maio 08, 2005

A traição de Pedro

Aquilo que aqui escrevia de manhã deixou de fazer grande sentido. O FC Porto não soube aproveitar o deslize do Benfica e as contas portistas para o título são muito complicadas de fazer, sendo que também o Moreirense lamenta a igualdade desta noite, que atira a turma de Jorge Jesus para a Liga de Honra. Mesmo depois de ter entrado mal (Pedro Emanuel foi um desastre) e de ter tardado a igualar o marcador, o FC Porto dispôs de três flagrantes ocasiões de golo para somar os pontos em disputa. Nenhum desses lances foi materializado e assim se esfuma o sonho do dragão!!!

Enquadramento
Moreirense e FC Porto estavam obrigados a vencer para continuar a perseguir os seus objectivos. Por um lado, os locais viram na derrota do Gil Vicente uma réstia de esperança na permanência, por outro, o FC Porto tinha no deslize do Benfica o tónico ideal para encurtar espaço para a liderança. Manoel era a principal baixa dos axadrezados, que apresentavam um esquema organizado em 4-3-3, com os móveis Lito e Fernando no apoio ao avançado Nei. Quanto ao FC Porto, a baixa de Costinha deu origem à única mudança relativamente ao onze que recebera o Marítimo. Raúl Meireles tomou o lugar do internacional português.

Desnorte defensivo
Apesar de um bom lance inicial, o FC Porto cedo se viu dominado por um Moreirense muito disponível no capítulo físico. Mais rápido e melhor organizado, o conjunto de Jorge Jesus ia flanqueando o seu futebol e tinha facilidade em ganhar as segundas bolas. Lito e Fernando mostravam-se muito fortes na condução do ataque, sendo que Nei surgiu quando mais se esperava dele. Abriu o marcador bem cedo, surgindo muito mais rápido do que Pedro Emanuel para bater Vítor Baía, à saída deste. Sem grande historial de reviravoltas, o FC Porto sofria um rude golpe nas suas aspirações ao título. Longe das alas e preso a um estilo directo ineficaz, a turma azul demorou muito a reagir.

Bom fecho de primeira parte... sem golos
Teve, contudo, um excelente epílogo na metade inaugural. Diego apareceu no encontro e Quaresma percebeu que é humanamente impossível estar em todo o lado. Fixou-se na esquerda, onde começou a ganhar vantagem sobre Primo, o mesmo acontecendo com Bosingwa na ala contrária. Todavia, o golo não chegava e o momento de atirar gerava uma imensa indecisão. Impunha-se que a igualdade chegasse antes do descanso mas assim não viria a suceder, sendo que a recolha às cabines travou o ímpeto portista e a intensidade com que se procurava o empate. Assim, e não havendo mexidas, a segunda parte chegou com um FC Porto que teve de voltar a percorrer o caminho do bom futebol.

Couceiro arrisca, mas mal
Apesar de criar ocasiões isoladas, o FC Porto não conseguia chegar de forma sustentada à baliza de João Ricardo. Havia que fazer alguma coisa, até porque o contra-ataque local mantinha-se perigoso, e José Couceiro teve essa noção. Retirou o inexistente Leandro e lançou o confransgedor Luís Fabiano. Com Ivanildo no banco, até fez pena. Não ganhou muito com a troca mas o golo lá chegaria, como que do céu. João falhou uma intercepção e Postiga finalizou após recepção e cabeceamento fácil. Tudo indicava que se viveriam quinze minutos de extremo assalto às redes do Moreirense.

Acabou
Puro engano! Ivanildo lá entrou mas as sucessivas assistências a atletas de Jorge Jesus e o desnorte portista na hora de atacar não pareciam permitir novo golo. Também o Moreirense o buscava, ainda que em clara toada de contra-ataque. Amorfo, o FC Porto assistiu à expulsão de Ricardo Quaresma (por palavras, é incrível!), aos desperdícios de Benni e de Postiga e à excelente defesa de João após remate de Diego. O Moreirense está na Liga de Honra, o FC Porto desperdiçou uma ocasião única para se candidatar seriamente ao título. Parecia tão fácil...

Escrito por André Viana às maio 8, 2005 10:24 PM
Comentários

Incrível depois do mais dificil ter acontecido (um deslize do líder) fomos deixar escapar os 3 pontos desta forma, ainda por cima andamos a cheirar o golo tantas vezes. Não se podem falhar oportunidades daquelas.

Posted by: Léccio às maio 8, 2005 11:55 PM
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