agosto 21, 2004

Uma semana em grande

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A Federação Portuguesa de Futebol voltou a exibir-se ao melhor nível. Já estamos habituados à excelência dos seus profissionais mas a semana que agora finda superou as expectativas. Não é possível ser-se tão mau…

#1 – Jogos Olímpicos. A prestação nacional foi, já todos o reconheceram, vergonhosa. Contudo, os mais altos dirigentes federativos alhearam-se por completo dos jogadores e do corpo técnico e sacudiram a água do capote, revelando uma leviandade chocante e uma total incapacidade de enfrentar problemas. A FPF quer aparecer na hora das vitórias mas afasta-se nos maus momentos, demarca-se, desresponsabiliza-se… Tenho a sensação de ter visto isto há já dois anos! Ainda mais lamentável que a actuação de Portugal pelos campos gregos, sobretudo porque roupa suja, sempre ouvi dizer, lava-se em casa. O que a FPF fez foi trazê-la para a rua e, pior do que isso, cuspir-lhe em cima.

#2 – Duas Bolas. Não, não me refiro às deficiências de Gilberto Madail. O facto aqui é que a competente FPF “encomendou” duas bolas para o desafio da Supertaça, tendo ainda a brilhante ideia de dividir a sua utilização por partes. Os nossos dirigentes foram incapazes de definir que esférico utilizar e não decretaram nenhuma bola oficial para a competição. Podiam ter-se limitado a reconhecer a bola (oficial) dos campeonatos da Liga mas preferiram ter dois pássaros a voar do que um na mão. Habitual…

#3 – Relvado. Ainda a Supertaça. Aquilo que ontem se passou em Coimbra mais não foi do que futebol de praia. Mais uma vez, a FPF vem apontar o dedo a entidades exteriores, negligenciando a sua própria falta de profissionalismo e a sua incapacidade de acompanhar e garantir a qualidade óptima de uma infra-estrutura que seria utilizada numa competição sob sua alçada.

#4 – “Adie-se”. Perante tamanha incompetência, Gilberto Madail vem colocar a cereja no topo do bolo. Que tal adiar o jogo? Pois claro… Podia ser a meio de Outubro, entre jogos de selecções, Liga dos Campeões e Superliga. E os emigrantes que pagaram bilhete? Voltam a vir cá, sempre é dinheiro que entra. Será que a FPF anda feita com o Governo?

#5 – Pausa. A FPF, as grandes personalidades do futebol português e grande parte da Comunicação Social vêm, por este meio, lamentar a decisão de Luís Figo em interromper, por tempo indefinido, a sua disponibilidade para jogar por Portugal. Ora vejam lá, e eu que pensava que o gajo andava indisponível há já algum tempo! Meus amigos, aquilo que o Figo fez foi isto: “Idiotas do meu país vizinho, tenho muita pena por vós mas anuncio que não estou para perder tempo convosco nem com os amadores do Luxemburgo e do Liechenstein. Contudo, como vocês precisam muito de mim, eu posso pensar em jogar novamente com a horrível camisola inspirada em 66 se se virem reunidas as seguintes condições: choradinho da FPF, do Scolari, dos jogadores e da opinião pública; jogos grandes e chorudos (€€€€€) em perspectiva; garantias de titularidade absoluta e inquestionável; impossibilidade de substituição; ausência de compromisso em passar a bola aos outros pacóvios, até porque o Rui já não está convosco.”

#6 – Divinização. Pelo que se impunha que Madail concluísse o ramalhete. E fê-lo como só ele sabe. Que tal se ninguém voltasse a usar as camisolas 7 e 10? Pelo que eu, ingenuamente, pensei: será que vão instituir a 99 e chamar o jogador com maior palmarés em actividade no cenário internacional? De facto, Figo e Rui Costa são nomes incontornáveis na história do futebol português mas nenhum deles mordeu os calcanhares de um Maradona. Depois, este saudosismo enoja-me. Quando há todas as condições (falta-nos uma FPF em condições, é certo) para surgirem novos craques que mereçam esses números, era mesmo necessário prendermo-nos a um passado que foi bom mas que já não é mais do que isso mesmo, passado?

Uma semana soberba, portanto. Outras virão…

Escrito por André Viana às agosto 21, 2004 10:43 AM
Comentários

Muito bem. Bom post.

Posted by: fortune às agosto 24, 2004 11:55 PM