
A República Checa safou-se de boa! A limitada Letónia esteve próxima de concretizar uma enorme surpresa mas a mais-valia dos checos acabou por vir ao de cima, apesar de algum atabalhoamento dos pupilos de Karel Bruckner. Por seu turno, os letões colocaram 8 homens permanentemente atrás da linha da bola e muita fé no contra-ataque, entregue a 3 jogadores muito dotados e perspicazes.
Comecemos pela República Checa, que apresentou um esquema em 4-4-2. Grygera e Jankulovsky eram os laterais e Galasek era o homem que actuava em frente dos dois centrais. Perante uma equipa que só atacava com 3 elementos, os checos tinham 5 membros unicamente preocupados em defender. Deste modo, muita da ineficácia ofensiva dos comandados de Bruckner era explicável pela ausência de envolvimento atacante dos laterais, sendo que Jankulovsky ainda era o mais mexido. O jogador da Udinese até costuma actuar mais avançado em Udine mas teve muito pouca iniciativa num jogo em que era a República Checa quem tinha de assumir as despesas. Por outro lado, o médio criativo Rosicky apresentava-se demasiado perro, sendo incapaz de dar fluidez ao ataque dos favoritos, que vivia de Poborsky e das suas incursões pela direita. Nedved não é um extremo e tendia a flectir para o centro, em busca de jogo.
Na frente estava o gigante Jan Koller e o versátil Milan Baros, dupla que se entendia bastante bem e que se completa em características. Contudo, apesar das ocasiões de perigo que criava, a República Checa tinha um jogo muito atabalhoado e que convergia para o povoado centro do terreno.
Do outro lado, Stepanovs era o central mais esclarecido e o encarregue de travar Koller, com quem travava um duelo de arranha-céus. Os laterais cumpriam defensivamente e por aí se ficavam, ao passo que o alto Lobanovs e o capitão Astajevs jogavam como médios, de características iminentemente defensivas. À direita, Bleidelis era pouco mais do que inofensivo, contrariamente ao companheiro da outra ala, muito movimentado e perigoso na condução do ataque. Rubins era um óptimo municiador de Prohorenkovs e Verkapovskis, a dupla da frente que criou o golo que dava, ao intervalo, vantagem aos letões. O avançado do Dínamo de Kiev, herói da qualificação, foi o marcador.
Bruckner chegava ao segundo tempo com tarefa complicada, até porque a Letónia acentuou a defesa. Exigiam-se mudança e o checo lançou Heinz e, mais tarde, Smicer, para os lugares de Grygera e Galasek, a dupla do Ajax. Passou-se a defender com os dois centrais e Jankulovsky subiu para médio-defensivo, com Pobrosky e Smicer a fazerem as alas. Foi o ex-benfiquista a criar o golo da igualdade, convertido por Baros, que perdera alguns bons lances anteriormente. Doze minutos mais tarde chegou o golo da vitória, após nova jogada confusa. A conclusão teve a assinatura do avançado do Banik Ostrava, Marek Heinz. Ufff! Os checos livraram-se de uma tremenda vergonha e de comprometer a qualificação para a fase seguinte. Que lhes sirva de lição…