julho 31, 2005

FC Porto 1-2 Arsenal

adriaanse nao gostou da defesa.jpg

Castigador! O FC Porto podia e devia ter ganho o Torneio de Amesterdão. Porque evidenciou qualidade na circulação de bola, porque tem princípios assimilados relativamente à organização do seu futebol ofensivo, porque já tem facilidade em criar situações de golo. Todavia, Adriaanse não tem um sector defensivo tão capaz quanto o "seis" mais avançado, não estando eu em crer que tal venha a ser equilibrado com o avançar da competição. O problema da defesa do dragão está na qualidade individual, que segue a anos-luz do futebol que o meio-campo e o ataque consegue patentear.

Tácticas

O FC Porto apresentou de início o onze que havia jogado dois dias antes. Uma única alteração, conforme o previsto e anunciado. Vítor Baía recuperava o lugar na baliza, naquele que era o teste decisivo antes da deslocação a White Hart Lane e do anúncio do guarda-redes titular do dragão de Co Adriaanse. Na defesa, tudo na mesma. Sonkaya à direita, Ricardo Costa e Pedro Emanuel ao centro e Leandro (que nem treinara ontem) manteve a posição na esquerda. Ao miolo, Raúl Meireles actuava mais pela direita, sendo que González ocupava a meia-esquerda e Postiga cobria a posição dez. Na prática, o segundo aproximava-se de Meireles em situação defensiva e abria para redutos próximos do extremo-esquerdo quando a bola pertencia aos dragões. Nas alas mantinham-se Lisandro e Jorginho, que alternavam frequentemente, como é praxe na posição de extremo. Benni McCarthy era o ponta-de-lança.
No Arsenal, o típico 4-4-2 sem rigidez no posicionamento e nas movimentações. Do meio-campo para a frente, Hleb surgia mais à esquerda, Bentley pela direita e sempre muito desapoiado por Pires, que se juntava mais ao bielorusso. Flamini fazia de Vieira, Reyes e Henry eram os avançados. Wenger trocou, ao intervalo, o espanhol por Bergkamp e substituiu o ex-Norwich pelo sueco Ljungberg.

Primeira Parte

Foi claramente o melhor período dos portistas, não se sabendo se esta realidade é causa e/ou consequência do menor rendimentos dos "gunners". Certo é que o FC Porto cedo tomou conta do encontro, fazendo valer uma maior rapidez sobre a bola, um posicionamento muito rigoroso e um sentido colectivo inatacável. Raúl Meireles era o pêndulo do bom futbol da turma de Adriaanse, sendo o melhor a destruir e o melhor a lançar o ataque. Fluído, o futebol azul e branco jogava-se sobre a relva, com sectores bastante juntos e linhas de passe permanentemente abertas. Porém, aí ainda mais longe. Para além da segurança no passe curto, o FC Porto revelava acerto nas desmarcações, o que, aliado à disponibilidade física e à boa disposição táctica, favorecia o passe longo, fosse na variação de flanco, fosse no aproveitamento das costas da defesa do Arsenal.
Com efeito, foi um futebol de qualidade aquele a que se assistiu no primeiro tempo. Daí resulta uma mão cheia (erro por defeito) de lances de golo, tendo-se apenas concluído um. Raúl Meireles, sobre a esquerda, leu bem o posicionamento de Jorginho à direita e fez o tal passe longo que acima se descreve. Bom na recepção e no cruzamento, o ex-Setúbal soltou uma daquelas bolas que só pede um toque para golo. Benni não chegou mas, ao segundo poste, "Licha" fez 1-0. Tudo certo, num lance esteticamente muito agradável e que denuncia o bom trabalho de um médio, de um extremo, do avançado (que surgiu ao primeiro poste, arrastando a defesa contrária) e do outro extremo, que buscou o poste contrário para a emenda final. Uma delícia e a jogada mais bonita de todo o encontro.

Segunda Parte

Apesar do descalabro, nem tudo foi diferente na etapa complementar. Ainda assim, as mexidas de Wenger puseram a nu as fragilidades deste FC Porto e o seu grande calcanhar de Aquiles. Ljungberg e Bergkamp trouxeram a irreverência e o pensar colectivo que, respectivamente, Bentley e Reyes não haviam demonstrado. Isso foi o bastante para provar que a defensiva azul e branca não ter os recursos que o resto dos sectores têm. Claro que a prestação sem bola de um conjunto funciona como a Teoria da Gestalt - há que ter em conta o todo. Aí, pode-se invocar até o desgaste físico inerente a um conjunto que está no início dos trabalhos e que fazia o segundo jogo em dois dias. Todavia, essa desculpa é demasiado curta para o mau preenchimento de espaços que o último reduto portista denotou no segundo tempo e para a passividade defensiva, sobretudo do quarteto mais recuado. Disso se aproveitou Ljungberg, que igualou após uma oferta de Ricardo Costa (corte muito ingénuo), fechando o marcador em novo lance pautado pela permissividade da defesa.
Ainda assim, e sendo notória essa debilidade, o futebol portista continuava a criar situações de finalização, ainda que vivesse já mais de lances directos ou da inspiração individual.
O FC Porto podia e devia ter ganho Torneio de Amesterdão. Mostrou qualidade de jogo para tal mas foi penalizado pela ingenuidade defensiva ainda patente e que, perdoem-me a honestidade, se deve menos à precoce fase da temporada do que à qualidade das opções para esses postos específicos. Antes agora, concordará o staff técnico dos dragões. Co Adriaanse tem motivos para sorrir, pois parece ter imposto um modelo de jogo e um estilo que favorece a posse de bola, o pressing e a fácil circulação do esférico, tendo como objectivo o golo. Muitas oportunidades criou o FC Porto nos últimos dois dias.

Os Jogadores

Vítor Baía evitou alguns golos e não tem culpas nos que sofreu. Sonkaya atacou relativamente bem mas perdeu algumas bolas proibitivas e deixou fugir Henry por um bom par de ocasiões. Ricardo Costa esteve muito mal no lance do primeiro golo, sendo que Pedro Emanuel também não fez uma exibição muito feliz. Leandro atacou pouco e foi permissivo no segundo golo. Meireles foi o melhor do FC Porto e justificou a injustiça que é a colocação de Ibson no banco de suplentes. Lucho revelou imensa qualidade no passe mas esteve discreto, perdendo fulgor, ao passo que Postiga também esteve uns furos abaixo do desejado, sendo ainda assim na eficaz circulação de bola. Lisandro não esteve tão bem quanto Jorginho, apesar do golo, sendo que o ex-Setúbal esteve bem tanto no plano colectivo quanto no individual (muito inspirado). Benni é o mesmo do ano passado - trabalha pouco. Hugo Almeida não pode perder tantos golos, Ivanildo esteve excelente durante o pouco tempo em que actuou, Paulo Assunção teve dois péssimos passes e um remate fraco, Pepe cumpriu, Sokota viu-se pouco.

Escrito por André Viana às julho 31, 2005 07:31 PM
Comentários

Primeira parte de grande nível mesmo. Notával a capacidade de circulação de bola, pressing e movimentações na frente de ataque.
Na segunda parte o Arsenal melhorou muito mas o fcp tb me pareceu quebrar fisicamente.
A defesa ja preocupava antes deste jogos mais a sério, até pq ha falta de opções para as laterais. Mas também avançados como Henry, Berkamp e Ljumdberg n abundam na Superliga, o problema é a Champions.

Posted by: Léccio às julho 31, 2005 10:04 PM

tens toda a razao. o FCP nao tem uma defesa ao nivel do meio campo... Sonkaya vai demorar a adaptar-se, Leandro nao defende como Nuno Valente e os centrais - Pepe (arrgghhH)e Ricardo Costa nao dao a segurança que dá Jorge Costa e Pedro Emanuel (embora mais lentos)... enfim... espero q se resolva essa situação - embora a nivel "interno" nao veja razoes para preocupaçoes!!!!

Posted by: gil às agosto 1, 2005 11:56 AM