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O diário desportivo O Jogo volta a insistir no interesse do FC Porto em contratar Luís González. É impossível determinar o sucesso da operação enquanto não se confirmar a vinda do médio internacional argentino para o Dragão mas, a ser verdadeira a notícia de que há contactos para que a transferência se concretize, parece-me já um excelente indicador de que há uma viragem relativamente à política de contratações recentemente utilizada pela SAD portista. Janeiro é o mês decisivo para a época azul e branca, até agora marcada por equívocos e erros crassos. Assusta-me um pouco que Pinto da Costa possa perder a noção de que o passado do FC Porto foi construído por homens formados ou chegados à Invicta sob o anonimato e Lucho González não constitui, a este nível, um ponto de convergência com o tal passado que invoco. Internacional argentino, é um jovem jogador com nome feito mas julgo não me enganar ao prever um futuro risonho para o centro-campista do River Plate caso opte por assinar pelo FC Porto e deixar de lado as muitas e boas propostas que lhe chegam de outros países europeus.
Houve um claro deslumbramento face à situação desportiva e financeira que o FC Porto vivia no Verão do ano que agora finda. Fruto de duas temporadas verdadeiramente fantásticas (usando um termo muito do agrado de José Mourinho), os bicampeões nacionais gozavam de um prestígio no mercado que permitiu as contratações de Diego e de Luís Fabiano, já para não falar em Ricardo Quaresma. Jovens jogadores, está bom de ver, todos eles muito talentosos mas todos eles com provas a dar! Infelizmente, a adaptação destas estrelas não tem corrido propriamente bem, até porque parece faltar pulso a quem comanda. O extremo ex-Barcelona já esteve a treinar com a equipa B, ao passo que os brasileiros deram entrevistas pouco ou nada dignificantes a órgãos de comunicação sul-americanos.
Muitos argumentarão que Lucho também se pode facilmente inserir neste lote de jogadores-vedeta que adormecem à sombra de um estatuto fugaz e que carece de confirmação. Confesso que esse risco é real mas não acredito que o modo de Lucho estar em campo seja compatível com essa postura. É certo que o médio do River Plate tem nome feito e está referenciado por muitos dos grandes emblemas europeus mas sempre admirei a sua postura em campo, que não me parece compatível com quebras de rendimento ou excessos de vedetismo. Lucho é daqueles que não engana - dá tudo o que tem em campo, notabilizando-se por uma entrega enorme que compensa a falta de inspiração que a todos atinge, com maior ou menor frequência. Bom de bola, tem facilidade em jogar com ambos os pés e é o complemento perfeito para um Maniche (ou Maniche para ele) amplamente limitado fisicamente e pela ausência da força trabalhadora que dá pelo nome de Deco. Com Diego no onze, Maniche viu-se obrigado a jogar muito mais perto de Costinha, perdendo o FC Porto em verticalidade, que o médio brasileiro também não assegura porque ainda pensa e executa muito devagar e, com frequência, para o lado.
Pelo que, e sendo que Fernández parece ter assumido o esquema de dois avançados, Lucho poderia jogar sobre a meia-direita, ajudando Maniche a fechar em terrenos mais avançados e comandando a condução do jogo com o internacional português e com Diego. Inquestionável é que urge definir um modelo táctico e reforçar posições chave, dado que o FC Porto não tem o tal plantel perfeito que muitos asseguravam ver no campeão europeu. A manter-se a actual opção por dois atacantes, urge reforçar o miolo com uma unidade que assegure o auxílio a Maniche no processo defensivo e que dê outro fulgor a um ataque deprimente. Rosicky não é essa unidade; Lucho pode muito bem sê-la mas, caso não se confirme a contratação (até por ser um atleta pretendido por grandes clubes e que tem, como tal, um valor de mercado elevado), há que encontrar um jogador com as mesmas características e que ofereça aquilo que Hugo Leal, Raul Meireles, Bosingwa (uma agradável surpresa mas não se lhe exiga tanto) ou Carlos Alberto não podem assegurar. Se, por outro lado, Fernández pretender alargar o jogo do FC Porto pelas alas, então urge mesmo encontrar duas unidades capazes de o fazer convenientemente. Não se percebe, de facto não se percebe, o porquê de Sérgio Conceição não ter ficado neste plantel! Será preferível manter Maciel e César Peixoto do que apostar num jogador de créditos firmados e que sempre serviu de forma profissional o clube? Um exemplo de dedicação e entrega, uma prova de que quem dá o que tem a mais não é obrigado! Será que Conceição não ficou porque duvidavam do seu valor? Será que ganha mais no Standard do que ganharia aqui? Muitas questões para responder, sendo que a mais importante terá de ser esclarecida já para a próxima semana - que FC Porto para 2005?
Escrito por André Viana às dezembro 29, 2004 04:00 PMConfesso que do Lucho só conheço o que li nos jornais e aqui. Preocupa-me é o facto de nem sempre os jogadores argentinos se adaptarem rapidamente ao futebol europeu e neste FCP não há tempo para adaptações. A liderança na Superliga é curta e a Champions é a eleminar.
Venha quem vier tem de pegar de estaca, pq jogadores há procura da melhor forma ja temos que cheguem.
A contrtação do argentino era muito bom mas era preciso um central de qualidade mas enfim vamos ver.....
Posted by: Nuno Ricardo às dezembro 30, 2004 08:16 PM