
A Grécia voltou a surpreender. Desta vez tratou de eliminar uma França que, sem inverter a lógica, voltou a jogar mal, sem ambição, com pouco espírito de equipa. Um conjunto acomodado aos êxitos de 1998 e 2000 e que pede uma urgente renovação, que deve acontecer já na caminhada para o Mundial da Alemanha.
A metódica e ambiciosa Grécia volta a dar-se bem com grandes equipas, à imagem do que já fizera contra Portugal e mesmo no desafio ante a Espanha. Consciente das suas fraquezas e crente nas mais-valias que também possui, os helénicos são comandados (e bem!) por um típico treinador alemão: realista, táctico q.b., organizado, cuidando cada aspecto do jogo ao pormenor.
Da Grécia dizia-se que estava em queda de rendimento, sobretudo após a derrota com a Rússia. Curiosamente, o conjunto helénico só cedeu perante uma formação que lhe é inferior. Como explicá-lo? É óbvio que a equipa de Rehhagel não sabe assumir o jogo, sendo talhada para actuar em contra-ataque e perante defesas que concedam espaços ou que, pelo menos, deixem os avançados gregos em igualdade numérica na frente de ataque. Futebol organizado e envolvente não é o forte deste surpreendente conjunto, que já fizera mossa na fase de qualificação.
Está talhada para adversários “mais fortes” esta Grécia. Estuda muito bem os adversários, sabe detalhadamente como parar este ou aquele jogador com marcações individuais, joga como equipa. De facto, todos os seus elementos parecem unidos rumo a um único objectivo, traçado entre todos, desejado por todos. Mais à frente, beneficia de alguns bons elementos, muito dotados e muito “matreiros”, com muito faro para o golo, cientes de que não terão muitas oportunidades para decidir o encontro. Não é bonito o futebol grego, se tivermos em conta apenas o sentido estético-espectacular do termo. É bonito no campo da eficácia, é bonito no campo do espírito de equipa e do total empenho rumo à conquista de um objectivo. A Grécia é a excepção à regra que diz que este Euro´2004 não está feito para equipas que assumem uma postura quase exclusivamente defensiva: Inglaterra, Itália, Alemanha.
Perante uma França que apostou no mesmo esquema (sem Vieira, com Dacourt) e na mesma ausência de ideias e ambição, a Grécia parou Henry com Seitaridis, deixando dois centrais para Trezeguet, Katsouranis com Zidane, Karagounis a auxiliar Fyssas no controlo de Pires, colocando Zagorakis e Basinas a fechar à direita, até porque Seitaridis andava sempre atrás do melhor marcador da Europa em 2003/2004. Os franceses não escapavam a estes casamentos, sendo que Henry até era dos mais esforçados.
Na frente, a Grécia contava com a magia de Karagounis e com a qualidade de Charisteas, um óptimo avançado que já deixara indicações nos dois primeiros jogos. Uns furos abaixo encontrava-se Themistoklis Nikolaidis, substituto de Vryzas. Se a posse de bola era gaulesa, com o óbvio consentimento do conjunto de Rehhagel, as ocasiões de golo mais evidentes surgiram junto à baliza de Barthez. O nulo ao intervalo era, contudo, a lógica consequência de uma França apática e de uma Grécia pouco atrevida.
Nada se alterou no segundo tempo, com a equipa de Santini crente de que o golo acabaria por surgir, como consequência da sua superioridade teórica e da estrelinha que tem acompanhado a equipa nos últimos anos. Pelo contrário, foi Charisteas quem decidiu o encontro, após excelente cruzamento de Zagorakis. O campeão alemão cabeceou forte e colocado, atirando a Grécia para as meias e a França para férias antecipadas. E lá se vão os favoritos…
Inglaterra??...
Posted by: Ivo Adão às junho 28, 2004 12:21 AMInglaterra?? Desculpa André,mas este é um erro inadmissível!!!
Corrige isto o mais depressa possível!
Como o André não mudava, decidi mudar eu (deve andar a estudar para os exames).
Posted by: Fernando Zamith às julho 1, 2004 04:42 PM