janeiro 10, 2004

O ÚLTIMO SAMURAI - HONRA, SABRES E TRADIÇÃO

Tom Cruise é Nathan Algren, um oficial americano que se reencontra no mundo dos Samurai. Uma abordagem muito interessante ao eterno conflito entre a tradição e a modernidade. Um dos grandes filmes de 2004!

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Edward Zick sempre teve uma paixão pelo cinema de época. Glory e Lendas de Paixão explicam-vos melhor que eu o significado desta paixão do realizador que, com O Último Samurai, consegue fazer do filme algo mais do que um veículo de promoção à mega-estrela Tom Cruise.
Parecendo que não, O Último Samurai é essencialmente uma crítica aos Estados Unidos. Uma crítica à sua política de expansão para Oeste, que só foi conseguida através de sucessivos massacres de tribos indias, os verdadeiros elementos tradicionais de um país que se convencionou chamar Estados Unidos da América. Nathan Algren é dos poucos americanos que ainda tem o discernimento para perceber que há coisas que são mais importantes que a glória. Sendo assim, encharcado em alcoól, Algren embarca para o Japão, a longinqua terra do sol nascente, para fazer exactamente o oposto que defende: treinar os exércitos japoneses na arte da guerra ocidental.
Mas no entanto chegando ao Japão, Algren redescobre na cultura samurai o mesmo espírito que a América possuía nas tribos indias. Nesse sentido, Algren redime-se ao associar-se aqueles que, na sua terra natal, ajudou a destruir. É assim que, ao lado dos samurais, defensores da tradição da cultura japonesa, que Algren recupera a sua honra.

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Neste final do Século XIX o Japão estava numa encruzilhada histórica. O novo imperador Meiji era um homem fraco, controlado habilmente pelos magnatas japoneses que, a pouco e pouco, foram trocando a cultura tradicional nipónica pelos costumes do Ocidente. Enfrentando estes capitalistas orientais está Katsumoto, líder dos Samurais e mestre do Imperador. Apoiando-se numa cultura militar milenar, Katsumoto derrota os exércitos ocidentais do ministro capitalista Omura, e captura Algren. A principio seu prisioneiro, Algren torna-se seu amigo e a pouco e pouco companheiro. É ele quem o resgata do cativeiro e é ao seu lado que ambos se preparam para a última batalha da sua vida.
Apesar do filme ter uma notável fotografia, num retrato muito bem conseguido de uma pequena comunidade rural nas montanhas japoneses, é a cena da batalha final que tem maior poder visual, a lembrar um pouco Os Sete Samurais e Ran - O Senhor da Guerra do mestre Akira Kurusawa.

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O Último Samurai foi concebido inicialmente como mais um veículo para Tom Cruise tentar conseguir o Óscar que tanto ambiciona. Mas Cruise, apesar de ser a alma do filme e conseguir aqui um dos seus melhores papeis, não parece que esteja na rota do menino dourado. Neste filme Cruise perde-se na definição da sua personagem que ou é um anti-herói ou então se transforma no perfeito salvador do dia, quando, ao descrever a batalha de Termópilas, mostra ao líder samurai que há batalhas que por muito impossíveis que parecem, podem ser ganhas. Tom Cruise é uma estrela e não um grande actor. Fez um papel do outro mundo em Jerry Maguire, mas para além disso o menino de Risky Business e Top Gun há muito que trocou o cinema pela conta choruda que o transformou no "Imperador de Hollywood".

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A grande interpretação do filme vem de Ken Watanabe, o actor japonês que dá vida a Katsumoto, o verdadeiro último samurai (Cruise é só uma versão americanizada). Num papel cheio de força e garra, Watanabe prova que não é preciso ter B.I. americano para se ser um grande actor. Se a Academia retomar a tradição que premiou nomes como Hang S. Ngor, então, poucas interpretações secundárias merecerão tanto a estatueta como esta.
Um filme de acção com um pano de fundo histórico e com a presença constante da estrela por excelência do star-system. Esta seria a abordagem simplista a O Último Samurai. No entanto a crítica à indústria de armamento (a cena com a Howitzer é demolidora), à política neo-colonialista norte-americana e à modernidade, que sai vencedora do confronto final, são no fundo os pratos fortes deste filme da Warner Brothers.
Nomeado até ao momento para vários prémios será dificil ver este filme premiado. Não deixa no entanto de ser um dos grandes títulos de um ano que só agora principia.

8 Pipocas - ********

The Last Samurai : de Edward Zwick com: Tom Cruise, Ken Watanabe, Bill Connolly, Tony Goldwyn, Masato Harada, Shin Koyamada e Koyuki m/12 2h24m

Posted by Miguel Lourenço Pereira at janeiro 10, 2004 12:54 PM
Comments

se me hizo muy padre todo muy original y que mas puedo decir que me manden postales porfavor se los suplico

Posted by: mayra uribe at janeiro 25, 2004 09:51 PM

Fui ver o filme no dia de estreia, e fiquei um pouco confuso, porque foi diferente do que estava á espera. Acredito que um segundo visionamento irá permitir que eu aprecia alguns detalhes nas entrelinhas. Confesso que esperava um filme com mais acção, mas fiquei satisfeito com o resultado final. Interessante.

Posted by: prometheus31 at janeiro 12, 2004 03:10 PM
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