maio 15, 2004

Tu Cá, Tu Lá... com Carlos Resende - Selecções Nacionais

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As selecções nacionais analisadas por Carlos Resende...

- Toda a entrevista
- Diferendo Liga/Federação
- FC Porto e seu treinador, crise no ABC e futuro do Sporting
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QA – No que diz respeito à selecção nacional, está marcada uma eliminatória importantíssima e que dá a qualificação para o Mundial. Qual é o estado de espírito?
CR – Eu penso que é bom. De qualquer forma, nós estamos muito condicionados à forma como as pessoas têm trabalhado e se têm auto-motivado para trabalhar. Mas penso que é bom, apesar de noutras alturas lhe ser capaz de dizer que era bom de certeza.

QA – Deixou a fase da certeza e chegou a uma altura em que lhe resta acreditar?
CR – Quando estamos a jogar costumamos esquecer tudo, sobretudo quando as coisas nos correm bem. Mas quando não correm bem, mesmo que nós não queiramos, é natural que haja influência dos problemas que temos na vida. Neste momento, há muitos jogadores de andebol a sentir esses problemas.

QA – Tem notado algum mal-estar na selecção?
CR – Da parte dos jogadores nunca houve mal-estar, naquilo que é a minha visão. Se calhar outros terão uma perspectiva diferente mas não creio que haja mal-estar. Certo é que há a ausência de uma visão optimista no que diz respeito ao futuro dos jogadores de andebol.

QA – Que resumo faz do Campeonato da Europa, que decorreu na Eslovénia no início deste ano?
CR – Correu de uma forma regular. O que não correu bem resultou das expectativas que algumas pessoas tinham. Jogamos contra equipas que, no campo teórico, são mais fortes do que nós e contra as quais pouco poderíamos fazer. As outras equipas é que tinham a obrigação de ganhar e foi isso que aconteceu. A única coisa que correu mal foi o sorteio, que não nos deu um grupo mais acessível. Nós somos tão pequenos e estes problemas ainda nos diminuem mais, pelo que ninguém se lembra de nós, aqui neste pedaço da Península Ibérica.

QA – Entretanto o andebol também tem estado na agenda devido aos alegados exagerados cometidos numa praxe da selecção de esperanças. Como é que comenta essa situação?
CR – É difícil falar porque, quer queira quer não, há três miúdos da minha equipa envolvidos. Por isso, a minha visão do caso é parcial, até porque não conheço a outra parte. Mas se me é permitido, e só tenha pena desta entrevista não ser o mais pública possível, queria observar que eu, enquanto pai, nunca teria feito aquilo que aquele pai fez, expondo o filho a toda esta situação, que se tem desenrolado em plena praça pública.

QA – Alguma vez lhe aconteceram situações idênticas?
CR – Não, eu até tive praxes engraçadas. Agora, o que acontece é que, por aquilo que eu sei, se falaram em coisas que não aconteceram. E coisas graves, como referência a ácidos, que não existiram.

QA – Entretanto, continuam a haver sanções para alguns jogadores.
CR – Há muito tempo. Eu até achei os castigos mais penalizadores para as próprias equipas do que para os atletas. Vejamos: os jogadores punidos podem jogar pelas suas selecções se cumprirem serviços cívicos mas permanecem impedidos de exercer a sua actividade para os clubes que representam e que são, ao fim ao cabo, as entidades que lhes pagam. No meio disto tudo, os clubes foram os verdadeiros castigados, porque se vêm privados dos seus atletas.

QA – Fugindo ao negativismo, as selecções jovens de Portugal têm conseguido resultados importantes, com qualificações para provas do calendário internacional. Os escalões de formação inspiram-lhe confiança para o futuro?
CR – A manter-se este problema não. Nós somos um povo pequeno mas que cresce com alguma rapidez. Temos jovens que ganham uma maturação motora mais rapidamente do que jovens de outros países e os bons resultados que temos nessas idades não têm continuidade porque não há trabalho a esse nível nem há campeonatos suficientemente competitivos para prosseguir com o processo de crescimento. Continuaremos a ter bons resultados nesses escalões mas a maior parte desses atletas não chegará a evoluir no sentido de poder fazer a diferença.

Escrito por André Viana às maio 15, 2004 03:09 PM
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