, atribuído pela Universidade de Évora ao conjunto da sua obra ensaística.

O escritor, que na poesia se estreou aos 45 anos, vê os seus ensaios serem distinguidos com um prémio no valor de cinco mil euros.
O nome de Manuel Gusmão foi proposto pela Universidade do Algarve e aceite unanimente por um júri composto por Eduardo Prado Coelho, Isabel Pires de Lima, Cristina Almeida Ribeiro, Ana Clara Birrento e Luís Sebastião.
A obra ensaística do escritor eborense é tida como sendo «de grande qualidade» pelos elementos do júri.
Para além deste prémio, o poeta venceu, com Migrações de Fogo, o Prémio Dom Diniz relativo a 2005.
Antes, em 2001, havia sido contemplado com o Prémio Luís Miguel Nava pela obra Teatros do Tempo. A mesma obra valer-lhe-ia, no ano seguinte, o Grande Prémio de Poesia APE/CTT.
O Prémio Vergílio Ferreira foi instituído em 1997 para promover o conjunto da obra de um autor português que se destaque na narrativa ou no ensaio, e já passou pelas mão de Maria Velho da Costa, Urbano Tavares Rodrigues ou Mia Couto.
O Prémio Literário Correntes d'Escritas/Casino da Póvoa foi atribuído ao poeta António Franco Alexandre pela obra Duende. A entrega do prémio decorreu ontem, no Casino da Póvoa, onde 60 escritores de vários países se juntaram para ouvir Agustina Bessa-Luís inaugurar o evento no local onde passou parte da infância.

«Originalidade, profundidade e abrangência, inovação discursiva, rigor rítmico e musicalidade», assim é descrito o poema, composto por 52 sonetos, Duende pelo júri da VI edição de Correntes D´escritas. A obra de António Franco Alexandre foi a escolhida entre 116 candidatos a concurso.
A sessão de abertura do evento contou também com a presença de 60 escritores vindos de países como Cuba, Chile, Colômbia, Brasil, Espanha, Cabo-Verde, S. Tomé e Príncipe, Moçambique e Portugal.
O encontro de escritores de expressão ibérica foi inaugurado por Agustina Bessa-Luís, poveira não de nascimento mas por amor à cidade onde passou grande parte da sua adolescência.
Para a autora d´A Sibila, a Póvoa do Varzim «foi esse espaço mágico da minha vida, o princípio da adolescência». A autora deixou a cidade aos 12 anos, mas ainda se recorda do ambiente que lá se respirava: havia «todo um empenhamento de aventura, cheio de sonhos e de uma imensa liberdade».
O certame decorre até sábado, com a realização de debate, visitas às escolas, exposições, lançamentos de livros e sessões de poesia, com a participação de 60 escritores vindos de países como Cuba, Chile, Colômbia, Brasil, Espanha, Cabo-Verde, S. Tomé e Príncipe, Moçambique e Portugal.
Mário Cláudio, Helena Vasconcelos, Maria do Rosário Pedreira, Luís Sepúlveda, Fernando Dacosta e Xavier Queipo são apenas alguns dos nomes com presença garantida no Casino da Póvoa.
Também para os mais novos
As obras juvenis dos alunos das escolas da Póvoa, entre os 15 e os 18 anos, também estiveram a concurso, paralelamente com os mais velhos. Sara Raquel Ferreira da Costa, com o poema Queda, foi a vencedora, mas não pode estar presente por se encontrar em aulas.

No sexto ano de existência, as Correntes D´escritas, que decorrem com o apoio da autarquia local, lançam também uma publicação alusiva ao evento que, para além de textos de escritores que nele estão presentes ou por ele passaram, destaca a obra de Herberto Helder.
A anterior edição do evento literário da Póvoa foi a primeira a premiar as obras a concurso; em 2004, O Vento Assobiando nas Gruas, de Lídia Jorge, foi a obra vencedora.
Veja aqui o programa do evento
Correntes D´escritas no MUITA LETRA
A ala dura dos Guardas Revolucionários, a força militar mais poderosa do exército iraniano, afirma que a "fatwa", sentença de morte declarada pelo Ayatollah Khomeini ao autor de Versículos Satânicos, continua em vigor. Apesar do actual presidente do Irão, o reformista Mohammad Khatami, reiterar a revogação da sentença de morte, a verdade é que Salman Rushdie, que desde 1989 se encontra sob protecção britânica, continua a não ter vida fácil.

«Mais cedo ou mais tarde, os muçulmanos punirão o apóstata Rushdie pelos seus actos escandalosos». A afirmação é dos Guardas Revolucionários, que actuam sob comando directo do Ayatollah Ali Khamenei, e não deixa margem para dúvidas: apesar da "fatwa" ter sido revogada, em 1998, pelo governo iraniano, o autor dos polémicos Versículos Satânicos continua a ser alvo do ódio dos fundamentalistas islâmicos.
Esta força militar, que integra as Forças Armadas Regulares do Irão, contando com 120 mil homens, justifica a impossibilidade da revogação da sentença de morte com o facto de a única pessoa com poder para o fazer, o Ayatollah Khomeini, ter já falecido.
O presidente Mohammad Khatami já disse, no entanto, que a "fatwa" lançada contra o escritor indiano foi retirada.
Leia aqui a história da "fatwa" lançada contra Rushdie
Outros artigos sobre Salman Rushdie no MUITA LETRA
Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, é o livro mais romântico de todos os tempos. Quem o diz são os membros da Associação Britânica de Escritores Românticos, que elegeram as cinco obras mais românticas de sempre.
Andrea Levy, que este ano já ganhou os prémios Orange e Whitbread Book of The Year, tem em Small Island o mais forte candidato a arrecadar o Romantic Novel of the Year Award relativo a 2005.

O anglocentrismo é visível neste top povoado por quatro escritoras britânicas e uma norte-americana. A Orgulho e Preconceito, que Jane Austen começou a escrever em finais do século XVIII e que viu a luz do dia em 1813, juntam-se, nos restantes lugares do pódio, Jane Eyre, de Charlotte Brontë, E Tudo o Vento Levou, de Margaret Mitchell, Rebecca, de Dapnhe du Maurier e O Monte dos Vendavais, da outra irmã Brontë, Emily.
Esta votação segue-se àquela em que as ouvintes da BBC Radio 4 Woman´s Hour elegeram a obra-prima de Austen como a que mais alterou a forma como as mulheres se vêem a si mesmas.
No que a romances mais actuais diz respeito, a Associação Britânica de Escritores Românticos atribui, em Abril, o galardão relativo à obra mais romântica do ano. Andrea Levy, que este ano já juntou três importantes prémios à sua conta pessoal, é a mais forte candidata, com Small Island.
As outras obras candidatas a este prémio são A Good Voyage, de Katharine Davies, Love and Devotion, de Erica James, The Hornbeam Tree, de Susan Lewis,
The Tenko Club, de Elizabeth Noble e Ghost Heart, de Cecilia Samartin.
Aparentemente, a história da literatura romântica faz-se no feminino.
A portuguesa Ana Paula Pinto, com o livro de poemas O Pólen do Silêncio, e o brasileiro Marcelo Oliveira, com o ensaio A Procura do Tempo Presente: História e Sujeito em Augusto Abelaira, foram os escritores revelação do ano, segundo a Associação Portuguesa de Escritores. As obras de estreia dos dois autores já têm publicação assegurada.

O Prémio Revelação da Associação Portuguesa de Escritores, patrocinado pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, foi este ano atribuído a Ana Paula Pinto, de 42 anos, por O Pólen do Silêncio, e a Marcelo Oliveira, de 32 anos, pelo ensaio A Procura do Tempo Presente: História e Sujeito em Augusto Abelaira.
A poetisa portuguesa foi escolhida entre 65 candidatos e o ensaista brasileiro entre 12. Este galardão tem como objectivo revelar primeiras obras e assegurar a sua publicação.
O júri do Prémio Revelação da Associação Portuguesa de Escritores foi constituído por Anabela Rita, Cristina Robalo Cordeiro, Liberto Cruz e José Correia Tavares e escolheu, por unanimidade, os vencedores deste ano.
O Prémio Revelação é atribuído nas categorias de ensaio e poesia desde 1982 e não incluí qualquer recompensa pecuniária.
As livrarias Notícias vão ser transformadas em lojas da Oficina do Livro. A livraria e a editora são propriedade do Grupo JRP, que vai inaugurar a primeira de 20 lojas Oficina do Livro dia 23 deste mês. Assim, a editora passa a agregar uma cadeia de livrarias. Além disso, uma nova marca editora, a Estrela Polar, vai nascer, pela mão do mesmo grupo, durante este ano.

A estreia destas novas livrarias faz-se no "outlet" de Alcochete, «um formato novo, já consolidado nos Estados Unidos e na Europa, e para o qual os nossos concorrentes ainda não olharam», explicou à edição de Sábado do jornal Expresso o presidente do Grupo JRP, João Paulo Abreu. Almada e a Baixa de Lisboa são os próximas paragens no roteiro das lojas Oficina do Livro.
Tanto na primeira loja como nas 20 que o grupo detentor das livrarias Notícias e da Oficina do Livro quer implementar e todo o país, a um rítmo de duas a quatro por ano, o conceito de livraria adequa-se às novas tendências com a inclusão de cafetarias nas lojas maiores e de máquinas "shop-in-shop", em que o cliente pode obter os produtos de uma máquina, nas lojas mais pequenas.
O mesmo grupo vai ainda lançar, durante este ano, a Estrela Polar, que se dedicará à edição de livros de desenvolvimento pessoal, enquanto a Editorial Notícias passa para a Casa das Letras.
O presidente do Grupo JRP, que comprou a Oficina do Livro em Março do ano passado e que detém, igualmente, as lojas Valentim de Carvalho e os cinemas Castello Lopes, justifica esta opção de fundir a livraria e a editora, dizendo que «no negócio das editoras é determinante a capacidade de distribuir e de promover os livros e isso só é possível nos grandes grupos».
O cíclo de debate entre escritores ibéricos e sul-americanos Com o Atlântico pelo Meio acontece entre 21 e 22 deste mês. O Instituto Cervantes em Lisboa acolhe a iniciativa, numa altura em que passa a ser dirigido pelo poeta Ramiro Fonte.

Nuno Júdice, um português entre hispano-americanos
Nuno Júdice e Alfredo Bryce Echenique abrem o cíclo de conferências, dia 21, com uma conversa sobre a literatura hispano-americana da sua geração e com a apresentação das versões portuguesas das obras do escritor chileno A Vida Exagerada de Martín Romaña e O Horto da Minha Amada.
Dia 22 é a vez de Leonardo Padura (Cuba), Luis Sepúlveda (Chile), Mario Mendoza (Colômbia), Pablo de Santis (Argentina) e Santiago Gamboa (Colômbia) se juntarem para uma mesa redonda dirigida por Manuel Mendonça, director editorial da Asa.
A esta editora juntam-se, no apoio a este evento, as editoras Dom Quixote, Temas e Debates, Teorema. Correntes d´Escritas, a Casa da América Latina e as Embaixadas de Espanha, Argentina, Colômbia, Cuba, Chile e Peru em Portugal.
Cervantes com nova direcção
Com o Atlântico pelo Meio tem lugar no Instituto Cervantes em Lisboa, que, no âmbito das várias alterações feitas nas direcções europeias do Centro espanhol, tem no galego Ramiro Fonte o novo director.

O poeta, ensaista e professor de Literatura substitui assim Manuel Fontãn del Junco, que passa a dirigir o Instituto Cervantes em Nápoles.
O Instituto Cervantes está representado em Lisbo desde 1991, com o intuito de difundir e promover a língua castelhana e a cultura espanhola e hispano-americana.
A partir de hoje a Espanha já pode ler em castelhano a poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen e de Eugénio de Andrade. A editora Galaxia Gutenberg/Círculo de Lectores lançou hoje, em edição bilíngue, antologias de dois dos nomes mais sonantes da poesia portuguesesa.

Em Matéria Solar e Outros Livros os espnhóis poderão descobrir os poemas de oito das obras que Eugénio de Andrade publicou entre 1980 e 2002, através da tradução de Ángel Campos Pampáno. O tradutor confessa que «nunca conheci um poeta tão imerso no seu mundo, o mundo da poesia», como Eugénio.

Nocturno Meio Dia é o poema que dá título à antologia de uma poetisa que não é desconhecida dos espanhóis, já que em 2003 lhe foi atribuído o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-americana. Esta selecção de poemas percorre o vasto percurso de Sophia e é também traduzida por Ángel Campos Pampáno.
O prólogo de ambas as antologias está a cargo de Eduardo Lourenço. As edições são bilíngues por «respeito ao texto original e porque essa é a melhor forma de apresentar poesia», segundo Joan Torrida, responsável pela Galaxia Gutenberg/Círculo de Lectores, editora que já lançara em castelhano algumas das obras de Fernando Pessoa.

A publicação das antologias poéticas de Sophia e Eugénio teve o apio do Instituto Camões, do Instituto Português do Livro e da Embaixada de Portugal em Madrid. João Melo, representante do conselheiro de Cultura da embaixada portuguesa, exortou o editor a apostar no lançamento de poetas nacionais como Herberto Helder, Ruy Belo ou Jorge de Sena.
Sophia de Mello Breyner no MUITA LETRA
Eugénio de Andrade no MUITA LETRA
Após recolher 2300 assinaturas, a petição Salvem a Casa de Almeida Garrett! foi entregue à autarquia lisboeta, ao Instituto Camões e ao IPPAR (Instituto Português do Património Arquitectónico). Apesar da contestação, a demolição da última residencia do escritor já foi aprovada pelas autoridades camarárias.

A petição, a circular na Internet pela organização cívica Cidadania Lx, prevê que a Câmara Municipal de Lisboa classifique o edifício da Rua Saraiva de Carvalho, nº 68 como «património de interesse concelhio e aquela rua como conjunto de interesse municipal». Os autores da petição vão mais longe e sugerem que a casa seja dinamizada com actividades culturais e transformada em «casa-museu com um café-tertúlia».
A demolição da casa onde o autor de Folhas Caídas viveu entre 1852 e 1854 foi recentemente aprovada pela autarquia lisboeta. Segundo o Correio da Manhã, desde Setembro que o edifício se encontra em vias de ser demolido, já que foi adquirido por uma empresa privada que pretende construir, naquele espaço, um condomínio privado.
Esta decisão é tomada pelo pelouro da Cultura da Câmara de Lisboa após alguns meses de impasse, em que se chegou a anunciar e, posteriormente, a revogar a polémica demolição da casa que pertenceu a Almeida Garrett.
Este tem sido, aliás, um ano funesto para o legado do poeta e dramaturgo natural do Porto. Depois de os 150 anos sobre a sua morte terem passado quase em branco por parte das autoridades, agora é a casa onde viveu os dois últimos anos de vida e faleceu que tem um fim anunciado.
Almeida Garrett no MUITA LETRA
A Universidade do Porto vai atribuir o doutoramento honoris causa aos dois escritores. Agustina Bessa-Luís já tem a cerimónia de doutoramento agendada para 22 de Março. Quanto a Eugénio de Andrade, devido ao debilitado estado de saúde em que se encontra, não se adivinha ainda uma data para a cerimónia.

O doutoramento honoris causa de duas figuras proeminentes da cultura nacional e com fortes ligações à cidade do Porto foi proposto pelo professor Arnaldo Saraiva, em nome do Departamento de Línguas e Literaturas Modernas da Faculdade de Letras da UP. O senado da instituição aprovou a proposta por unanimidade.
Arnaldo Saraiva será, aliás, padrinho da autora de Mundo Fechado, numa cerimónia que coincidirá com o dia da Universidade do Porto, a 22 de Março.
Eugénio de Andrade, que comemorou recentemente 82 anos de vida, encontra-se doente e como tal não se sabe para quando a cerimónia em que o poeta de As Mãos e os Frutos receberá o doutoramento.
Recorde-se que esta é a primeira vez que a UP atribui um doutoramento honoris causa a dois escritores.
Agustina Bessa-Luís no MUITA LETRA
Eugénio de Andrade no MUITA LETRA
O aterro sanitário do Vale do Lima e Baixo Cávado, situado em Vila Fria, Viana do Castelo, vai dar lugar a uma biblioteca. José Emílio Viana, responsável pela triagem do aterro, tem vindo a recolher obras raras, com as quais se formará uma biblioteca no pequeno auditório do aterro. Entre o "lixo", Viana recolheu, entre outros, o IV volume dos Discursos e Notas Políticas, de António Oliveira Salazar ou uma edição d´As Vinhas da Ira, de John Steinbeck.

O responsável do aterro terá reunido cerca de quatro dezenas de obras, encontradas no aterro, durante um período de três anos. José Emílo Viana explica que «até aqui, apenas recolhia os livros que mais me interessavam ou chamavam a atenção, mas, a partir do momento em que se avançou com a ideia de criar uma biblioteca, vou passar a guardar praticamente tudo o que chegar em bom estado à triagem».
Um dicionário de Francez-Português, com data de 1866, e um outro de Latim-Portuguez são alguns dos "tesouros" escondidos sob o lixo. O Cofre das Anedotas, de 1887, um manual de História de Portugal da 4ª Classe, editado em 1949 ou um missal de 1851 são outras das obras recolhidas. Esta última encontra-se na posse de um funcionário do aterro sanitário e ainda não é certa a sua presença na futura biblioteca.
Mas José Emílio Viana já garantiu a presença de, por exemplo, O Dinheiro, de Emile Zola, de uma edição datada de 1974 da obra prima de Steinbeck, As Vinhas da Ira ou do IV Volume dos Discursos e Notas Políticas, de Salazar, editado em 1951 e que, como se pode depreender pelas folhas ainda unidas, não chegou a ser lido.
A administração do aterro garante que a biblioteca será uma realidade «a muito curto prazo» e até já encomendou as prateleiras que se destinarão a acolher estas obras raras e até aqui tão mal tratadas.
A Câmara Municipal de Gouveia lançou um DVD documental sobre a vida e a obra de Vergílio Ferreira. Desta forma, a autarquia pretende preservar a memória do escritor, natural do concelho, e, simultaneamente, homenageá-lo.

O DVD contem testemunhos do próprio autor de Aparição, captados pelo realizador Lauro António, de Regina Kasprzkowky e de José Rodrigues, mulher e cunhado de Vergílio Ferreira, respectivamente.
Uma visita a Melo, terra natal do escritor, e uma apresentação do seu espólio literário e pessoal, que se encontra na Biblioteca Municipal Vergílio Ferreira, em Gouveia, são outros dos documentos incluídos neste DVD multimédia.
Vergílio Ferreira: obra completa
A leitura pública no Portugal contemporâneo 1926- 1987 é uma análise histórica ao funcionamento e papel social das bibliotecas públicas em Portugal. A obra, da autoria de Daniel Melo, tem a chancela do Instituto de Ciências Sociais (ICS) e é hoje lançada na Livraria Ler Devagar, em Lisboa.

Uma análise à evolução e ao funcionamento da leitura pública no Portugal do século XX é o que podemos encontrar nesta versão revista e resumida da tese de doutormamento de Daniel Melo.
A leitura gratuíta, o empréstimo de livros e o acesso livre às estantes das bibliotecas são os vectores que guiam o autor nesta avaliação da leitura pública desde o Estado Novo até ao final do século XX.
Segundo Daniel Melo, é através da tutela do Estado «que a comunidade assume para si a leitura pública como um projecto nacional».
A obra versa igualmente sobre a alfabetização e a leitura pública, ilustrando a sua evolução com dados estatísticos. As bibliotecas municipais e populares, as bibliotecas ambulantes, as escolares ou as bibliotecas públicas distritais são outros dos temas que a obra de Daniel Melo não deixa de focar.
A leitura pública no Portugal contemporâneo 1926- 1987 é editado pelo ICS e, ainda em 2003, ano da sua conclusão, foi-lhe atribuído o Prémio de História Contemporânea Victor de Sá pelo Conselho Cultural da Universidade do Minho.
A obra é apresentada hoje à 19:30 horas, na Livraria Ler Devagar, pelo director da Biblioteca Pública de Braga, Henrique Barreto Nunes.
Bibliotecas públicas no MUITA LETRA
O português Nobel da Literatura é o principal convidado da 8ª edição da Feira do Livro da Costa Rica.

Mario Castillo, organizador do certame que se realizará entre 24 de Junho e 3 de Julho, justificou o convite ao autor de Memorial do Convento, dizendo que Saramago é «um escritor que promove o pensamento crítico e que dá grande apoio às causas humanitárias e antibélicas».
As expectativas confirmaram-se e Andrea Levy é a vencedora do Whitbread Book of The Year, um dos mais conceituados prémios literários britânicos.

Segundo o júri, liderado pelo apresentador de televisão Trevor McDonald e do qual também fez parte o actor Hugh Grant, Small Island, romance de Andrea Levy, venceu «de forma clara».
Levy, por sua vez, afirmou que «nem por sonhos» esperava vencer o prestigiado galardão, mas mostra-se satisfeita, já que os 35.700 euros do prémio lhe permitirão «escrever um novo livro».
Desde o início de Janeiro que, como o MUITA LETRA noticiou, Andrea Levy era tida como a principal favorita ao Whitbread Book of the Year, depois de lhe ter sido atribuído o mesmo galardão na categoria de romance, igualmente para Small Island.
A escritora, britânica de origem jamaicana, retrata nesta obra a convivência entre ingleses e jamaicanos nas ilhas britânicas do pós-II Guerra Mundial.
No dia em que recebeu das mãos do Presidente da República o Prémio Fernando Namora e a Grande Ordem de Santiago da Espada, António Lobo Antunes não perdeu a oportunidade de dedicar as condecorações aos escritores portugueses, «muitas vezes desdenhados».

Em declarações à Agência Lusa, o autor de Boa Tarde às Coisas Aqui em Baixo mostrou «satisfação e alguma surpresa» pelas condecorações, e dedicou-as aos escritores que não podem viver da escrita e que «têm de andar a roubar horas ao final do dia para poder escrever». Para Lobo Antunes, «a cultura tem sido muito mal tratada pelos sucessivos governos desde o 25 de Abril».
O Prémio Fernando Namora foi entregue ao escritor pelas mãos da «amiga» Agustina Bessa-Luís, presidente do júri, e a Grande Ordem de Santiago da Espada, a mais alta condecoração para as artes e ciências, foi-lhe atribuída por Jorge Sampaio. O Presidente da República disse-se «reconfortado» por tanto Lobo Antunes como Bessa-Luís «ajudarem a representar Portugal lá fora».
Agustina Bessa-Luís no MUITA LETRA
Um exemplar da obra, datado de 1644, foi leiloado em Lisboa. Quem quis levar Os Lusíadas para casa teve de pagar 2600 euros.

O leilão, organizado pela agência Leiria e Nascimento, juntou, para além da obra de Camões, outros 450 exemplares de edições raras e manuscritos e pergaminhos.
450 exemplares, algumas edições raras e até um manuscrito em pergaminho. Obras de autores estrangeiros, versando sobre Portugal, eram outro dos pratos fortes deste leilão.
Quanto ao exemplar de Os Lusíadas, datado de 1644, foi lavado, espelhado e remarginado em papel japonês e econtrava-se em bom estado de conservação. A encadernação do livro compunha-se de pergaminhos e pequenos motivos a ouro.
A base de licitação da obra estava situada entre os 1000 e os 1500 euros, mas houve quem oferecesse 2600 euros, acabando por levar para casa este exemplar único d´Os Lusíadas.
O leilão decorreu na passada quarta-feira, o Palácio de Exposições da Tapada da Ajuda, em Lisboa.
Poesia, ensino, ensaio ou política são algumas das áreas onde este eborense de 60 anos vai deixando as suas marcas. O vencedor do Prémio Dom Diniz estreou-se na poesia aos 45 anos de idade, mas os três volumes de poesia que, desde então, publicou, já lhe valeram alguns prémios.

Manuel Gusmão é membro da Associação Internacional de Literatura Comparada e fundador da Associação Portuguesa de Literatura Comparada. Ao gosto pela literatura junta o ensino de Literatura Portuguesa, Literatura Francesa e Teoria da Literatura na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Licenciou-se em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa. O doutoramento foi feito com uma tese sobre a poética de Francis Ponge, em 1987 e desde então a obra de Manuel Gusmão tem sido fértil no ensaio poético. A Poesia de Carlos Oliveira (1981), O Poema Impossível: o `Fausto` de Pessoa (1986), A Poesia de Alberto Caeiro (1986) e Poemas de Ricardo Reis (1992) são exemplos da dedicação do poeta ao estudo da literatura.
Em 2002 escreveu o libreto da ópera Os Dias Levantados, de António Pinho Vargas.
A política não o deixou indiferente e, durante a 1ª legislatura da Assembleia da República, o eborense foi deputado pelo PCP à Assembleia Constituinte. É membro do Comité Central e foi mandatário pelos comunistas portugueses ao Parlamento Europeu em 2004.
Gusmão foi fundador da revista de estudos literários franceses Ariane e da Dedalus, da Associação Portuguesa de Literatura Comparada. Começou a publicar poesia há apenas década e meia, mas já ganhou o Prémio Pen Club de Poesia em 1997, por Mapas o Assombro a Sombra. Teatros do Tempo, de 2001, valeu-lhe o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores e o Prémio de Poesia Luís Miguel Nava.
É-lhe agora atribuído o Prémio Dom Diniz pelo seu mais recente livro, Migrações de Fogo, publicado em Setembro de 2004 pela Caminho, tal como os restantes dois volumes de poesia de que é autor.
Migrações de Fogo, de Manuel Gusmão, foi o livro escolhido pelo júri do Prémio Dom Diniz. O poeta, que se considera «um pouco arcaiaco», revelou-se surpreendido e satisfeito por ter ganho o Prémio, cujo nome é o de «um rei-poeta».

Vasco Graça Moura, Fernando Pinto do Amaral e Nuno Júdice elegeram por unanimidade a obra do poeta e ensaista de Évora. Este consenso surpreendeu Manuel Gusmão, pois o júri era composto por «poetas com modos de entender e praticar a poesia muito distintos».
O poeta, que já venceu o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores e o Prémio de Poesia Luís Miguel Nava, por Teatro do Tempo, diz que a sua poesia apresenta «traços muito negros, no modo como são abordados o mundo e os afectos», e que não é «a mais actual», já que segue «por um caminho diferente daquele que alguns consideram ser o caminho futuro da poesia».
Em declarações à Agência Lusa, o autor de Migrações de Fogo anuncia para breve a publicação de vários ensaios sobre poesia, literatura e mesmo sobre as poetisas Fiama Hasse Pais Brandão, Luíza Neto Jorge, Maria Velho da Costa e Maria Gabriela Llansol.
O Prémio Dom Diniz, instituído pela Fundação da Casa de Mateus, já contemplou autores como António Lobo Antunes, José Cardoso Pires ou Lídia Jorge.
No mesmo dia em que recebe o Prémio Fernando Namora, António Lobo Antunes é condecorado com a Grã-Cruz da Ordem de Sant'Iago da Espada. Dia 25 de Janeiro, o Presidente da República entrega pessoalmente a condecoração ao autor de Boa Tarde às Coisas Aqui em Baixo.

É, aliás, pelo seu penúltimo romance que Lobo Antunes recebe o Prémio Literário Fernando Namora deste ano. O júri do prémio, presidido por Agustina Bessa-Luís, elegeu por unanimidade a obra de Lobo Antunes.
Durante a entrega do galardão, a autora d´A Sibila apresentará uma dissertação sobre a obra do vencedor do prémio. A cerimónia irá decorrer no auditório do Casino Estoril.
Jore Sampaio, «admirador devotado» de Lobo Antunes, deverá também falar sobre o autor durante a entrega do Prémio Fernando Namora. Na mesma cerimónia, o Presidente da República irá entregar ao escritor as s insígnias da Grã-Cruz da Ordem de Sant'Iago da Espada.
Aquando da comemoração dos 25 anos de vida literária do autor de Memória de Elefante, Sampaio declarara ser Lobo Antunes «autor de uma obra de uma força e originalidade ímpares»
À edição deste ano do Prémio Fernando Namora concorreram mais de uma centena de obras. O prémio vai na oitava edição e tem um valor pecuniário de 15 mil euros.
José Leal Loureiro vai comprar a livraria lisboeta, juntamente com um grupo de sócios. O director-geral garante que a compra se realizará em Maio, mas ainda não revelou os nomes dos futuros sócios. O anúncio da compra surge numa altura em que são conhecidas as dificuldades financeiras que a Buchholz atravessa.

Em declarações ao jornal Público, José Leal Loureiro garantiu a continuidade da livraria lisboeta que, segundo uma carta anónima enviada à semanas para várias redacções noticiosas, está em situação de pré-falência. O actual director-geral vai liderar um grupo de sócios na aquisição do espaço.
Leal Loureiro desmentiu, há dias, como o MUITA LETRA noticiou, o conteúdo da carta anónima e garantiu que a livraria está a recuperar da crise. As editoras Europa América, Caminho, Asa e Difel já retomaram a distribuição de livros à Buchholz, que entretanto haviam cessado, por falta de pagamento.
Actualmente, Karin de Sousa Ferreira, que detém 60% do capital, e um amigo anónimo, que detém 40%, são os proprietários da Buchholz.
Leal Loureiro exerce o cargo de director-geral da livraria há cerca de um mês.
A Póvoa do Varzim vai ser palco de um encontro de escritores de todo o mundo. Entre 16 e 19 de Fevereiro, meia centena de escritores, entre os quais Mário Cláudio, Urbano Tavares Rodrigues ou Luís Fernando Veríssimo juntam-se para a 6ª edição de Correntes D´Escritas.

Rui Zink, Nuno Júdice, Amadeu Baptista, Maria do Rosário Pedreira, Luísa Dacosta, Ana Paula Tavares, Luís Carlos Patraquim, Vergílio Alberto Vieira, Maria Alexandre Dáskalos, Miguel Miranda, Pedro Sena-Lino e Onésimo Teotónio Almeida são outros dos autores que vão estar presente no evento.
Países lusófonos e da América Latina, para além de Espnah, já têm presença assegurada no encontro, organizado pela Câmara Municipal da Póvoa do Varzim.
Correntes D´Escritas, que vai na 6º edição, é um dos maiores encontros internacionais de escritores e tem como objectivo debater tudo o que à literatura diga respeito.
Correntes D´Escritas: edições anteriores
A escritora londrina venceu, na categoria de romance, um dos mais importantes prémios britânicos. Small Island é já a mais forte candidata ao Whitbread Book of the Year.

Este é o quarto romance de Andrea Levy. Small Islands cruza personagens jamaicanos e ingleses nas ilhas britânicas de 1948. Levy, de ascendência jamaicana, explora, nos seus livros, várias perspectivas sobre a vivência dos emigrantes jamaicanos de segunda geração.

A obra venceu o Whitbread Award, na categoria de romance, e é já a grande favorita ao Whitbread Book of the Year, que será anunciado a 25 de Janeiro.
Andrea Levy tem 49 anos e, antes do Whitbread Award, havia recebido o Arts Council Writers Award e o Orange Prize for Fiction. A escritora londrina também escreve "short stories", lidas em rádios e publicadas em jornais e antologias.
O escritor catalão foi galardoado pelo romance Un Encargo Dificil. Nenhuma das obras de Pedro Zarraluki se encontra publicada em português.

O galardão, no valor de 18 mil euros, é o mais antigo da literatura espanhola e um dos mais prestigiados.
Un Encargo Dificil foi escolhido, na final, a Los Cazadores de Luz, de Nicolás Casariego. No total, concorreram ao Nadal deste ano 273 obras.
O romance desenrola-se no pós-Guerra Civil Espanhola, quando a esposa e a filha de um opositor a Franco são enviadas para o desterro. Zarraluki, que dedicou os últimos três anos a este Encargo, considera que o romance conjuga entretenimento e consciência social.
Ao receber o galardão, aliás, o escritor catalão dedicou-o à recentemente falecida Susan Sontag que, segundo Zarraluki, também recorria à literatura para «nutrir a consciência».
Sobre Pedro Zarraluki
Pedro Zarraluki nasceu em Barcelona, em 1954. Tornou-se notado pela crítica depois de La Noche del Tramoyista.
Com El Responsable de Las Ranas começa a catadupa de prémios de que é detentor: Ciudad de Barcelona e Ojo crítico de Radio Nacional de España.
Em 1997, com La Historia del Silencio, conquista o Herralde.
Apesar de premiado e reconhecido pela crítica, Zarraluki ainda não é um escritor de popularidade firmada. As suas obras encontram-se traduzidas em sete idiomas, sendo que o português não é um deles.
Depois de uma denúncia anónima, dando conta da situação de falêcia da Buchholz, ter chegado a várias redacções de informação, José Leal Loureiro, director-geral, admite a crise, mas nega o fim da livraria lisboeta.

«A livraria teve um período de dificuldades, relacionado com a própria conjuntura do país, mas agora vai retomar os eventos que costuma acolher», afirma o novo director-geral da livraria, até porque «alguns importantes editores que tinham cessado os fornecimentos devido às dificuldades financeiras da Buchholz já os retomaram, caso da Difel/Gótica, Caminho, Europa-América ou Dinalivro».
Em declarações à Agência Lusa, José Leal Loureiro foi mais longe e revelou que a Buchholz se prepara para reentrar em força no mercado livreiro: «a livraria encontra-se a preparar um reforço de capital, e está a tentar incrementar as vendas e reduzir alguns custos, com vista a voltar a funcionar em pleno».
A livraria foi obrigada a dar sinais de vida no seguimento de uma carta anónima, enviada a vários órgãos de comunicação social, que assegurava a eminente falência da Buchholz. A carta continha também um apelo aos apreciadores de obras raras ou em idiomas estrangeiros para que ajudassem à recuperação da livraria, especializada neste tipo de livros.
Buchholz há 70 anos em Lisboa
A histórica livraria foi fundada em 1943 pelo alemão Karl Buchholz, que em Portugal encontrou refúgio da sua Berlim natal, destruída por bombardeamentos.
A venda de autores proibídos na Alemanha nazi, como Thomas Mann, obrigou-o a exercer fora de portas a profissão de livreiro. Buchholz não foi, no entanto, um opositor ao regime de Hitler.
Inicialmente a livraria estava situada em Lisboa na Avenida da Liberdade e só em 1965 se instalou na rua Duque de Palmela. É palco constante de tertúlias, convívios e apresentações de livros.
Não sendo especialista em nenhum género de livro, a Buchholz é conhecida pelas obras raras, estrangeiras e, igualmente, pelas de ciência política.
Harry Potter and the Half Blood Prince já pode ser encomendado numa livraria online.

O sexto volume da saga escrita por J. K. Rowling estará à venda em Inglaterra a 16 de Julho, mas quem não quiser correr o risco de o ver esgotar em algumas horas pode pré-encomendar o livro na livraria online Webboom.pt.
A livraria assegura a entrega do volume, no original inglês, na data de lançamento oficial do livro. As pré-ecomendas bebnificiam, para além disso, de um desconto de 20% sobre o preço da obra.
Record de vendas em perspectiva
A Amazon.co.uk, que também vende o livro na internet, anunciou há semanas que as pré-encomendas de Harry Potter and the Half Blood Prince já o haviam colocado netre os 100 mais vendidos.
Recorde-se que os cinco primeiros volumes das aventuras do feiticeiro de J. K. Rowling venderam 250 milhões de exemplares em todo o mundo e encontram-se traduzidos em 60 idiomas.
Em Portugal o lançamento de Harry Potter e a Ordem da Fénix foi feito no Panteão Nacional. O livro vendeu 200 mil exemplers no nosso país.
Cerejas - Poemas de Amor de Autores Portugueses Contemporâneos, antologia organizada por Gonçalo Salvado, reúne textos e desenhos de cerca de uma centena de poetas-pintores. Neste diálogo entre poesia e pintura, a cereja e o amor são presenças constantes.

A obra tem lançamento marcado para 6 de Janeiro, na Culturgest, em Lisboa. Ilustrada por 30 pintores, Cerejas... conta com prefácio de Eduardo Lourenço e posfácio de António Ramos Rosa.
Representados na obra estão nomes tão diversos como Teixeira de Pascoaes, Ana Hatherly, Júlio Saúl Dias, Fernando Grade, Júlio Pomar, Júlio Resende, Siza Vieira ou Gonçalo Salvado.
Este último é responsável, em colaboração com a a crítica de arte Maria João Fernandes, pela selecção de textos e gravuras da antologia, uma edição conjunta da Câmara Municipal do Fundão e da editora Tágides.
Desenhos de António Ramos Rosa vão estar em exposição na Galeria de São Bento, em Lisboa, e um álbum de desenhos e poemas inéditos, Vogal Viva vai ser lançado pelo Centro Português de Serigrafia. O poeta celebrou, em 2004, 80 anos e estas iniciativas inserem-se no âmbito das comemorações.

A mostra de desenhos de Ramos Rosa inicia-se a 15 de Janeiro, seguida do lançamento de Vogal Viva, álbum de poemas e desenhos inéditos da autoria do poeta algarvio, que irá ainda participar na antologia de poemas de amor Cerejas - Poemas de Amor de Autores Portugueses Contemporâneos, organizada por Gonçalo Salvado.
A antologia conta com posfácio de Ramos Rosa, assim como com um texto lido pelo poeta em 2003, na Universidade de Faro, aquando da cerimónia em que foi distinguido com um Doutoramento Honoris Causa.
Este ano, ninguém sentiu a falta de Kundera, Salman Rushdie ou de outros dos eternos candidatos ao Nobel. Elfriede Jelinek enche as medidas do estatuto de escritora genial e cumpre o objectivo primordial do galardão: dar reconhecimento a escritores que, pela sua obra, o merecem, mas não o têm.

Esta austríaca de 57 anos e ar de anti-estrela pop era desconhecida para grande parte do público até ser distinguida pela Academia Sueca. Controversa no seu país, acusada de «cuspir no ninho» em que nasceu e de utilizar, nos seus livros, a pornografia de forma gratuita, Jelinek deu-se a conhecer e marcou o seu território: afirmou que se recusava a ser «a flor na lapela da Áustria» e esperou que a Academia lhe fosse a casa levar o Nobel.
A 10ª mulher a receber o mais desejado galardão literário escolheu a escrita como forma de revolta (no seu caso particular contra a autoridade maternal, que pretendia fazer dela uma pianista) e o seu estilo cru e as imagens obscenas (e aqui uso a palavra com o sentido latino de obscenu, algo que está escondido, fora de cena, e não com o sentído que grande parte dos críticos da escritora utiliza) que impinge ao espírito do leitor, aliada a uma concepção das personagens femininas que a muitos talvez cause repulsa, valeu-lhe o epíteto de feminista.
Penso que só podemos ver Jelinek enquanto feminista se definirmos feminismo como a consciência lúcida, sem culpabilização nem vitimização, que as mulheres têm do papel que ocupam na sociedade e no jogo de sexos. Porque a escritora é, sem dúvida, uma mulher consciente de que o é, que conhece as condicionantes do seu sexo.
É obvio que a etiqueta do feminismo vai sempre bem com uma escritora, mas não me parece que Jelinek o seja. Veja-se A Pianista, em que a humilhação é palavra-chave, não da personagem de que seria mais óbvio (o aluno Klemmer “põe-se a jeito”), mas sim da mulher, Erika Kohut.
Jelinek vale já muito pelo pouco da sua obra disponível em português, de que a restante não deverá ficar atrás. Vale também por ter mantido os seus rancores contra a Áustria, mesmo que não fique bem na fotografia do Nobel. E, principlamente, vale por essa obscenidade, que muitos criticam e outros tantos chamam de pornografia. Não são imagens novas, perspectivas e sentimentos que não conhecíamos, que queremos de um escritor?
É para António Lobo Antunes que vai o voto do MUITA LETRA para escritor nacional do ano. Não só pelos 25 anos de «vida literária» mas, principalmente, porque cada livro seu é uma surpresa renovada e porque a força e a originalidade da sua escrita são cada vez maiores.

Nasceu há 62 anos, em Lisboa, mas foi em Angola que se fez homem, desencantado e perseguido pelos fantasmas de uma guerra que, como o diabo com quem se pactua, lhe roubou a inocência, dando-lhe em troca o material em bruto para Os Cus de Judas e Memória de Elefante. Estávamos em 1979, e o panorama literário português recebia um duplo choque: os horrores da guerra colonial, tão rechaçados pela psique colectiva, eram contados na primeira pessoa por um escritor cuja linguagem e estilo inovavam.
25 anos passados, António Lobo Antunes deu-nos 17 romances e um eterno candidato português a mais um Nobel. Não será necessário um selo de autenticação da Academia Sueca para se reconhecer neste homem um escritor que se vai continuar a ler por todo o mundo por muitos anos. Ele próprio diz que escreve para o fazer «como ninguém». Já o conseguiu. Também diz que lhe soa «pretensiosa» a expressão «vida literária» e espera não ter «o mau gosto» de por cá andar mais 25 anos.
Formado em medicina psiquiátrica, dedica-se em exclusivo à escrita desde 1985. Talvez escreva mais dois ou três romances, diz em entrevistas várias, que lhe pediram por ocasião da celebração do tal quarto de século desde a publicação de Memória de Elefante. Porque nos livros se trava conhecimento com «pessoas melhores do que nós», porque os livros, ao serem escritos, exigem «humildade» ao artesão que o escreve.
Só em 2004 caíram-lhe nas mãos uma condecoração por parte do Presidente da República e o Jerusalem Prize, para além de toda uma gama de homenagens e comemorações dos seus 25 anos enquanto escritor publicado e amado. Mas, acima de tudo, este foi o ano da publicação de Eu Hei-de Amar uma Pedra, o seu mais recente romance. Lobo Antunes não envelhece a escrever, não se torna sensato. Antes, renova-se e surpreende-nos a cada nova linha.
Ele foi um rapaz bonito de olhos azuis, como as fotografias podem comprovar. Dentro do livro continua a sê-lo, um adolescente sedutor e rebelde que usa as palavras de modo insólito e sensual.
Os Livros valeu ao escritor portuense um galardão, no valor de 5000 euros, que já foi atribuído a nomes como Sophia de Mello Breyner ou Fernando Guimarães.

O júri do Prémio, presidido por Gastão Cruz, atribuiu por maioria o Prémio a Manuel António Pina.
O jornalista, poeta e escritor de livros infantis já havia ganho outros importantes galardões, como o Prémio Calouste Gulbenkian para o melhor livro publicado em Portugal em 1986/1987, com O Inventão.
O Prémio Luís Miguel nava foi instituído pela Fundação do mesmo nome, segundo uma das cláusulas do testamento do poeta e, em edições anteriores, já distinguiu Sophia de Mello Breyner Andresen, Fernando Echevarria, António Franco Alexandre, Armando Silva Carvalho, Manuel Gusmão ou Fernando Guimarães.
O escritor português prepara-se para lançar dois livros já no próximo ano. A publicação de O Dissoluto Absolvido e de As Intermitências da Morte foi já anunciada pela Caminho, editora de Saramago.

As Intermitências da Morte, próximo romance do autor, será lançado em Outubro.
Ainda antes, em Abril, Saramago deverá ver publicado o compêndio de teatro O Dissoluto Absolvido.
Salman Rushdie, o autor de Versículos Satânicos, protestou contra a suspensão de Bezhtie (Desonra) pelo Governo britânico. A peça, escrita por Gurpreet Kaur Bhatti, membro da comunidade sikh do Reino Unido, provocou violentos protestos por parte dessa mesma comunidade.
Fonte: BBC News

Rushdie, vencedor do Booker Prize em 1993, confessou-se, em declarações ao The Sunday Telegraph, «horrorizado com a resposta [do Governo britânico]. É terrível ouvir ministros aprovarem a suspensão [da peça] e não condenarem a violência, quando deviam apoiar a liberdade de expressão».
Recorde-se que Behzti foi cancelada há pouca mais de uma semana, depois de grupos sikh terem provocado distúrbios durante a exibição no Birmingham Repertory Theatre. Os motivos do protesto prendem-se com o facto de o guião conter uma cena de violação num templo sikh.

Grupos sikh em protesto contra Bezhtie
O autor de Versículos Satânicos, contra o qual foi lançada a "fatwa" pelo Ayatollah Khomeini, em 1989, afirma que «os manifestantes sikh adoptaram as mesmas tácticas de violência utilizadas na Índia» e mostrou-se irritado com a cedência das autoridades inglesas, dizendo que «se ficar chateado é o único requisito para banir qualquer coisa então não haveria nada nos teatros».
Veja os melhores livros estrangeiros de 2004, segundo as escolhas do MUITA LETRA.

A Pianista, Elfriede Jelinek, Asa (*)
O Cão Amarelo, Martin Amis, Teorema
Snow, Orhan Pamuk, (não disponível em português)
O Mesmo Mar, Amos Oz, Asa
Suite Française, Irène Némirovsky, (não disponível em português)

O Código Da Vinci, Dan Brown, Bertrand
A Noite do Oráculo, Paul Auster
Le Soleil des Scorta, Laurent Gaudé, (a publicar pela Asa)

The Line of Beauty, Alan Hollinghurst, (não disponível em português)
Memorias de mis Putas Tristes, Gabriel Garcia Marquez (não disponível em português)
(*) Publicado originalmente em 1983, A Pianista é a obra mais célebre de uma autora que só se tornou globalmente conhecida após receber o Nobel deste ano. Por esse motivo decidi incluir A Pianista entre os 10 melhores livros de 2004.
2005 é o ano em que se assinalam os quatro séculos desde a publicação daquele que estreou o romance enquanto género literário. Dom Quixote de La Mancha, a obra-prima de Cervantes, foi também a primeira edição a ser um best-seller e um pouco por todo o mundo já se preparam os festejos do seu aniversário.

Foi a 20 de Dezembro de 1604 e a 16 de Janeiro de 1605 que os primeiro exemplares de Dom Quixote de La Mancha saíram da tipografia madrilena Juan de la Cuesta. O primeiro best-seller da história da edição continua a merecer, 400 anos depois, honras de fundador da literartura moderna ocidental.
Para assinalar a efeméride, o Governo espanhol criou uma comissão especial de comemoração, com um orçamento de 30 milhões de euros e que já disponibilizou na internet uma página dedicada ao mítico personagem de Cervantes.
Mas as comemorações não se esgotam por aqui e o Ministério da Cultura espanhol apoia também as várias iniciativas que vão ocorrer em diferentes pontos do globo para assinalar a data.
Roteiro das comemorações
A cidade de Bolonha, em Itália, abre a as hostilidades com a Feira do Livro Infantil, que decorrerá entre 13 e 16 de Abril de 2005 e contará com uma exposição alusiva a Dom Quixote e ao seu autor.
Os Tapetes de Dom Quixote, uma mostra de tapetes com cenas alusivas ao livro, vai marcar presença em Dallas, no Texas, Estados Unidos da América, entre 8 e 15 de Setembro.
Os centros culturais espanhóis espalhados pelo mundo e as Feiras do Livro internacionais vão receber a exposição itinerante Quatrocentos anos de Dom Quixote através do Mundo, que conta com pinturas, desenhos e gravuras em que Dom Quixote tem o papel principal.
2000 eventos na terra natal de Dom Quixote
Siguenza, 90 Quilómetros a norte de Madrid, é a cidade natal do heróis de Cervantes, e vai contar com mais de 2000 eventos de celebração do aniversário de Dom Quixote.
É já a 27 deste mês que Woody Allen e a sua banda de jazz actuam em Guadalajara, no âmbito das comemorções.
Haverá também conferências dedicadas aos moínhos, exposições de fotografia e pintura, actuações teatrais, música, dança e marionetas.
A organização dos eventos está a cargo das autoridades da região, que apostam na conjugação de todos os géneros artísticos. Neste sentido, vão ser igualmente lançadas várias edições de e sobre Dom Quixote de La Mancha.
Portugal não respeita a directiva comunitária que exige o pagamento de taxa de utilização das bibliotecas públicas e vai ser levado a tribunal pela Comissão Europeia. Bruxelas quer assim defender os direitos de autor, que diz estarem ameaçados pela utilização gratuíta das obras nas bibliotecas públicas.
Fonte: Jornal de Notícias

Em causa está o desprespeito pela directiva comunitária 92/100/CE, que pretende proteger financeiramente os autores já que, segundo a Comissão Europeia, a ausência de taxas na consulta de livros tem «efeitos negativos na sua venda».
O director do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas (IPLB) já se pronunciou sobre o anúncio de Bruxelas. Em declarações ao Jornal de Notícias, Rui Pereira explica que, com a entrada em vigor da directiva europeia, será o Estado (através do IPLB, organismo que tutela a rede de bibliotecas públicas) a suportar as taxas de utilização.
Os custos estarão na ordem dos quatro milhões de euros anuais, pelo que «é a própria Rede Nacional de Bibliotecas Públicas que pode ser colocada em causa».
Bibliotecários falam em «catástrofe»
Associação de Bibliotecários Portugueses (ABP) está preocupada com os efeitos «catastróficos» da eventual aplicação da directiva comunitária 92/100/CE e pôs a circular uma petição on-line que contesta a lei e que conta já com 20 000 assinaturas.
A ABP afirma que, para além do efeito negativo da taxa nas bibliotecas, os próprios autores serão lesados pela directiva comunitárias, já que «no mercado livreiro português, as bibliotecas representarão, em muitos casos, pelo menos 10% das vendas».
A excepção portuguesa
Para contornar a exigência de Bruxelas, Portugal vai evocar o flagelo da iliteracia com que o país se debate. A imposição de taxas aos utentes das bibliotecas públicas iría, assim, no sentido contrário ao do incentivo à leitura.
O Estado português vai também pedir uma moratória da decisão até 2012, ano em que se prevê que, no âmbito do Programa da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas, cada um dos 308 distritos nacionais conte com uma biblioteca pública.
Como o MUITA LETRA noticiou, a actual Rede Nacional de Bibliotecas Públicas conta com 143 bibliotecas inauguradas, às quais a Ministra da Cultura prometeu há dias acrescentar mais 77.
Os fãs do pequeno feiticeiro têm motivos para sorrir. Harry Potter and the Half-Blood Prince, o novo volume da saga criada por J. K. Rowling, já está concluído e vai ser lançado a 16 de Julho do próximo ano.
Fonte: Guardian

Depois de há dois anos o lançamento de Harry Potter e a Ordem da Fénix ter atingido vendas inaudíveis no mundo editorial, J. K Rowling promete continuar na senda do sucesso com o sexto volume das aventuras de Harry Potter.
Harry Potter and the Half-Blood Prince vai ter uma primeira edição em língua inglesa para Inglaterra, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e África do Sul, e só mais tarde estará disponível noutros idiomas.
O enredo do novo Harry Potter está ainda no segredo dos deuses, mas a autora adiantou que a ideia do primeiro capítulo da obra já existia há 13 anos.
Conhecendo-se o sucesso do antecessor deste livro, que vendeu cinco milhões de cópias nas 24 que precederam o seu lançamento, não é de estranhar que as acções da editora inglesa Bloomsbury na Bolsa de Londres tenham subido 7% após o anúncio de que estava pronto o novo volume.
A casa do escritor em Coimbra foi comprada pela autarquia, que quer montar uma casa-museu dedicada ao seu espólio.
Fonte: A Capital

Promover e estudar a obra do poeta de Trás-os-Montes através de colóquios, conferências e publicações é o plano da Câmara Municipal de Coimbra para a casa da Praça Sá de Miranda.
Para tal, será criado um Centro de Estudos Torguianos, dirigido pela professora da Faculdade de Letras, e actual vice-reitora da Universidade de Coimbra, Cristina Robalo Cordeiro.
Recorde-se que foi em Coimbra que Torga estudou e iniciou a actividade de médico.
A escritora e jornalista faleceu sexta-feira e foi a enterrar no Cemitério da ajuda, em Lisboa.
Fonte: Jornal de Notícias
Natércia Freire destacou-se na poesia e no conto. Colaborou com jornais e revistas e também, nos anos 40, com a Emissora Nacional.
Desde 1974 que andava longe das luzes da ribalta, participando muito raramente em algumas publicações periódicas. A notícia da sua morte foi dada por fonte próxima da Assírio & Alvim, editora da sua última antologia poética.
O Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes é hoje atribuído. Paixão, de Amadeu Baptista, e o póstumo Poesia, de Daniel Faria, são as obras vencedoras.
Fonte: Câmara Municipal de Amarante

O Prémio, no valor de 5000 euros, que a Câmara Municipal de Amarante atribui bi-anualmente premeia este ano a mais recente obra poética do poeta portuense Amadeu Baptista e a compilação, póstuma, da poesia de Daniel Faria.
Amadeu Baptista é membro da Associação Portuguesa de Escritores e colabora em várias publicações literárias. Está representado em várias antologias poéticas e estreou-se na poesia em 1982 com As Passagens Secretas.
Poesia é uma antologia da obra de Daniel Faria, poeta natural de Paredes falecido há cinco anos, quando contava apenas 28 de idade.
O Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes foi instituído em 1977, ano em que se assinalava o 120º aniversário do nascimento do poeta amarantino que lhe dá nome. Vai na sua 4ª edição e distinguiu anteriormente Paulo José Miranda, fernando Guimarães e Fernando Echevarría
São 77 as bibliotecas públicas que vão ser construídas em todo o país até 2012. O anúncio foi feito pela Ministra da Cultura, Maria João Bustorff Silva. A construção das bibliotecas públicas insere-se no Programa da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas.
Fonte: Lusa

Bibliotecas inauguradas e por inaugurar no âmbito do PRNBP
O anúncio foi feito hoje durante a inauguração da Biblioteca Municipal de Fronteira, construída ao abrigo do Programa da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas (PRNBP).
Maria João Bustorff Silva explicou que os custos da construção das 77 bibliotecas serão na ordem dos 50 milhões de euros e confessou que o PRNBP «tem-se revelado um grande sucesso, mas só produzirá efeitos a médio e longo prazo».
A Ministra da Cultura cita dados do INE, segundo os quais «nos últimos 12 meses 70 por cento da população do país não leu um livro», para justificar o investimento nas bibliotecas públicas.
O Programa da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas foi implementado em 1987 pela então Secretária de Estado da Cultura, Teresa Patrício Gouveia, e cobre actualmente 90% do território nacional, em que se contam 134 bibliotecas públicas.
O escritor portuense é distinguido com o mais importante galardão literário nacional.
Fonte: Agência Lusa

O autor de Gémeos vai assim receber um prémio no valor de 42.500 euros que o júri justifica com a «mestria da língua, a preocupação historiográfica, a tentação biográfica e a extraordinária invenção narrativa».
José Manuel Mende, presidente da Associação Portuguesa de Escritores, já se congratulou com a atribuição do Prémio Pessoa a Mário Cláudio, que classifica de «escritor raro».
A demonstar a importância do Prémio Pessoa, também já o Presidente da República se pronunciou, felicitando o escritor e considerando justa a distinção de «uma obra tão forte, vasta e diversa».
O Prémio Pessoa existe desde 1987 e foi criado pela Unisys Portugal e pelo jornal Expresso com o intuito de distinguir a personalidade que, anualmente, mais se destaca na arte ou na ciência nacional.
Frederico Lourenço vê cinco anos de trabalho serem premiados, ao receber o Grande Prémio APT/PEN Clube pela tradução da Odisseia de Homero.
Fonte: Público

A tradução, terminada no ano passado, é agora distinguinda pelo prémio conjunto do PEN Clube e da Associação Portuguesa de Tradutores.
O júri foi constituído por Ana Hatherly e por Casimiro de Brito, do PEN Clube, e por Annabela Rita, da Associação Portuguesa de Tradutores. O Prémio APT/PEN Club vai na 21ª edição e conta com o patrocínio do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas.
Depois da tradução do clássico de Homero, que levou cinco anos a ser concluida, Frederico Lourenço prepara já a tradução da Ilíada, do mesmo autor.
Frederico Lourenço também escreve ficção, tendo publicado recentemente Amar não Acaba, autobiografia da sua adolescência. Antes, lançara uma trilogia composta por Pode Um Desejo Imenso, O Curso das Estrelas e À Beira do Mundo.

Recorde-se que já em Fevereiro deste ano, como o MUITA LETRA noticiou, o autor havia sido distinguido com o Prémio Dom Diniz 2004, também referente à tradução da Odisseia.
Bibliografia de Frederico Lourenço
A cerimónia de entrega do Nobel da Literatura deste ano vai decorrer sem a presença da sua maior estrela. Elfriede Jelinek sofre de agorafobia e não vai estar presente em Estocolmo, na Suécia, para receber o galardão.
Fonte: Jornal de Notícias

A autora de A Pianista evita lugares e situações onde poderia sofrer um ataque de pânico e, por isso, vai receber o galardão (no valor de 1,1milhão de euros) apenas daqui a uma semana. Horace Engdahl, secretário-geral da Academia sueca, vai deslocar-se a Viena para entregá-lo em mãos à vencedora.
A cerimónia de entrega do Nobel decorre hoje, mas em vez da escritora austríaca os presentes vão apenas ter direito a uma declaração de Jelinek, gravada em vídeo em sua casa, em Viena.
"Abseits" (ausência) é uma gravação de 45 minutos em que Elfriede Jelinek não agradece a escolha da Academia, mas faz uma apologia do isolamento que, diz, é necessário ao trabalho de escrita.
Recorde-se que, numa das poucas entrevistas concedidas, Jelinek confessou que «qualquer tipo de atenção, ainda que positiva, é uma violação física» para si.
A entrega de uma gravação vídeo é inédita na história do Nobel da Literatura, que conta com 103 anos. O secretário-geral da Academia declarou que «é a primeira vez, na história do prémio Nobel, que um autor entrega uma gravação em vídeo substituindo a sua presença».
Assinalam-se hoje os 150 anos da morte de Almeida Garrett. Escritor, político e dinamizador do teatro português, a efeméride da sua morte está a passar ao lado das autoridades, segundo alguns cidadãos e agentes culturais.
Fonte: O Primeiro de Janeiro

No Porto, cidade natal do poeta, as mais chamativas iniciativas de homenagem a Garrett estão a ser levada a cabo por particulares.
O ex-presidente da Assembleia da República, António de Almeida Santos, os escritores Manuel António Pina e Mário Cláudio, o encenador João Luiz estão a organizar visitas a lugares da cidade marcantes na vida de Garrett, guiadas pelo historiador Germano Silva. Este grupo de cidadão acusa a Câmara Municipal do Porto de «desinteresse».
Mas a Câmara e o Governo não deixaram passar em branco o dia de hoje: o vereador da Cultura, António Sousa Lemos e o secretário de Estado da Educação, Diogo Feyo, visitaram esta manhã o vereador do pelouro da Cultura, António Sousa Lemos e o secretário de Estado da Educação, Diogo Feyo.
O secretário de estado da Educação presidiu ainda a uma homenagem da Escola Secundária Almeida Garrett àquele que lhe dá nome. Os alunos depositaram flores junto ao busto de Garrett e no edifício da escola foi inaugurada a Exposição Bibliográfica, subordinada à obra do escritor.
A autarquia colabora ainda com a Cooperativa Árvore, que tem agendada para dia 11 às 16:00 horas uma conferência dedicada ao poeta e dramaturgo portuense. Arnaldo Saraviva vai coordenar esta homenagem, a ter lugar na Biblioteca Municipal Almeida Garrett.
Esta noite será a vez de Salvato Trigo, reitor da Universidade Fernando Pessoa, homenagear a figura histórica de Garrett na Quinta da Bonjóia.
Apesar de ser frequentemente chamado de "pai do português moderno", o autor de Viagens da Minha Terra esteve quase para ser esquecido em dia de aniversário, como noticiou recentemente o MUITA LETRA.
A cadeia brasileira de livrarias Nobel prepara-se para tentar a sorte em Portugal. Está planeada a criação de 70 lojas em todo o país, incluíndo uma megastore em Lisboa até 2005. Para já, Aveiro recebe até ao Natal a primeira livraria Nobel.
Fonte: Público

A Livraria Académica, em Aveiro, criou uma parceria com a livraria brasileira e vai dar lugar ao primeiro espaço Nobel em Portugal. No Brasil, a rede Nobel estende-se a 140 lojas.
A aposta das Livrarias Nobel no nosso país deve-se ao grupo de contrutores e imobiliária Oroana, que detêm os direitos de franchising da Nobel.
Existente no Brasil desde 1943, a Nobel vende, para além de livros, jornais, revistas, e-books e artigos de papelaria.
A maior rede de livrarias do Brasil está já à procura de donos para as lojas em Portugal.
O mais desejado dos prémios literários espanhóis já tem dono. Rafael Sánchez Ferlosio foi este ano o escolhido pelo júri do Prémio Cervantes.
Fonte: Universia

O prestígio e os 82.000 euros do galardão foram sem dúvida um bom presente de aniversário, já que Sánchez Ferloso completou ontem 77 anos de idade.
O escritor, considerado um dos mais talentosos da geração de 50, alcançou o sucesso com El Jarama (best-seller em Espanha que lhe deu o Prémio Nadal, em 1955, e da Crítica, dois anos depois) e Industrias y Andanzas de Alfanhuí.
O Prémio Cervantes, instituído em 1976, é atribuído anualmente pelo Ministério da Cultura Espanhol a quem se destaque, pelo conjunto da sua obra, no enriquecimento da literatura hispânica.
Nomes como Francisco Umbral, Camilo José Cela ou Gonzalo Torrente Ballester já foram agraciados com o Cervantes e Ferlosio recebe o galardão numa altura em que a Espanha já prepara as comemorações do IV centenário daquele que é considerado o primeiro romance a ser escrito, Don Quijote de La Mancha (1605).
Em Portugal, só Andanças e Façanhas de Alfanhui foi publicado em 1996, pela Livros Cotovia. É de prever que, após este importante galardão, as restantes obras de Rafael Sánchez Ferlosio possam ser brevemente encontradas em português.
Primeira edição de Hobbit atingiu os 8560 euros num leilão na Inglaterra.
Fonte: BBC

O livro que antecedeu a trilogia de Tolkien foi publicado em 1937 e pertenceu sempre à mesma família. Neste livro o autor descreve a Terra Média que mais tarde será o palco das aventuras do senhor dos aneis.
A popularidade da obra de Tolkien foi impulsionada pelos filmes de Peter Jackson, o realizador que ganhou 13 óscares em 2003 com o último capítulo da trilogia.
O livro acabou por ficar nas mãos de um comprador local com menos 1700 contos no bolso, aproximadamente.
O responsável pelo leilão afirma que a popularidade de Tolkien não dá sinais de diminuição, toda a obra do autor é «intemperal e muitíssimo respeitada».
Turquia vai receber uma exposição sobre Fernando Pessoa. O Primeiro Ministro, Pedro Santana Lopes e a directora da Casa Fernando Pessoa, Clara Ferreira Alves, vão inaugurar sexta-feira «o labirinto Pessoano» instalado por João Francisco Vilhena na galeria Yapi Kredi Kultur.
Fonte: RTP
Última Fotografia de Fernando Pessoa
Fernando Pessoa e os Mundos Esotéricos de José Manuel Anes é o nome do mais recente livro sobre o Universo Pessoano. Inspirado nas novas descobertas deste autor, João Francisco Vilhena elaborou uma exposição sobre o esoterismo e a heteronímia do poeta.
Nesta exposição a infância de Pessoa é vista como um labirinto pessoal e a árvore assume um papel principal já que «tem uma natureza mágica forte», segundo o artista plástico.
A magia da escrita é, segundo José Manuel Anes, uma das facetas esotéricas presentes na obra do poeta e dos seus heterónimos. O mediunismo e a sociedade Rosa-Cruz fizeram parte da vida de Pessoa e intensificaram nele o gosto pelos Templários, pelo hermetismo, pela alquimia, pelo gnosticismo, pela maçonaria e pela teosofia.
Anes considera que «a obra pessoana assenta numa complexa estrutura esotérica», sendo por isso «um bom exemplo daquilo que se entende por uma literatura esotérica».
Prova disso é «um mundo intermediário entre o sensível e o inteligível, entre o imaginário e o simbólico» que o investigados afirma que Fernando Pessoa criou.
José Manuel Anes descreve o poeta como um «viandante»,«eternamente medium de si próprio e dos outros». Nesta perspectiva insere-se a exposição composta por João Francisco Vilhena que pretende evidenciar o misticismo e o mediunismo de Pessoa.
Esta faceta de Fernando Pessoa é bem conhecida. O Poeta chegou mesmo a traçar as cartas astrológicas dos seus heterónimos e a confessar à Tia Anica que acreditava ter tido uma experiência mediúnica envolvendo um dos seus textos.
Como o próprio poeta afirmou: o seu destino pertenceu a «outra Lei», «subordinado (...) à obediência a Mestres que não permitem nem perdoam».
Fernando Pessoa no MUITA LETRA.
Nadine Gordimer lançou o repto e mais de 20 escritores aceitaram o desafio. Telling Tales é a antologia de contos que resulta da participação de nomes como Saramago ou Woody Allen e as vendas revertem a favor da luta contra a sida.
Fonte: Diário Digital

Nadine Gordimer, coordenadora de Telling Stories
Margaret Atwood, Gunther Grass, Susan Sontag, Gabriel Garcia Marquez, Arthur Miller são outros dos autores que colaboram em Telling Tales. A coordenação da obra é da escritora sul-africana e Nobel da Literatura em 1991 Nadine Gordimer.
Nenhum dos textos se refere especificamente à doença, apesar da intenção ser doar os lucros do livro ao projecto Treatment Action Campaign, que fornece medicamentos a doentes com sida.
Nadine Gordimer é embaixadora da boa vontade nas Nações Unidas. O lançamento oficial será feito por Kofi Annan na véspera do Dia Mundial da Luta contra a Sida.
Telling Stories estará traduzido em 12 línguas. Ainda não é conhecida a data de publicação em Portugal.
Leia aqui alguns excertos da obra
Os dois poetas portugueses estão em destaque em dois ensaios lançados pela Roma Editora. Poética do Sensível, de José Fernando Castro Branco, destaca a «coerência estético-literária que caracteriza, de ponta a ponta, a poesia de Albano Martins». Interfaces do Olhar é uma antologia crítica de textos de vários autores sobre a poeta e pintora Ana Hatherly e compilada pela própria.
Fonte: Diário de Notícias

O ensaio de José Fernando Castro Branco é o resultado de uma tese de mestrado sobre Albano Martins. Poética do Sensível conta ainda com uma antologia de textos do poeta.

Interfaces do Olhar é composta por textos de vários autores (Ana Gabriela Macedo, Ana Marques Gastão, Casimiro de Brito, Elfriede Engelmayer, Fernando J. B. Martinho, Maria João Fernandes, Pedro Sena-Lino, Rogério Barbosa da Silva e Ruth Rosengarten) sobre o perfil multidisciplinar da obra de Hatherly que, para além da poesia, dedica-se também à pintura, ao ensaio e à investigação.
Estes ensaios fazem parte da colecção Faces de Vénus da Roma Editora, coordenada por Annabela Rita. A apresentação das obras decorreu no Instituto Camões, em Lisboa. Casimiro de Brito foi o responsável pela apresentação de Interfaces do Olhar.
O poeta e sócio da editora Quasi anunciou o seu afastamento do projecto em carta tornada pública, mas não apresentou os motivos do abandono.
Fonte: Diário Digital

valer hugo mãe (à esquerda) com Jorge Reis-Sá, co-fundador da Quasi
valter hugo mãe (assim mesmo, com minúsculas) era até agora, juntamente com Jorge Reis-Sá, o principal rosto da editora de Vila Nova de Famalicão. A Quasi foi fundada por ambos em 1999 e em 2000 tornou-se na empresa cultural Do Impensável, na qual se integra a editora.
A Quasi destaca-se pelo grande destaque dado à poesia e por, em alguns anos, ter dado a conhecer obras de poetas até então ignorados pelas editoras.
Nascido em 1971, em Angola, valter hugo mãe tem publicados, até ao momento, vários volumes de poesia, entre os quais O Resto da Minha Alegria Seguido de a Remoção das Almas, Útero ou Estou Escondido na Cor Amarga do Fim da Tarde. Em prosa, publicou O Nosso Reino.
Após a saída da Quasi, e sem especificar que projectos tem para o futuro, o poeta garante que vai continuar, no entanto, «no meio dos livros» e «disponível para todas as conversas para que me queiram».
Bibliografia completa de valter hugo mãe
Guardador de Almas, romance de Rui Vieira, foi a obra eleita na edição deste ano do Prémio Literário Cidade de Almada.
Fonte: Jornal de Notícias

O galardão, no valor de 5000 euros, foi atribuído por um júri formado pelo escritor José Luís Peixoto e por dois membros da Associação Portuguesa de Escritores e da Associação Portuguesa de Críticos Literários.
O romance de Rui Vieira foi escolhido entre os 71 originais a concurso.
Arthur Hailey, escritor britânico responsável por best-sellers como Hotel ou Aeroporto, morreu hoje, vítima de enfarte cardíaco, nas Bahamas.
Fonte: Diário Digital
O suspense é o elemento da obra de Haley, o que fez com que Aeroporto fosse transposto para a tela do cinema, trazendo reconhecimento ao escritor.
Natural do Reino Unido, Haley mudou-se para o Canadá após a II Guerra Mundial, onde se dedicou à escrita de guiões para televisão.
A obra de Arthur Haley é composta por 11 títulos, entre os quais se destacam Detective, Colapso ou Strong Medicine.
Personalidades de vários quadrantes da vida nacional organizaram a colectânea Poemas da Minha Vida, para a qual escolheram os poemas que mais os marcaram. Os primeiros quatro volumes foram ontem apresentados na Fundação Mário Soares. Os autores desta antologia, exteriores ao meio literário, provam que a poesia pode, mesmo assim, ser marcante.
Fonte: Público

Mário Soares, Miguel Veiga, Diogo Freitas do Amaral e Urbano Tavares Rodrigues são as personalidades responsáveis pelas escolhas destes quatro volumes de Poemas da Minha Vida. Este último é o único escritor entre o lote de economistas, médicos ou advogados que seleccionaram Os Poemas da Minha Vida.
Entre os senhores que se seguem, estão Ramalho Eanes, Vasco Gonçalves ou Marcelo Rebelo de Sousa.
A maior parte dos poemas escolhidos pertencem a autores portugueses, mas alguns nomes estrangeiros também figuram entre os eleitos. Cada poema conta com um prefácio em que cada personalidade explica o motivo da sua escolha.
Refira-se que Mário Soares, chamando a obra de Herberto Helder a Os Poemas da Minha Vida, consegue fazer com que o poeta participe numa antolgia, ideia a que raramente se encontra receptivo.
José da Cruz Santos, com experiência na área editorial, é o coordenador da obra e assegura que «uma escolha de poemas permite formar uma ideia sobre a pessoa que seleccionou, e isso pode cativar leitores que, não sendo tão afectos à poesia, serão aqui movidos pela curiosidade de saber mais sobre os antologiadores».
Os Poemas da Minha Vida é uma colecção do jornal Público e hoje encontrava-se já disponível nas livrarias. Dia 27 é a vez da Biblioteca Almeida Garrett, no Porto, receber a apresentação desta antologia poética.
Herberto Helder no MUITA LETRA
Em Espanha, onde se encontra a promover o seu mais recente livro, a escritora disse que, «quer se goste, quer não», pôs Portugal a ler.
Fonte: Diário Digital

A autora de best-sellers como Não há Coincidências ou Sei Lá apresentava Alma de Pássaro ao país vizinho quando disse aos jornalistas que «pôs Portugal a ler», num momento em que «o panorâma editoral se encontrava agonizante».
A escritora justifica o seu sucesso dizendo-se «um fenómeno cultural e social» que teve o mérito de «democratizar a leitura».
A verdade é que Margarida Rebelo Pinto é um fenómeno de vendas, com mais de 1 milhão de exemplares vendidos em Portugal. Acusada por muitos críticos de ser um produto sub-literário e de ter um estilo "pimba", Rebelo Pinto é também muito popular no Brasil ou em Espanha.
Margarida Rebelo Pinto no MUITA LETRA
A três semanas dos 150 anos da morte de Almeida Garrett, Câmara Municipal do Porto e Ministério da Cultura parecem ter esquecido a efeméride. Até agora, só a Livraria Académica, no Porto, e o Grémio Literário, em Lisboa, se preparam para lembrar a data.
Fonte: Jornal de Notícias

Estátua do escritor, frente à Câmara Municipal do Porto
A Cooperativa Árvore contactou a autarquia no sentido de se associar aos eventos comemorativos da data. A Árvore pediu apoio logístico e um subsídio para a distribuição de convites, mas até agora não obteve resposta. E nenhuma iniciativa oficial de homenagem ao escritor portuense está ainda programada.
Em declarações ao JN, José Rodrigues, presidente da cooperativa, explica esta indiferença pelo autor de Folhas Caídas, dizendo que os portugueses são «um povo sem memória e tendem a desconsiderar o que é nosso. Como tal, estamos condenados a ser absorvidos».
Até ao momento, as únicas iniciativas previstas são de âmbito privado: a Tertúlia da Livraria Académica, no Porto, prepara conferências e venda de livros; em Lisboa, o Grémio Literário organiza visitas a lugares significativos na vida de Garrett.

Última residência do escritor, em Lisboa
A casa vem abaixo?
A última casa onde o escritor viveu, em Lisboa, corre o risco de ser demolida. A Câmara Municipal de Lisboa ainda não deu luz verde ao projecto, mas circula já uma petição que visa impedir esta demolição.
Há investigadores que atribuem valor histórico à casa n.º 66-68 da Rua Saraiva de Carvalho e que defendem a sua conversão em casa-museu.
Livros sobre o Natal para os mais novos. Já sabíamos que mais tarde ou mais cedo eles iam aparecer para deliciar as crianças que gostam de ler. Agora só falta mesmo saber os títulos, os autores e as editoras.

Sobre o Natal a Porto Editora aposta em Neil Reed. O Ursinho Mágico, A Noite de Natal do Palhaço João-Surpresa e A Pequena Árvore de Natal. No primeiro, a ilustração ficou a cargo do autor e nos dois últimos a tarefa coube a Susanna Ronchi.
Ainda com a quadra Natalícia como pano de fundo, a Ausência dá vida a Vinte Belos Contos de Natal de Manuela Espírito Santo.
A Labirinto anima a colectânea Histórias para um Natal, que conta com alguns inédito e também reedições dos trabalhos de Altino do Tojal, Alexandre Parafita, António Mota, João Ricardo Lopes, Cunha de Leiradella, Artur Coimbra, Carlos Vaz, Cláudio Lima, Conceição Dinis Tomé, José Abílio Coelho, José Oliveira, José Salgado Leite e Pompeu Miguel Martins.
João Artur Pinto, editor da Labirinto, defende que os contos de natal respondem "a uma necessidade patente no desejo de muitos leitores de se reencontrarem com a sua infância, nas vésperas desta quadra".
O negócio da época natalícia está novamente em marcha. As editoras não querem perder a oportunidade que esta época do ano oferece. Por isso, o escaparate de natal começa-se a compor.

De Moçambique para o sapatinho de Natal chega-nos A Chuva Pasmada de Mia Couto, um livro já galardoado. Danuta Wojciechowska recebeu o Prémio Nacional de Ilustração de 2003 e é também candidata ao Prémio Hans Christian Andersen.

Também para todas as idades a Vega traz-nos Goelas, Canta!, escrito e ilustrado por Catarina Pé-Curto.
Do nosso país surgem agora O Livro dos Homens Sem Luz de João Tordo, editado pela Temas e Debates, Os Cavaleiros de São João Baptista de Domingos Amaral, publicado pela Editorial Notícias e O Silêncio de um Homem Só de Manuel Jorge Marmelo, lançado pela Campo de Letras.
Para oferecer dia 25 de Dezembro pode ainda escolher entre Iluminati de Luís Miguel Otero e A Ilha dos Homens Sós de Leopoldina Serrão, ambos publicados pela Ausência. A Editorial Notícias lança também Lullaby de Chuck Palahniuk.

De todo o mundo chegam mais novidades. A Vega lança o conto de Oscar Wilde "O Gigante Egoísta", a Ésquilo publica "O Homem de Fogo de Francesca Caroutch, sobre a vida de Giordano Bruno e a Campo de Letras aposta no diálogo entre Giovanna Borradoni, Jurgen Habermas e Jacques Derrida em "Filosofia em Tempo de Terror.
A Gótica antecipa o 250º aniversário do grande terramoto de 1755, com "Lisboa Antes do Terramoto", volume sobre azulejaria coordenado por Paulo Henriques.

Mas como o Natal é sobretudo para os mais novos, eles não passaram despercebidos. A editora Campo das Letras publicou A Baleia Constipada e Outras Histórias escrito por Marita Ferreira e ilustrado por Hélio Falcão. Da mesma editora, O Menino que se apaixonou por uma Guitarra - Carlos Paredes de José Jorge Letria com José Emídio nas ilustrações.
Chuck Palahniuk no MUITA LETRA
Vencedor do maior prémio brasileiro de literatura, poeta, professor e tradutor vê nos sonetos uma forma de luta pela lingua portuguesa.
Paulo Henriques Brito nasceu em 1951 no Rio de Janeiro. Começou a escrever aos 6 anos, mas foi em 1982 que se estreou como poeta, com a obra Liturgia da Matéria editada pela Civilização Brasileira. A esta seguiu-se Mínima Lírica, publicada pela Livraria Duas Cidades em 1989 e Trovar Claro em 1997. Este é considerado o seu melhor livro pela crítica e valeu-lhe o prémio da Fundação Biblioteca Nacional no mesmo ano de publicação da obra. Mas foi com Macau que venceu a edição este ano do prémio PT de literatura Brasileira.
É professor, mas no mundo literário é mais conhecido como tradutor. No seu port-folio encontramos versões em português de autores como Philip Roth, Thomas Pynchon, Don DeLillo, Henry James, Elisabeth Bishop, Salman Rushdie, entre outros.
Entre as suas grandes influências estão Haroldo e Augusto de Campos, com quem afirma ter aprendido a escrever, juntamente com as suas traduções dos poemas de Wallace Stevens e Emily Dickinson.
Paulo Henriques Brito foi o grande vencedor do mais importante prémio literário brasileiro.

«Escolhi o título Macau, pequena ilha de língua portuguesa encravada no meio da China, para mostrar o lugar do nosso idioma no cenário mundial», afirmou o escritor carioca depois de receber 100 mil reais, 28 mil euros. Foi através do bom humor dos seus sonetos e da preocupação com a língua portuguesa que Paulo Henriques Brito conquistou o júri, em São Paulo.
O Voo da Madrugada de Sérgio Sant´Anna ficou em segundo lugar, seguido pelo romance A Margem Imóvel do Rio de Luís António de Assis Brasil.
O livro de contos somou 8,3 mil euros (30 mil reais), e o terceiro premiado 5,6 mil euros (20 mil reais). Os três vencedores receberam também um troféu criado pelo artista plástico Paulo Von Poser.
O prémio PT de literatura brasileira de 2004 debruçou-se sobre as obras literárias em primeira edição no Brasil do ano passado, escritas por autores brasileiros em língua portuguesa.
Esta foi a terceira edição de uma gala cujo objectivo é publicitar a Portugal Telecom, segundo Carlos Vasconcelos, presidente da PT Investimentos Internacionais.
«Como um grupo de origem portuguesa, nada melhor do que investir na língua portuguesa, que aproxima Brasil e Portugal», afirmou o Presidente.
Com o dinheiro, Paulo Henriques Brito pretende pagar uma dívida médica, tal como Sérgio Sant´Anna e também trocar o seu carro de 12 anos.
Macau e o O Voo da Madrugada estão editados pela Companhia das letras, enquanto que A Margem Imóvel do Rio foi publicado pela L&PM.
A escritora americana, autora de best-sellers como The Rape of Nanking e The Chinese in America foi encontrada morta no seu carro, na Califórnia. A polícia pensa que se tratou de suicídio.
Fonte: Diário Digital

Aprentemente, a morte foi causada por um tiro auto-infligido. A escritora de 36 anos tinha estado hospitalizada recentemente devido a uma depressão, o que fortalece a hipótese de suicídio.
Iris Chang fica conhecida pelos seus romances históricos em que retrata a História e a imigração chinesa nos Estados Unidos da América.
A Filha do Capitão é o primeiro romance do autor, mais conhecido do grande público como jornalista. Esta história de amor em tempos de guerra já foi considerada por Francisco Moita Flores como «um marco na literatura portuguesa».
Fonte: Diário Digital

A estreia ficcional do jornalista tem todos os condimentos para ser um sucesso: A Filha do Capitão conta-nos a história de um amor impossível entre o Capião Afonso Brandão, destacado para as trincheiras da Flandres na Grande Guerra de 1914-1918, e uma francesa de olhos verdes.
José Rodrigues dos Santos apresenta-nos este romance como um «tributo» aos portugueses mortos em La Lys.

A forte aposta da editora Gradiva neste romance não deverá ser em vão: a primeira edição, de 10.000 exemplares, já esgotou.
Irène Némirovsky escreveu Suite Fançaise, um incómodo retrato da França colaboracionista da II Guerra Mundial. Némirovsky acabou por morrer em Auschwitz, e o facto de, pela primeira vez, este importante prémio literário ser atribuido a um autor já desaparecido está a causar polémica.
O Goncourt contemplou Laurent Gaudé, mais conhecido enquanto escritor de peças teatrais, pelo romance Le Soleil des Scorta.
Fonte: Diário Digital

Gaudé, contemplado com o Goncourt deste ano
O livro, descoberto pela filha da Némirovsky, veio recentemente a público. Suite Française foi o último manuscrito da escritora, russa e judia emigrada em Paris, e a sua publicação está a reavivar nos franceses os fantasmas do colaboracionismo de Pétain.
O secretário geral do Prémio Renaudot, André Brincourt, exprimiu o seu desagrado pela atribuição do galardão a uma escritora desparecida, dizendo que «apesar do livro ser bom (...) [o prémio Renaudot] não existe para reparar as injustiças da morte».
Irène Némirovsky nasceu em Kiev, em 1903. Já em Paris, conhece o sucesso como escritora com David Golder. Durante a Guerra, é presa pela "gendarmerie" francesa e deportada para Auschwitz, onde morre em 1942.

Gaudé é um jovem escritor mais conhecido como dramaturgo do que como romancista e, por isso, a atribuição do Goncourt deste ano causou surpresa. Le Soleil des Scortas é uma saga familiar com todos os condimentos para se tornar um sucesso editorial. O livro vai ser publicado em Portugal pela Asa.
Irène Némirovsky: bibliografia completa
Laurent Gaudé: bibliografia completa
Exposições de arte, música e conferências assinalam hoje, no Teatro São Luiz em Lisboa, os 25 anos desde a publicação de Memória de Elefante e Os Cús de Judas.
Fonte: Público

A iniciativa António Lobo Antunes, 25 Anos de Vida Literária foi organizada pela editora do escritor, a Dom Quixote. Matts Gellerfelt (Suécia), Wolfram Schütte (Alemanha) e Maria Luísa Blanco (Espanha), Maria Alzira Seixo e Mário Claúdio (Portugal) são os críticos que vão falar sobre a obra de Lobo Antunes. Os dois críticos portugueses vão apresentar Eu Hei-de Amar Uma Pedra, o novo romance do autor.
Os músicos Vitorino e Kátia Guerreiro irão interpretar temas escritos pelo aniversariante e José Maria Nolasco e Patrícia Reis irão expor cartazes alusivos à sua obra.
A acompanhar o lançamento de Eu Hei-de Amar Uma Pedra, a Dom Quixote publica também Fotobiografia de António Lobo Antunes, de Tereza Coelho.
Dia 12 será a vez do Porto homenagear o escritor, no Grande Hotel do Porto.
Sugestão: entrevista a Lobo Antunes no DN de hoje
Provavelmente encorajada pela mãe, que já tinha surpreendido com incursões comercialmente bem sucedidas na literatura infantil, Lourdes Leon, filha mais velha de Madonna, escreveu um conto de Natal. Uma estreia precoce, já que Lourdes tem apenas 8 anos.
Fonte: Diário Digital
Madonna e Lourdes: uma família das letras
O conto da autoria da pequena Lourdes vai ser incluido na colectânea Christmas Stories, a lançar pela editora Selfridges.
Para além da filha de Madonna, outros famosos contribuiram para o livro com contos de sua autoria, como o futebolista Michael Owen ou a Duquesa Sarah Ferguson. As receitas do livro revertem a favor de associações de doentes com cancro.
Espera-se agora para ver até que ponto futebolistas, figuras do jet-set e crianças de oito anos têm talento para a literatura.
A edição centenária do Prémio francês Fémina foi atribuído a Jean-Paul Dubois, pela obra Une Vie Française. O Médicis, por sua vez, foi para La reine du silence, de Marie Nimier.
Fonte: Diário de Notícias

Dubois e Nimier: vencedores de dois importantes prémios franceses
Une Vie Française, de Dubois, é descrito como «radiografia trágica e cómica» do quotidiano galês e será publicado em Portugal em 2005, pela ASA.
Marie Nimier escreveu La Reine do Silence, romance sobre o desaparecimento, quando era uma criança de 5 anos, do seu pai.
Já o Fémina Estrangeiro foi atribuído ao escritor irlandês Hugo Hamilton por Sang Impur, enquanto o Fémina do Ensaio galardoou o francês Roger Kempf, autor de L'indiscrétion des Frères Goncourt.
Aharon Appelfeld, escritor israelita, foi distinguido com o Médicis Estrangeiro pela sua autobiografia Histoire d'Une Vie; o Médicis Ensaio recompensou Diane de Margerie, por Aurore et George.
O Prémio Fémina foi fundado há 100 anos por um grupo de mulheres que pretendiaopor-se à «misoginia» do Prémio Goncourt. O Médicis é mais recente, foi instituído há 58 anos. No entanto, a maior parte dos escritores distinguidos com este Prémio são homens.
A França aguarda agora os resulatdos do Goncourt e do Renaudot, outros dos prémios mais desejados pelo palmarés de qualquer escritor francês, que serão serão atribuídos a 8 de Novembro. O vencedor do Interallié será conhecido a 16 de Novembro
Já são conhecidas es escolhas do Prémio Pen deste ano.

Fantasia para dois Coronéis e uma Piscina, de Mário de Carvalho, conquistou o Prémio na categoria de Novelística.
O galardão referente à poesia foi entregue a dois autores: João Miguel Fernandes Jorge (Jardim das Amoreiras) e a José Agostinho Baptista (Anjos Caídos).
Ana Paula Coutinho Mendes (por Mediação Crítica e Criação Poética em António Ramos Rosa) e Clara Rocha (por O Cachimbo de António Nobre e Outros Ensaios) distinguiram-se no ensaio.
A obra revelação foi Columbários & Sangradouros (poemas), de Alexandre Nave.
Todos os vencedores receberam um prémio no valor de 5000 mil euros, excepto o autor de Columbários & Sangradouros, distinguido com 2500 euros.
O P. E. N Clube Português foi criado em 1978, por escritores como Maria Judite de Carvalho, Casimiro de Brito ou Miguel torga e, desde então, tem vindo a distinguir autores consagrados ou jovens promessas da literatura portuguesa.
O Código Da Vinci é, definitivamente, o grande fenómeno editorial dos últimos tempos. Apesar de alguns lhe chamarem "Harry Potter para adultos", a verdade é que a obra de Dan Brown é lida por toda a gente.
Na FNAC, o livro está há meses no primeiro lugar do top de vendas. Os restantes lugares estão quase todos ocupados com outras obras relacionadas com o Código.
Por Tatiana Palhares e Andreia C. Faria

O primeiro livro a debruçar-se sobre as mensagens escondidas nos quadros de Da Vinci tem mais de 10 anos. Inspirado na obra Maria Madalena e o Santo Graal - A Mulher do Vaso de Alabastro, de Margaret Starbird, Dan Brown escreveu o romance de que se fala. O seu sucesso deu origem a um filão de romances que exploram o mesmo tema.
O Código Da Vinci Descodificado, A Guerra de Quatro, Secrets of The Code - The Unauthorized Guide to The Mysteries Behind The Da Vinci Code ou A Verdadeira História de Jesus mostram bem a febre que se gerou à volta de conspirações religiosas, tema que gera curiosidade e, claro, controvérsia.
Maria João Monteiro, responsável pela secção de livraria da FNAC, fala em «oportunismo por parte destes novos autores e até de agências de viagens que exploram o fenómeno, que disponibilizam percursos turísticos em lugares mencionados n´O Código e, até, em Portugal».
A verdade é que «toda a gente, desde os 15 aos 80 anos, procura o livro. Chegam até a comprar outros livros, relacionados com o tema, por engano». Para a responsável pela secção de livraria da FNAC, «o que atrai as pessoas é a verosimilhança das teorias romanceadas por Dan Brown». Os números relativos às vendas são significativos: em média, são vendidos 750 exemplares d´O Código Da Vinci por mês.
Line of Beauty, do britânico Alan Hollinghurst, venceu a edição deste ano do Booker Prize. O romance, contado pela boca de um homossexual, mistura humor e provocação com um retrato fiel da Grã-Nretanha dos anos Tatcher. Esta é a primeira vez que o galardão é atribuído a um romance que versa sobre a homossexualidade.

«Tento contar histórias a partir de um ponto de vista homossexual, mas assusta-me que as pessoas não queiram ver mais nada», admite Hollinghurst, incomodado com a excessiva colagem da sua obra à temática homossexual.
O Presidente do júri do Booker Prize, no entanto, deixou claro que «o facto de se tratar de um romance gay não teve qualquer influência nas discussões mantidas em torno do livro».
Polémicas à parte, o autor do best-seller Cloud Atlas ganha um prémio no valor monetário de 90 mil euros, para além do prestígio que o galardão acarreta: entre os vencedores do Booker Prize encontram-se nomes como Salman Rushdie ou J. M. Coetzee.
Até ao momento, nenhuma das obras de Hollinghurst se encontra publicada em Portugal.
Alan Hollinghurst: Bibliografia completa
Quando ainda está fresca a conquista do Jerusalem Prize 2004, António Lobo Antunes é novamente condecorado por Boa Tarde às Coisas aqui em Baixo, desta vez com o Prémio Fernando Namora.
O júri, encabeçado por Agustina Bessa-Luís, escolheu premiar Lobo Antunes, na 8ª edição do Prémio, não apenas por um dos seus mais recentes romances, mas igualmente pelo conjunto da sua obra.

Com este galardão já foram agraciados nomes como o de Urbano Tavares Rodrigues, João de Melo, Manuel Alegre, Teolinda Gersão ou Mário de Carvalho.
Assim se podem definir as sucessivas nomeações, seguidas de sucessivas não atribuições do Prémio, a Maria Velho da Costa pela União Latina. Desta vez, o galardão foi para o argentino Juan José Saer e para o romeno Virgil Tanase.

Juan José Saer, um dos contemplados com a União Latina
Esta foi a terceira vez que, como o MUITA LETRA noticiou, a escritora portuguesa foi indicada pelo júri do Prémio União Latina de Literaturas Românicas como potencial vencedora.
Um dos membros do júri admite que a constante recusa do nome de Velho da Costa se deva ao facto de a sua obra não se encontrar traduzida. «A invenção ao nível da linguagem e o jogo de palavras que [Maria Velho da Costa] usa frequentemente torna-a difícil de traduzir», explica o escritor Mário Cláudio.

Maria Velho da Costa: uma das Três Marias
Juntamente com a co-autora das Novas Cartas Portuguesas estavam ainda nomeados Vincenzo Cerami (Itália), Patrick Modiano (França), Tierno Monenembo (Guiné), Raduan Nassar (Brasil) e Enrique Vila-Matas (Espanha).
O Prémio União Latina de Literaturas foi instituído em 1989 com o objectivo de promover, a cada ano, um escritor de língua latina. A edição deste ano foi a primeira em que o galardão foi atribuído, ex-aequo, a dois autores.
A escritora portuguesa pode vir a ser escolhida pelo júri do Prémio Internacional União Latina de Literaturas Românicas como a escritora latina cuja obra é mais merecedora de divulgação. Pela terceira vez consecutiva candidata ao Prémio, Velho da Costa espera ser finalmente contemplada com um galardão que já foi atribuído a Agustina Bessa-Luís e a Lobo Antunes.

Outros concorrentes ao prémio de 12 mil euros sãoo brasileiro Raduan Nassar, o espanhol Enrique Vila-Matas, o francês Patrick Modiano, o guineense Tierno Monemembo, o argentino Juan José Saer e o romeno Virgil Tanase.
O Prémio Internacional União Latina de Literaturas Românicas existe há 15 anos e galardoou, desde então, três autores nacionais: José Cardoso Pires, em 1991, Agustina Bessa-Luís em 1997; na edição do ano passado, foi a vez de António Lobo Antunes ser contemplado com o Prémio.
Maria Velho da Costa venceu em 2000 o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores pela obra Irene ou o Contracto Social. Em 2002 foi agraciada, pelo conjunto da sua obra, com o Prémio Camões.
O vencedor da União Latina será anunciado este dia 20.
Maria Rosa colaço faleceu esta semana aos 69 anos de idade. A escritora destacou-se na literatura juvenil e no jornalismo.
Fonte: Público

Entre as mais importantes obras da autora estão O Espanta-Pardais, A Criança e a Vida ou Gaivota.
Vencedora de prémios literários como o Soeiro Pereira Gomes (1982) ou o Prémio Revelação de Teatro, em 1958, por A Outra Margem, ficou igualmente conhecida pelo seu trabalho enquanto jornalista no diário A Capital e pelo comprometimento com a defesa dos direitos das crianças.
Maria Rosa Colaço morreu vítima de doença prolongada e encontra-se enterrada em Torrão (Alcácer do Sal), terra de onde é natural.
A Academia sueca surpreendeu ao atribuir o Nobel da Literatura à escritora e dramaturga austríaca Elfriede Jelinek. Crítica social, sexualidade feminina e uma conturbada relação com o poder político do seu país natal moldam a obra desta autora, praticamente desconhecida entre os portugueses.

Os temas que dominam a prosa e a dramatugia de Jelinek são a sexualidade feminina, a interação homem/mulher e a violência das relações humanas, chegando muitas vezes a ser acusada de usar a escrita como vector de agressividade e pornografia.
Jelinek recorre também a várias análises da sociedade actual e de várias das suas vertentes, o que faz com que seja considerada "personna non grata" por alguns quadrantes mais conservadores da sociedade austríaca. Esta vertente de quase activismo político, tal a vivacidade das suas críticas, reflecte-se principalmente nas suas composições teatrais.
Elfriede Jelinek nasceu em 1946, em Styrie, na Áustria, filha de uma austríaca católica e de um judeu checo. Pressionada pela mãe para seguir uma carreira no mundo da música, a jovem Elfriede sofre uma grave crise psicológica, acabando por se libertar, pela escrita, da tirania da vontade da mãe.
Os primeiros textos publicados datam dos anos 60, mas são obras como Die Liebhaberinnen (1975), Die Ausgesperrten (1980) ou Die Klaverspielerin (1983) (A Pianista, publicada em Portugal pela Asa) que a tornaram conhecida.
A Academia sueca justifica a entrega do galardão máximo da literatura à controversa escritora austríaca, dizendo que "os seus romances representam cada um a problemática de um mundo sem graça onde o leitor é confrontado com ordem estabelecida onde domina a violência e a submissão, de caçador e de presa" e que há um belíssimo "fluxo de vozes e contra-vozes nos seus romances".
Para além de A Pinista, há apenas mais duas obras de Jelinek disponíveis entre nós: Novíssimas histórias com tempo e lugar, editada pela Minerva, e Lust, pela Editorial Estampa.
E, se vencer o Nobel acarreta prestígio e o merecido reconhecimento a uma escritora ostracizada pelos conterrâneos, Jelinek receberá também um cheque no valor de 10 milhões de coroas suecas (cerca de 1,10 milhões de euros).
A Feira do Livro de Frankfurt arranca hoje com um programa de actividades dedicado à cultura árabe. Espera-se que, como é habitual, o nome do Prémio Nobel da Literatura deste ano seja divulgado durante a principal feira literária do mundo.

Pavilhão de Portugal na Feira de 1997
As expectativas apontam para que o laureado deste ano seja um escritor do mundo árabe, já que um dos objectivos do certame é promover pontes e afinidades entre Ocidente e Oriente. Além disso, o certame será inaugurado pelo escritor egípcio Naguib Mahfouz, vencedor do prémio máximo da literatura em 1988.
Recorde-se que, em 1998, o nome de Saramago como Nobel da Literatura foi anunciado durante esta feira alemã, numa edição dedicada a Portugal.
A presença lusitana é marcada por pavilhões da APEL (Associação Portuguesa de Livreiros) e da UEP (União de Editores Portugueses) e algumas editoras nacionais decidiram apresentar-se autonomamente. Ao todo, 22 pavilhões servirão de montra da vida literária e editorial do nosso país.
A Feira do Livro de Frankfurt realiza-se desde 1949, quando a Alemanha era ainda um país destroçado pela II Guerra Mundial. No ano seguinte, numa tentativa de apaziguamento das tensões sociais e políticas em solo germânico, o Comércio Livreiro Alemão criou o Prémio da Paz, com que foram agraciados nomes como Hermann Hesse, Mario Vargas Llosa e Jürgen Habermas. Desde então, este certame tem vindo a afirmar-se como a mais importante mostra literária e editorial do mundo.
A edição deste ano contará com 6.700 expositores de 111 países e prolongar-se-à até Domingo.
O Físico Prodigioso, de Jorge de Sena, vai ser levado ao Palco do Tetro Carlos Alberto, no Porto, pela companhia Pé de Vento.

A peça, baseada na obra de Sena, pode ser vista a partir de 9 de Outubro. Este é um sonho antigo do autor e encenador João Luiz, que já em 1993, em Bruxelas, encenara uma outra versão d´O Físico... O público português, espera-se, terá maior afinidades com o escritor do que o belga.
As interpretações são de Anabela Nóbrega, Ana Vargas, Daniel Pinto, Jorge Alonso, José Pedro Ferraz, Rui Spranger, Sandra Farias e Sónia Carreira. A peça está em cena até dia 24 deste mês.
Maria Bethânia vai dar voz e melodia à poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen num disco que deverá ser lançado em breve.

A cantora brasileira confessa-se uma grande admiradora da poetisa portuguesa. Eis uma boa forma de prestar homenagem à mulher, recentemente falecida, e de manter viva a sua obra.
Tornou-se uma escritora de sucesso aos 19 anos e, com a publicação de Bonjour Tristesse, em 1954, um símbolo da contestação juvenil das gerações de 50 e 60. Françoise Sagan morreu esta Sexta-Feira, aos 69 anos, vítima de embolia pulmonar.

Fonte: Diário Digital
Françoise Sagan cultivava a imagem de rebelde afecta à contra-cultura e foi, de facto, uma jovem do seu tempo: enquanto os seus romances teciam mordazes críticas à sociedade parisiense da época, a autora iniciava-se no consumo de drogas.
Bonjour Tristesse, o romance de estreia que catapultou a jovem Françoise, então com 19 anos, para a fama ao tornar-se um best-seller, é tido como símbolo da insatisfação juvenil da França de 50 e 60. O romance foca temas como a leviandade da vida social parisiense ou o incesto. Em linguagem minimalista e com laivos de existencialismo, a escritora distingue-se pela narração irónica do cinismo, do ócio e da pretensa sofisticação da sociedade de então.
De seu verdadeiro nome Françoise Quoirez, a autora de Un Certain Sourire ou de Le Mirroir Égaré nasceu em 1935. Frequentou a Universidade de Sorbonne, mas não chegou a concluir os estudos. Viajou por países como a Suiça ou os Estados Unidos e os seus vários casamentos acabaram em divórcio. Teve problemas relacionados com drogas e chegou a ser julgada por fraude fiscal. Faleceu aos 69 anos de idade.
O Código Da Vinci não só é a sensação editorial dos últimos tempos como ainda causa controvérsia. Peregrinações ao Louvre ou a templos citados no livro de Dan Brown sucedem-se, para gáudio das agências de viagens; as religiões cristãs, por seu lado, apontam o dedo às incorrecções das teorias apresentadas n´O Código.

A polémica gira em volta do facto de, no livro, Jesus Cristo ser casado com Maria Madalena e de o casal ter um filho. Dan Brown já explicou que tudo não passa de ficção, mas confessou não achar esta teoria de todo desprezável.
E se, apesar do desagrado dos líderes cristãos, o livro continua nos escaparates e nas bocas de todo o mundo, no Líbano foi retirado de circulação por a Igreja Católica o ter considerado «ofensivo para o Cristianismo».
O sucesso de vendas da obra de Brown passa pelo uso de uma fórmula popular: uma estrutura policial, grandes doses de suspense e o insólito do tema aliado, claro, à ajuda dada pela polémica causada. Até agora, O Código Da Vinci já vendeu mais de 7,5 milhões de exemplares em todo o mundo, assumindo-se como a tábua de salvação de uma indústria, a literária, que já se encontrava em crise desde 2001.
A Estação Dourada valeu a Urbano Tavares Rodrigues o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco.

O Prémio foi atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores, por decisão de um júri composto por Ana Gabriela Macedo, Fernando Campos, José Ribeiro Ferreira, Luís Carmelo e Carlos Mendes de Sousa.
O galardão, relativo ao ano de 2003, tem o valor de 5 mil euros.
Para o final deste ano, Urbano Tavares Rodrigues está já a preparar o lançamento de um romance e de um livro de poemas.
Matilde Rosa Araújo é esta tarde distinguida com o Prémio Carreira, atribuído pela Sociedade Portuguesa de Autores (SPA). 2.500 euros e o reconhecimentio de mais de 50 anos dedicados à literatura constituem o galardão.

A autora de As Fadas Verdes ou O Livro da Tila dá relevo, no seu universo poético, à ternura e aos afectos.
Um dos mais importantes poetas portugueses contemporâneos dá sinais de vida. António Ramos Rosa lançou ontem, em Lisboa, Relâmpago de Nada, obra poética constituída por 24 textos originais.

Perto dos 80 anos de idade, Ramos Rosa não abandona as andanças poéticas e revela-nos composições inéditas. Relâmpago de Nada teve apresentação no café Martinho da Arcada, pela voz de Paula Cristina Costa, professora universitária.
Ao longo dos 24 textos, Ramos Rosa procura explorar a face inesperada das palavras lançadas no vazio.
Relâmpago de Nada está publicado pela Labirinto
Morreu jovem, mas a sua obra abriu caminho na ajuda a outros jovens. Penafiel vai instituir o Prémio Daniel Faria, em nome do poeta do Vale do Sousa falecido aos 28 anos de idade, para dar visibilidade a poetas com menos de 35 anos.
O galardão é hoje instituído pelo Museu Municipal de Penafiel, durante o decorrer do ciclo literário Entre Pedras, Palavras.

Durante a sessão, Eduardo Prado Coelho, Valter Hugo Mãe e a professora Vera Vouga vão evocar a obra do autor de Dos Líquidos.
Eduardo Prado Coelho no MUITA LETRA
100 mil euros é o valor com que o júri do Prémio Camões galardoou a obra, considerada «de riqueza incomparável», de uma das mais aclamadas romancistas portuguesas.
Fonte: Lusa

Segundo os critérios do Prémio Camões, a obra de Agustina Bessa-Luís contribuiu para o engrandecer do património da literatura portuguesa.
O júri foi constituído por Eduardo Prado Coelho, Vasco Graça Moura, Heloísa Buarque da Holanda, Zuenir Ventura e Lourenço Rosário.
O Prémio Camões é atribuído desde 1989 e já consagrou nomes como Miguel Torga, Vergílio Ferreira, Rubem Fonseca ou Sophia de Mello Breyner Andresen.
Agustina Bessa-Luís no MUITA LETRA
Vasco Graça Moura vai ser galardoado em Itália pela sua tradução para português das Rimas de Petrarca.

O Prémio Internacional Diego Valeri existe desde 1971 e, desde então, distingue traduções da obra de um dos pais da língua italiana.

O galardão será entregue a Vasco Graça Moura no dia 6 de Junho.
As Rimas, traduzidas para português pelo poeta, cronista e deputado, encontra-se publicadas pela Dom Quixote.
Núno Júdice foi o vencedor da primeira edição do Prémio Ana Hatherly . Tentado a distinguir obras de grande qualidade de novos autores, o júri acabou por premiar um dos mais produtivos e sempre inovador poeta dos últimos anos. O Estado dos Campos, de 2003, foi a obra consagrada.

O galardão foi atribuído a Júdice pelo júri do Pen Clube, composto por Casimiro de Brito e pela poetisa Ana Hatherly, que dá nome ao prémio.
2004 é o ano de estreia deste prémio, que será bienal e irá atribuir 2500 euros à melhor obra de poesia portuguesa dos dois anos precedentes à entrega do galardão.
O Estado dos Campos é a mais recente obra poética de Nuno Júdice, que desde a década de 60 vem editando, para além de poesia, obras de ficção e ensaios, e está publicada pela Dom Quixote.
Vermelho é a obra eleita este ano pela Associação Portuguesa de Escritores.

Vermelho, romance escrito em 2003 por Mafalda Ivo Cruz, foi distinguido com o Prémio de Romance e Novela.
O livro está publicado pela Dom Quixote, inserido na colecção Autores de Língua Portuguesa. A bibliografia de Mafalda Ivo Cruz inclui obras como A Casa do Diabo, Um Requiem Português e O Rapaz de Botticelli.
Já toda a gente ouviu falar do famoso dramaturgo francês Molière. E nunca ninguém pôs em causa a autenticidade da obra reconhecida como sua.
Em França, Denis Boissier está a gerar polémica ao assegurar que, afinal, não era Molière quem escrevia as peças que levava à cena.

O Caso Molière é o livro que está a abalar a reputação de um dos mais respeitados vultos das letras fancesas. Denis Boissier, autor do livro, afirma que Molière nunca escreveu nada pois, alegadamente, não teria nem tempo nem talento para tanto.
A autoria das obras do escritor e encenador deve ser, segundo Boissier, atribuída a Pierre Corneille, um seu amigo que, para sustentar os filhos, aceitou ver as suas obras encenadas sob a tutela de Molière. Aliás, Boissier diz que o nome de Molière, pelo qual Jean Baptiste Poquelin ficou célebre enquanto dramaturgo, é igualmente uma criação de Pierre Corneille.
Sendo ou não certo o engano de séculos a que Boissier diz ter Molière sujeitado os leitores e espectadores das suas peças, o melhor é ler os argumentos com que o investigador francês sustenta a sua tese.
Luísa Dacosta escreveu, Cristina Valadas ilustrou e as Edições Asa publicam: O Perfume do Sonho, na Tarde e Sonhos na Palma da Mão são dois livros dentinados às crianças. A apresentação é este sábado na galeria Degrau, no Porto.

Luísa Dacosta (pseudónimo de Maria Luisa Saraiva Pinto dos Santos) escreveu críticas literárias e foi, durante longos anos, colaboradora de vários jornais e revista de referência, como O Jornal de Notícias, Seara Nova ou Vida Mundial.
Paralelamente, a escritora foi erguendo uma vasta obra, distinguindo-se na literatura infantil. Em 1994, foi galardoada como o Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças.
A apresentação das duas mais recentes obras de Luísa Dacosta está a cargo de José António Gomes.
Perto da comemoração dos 30 anos do 25 de Abril, o Parlamento decide expor algumas obras que têm a marca do lápis azul. A mostra de livros censurados começa esta tarde, na Livraria Parlamentar da Assembleia da República.

A maioria das obras em amostra são provenientes de colecções particulares ou do Fundo Bibliográfico Piteira Santos, em depósito na Biblioteca da Amadora.
O dia Internacional do Livro Infantil comemora-se hoje. Várias actividades que procuram cativar os mais jovens para a literatura multiplicam-se pelo país.

A Biblioteca Municipal da Nazaré e a Câmara Municipal de Santo Tirso convidam as crianças entre os 8 e os 12 anos a participarem n´A Arca dos Contos, escrendo estórias.
Em Lisboa, os mais novos podem participar n´O Livro Surpresa, na Bedeteca Municipal.
Leitura de contos pela boca da escritora Glória Bastos é o programa oferecido pela Biblioteca Penha de França.
Já a Biblioteca Camões propõe a dramatização de uma história, ateliers de expressão plástica, ateliers de expressão musical e leitura de poesias.
The Early Stories, obra que reúne contos de John Updike escritos entre 1953 e1975, recebeu o Prémio Pen Faulkner.

O autor do divertido e inteligente romance As Bruxas de Eastwick foi, aos 72 anos, homenageado com um dos mais conceituados prémios literários norte-americanos. A entrega do galardão decorre a 8 de Maio.
Updike já recebeu outros prémios de grande envergadura, como o Pulitzer, o National Book Award ou o Pen/Malamude.
Depois de ser presenteada com traduções d´Os Lusíadas, de Camões, e de outras obras poéticas escritas originalmente em português, a língua mirandesa vê agora ser lançado o primeiro livro em edição bilíngue: Cula Torna Ampuosta Quienquiera Ara ou Em Cama Feita Qualquer um Se Ajeita.
Este é um livro de poemas da autoria de Francisco Niebra e foi traduzida para português por Alberto Augusto Miranda e Carlos.
Francisco Niebra espera que esta obra venha reacender o gosto pelo mirandês, a segunda língua oficial de Portugal.
Joaquim Castro Caldas é um poeta de acção: além de se ser declamador e actor, percorre as escolas do país para animar as aulas com a novidade das palavras. Lança este mês, pela Quasi, Só Cá Vim Ver o Sol.
Lisboeta de nascença, este poeta de 47 anos veio parar ao Porto para fazer uma pequena revolução no espectro das tertúlias de poesia. Durante sete anos, animou as noites do Pinguim Café.
O Meu País Inventado, obra autobiográfica da popular Isabel Allende e de recente aparição nos escaparates, pretende traçar um retrato fiel das peculiaridades e idiossincracias do Chile. Para espanto de alguns leitores e para confirmação das suspeitas deoutros tantos, pessoas são pessoas, seja em que longínquo canto do planeta for.

De facto, sorrio ao ler um texto que mistura a perspicácia e análise da jornalista que Allende já foi à sua costela de engenhosa contadora de histórias. O Chile é-nos apresentado como se o seu clima, o seu vinho, o temperamento dos seus nativos fossem fenómenos excepcionais e únicos no mundo.
Num tom tão caricato quanto carinhoso, a autora, que há muito vive longe e confessa não ser capaz de voltar à terra natal, mas que reconhece que a principal traço do seu carácter (a nostalgia) é da responsabilidade do país perdido e cristalizado na sua memória, desfia despudoradamente os segredos dos chilenos: eles são fanaticamente religiosos; eles são bestas ferozes ao volante de um automóvel; eles prezam a clara distinção entre pobres e ricos; eles idolatram as estrelas do futebol e o jogo funciona como catarse para todas as frustrações; eles arrastam-se deprimidos por transportes públicos apinhados e pelos quilos e quilos de burocracia que o levantar de um dedo implica; os homens são machistas e as mulheres confundem amor com servidão.
Mas eles são, ao mesmo tempo, um povo de poetas, acolhedor, solidário e possuidor da melhor gastronomia do mundo. Todos os defeitos, a hipocrisia e a tacanhez dos Chilenos se colmata com uma grande dose de generosidade, boa comida e poemas magníficos.
Ora, não nos é isto estranhamente familiar? O Chile de Allende não se parece estraordinariamente com o nosso rectangulo à beira mar plantado? Se Isabel Allende conhecesse Portugal, o Chile não seria esboçado, neste livro, a traços singulares e originais...e o orgulho envergonhado que a autora sente pela pátria mãe acabaria frustrado.
A conclusão que podemos retirar deste livro leve e divertido, que se lê de rajada, é que, afinal, as pessoas não são assim tão diferentes entre si. E que todos os países, quando perscrutamos o seu umbigo, são afinal o mesmo.
Manuel Alegre apresenta no Porto, dia 18 de Março, na Cooperativa Árvore, o seu mais recente romance, Rafael.

Já se sabe que Rafael é, de certo modo, autobiográfico e focará situações vividas pelo autor.
Manuel Alegre, deputado socialista e poeta preso à temática da Revolução dos Cravos e ao despontar da liberdade, surpreende ao lançar um romance. O último, Cão como Nós, teve uma boa aceitação pelo público.
Ensaio sobre a Lucidez, o novo romance de Saramago, vai ser lançado a 29 de Março. O Nobel da Literatura vai percorrer o país em apresentações e debates sobre o livro.

José Saramago fez já questão de anunciar que este será um livro "polémico", recheado de ironia e sátira a instituições e figuras da vida nacional.
Ensaio sobre a Lucidez será apresentado pela primeira vez dia 29 deste mês no Auditório do Centro de Congressos de Lisboa. Mário Soares, Marcelo Rebelo de Sousa e José Barata-Moura são algumas das personalidades que vão contribuir na apresentação do romance.
José Saramago no MUITA LETRA
Novo livro de Saramago já está pronto
Saramago e Shakespeare no S. João
Um texto polémico e iconoclasta, ocultado e banido durante séculos, foi recentemente descoberto em França e atribuído ao filósofo Bento de Espinosa. Chama-se Tratado dos Três Impostores - Moisés, Jesus, Maomé (O Espírito de Espinosa) e vai ser traduzido para português.

Este texto desconstrói algumas técnicas propagandísticas da Igreja Católica e desmistifica ídolos religiosos como Jesus, Maomé e Moisés.
Vai ser traduzido para português e publicado pela editora Vega até Março.
O Vento Assobiando nas Gruas foi a obra eleita pelo júri na primeira edição deste prémio.

O galardão foi atribuído ontem, na Póvoa do Varzim, à romancista Lídia Jorge.
Também na corrida ao prémio, no valor de 10 000 euros, estiveram Baptista-Bastos, com No Interior da Tua Ausência e o mexicano António Saraba, com A Taberna da Índia.
Estas foram, com o romance de Lídia Jorge, as obras que, de entre as setenta e nove a concurso, chegaram à finalíssima.
A iniciativa Correntes d´Escritas prologa-se até sábado, na Póvoa do Varzim, com a presença de sessenta escritores de quinze países.
Uma Feira do Livro e várias sessões de poesia, juntamente com o lançamento do terceiro volume da revista Correntes d´Escritas e de vinte e duas novas obras, prometem animar o evento.
Baptista-Bastos no MUITA LETRA
A obra do poeta trágico grego continua bem viva, 2500 anos passados sobre o seu nascimento. A prová-lo, está a publicação em português das sete tragédias do dramaturgo.

A edição está a cargo da editora Minerva, no âmbito de Coimbra - Capital Nacional da Cultura.
O lançamento e apresentação da obra decorrem na Reitoria da Universidade de Coimbra.
Maria do Céu Ricardo assina o prefácio da obra, juntamente com a tradução de quatro das sete tragédias.
O Prémio Literário Luís Miguel Nava foi atribuido à obra Lições de Trevas, de Fernando Guimarães.

Publicada pela editora Quasi em 2002, Lições de Trevas, poesias do escritor portuense Fernando Guimarães, foi galardoada com o Prémio Luís Miguel Nava 2004.
A entrega do prémio decorreu dia 9, numa livraria da Assírio & Alvim em Lisboa; durante o evento, foram homenageados Alexandre O´Neill, Luís Miguel Nava, o poeta "patrono" deste prémio, e o próprio Fernando Guimarães.
O júri do Prémio Vergílio Ferreira confirmou o que já sabíamos, ao considerar Agustina Bessa-Luís "um dos nomes maiores da ficção contemporânea" e atribuindo-lhe o galardão referente a 2004.

A autora de alguns dos mais marcantes romances da literatura portuguesa foi condecorada com o Prémio Vergílio Ferreira deste ano, atribuído pela Universidade de Évora.
Todos os anos, esta instituição premeia um escritor de língua portuguesa; o júri foi constituído por professores universitários e críticos literários.
Autores como Eduardo Lourenço ou Mia Couto foram anteriormente galardoados com este prémio.
As edições Ambar marcam o início do ano editorial com o lançamento de três livros, no âmbito do concurso literário Correntes D´Escritas.
Jesus del Campo lança As Últimas Vontades do Cavaleiro Hawkins, livro com prefácio e apresentação garantidos pelo escritor chileno Luis Sepúlveda, naquele que é o primeira publicação da Ambar em 2004.
A Sopa, de Filmomena Marona Beja e As Sete Ilhas de Lisboa, de Miguel Castro Caldas serão apresentadas dia 28 de Fevereiro.
Os lançamentos da Ambar vão decorrer em Fevereiro na Biblioteca Rocha Peixoto, na Póvoa do Varzim, no âmbito da iniciativa Correntes D´Escritas.
A febre causada por Harry Potter continua a não dar descanso ao mundo da literatura...e aos bolsos de J. K. Rowling. Fonte: cup.cgd.pt

Um erro no nome da autora, impresso na prova do primeiro livro da saga Harry Potter rendeu mais de 2 mil euros em leilão.
J. K Rowling aparece nos cem primeiros exemplares de Harry Potter e a Pedra Filosofal com o nome de J. A. Rowling. Uma gralha, portanto. Muito rentável, aliás, como tudo o que se relacione com o jovem mágico e a sua autora.
Harry Potter e J. K. Rowling no MUITA LETRA
A Sociedade Portuguesa de Autores marca os vinte anos da morte do poeta com um recital de poesia e canto que vai decorrer dia 20 de Janeiro.

Fernando Tordo e José Fanha protagonizam o recital de poesia e canto com que a Sociedade Portuguesa de Autores pretende relembrar José Carlos Ary dos Santos, falecido a 18 de Janeiro de 1984, aos 48 anos.
O poeta e letrista, fervoroso militante do Partido Comunista Português, foi responsável por algumas das letras das canções que venceram o Festival RTP da Canção, como Desfolhada ou Tourada.
A poesia de protesto, antes e depois do 25 de Abril de 1974, marcou também forte presença na sua obra.
Pétalas Caídas - Sonhos e vidas é uma antologia poética editada pela Associação de Apoio aos Doentes Depressivos e Bipolares (ADEB) e com o prefácio assinado por Margarida Rebelo Pinto.

Hoje às 11:30 na Sede da Associação em Lisboa são ahora e o local escolhidas para o lançamento do livro.
Esta compilação de poemas é da autoria de doentes com distúribio unipolar e bipolar, ou seja, que oscilam entre estados eufóricos e disfóricos. O objectivo desta iniciativa da ADBE é divulgar a criatividade e as emoções dos doentes, bem como os seus problemas. O lucro da venda dos livros reverte para a ADBE.
O distúrbio bipolar afecta 1,6% da população mundial e é considerado pela Organização Mundial de Saúde como a sexta causa de incapacidade humana.
José Saramago entregou ontem à editora Caminho o seu novo livro Ensaio sobre a Lucidez. O escritor vencedor do Nobel da literatura em 1998 já declarou que este livro vai causar muita polémica.

A publicação do romance está prevista para Março, com uma tiragem de 100 mil exemplares, mais 20 mil do que o romance anterior, O Homem Duplicado (2002).
José Saramago afirmou à TV Cultura brasileira, em Novembro, que o Ensaio sobre a Lucidez vai causar "um escândalo dos diabos", uma polémica ainda maior à causada pelo livro O Evangelho Segundo Jesus Cristo.
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O prémio Nadal de literatra coube, este ano, ao romance El camino de los ingleses de Antonio Soler.

O mais antigo prémio literário espanhol, no valor de 18 mil euros, foi anunciado terça-feira em Barcelona e para além de dar a vitória a Antonio Sobel, nomeou um outro finalista, Javier Puebla com o romance Adiós Delgado.
A obra vencedora do prémio Nadal explora a transição que sofrem os jovens-adultos no seu caminho até à formação de uma identidade e maturidade social.
Na altura da recepção do galardão, Antonio Solero agradeceu à sua editora, e fez denúncias políticas, "Vivemos tempos convulsos com a guerra do Iraque, mas isso faz parte da História com letra maiúscula e nós pertencemos à das minúsculas". O escritor acrescentou ainda que há esperança para a história com letra maiúscula e que há-de chegar o tempo dos inocentes.
Antonio Soler não é um dos escritores mais populares em Espanha, nem dos mais vendidos, mas é muito apreciado pela crítica e o jornal "El Mundo" considera-o "um dos melhores da sua geração". O jornal espanhol classifica a vitória de Sobel como "a descoberta de um escritor consagrado".
Antonio Soler já tinha ganho outros prémios de destaque, o Herralde, em 1996, e o Nacional Crítica, em 1997, pelo seu romance As Bailarinas Mortas. Este é o único livro do autor editada em Portugal, pela editora Presença.
O autor, nascido em Málaga em 1956, apresentou recentemente o seu novo livro, El espiritista melancólico, que tal como El camino de los ingleses, não está editado em Portugal.
Os Pintores Cubanos, de Guillaume Apollinaire e Nova Dedução do Direito Natural, de F. W. J. Schelling, marcam a estreia da editora Alexandria, que aposta na publicação de obras clássicas.

A Alexandria é um projecto da autoria de Bruno José Espinha e de João Tiago Proença.
A editora lisboeta surgiu recentemente, quando os dois amigos sentiram necessidade de publicar obras clássicas que raramente se encontram disponíveis.
A nova editora promete publicar ficção, ensaio e poesia.
As VII Olimpíadas de Leitura decorrem até 27 de Fevereiro e procuram estimular o gosto pelos livros nas crianças.
Organizado pela 2Fundação Círculo de Leitores e com o patrocínio do Jornal de Notícias, o novo ano inicía-se com o concurso De Pequenino se Aprende o Prazer de Ler Bons Livros. Inserida nas VII Olimpíadas de Leitura, esta inciativa visa promover a literatura entre os alunos do 2º cíclo do Ensino Básico.
Os participantes deverão demonstrar que leram as obras propostas pela organização do concurso através de comentários aprofundados e originais. No final, o juri elegerá os vinte e cinco melhores trabalhos.
Harry Potter, uma das mais populares personagens literárias e cinematográficas do momento, rendeu 150 milhões de euros a J. K. Rowling.

A publicação de Harry Potter e a Ordem da Fénix, juntamente com as receitas decorrentes da adaptação cinematográfica das aventuras do jovem mágico, renderam em 150 milhões de euros à sua autora, J. K. Rowling.
A febre que se gerou em volta da personagem criada pela autora escocesa foi bastante lucrativa, garantindo-lhe um «ordenado» dez vezes maior do que o da própria Raínha Isabel II de Inglaterra.
A editora Campo das Letras lançou duas colecções da obra de Shakespeare: uma para crianças, outra para o restante público.

Os mais novos podem agora ficar a conhecer a obra deste autor universal, através resumos de Sonho de Uma Noite de Verão, Hamlet, Romeu e Julieta, Mcbeth, Noite de Reis e António e Cleópatra, adaptados e recheados de ilustrações.
Os mais velhos, por seu lado, contam com Medida por Medida, António e Cleópatra, A Tempestade, Ricardo II, Sonho de Uma Noite de Verão, O Amansar da Fera, Muito Barulho por Nada e Henrique IV numa tradução directa das obras de William Shakespeare feita por professores da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Uma das mais populares autoras portuguesas da literatura juvenil não desilude os seus admiradores e lança dois livros neste Natal.

As Moedas de Ouro de Pinto Pintão e Manhas e Patranhas, Ovos e Castanhas são as obras que Alice Vieira lançou dia 16 deste mês através da Editorial Caminho.
As Moedas... contam com ilustrações de Raffaello Bergonse e Gémeo Luís assume as ilustração de Manhas e Patranhas...
A Texto Editora aposta em força no mercado da literatura infantil para este Natal. Mas não só.
A Texto Editora acaba de lançar Bruxas, Feiticeiras e Suas Maroteiras, da autoria de Alexandre Parafita. Este livro insere-se na colecção Álbuns Infantis, da editora.
O livro está já disponível, ao preço de 11,99 euros.
Outra das apostas da Texto Editora para o natal das crianças é Contos de Encantar II, que reúne cinco clássicos da literatura infantil numa linguagem acessível aos mais novos.
A Carochinha, O Patinho Feio, João e o Pé de Feijão, A Casinha de Açúcar e Cinderela são os contos que fazem parte deste segundo volume do Contos de Encantar, que sucede ao volume I.
Mas nem só de contos infantis vive a Texto Editora. Foi recentemente lançado Amor 5 Paixão 3, o novo romance de Manuel Arouca. Este livro insere-se na colecção Ficção e já está disponível pelo preço de 15,99 euros.
A BBC promoveu a votação e os britânicos escolheram: a trilogia O Senhor dos Anéis foi eleita a melhor obra de sempre.

A obra de J. R. Tolkien ganhou nova visibilidade após ter sido adaptada pelo cinema. É pelo menos o que parece dizer os 23% de votos que lhe conferiram o título de obra favorita dosi ingleses.
Em segundo lugar, ficou Orgulho e Preconceito, o clássico de Jane Austen. Esta votação foi organizada pela BBC no sentido de incentivar a população britânica para o consumo de livros.
Aquela que é considerada a «todo-o-terreno» do show biz teve sucesso em tudo aquilo em que se envolveu. Agora, Madonna espera conquistar os maiores palcos...da literatura mundial.

Nobody Knows Me é o título do livro com que Maddona espera impressionar os amantes de literatura. Segundo o site oficial da diva pop, obra é auto-biográfica, inclui fotos inéditas e é dedicada aos seus fãs.
Após ter lançado recentemente livros infantis que lhe granjearam visibilidade e boas críticas, Madonna aposta agora num tipo de literatura mais séria.
Poemas de Borges traduzidos por Belo e apresentados por Manuel António Pina, Miguel Rivero e Luís Lucas, foi o modo escolhido pela editora D. Quixote para prestar a sua homenagem aos dois poetas.

A cerimónia decorreu no dia 11 de Dezembro no Mosteiro de S. Bento da Vitória, no Porto, e foi organizada pela editora D. Quixote.
O Livro das Sombras valeu a António Rebordão Navarro o Prémio Literário Florbela Espanca.

O Prémio, no valor de 2500 euros, foi atribuido pela Câmara Municipal de Vila Viçosa.
O júri compôs-se de um representante municipal e de quatro membros da Associação Portuguesa de Escritores.
As Duas Faces do Dia, de Dora Maria Nunes Gago, e O Anarquista do Ave, de Augusto Castro Pereira, foram galardoados com dua menções honrosas.
O conceituado prémio literário Cervantes foi este ano atribuido ao chileno Gonzalo Rojas.

O famoso prémio da literatura hispânica consagrou hoje o poeta chileno Gonzalo Rojas, de oitenta e quatro anos.
O nome do vencedor foi anunciado pela Ministra da Cultura espanhola e, para além do prestígio que acarreta, o Prémio Cervantes vale a Rojas um galardão no valor de 90 mil euros.
Gonzalo Rojas iniciou a sua actividade literária em 1948 com a obra A Miséria do Homem e concilia-a com uma carreira de professor universitário
Numa altura em que muitos lamentam o preço excessivo dos livros, o Book Crossing surge como uma alternativa às grandes livrarias e hipermercados. Fazer novas amizades, encontrar raridades e aceder a sugestões e avaliações de obras por parte de pessoas que leram os livros e que não são os «distantes e picuinhas» críticos literários são algumas das vantagens deste movimento que se vai espalhando por todo o mundo. Terminaram-se as desculpas para não ler.
O Book Crossing não é um fenómeno recente. Mas com a facilidade de divulgação e de criação de grupos organizados para trocas através da internet, a moda vai-se expandindo.
Em Portugal, onde os livros permanecem inacessíveis (por falta de meios económicos e de hábitos de leitura) a uma grande parte da população, a troca de livros pode ser uma boa alternativa à ida à livraria. À inscrição num dos múltiplos grupos de Book Crossing é necessário juntar a coragem para libertar os livros que se ama e...ups, novas páginas lhe cairão nas mãos.
«O espírito do Book Crossing é a partilha, não só de livros, mas principalmente de paixões, experiências marcantes, ensinamentos. Um livro pode conter tudo isso e lê-lo é uma dádiva com que devemos permitir que outras pessoas sejam também agraciadas», explica Maria Lúcia, uma jovem entusiasta desta prática, «além disso, a partilha de livros pode ser o mote para uma amizade. As pessoas trocam impressões sobre os livros que leram e criam, através deles, afinidades e laços afectivos. É muito comum isso acontecer».
Como já foi referido, a internet é o meio de proliferação, por excelência, dos amantes do Book Crossing. Vários sítios podem ser consultados e a lista que expomos constitui apenas um pequeno exemplo de alguns desses grupos existentes, em Portugal e não só.
Morreu Rachel Queiroz, uma das romancistas mais apreciadas no Brasil.
Ela foi a primeira mulher a entrar, em 1977, para a Academia Brasileira das Letras.
Autora de romances como O Quinze, Meninos de Ouro ou Memorial de Maria Moura, ganhou o prémio Camões em 1993.
Morreu dia 4 de Novembro, aos noventa e três anos.
As entrevistas e as notícias que conseguirmos obter sobre literatura e literatos.