
Portugal está nos quartos-de-final do Euro´2004, afastando a arrogante Espanha da competição. Talvez os nossos vizinhos continuem com o discurso de que não valemos nada mas é mesmo essa a típica conversa de vizinho. Certo é que abalroamos os espanhóis rumo à conquista da Champions League e voltamos a fazê-lo neste Euro´2004, à imagem do que já havíamos feito na qualificação para o Europeu de Sub-21, corria o ano de 2001. Portugal está diferente da equipa que preparou, com amigáveis, esta competição. Também está anos-luz acima do conjunto que defrontou a Grécia, ainda há uma semana. Não se terá feito nenhum trabalho revolucionário nestes últimos dias, fez-se apenas o básico: entregar a titularidade aos melhores.
A imensa alegria que está selecção nos proporciona assenta na qualidade dos jogadores que serviram de base a estas duas vitórias, que nos qualificam para a fase seguinte e, mais do que isso, dão-nos o primeiro lugar no Grupo A. Como eram diferentes as coisas há uma semana!
A equipa que subiu ao relvado do Alvalade XXI apresentava apenas uma alteração relativamente à que jogara contra a Rússia na quarta. O génio de Ronaldo não esperou no banco e ocupou um lugar na equipa inicial de Scolari, jogando aberto numa das alas, em alternância com o capitão Luís Figo. A defesa mantinha-se, apesar das dúvidas entre Miguel e Paulo Ferreira. Começou de início o benfiquista, com uma postura muito ofensiva, que retraiu após os 25 minutos, até porque Vicente dava sinais de poder ameaçar a defesa nacional. O flanco esquerdo espanhol conduzia grande parte das jogadas de ataque do nosso adversário, sendo que Nuno Valente secava Joaquín com facilidade e ainda conseguia dobrar os irrepreensíveis centrais na cobertura a Raul e Fernando “El Niño” Torres.
Costinha (marcando Raul), Maniche e Deco eram o tridente do meio-campo, com o luso-brasileiro a pautar o ataque organizado português, caindo à direita e à esquerda, furando pelo meio quando possível. Não satisfeito, ajudava a defender, tal como Ronaldo e Figo, embora o jogador do Real Madrid ficasse em terrenos mais avançados com Pauleta, impondo respeito aos defesas espanhóis e tentando limitar as subidas de Puyol e Raul Bravo. Por falar no lateral dos merengues, Ronaldo foi encostado à direita a partir dos 10 minutos e fez o que quis de Bravo, não temendo partir para cima do adversário directo, entrando na área e servindo o jogo aéreo ou solicitando o remate de quem surgia de trás.
Entrou com grande fulgor a equipa portuguesa, ciente de que só a vitória interessava. Como o golo não surgiu a complementar o domínio nacional, a Espanha começou a assentar o seu futebol e criou alguns lances de perigo, o que limitou a exibição da equipa de Scolari. Albelda e Xabi Alonso controlavam as operações pelo centro do terreno e Torres impunha respeito aos centrais portugueses, que tiveram uma actuação, repito, irrepreensível.
O intervalo chegou com o nulo, que servia apenas os espanhóis. Portugal entrara bem mas não materializara o ascendente, pelo que se exigia que a segunda parte trouxesse o golo que nos levaria aos quartos-de-final. A substituição de Pauleta por Nuno Gomes não poderia ser mais feliz, com o avançado do Benfica a concretizar o golo que vale o apuramento. A passe de Figo, Nuno rodou sobre os centrais e rematou ao seu estilo, batendo o gigante (porque excelente) Casillas.
Havia que manter a vantagem e tentar alargá-la mas a Espanha tinha outras intenções, que a obrigavam a igualar. Assim sendo, Saez tinha que arriscar, introduzindo, por esta ordem, Valerón, Luque e Morientes. O chuveirinho final foi inconsequente, apesar de remates aos postes por Torres e Helguera, e Portugal reforçava o sector defensivo com Petit e Fernando Couto. Ainda assim, os derradeiros minutos só trouxeram ameaça de golo na baliza espanhola, com Maniche, Costinha e Nuno Gomes a ameaçarem o 2-0, que matava o encontro. Nada se alterou, o que também serve os intentos nacionais. Portugal continua em prova e tudo é possível daqui em diante, até porque há um país unido em torno de uma equipa. Ainda não somos os melhores do Mundo mas temos um trunfo que nos pode ser muito útil: temos consciência disso e das nossas limitações mas acreditamos muito no que de bom temos. Todos estamos com esta equipa mas ninguém será menos patriota por saber criticar quando vê pontos negativos na selecção de Portugal.
NDR – Apenas dois pontos; 1) é muito bonito ver Portugal em torno da sua equipa. Scolari e jogadores não podem queixar do público. 2) Pinto da Costa estava a brincar quando estabeleceu em 50 milhões de euros o passe de Ricardo Carvalho. Ainda não é tempo de saldos…
Pois agora e td mt bonito! mas kem esteve smp contra scolari e a seleccao nao pode ser cobarde ao ponto de vir agora por a mao no peito. todas essas pessoas tem d dar a cara e assumir o k andaram a dizer ao longo d tanto tempo. Mesmo que portugal se fique pelos quartos...
Posted by: Ivo Adao às junho 22, 2004 07:41 PMA propóstito do que o Ivo disse, vou entao "dar a cara". O Scolari andou a fazer muita asneira. Foi só depois do jogo da grécia que os 11 titulares contra a Espanha (tirando Pauleta) se revelaram os jogadores em melhor forma? Um mês de concentração e treinos nao deu para ver isso? Felizmente o jogo que demos de avanço aos nossos adversários não nos custou caro. Força Portugal!
Posted by: Léccio às junho 22, 2004 07:58 PMIvo, eu fui um dos que critiquei o Scolari. Agora, o que me parece evidente é que o Scolari, fazendo as alterações que toda a gente via serem necessárias, reconheceu o seu erro. Ou seja, não era eu e tantos outros que estávamos errados. Era ele, e o Euro tem estado a prová-lo. Agora como ele corrigiu o que estava mal, eu não sou teimoso nem anti-scolari. Sou português. E, enquanto português, fico feliz por ver a selecção jogar como nunca, ao longo de todo o tempo de preparação jogou. Ele compreendeu o erro, corrigiu-o, logo, tudo sanado.
Força Portugal!
A Inglaterra vai ser complicado...
o ivo volta a confundir patriotismo com o "come e cala". não é essa a postura que tenho relativamente ao meu clube, não é essa a postura que tenho relativamente à selecção. mais do que isso, vem-se a comprovar que as minhas críticas (e as críticas de muitos outros) tinham fundamento, porque tudo mudou quando scolari pôs a mão no peito e escolheu a melhor equipa. sempre apoiei portugal, mesmo não gostando de scolari ou deste ou daquele jogador. sempre fui ver o porto a jogar futebol, mesmo discordando de alguns treinadores e de alguns jogadores que por cá passaram. não admito que me julgem menos portista ou menos português por assumir uma postura crítica quando não concordo com o que vejo...
Posted by: andre viana às junho 23, 2004 09:18 AM