
Assim sim. O FC Porto que ontem derrotou o Liverpool já esteve bem próximo daquele que vai defender os títulos nacional e europeu, apesar de ainda não contar com algumas caras que, prevê-se, serão fundamentais. Em partida a contar para a Champions World Series, os dragões encontraram um Liverpool que começa a competir dentro de duas semanas; um Liverpool renovado, a meu ver para melhor, pelo menos no plano teórico dos nomes (tanto na equipa técnica como no plantel). Um obstáculo a sério, portanto, que não atemorizou os portistas e que deixou os primeiros indicadores de que se pode fazer algo de muito positivo. O FC Porto de Del Neri não se tornou, de um dia para o outro, numa equipa perfeita mas já exibiu características que obrigam a acreditar numa época muito positiva.
O sistema de rotação e conhecimento dos jogadores parece estar próximo do fim. Del Neri já tem uma ideia sobre quem lhe dá garantias e ontem aplicou-as, mantendo alguns jogadores durante os 90 minutos do encontro, resolvido por Carlos Alberto já perto do final. Assim sendo, Ibarra estará riscado da lista do italiano, que entregou a direita a um central. Ricardo Costa jogou o tempo todo e deve ser a primeira alternativa a Seitaridis, tendo-se exibido muito bem ante o Liverpool, até porque já tem alguma rotina no lugar. Quem também parece ter ganho um espaço é Pepe, que jogou ao lado de Pedro Emanuel no primeiro tempo e partilhou o centro da defesa com Jorge Costa nos minutos finais. Certo é que o ex-maritimista não engana: é mesmo craque! De resto, é injusto destacar nomes quando o onze inicial se exibiu a tão bom nível. Bosingwa encheu-me as medidas, Raul Meireles confirmou o que vem fazendo, Quaresma e César Peixoto partiram a loiça nos flancos (mais o primeiro, melhor em campo enquanto jogou), Derlei e McCarthy exibiram pormenores interessantes, mobilidade q.b. e muitas “ganas”.
Apesar de dez minutos sofridos, o FC Porto começou a assentar o seu jogo, a neutralizar o meio-campo povoado dos ingleses e a tomar conta das operações. O estilo directo funcionou amiudadas vezes, alternado com futebol continuado e boa posse de bola. Mais do que isso, a equipa parece ter ganho conta de que os alas não podem jogar sozinhos, sendo que o futebol flanqueado só funciona com o auxílio dos laterais e com a abertura de linhas de passe por parte de quem actua ao centro. A mobilidade dos avançados também é fundamental e isso verificou-se ontem, sobretudo na primeira parte.
De facto, os portistas tiveram uma meia-hora de grande nível, com Quaresma como mestre-de-cerimónias. O extremo ainda procura os índices físicos e a confiança que a lesão lhe retirou mas já deu um ar da sua graça ontem. Rematou aos ferros por duas vezes, sofreu uma grande penalidade não assinalada, trocou os olhos aos defesas do Liverpool. César Peixoto também não esteve nada mal, reclamando um lugar no onze e libertando Derlei para outras funções.
O golo não chegou na primeira parte, apesar de ser bem merecido, e o segundo tempo foi bem mais morno, embora o controlo do jogo continuasse a pertencer aos dragões. As substituições foram diminuindo o ritmo, sobretudo porque Maciel e Marco Ferreira não têm os recursos de Quaresma e César Peixoto. O duo do meio-campo, esse, mantinha-se imbatível, chegando e sobrando para os ingleses. Baros dava algumas dores de cabeça mas foi Carlos Alberto quem marcou, já muito perto do fim, na sequência de um livre de Areias e da assistência de Jorge Costa. E assim o FC Porto entra a ganhar na Champions World Series. Mais do que o resultado, Del Neri terá ficado agradado com as performances individuais de colectivas dos jogadores em quem mais apostou. Que o trabalho continue…
Finalmente gostei de ver o Porto jogar, apesar de algum abusar dos passses longos. Continuo é a ter as mesmas dúvidas nos flancos, quem se afigurará como alternativas credíveis a Quaresma e Peixoto (que não me parece que tenha feito um jogo assim tão bom). Derlei é um óptimo jogador mas não é extremo e Maciel ainda não se encontrou. Em compensação o Pepe fez uma exibição enorme, a defesa está bem entregue.
Posted by: Léccio às julho 31, 2004 06:37 PMO Galatasaray decidiu, infelizmente, dar cabo destas ideia. Voltamos ao tempo das fragilidades. McCarthy parece que perdeu o faro do golo. Quaresma ainda tem que resfriar a cabeça e jogar para o colectivo. O Nuno parece o novo Kralj: faz grandes defesas e de um momento para o outro borra a pintura. Etc. Depois, este esquema táctico não me agrada. Defesa em linha não se usa para uma grande equipa. Possibilita apanhar o adversário em fora-de-jogo. Porém, quando falha, a defesa nunca está compensada face ao adversário. Muito arriscado. O meio-campo está muito permeável, pois perde espaço para as alas. O ataque... bem, acho que o jogo de alas não dá certo nesta equipa. E mudar, de um momento para o outro, o sistema táctico é um erro quando o sistema anterior fez do Porto «apenas» o Campeão Europeu. Sei que o treinador é diferente. Sei que sairam três jogadores titulares indiscutíveis. Mas era muito melhor apostar numa transição mais lenta. Dentro de poucas semanas temos as Supertaças, e não gostava de as perder. E ainda quero ver onde neste sistema vão encaixar dois «mágicos» como Carlos Alberto e Diego.
Além disso, parece-me que Del Neri julga que está no Porto por Pinto da Costa querer mudar a equipa. Disse a O Jogo isto: "O FC Porto vai mudar. Se não fosse para mudar não era preciso vir para aqui Del Neri, continuava o José Mourinho". Será que ele ainda não percebeu que o Mourinho saiu por sua vontade e não do clube? Del Neri, concerteza, não seguiu a telenovela «Chelsky quer Mourinho»...
Esperõ enganar-me com tudo o que disse, e no final da época estar feliz a aplaudir o treinador. Até agora estou à espera para ver, mas estou pessimista. Espero mudar de opinião. Melhor: quero mudar de opinião. Mas isso não depende de mim.
A derrota com o Galatasaray vai, certamente, fazer Del Neri pensar... Espero que pense bem.