dezembro 22, 2004

Bola parada - Uma questão de atitude

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Foto: maisfutebol.iol.pt

A última jornada da Superliga ficou marcada por atitudes pouco ou nada enquadradas no espírito natalício. Dos adeptos aos jogadores, passando pelos árbitros, todos quiseram mostrar o que de pior sabem fazer. No Afonso Henriques foi o que se viu, mas na Luz e no Dragão também houve atitudes reprováveis de quem tem a obrigação de mostrar alguma maturidade. Valeu o guardião do Vitória de Guimarães, que decidiu vestir o fato de Pai Natal...

A atitude... dos adeptos do Vitória na partida frente ao Sporting foi, uma vez mais, condenável. Sendo um dos clubes históricos do nosso futebol, o Guimarães merecia uma massa associativa menos... selvagem. Quando a ira dos adeptos não se dirige aos técnicos ou jogadores da equipa, há que acertar com cadeiras nos árbitros e adversários. Este tipo de atitudes já custou caro ao plantel em anos anteriores, com os atletas a serem forçados a uma viagem quinzenal até Felgueiras. O castigo parece não ter servido de lição, a um conjunto de adeptos que devia ser impedido de entrar nos recintos desportivos. Pedir à direcção do Vitória uma atitude seria como pregar um sermão aos peixes. Isto porque, na cidade de berço tudo gira em torno da vontade da massa associativa, que ainda não percebeu que o principal responsável pelos últimos campeonatos menos conseguidos da equipa é precisamente o décimo segundo jogador. Os atletas do Vitória, que até são de qualidade, ora jogam sob brasas, ora vêm o campo ser invadido por cadeiras vindas da bancada. Tranquilidade e bom senso parecem ser termos desconhecidos por aquelas bandas.

A atitude... do técnico Manuel Machado foi, no meu entender, bem pior que a dos seus adeptos. Por medo ou falta de carácter o técnico decidiu “justificar” as tristes cenas de segunda-feira à noite com o facto de ter havido um golo ilegal e um festejo mais acalorado de Carlos Martins. Ao treinador cabia-lhe permanecer calado, ou quanto muito pedir desculpa pelo sucedido.

A atitude... do árbitro Pedro Henriques e seus assistentes. Foras de jogo mal assinalados e um golo mal validado a Beto mancharam uma exibição, que até nem foi assim tão má tendo em conta o clima que se respirava no estádio. Incompreensível, porém, a não amostragem de cartões a jogadores que se envolveram constantemente ao longo dos noventa minutos.

A atitude... infantil de Liedson ao colocar o braço no caminho da bola. Por muito envolvido que estivesse no encontro, ao brasileiro cabia gerir com profissionalismo uma situação que foi tão falada ao longo da semana anterior. Com a atitude que todos vimos, a Liedson restava-lhe duas saídas e nenhuma delas agradável: ou marcava golo e saía da cidade de berço de consciência pesada e bastante criticado por todos os verdadeiros amantes de futebol; ou via o cartão amarelo e não defrontava o Benfica. Com a sua atitude o 31 dos leões comprometeu-se a si e as seus companheiros.

A atitude... de Jorge Costa na partida frente ao Moreirense não foi digna da braçadeira que enverga. As imagens, que foram várias vezes repetidas, mas nunca comentadas de forma séria e objectiva, são claras. É evidente o encosto do capitão portista no árbitro assistente no lance em que o central viu o cartão amarelo (por pontapear a bola depois do jogo estar interrompido). Intenso ou não, o encosto existe e como diria um dos nossos redactores, “no distrital aquilo era para vermelho directo”... E a grande verdade é que já vi jogadores suspensos por muito menos. Isto numa partida em que Quaresma (qual Liedson) decidiu também mostrar alguma imaturidade e “pediu” um cartão amarelo para não viajar até à Madeira.

A atitude... de Argel ao querer beijar a testa da “velha raposa” é de todo infeliz. Por muito carinhosa que fosse a imagem, não será o beijo do guerreiro que vai apagar da memória de Trap as péssimas actuações do central nos últimos jogos. Para quem vê de fora, e não sabe sequer o tipo de relação que Trappatoni mantém com os seus atletas, parece-me que aquela era uma cena escusada (na qual o central saiu por baixo). Isto porque, em vez de aceitar o carinho, Trap preferiu alertar Argel, quiçá, para o perigo dos remates de Wesley.

A atitude... de Bruno Moraes no jogo frente ao Leiria pode ter-lhe custado a confiança de Couceiro e dos adeptos do Sado. Pouco dado a desobediências o técnico tirou de imediato o médio ex-porto depois deste ter falhado duas grandes penalidades seguidas, a segunda das quais não tinha ordem para converter.

A atitude... do árbitro da partida de ontem entre Benfica e Oliveirense para a Taça de Portugal também não foi a melhor. Das três grandes penalidades marcadas a favor dos encarnados (duas delas falhadas), apenas uma parece não deixar margem para dúvidas. Para além disso, realce também para a atitude dos pupilos de Trap que ao subestimarem o adversário, por pouco não ficaram a ver a taça por um canudo.

Por fim resta-me falar da atitude... dos adeptos do Penafiel, num caso que marcou a penúltima jornada. Parecendo querer seguir as pisadas vimaranenses, os adeptos penafidelenses decidiram invadir o campo com garrafas, sendo que, até um balde voou para perto de um dos assistentes. Perante tal cenário, o Presidente António Oliveira (ex-seleccionador nacional; ex-jogador de futebol; e ao que se sabe futuro candidato à presidência do FC Porto, clube no qual já foi treinador), decide correr em direcção aos adeptos não para os condenar, mas antes para os ajudar a insultar o árbitro. Nas imagens televisivas pudemos reparar que alguns dos sócios estavam inclusive estupefactos com a postura do seu presidente. Triste demais para ser verdade...

Escrito por Ivo Adão às dezembro 22, 2004 06:03 PM
Comentários

Encosto do Jorge Costa ao árbitro assistente? Não sabia, e vi o amarelo ser mostrado ao vivo. Engraçado como pela televisão as coisas são diferentes.

Posted by: Duarte às dezembro 22, 2004 07:26 PM

Na minha opinião falta aí uma atitude. A dos dirigentes do Sporting que ja começaram a pressionar os árbitros para nao mostrar o amarelo a Liedson. Talvez por isso o jogador se sentisse protegido.

Em relação ao Jorge Costa, vi o jogo e na repetição parece mais grave do que o que é. O jogador ia a correr (para recuperar posição) enquanto protestava e foi contra o assistente. Pelo menos foi essa a ideia com que fiquei.

Posted by: Léccio às dezembro 22, 2004 07:33 PM

Concordando ou discordando, bom post Ivo. Venham mais destes...

Posted by: andre viana às dezembro 22, 2004 07:57 PM