
Foto: Lusa
Esta Superliga está imensamente grata ao Sporting de Braga. Já o estava antes do início deste encontro, é certo, mas a vitória no Dragão acaba com uma tremenda e lamentável farsa. A mediocridade do FC Porto de Fernández é totalmente incompatível com a liderança de uma qualquer competição, sendo que Jesualdo Ferreira vê recompensado o trabalho que os minhotos patentearam, mais uma vez. Trabalho é, de facto, uma palavra-chave e que distingue os adversário da noite de ontem. De um lado, uma turma metódica, realista, desejosa de pontos e ciente de como os alcançar. Do outro, e à semelhança do que vem sendo hábito nesta Superliga, uma soma de individualidades pouco ou nada adeptas da teoria da Gestalt. Em síntese, o FC Porto não é digno do topo da tabela.
Depois de uma vitória sofrida em Leiria (porque oscilou entre o bom e o sofrível de uma parte para a outra), Fernández voltava a variar o esquema táctico. Ainda que a mudança de nomes fosse obrigatória - por força da indisciplina que vem marcando este FC Porto - a mudança formal de um 4-3-3 aberto para um 4-3-3 ao molho e fé em Deus é bem menos compreensível. De facto, Costinha voltava a ter a companhia de Bosingwa mas o regresso de Diego baralhou as contas no miolo. Leo Lima deveria cair sobre a esquerda mas esta ala era assumida pelo reforço Leandro que, finalmente, relegou a experiência Ricardo Costa para o banco (quando não dá, não dá). Pensar-se-ia num FC Porto diferente, porque mais largo e independente do trabalho de uma única extremidade. Infelizmente, os dragões voltaram a não ter acutilância junto das laterias - muito por culpa da inoperância de Diego e de Leo Lima, muito por culpa do recuo de Seitaridis, muito por culpa da ausência de uma unidade que ameaçasse a dupla Nem-Nunes.
De facto, os centrais bracarenses foram apenas a perífrase de um conjunto bem montado, ciente dos seus objectivos e seguro de como os atingir. Abel e Jorge Luiz, já o haviam provado antes, são laterais de qualidade e o miolo minhoto é dos melhores desta Superliga - trabalhador, generoso táctica e tecnicamente. Jesualdo Ferreira não admite a concepção do típico trinco - pejorativamente duro e tosco. Deste modo, os visitantes cedo lograram impôr a mais-valia do seu trio de números 8 (Luís Loureiro, João Alves e Vandinho). Dominador nesse espaço do terreno e implacável na zona mais recuada, o Braga contava ainda com a magia de Jaime Jr. e de Wender e com a veia goleadora do Jardel de Coimbra. João Tomás foi o melhor em campo e um exemplo de eficácia e de brilhantismo - a noite era dele.
Ainda que com maior posse de bola - consentida, era esta a estratégia de Jesualdo - o FC Porto jogava muito longe da baliza de Paulo Santos e o número de perdas de bola era verdadeiramente assustador. Pior do que isso, estas aconteciam numa zona perigosa do terreno, até porque o Braga apostava num esquema subido e que facilmente colocasse o esférico para a mobilidade de Jaime ou Wender, sempre com o apoio alternado do trio do meio-campo. Por seu turno, os dragões viviam das iniciativas de Leandro e de Ricardo Quaresma (mais uma vez desinspirado), sendo que nem Leo Lima nem Diego tinham a capacidade de pegar no jogo. Como já aqui fiz notar por variadas ocasiões, este FC Porto não tem verticalidade e os organizadores perdem-se, com frequência, em progressões laterais que, por muito vistosas que sejam, resultam em muito pouco.
Nesta toada, o Braga foi crescendo até chegar à vantagem. Canto batido por João Alves na esquerda e João Tomás, fulgurante, a cabecear para o fundo da baliza de Vítor Baía. Sozinho em posição absolutamente proíbida, o avançado ex-Bétis tratou de desnudar uma outra farsa que, por sorte, não caiu também ontem - esta defesa do FC Porto é, também ela, medíocre. Já o tinha mostrado antes, voltou a exibi-lo mais tarde. Não foi brilhante a reacção do campeão nacional, que conseguiria, num rasgo individual, chegar à igualdade. Estranhamente, Seitaridis perdeu os falsos pudores e arrancou rumo à área bracarense, sendo então derrubado por Nem. Grande penalidade convertida por Diego, desta feita sem direito a insultos ao guarda-redes adversário. Sem que muito fizesse para o justificar, o FC Porto empatava e parecia partir para um período de maior acerto. Com Pitbull em campo e a demonstrar que há um bom sentido para a tão discutida alcunha, os dragões pareciam não ter razões para limitar Seitaridis a missões defensivas.
Infelizmente para os portistas, o arrancada do grego foi mesmo uma excepção à regra da banalidade. Atrás, a infantilidade e a falta de nível continuavam, com Pedro Emanuel e Pepe (mais este) a convidarem o Braga a nova vantagem. Assim aconteceu a poucos minutos do intervalo. Agora de livre, João Alves descobre um Wender que terá usado do poder da invisibilidade. Solto de marcação, o brasileiro ex-Naval bateu, de cabeça, Vítor Baía. Parece fácil! Assim se chegava ao intervalo, com o Braga a dispôr de justa vantagem no marcador e Fernández forçado a mostrar mais, muito mais, para impedir que o seu FC Porto chegasse ao cúmulo de somar, nos jogos caseiros, mais pontos perdidos do que ganhos! Já se despediram treinadores por bem menos...
Todavia, a segunda parte não acrescentou nada à pobreza que vem sendo este campeão nacional, europeu e mundial. Só Cláudio (usemos o nome politicamente correcto) demonstrava poder acrescentar algo a um conjunto vazio de ideias, de ambição, de personalidade. Curiosamente, também Leandro se exibia a um nível aceitável, ainda que tenha caído com o tempo. Se a osmose não actuar, o FC Porto tem reforços. Do outro lado, o Braga não foi tão brilhante no início da segunda metade. Não que tivesse sido encostado às cordas mas o miolo perdeu fulgor e Wender, principalmente este, não lograva aproveitar o vazio existente no último reduto portista.
Atabalhoado, o campeão esperava o golpe final e João Tomás encarregou-se de o aplicar. Descoordenação, mais uma, entre Costinha e Pepe (a meio-campo) e saída temerária de Vítor Baía, a pontapear o esférico contra o corpo do avançado bracarense. Com a sorte que protege os audazes, Jesualdo Ferreira confirmava o triunfo no Dragão e a liderança, ainda que provisória, na Superliga. Na noite do curto regresso de Maniche, o FC Porto voltou a exibir a anarquia que se instalou entre o balneário e somou mais uma expulsão inacreditável. Por agressão, Maniche viu vermelho directo e ainda tentou tirar explicações com Bruno Paixão. Obrigado Braga! Por desmascarares um líder que mais não tem sido do que uma utopia futebolística e organizativa. Pior do que isso, um FC Porto com evidentes lacunas desportivas e no saber estar. Há três anos, Octávio Machado foi despedido por uma derrota diante do Braga, então para a Taça de Portugal. O que se seguiu... Bom, o que seguiu já todos nós conhecemos!
Ficha de Jogo
Estádio do Dragão | Espectadores: 33 517 | Árbitro: Bruno Paixão (Setúbal | Assistentes: José Lima (Lisboa), António Godinho (Setúbal) | 4º Árbitro: Rui Costa
FC Porto 1 - Braga 3
GOLOS [0-1] João Tomás 22', [1-1] Diego 34', [1-2] Wender, 42', [1-3] João Tomás 76'
FC Porto
99 Vítor Baía GR
22 Seitaridis LD
15 Leandro LE
7 Pepe DC
3 Pedro Emanuel DC
6 Costinha MD
17 Bosingwa MD 31'
12 Diego MO
28 Léo Lima MO 67'
10 Quaresma AD 82'
9 Luís Fabiano AV
T: Victor Fernandez
13 Nuno GR
5 Ricardo Costa DC
8 Nuno Valente LE
18 Maniche MO 67'
55 Paulo Machado MO
23 Cláudio AV 31'
41 Hélder Postiga AV 82'
Amarelos 38' Quaresma, 41' Pepe, 43' Léo Lima, 50' Seitaridis
Vermelhos 85' Maniche
Braga
1 Paulo Santos GR
22 Abel LD
28 Nunes DC
4 Nem DC
5 Jorge Luiz LE
6 Luís Loureiro MD 60'
88 Vandinho MD
18 João Alves MO
10 Jaime MO 64'
15 Wender AV
9 João Tomás AV 81
T: Jesualdo Ferreira
12 Marco GR
3 Paulo Jorge DC
14 Castanheira MO
8 Paulo Sérgio AD
30 Cândido Costa AD 60'
29 Cesinha AE 64'
50 Edinho AV 81'
Amarelos 33' Nem
Escrito por André Viana às janeiro 31, 2005 11:17 AMA paciência tem limites! Se o conjunto que esbanjava oportunidades de golo ainda se tolerava, este que se apresentou no Dragão não tem nada que se aproveite.
Como é que um jogador como o Leo Lima é titular indescutivel no FCP?!?!? quando nem o era no Maritimo. O que é q acrescentou ao nosso futebol? Nada. Diego tarda em impôr-se e Fabiano está a ser uma desilusão. Junta-se a isso um Costinha incompreensivelmente mau e temos um meio campo que não funciona e um ataque que não marca.
Gostei do Claudio, mas claro que não há milagres, precisa de tempo e de ambientação à SuperLiga. Leandro, na minha opinião também se exibiu bem, mas parece que o Ricardo Costa faz falta na grande área, que tal trocar o Pepe por ele?
O problema parece ser mesmo esse, se nas épocas anteriores se apostou em jogadores com experiencia de SuperLiga, este ano optou-se por brasileiros que até podem ter talento mas precisam de se adaptar. E de um campeão europeu querem-se resultados imediatos.
Posted by: Léccio às janeiro 31, 2005 02:23 PMDEPOIS DE PASSAR OS OLHOS POR TANTO DISPARA-TE, ATÉ QUE GOSTAVA DE SABER QUEM É O TAL CLUBE QUE É "DIGNO" DE LIDERAR A SUPER LIGA!!!!!
TALVEZ UM DOS DA SEGUNDA CIRCULAR????????
ACHO DIFICIL, POR ISSO É GENTE QUE NEM TÃO POUCO CONHECE O SIGNIFICADO DA PALAVRA DIGNIDADE.