
Desde a final da Liga dos Campeões de 1999 que não se via algo assim. A França perdia com a Inglaterra aos 91´ mas acabou por cantar vitória no final! O até então desinspirado Zidane resolveu a partida a favor dos gauleses, num encontro muito fechado, com os golos a surgir através de lances de bola parada. Beckham teve grande penalidade para 2-0 mas Barthez fez uma defesa brilhante, alimentando esperanças que se esmoreceram com o tempo. Um jogo pobre que guardou o melhor para o fim.
Na outra partida, Croácia e Suiça foram pouco ambiciosas, com especial destaque para os balcânicos, que jogaram com mais um elemento durante quase todo o segundo tempo e eram favoritos à partida. O nulo verificado no final é castigador para ambos os conjuntos mas penaliza mais os croatas, mais fortes no plano teórico e com ambições de qualificação. Assim fica difícil…
O Estádio da Luz recebeu aquele que diziam ser a partida mais importante da fase de grupos do Euro´2004. O final acabou por justificar o estatuto mas o restante tempo de jogo foi pouco mais do que fraco. Os ingleses cederam o domínio do encontro à França, cientes da valia ofensiva dos gauleses, crentes num contra-ataque para o qual estavam talhados Owen e Rooney. Mas tinham outras armas, nomeadamente os livres de Beckham e a meia-distância dos outros jogadores do centro do terreno: Scholes, Gerrard e Lampard.
Depois de 20´de domino francês, assente no flanco direito e no acerto de Pires, o jogo acalmou e equilibrou-se, com a Inglaterra a criar situações de relativo perigo. O futebol francês começava a ficar perro, tolhido no centro, sem soluções à esquerda e com o luso-francês do Arsenal a cair de rendimento. Com Zidane bem manietado e Henry e Trezeguet amarrados por King e Campbell, os “bleus” insistiam em tentativas de penetração pelo meio e em tabelas nas imediações da área, quase sempre inconsequentes. Vieira procura ser o elemento desequilibrador mas poucas vezes lograva criar perigo para a baliza de David James.
Assim sendo, a Inglaterra acabou por chegar à vantagem, na sequência de um livre de Beckham, emendado pelo pequeno Lampard, esquecido pelas marcações francesas. O intervalo chegou e exigia-se que Santini alargasse o jogo francês, o que não aconteceu. Henry passou a cair mais sobre a esquerda, flectindo amiudadas vezes para o centro e possibilitando as penetrações do veterano lateral Lizarazu. Como Beckham ajudava Neville e Pires desaparecera na direita, a França voltava a afunilar o seu jogo pelo centro, incluindo Vieira mas também Makelele no auxílio a Zidane. Owen e Rooney esfregavam as mãos na ânsia de uma bola para contra-ataque e foi o jovem do Everton que a teve. Correu que nem um doido e foi rasteirado por Silvestre quando se preparava para bater Barthez. Não sabemos se o francês defenderia o remate do inglês mas sabemos que se estirou de forma incrível para evitar o forte e colocado penalti de Beckham.
Não obstante este momento e as entradas de Wiltord e Sagnol (que pouco ou nada acrescentaram), a França continuava sem soluções e Zidane não aparecia. Até que Makelele é derrubado por um ingénuo Heskey à entrada da área e Zizou bate o livre à Figo, para o lado do guarda-redes. “Calamity” James tinha dado o passo à esquerda e não conseguiu voltar atrás. Empate para a França, que já sabia a vitória perante a desilusão inglesa, que tinha o pássaro na mão. Acabou por ver dois a voar porque Gerrard fez um passe proibido para o guardião, que cometeu grande penalidade sobre o astuto Henry. Zidane não quis imitar Beckham e deu a vitória à França, que já via pairar o “fantasma Senegal”. Os franceses são líderes no Grupo B, os britânicos são, por agora, últimos.
Na outra partida houve muita falta de ambição, sobretudo do lado dos favoritos croatas, que até jogaram quase todo o segundo tempo com mais uma unidade. Ambas as formações optaram por um 4-4-2, sendo que tanto uma como outra equipa tinha dificuldades no flanqueamento do jogo. A Croácia não tinha homens de grande engenho no centro, preenchido por Bjelica e Niko Kovac e dependia do que pudessem fazer Ivica Mornar, à direita, e Ivica Olic, à esquerda. Se Mornar se colava à faixa e dava que fazer a Spycher, Olic era incapaz de mobilizar a sua ala e era facilmente anulado por Haas. O jovem Olic (que até a melhor oportunidade do jogo) tem origens de avançado centro e esta adaptação feita por Otto Baric não deu resultados, até porque havia Rapaic no banco, um jogador que fizera toda a qualificação. O médio acabou por entrar na segunda metade mas pouco acrescentou ao futebol da sua equipa, que não assumiu a necessidade de ganhar com a expulsão do médio Vogel. Se o jogador do PSV se exibia a bom nível, o conjunto suíço não lamentou assim tanto a sua falta. Isto porque retirou uma unidade de produção nula (Chapuisat) e chamou o médio do Marselha, Celestini.
O avançado Frei passou a actuar bem melhor quando se livrou do veterano dos “gafanhotos” e a Suiça até podia ter ganho o jogo, na sequência de um remate de Huggel. O nulo final é penalizador para ambos mas sobretudo para os croatas, que se vêm obrigados a vencer ingleses e/ou franceses. De futebol viu-se pouco, pelo que é provável que ambas as selecções se fiquem pela primeira fase.
Como tantas vezes já aqui se disse, muitas vezes o futebol não é compativel com a justiça. A França jogou muito mal, arriscava dizer q jogou pior do que Portugal. E o Santini sempre a ver jogar no banco.... Valeu o Zidane que sem ter pegado no jogo resolveu de bola parada.
Posted by: Léccio às junho 14, 2004 08:07 PM