
Foto: Público
Como é difícil escrever a crónica de um alegado jogo de futebol que foi a sua negação! Qualidade quase nula, erros primários repartidos pelas três equipas e um plantel do FC Porto claramente sobreavaliado. Sempre me contaram a história do Pai Natal no singular mas agora percebo que essa figura terna e familiar é como os chapéus - há muitos! Vítor Baía enfiou a carrapuça e marcou na própria baliza, ao passo que o auxiliar de Carlos Xistra tinha-a tão enterrada que nem viu um fora-de-jogo de dois metros. Assim até Fabiano marca! Fabuloso... Se uns ofereciam as prendas, outros pareciam muito pouco prendados para o conseguir. Que o digam César Peixoto ou Hélder Postiga, os burros de um triste presépio que consagra o nascimento de um campeão de Inverno que, a julgar pelo parto, não terá longa vida. Não queiramos cruxificá-lo injustamente mas é difícil acreditar em milagres...
Percebeu-se hoje porque é que o Marítimo não vencia há seis jogos! Sem Leo Lima, os insulares enfiaram-se numa caixinha de boas intenções mas só com extrema complacência portista é que os pupilos de Mariano Barreto ameaçavam a baliza de Vítor Baía. Estruturados em 4-2-3-1, os madeirenses apresentavam um esquema de contenção (não se sabe bem do quê porque os campeões nunca obrigaram a tanto) e nem o futebol flanqueado parecia constituir ameaça para uma defesa que actuava aos tremeliques. Assim sendo, só a prenda de Baía permitiu o golo de Pena, que encostou após falha incrível do guarda-redes do FC Porto.
Limitado nas opções, Fernández alargou o castigo que aplicara a Carlos Alberto e a Quaresma (também castigado pela Liga) a todos os adeptos portistas. Mais noventa tristes e deprimentes minutos, mais opções engenhosas de deixar os cabelos em pé! Não queiramos nomeá-las e correr o risco de deixar algo ou alguém de fora... Estruturado num teórico 4-4-2, os dragões assentavam apenas neste último número. Bosingwa - pela raça e lição de profissionalismo - e Seitaridis - pela qualidade e dimensão que deu ao escasso jogo azul e branco - são as unidades que escaparam à mediocridade que foi e é este FC Porto, um conjunto anárquico em que passam imunes atitudes completamente inimagináveis.
Se o golo de Pena parecia vindo de um filme de terror, o empate de Fabiano em nada lhe fica atrás. Deslocado em relação à linha defensiva insular, o Fabuloso viu o trio de arbitragem validar um tento fantasma! Incrível... Completemos o surreal com o prolongamento do espectáculo Postiga (em exibição no palco CSKA, repete no PSG e em qualquer recinto perto de si), que desperdiçou dois golos na cara de Marcos! Por respeito a vós, leitores do Quarto Árbitro, fico-me por aqui. Como a equipa deste blog gosta de falar de futebol, não faz sentido prolongar a crónica de noventa minutos que foram a negação desta fantástica modalidade. Bom Natal para todos e desconfiem dos tipos que vêem entregar as prendas...