
Fotos: UEFA
Vem de Inglaterra o próximo adversário do Sporting na Taça UEFA. Fundado em 1876, o Middlesbrough tem no actual símbolo a data de 1986. Com efeito, o Boro conheceu então a actual designação - Middlesbrough Football and Athletic Company. Salvo por um grupo de empresários britânicos (principalmente de origem escocesa ou do norte de Inglaterra), o clube encarava a Division Three (correspondente à nossa III Divisão actual, ou seja, quarto escalão na hierarquia). Hoje, todavia, o Middlesbrough é uma das equipas mais estáveis e prometedoras da Premiership, tendo inclusivamente conquistado o seu primeiro troféu na temporada passada. Ao vencer a Taça da Liga Inglesa, com golos de Job e de Zenden, o Boro conseguia também alcançar as provas europeias, algo que acontece pela primeira vez no historial do clube. Steve McClaren, ex-adjunto de Ferguson no Manchester United e actual número dois de Eriksson na selecção, é o grande obreiro do crescimento do clube.
Enquadramento – Middlesbrough, uma marca recente

Com uma presença instável pela Premiership – criada em 1992 – o Middlesbrough assentou com a chegada de Steve McClaren, que veio substituir o histórico Brian Robson (hoje técnico do West Bromwich Albion). McClaren solidificou o emblema na divisão maior do futebol inglês antes de se lançar à conquista de troféus e à presença em provas europeias. Inaugurado em 1995, o Riverside Stadium é um ambicioso palco para 30 mil lugares e uma infra-estrutura projectada para uma equipa de futuro. Isso tem sido conseguido recentemente, ainda que o emblema já venha marcando presença nos desafios decisivos das provas a eliminar britânicas. Todavia, só a 29 de Fevereiro de 2004 chegou o primeiro título da história do Middlesbrough. Aconteceu na final da Carling Cup, que o Boro disputava com o Bolton de Sam Allardyce. Para delírio de dezenas de milhar de adeptos, McClaren viu Joseph-Désire Job e Bolo Zenden – este de grande penalidade – selarem a vitória por 2-1. Ainda que tenha terminado a temporada num modesto 11º lugar, o clube conseguira uma incrível proeza e marcaria presença na Taça UEFA. A 16 de Setembro, o Banik Ostrava era batido por 3-0 no Riverside e James Morrison conseguiu, quinze dias volvidos, o primeiro golo obtido pelo Boro em território europeu no empate a um registado na República Checa.
Steve McClaren – Um projecto, um líder

Antigo adjunto de Ferguson no Manchester United e parceiro de Eriksson na equipa nacional inglesa, Steve McClaren tem feito um trabalho brilhante desde que chegou ao Middlesbrough, em 2001. Mal consolidado na Premiership, o Boro encetou um projecto ambicioso e que traria para o Riverside um amplo conjunto de bons jogadores. Depois de um aceitável 12º lugar na época de estreia, McClaren lançou-se no mercado e trouxe alguns bons valores para a equipa. Juninho Paulista – campeão do Mundo - regressava após duas tentativas anteriores (uma excelente mas que culminaria na descida à League One, outra completamente falhada) e Boateng vinha do Aston Villa com provas dadas no futebol britânico. Massimo Maccarone foi contratado ao Empoli e era tido como um promissor avançado, Franck Queudrue chegou de Lens e Geremi foi emprestado pelo Real Madrid. Todavia, o projecto europeu foi ameaçado pela prematura perda de Juninho, devido a uma grave lesão. Mais uma vez, o clube fechava a temporada a meio da tabela. Bem melhor a época seguinte, que acabou por trazer o primeiro troféu do clube. McClaren promoveu alterações na sua equipa técnica mas os nomes que mais interessavam aos adeptos vinham de fora. Gaizka Mendieta, Bolo Zenden e Danny Mills ingressavam no Middlesbrough e prometiam ser uma mais-valia. Assim se confirmou, sendo que a preparação desta temporada ainda foi mais sonante no que concerne a contratações. Zenden foi adquirido a título definitivo mas de Stamford Bridge veio também a principal estrela da companhia. Jimmy Floyd Hasselbaink, avançado ex-Campomaiorense e Boavista, que marcou o seu espaço em Inglaterra intercalado com uma fulgurante passagem pelo Atlético de Madrid. Internacional holandês, Jimmy brilhara em Leeds e em Londres mas não fazia parte dos novos planos do Chelsea. Aos 32 anos, aceitou a proposta do Middlesbrough. Também Mark Viduka vinha com créditos firmados, ele que vira o seu Leeds descer de divisão e mergulhado numa terrível crise económica que forçou a sua saída. Michael Reiziger, ex-Barcelona, e Ray Parlour, ex-Arsenal, fechavam o excelente leque de contratações.
Seguros na Europa, fortes na Premiership

Aparentemente, Steve McClaren conseguiu aproximar o Boro do topo da Premiership. Actual sexto classificado a dois pontos do Liverpool, o clube deve garantir o acesso à Taça UEFA pela segunda ocasião consecutiva e vem fazendo um óptimo percurso pela Europa. Eliminado o Banik Ostrava, o Middlesbrough foi primeiro na fase de grupos, perdendo apenas diante do Villareal (0-2). De resto, vitória sobre o Egaleo da Grécia (1-0), sobre a Lázio de Fernando Couto (2-0) e sobre o Partizan de Belgrado (3-0). Na última eliminatória, o GAK foi ultrapassado com alguma dificuldade. Por duas vezes em vantagem na Áustria, o Boro não foi além de uma igualdade a duas bolas. Ainda assim, o Riverside tremeu com o tento inaugural de Bazina, prontamente anulado pelo acerto de James Morrison e de Jimmy. Eliminado da Taça da Liga Inglesa e da Taça de Inglaterra, o Middlesbrough conta manter-se nos lugares europeus da Premiership (chegar ao quarto lugar e à Liga dos Campeões ainda é perfeitamente viável) e ultrapassar a próxima ronda da Taça UEFA, chegando o mais longe possível.
Princípios tácticos e onze-base
Equipa de futebol atacante, o Middlesbrough actua no típico 4-4-2 britânico. Michael Reiziger está de regresso à equipa depois de uma paragem que se temeu mais prolongada mas Mendieta tem a época perdida desde finais de Outubro. Pilar do miolo, o internacional espanhol lesionou-se com gravidade e não joga mais esta temporada. Isso tem forçado McClaren a buscar alternativas, num onze constituído de forma harmoniosa entre jovens valores e veteranos com provas dadas em Inglaterra e na Europa. Mark Schwarzer, australiano de 32 anos, está na equipa desde 1997 (contratado ao Bradford) e tem sido titular desde então. Depois da lesão no ombro, Michael Reiziger recuperou a lateral-direita. Formado no Ajax, o internacional holandês ganhou tudo pela famosa equipa de Van Gaal mas não foi feliz em Milão, onde esteve um ano. Rumou depois a Barcelona, onde se afirmou como um atleta rigoroso a defender e com fácil incorporação no ataque, ainda que revelasse falhas no acto de cruzar. Reiziger já fez um golo esta temporada, algo que não acontecia desde 1996. Gareth Southgate e Chris Riggott formam a dupla de centrais. Se o primeiro é um veterano internacional inglês, o segundo é um jovem produto das escolas do Derby County. Southgate, ex-Aston Villa, é um bom pilar na defesa mas exige ao lado um atleta mais veloz, capaz de o completar na antecipação e nas dobras. Internacional sub-21 inglês, Riggott tem-se imposto no onze do Boro, relegando a concorrência do experiente Ugo Ehiogu. Pretendido pelo Liverpool em 2002, o central acabou por permanecer no Riverside e não se arrepende da opção. Internacional B pela França, Franck Queudrue é o dono da lateral-esquerda. Emprestado pelo Lens em Janeiro de 2001, o defesa agradou e foi contratado no final da temporada. Muito útil nas incursões ofensivas, revela facilidade em concretizar (já tem quatro golos na corrente temporada) e forma uma dupla temível com Zenden ou com Downing.
Tem um pequeno problema – é indisciplinado. A perda de Mendieta trouxe problemas ao miolo, onde são certos os nomes de Ray Parlour, Bolo Zenden e Stewart Downing. Ex-Arsenal, o primeiro dispensa apresentações. Internacional inglês, deixou Highbury Park após treze temporadas ao serviço dos gunners. Médio box-to-box, Parlour não tem o fulgor de outros tempos mas assume-se facilmente como recuperador. Limitado nas acções ofensivas, revela-se também importante na marcação de lances de bola parada. Sem Mendieta, o companheiro de Ray tem sido George Boateng. Internacional holandês de 29 anos, foi contratado ao Aston Villa em 2002 e cedo se afirmou na equipa titular de Steve McClaren. Leva dois golos na actual temporada, algo que nunca fizera durante os dois anos passados no Riverside. James Morrison tem aparecido recorrentemente como auxílio a estas duas unidades (Mendieta foi titular com Parlour até se lesionar). Aos 19 anos, foi ele o primeiro a marcar pelo Boro fora de Inglaterra e já leva três golos na UEFA. Produto das escolas do clube, foi importante na vitória da FA Youth Cup de 2004 e ameaça explodir na equipa titular de Steve McClaren. Quem já o fez foi Stewart Downing, um miúdo de 20 anos chamado por Eriksson para o recente compromisso perante a Holanda. Dotado ala-esquerdo, Downing estreou-se em 2002 mas só se vem afirmando na corrente temporada. Fernando Couto já defrontou o jovem médio e classificou-o como “uma sensacional descoberta”. Veloz e excelente na arte de assistir, Downing forçou Zenden a fixar-se na direita e já leva cinco golos na corrente temporada. Internacional holandês, Boudewijn é um dos melhores jogadores à disposição de McClaren. Contratado a título definitivo depois de um empréstimo de uma temporada, Zenden é um atleta de explosão. Jogador holandês do ano de 1998, foi apontado como sucessor de Overmars mas não encontrou facilidades em Barcelona nem em Londres. Atormentado por lesões, Bolo volta a impor-se em Middlesbrough. Já leva sete golos na corrente temporada e é uma das estrelas do conjunto. Jimmy é o único avançado a ter ganho o estatuto de fundamental. Bota de Ouro, Hasselbaink (como é conhecido em Inglaterra) nasceu no Suriname mas internacionalizou-se pela Holanda. Cresceu no AZ Alkmaar antes de tentar Portugal. Deu-se bem, tanto no Campomaiorense como no Boavista e depois foi contratado pelo Leeds. Ainda passou pelo Atlético de Madrid antes de chegar a Stamford Bridge mas os 32 anos impediram que continuasse em Londres depois da última temporada. Goleador por todos os sítios onde passou, foi acolhido de braços abertos em Middlesbrough. A julgar pelos treze golos já conseguidos, ninguém se arrepende da sua contratação. Explosivo no remate, Jimmy não precisa de espaço para facturar e é um adversário temível. Viduka tem dividido com o camaronês Job o lugar vago no ataque. Ex-Leeds, o australiano tem sido chamado com maior frequência. Brilhou pelo Celtic mas projectou-se internacionalmente em Leeds, tendo deixado a equipa após a descida de divisão. Muito pretendido, acabou por permanecer em Inglaterra e leva sete golos na corrente temporada. Job começou em França, tal como muitos compatriotas. Todavia, tem marcado o seu espaço no Boro. Muito rápido, executa com facilidade e tem dotes técnicos que aconselham a sua utilização num esquema mais aberto e de contra-ataque. Nemeth tem sido menos utilizado e Malcolm Christie, ex-Derby, lamenta a falta de sorte. Esteve lesionado até Janeiro, marcou no regresso e voltou a parar no encontro seguinte. Não deve voltar a actuar esta temporada.
Plantel
Guarda-Redes
1 Mark Schwarzer 06.10.1972 AUS
12 Carlo Nash 13.09.1973 ENG
22 Bradley Jones 19.03.1982 AUS
27 Ross Turnbull 04.01.1985 ENG
Defesas
2 Michael Reiziger 03.05.1973 HOL
3 Franck Queudrue 27.08.1978 FRA
4 Ugo Ehiogu 03.11.1972 ENG
5 Chris Riggott 01.09.1980 ENG
6 Gareth Southgate 03.09.1970 ENG
21 Stuart Parnaby 19.07.1982 ENG
23 Colin Cooper 28.02.1967 ENG
24 Andrew Davies 17.12.1984 ENG
26 Matthew Bates 10.12.1986 ENG
28 Andrew Taylor 01.08.1986 ENG
29 Anthony McMahon 24.03.1986 ENG
31 David Wheater 14.02.1987 ENG
Médios
7 George Boateng 09.05.1975 HOL
14 Gaizka Mendieta 27.03.1974 ESP
15 Ray Parlour 07.03.1973 ENG
17 Mark Wilson 09.02.1979 ENG
19 Stewart Downing 22.07.1984 ENG
20 Doriva 28.05.1972 BRA
25 James Morrison 25.05.1986 ENG
32 Boudewijn Zenden 15.08.1976 HOL
33 Anthony Peacock 06.09.1985 ENG
34 Jason Kennedy 11.09.1986 ENG
Avançados
8 Szilárd Nemeth 08.08.1977 SVK
11 Malcolm Christie 11.04.1979 ENG
16 Joseph-Désiré Job 01.12.1977 CMR
18 Jimmy Hasselbaink 27.03.1972 HOL
30 Danny Graham 12.08.1985 ENG
36 Mark Viduka 09.10.1975 AUS