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Ora aí está a novidade para os lados do Dragão – duas vitórias caseiras consecutivas e a primeira reviravolta na condição de visitado e em partida da Superliga. Daqui se pode depreender que o FC Porto fez mais do que aquilo a que nos habituou mas também é certo que o Vitória de Setúbal se apresentou fisicamente mas com atenções voltadas para as meias-finais da Taça de Portugal. Sem ser brilhante, o conjunto de Couceiro teve garra mais do que suficiente e, mesmo cometendo os erros típicos de uma turma intranquila, logrou vencer com toda a justiça. Assim se ameniza um final de campeonato que ameaçava tornar-se num enorme e lento sofrimento.
Enquadramento
Como atrás se disse, o Vitória de Setúbal apresentava-se no Dragão com a tranquilidade de quem tem a permanência garantida e não ambiciona a qualquer lugar de acesso às competições europeias por via da Superliga. Com efeito, a recepção ao Boavista pode abrir uma porta de regresso à UEFA por intermédio da Taça de Portugal e, logicamente, José Rachão poupou alguns elementos para se apresentar na máxima força na próxima terça-feira. Vindo de um empate caseiro diante do Gil Vicente, o conjunto sadino vencera na última deslocação (3-1 na Choupana).
Quanto ao FC Porto, a derrota no Bessa dificultou as contas do título e a semana foi preenchida por nomes. Couceiro assistiu ao aparecimento de cinco potenciais treinadores, Lisandro López foi anunciado como reforço mas outros atletas foram abordados como possíveis contratações para a próxima temporada. Ou seja, pouco se discutiu da recepção ao Setúbal na semana que agora finda, projectando-se já cenários de constituição da equipa técnica e do próprio plantel.
Tácticas
Mantendo o 4-3-3, José Couceiro viu-se obrigado a mexer no onze para a recepção à antiga equipa. Jorge Costa e Pedro Emanuel mantinham-se à frente de Baía mas as laterais tinham novos donos. Bosingwa roubou a direita a Seitaridis, Leandro assumiu a esquerda por troca com Ricardo Costa. Costinha, ainda que sempre debilitado fisicamente, conserva-se a posição mais recuada do miolo, com Ibson e Diego mais soltos nas missões de condução do futebol ofensivo azul e branco. Quaresma regressava ao onze e ocupava o posto deixado vago por Ivanildo, que integrou a selecção nacional de sub-19. Bruno Gama era a novidade mais sonante, ocupando a faixa direita do ataque portista. Hélder Postiga surgia como avançado, até porque Benni cumpria o terceiro e último jogo de castigo.
Quanto ao Setúbal, Rachão apostou num esquema de contenção mas que deixasse a porta do contra-ataque entreaberta. Assim sendo, Moretto era titular na baliza pelo terceiro encontro e tinha à frente a dupla Veríssimo-Hugo Alcântara. Éder ficava com a direita da defesa, sendo que Nandinho ocupava a posição diametralmente oposta. Ricardo Chaves era o mais recuado do miolo, com Hélio ao centro e Bruno Ribeiro sobre a esquerda. Pedro Oliveira, formado nas escolas do FC Porto, ocupava a direita e era um dos elos de ligações aos avançados Meyong e Zé Rui, bem abertos e móveis.
Dragões jogam mais e Setúbal marca à primeira
Sem deliciar, sobretudo no processo de pressão e recuperação da bola, o conjunto de Couceiro assumiu o controlo do encontro. Ibson estava uns furos acima do que exibira no Bessa e tinha o acompanhamento de Quaresma, que foi subindo de rendimento na medida em que se soltou dos individualismos descontrolados. Também Postiga, um avançado já bem próximo da forma que o projectou, se notabiliza do lado dos locais, sendo que Diego encravava com a sua lentidão de pensamento e execução. Bruno Gama também parecia sentir o peso do momento, ainda que venha a estar ligado ao golo da igualdade. Antes disso, está bom de ver, os sadinos ganharam vantagem. Primeira subida à área portista e excelente centro para a entrada de Meyong que, sem hesitar, escolheu um ponto e colocou a bola fora do alcance de Vítor Baía. Sem que nada o fizesse prever e beneficiando de posição irregular (perfeitamente desculpável o erro do auxiliar), o Setúbal adiantava-se no marcador. Apesar das boas ocasiões construídas, o FC Porto parecia juntar alguma intranquilidade à total falta de sorte.
Excelente fim de primeiro tempo
Como é natural, os dragões sentiram imenso o golo de Meyong. Não só por ter sido obtido contra a corrente do jogo mas também por ter avivado fantasmas de toda uma temporada. Nunca os portistas haviam virado um resultado no seu terreno em jogos a contar para a Superliga. Desta forma, os minutos que se sucederam foram de devaneio mas a equipa cresceu com as acções de Quaresma e de Hélder Postiga. Fazendo uso de lances de bola parada, o FC Porto ia chegando perto da baliza de Moretto e assim chegou a igualdade. Bruno Gama inventou uma falta inexistente e Quaresma meteu na cabeça de Postiga, que fazia o segundo golo na prova. Faltavam cinco minutos para jogar no primeiro tempo e foi tempo bastante para que os dragões criassem um bom par de ocasiões para consumar a reviravolta. Postiga voltou a evidenciar-se neste particular, ficando na retina o lance em que procurou aproveitar o adiantamento do guarda-redes sadino. Valeu a boa recuperação deste para se chegar ao intervalo com uma igualdade lisonjeira para os sadinos.
Mais do mesmo
Previa-se que o intervalo fosse prejudicial aos dragões. Com efeito, o descanso chegou na pior altura para o conjunto de Couceiro, que se encontrava no seu auge futebolístico. Fabiano entrou para o lugar do miúdo Bruno Gama (fica a vontade de o ver mais vezes), o que forçou o recuo de Postiga para zonas onde pudesse receber e soltar ou progredir. Curiosamente, Diego cresceu com o intervalo e aproximou-se do nível de Ibson, o que resultou na manutenção da toada de intenso domínio portista. Previa-se o golo mas, tardando, a força mental positiva podia resultar em ansiedade. Quanto aos sadinos, há muito que haviam trocado o tocado Ricardo Chaves por Binho mas nada mudou no tocante à filosofia de jogo dos visitantes. Até que Quaresma resolveu a partida após excelente lançamento de Ibson. Moretto perdeu-se na saída e o extremo ex-Barcelona só teve de tocar para o consumar da reviravolta. Estava feito o mais difícil – o FC Porto virara um resultado no seu terreno.
Epílogo
Rachão não insistiu para que o seu Vitória voltasse à discussão do encontro mas o árbitro podia e devia ter expulsado Pedro Emanuel. Esteve perdido durante todo o jogo o central ex-Boavista, contrariamente ao substituto do lesionado Costinha. Raúl Meireles tomou conta do miolo portista, ajudando a equipa a defender em terrenos mais avançados, o que aumentou a sua capacidade de recuperação e construção de jogo nas proximidades da área sadina. Mais do que isso, arriscou com relativo sucesso num pormenor que vem estando em falta neste FC Porto – o remate exterior. Ainda que tenha feito por merecer maior vantagem no marcador, o dragão acabou por derrotar um Vitória privado de Jorginho, Manuel José, Sandro ou Bruno Moraes. Não fez mais do que o que se lhe exigia mas é bom notar que virou o resultado e que chegou a mostrar bom futebol. Assim se consegue um bom final de semana e uma tranquila, na medida do possível, preparação da saída a Aveiro.
Melhor em Campo - O do costume, Hélder Postiga. Saúde-se o seu regresso...