Um justiceiro imperdoável, um americano perdido em Tóquio, um pirata pouco convencional, um desertor que só quer reencontrar o amor e um exilado de um país que não conhece paz.
Eis os nomeados ao Óscar de Melhor Actor.
A grande luta deste ano é sem dúvida a que opõem Sean Penn e Bill Murray.
O primeiro tem uma carreira notável atrás de si à espera da consagração que vem sido sucessivamente adiado. O segundo consegue neste divertido papel, relançar a carreira, pautada de filmes menores de divertimento.
Há ainda também Johnny Depp na interpretação mais hilariante e alternativa do ano, Jude Law, como a peça fulcral do filme de Anthony Mingella e Ben Kingsley, o único dos nomeados que já venceu. Foi no primeiro filme que fez, em 1982, Gandhi.
SEAN PENN
A opinião é unânime: 2003 é o ano de Sean Penn.
Quer por 21 Grams quer por Mystic River, neste ano, um dos mais talentosos actores vivos, conseguiu dois desempenhos memoráveis, vendo assim escancaradas as portas para o justo e ansiado óscar.
Mas a vitória, a acontecer, não será fácil. Bill Murray tem provado ser um "papa-prémios" e por muito boa que tenha sido a temporada de Penn há vários factores que correm contra ele. O facto de ser um homem anti-sistema é uma, tal como a sua devoção á causa pacifista que o levou a visitar o Iraque antes do irromper da 2º Guerra do Golfo. Além do mais Penn é dos nomes mais mal-amados entre Hollywood e os seus colegas podem castigá-lo severamente pelas suas posições radicais.
No entanto, a haver justiça, Sean Penn seria um vencedor antecipado mesmo antes da cerimónia começar.

BILL MURRAY
Até agora ele colecciona mais prémios que todos os outros nomeados juntos. Venceu tudo o que havia para ganhar, inclusive nas corridas contra Sean Penn.
Por isso há quem o aponte como o favorito para a noite mágica de dia 29.
Mas se Penn tem uma carreira de luxo atrás de si, e dois desempenhos memoráveis, o que tem Murray a oferecer?
Carreira não é de certeza. Bill Murray entrou em vários filmes "b´s" nos anos 80 (já Penn fazia grandes clássicos como Anjos Caídos), e celebrizou-se com o filme Caça-Fantasmas. Depois a sua carreira entrou em declíneo tendo sido ressuscitado em Os Teenembaums. Sofia Copolla apostou nele e o resultado foi uma interpretação onde Bill Murray se limita a ser...Bil Murray. Por isso, se o factor número um da Academia foi a prestação, então Murray corre atrás de Penn e Depp. Mas com o balanço que o actor norte-americano já leva, é dificil travar uma eventual subida ao palco. Isto se ele se dignar a aparecer!

JOHNNY DEPP
O mais talentoso actor da sua geração consegue a sua segunda nomeação aos óscares. E é completamente merecida (se bem que igualmente surpreendente).
Se nos restringirmos ao campo da comédia, desde que Dustin Hoffman fez de Tootsie que não tinha havido tal caracterização de uma personagem como Depp fez com o Captain Jack Sparrow em Piratas das Caraíbas.
Os adjectivos são insufcientes, mesmo que sejam todos empregues, porque a interpretação é verdadeiramente fora do normal. Mas por ser um papel à Depp, cheio de tiques e expressões faciais próprias, poucos esperavam a nomeação.
Mas Depp logrou mesmo estar no lote dos eleitos. Não vai lutar pela vitórias, mas que merece a estatueta merece.
Na noite da Cerimónia, a razão dos cinéfilos está toda a torcer por Penn, mas o coração atraiço-a porque pede que o vencedor seja um "upset". Um "upset" chamado Johnny Depp.

JUDE LAW
Fala-se dele como o novo James Bond. Mas isso não vem ao caso. Jude Law foi nomeado por ser grande, na interpretação que dá ao desertor Inman, no filme de Anthonny Mingella, Cold Mountain.
Law é verdadeiramente introspectivo, seguindo a escola de grandes nomes como James Stewart. O sentimento que ele mostra no olhar é apenas a ponta do icebergue que irrompe dentro dele mil tempestades.
Se Kidman é desilusão no filme, Law é a confirmação. Confirmação de um grande talento, de um actor nato, de um nome para o futuro. Como tal a nomeação não passará disso mas é um recado para o mundo do cinema. "Atenção, que aqui há talento"!

BEN KINGLSEY
De todos os nomeados é o único já oscarizado. Foi em 1982 com Gandhi.
Depois disso a carreira de Kinglsey entrou num verdadeiro zigue-zague. Tanto depressa apareceu como desapareceu, fazendo ocasionais aparições, como na Lista de Schindler.
Em House of Sand and Fog a sua interpretação foi sólida, como nos habituou, mas talvez demasiado apegada ao guião original, e aos traços da sua personagem, um iraniano exilado. Faltou-lhe alguma garra e chama, que não invalidam o excelente desempenho deste britânico, especialista em fazer de asiático.
Se Kinglsey vencer, será a surpresa da noite, algo a que no entanto a Academia já nos habituou. por várias vezes Mas num ano em que o mano a mano de Murray e Penn atrai todas as atenções. pouco espaço de manobra fica para os restantes nomeados.
