
Portugal cumpriu, quase sempre sem brilhar. Nem tal era possível ou exigível, dada a urgência em vencer e tendo em conta as alterações efectuadas, que colocaram em campo um onze inédito e pouco, ou nada, rodado. Portugal tinha que ganhar e conseguiu-o, deixando as decisões para o próximo domingo e para o confronto com a Espanha, numa verdadeira final entre colossos ibéricos. Scolari deu ouvidos a muitas vozes que se vêm fazendo ouvir há vários meses e a selecção eliminou a Rússia deste Euro´2004, apesar de estarmos obrigados a não subir aos céus, até porque nada está conquistado (longe disso) e porque os desorientados russos não eram um adversário por aí além. O verdadeiro teste a esta selecção, renovada, chega no primeiro dos dias decisivos: domingo.
Portugal venceu uma selecção apurada para o Euro´2004 e não sofreu qualquer golo, o que constituiu uma imensa novidade. Mais do que isso, recuperou o pessimismo que se instalara após a derrota ante os gregos, embora não se possa admitir que voltemos a ser os melhores do Mundo, como éramos antes do jogo inaugural deste campeonato. Scolari deu o braço a torcer e mexeu na equipa, deixando-a muito próxima do seu melhor onze. A defesa foi o sector mais renovado, mantendo-se apenas Jorge Andrade. O capitão Couto foi substituído por Ricardo Carvalho e Miguel entrava para o lugar de Paulo Ferreira, talvez por Felipão estar ciente da necessidade de cair em cima dos russos e confiar mais nas capacidades do extremo benfiquista do que no estilo de novo lateral do Chelsea. Castigo pelo passe de sábado? Não me parece…
Scolari não esperaria, porventura, que tivesse mais envolvimento ofensivo pela ala contrária, onde Nuno Valente foi bem mais atrevido do que Rui Jorge, principalmente nos minutos iniciais. Mais à frente, Deco assumia o papel de organizador de jogo, relegando Rui Costa para o banco. Figo também aparecia mais disciplinado, não se imiscuindo na missão do “Mágico” e cumprindo a sua missão nas alas, onde alternava com Simão Sabrosa.
A entrada da equipa nacional foi em grande. Sem nervos à flor da pele ou surpresas indesejadas, Portugal assumiu o encontro e caiu em cima do adversário, com Deco a comandar as operações e a servir Maniche, que apareceu na área a confundir as marcações e a inaugurar o marcador. Melhor era difícil… Acreditava-se que tudo estava bem encaminhado mas o que se seguiu não vinha em consonância com o início do encontro. Não que os russos tenham passado a dominar o jogo mas faltava atrevimento ao conjunto de Scolari, que tirou o pé do acelerador. Só Deco continuava com o mesmo ritmo, pautando todo o jogo de Portugal.
A Rússia vivia de Alenitchev e de Loskov, médio do Lokomotiv que entrou para fazer de Mostovoi. Mas esta não era a única mexida de Yartsev, que se via obrigado a mudar no centro da defesa, chamando Bugayev para o lugar do castigado Sharonov. Aldonin mantinha-se como trinco e Izmaylov caía na direita, com Kariaka no lado oposto. Kerzhakov era o homem da frente, onde não estava Bulykin, titular ante a Espanha.
Os livres eram a grande esperança dos “soviéticos” mas as contas complicaram-se em cima do intervalo, com a expulsão de Ovchinnikov, que jogou com a mão fora da área. Figo não converteu o livre mas Portugal saía para o descanso em vantagem numérica e no marcador. Sem mexidas para o segundo tempo, era crível que Portugal assaltasse a baliza de Malafeev e buscasse a tranquilidade, o que não aconteceu. Não que a equipa de Yartsev assumisse o encontro e ameaçasse Ricardo mas o cântaro podia partir na primeira ida à fonte.
Felizmente tal não aconteceu, sobretudo porque Ricardo Carvalho controlava os eventuais erros dos companheiros. Na frente, começavam a surgir espaços para os homens mais avançados, onde já figurava Nuno Gomes, entrado para substituir Pauleta. Rui Costa viria depois para o lugar de Simão mas seria Ronaldo a mexer com a estrutura ofensiva nacional, oferecendo-lhe irreverência e descaramento. Ainda antes de servir Rui Costa para o 2-0, Figo atirou ao poste na conclusão da mais brilhante jogada do ataque nacional.
Portugal está na luta e tem o maior teste dos últimos dois anos no próximo domingo. Resta-nos acreditar, sem entrar em discursos excessivamente vitoriosos. Não somos os melhores do Mundo e as coisas não vão acontecer naturalmente, pelo que se exige uma postura realista e muito, muito querer. Temos fraquezas e devemos conhecê-las, mas também temos bastantes virtudes. Uma delas ainda se enquadra na definição de teenager, joga no Manchester United e dá pelo nome do Ronaldo, Cristiano Ronaldo. Deixem o miúdo jogar…
Apesar de muitas bandeiras terem voltado às varandas, é preciso que a selecção não volte a embandeirar e pense que é a melhor. Com a Espanha era melhor jogarmos com dois trincos e deixar um ala no banco. Talvez:
Ricardo
Paulo Ferreira (ou Miguel)
J.Andrade
R.Carvalho
N.Valente
Petit
Costinha
Maniche
Deco
Ronaldo
Nuno Gomes
Solidez no meio campo e rapidez no ataque com os laterais a subir. Aka tactica do porto
Posted by: Bid às junho 17, 2004 11:38 AM