
Foto: UEFA
Steven Gerrard, capitão do Liverpool, brilhou ao fazer um hat-trick, que deu a vitória ao campeão europeu, ontem, no jogo da primeira mão da primeira pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Frente aos galeses do TNS, os reds não tiveram grandes dificuldades e deram um passo importante rumo à próxima eliminatória da competição.
Com um Anfield Road esgotado, a equipa de Rafa Benítez mostrou que, apesar das curtas férias, está preparada para discutir a entrada na fase de grupos da Liga dos Campeões 2005/2006. O jogo serviu também para a estreia de Zenden com a camisola do Liverpool, ainda que a estrela tenha sido, sem dúvida, o capitão Gerrard.
Confira os resultados desta ronda...
1ª pré-eliminatória da Liga dos Campeões
1ª mão
12/07/2005
Lev. Tallinn 1-0 Dinamo Tbilisi
Neftchi 2-0 Hafnarfjördur
Dinamo Minsk 1-1 Anorthosis
Kairat Almaty 2-0 Artmedia
Rabotnicki 6-0 Skonto
Sliema 1-4 Sheriff
13/07/2005
Haka 1-0 Pyunik
HB 2-4 Kaunas
Glentoran 1-2 Shelbourne
Dudelange 0-1 Zrinjski
Liverpool 3-0 TNS
Gorica 2-0 Tirana

Liverpool no topo após épico da bola
Curioso o futebol! Jerzy Dudek é o mal-amado de Anfield, um guarda-redes muito conceituado há cerca de três/quatro anos mas que tem passado muito mal nos tempos mais próximos. Tanto assim é que poucos acreditariam na titularidade do polaco no caso de Kirkland estar disponível e também é bom levar a aposta de Rafa em Scott Carson, aposta essa que se revelou ainda mais desastrosa no encontro da primeira-mão dos quartos-de-final desta mesma competição. Dudek partiu para o encontro de ontem, então, como o patinho feio de Liverpool! Nem se pode dizer que tenha emendado a mão no tempo regular de noventa minutos - intranquilo entre os postes, perdido nas saídas, encaixou três golos só na primeira parte. Mesmo que sem culpas...
Em Milão vestia-se a camisola de Shevchenko, o melhor do Mundo para a France Football e para os adeptos rossoneri. Sheva não marcou mas o seu perfume ia pairando a todo o momento, tendo mesmo servido Crespo para o segundo golo da partida. Teve lances de mestre, nem sempre bem finalizados, fosse por ele próprio, fosse pelos companheiros. Chegou o prolongamento e o ucraniano teve o primeiro choque de Leste com o polaco de Anfield. Faltava pouco para a partida se encaminhar para as grandes penalidades. O Liverpool estava de rastos. O Milan queria ganhar. Sheva cabeceou, Dudek foi lá buscá-la mas não teve tempo de se levantar para defender a recarga. Golo de Shevchenko, gritavam os italianos. É minha, disse Jerzy...
Seguiram-se então as grandes penalidades. Faziam-se apostas. Dida defende, Shevchenko marca o quinto e decide! Partiu Serginho, colocou a bola, deu uns passos atrás, parou e olhou. Viu o Homem-Aranha. Dudek esticava os braços, percorria lateralmente a linha de golo, dizia ao brasileiro que, para onde quer que ele rematasse, ele estaria lá. Não foi preciso, saiu fora! Olhos em Dida, bola na rede, marcou García. Vem Pirlo, o homem das bolas paradas. Defende Dudek. Marca Smicer mas Dida pára Riise. Há 2-2 na marcação de castigos máximos! Smicer está morto mas não treme e envia as decisões para Shevchenko. Dudek sabe que foi ele a entregar o título de 2003 ao Milan mas sabe também que esta é a noite do Liverpool, a sua noite. Lança-se para a direita mas faz marcha-atrás, travando o fraco e temeroso remate do craque de San Siro. Estava feito, abracem o novo herói...
Enquadramento. Nunca antes Liverpool e AC Milan se haviam encontrado em competições europeias. Todavia, os ingleses jogaram a sua última final na maior prova continental de clubes precisamente diante de um conjunto italiano. Foi a Juventus, que venceu a trágica final do Heysel com uma grande penalidade de Platini. Vinte anos volvidos, Rafa Benítez ajudou o clube de Anfield a vingar a derrota de Bruxelas. Quanto ao AC Milan, buscava a sua sétima vitória na competição de topo na Europa, sendo que procurava também igualar o recorde de três vitórias - pertencente ao Real Madrid - na Liga dos Campeões, designação recente para a antiga Taça dos Clubes Campeões Europeus. O AC Milan não contava com Ambrosini, que marcara em Eindhoven, mas tinha em Maldini (sétima final) o segundo mais velho jogador a participar numa final da Champions. Apenas Antonio Ramallets, jogador do Barcelona em 1961, tinha mais idade do que o filho do histórico Cesare. Caso vencesse, Maldini seria o capitão mais idoso a levantar o troféu, tirando o recorde pertencente a Schmeichel. Costacurta e Seedorf buscavam também números históricos. Relativamente ao Liverpool, Gerrard era o terceiro mais jovem capitão a participar numa final, apenas superado por Veloso e por Deschamps. Ainda sobre a turma inglesa, Rafa apresentava o onze menos nacional (inglês, claro) de todas as finais da competição, apenas representado por Gerrard e por Carragher. Ancelotti é um de quatro personalidades a ter vencido a competição como jogador e como treinador, sendo que a lista inclui Trap. Quanto a Benítez, procurava ser o único técnico a conseguir vencer duas provas da UEFA em anos sucessivos, mas por clubes diferentes. Interessante é a constatação de que o Liverpool venceu as suas quatro Ligas dos Campeões actuando de vermelho ante um conjunto a equipar de branco. Hoje, e em função de ambos jogarem de vermelho, convencionou-se que seria o Milan a recorrer ao equipamento alternativo...
As tácticas. Sem Kirkland, guarda-redes lesionado há já alguns meses, o Liverpool atacava a final liberto da onda de paragens com que se debateu durante toda a temporada. Assim, Finnan e Traoré faziam as laterais da defesa, com Carragher e Hyypia ao centro. Xabi Alonso era o médio mais defensivo, com Gerrard imediatamente à frente. Luís García e Riise ficavam com as alas, sendo que Kewell tinha liberdade junto da área, onde estava Milan Baros, quiçá na despedida do checo. Quanto ao Milan, Dida era a opção mais do que natural para a baliza. Cafu actuava na direita, o capitão Maldini surgia na lateral oposta e Nesta fazia dupla de centrais com Stam. Pirlo actuava como médio-defensivo em zonas centrais, sendo que Gattuso e Seedorf jogavam descaídos. Kaká organizava o futebol milanês nas costas de Shevchenko e Crespo. Acrescente-se que o Liverpool mudou o esquema para a segunda metade, reforçando o miolo com Hamann mas retirando uma unidade à defesa. Saiu Finnan, o que implicou o recurso a uma linha de três centrais. Carragher sobre a direita, Hyypia ao centro e Traoré à esquerda, até porque não havia que desperdiçar o potencial ofensivo de Riise.
Hino ao Futebol Previa-se uma final receosa, raramente bem jogada e com poucos motivos de interesse. Dizia-nos isso o percurso que Milan e Liverpool vinham fazendo até então. Muito pragmastismos, esperava-se que o receio tramasse as ambições ofensivas dos conjuntos. Todavia, Maldini mexeu no destino ao marcar ainda antes do primeiro minuto estar completo e Kaká também não ajudou ao banho táctico quando nos instrumentos de cálculo para encontrar Crespo, cara-a-cara com Dudek. Nem seria por aqui que viria o mal ao Mundo mas o argentino foi de uma crueldade extrema naquele toque para o terceiro do Milan. Quase apetecia apanhar avião para Istambul e dar umas palmadinhas nas costas do desolado Dudek! Estava feito, o naufrágio da Corunha ainda estava na memória rossoneri e era inimaginável que uma das melhores defesas da actualidade fosse encaixar três ou mais golos. Muito menos em seis minutos! Pois bem - marcou Gerrard, marcou Smicer e marcou Xabi Alonso, à segunda. Que jogo!
Rafa Benítez - Inglaterra deve a recuperação do prestígio europeu que outrora teve a duas personalidades ibéricas. A José Mourinho, que construiu em Stamford Bridge a mais temível equipa do futebol actual. A Rafa Benítez, que devolveu o Liverpool à glória continental com recursos muito mais escassos quando comparados com o de outros adversários. Vencedor da UEFA em Valência, tornou-se no primeiro técnico a vencer duas provas distintas em anos consecutivos mas por emblemas diferentes. Tem muito mérito nisso. Ultrapassou a Juventus, o Chelsea e ontem o Milan, nunca na condição de favorito mas sempre com as directrizes certas para liderar o seu conjunto ao sucesso. Arriscou tudo a perder por 3-0 mas não o fez aleatoriamente, pela mera soma de avançados. Mexeu no esquema, delineou metas, acrescentou ao Liverpool aquilo que o plantel de melhor tem - médios.
Oops! It happened again - Tendemos a ver o Milan como um dos conjuntos mais regulares da Europa. Dos mais cínicos e dos que melhor defendem também. O Milan foi eliminado da passada edição da Liga dos Campeões mesmo tendo derrotado o Deportivo por 4-1, em San Siro. O Milan sofreu a bom sofrer diante do PSV, já nas meias-finais da prova deste ano. O Milan esteve a vencer por 3-0 no encontro decisivo de toda uma época. O Milan descurou a Serie A, apostou tudo na Champions e perdeu. Saiba Ancelotti tirar as devidas ilações.
Djmi Traoré. Não é muito dotado mas custa despedriçar o talento ofensivo de Riise. Daí que Traoré seja a opção certinha para a lateral-esquerda. Ontem debateu-se com inúmeros problemas e recorreu frequentemente à falta para resolver as situações com que se ia deparando. Não foi por aí que evitou sobressaltos para a baliza de Dudek.
Clarence Seedorf. Não se percebe como é que o único jogador que venceu três Champions por três clubes distintos termina a época em tão má forma, desmotivado até. Seedorf já fora uma nulidade diante do PSV e ontem voltou a sê-lo. Saiu demasiado tarde...
Steven Gerrard. Estas nomeações obrigam-me a deixar de fora jogadores como Kaká (para mim o melhor jogador desta Liga dos Campeões) ou como Crespo. Todavia, o Liverpool ganhou e deve-o muito ao capitão Steven Gerrard. Empurrou a equipa para a baliza de Dida quando ela mais necessitava, deu o mote para a reacção dos companheiros, mostrou como se faz. Brilhante jogador no plano individual mas, e isso é ainda mais importante, um tremendo jogador de equipa.
Jerzy Dudek. Por tudo aquilo que se disse. Pela performance nas grandes penalidades mas também pela dupla defesa a remates de Shevchenko, mesmo no final do prolongamento. Fica na história, independentemente dos muitos e bons frangos que já deu...
Remate. Ganha o Liverpool! Com justiça, porque acreditou, porque contou com a mestria do seu treinador e o empenho dos atletas. Virou uma desvantagem de três golos, fez das tripas coração para ultrapassar as quebras físicas, decidiu nas penalidades. Foi uma grande final, com o Milan a trabalhar à base de Crespo e de Kaká e a mostrar-se sempre capaz de vencer a partida. Faltou-lhe um toque de banco, faltou-lhe também um toque que o herói Shevchenko viu Dudek travar. Vinte anos depois, o Liverpool vinga a derrota de Heysel e regressa a um topo que conhece dos anos 70 e 80. "You´ll Never Walk Alone".
Ficha do Jogo:
Estádio: Estádio Olímpico Ataturk, em Istambul
Árbitro: Mejuto González (Espanha)
AC Milan: Dida; Cafu, Nesta, Stam e Maldini; Pirlo, Gattuso (Rui Costa, 111') e Seedorf (Serginho, 85'); Kaká; Shevchenko e Crespo (Tomasson, 84')
Liverpool: Dudek; Finnan (Hamann, 45'), Hyypia, Carragher e Traore; Kewell (Smicer, 22'), Xabi Alonso, Gerrard e Riise; Luís Garcia e Baros (Djibril Cissé, 84')
Golos:
1' Paolo Maldini (1-0)
39´ Hernán Jorge Crespo (2-0)
44´ Hernán Jorge Crespo (3-0)
54´ Steven Gerrard (3-1)
56´ Vladimir Smicer (3-2)
60´ Xabi Alonso (3-3)
Cartões Amarelos:
AC Milan: nada a registar
Liverpool: Carragher e Baros

Golo de ouro premeia Milan temeroso mas cínico
Kaká serviu três pratos durante uma refeição de 180 minutos. Uma cartola de cozinheiro e de mágico que confere ao brasileiro o estatuto de herói de uma eliminatória marcada por um tremendo equívoco. O PSV foi mais e melhor do que o super-favorito AC Milan, acanhado num esquema defensivo que encaixou três golos mas que segue em frente. Cocu foi um gigante pelo lado holandês mas no futebol nem sempre ganha o melhor. A julgar pelas amostras recentes, esta promete ser uma das piores finais da história da Liga dos Campeões...
Enquadramento.
PSV Eindhoven e AC Milan procuravam o acesso à final de uma competição que já venceram (os holandeses em 1988, diante do Benfica; o AC Milan por seis vezes, uma delas também frente aos encarnados - 1990, a última – 2003 - com um produto da Luz no plantel – Rui Costa). Tinha tarefa mais facilitada o conjunto italiano, por certo ainda escaldado com a eliminação surpresa face ao Depor na temporada transacta. Quanto ao PSV, tinha de virar um resultado de dois golos para se juntar ao Liverpool na final de Istambul. Novo campeão neerlandês, o onze de Hiddink ainda lamentava a injustiça do encontro de San Siro. Por sua vez, o Milan procurava manter a vantagem com que partia e, por outro lado, esquecer a importância do jogo do próximo fim-de-semana, o duelo com a Juve.
As tácticas.
Hiddink mudou esquemas e nomes relativamente à partida de Itália. Por um lado, o castigo de Ooijer obrigou ao recurso pelo polivalente Theo Lucuis, por outro, a necessidade de vencer levou a uma revisão da estratégia e à inserção de um ponta-de-lança. Assim sendo, o lateral-esquerdo Lee fazia todo o corredor, com Vogel bem à frente dos centrais Alex e Bouma. Van Bommel e Cocu surgiam atrás do organizador Park, com Farfán pela direita e Vennegoor of Hesselink colocado na área italiana. Quanto ao Milan, foi bem comedido na estratégia do que fora no seu terreno. Cafu era a unidade mais expedita do quarteto defensivo, sendo as suas subidas compensadas pela colocação de Maldini sobre o centro. Pirlo fechava ao meio, com Gattuso na direita e Ambrosini na esquerda. No ataque, duas linhas sem posições fixas, com Seedorf e Kaká mais recuados e Shevchenko destacado na frente. Crespo era suplente, tal como o português Rui Costa.

Guus Hiddink Impossível não elogiar um treinador que monta um plantel tão capaz depois de ter perdido aqueles que eram, porventura, os seus dois melhores atletas. Fez um trabalho brilhante com os jogadores que escolheu, alguns deles sem nome feito e provenientes de realidades tão diversas. Mais do que isso, Hiddink acabou com um enorme fantasma desta equipa, permanentemente eliminada em fases precoces da prova. Pô-la a jogar bom futebol, a marcar e a ganhar fora de casa, a olhar os adversários de frente. Foi isso que fez com o Milan, tanto em San Siro como em Eindhoven. Por exemplo quando, em igualdade na eliminatória, tirou um central para lançar um médio de ataque. Nem sempre a audácia é premiada...

Kaká Deixo para Cocu o estatuto de homem do jogo mas guardo umas linhas para o jogador que decidiu a eliminatória. Kaká é um regalo e não será por acaso que está na lista de Mourinho, não sendo também por acaso que liderou o AC Milan nesta meia-final. Três assistências são a marca do ex-São Paulo nesta ronda, ele que foi sempre o mais inspirado e o mais maduro do conjunto italiano. Kaká é um exemplo de sucesso na adaptação ao futebol europeu e o Milan deve-lhe uma estátua se vencer esta edição da Champions.

Injusto Sim, o pragmatismo tem o seu quê de interessante e este Milan encanta precisamente por isso. Todavia, o comum apreciador de bola odeia que o vitorioso seja o que menos faz por ganhar (no sentido atacante do termo), o que menos beneficia o espectáculo. Ancelotti tem montada a máquina do cinismo e tem conseguido óptimos resultados com isso. Lamenta-se que, com o plantel que tem à disposição, o Milan jogue tão pouco. Porquê? Não ganharia na mesma?
Cafú.
Teve imensos problemas a defender e sentiu demasiado o peso de ter a missão de espevitar um ataque amorfo. Não foi feliz em nenhuma das funções, tendo cometido várias faltas. Não travou, contudo, o centro de Lee para o 2-0.
Seedorf.
Terá ficado incomodado com os assobios? Difícil de acreditar quando se fala no único jogador que venceu a Champions por três clubes. Seedorf jogou muito pouco e muito mal e substituí-lo foi a melhor coisa que Ancelotti fez.
Kaká.
Tem muito a ver com o que atrás se disse. Fez as três assistências para os três golos que o Milan marcou nesta eliminatória e foi o grande dínamo da passagem italiana. Hoje voltou a resolver mas sempre mostrou ser o mais capaz de abanar o estado de coisas.
Cocu.
Foi decisivo pelo golo que marcou em Lyon e hoje preparava-se para voltar a fazer a diferença. Aos 34 anos, é um exemplo de esforço mas ainda possui uma capacidade física invejável. Trabalha por ele e pelos colegas e por isso continua a mencionar-se o seu nome por Barcelona...
Ficha do Jogo:
Estádio: Philips Stadion
Árbitro: Terje Hauge (Noruega)
PSV Eindhoven: Gomes; Lucius, Alex, Bouma (Robert, 70´) e Lee; Vogel, Van Bommel, Cocu; Park, Farfán e Hesselink
AC Milan: Dida; Cafú, Nesta, Stam, Maldini (Kaladze, 45´); Pirlo, Gattuso e Ambrosini; Kaká, Seedorf (Tomasson, 69´) e Shevchenko
Golos:
9' Park (1-0)
65´ Cocu (2-0)
90´ Ambrosini (2-1)
92´ Cocu (3-1)

Foto: UEFA
Deu empate. O encontro de ontem entre Chelsea e Liverpool, a contar para as meias-finais da Liga dos Campeões, acabou tal como havia começado.
O jogo foi renhido e bem disputado, mas foi a equipa de Mourinho que esteve mais próximo do golo, com Lampard a falhar frente a uma baliza deserta.
A decisão da eliminatória fica para Anfield Road, em Liverpool, mas o técnico português afirmou, no final do encontro de ontem, que o resultado é mais vantajoso para o Chelsea. Ele lá sabe porquê...
Confira a ficha de jogo...
Champions League
1ª Mão das Meias-Finais
Chelsea: Cech, Johnson, Terry, Ricardo Carvalho, Gallas, Tiago (Robben 59), Makelele, Lampard, Gudjohnsen, Drogba, Cole (Kezman 78).
Supl Não Utilizados: Cudicini, Smertin, Geremi, Forssell, Huth.
Liverpool: Dudek, Finnan, Hyypia, Traore, Carragher, Riise, Gerrard, Alonso, Biscan (Kewell 86), Luis Garcia (Smicer 90), Baros (Cisse 65).
Supl Não Utilizados: Carson, Le Tallec, Nunez, Warnock.
Assistência: 40,497.
Árbitro: Alain Sars (França).
Resultado: Chelsea 0-0 Liverpool

Foto: UEFA
Há equipas que não brincam em serviço e o Milan é uma delas. Com Sheva e Kaká muito acima da média, o campeão italiano aparentou ter sido dominado pelo PSV e isso mesmo se concretizou no domínio do novo campeão holandês e no imenso caudal ofensivo da turma de Hiddink, que criou uma montanha de oportunidades. Ganha quem marca e o Milan marcou dois; Kaká sempre no lance, com o grande Shevchenko a abrir e o oportuno Tomasson a fechar, bem perto do final. Está mais fácil para Ancelotti mas em Milão recordasse o Depor, à boca pequena ou não vá o diabo tecê-las. Sim, Rui Costa ficou-se pelo banco.
Enquadramento.
Dois antigos campeões nas meias-finais da Champions! Bem nosso conhecido é o caso holandês, dado que o PSV venceu a prova às custas do Benfica, na final de 1988 decidida nas grandes penalidades. Mais vasto é o currículo do Milan, que já venceu a prova por seis ocasiões e contou com Rui Costa para o triunfo de 2003. Líder da Serie A por parceria com a Juventus, o conjunto italiano defrontava um adversário moralizado pela conquista da Eredivisie. Hiddink tem ajudado a equipa a subir de forma na Europa, sendo que o emblema de Eindhoven eliminara as duas melhores equipas francesas da actualidade depois de se ter quedado pela segunda posição no grupo do Arsenal. Bem mais imaculada a carreira do Milan, primeiro do Grupo F e carrasco dos gigantes Manchester United e Inter e Milão. Melhor defesa da prova, a equipa de Ancelotti não sofrera qualquer golo desde que a competição entrou em eliminatórias. Aqui estavam, pois, dois conjuntos com moral elevada e ambições a rodos.
As tácticas.
Não houve surpresas no esquema dos locais. Dida foi o guarda-redes, Cafu tinha a lateral-direita e o georgiano Kaladze ficava com a esquerda. Stam e Maldini eram a dupla de centrais, com Pirlo à frente mas muito interligado com os homens da frente, até porque tinha a compensação de Gattuso, que fechava mais sobre a direita, e de Seedorf, que surgindo pela esquerda deambulava frequentemente pelo centro. Kaká gozava de maior liberdade, surgindo no apoio a Crespo e ao Bola de Ouro da France Football, o ucraniano Shevchenko. Quanto ao PSV, Hiddink não fugiu muito da estrutura habitual mas as circunstâncias obrigaram-no a optar por um esquema diferente no que concerne aos nomes da frente. Já lá vamos. Heurelho Gomes foi o guarda-redes (duelo canarinho nas redes), com Andre Ooijer e o coreano Lee nas laterais. Alex e Bouma foram centrais, tendo à frente o suíço Vogel. Cocu e Van Bommel também faziam parte de um meio-campo de contenção mas muito virado para a ligação a um trio de velozes. Park jogava mais recuado e com tendência para lateralizar, tal como o norte-americano Damarcus Beasley. Jefferson Farfán, jovem peruano, era o homem mais adiantado.

Grande PSV. Tremeu nos minutos iniciais mas descomplexou-se para uma grande exibição que não teve correspondência no resultado. Hiddink esteve soberbo, demonstrou trabalho de longos meses mas juntou-lhe uma preparação excelente para este jogo. Quase colhia frutos da boa organização que fez do meio-campo para a frente e apostou nos jogadores certos no momento certo. Foi claramente infeliz e não contava que quase todos os remates fossem à figura de Dida, tal como não contava com o golo de Tomasson. Todavia, a lição é evidente – há que contar com o PSV nesta Liga dos Campeões.

Bola de Ouro. Shevchenko mostrou a arte dos grande jogadores e ele é, a par de Samuel Eto´o, um dos melhores avançados da actualidade. Tem toque de bola, tem arranque e explosão, tem inteligência e remate. Usou esses predicados durante todo o encontro e foi, conjuntamente com Kaká, a maior estrela do futebol milanês, muitas vezes desinspirado e sem grande envolvimento colectivo. Sheva é um regalo de jogador, um soberbo executante e um homem que pode decidir esta prova – tal como fez em 2003.

Pontaria holandesa. Quantos lances na cara de Dida, todos eles desaproveitadas com remates fortes mas altos ou por remates bem dirigidos mas sem força. Farfán criou muitos lances, Park também teve as suas bolas e até o soberbo Van Bommel beneficiou de bolas para marcar. Mesmo tendo feito um grande jogo, o PSV pagou a imaturidade que revelou face à extraordinária experiência e eficácia do Milan e isso pode decidir uma eliminatória. Ainda que, lembram-se do Depor, o melhor é não dar nada por decidido. E se o PSV decide acertar com a baliza na partida do Philips Stadion...
Andre Ooijer. Não é um jogador agressivo nem maldoso mas bate normalmente muito. Viu um cartão amarelo e não hesita quando tem de escolher entre a falta e o avanço do adversário. Principalmente se este se chamar Kaká.
Farfán. Cinco remates, alguns deles em óptima situação, e nenhum golo. Fez um bom jogo mas quando um avançado tem bolas para marcar tem e concretizar. Sob pena de o adversário marcar quando se chega a Gomes e a eliminatória ir para Eindhoven com uma desvantagem de dois golos.
Kaká. Um dos melhores jogadores do Mundo. Dá gosto vê-lo actuar, a forma como trata a bola, como tem sempre a escolha mais correcta. Serviu Sheva, esteve no golo de Tomasson. Decisivo...
Shevchenko. Rapidez, técnica, poder de choque, instinto goleador. Sheva tem as características de um bola de ouro e hoje teve uma, não desperdiçando. Bateu Gomes e abriu caminho à vitória do Milan.
Remate.
Tomasson é mesmo um jogador cirúrgico e o golo que marcou perto do final acentua a injustiça do resultado e a tremenda matreirice deste Milan. Kaká e Sheva merecem mas o resto da equipa foi impotente para travar um PSV muito bem organizado e com óptimas transições para o ataque. Todavia, a eficácia manda muito nisto do futebol e Farfán e Park, principalmente estes, foram anjinhos perante o gigante Dida. Está muito encaminhado para os vencedores de 2003 mas o novo campeão holandês ainda pode ter uma palavra a dizer. Contando que acerta com a baliza claro...
Ficha do Jogo:
Estádio: San Siro, Milão
Árbitro: Kyros Vassaras, Grécia
AC Milan: Dida; Cafu, Stam, Maldini e Kaladze; Pirlo (Ambrosini, 72´), Gattuso, Seedorf (Serginho, 81´) e Kaká; Shevchenko e Crespo (Tomasson, 64´)
PSV Eindhoven: Gomes; Ooijer, Alex, Bouma (Lucius, 46´) e Lee; Vogel, Van Bommel, Cocu e Park, Farfán e Beasley (Vennegoor, 61´)
Golos:
42' Shevchenko (1-0)
90´ Tomasson (2-0)
Cartões Amarelos:
AC Milan: Seedorf
PSV Eindhoven: Gomes e Ooijer

Foto: UEFA
Muito se sofreu em Eindhoven, com o PSV a ser mais feliz na lotaria das grandes penalidades. Por aqui se depreende que se repetiu o 1-1 da primeira-mão no tempo regulamentar da partida de hoje. Sylvain Wiltord adiantou o Lyon bem cedo, após falha defensiva de Wilfred Bouma. Ainda que tenha entrado na frente, o conjunto de Hiddink foi atrás da desvantagem e igualou no recomeço, por intermédio do defesa-central brasileiro Alex. Este golo galvanizou os holandeses, que se lançaram em busca do tento que lhes garantisse o apuramento. Dispuseram de várias ocasiões para o concretizar mas nem com o prolongamento chegou a resolução da eliminatória. Houve, pois, que decidir tudo na marca de grande penalidade. Beasley falhou para o PSV mas Essien e Abidal desperdiçaram os respectivos castigos para o Lyon. Segue em frente o conjunto de Eindhoven, que agora defronta o AC Milan nas meias-finais.

Foto: UEFA
Joe Cole selou a vitória em ambos os encontros a contar para a Premiership, a sorte acompanhou os londrinos em Cardiff e Mourinho festejou o primeiro título em terras inglesas. Pois bem, como não há três sem cinco, Chelsea e Liverpool voltam a encontrar-se na corrente temporada. Depois de os blues terem saído de Munique com a passagem à fase seguinte, hoje foi a vez dos reds segurarem a vantagem trazida de Anfield. Fica assim marcada a meia-final inglesa da prova, o que significa que as Ilhas Britânicas voltam a estar representadas no derradeiro desafio da Champions, seis anos depois da mítica vitória do Manchester United em Camp Nou. Hoje, em Turim, um Liverpool desfalcado segurou o curto ímpeto de uma Juventus muito conservadora e previsível. Muito mal se jogou no Delle Alpi, estando afastada a possibilidade de reedição da final de 2003, que opôs o AC Milan ao conjunto agora treinado por Capello.
Enquadramento.
A Juventus tinha uma desvantagem de 2-1 para anular mas o golo de Fabio Cannavaro deu enormes esperanças ao conjunto de Turim. À semelhança do que acontecera na eliminatória frente ao Real Madrid, a Juve queria aproveitar o factor casa para virar a sorte da ronda. Todavia, Capello tinha a lamentar a recente lesão de David Trezeguet. Também Jonathan Zebina, Ciro Ferrara, Olivier Kapo e Alessio Tacchinardi eram cartas fora do baralho italiano. Líder, em parceria com o AC Milan, da Serie A, a Juventus procurava bater o quinto classificado da Premiership. Em Manchester, o conjunto de Benítez perde frente ao City de Stuart Pearce e ficou mais longe de se apurar para a próxima edição da Champions, algo que ainda pode acontecer se o conjunto do Merseyside vencer em Istambul. Todavia, a ausência do capitão Steven Gerrard era baixa de peso na turma de Anfield, sendo que ao médio internacional inglês se devem juntar os nomes de Dietmar Hamann e Harry Kewell. Por outro lado, Rafa Benítez voltava a contar com Xabi Alonso e com o avançado Djibril Cissé, afastado das convocatórias desde a grave lesão contraída no Outono de 2004.
As tácticas.
Limitado nas escolhas e em desvantagem no resultado, Capello optou por um esquema de três centrais. Thuram actuava mais sobre a direita, Cannavaro ocupava a esquerda e o veterano Paolo Montero fazia o centro. Emerson era pendular na ligação entre sectores, sendo que a opção por Olivera em detrimento de Blasi pretendia alargar o futebol italiano mas acabou por tirar algum rendimento do uruguaio, habituado a actuar de forma bem mais livre. Mauro Camoranesi, o ítalo-argentino, procurava romper na ala direita mas Zambrota foi bem mais sucedida na linha contrária, ele que subiu alguns metros para uma posição que bem conhece. Nedved actuava atrás de Ibrahimovic, o ponta-de-lança que deveria contar com o apoio da unidade mas solta na frente de ataque, Alessandro Del Piero.
Rafa Benítez apostou no very british 4-4-2. Face à lesão de Kirkland e ao frango tremendo com que Carson premiou Cannavaro, em Anfield, o polaco Jerzy Dudek foi chamado novamente à titularidade, ele que também tem andado longe da excelência. Hyypia, central finlandês e autor do primeiro golo da primeira-mão, tinha ao lado o internacional inglês Jamie Carragher. Steve Finnan, antigo companheiro de Boa Morte no Fulham, ocupava a lateral-direita, sendo que cabia ao francês Djimi Traoré a posição diametralmente oposta. Igor Biscan, internacional croata, era a unidade que actuava mais perto do quarteto-defensivo, sendo que o regressado Xabi Alonso ganhava imediatamente convocação para o onze. Núñez foi o escolhido para a ala-direita mas fechava muito ao centro, sendo que Luis García, autor de um golaço no encontro de Liverpool, tinha liberdade na escolha do raio de acção mas normalmente surgia nas costas do único avançado – Milan Baros. Resta John Arne Riise, incansável médio-esquerdo que faz todo o corredor.

Depois dos incidentes do Roma-Dínamo Kiev e do duelo entre Inter e AC Milan, este último já na noite de ontem, a massa adepta da Juventus deu, durante o encontro, um exemplo de bom comportamento. Recordem-se os incidentes do Heysel e lembre-se também a detenção, durante o dia de hoje, de oito adeptos do clube por confrontos com ingleses na cidade de Turim. São dados preocupantes, com certeza! Todavia, o que se passou no Delle Alpi foi uma lição de desportivismo, sobretudo se tivermos em conta que a Juventus até saiu eliminada. Ainda neste ponto, nota para a boa afluência a recinto da Juve, que tem uma enorme massa adepta mas que joga com o seu estádio quase sempre despido.

Nem Zlatan Ibrahimovic nem Milan Baros marcaram na noite de hoje mas ambos foram destaque pela positiva. Avançados ainda jovens mas que foram destaque no Euro´2004, os homens mais adiantados de Juventus e Liverpool revelaram pormenores de classe. Zlatan mexe-se imenso, joga bem atrás e de costas, aparece bem com bola controlada ou na procura de espaços. Teve uma soberba ocasião de golo, ainda no primeiro tempo, mas desperdiçou-a quase escandalosamente. Baros também tem os predicados do sueco mas é um jogador com menor presença na área. Surge facilmente nas alas, ganha em velocidade e tem poder de choque mas é mais atleta para embalar do que marcar posição na área. Usou estas características num excelente lance individual, já no segundo tempo, mas errou o remate por centímetros.

Dada a escassez da vantagem inglesa, previa-se um encontro aberto e um bom espectáculo. Sendo claro que tudo isto estava dependente do aparecimento do primeiro golo (o Liverpool não arriscaria estando em vantagem, a Juventus não poderia lançar-se desalmadamente estando à distância de apenas um golo), não podemos deixar de lamentar o mau espectáculo a que se assistiu. Muito conotada com uma solidez defensiva que nem sempre tem correspondência atacante, a Juve não conseguiu empurrar um Liverpool que se conformou com a vantagem e que relegou para Baros a missão de ameaçar Buffon. Quando se previa emoção e espectáculo na luta pelo acesso às meias-finais da Liga dos Campeões, chegar ao final com um sensaborão nulo é desolador. Sobretudo porque a partida foi, em suma, muito fraca e desinteressante.

Como é óbvio, a maior responsabilidade cabe à Juventus. Capello mexeu para um esquema que os bianconeri também dominam mas foram notórios os cautelismos com que encarou o encontro. Olivera perdeu-se na rigidez táctica que também afectou Emerson, Nedved e Del Piero exibiram-se a nível muito limitado, Zambrota teve rasgos e Zlatan foi caindo com o tempo. Resta Mauro Camoranesi, um jogador que, pessoalmente, não aprecio e que mostrou muito pouco de futebol na noite de hoje. Nem a entrada de Zalayeta mexeu com a banalidade instalada, até porque só veio acentuar o domínio do Liverpool sob o meio-campo. Afastado da Liga dos Campeões, Capello tem de alterar conceitos. Sob pena de perder a Serie A para o AC Milan, nesta altura bem superior à Juventus.
Emerson.
Teve algumas entradas bem durinhas e foi o atleta que mais faltas acumulou ao longo do encontro. Emerson exibiu-se a um nível fraco e nem do ponto de vista do fair-play se distinguiu pela positiva. Quatro faltas cometidas e um cartão amarelo que o afastaria da próxima ronda. Nem ele nem a Juventus mereciam estar na meia-final frente ao Chelsea.
Mauro Camoranesi.
Confesso que não sou fã do italo-argentino e concordo que esta escolha podia passar por um outro jogador da Juventus. Todavia, e mesmo respeitando a forte oposição e o nulo apoio com que contou, a exibição de Camoranesi foi muito pobre. Ainda que esforçado e rigoroso tacticamente, o internacional transalpino não tem a capacidade de explosão nem a qualidade técnica que se exige a um atleta que faça a sua posição.
Milan Baros.
Num encontro insípido, os pormenores revelados por Milan Baros justificam a referência. Extremamente disponível, buscou espaços entre três centrais e esteve perto de vencer a luta num fabuloso num lance fabuloso, aos 50´. Rematou um pouco ao lado mas a jogada ficou na retina.
Xabi Alonso.
Repetindo que este foi um encontro fraco e sem grandes destaques individuais, permitam-me que eleja como melhor em campo o regressado médio espanhol. Esteve muito certinho no miolo e recorde-se a lacuna competitiva devido a longa paragem (desde a recepção ao Chelsea, no primeiro dia do ano), bem como o facto de ter sido chamado para fazer face à ausência do capitão Steven Gerrard. Xabi é reforço, até porque Hamann continua lesionado.
Remate.
Fabio Capello não montou uma Juventus capaz de desmontar o excelente esquema preparado por Benítez. Muito pragmático, o espanhol lidou bem com a ausência de Gerrard e beneficiou do regresso do ex-Real Sociedad Xabi Alonso. Controlado o miolo, Zlatan foi um oásis que cedo secou na produção ofensiva da Juve. Nem a entrada de Zalayeta mudou a cadência do encontro, sendo mesmo Baros a beneficiar de lance para matar a eliminatória. Cannavaro ainda cabeceou ao poste mas a sorte não lhe deu a repetição do golo alcançado em Anfield. Todavia, o conjunto das duas mãos acaba por premiar aquela que mostrou ser mais e melhor equipa – o Liverpool.
Ficha do Jogo:
Estádio: Delle Alpi
Árbitro: Valentin Ivanov
Juventus: Buffon; Thuram, Montero (Pessotto, 83´) e Cannavaro; Emerson, Olivera (Zalayeta, 45´), Camoranesi (Appiah, 84´) e Zambrota; Nedved; Del Piero e Ibrahimovic
Liverpool: Dudek; Finnan, Hyypia, Carragher e Traoré; Alonso, Biscan, Núñez (Smicer, 58´) e Riise; Luis García (Le Tallec, 85´) e Baros (Cissé, 75´)
Cartões Amarelos:
Juventus: Montero, Emerson, Zlatan e Zambrota
Liverpool: Finnan e Alonso

Foto: Uefa
Inteligência. Este é o elemento-chave do jogo do Chelsea de José Mourinho.
Os blues garantiram a presença nas meias-finais da Liga dos Campeões, pelo segundo ano consecutivo, apesar da derrota no Estádio Olímpico de Munique.
Sem deslumbrar, a equipa londrina foi extremamente eficaz, conseguindo segurar o ímpeto ofensivo dos alemães e marcar na altura certa.
O 3-2 favorável ao Bayern é um resultado justo, mas que só aconteceu por pura desconcentração do Chelsea nos minutos finais da partida.
Seja como for, Mourinho deu mais uma lição ao futebol europeu e levou os blues a dar mais um passo numa caminhada cada vez mais conseguida.
Venham os próximos...

Foto: Uefa
Início prometedor
Entrada em grande das duas equipas para este encontro. Os primeiros minutos da partida foram disputados a um ritmo alucinante, e as oportunidades de golo sucederam-se.
O Bayern entrou a todo gás, tentando chegar aos golos de que necessitava como pão para a boca, e o Chelsea espreitava todas as brechas que a defensiva bávara deixava antever.
A bola rondava as duas balizas, sempre com muito perigo, mas teimava em entrar.
Primeiro golpe
O Chelsea mostrava ter a lição bem estudada para este encontro. Defender bem, com Ricardo Carvalho numa primeira parte de grande nível, e explorar qualquer oportunidade de ataque.
E mesmo pressionada atrás, a equipa inglesa conseguiu ser a primeira a marcar, à passagem da meia-hora, através do médio Lampard, com a ajuda do defesa (adversário) Lúcio. Eficácia a quanto obrigas, o Chelsea estava com os dois pés nas meias-finais.
O Bayern tentava reagir, quase sempre de forma atabalhoada, mas raramente conseguia criar um lance com cabeça, tronco e membros. Makaay passou ao lado do jogo, e Pizarro só no segundo tempo despertou.
Segunda vaga travada
Os alemães entraram para o segundo tempo com uma atitude semelhante à do início do jogo. Pressionaram e empurraram o Chelsea para trás, mas nunca tiveram esclarecimento para chegar ao golo do empate.
Os pupilos de Mourinho resistiram como puderam, mas nunca perderam o norte, espreitando sempre a sua oportunidade. Drogba era o ponto de orientação e o ataque londrino passava, inevitavelmente, pelo avançado marfinense.
Final de loucos
Depois destes momentos de indecisão, eis que chegaram os golos ao Olímpico de Munique. Pizarro foi o primeiro a fazer o gosto ao pé no segundo tempo, empatando o encontro para os alemães.
O encontro estava relançado e o Bayern podia até ter voltado a discutir a eliminatória, quando Gudjhonsen evitou, em cima da linha, o golo de Lúcio.
O encontro estava mais vivo que nunca e os golos não paravam de surgir.
A dez minutos do final do encontro, Drogba carimbou a passagem do Chelsea à fase seguinte. Ao melhor estilo do avançado marfinense, o golo aparecia quando menos se esperava e arrumava as contas desta eliminatória.
O Bayern reagiu e aproveitou a descontracção final dos jogadores de Mourinho para conseguir dar a volta ao resultado, com golos de Guerrero e Scholl. Por certo o técnico português não ficou contente com esta desconcentração final dos seus atletas, mas a cabeça destes já estava nas meias-finais e no descanso bem merecido.
Balanço
O encontro acabou com três jogadores portugueses dentro de campo. A Ricardo Carvalho juntaram-se Tiago e, já nos momentos finais do enconto, Nuno Morais, um jovem ex-Penafiel que foi premiado pelo treinador português.
Quanto à eliminatória, segue em frente quem mais merecia seguir em frente. O Chelsea foi mais forte em Londres e veio a Munique defender-se...atacando.
Inteligência e eficácia são termos comuns quando se fala nesta equipa, que deu hoje mais um passo rumo a uma história que bem pode ter um final feliz.
São, sem dúvida, candidatos à vitória final, e quem quiser vai ter de suar muito para tirar esta equipa do "caminho para a felicidade".
Resta esperar para ver...
Bayern Chelsea
3 - 2
(Agregado: 5 - 6)
Golos:
65' Pizarro
90' Guerrero
90'+ 5' Scholl
30' Lampard
80' Drogba
Quartos de Final- 12 Abril 2005
Olympiastadion - Munique

Foto: Reuters
Shevchenko carimbou com a excelência que está ao alcance de poucos a passagem do AC Milan às meias-finais da Liga dos Campeões. No Giuseppe Meazza, nome que identifica o palco quando pertencente ao Inter, o melhor de 2004 para a revista France Football arrancou um brilhante pontapé para carimbar uma eliminatória que já vinha selada desde a passada semana. Dida exibiu-se a grande nível, mais uma vez, mas o conjunto que eliminou o FC Porto raramente mostrou condições para discutir a eliminatória. Desde Março de 2002 (meias-finais da Champions de há dois anos incluídas) que o Inter não consegue vencer o rival milanês. Mais do que isso, as três únicas derrotas averbadas pelo Inter na corrente temporada foram sofridas diante do conjunto de Rui Costa, que fez os vinte minutos finais. Hoje, todavia, o encontro prolongou-se devido a tristes e graves incidentes que devem preocupar a organização do desafio. Depois de um golo mal anulado ao Inter, os adeptos nerazurri fizeram chover todo o tipo de objectos junto de Dida, que chegou a ser atingido. Markus Merk interrompeu a partida por largos minutos, retomou-a mais tarde mas concluiu não haverem condições para que se chegasse ao final. Com todo o mérito, o AC Milan segue em frente e é um candidato de enorme peso à vitória final.

Foto: Uefa
O Chelsea esteve com os dois pés nas meias-finais da Liga dos Campeões, mas uma grande penalidade, já depois da hora, a favor do Bayern, veio estragar as contas da equipa de José Mourinho.
Os londrinos venceram por 4-2, com Joe Cole, Lampard e Drogba a marcarem para os blues e Schweinsteiger e Ballack a facturarem para os bávaros.
Mourinho não esteve no Stamford Bridge, mas não deve ter perdido o emocionante encontro desta noite, sobretudo a brilhante exibição de Frank Lampard, que bisou na partida.
A eliminatória vai a meio e tudo está em aberto. O Chelsea mostrou que tem capacidade para superar este Bayern, mas, a jogar em casa, os alemães por certo vão dar outra luta.
Ficamos à espera da segunda mão, já na próxima Terça-Feira.

Chelsea - Bayern
4 - 2
Golos: 4' Joe Cole, 60', 70' Lampard, 81' Drogba
52' Schweinsteiger, 90'+ 3'(pen) Ballack
Quartos de Final- 06 Abril 2005
Stamford Bridge - Londres

Foto: Uefa
O AC Milan mostrou, esta noite, que é um dos mais fortes candidatos para a conquista da Liga dos Campeões. No derby de Milão, os rossoneri foram mais fortes e bateram o Inter por 2-0, com golos de Stam e Shevchenko.
A equipa de Rui Costa, que iniciou a partida no banco de suplentes, fez uso do seu mortífero contra-ataque e colocou-se em vantagem pelo central holandês, mesmo em cima do intervalo. A confirmação do resultado surgiu da cabeça de Sheva, à passagem dos 74 minutos.
Com este resultado, o Milan tem tudo para conseguir a passagem às meias-finais da prova, ainda que possa acontecer uma surpresa na segunda mão desta eliminatória...em Milão. A ver vamos...

Foto: Uefa
Ainda que tenha demonstrado uma atitude defensiva, o Milan foi sempre a equipa mais esclarecida. No entanto, a primeira metade do encontro viu o Inter estar próximo de marcar por diversas vezes, primeiro por Verón e depois por Cruz.
Mas quem não marca... o Milan aproveitou a deixa e colocou-se em vantagem numa altura crucial do encontro: já em tempos de desconto para o intervalo, Jaap Stam respondeu da melhor forma a um passe de Andrea Pirlo e cabeceou para o golo.
O segundo tempo foi mais do mesmo: o Inter com mais entusiasmo e o Milan a defender "com unhas e dentes" a sua zona recuada. Só a um quarto de hora do final do encontro é que surgiu novo momento de alegria no Giuseppe Meazza: Sheva não perdoou e fechou o resultado do encontro com um bonito cabeceamento para o fundo das redes de Toldo.
Foi mais eficaz o Milan, ainda que a sua atitude tenha sido a do muito criticado Cattanaccio. Defendeu muito e bem, e marcou nos momentos chave da partida.
Parece bem encaminhada a equipa de Carlo Ancelotti, já com um pé nas meias. Veremos como corre a segunda mão, no mesmo estádio, em encontro diferente.
Milan - Internazionale
2 - 0
45'+ 1' Stam
74' Shevchenko
Quartos de Final - 06 Abril 2005
Giuseppe Meazza - Milan
Cocu dá vantagem ao PSV

A Europa mudou as lentes com que olhava as partidas do Lyon, tetracampeão francês (já se pode dizê-lo). Depois da limpeza com que eliminou o Werder Bremen, o conjunto de Paul Le Guen foi adicionado ao lote de potenciais vencedores da Champions e não lidou bem com o estatuto. Entrou muito bem no jogo e até se adiantou cedo, por intermédio de Malouda. Todavia, o compacto miolo holandês foi anulando o poder criador de Juninho. Essien e Govou tiveram bolas para alargar a vantagem mas seria o veterano Phillip Cocu a marcar, já perto do final. Um golo que dá liderança ao PSV para o desafio da segunda volta e que prova o valor de um atleta de 34 anos, centro-campista, que continua ao mais alto nível. Eredivisie, Liga dos Campeões e Holanda! Onde se esgota o fôlego de Cocu?
Enquadramento.No Gerland, encontravam-se os líderes dos campeonatos francês e holandês. O Lyon tem treze pontos de vantagem na Ligue 1 e tudo indica que conseguirá o tetracampeonato. Um enorme feito para um clube que apenas recentemente entrou em tamanha tendência ganhadora mas que tem solidificado o seu estatuto em França e até na Europa. Curiosamente, a turma de Paul Le Guen foi eliminada pelo FC Porto na última edição da prova. Entremos também no capítulo referente ao confronto do PSV com equipas portuguesas para lembrar que os holandeses já venceram a antiga versão da Champions. Corria o ano de 1988 e o adversário foi o Benfica. Vice-campeão mas líder destacado da Eredivisie, após ter destronado o surpreendente AZ Alkmaar, o conjunto de Hiddink vem fazendo uma boa Liga dos Campeões, o que até é divergente com o passado próximo do clube pela prova. Foi segundo, em parceria pontual com o Arsenal, no Grupo E e eliminou o rival do Lyon, o Mónaco. Finalista da passada edição, a turma de Deschamps perdeu por uma bola em Eindhoven e também foi derrotada na segunda volta, então por 2-0. Relativamente aos visitados de hoje, foram primeiros no Grupo D, à frente do Manchester United, e despacharam o Werder Bremen com um agregado de 10-2. Depois dos 3-0 conseguidos na Alemanha, o Lyon venceu por 7-2 no Gerland. Com efeito, o onze de Le Guen tem disfarçado a vertente sobretudo pragmática e até pouco espectacular que exibe em França. Revela veia goleadora mas também grande acerto defensivo.
As tácticas.Os oponentes desta noite apresentaram-se em esquemas muito idênticos. Começando pelo Lyon, note-se o leque vasto de opções ao dispor do técnico. Caçapa, o capitão, recuperou após longa lesão e integrou o centro da defesa, juntamente com o compatriota Cris. Réveillère era o lateral-direito, Eric Abidal ocupava a ala oposta e relegava Berthod para o banco de suplentes. Diarra era a unidade mais defensiva do miolo, estando sobretudo talhada para o apoio aos centrais e para a criação de um bloco que protegesse o último reduto. Essien, ganês goleador, e o fabuloso Juninho Pernambucano constituíam uma linha mais avançada no centro do campo. Pelas linhas atacavam Govou, na direita e com forte apoio junto do ponta-de-lança, e Malouda, pela esquerda e fazendo toda a ala, até por ter feito grande parte da época transacta como lateral-ofensivo. Sylvain Wiltord foi o elemento escolhido para o eixo do ataque e dele se aguardava a veia goleadora que tem revelado nestes momentos. Também o PSV enveredava por um esquema semelhante, prevendo um único avançado mas com forte apoio de um dos alas, neste caso o esquerdino Farfán. Heurelho Gomes, guarda-redes brasileiro, foi o escolhido para a baliza e tinha à frente o compatriota Alex, que formava dupla de centrais com o internacional holandês Wilfred Bouma. André Ooijer era o lateral-direito, o internacional coreano Young-Pyo Lee ficava com a esquerda. Phillip Cocu era um dos três elementos dum miolo que misturava grande dose de agressividade defensiva e muito maturidade e toque de bola para o lançamento dos ataques. Johan Vogel e o pretendido Mark Van Bommel acompanhavam o ex-Barcelona. Pela direita surgia o coreano Ji-Sung Park, unidade muito veloz. Jefferson Farfán, prodígio peruano, aparecia mais sobre a esquerda mas ia flectindo para o apoio ao ponta-de-lança Jan Vennegoor of Hesselink. Todavia, tal apoio foi diminuindo com o tempo e com a necessidade de travar o futebol lateral do Lyon.
Como beneficiou o PSV com o regresso do veterano Phillip Cocu. Hoje, em Lyon, o médio ex-Barcelona voltou a provar que ainda ter pernas para jogar ao mais alto nível. Com 34 anos, Cocu continua a defender a selecção agora orientada por Marco Van Basten e tem estado no topo da competição pelo PSV. Juntá-lo ao notável Van Bommel e ao menos vistoso mas igualmente eficaz Vogel tem resultado num miolo absolutamente temível. Têm passeado classe pela Holanda mas também têm usado a experiência acumulada nestas lides para devolver o PSV a fases bem adiantadas de uma prova que venceram em 1988. Nesse sentido, Cocu é a voz da experiência mas não se limita a apresentar um estatuto – corre, joga e faz jogar, resolve. Assim aconteceu hoje, no Gerland.
Apesar de só ter marcado um golo neste desafio, o Lyon merece ser elogiado pelo poder de fogo que vem exibindo na Europa. Uma média de mais de três golos por jogo e um futebol orientado para o ataque, num estilo distinto do pragmatismo cínico que tem passeado pela Ligue 1 francesa. Hoje criaram excelentes situações para marcar (remate de Essien parado pelo poste aos 39´, incrível defesa de Gomes a remate de Govou aos 63´) mas só o fizeram por uma vez. Todavia, e conseguindo anular os aspectos negativos a seguir citados, é de acreditar que este Lyon possa seguir em frente na prova. Sobretudo se tivermos em conta o leque amplo de variantes em que Juninho, Essien, Govou, Malouda e Wiltord podem facturar. Bola parada, tiro exterior, desequilíbrios nas alas, trabalho de ponta-de-lança. Enfim... Paul Le Guen tem muito por onde escolher.
Tem, igualmente, que trabalhar o aspecto psicológico. Hoje, o Lyon sentiu a pressão do momento e, contrariamente ao que o seu treinador anunciara na véspera, não mostrou grandes melhoras comparativamente com o conjunto que foi eliminado pelo FC Porto na época passada. Nenhum outro clube conseguiu tal sufoco sobre o futuro campeão europeu como o Lyon na primeira meia-hora do desafio do Gerland mas Le Guen detectou, e bem, algumas deficiências no restante da eliminatória. Face ao surpreendente agregado conseguido nos oitavos-de-final, notou-se hoje que os franceses sentiram a pressão e o peso dos holofotes. Não é fácil ser favorito.
André Ooijer.Toda a equipa do PSV recorreu à falta mas Ooijer fez disso profissão. Malouda não lhe deu outras hipóteses e o lateral holandês jogou durinho sobre o autor do golo do Lyon. Fora de causa esteve o apoio ao veloz Park, sendo que o coreano também não é propriamente famoso pelo suporte defensivo que pode oferecer.
Juninho Pernambucano.Tendo em conta que dele se espera o impossível, a exibição de Juninho Pernambucano não pode deixar de ser catalogada como um fracasso. Falhou nas bolas paradas, capítulo em que é, a meu ver, o maior especialista da actualidade. Pior do que isso, raramente pegou no jogo do Lyon e não dinamizou um ataque que teve de viver de Govou, Malouda e Essien. Talvez emende em Eindhoven...
Florent Malouda.Para além de ter sido o autor do golo do Lyon, que podia ter empurrado a turma para uma performance mais conseguida, foi sempre a unidade em evidência no ataque francês. Teve escasso apoio de Abidal mas tem velocidade e poder de arranque suficiente para se impor sozinho. Muito utilizado como defesa na época transacta, faz da capacidade atacante o seu maior predicado e isso mostrou quão influente pode ser com bola e espaços.
Phillip Cocu.Por tudo o que se escreve anteriormente e pelo peso que pode vir a ter na decisão da ronda, Cocu é o homem do jogo de hoje. Dificilmente se poderia prever que o PSV chegasse ao empate mas o veterano mostrou de que se fazem os grandes jogadores. Aos 34 anos, impressiona a forma como Phillip consegue jogar tanto e tão bem. No PSV e na Holanda, a defender e a atacar.
Remate.O PSV parte em vantagem para a partida da segunda volta, a realizar em Eindhoven. Uma vantagem oferecida por Cocu, que anulou o golo precocemente marcado por Malouda, após lance de Govou na direita. Apesar do equilíbrio registado, o líder do campeonato francês foi construindo excelentes oportunidades para aumentar a vantagem mas viu o poste e o guarda-redes Gomes anularem o segundo golo. Desta forma, o tento do veterano internacional holandês foi um duro golpe nas aspirações do Lyon, que não atirou a toalha ao chão e tem argumentos para discutir a eliminatória no Philips Stadion. Nada está resolvido mas o conjunto de Hiddink foi a vencer para as cabines.
Ficha do Jogo:
Estádio: Gerland
Árbitro: Pierluigi Collina (Itália)
Lyon: Coupet; Réveillère, Cris, Caçapa e Abidal; Diarra, Essien e Juninho; Govou, Malouda e Wiltord
PSV: Gomes; Ooijer, Alex, Bouma e Lee; Vogel, Cocu e Van Bommel; Farfán (Beasley, 67´), Park e Hesselink
Golos:
12' Malouda (1-0)
79´ Cocu (1-1)
Cartões Amarelos:
Lyon: nada a registar
PSV: Cocu e Vogel

Foto: Uefa
O Liverpool conseguiu um bom resultado na recepção à Juventus, esta noite, em jogo a contar para a primeira mão dos Quartos de Final da Liga dos Campeões.
A vitória da equipa de Rafa Benítez começou a ser construída logo aos dez minutos, com Hyypia a colocar os ingleses em vantagem. Garcia fez o segundo para os reds, que viram Cannavaro reduzir para a Juve já no segundo tempo e, assim, estabelecer o resultado final.
Este foi o primeiro encontro entre os dois clubes, quase dez anos depois do fatídico jogo do Heysel, em Bruxelas, durante a final da Taça dos Campeões Europeus de 1985, quando 39 adeptos das duas equipas perderam a vida. Um minuto de silêncio foi cumprido em homenagem às vítimas desse trágico acontecimento, em conjunto com outras iniciativas que juntaram antigos jogadores das duas equipas, como Platini ou Ian Rush.
Quanto à eliminatória, fica tudo em aberto para o encontro do Delle Alpi, em Turim, na próxima semana.

Foto: Uefa
Os reds entraram a todo o gás na partida e logo aos 10 minutos já venciam, com um golo do central Hyypia. Este foi, apenas, o terceiro golo sofrido por Buffon na competição.
Já perto da meia-hora, Luís Garcia, que esteve em grande na partida, aumentou a vantagem dos ingleses, com um espectacular remate do meio da rua.
O Liverpool dominava o encontro e Milan Baros era uma seta apontada à baliza da Vecchia Signora, que por pouco não viu as coisas complicarem-se ainda mais.
E foi já no segundo tempo que a Juventus conseguiu reduzir a desvantagem e relançar a discussão da eliminatória. O central Fabio Cannavaro respondeu da melhor forma a um cruzamento e cabeceou para o fundo das redes do jovem guarda-redes Scott Carson, que substitui o lesionado Dudek.
O 2-1 final é um resultado que se aceita, mas que acaba por penalizar a equipa inglesa, que poderia ter conseguido uma vantagem muito mais expressiva. Desta forma, a eliminatória fica em aberto e a decisão está guardada para o Delle Alpi, em Turim.
Liverpool Juventus
2 - 1
10' Hyypiä
25' García 63' Cannavaro
Quartos de Final- 05 Abril 2005
Anfield - Liverpool

Foto: UEFA
O Sporting reencontra o Newcastle na Taça UEFA, regressando também a Inglaterra. Ultrapassado o Middlesbrough, o conjunto de Peseiro defronta a turma de Souness nos quartos-de-final da prova, que termina em Alvalade. Adversários na fase de grupos, estes emblemas já se defrontaram por duas vezes na corrente temporada. Em Agosto, os leões venceram o torneio da cidade britânica, defrontando os anfitriões na final, e conseguiram um positivo nulo na última jornada da ronda de grupos, garantindo dessa forma o apuramento. Em subida de forma, o conjunto de St. James Park volta a surgir no caminho do Sporting, sendo que a primeira mão se joga em terras inglesas. Caso ultrapasse o actual 11º classificado da Premiership, o emblema lisboeta enfrenta o vencedor da eliminatória entre o AZ Alkmaar e o conjunto que sair do duelo Villareal-Steaua de Bucareste.
Relativamente à Liga dos Campeões, Mourinho evitou a frota italiana e mede forças com o cínico futebol alemão. O Bayern de Munique, actual segundo classificado da Bundesliga, é o adversário do clube mais português de Inglaterra. Destaque para o duelo milanês, na repetição das meias-finais de 2002-2003, então favoráveis ao futuro vencedor AC Milan. Rui Costa será uma das armas ao dispôr de Carlo Ancelotti.
Taça UEFA
Quartos-de-final:
Steaua ou Villarreal – AZ Alkmaar
CSKA Moscovo – Auxerre
Newcastle – Sporting
Austria Viena – Parma
Meias-finais:
1. Austria ou Parma – CSKA ou Auxerre
2. Steaua/Villarreal ou Alkmaar – Newcastle ou Sporting
Final:
Vencedor do Jogo 1 – Vencedor do Jogo 2
Champions
Quartos-de-final: (5/6 Abril e 12/13 Abril)
Liverpool - Juventus
AC Milan - Internazionale
Olympique Lyonnais - PSV Eindhoven
Chelsea - Bayern Munique
Meias-finais: (26/27 Abril e 3/4 Maio)
1. Liverpool ou Juventus - Chelsea ou Bayern
2. AC Milan ou Inter - Lyon ou PSV
Final: (25 Maio)
Vencedor do Jogo 1 - Vencedor do Jogo 2

Fotos: UEFA
Não há equipas espanholas na Liga dos Campeões. O Real Madrid perdeu no Delle Alpi e a forte armada espanhola já caiu. Confirmaram-se as vantagens que Bayern de Munique, PSV Eindhoven e Liverpool traziam dos encontros da primeira mão. Mais do que isso, os últimos fizeram-no em grande estilo, vencendo no terreno dos respectivos rivais. Falta apenas conhecer um dos oito emblemas que vão disputar os quartos-de-final. Na próxima terça-feira, Inter de Milão e FC Porto medem forças no Giuseppe Meazza. Recorde-se que o resultado da partida do Dragão foi 1-1, pelo que os italianos têm vantagem do golo marcado fora.
Juventus 2-0 Real Madrid (após prolongamento, 2-1 no total)
Espanha já não tem representação na Liga dos Campeões. Valência e Deportivo caíram na fase de grupos, Barcelona e Real Madrid deixam a prova nos oitavos-de-final. No que toca aos merengues, a derrota no Delle Alpi ameaça uma temporada que se vem revelando desastrosa. Não tendo sido um encontro brilhante, a partida de Turim evidenciou algumas lacunas de concretização da parte dos merengues e a Juventus cresceu com a inclusão de David Trezeguet. Foi o avançado italiano a empatar a eliminatória, após bom serviço de Zlatan Ibrahimovic. Ronaldo ainda marcou mas estava em posição irregular, o que levou o encontro para prolongamento. Figo esteve activo mas foi Marcelo Zalayeta a resolver (tal qual fizera em Barcelona na edição de 2003). Ronaldo foi expulso, Raúl já não estava em campo e o Real Madrid não reagiu à desvantagem.

Arsenal 1-0 Bayern de Munique (2-3 no total)
Faltou um golo para que o Arsenal quebrasse a tradição. Altamente infeliz nas rondas a eliminar, o conjunto londrino derrotou o líder da Bundesliga alemã mas fica pelo caminho. Thierry Henry apontou o único golo do encontro, num excelente remate após passe de Ashley Cole. Faltavam vinte e cinco minutos para o fim do encontro mas o tal que apuraria o Arsenal acabou por não chegar. Segue em frente a turma de Felix Magath, agora a única representante da Alemanha na prova.

Mónaco 0-2 PSV Eindhoven (0-3 no total)
Está afastado o finalista vencido da última edição da Liga dos Campeões. A fazer uma percurso modesto pelas provas do seu país, Didier Deschamps apostava muito nesta eliminatória mas perdeu. Por seu turno, o líder da Eredivisie holandesa gerir muito bem a vantagem trazida da primeira volta e revelou eficácia em períodos fulcrais. Apesar do domínio monegasco, Vennegoor of Hesselink adiantou o PSV em descontos do primeiro tempo. Passava a ser quase impossível a missão do Mónaco, sendo que o norte-americano Beasley só veio confirmar a vitória da turma de Hiddink.

Bayer Leverkusen 1-3 Liverpool (2-6 no total)
Não se repetiu 2002 na BayArena, registando-se o mesmo resultado da primeira volta. Mais uma vez, o espanhol Luis García foi a figura em destaque, tendo bisado em escassos quatro minutos. Fez o primeiro antes da meia-hora, após remate de Gerrard, e decidiu a eliminatória com um cabeceamento certeiro na sequência de um canto batido por Gerrard. Já na segunda metade, Milan Baros aumentou a liderança dos reds e o conjunto de Augenthaler reduziu perto do final, através do polaco Krzynowek.

Foto: UEFA
Milan e Lyon confirmaram a vantagem que traziam das partidas da primeira mão. Ambas jogaram no seu terreno e se Crespo repetiu a graça para apurar a turma de Rui Costa, o Lyon despachou o Werder Bremen com uma copiosa goleada. Cuide-se quem medir forças com o conjunto do Gerland.
AC Milan 1-0 Manchester United (2-0 no total)
Ferguson comparara a actual equipa do United com a campeã europeia de 1999 mas o sucesso não tem paralelo. Se a Premiership parece já uma utopia, a Champions passou a ser uma certeza - acabou. Novamente com a benção de Hernan Jorge Crespo, um atleta emprestado pelo Chelsea (nada mais do que o clube que lidera o campeonato inglês). Rui Costa foi titular pelos nerazurri, o mesmo acontecendo com Cristiano Ronaldo relativamente aos red devils. O Manchester United só havia ganho em Itália por uma ocasião (no Delle Alpi, rumo à vitória de Camp Nou em 1999) mas não repetiu o feito, hoje imprescindível. Crespo decidiu a eliminatória ao quarto-de-hora do segundo tempo, com um soberbo cabeceamento. Segue em frente o campeão e líder da Serie A, vencedor da Champions em 2003 - então no Teatro dos Sonhos de Manchester.

Olympique Lyonnais 7-2 Werder Bremen (10-2 no total)
Depois dos 0-3 alcançados na Alemanha, o Lyon não precisaria de tanta pompa para afastar o ainda vencedor da Bundesliga. Contudo, é óbvio que não se deixaram créditos por mãos alheias. À meia-hora, já Wiltord tinha aberto o seu hat-trick e até o ganês Essien havia feito o gosto ao pé - no seu caso por duas ocasiões. Johan Micoud ainda reduziu antes do intervalo mas o recomeço do tricampeão francês (ou devo dizer tetra?) demolidou qualquer esperança que pudesse subsistir. Wiltord bisou e o golo de Ismael, obtido de grande penalidade, foi alvo de imediata resposta. Fizeram-no Malouda e novamente Wiltord, sendo que coube a Berthod - também de castigo máximo - o fecho do macador

Foto: UEFA
Nenhum futuro manual de futebol pode esquecer o Chelsea-Barcelona desta noite, que aliás vem na senda do excelente espectáculo de Camp Nou. Seguem em frente os londrinos, que terão ultrapassado um dos mais fortes candidatos à vitória final. Não o fizeram sem passar por extremas dificuldades, num jogo em que chegaram a ter vantagem de três golos... aos vinte minutos. Todavia, Ronaldinho fez questão de explicar porque é que o galardoaram com o troféu de melhor jogador do Mundo e recolocou o Barça na liderança. Quase sempre mais forte, o conjunto espanhol desperdiçou soberanas ocasiões para matar a eliminatória e acabou por ser John Terry a apurar o Chelsea. Contudo, o lance conta com a colaboração de Ricardo Carvalho, que impede Valdés de se fazer ao cabeceamento. Mourinho pedira Collina... e Miguel Prates berrou de prazer! Como é bonito o futebol...
Enquadramento e Tácticas
Ambos os conjuntos se apresentavam limitados. Apesar da novela em seu torno, Arjen Robben era carta fora do baralho e Drogba, já se sabia, estava castigado. Ainda assim, previa-se uma abordagem mais comedida de Mourinho, que lançou de início a dupla Gudjohnsen e Kezman, com Duff à esquerda e Cole à direita. Resultava isto no afastamento de Tiago, sendo que tanto Paulo Ferreira como Ricardo Carvalho mantinham a titularidade e as posições de origem. Por seu turno, Rijkaard lamentava a lesão de Márquez e via-se obrigado a recorrer a Oleguer. De resto, Deco fazia trio ao miolo com Gerard e Xavi, sendo que Ronaldinho surgia sobre a esquerda do avançado Eto´o, com Iniesta como médio-direito. Belletti era, todavia, o principal dínamo da ala catalã.
Barça controla, Chelsea goleia
Ainda que os visitantes revelassem grande entrosamento do miolo para a frente, dominando mesmo o encontro, o certo é que cedo se constituiu um "Eixo do Mal" que facilitou a tarefa londrina. Gerard estava péssimo no miolo, sendo que Oleguer também revelava excessivo nervosismo e Gio van Bronckhorst foi sucessivamente ludibriado por um Joe Cole endiabrado. Ainda assim, foi de uma perda de bola do insuspeito Xavi que nasceu o primeiro golo, com Kezman a servir Gudjohnsen para um excelente trabalho sobre Gerard e fácil conclusão. O Chelsea estava na frente mas a toada mantinha-se, de tal forma que voltou a ser em contrapé que a turma de Mourinho voltou a marcar. Valdés foi surpreendido por um ressalto e Lampard limitou-se a encostar para uma vantagem que parecia encaminhar os ingleses para uma vitória simples. Mais do que isso, Duff aumentou a liderança pouco depois. Estava feito?
Ronaldinho, o melhor do Mundo
Nada disso. Sentia-se que o Barcelona podia marcar a qualquer momento, ainda que Cech não tenha grande historial de golos sofridos. Ainda assim, os catalães revelavam facilidade em criar situações mas só converteram a primeira quando Paulo Ferreira encaminhou Ronaldinho para a marca de grande penalidade. Golo, está bom de ver. Apesar da enorme desvantagem, a turma de Rijkaard continuava a demonstrar alta qualidade, até por dispôr de elementos que provaram ser a nata do futebol actual. Não que o Chelsea não os tivesse, como se comprovara antes e se confirmou mais tarde. Todavia, poucos estariam à altura do soberbo golo assinado por Ronaldinho. Sem ângulo, cercado por todos os lados e com Ricardo Carvalho pela frente, o brasileiro dançou, encontrou um ínfimo espaço e calculou o efeito necessário. Resultado - Cech quase pedia uma cadeira para melhor apreciar o golaço do canarinho!
Barça desperdiça, Chelsea adianta-se
Ainda antes do intervalo, Joe Cole beneficiou de uma excelente ocasião mas foi negado pelo ferro, tal qual aconteceria com Andrés Iniesta já no segundo tempo. Pelo meio, domínio do Barcelona e pontuais iniciativas perigosas do Chelsea. Ainda assim, nenhum dos conjuntos lograva marcar, se bem que o tal lance de Iniesta - com Eto´o a desperdiçar a recarga - tenha sido a grande ocasião para mantar a eliminatória. Tal não aconteceu, sendo que Terry subiu mais alto após canto de Lampard e deu a passagem aos londrinos. Ricardo Carvalho está no lance mas passou despercebido ao trio de arbitragem, que não o vê impedir Valdés de se fazer ao cabeceamento. Erro crasso com influência no resultado e na vitória do Chelsea. Sem convencer (em nenhum dos encontros), o onze de Mourinho segue em frente e pode-se gabar de ter ultrapassado um dos adversários mais dificéis da prova. E agora, quem os pára?

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Nas partidas de ontem, da Liga dos Campeões, as atenções estavam voltadas para o grande embate do Camp Nou. Contudo, não foi só na Catalunha que os portugueses entraram em acção. Se Deco foi mais feliz no reencontro em Espanha, já Rui Costa conseguiu um importante triunfo no terreno de Cristiano Ronaldo. Na outra partida, que envolveu alemães e franceses, também se falou português, mas com sotaque...

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Belletti dá esperança a Mourinho... na noite do massacre catalão
O Chelsea vinha de uma derrota para a Taça de Inglaterra, mas prometia um bom resultado na Catalunha, enquanto o Barça pretendia contrariar as pretensões de Mourinho e companhia. Deco saiu mais contente deste embate, já que foram os da casa que controlaram todo o encontro. A estratégia de Mourinho (considerada brilhante pelos jornais ingleses), podia ter colocado já um ponto final na eliminatória, caso o Barcelona tivesse concretizado metade das oportunidades das quais dispôs ao longo do encontro. O conjunto de Mourinho, a jogar em contra-ataque, conseguiu o primeiro golo (auto-golo de Belletti) numa jogada rápida conduzida por Duff. Porém, e excepção feita a um lance de Drogba, não mais o conjunto britânico incomodou Valdez. Do outro lado o Barcelona pressionou e controlou todas as operações a meio-campo, sendo que, depois da expulsão de Drogba, os catalães fizeram dois golos e podiam ter ampliado a vantagem. Decisiva a entrada de Maxi López, que marcou e deu a marcar revolucionando, com a sua entrada, o já por si mexido ataque catalão. Tudo em aberto para a segunda mão, graças ao golo alcançado pelo Chelsea, que se queixa de pressões exercidas sobre o árbitro no intervalo do encontro.

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Rui Costa com um pé nos quartos
O Milan tinha uma deslocação complicada a Old Trafford nesta primeira mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões. A jogar em casa Cristiano Ronaldo e companhia até tiveram boas oportunidades para marcar, mesmo com Nistelrooy no banco de suplentes. Contudo, Seedorf lá foi deixando o aviso com uma bola ao ferro ainda no primeiro tempo. E, foi já na segunda metade do tempo regulamentar (aos 78 mts) que Crespo, após defesa incompleta de Caroll, fez o golo que coloca o conjunto de Rui Costa bem perto dos quartos de final da prova.

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Lyon arrasa estreante alemão
Em Bremen encontravam-se um estreante nesta fase da prova (Werden Bremen) e o conjunto eliminado pelo FC Porto nos quartos de final da última edição. Os alemães até começaram melhor, mas a experiência francesa falou mais alto e, os três golos alcançados não deixam grande margem de manobra ao conjunto alemão. Wiltord, Diarra e Juninho ditaram a sentença aos pupilos de Thomas Schaaf, que fala em falta de entrega dos seus jogadores. O melhor em campo foi mesmo o 8 do Lyon. Juninho jogou e fez jogar, sem esquecer o grande golo que apontou já bem perto do final do encontro.

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Não foi desta que se quebrou a invencibilidade do Inter e nem sequer se pode afirmar que o FC Porto tenha estado mais próximo desse feito do que esteve de partir para Milão com a obrigação de virar uma derrota. Não se conclua desta premissa que os dragões fizeram uma má exibição. Com efeito, esta até foi uma agradável excepção à mediocridade que tem pautado as actuações dos portistas no seu terreno. Tendo como referente o padrão exibicional da corrente época, viu-se hoje um FC Porto bastante interessante. Todavia, do outro lado estava um Inter imbatível à quase quatro dezenas de jogos. Está muito complicada a continuidade de Portugal na Liga dos Campeões mas, diz o povo, “a esperança é a última a morrer”.
Enquadramento
Líder destacado no grupo que o sorteio lhe destinou para a fase inaugural da prova, o Inter de Milão chegava ao Porto na máxima força. Mancini dera-se ao luxo de prescindir de Davids e de Recoba e nem as dúvidas em torno da disponibilidade de Martins e de Vieri retiravam ambição aos nerazurri. Bater o Inter pela primeira vez na corrente temporada era o incentivo extra que se apresentava ao FC Porto. Todavia, um jogo desta natureza representava, por si só, um enorme aliciante. Estreante nestas lides, José Couceiro via-se privado de um organizador de jogo. Diego estava castigado, Ibson não foi inscrito no prazo previsto, Leo Lima e Leandro do Bonfim já haviam actuado nas competições europeias. Também Jorge Costa era carta fora do baralho, devido a castigo.
Táctica portista não surpreende
Dadas estas limitações no leque de escolhas, era previsível a opção táctica de José Couceiro. De resto, também não se registaram surpresas no que concerne a nomes. Vítor Baía ocupou a baliza, Seitaridis regressou à lateral-direita e o mesmo aconteceu com Pedro Emanuel, de volta à parceria com Ricardo Costa. Nuno Valente era o dono do lado esquerdo e tinha Bosingwa à frente. Raul Meireles assumia-se como médio-interior direito, com Costinha na posição habitual e Maniche a fazer de armador, ainda que a partir de linhas recuadas. Ricardo Quaresma aparecia sobretudo pela direita, sendo que o regressado Benni McCarthy ocupava a posição mais avançada. Este esquema confiava a Bosingwa a ala esquerda, aproximava Meireles de Maniche na missão de condução e devolvia Quaresma à direita, ainda que com liberdade assinalável. Nuno Valente e Seitaridis, mais este, tinham ordens para apoiar as acções ofensivas.
Mancini apresenta 4-4-2 com variações
Mais previsível o esquema italiano, ainda que importe mencionar determinados desdobramentos que se vieram a revelar eficazes. Castigado durante as duas últimas partidas da Serie A, Marco Materazzi recuperou o lugar no onze, relegando Sinisa Mihajlovic para o banco. Ivan Córdoba actuava ao seu lado, com Javier Zanetti na direita e Favalli na esquerda. Cristiano Zanetti fazia parelha com Cambiasso na linha mais recuada do miolo. Todavia, se o primeiro raramente se imiscuía em missões ofensivas, o segundo fazia-o com frequência. Infeliz em Madrid, o argentino fazia valer a sua cultura táctica e o toque de bola fácil que o caracteriza. Stankovic, mais evoluído do ponto de vista táctico, superou a concorrência de Kily e Veron fechava o quarteto, prevendo-se que actuasse sobre a direita. Assim acontecia nas missões defensivas, sendo que a posse de bola fazia o ex-Chelsea aparecer sobre o miolo, conduzindo jogo. Neste cenário, o versátil Adriano surgia da direita para o centro, iludindo marcações, embalando para o tipo de jogo em que é forte. Martins funcionava como homem mais fixo, ainda que as suas características o impeçam de se prender a um espaço. Obafemi procura jogo, discute lances com adversários mais fortes e mais altos, tem uma mobilidade e uma entrega ao jogo que Vieri não exibe.
Jogo aberto até lesão de Bosingwa
Desde cedo se viu que, não obstante as idiossincrasias do encontro, o Inter vinha ao Dragão para marcar e, se possível, ganhar. Rigoroso nas acções sem bola, o conjunto italiano desdobrava-se com facilidade para o ataque. Adriano e Martins revelaram facilidade em marcar um espaço junto do último reduto portista e a combatividade que emprestaram ao encontro indiciou sarilhos para Vítor Baía. Stankovic estava apagado mas muito cumpridor tacticamente, sendo que Veron revelava maior protagonismo, algo que lhe foi facilitado pelo imenso toque de bola que possui. Ainda assim, parece-nos que o retraimento do médio ex-Estrela Vermelha está relacionado com o pendor ofensivo que Seitaridis cedo mostrou. Assim sendo, entregar Favalli a possíveis situações de inferioridade numérica perante a ala direita portista podia resultar em complicações. Feitos os ajustes ali, havia também que assegurar a neutralização do poder de progressão de Bosingwa, que se destacou na esquerda e contava com o apoio de Nuno Valente. McCarthy também parecia motivado e o encontro estava interessante, numa toada bipolar assente no conceito de futebol de ataque.
“Faca de dois legumes”
Todavia, a lesão de Bosingwa veio desequilibrar a balança, agora claramente favorável ao Inter. Extretamente passiva, a postura portista convidava ao normal atrevimento nerazurri. As pernas tremiam perante Adriano e Martins, extremamente irrequietos e possantes. Ambos logravam progredir até linhas bastante avançadas, perante o permissível comportamento dos dragões. As linhas médias não actuavam com agressividade na busca da bola e isso encorajava o futebol transalpino. Neste contexto, os italianos chegaram à vantagem quando Paulo Machado aquecia para render o limitado Bosingwa. Numa rara incursão de Stankovic pela esquerda (aproveitando o balanceamento de Seitaridis), o sérvio ofereceu ao isolado Martins o tento inaugural. Jaime Pacheco chamar-lhe-ia a “faca de dois legumes”! Forçado a fazer todo o corredor, Seitaridis não foi compensado defensivamente e o ala-esquerdo milanês surgiu nas costas para oferecer o tento inaugural ao nigeriano, que só encostou.
Senta-se Paulo Machado, entra Fabiano
Bosingwa foi rendido pouco depois mas por Luís Fabiano. Couceiro viu-se perante um dado novo, até porque o Inter tinha conseguido aquilo que o FC Porto queria impedir – a vantagem do golo fora. Paulo Machado regressou ao banco e o avançado ex-São Paulo foi chamado para entrar. Resulta daqui a mudança do estilo de jogo, até então baseado na progressão lateral. Dispensou-se o meio para chegar ao fim (último reduto do Inter), ainda que Benni tenha herdado a missão de procurar jogo em outros terrenos. Ainda assim, a necessidade obrigou Couceiro a optar por um modelo mais directo mas poucas foram as ocasiões em que, até final da primeira metade, se ameaçou a baliza de Toldo. Facilmente anulados pelo alto e duro Materazzi e pelo baixo mas eficaz Córdoba, os avançados portistas revelavam-se inconsequentes. Com efeito, continuaram a ser os centros de Seitaridis o sustento do curto poder de fogo que o FC Porto demonstrava ter.
Intervalo faz bem
Importa referir a importância que o regressado Maniche tinha na condução do futebol portista. Bem distante do ritmo “a passo” que tem marcado as actuações do clube pela Superliga, o dinamismo imposto pela qualidade de passe do internacional favoreceu a progressão e o constante movimento da bola entre sectores. Todavia, Quaresma voltava a protagonizar uma performance desinspirada, ainda que o FC Porto tenha encontrado alternativas. Defensivo, o Inter encostava agora Adriano à lateral onde não estava Seitaridis mas poucas bolas chegavam ao ataque milanês. Crescia o conjunto de Couceiro, com McCarthy bem mais empenhado do que Fabiano e Raul Meireles a crescer para uma óptima parelha com Maniche. Estas duas unidades faziam correr a bola, abriam opções, descobriam alternativas.
Enfim, o empate (salvo por Baía)
Também melhor surgia Nuno Valente, sendo que dos seus pés saiu o golo da igualdade. Livre rapidamente batido por Maniche e cruzamento do lateral para o segundo poste. Inesperadamente, Toldo falhou a intercepção e Costinha encostou para a conclusão de Ricardo Costa. Chegava o empate e o momento podia empurrar o FC Porto para o segundo golo. Todavia, o fulgor cedo se esfumou e Mancini leu bem as incidências da partida. Muito ganhou o Inter com a inclusão do turco Emre, exímio marcador de lances de bola parada. Foi aí que os italianos se revelaram e foi daí que podia ter chegado a vitória. Vítor Baía salvou o FC Porto por várias ocasiões nos minutos finais, aqueles em que os nerazurri se costumam revelar mais fortes.
Balanço
Resultado justo e amplamente favorável aos italianos, que partem em vantagem para o encontro da segunda volta e são favoritos à passagem para a fase seguinte. Sendo óbvio que o FC Porto não pode entregar a eliminatória, há que ter a noção de que é preciso ser eficaz em Milão. Favalli e Materazzi não jogam no Giuseppe Meazza (será uma contrariedade ou uma mais-valia?) e é bom que Couceiro tenha em mente que é provável que o Inter não fique em branco. Assim sendo, há que trabalhar a eficácia e descobrir mecanismos que ofereçam esperança aos portistas. Deixe-se aqui uma constatação – o percurso dos dragões é bem mais positivo fora do Dragão. Resta acreditar...
Ficha do Jogo
Quarta-Feira, 23 de Fevereiro de 2005
Estádio do Dragão, cerca de 40 mil espectadores
Árbitro - Graham Poll (Inglaterra)
FC PORTO – Vítor Baía; Seitaridis, Ricardo Costa, Pedro Emanuel e Nuno Valente; Raul Meireles e Costinha; Bosingwa (Luís Fabiano, 27 m), Maniche e Quaresma (Hélder Postiga, 82 m); McCarthy.
INTER – Toldo; Javier Zanetti, Córdoba, Materazzi e Favalli; Veron (Emre, 70 m), Cristiano Zanetti, Cambiasso e Stankovic; Martins e Adriano (Vieri, 80 m).
Disciplina: cartão amarelo a Favalli, Córdoba e Costinha.
Marcador: 0-1 por Martins (23 m); 1-1 por Ricardo Costa (60 m).

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Houve golos em todos os jogos e a condição de visitado fez a diferença nas partidas de hoje. Por um lado, Real Madrid e PSV Eindhoven alcançaram vitórias tangenciais sem consentir qualquer golo. Por outro, golos tardios permitem que Arsenal e Bayer Leverkusen se mantenham na luta pela passagem à fase seguinte. Tanto Bayern de Munique como Liverpool dispunham de três golos de vantagem mas tudo se decidirá nos desafios da segunda mão.
Real Madrid 1-0 Juventus
Em Madrid encontravam-se os finalistas da Liga dos Campeões de 1998, então favorável aos merengues. Todavia, a eliminatória mais recentre entre Real Madrid e Juventus remete para o ano de 2003, altura em que os italianos carimbaram o passaporte para à final à custa dos espanhóis. Desta feita, ambos os emblemas vinham de um momento complicado e Luxemburgo não teve pudor em afirmar que hoje se jogava a temporada dos madridistas. Isso repercutiu-se na forma como os locais encararam o encontro, bem distinta da atitude dos pupilos de Capello (um ex-Real Madrid). Raul e Ronaldo foram, no entanto, demasiado perdulários. Se o primeiro buscava o golo cinquenta na prova, o último queria redimir-se da festa de casamento que tanto deu que falar na passada semana. Ambos falharam nessa missão, sendo que só Iván Helguera foi sucedido na hora de atirar à baliza. Fê-lo à meia-hora, após livre batido por Beckham na esquerda e eficaz aproveitamento do espaço aéreo. Por esta altura, já Michel Salgado e Nedved haviam deixado o terreno de jogo mas quem fazia valer o futebol transalpino era Ibrahimovic e Emerson. Ainda assim, nenhum dos dois conseguiu bater Casillas e até foram do Real Madrid as melhores ocasiões. Zidane esteve em plano de destaque mas Figo também jogou bastante bem. Tudo se decide no Delle Alpi...
PSV Eindhoven 1-0 Mónaco
Mesmo resultado em Eindhoven, onde o PSV reencontrava o Mónaco. Didi Deschamps estreara-se com uma vitória na Holanda rumo à final de Gelsenkirchen mas Hiddink logrou vingar o resultado verificado na última temporada. Todavia, a vantagem mínima não resolve a eliminatória e só no Louis II se decide quem passa à próxima ronda. Marcaram cedo os locais, com o central Alex a estabelecer o resultado ao minuto oito. Canto de Mark van Bommel na direita e cabeceamento do brasileiro, que se estreia a marcar na Champions. Recorde-se que ele dera a vitória ao Arsenal no primeiro jogo da fase de grupos mas então fê-lo na baliza errada!
Bayern de Munique 3-1 Arsenal
Em Munique jogava-se um aguardado encontro. Líder da Bundesliga, o Bayern recebia um Arsenal que revela dificuldades em se impôr no topo do futebol europeu. Foram mais fortes os pupilos de Felix Magath, ainda que o tardio golo de Kolo Alib Touré venha emprestar alguma incerteza a esta eliminatória. Numa partida dividida, os alemães foram terrivelmente mais eficazes. Claudio Pizarro abriu a contagem ao oitavo minuto, num lance que começa em Kahn e conta com a colaboração de um mau corte de Touré. Terceiro golo do peruano na actual edição da prova ao quarto-de-hora da segunda metade, com o central londrino novamente implicado pelos piores motivos. Tardou pouco o terceiro golo bávaro, com Pizarro a servir Frings para um bom cruzamento. Hasan Salihamidzic só teve de confirmar. Todavia, o Arsenal pode ter conseguido um tento vital perto do fim. Livre de Reyes, corte de Kovac e Vieira a rematar ao segundo poste. Bem colocado, Touré ofereceu esperança aos gunners. Ainda assim, será uma missão difícil em Highbury, até porque as equipas alemãs costumam ser letais a gerir vantagens deste tipo. A confirmar...
Liverpool 3-1 Bayer Leverkusen
Dois golos em descontos animaram um encontro que opunha oponentes da versão 2001/2002 da Champions. Na altura, o Bayer Leverkusen foi superior mas a vitória sorriu, desta feita, ao Liverpool. Ainda que limitado nas opções, o conjunto de Rafa Benítez adiantou-se ao quarto-de-hora por Luis García. Bem lançado por Igor Biscan, o ex-Barcelona bateu Butt com facilidade e estreou-se a marcar na prova. John Arne Riise fez o segundo após a meia-hora, convertendo de forma irrepreensível um livre directo. Apesar do domínio alemão, foi o Liverpool a aumentar a vantagem. Já em descontos, Dietmar Hamann seguiu os passos de Riise e também marcou de bola parada. Despiam-se as bancadas de Anfield mas França deu esperança ao Bayer no terceiro minuto de compensação. Lance confuso e oportunismo do avançado brasileiro. Tudo se decide na BayArena.

Não há grandes diferenças entre o Inter de Milão actual e o aqui analisado a 17 de Dezembro de 2004, dia em que se ficou a conhecer o adversário do FC Porto para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Exige-se, todavia, uma pequena actualização e a previsão daquilo que amanhã pode acontecer no Estádio do Dragão.
1 – FC Porto mudou, Inter mantém-se

Foram dois meses conturbados para os lados do Dragão, ainda que o emblema ocupe a liderança da Superliga e parta com ambições para a ronda da Champions que se aproxima. Todavia, o reinado de Fernández terminou de forma abrupta. Grande instabilidade exibicional, poucas perspectivas de evolução e uma crescente contestação ao trabalho da direcção, equipa técnica e plantel. Como é hábito nestas situações, o treinador é o sacrificado e assim aconteceu com o espanhol.
Para o seu lugar foi contratado José Couceiro, uma personalidade com fortes ligações ao futebol português mas com poucas provas dadas no cargo de técnico. Com efeito, a prestação que vinha conseguindo em Setúbal constitui mesmo o seu cartão de visita, manchado pela descida de divisão em Alverca, na época transacta. Comparado ao agora treinador do Chelsea, Couceiro tem procurado marcar uma postura forte e aparenta ter dominado o balneário. Todavia, o FC Porto ainda não teve provas de fogo sob a sua liderança e os desafios aprazados para os próximos dias são, efectivamente, dois enormes testes à capacidade desta equipa técnica e ao futuro próximo dos portistas.
Também no plantel se registam enormes diferenças. Derlei e Carlos Alberto eram unidades importantes mas saíram no mercado de Inverno, tal como Maciel, Hugo Almeida, Hugo Leal e César Peixoto. Entraram Leandro, Cláudio, Leo Lima, Ibson e Leandro do Bonfim mas só os dois primeiros podem ser utilizados na Champions. Por outro lado, saliente-se o regresso de Nuno Valente (voltou à competição na Amoreira) e também se aguarda que Maniche esteja ao mais alto nível na noite de amanhã. Operado em Dezembro, o médio foi expulso na curta aparição diante do Sporting de Braga e só agora pode fazer a estreia com Couceiro.
Por seu turno, o Inter mantém a estrutura aqui retratada em Dezembro. Giovanni Pasquale já não faz parte do plantel europeu, tendo sido substituído por um colega de posto. Referimo-nos ao lateral-esquerdo Francesco Coco, um atleta de 28 anos que surge recuperado de uma complicada e demorada lesão. Antigo jogador do AC Milan e do Barcelona, Coco ainda procura a forma física desejável, ele que esteve fora de campo por mais de um ano e recusou-se, inclusive, a receber ordenados durante esse período.
Mancini não perdeu nenhum elemento importante mas também não contratou ninguém durante o período de transferências. Todavia, Marco Materazzi manteve um impasse relativamente ao seu futuro no clube. Titular durante a primeira fase da temporada, o filho do ex-treinador do Sporting perdeu o posto para Sinisa Mihajlovic e chegou a solicitar a transferência para o Bolonha. Contudo, após conversações entre as partes chegou-se a acordo para a permanência do central de 31 anos e até se renovou o seu vínculo contratual até Junho de 2009.
De resto, o Inter mantém-se invencível na corrente temporada. Terceiro classificado na Serie A, o conjunto de Mancini está a onze pontos da liderança repartida entre Milan e Juventus (em Dezembro, esse fosso era de catorze). Há dois meses, os nerazurri apenas haviam somado três vitórias mas agora já contabilizam nove. Relativamente à TIM Cup (Taça de Itália), o Internazionale eliminou a Atalanta na passada semana e encontra-se nos quartos-de-final da prova. Com efeito, fossem necessários maiores índices de motivação e aí estava um enorme catalizador de interesse – o FC Porto pode ser a primeira equipa a derrotar o Inter na corrente temporada...
2 – Que FC Porto?

Ainda que limitado na escolha do lote de convocados, Couceiro terá algumas dúvidas relativamente à constituição do onze inicial. Diego e Jorge Costa são cartas fora do baralho por se encontrarem castigados mas os reforços Leo Lima, Ibson e Leandro do Bonfim também não podem actuar. Leo Lima e Leandro já o fizeram ao serviço de outros emblemas (Marítimo e PSV Eindhoven, respectivamente), sendo que Ibson não chegou a tempo de ser inscrito na UEFA. Resulta daqui que o FC Porto não tem um típico organizador de jogo para a recepção ao Inter de Milão. Lá chegaremos! Vítor Baía será dono da baliza (salvo alguma ocorrência imprevisível) e até o quarteto defensivo soa óbvio. Castigado por duas jornada na Superliga, Giorgios Seitaridis regressa aos convocados e ocupará o posto que Bosingwa reivindicou à condição. Desta forma, o grego será lateral-direito, Nuno Valente estará no flanco oposto e Pedro Emanuel fará dupla de centrais com Ricardo Costa. Também ele afastado dos últimos encontros devido a castigo, o central contratado ao Boavista em 2002 recupera a sua posição no onze e é muito provável que o novo internacional português o acompanhe. Ricardo tem sido utilizado no seu posto natural desde que Couceiro chegou e Pepe denota uma grande intranquilidade quando chamado a actuar. Assim sendo, poucas dúvidas sobram de que será ele o preterido.
Daqui para a frente sobram dúvidas. Por um lado, relativamente ao esquema táctico. Ainda que o 4-3-3 tenha sido utilizado nos dois primeiros desafios da era Couceiro, o 4-4-2 apareceu em Belém e não se pode dizer que tenha fracassado, até porque os dragões saíram vencedores. Aqui, a opção estará sobretudo dependente dos atletas a utilizar mas a forma de actuar do adversário não deve ser descurada. Estou em crer que, face à ausência de um playmaker, o FC Porto terá a ganhar com a opção pelo 4-4-2. Não só por se garantir, dessa forma, a paridade numérica com o forte miolo transalpino mas também porque é esse o garante de outra coesão para as transições atacantes. Estruturados neste esquema, os campeões europeus podem jogar com linhas mais próximas e não sentirão dificuldade em defender em terrenos avançados, algo que é fundamental para impedir que o adversário consiga embalar em velocidade. Parece-me, igualmente, ser este o garante do alargar do leque de opções de construção de jogo, sobretudo pela colocação de médios-interiores que abririam em acções ofensivas e apoiariam os laterais em missão defensiva, sendo que o homem afastado do raio de acção seria o auxiliar de Costinha, elemento repartido entre a zona de avanço dos médios e o auxílio aos centrais (em igualdade numérica com a dupla de avançados do Inter). De facto, Costinha necessita de grande auxílio e creio ser este o esquema que melhor salvaguarda essa situação.
Falando então de nomes, é consensual que Costinha será a unidade mais defensiva do miolo. Bosingwa deve retomar o lugar de interior-direito e Raul Meireles passaria para a posição diametralmente oposta, ele que deixou boas indicações no Restelo. Mais dotado sob o ponto de vista técnico, Maniche pode ser a unidade central deste quarteto e aquela que teria mais obrigações de estabelecer a ligação com Ricardo Quaresma e Benni McCarthy (estou convencido de que o sul-africano, melhor marcador portista na prova, retomará o lugar no onze). Este esquema também favorece o jovem ex-Barcelona. De facto, tem sido evidente a sua subida de rendimento quando liberto de obrigações posicionais em uma das alas. Com um raio de acção alargado, Quaresma foge a marcações e dispõe de espaço para desequilibrar.
Sendo está uma sugestão pessoal, não me parece que Couceiro se afaste muito deste esquema e deste onze. De qualquer maneira, aqui ficam os vinte convocados para a partida de amanhã.
Guarda-Redes – Vítor Baía, Nuno; Defesas – Seitaridis, Pedro Emanuel, Ricardo Costa, Nuno Valente, Pepe, Leandro, Areias; Médios – Costinha, Bosingwa, Maniche, Raul Meireles, Paulo Machado; Avançados - Cláudio, Hélder Postiga, Ivanildo, Luís Fabiano, McCarthy, Quaresma.
3 – Que Inter?

Mancini não deve fugir do 4-4-2 que tem utilizado durante toda a temporada. Com efeito, as nuances deste Inter estarão sobretudo na forma como vão encarar este desafio e no modo delineado para que os italianos levem a água ao seu moinho. Relativamente aos nomes, é previsível que o quarteto defensivo seja constituído por Javier Zanetti, Ivan Cordoba, Sinisa Mihajlovic e Giuseppe Favalli. Note-se que estes dois últimos estiveram na goleada imposta pelo FC Porto à Lázio de Roma na meia-final da Taça UEFA 2002/2003, então jogada no Estádio das Antas. Na frente, Adriano é presença certa mas sobram dúvidas relativamente à opção por Vieri ou Martins. Ambos estiveram em dúvida (pelo que até é admissível que a opção recaia em Júlio Cruz ou no fortalecimento do meio-campo com a inserção de outra unidade) mas estou em crer que as condicionantes deste jogo favorecem a opção pelo jovem nigeriano. Explico porquê. Para além de ser o segundo melhor marcador do Inter na prova (com quatro golos), Obafemi é um atleta bastante mais móvel do que Vieri e não creio que a toada de contra-ataque que Mancini deve apresentar amanhã se coadune com a presença de um típico homem de área. Extremamente veloz, Martins revela maior facilidade em procurar jogo em zonas recuadas e até pode dar garantias defensivas que Vieri, muito claramente, não oferece. De resto, subsistem bastantes interrogações relativamente ao quarteto do miolo. Davids não viajou para o Porto mas sobram seis nomes altamente viáveis para apenas quatro posições. Não creio que Andy van der Meyde (o sétimo elemento) seja chamado ao onze por Roberto Mancini e parece-me que os nerazurri vão apostar em duas unidades de contenção. Acredito que os italianos entregam o domínio do encontro ao FC Porto e apostam deliberadamente em uma estratégia de contra-ataque. Desta forma, Cristiano Zanetti jogaria com Esteban Cambiasso num reduto mais recuado e Juan Veron surgiria à frente destes, ele que funciona muito bem em termos defensivos mas também se incorpora facilmente no ataque, fazendo uso da imensa qualidade de passe e/ou do forte remate que lhe rendeu, inclusive, o golo em Udine. Sobra uma vaga, a disputar entre Dejan Stankovic (ex-Lázio, esteve nas Antas em 2003) e Kily González. Apesar de pouco utilizado, o argentino tem merecido a confiança de Mancini no passado recente e não seria de estranhar a sua inclusão no onze titular. Extremamente veloz, seria uma excelente unidade para o contra-ataque, ao passo que Stankovic é um elemento mais estável, muito dotado do ponto de vista técnico mas também muito cumpridor ao nível táctico – ou não estivesse ele em Itália desde 1998. Independentemente dos nomes, creio que o meio-campo milanês terá duas unidades de contenção, com uma delas a incorporar os movimentos ofensivos, sendo que sobram dois médios-interiores com missões de cobertura aquando da perda da posse de bola e tarefas de condução e lançamento do ataque rápido que deve pautar a acção nerazurri com bola. Aqui fica a lista dos 21 convocados, com óbvio destaque para as ausências de Edgar Davids, Giorgios Karagounis e Álvaro Recoba.
Guarda-redes - Toldo, Carini e Impagnatiello; Defesas - Cordoba, Burdisso, Zanetti, Mihajlovic, Zé Maria , Favalli e Materazzi; Médios - Emre, Zanetti, Andy van der Meyde, Veron, Kily González, Cambiasso e Dejan Stankovic; Avançados - Ricardo Cruz, Adriano, Obafemi Martins e Christian Vieri.
3.1 – A temer...

- Esteve lesionado mas regressou à competição a 6 de Fevereiro, em Parma. Está longe da forma que patenteou até Dezembro mas aguarda-se que apareça em força a qualquer momento. Leva sete golos na Champions e catorze na Serie A e os adeptos esperam sempre uma grande exibição do avançado brasileiro que completou 23 anos no passado dia 17. Cuidado com os dotes técnicos, com o espaço que lhe é concedido para furar ou para ensaiar os remates exteriores, com a eficácia que exibe em lances de bola parada. Adriano é um perigo!
- Genericamente, o ataque do Inter deve ser atentamente vigiado. Martins tem uma velocidade imensa e uma capacidade de choque acima da média mas todos os sectores conseguem chegar ao golo. Mordazes no contra-ataque, os italianos têm forte presença na área e facilidade em rematar de fora. Redobrada atenção aos lances de bola parada. Há que tentar evitá-los porque Mihajlovic, Adriano, Stankovic e Veron têm facilidade em batê-los, seja directamente, seja para a conclusão dentro da área. Neste particular, a estatura de Cordoba é altamente enganadora...
- Extremamente forte nas pontas finais dos encontros. Por várias vezes na condição de derrotado (frequentemente por mais do que um golo até), o Inter tem facilidade em recuperar no marcador e fá-lo com minutos finais de extrema pressão. Sobe os sectores com facilidade, coloca força de choque na área, ganha livres. Inevitavelmente, tal estará igualmente associado a uma capacidade mental invulgar. Diante do Inter, os encontros jogam-se mesmo até ao apito final. Cuidado com festas antecipadas ou substituições para os aplausos. Há que manter unidades de ataque e demonstrar capacidade de chegar com perigo até junto de Toldo...
- Matéria-prima de qualidade no miolo do Inter. Mancini apresenta sempre um miolo muito coeso, que alia solidez defensiva a toque de bola e capacidade de inserção no ataque. Predominam elementos dotados tecnicamente, que sabem subir a jogar e que sabem trocar a bola. Exploram com eficácia o remate de fora, solicitam com precisão as unidades mais avançadas. Andy van der Meyde e Kily González são homens para lateralizar e dar velocidade, Veron e Stankovic têm controlo de bola e grande visão de jogo. Muito importante: cuidado com as subidas de Javier Zanetti!
3.2 – A explorar...

- Favalli! Usar a velocidade e a técnica de Quaresma sobretudo no flanco direito e dar indicações a Bosingwa e a Seitaridis para, sempre que possível, subirem pela lateral. Favalli esteve nas Antas há duas temporadas e cabe ao FC Porto oferecer-lhe mais uma noite para esquecer. Aos 33 anos, Favalli é um mau defesa. Lento, com défice posicional e frequentes atrevimentos ofensivos que Couceiro deve aproveitar. Cambiasso deve fechar nessa zona (sobretudo se tiver a companhia de Cristiano Zanetti) mas nem por isso o FC Porto deve deixar de apostar no aproveitamento das debilidades de Favalli.
- Mihajlovic! Outro dos que esteve na meia-final da Taça UEFA. Fez 36 anos anteontem e só joga porque tem uma soberba capacidade para transformar bolas paradas em lances de golo. Como defesa é muito fraco e o FC Porto deve insistir no municiamento ofensivo para o seu raio de acção. Cordoba é incomparavelmente melhor, tanto por saber jogar em antecipação com pela facilidade que revela em posicionar-se dentro do espaço que lhe é destinado. Apesar da baixa estatura, tem grande poder impulsão e não perde disputas aéreas.
4 - Equipas Prováveis
Salvaguarde-se a liberdade de acção de Quaresma para cair em ambas as faixas e até para jogar perto de McCarthy. No Inter, a dúvida entre Kily ou Stankovic.



Foto: Uefa
Já são conhecidos os nomes dos árbitros designados para os Oitavos de final da Liga dos Campeões. O britânico Graham Poll vai estar no Dragão a apitar o FC Porto-Inter, Anders Frisk foi o escolhido para o Barcelona-Chelsea e Lubos Michel vai estar em Madrid, para o Real Madrid-Juventus.
Confira os árbitos nomeados pela Uefa em mais...
José Peseiro, treinador do Sporting, foi suspenso por um jogo pela Comissão de disciplina da Uefa. O castigo do técnico português reporta-se ao encontro da passada Quarta-Feira, entre o Sporting e o Feyenoord, jogo a contar para os dezasseis-avos de final da Taça Uefa.
De acordo com o relatório do árbitro do encontro, o austríaco Stefan Messner, Peseiro terá saído por diversas vezes da zona técnica do banco, mesmo depois de ter sido advertido para o facto. Desta forma, o treinador leonino vai estar na bancada no encontro de Roterdão, na próxima Quinta-Feira.
Djalminha pôs um ponto final na sua carreira. O internacional brasileiro, de 34 anos, anunciou a sua decisão no Rio de Janeiro, descartando a hipótese de ingressar no Palmeiras, clube que havia mostrado interesse no jogador.
O antigo médio do Deportivo da Corunha, clube pelo qual conquistou o campeonato espanhol, na época 1999/2000, termina uma carreira de mais de 16 anos de competições, começada no Flamengo e que conta com 14 internacionalizações ao serviço da selecção canarinha.
Jardel continua a dar que falar. O avançado brasileiro está de novo sem clube, depois de ter rescindido com o Alavés, clube da segunda divisão espanhola.
O antigo goleador do Porto e do Sporting decidiu regressar ao Brasil, de modo a resolver o diferendo que mantém com os argentinos do Newel's Old Boys. O anterior clube do atleta não aceitou a rescisão e nunca lhe cedeu o certificado internacional, motivo pelo qual Jardel não foi utilizado no Alavés.
Agora o futuro passa pelo Brasil, pelo menos para já...
Liga dos Campeões: confira todos os árbitros dos «oitavos»
Real Madrid-Juventus, Lubos Michel (Eslováquia)
Liverpool-Bayer Leverkusen, Kyros Vassaras (Grécia)
PSV Eindhoven-Mónaco, Medina Cantalejo (Espanha)
Bayern Munique-Arsenal, Kim Nielsen (Dinamarca)
FC Porto-Inter, Graham Poll (Inglaterra)
Barcelona-Chelsea, Anders Frisk (Suécia)
Manchester United-Milan, Mejuto González (Espanha)
Werder Bremen-Lyon, Frank De Bleeckere (Bélgica)

Fotos: UEFA
Um dos maiores emblemas da história do futebol europeu vai agora defrontar o FC Porto na Liga dos Campeões. O Inter de Milão, fundado em 1908, já não vence a prova desde 1965, ano em que repetiu o feito que já havia conquistado na época transacta (bem se lembrará o Benfica). Os italianos já perderam uma Taça dos Campeões, designação da altura, para o Celtic de Glasgow, em pleno Estádio do Jamor - 1967. Mais recentemente, o Internazionale conseguiu três triunfos na Taça UEFA (1991, 1994, 1998), sendo que a vitória sobre o Parma constituiu mesmo o último troféu levantado pelo emblema de Milão. Nessa altura Ronaldo ainda brilhava com a camisola nerazurri, ele que esteve duas vezes à porta de acabar com o jejum de títulos na Serie A, que já dura desde 1989. Com casa partilhada com o grande rival AC Milan, o clube presidido por Giacinto Faccheti faz questão de lembrar o nome de Giuseppe Meazza quando joga no seu terreno. Melhor marcador da história do Inter, Meazza (287 golos em 408 jogos) é também a designação do palco que o vizinho apelida de San Siro...
Treinador - Roberto Mancini
Um dos melhores jogadores italianos das últimas duas décadas, Mancini é também um dos mais jovens treinadores da Serie A, sendo já muito respeitado entre os pares. Personalidade controversa mas muito dedicada ao jogo, Roberto estreou-se como profissional ao serviço do Bolonha, tinha então 16 anos! Duas temporadas volvidas, dava início a uma das mais longas parcerias da história do futebol, permanecendo quinze temporadas ao serviço da Sampdória - chegou a defrontar o FC Porto na Taça das Taças. Foi campeão italiano, venceu quatro taças do seu país, uma Supertaça de Itália e uma Taça dos Vencedores das Taças. Com a queda do emblema de Génova, rumou a Roma para defender as cores da Lázio, onde conquistou uma Serie A, duas Taças de Itália, a última edição da Taça das Taças e a Supertaça Europeia. Com quatro golos apontados em 36 chamadas à Squadra Azurra, Mancini disputou quase 550 partidas no principal campeonato transalpino, tendo apontado 162 golos. Deixou a Lázio em 2000, assumindo o carga de treinador-adjunto, que deixou no ano seguinte para voltar aos relvados, numa efémera experiência na Premiership, ao serviço do Leicester. Regressou a Itália para treinar a Fiorentina, tendo ganhou a Taça em 2001, com Nuno Gomes a marcar na segunda-mão da final. Venceu a mesma prova este ano, já ao serviço da Lázio, que passou a orientar desde 2002. Deixou os romanos em Julho para rumar a um projecto bem mais ambicioso - devolver o Inter ao topo do futebol transalpino e europeu. Adepto do futebol de ataque, Mancini costuma montar as suas equipas num 4-4-2, algo que vai contra o que vinha sendo norma nos nerazurri. Perdeu um jogador importante como Fabio Cannavaro mas basta dizer que ainda não foi derrotado esta temporada para comprovar o sucesso que tem sido esta experiência. Ainda assim, o Inter vive dependente de Adriano e se a passagem pela Champions não merece reparos, a prestação na Serie A é tudo menos brilhante. Com escassas três vitórias em quinze jornadas, os milaneses são quintos a já 14 pontos do líder Juventus, sendo que a regra parece ser empatar nos minutos de desconto. De facto, o cenário só não é mais grave porque os pupilos de Mancini têm tido a sorte do seu lado, com verdadeiros milagres nos períodos finais. Ainda assim, Champions é Champions e esta equipa tem provado o quão perigosa pode ser. O último confronto com equipas nacionais remete para a época transacta, com os nerazurri a defrontarem o Benfica num período conturbado da temporada. Acabaram por ser mais felizes, passando à fase seguinte com uma vitória por 4-3 no Giuseppe Meazza depois de um nulo na Luz. Ainda assim, um Inter bem diferente do actual... Os italianos nunca defrontaram o FC Porto em jogos oficiais.
Guarda-Redes

Começou no rival AC Milan mas nunca jogou pelos rossoneri, celebrizando-se na Serie A ao serviço da Fiorentina (1993-2001) - falhou onze jogos em outros tantos anos de Calcio. Internacional italiano, Francesco Toldo foi finalista do Euro´2000 e assinou pelo Inter em 2001, ainda que recentemente tenha andado afastado da equipa titular por se recusar a prolongar o contrato com os nerazurri. Já assinou novo vínculo, recuperando também o lugar que emprestara durante umas semanas. Aos 33 anos, ainda mantém os excelentes reflexos entre os postes mas também ganha facilmente os lances áreos - ou não tivesse ele quase dois metros. Alberto Fontana defendeu as redes do Inter enquanto Toldo decidia o seu futuro. Quando o seu emblema defrontar o FC Porto, o suplente já terá completado 38 anos, o que faz dele um dos mais idosos jogadores em prova. Jogou muito pouco desde que em 2001 assinou pelo clube milanês, ele que tivera as experiências mais nobres ao serviço do Bari, da Atalanta e do Nápoles. O uruguaio Fabián Carini está prestes a completar 25 anos mas tarda em impôr-se em Itália, onde já defendeu as redes da Juventus. Contratado esta temporada, é o dono da baliza do Uruguai há já bastante tempo mas passou a última época na Bélgica, emprestado pela Juve ao Standard Liège. No início desta temporada foi cedido ao Inter na ida de Cannavaro para Turim.
Defesas

Prima pela veterania o sector mais recuado do Inter, o que não implica necessariamente menor qualidade numa estrutura que perdeu Fabio Cannavaro para a Juventus. Longe disso! O capitão Javier Zanetti é uma marca de qualidade, tanto a defender como a atacar. Seguramente um dos melhores laterais-direitos da última década, Zanetti joga em Giuseppe Meazza desde 1995 (tem 31 anos) e tem sobrevivido a vários treinadores e filosofias de jogo. Como é versátil, adapta-se facilmente a posições mais avançadas - gosta e tem pulmão para subir no terreno - e até dá uma perninha na ala contrária se necessário. Pupi, alcunha por que é tratado, já soma quase cem internacionalizações pela Argentina e é o quinto jogador mais utilizado da história do Internazionale. Rápido e muito combativo, é um adversário difícil de bater e que deve ser bem controlado nas subidas pela lateral.
Herói nacional por ter marcado o golo da vitória na Copa América 2001, Iván Córdoba chegou a Milão em Janeiro de 2000, tendo-se estreado logo ao sexto dia desse mesmo mês, na recepção ao Perugia. Central de baixa estatura mas com grande impulsão e poder de choque, Córdoba beneficia de um centro de gravidade baixo para aliar velocidade às características anteriormente enunciadas, pelo que também é precioso em qualquer das laterais. Adapta-se bem a qualquer esquema de jogo, tem facilidade em sair com a bola controlada e tem espírito de liderança em campo. Ao lado costuma estar Marco Materazzi, filho do Giuseppe que treinou o Sporting em 1999. Internacional italiano, estreou-se no Messina mas foi em Perugia que conheceu a glória e a Serie A, tendo-se estreado na recepção ao Inter, em Fevereiro de 1997. Passou uma temporada no Everton antes de regressar a casa, onde uma grande temporada de 2000/2001 lhe abriu as portas de Milão. Aos 31 anos, tem um percurso conseguido em Giuseppe Meazza, ainda que o bom jogo aéreo não seja sempre acompanhado de eficácia em outros aspectos individuais. Compromete com frequência, deixando-se levar pelo sangue quente ou pela dificuldade em jogar com os pés. Um perigo nas bolas paradas...
Do actual plantel fazem parte vários conhecidos de Mancini. Na defesa estão Sinisa Mihajlovic e Giuseppe Favalli. O central sérvio-montenegrino, em tempos também lateral-esquerdo, está na fase descendente de uma grande carreira que o juntou a Mancini na grande Lázio de finais de século. Estreou-se como profissional no actual Vojvodina Novi Sad e foi campeão europeu e intercontinental pelo Estrelha Vermelha de Belgrado, em 1991. Chegou a Roma em 1992 mas partiu para a Sampdória (onde também estava Mancini) dois anos volvidos, regressando a Roma (mas para a Lázio) em 1998. Partilhou títulos com o agora treinador e celebrizou-se pelo fabuloso pé esquerdo, uma ameaça na conversão de livres directos. Aos 35 anos, perdeu quase todas as qualidades que o tornaram num dos melhores jogadores mundiais, não se percebendo porque arrasta uma carreira que já deu o que tinha a dar. Foi humilhado pelo FC Porto na meia-final da Taça UEFA de 2002/2003. Giuseppe Favalli também fazia parte desse conjunto, ele que tem liderado, aos 32 anos, a lateral-esquerda dos milaneses. Estreou-se na Cremonese, donde saiu após cinco temporadas rumo à Lázio, onde permaneceu doze épocas, sendo capitão na última delas. Certinho a defender, este internacional italiano não é um jogador brilhante, não tendo também grande fôlego para fazer toda a ala-esquerda.
Também conhecido dos portugueses é o paraguaio Carlos Gamarra, que actuou meia-temporada pelo Benfica e já foi falado para o Sporting. Veterano atleta, também parece ter perdido a velocidade e a força que impunha na marcação do seu espaço, pelo que nem é titular deste conjunto. Um globetroter do futebol, Gamarra já jogou no Paraguai, na Argentina, no Brasil, em Portugal, na Espanha, na Grécia e agora em Itália. Também sul-americano, o brasileiro Zé Maria é um versátil lateral (faz ambas as alas) que se celebrizou ao serviço do Perugia. Já na casa dos trinta, o internacional canarinho dá o salto tardio para um grande emblema, ainda que também tenha feito parte de uma boa formação do Parma. Mais jovem é o central ex-Boca Juniors, Nicolás Burdisso. Forte na marcação e no jogo aéreo, não tem sido muito utilizado por Mancini. Fechemos os números com o lateral-esquerdo Giovanni Pasquale, um miúdo interessante que faz toda a ala mas a quem os treinadores não vêem grande utilidade, vá-se lá saber porquê. Também inscrito foi Hernán Dellafiore, um jovem de 19 anos que joga normalmente pelas reservas.
Médios

Velho conhecido de Mancini, o sérvio-montenegrino Dejan Stankovic é uma das melhores unidades deste miolo milanês, muito bem constituído. No auge da carreira, este médio foi importante nas conquistas da Lázio, clube que o acolheu em 1998. Contratado ao Estrela Vermelha, Stankovic impôs a capacidade para pautar jogo pelo centro mas também para descair para a esquerda. Forte tecnicamente e no confronto físico, tem muita velocidade e um óptimo pontapé de meia-distância, o que lhe rende bastante golos. Também sabe bater bolas paradas e está numa forma dos diabos desde que chegou a Milão, em Janeiro deste ano. De regresso a Itália está também o ex-Lázio Juan Sebastián Verón, médio argentino que fracassou na experiência inglesa. Decisivo em Roma e em Parma, Verón é um encantador médio-centro, com muito espírito combativo e uma técnica deliciosa, que alia a boa finta e soberba capacidade de remate. Também regressado à Serie A está Edgar Davids, controverso e excêntrico médio holandês que teve problemas com Lippi na Juventus e não renovou com o Barcelona depois de meia-temporada emprestado. Com um dos melhores currículos do futebol europeu, Davids mostrou-se numa grande equipa do Ajax mas não venceu em Milão, onde actuou pelo rival dos nerazurri. Em Turim foi bem mais feliz, fartando-se de amealhar troféus e elogios. Autêntica carraça, corre o campo todo e é incansável na missão box-to-box. Um jogador que todos os treinadores apreciam, um dos melhores atletas da última década.
Compatriota de Edgar, Andy van der Meyde cumpre a segunda temporada em Milão, depois de temporadas brilhantes com a camisola do Ajax. Não pegou de estaca na primeira temporada em Itália mas ninguém duvida de que é um óptimo extremo, nem sempre bem explorado pelos treinadores. Passou por muitos clubes no seu país antes de marcar posição no Ajax, em 2000. Rápido, com boa finta e capacidade de cruzamento, van der Meyde é um perigo na ala. Mais jovem que todos estes é o turco Belozoglu Emre, tetracampeão turco no Galatasaray antes de se mudar para Milão em 2002. Vencedor da Taça UEFA em 2000, Emre é um internacional turco de 24 anos que não tem tido vida fácil para se impôr definitivamente no Inter. O que se estranha, dada a facilidade com que trata a bola e a elegância dos seus movimentos. Preenche bem o miolo e tem uma capacidade de passe fabulosa, sendo que também atira bem de fora. Mais usado na contenção, Cristiano Zanetti foi um dos pilares do título da Roma em 2001, assinando pelo Inter meses depois. Jogador essencialmente pragmático, controla bem as operações no miolo mas não é dos atletas mais elegantes. Os dotes ofensivos são limitados, reconhecendo-se a sua experiência para actuar à frente dos centrais.
Em queda desde que deixou Valência, Kily González compensou com a medalha de ouro nas Olimpíadas um percurso menos feliz desde 2003. Estreou-se como profissional no Rosario Central e ainda jogou no Boca Juniors antes de ser contratado pelo Saragoça. Um óptimo ala-esquerdo, com grande drible e velocidade, que alia a um remate bombástico. Foi o melhor marcador do Valência na campanha para o título nacional espanhol de 2002. Esteban Cambiasso procura em Milão a oportunidade que o Real Madrid não lhe pôde oferecer. Estrela no River Plate e nas selecções jovens argentinas, este médio é bom na cobertura e no lançamento do ataque, tendo facilidade para lançar companheiros ou assumir a condução do jogo. Passe simples é a maior das qualidades deste jovem. Terminemos com Giorgios Karagounis, um nosso conhecido dos confrontos com a Grécia e com o Panathinaikos. É um grande executante mas não se impõe em Milão, tendo sido várias vezes falado para o Benfica.
Avançados

Só tem 20 anos e já é um dos melhores avançados a jogar em Itália, para não ser mais abrangente! O nigeriano dos saltos mortais já desponta no Inter desde 2002 mas parece ser este o ano da confirmação de um valor com uma margem de progressão imensa. Um autêntico perigo para a defesa do FC Porto este Obafemi Martins, um atleta que alia um poder de arranque temível a muita força física. Para espanto de muitos, imagine-se que também não é nada tosco com a bola nos pés!!! Um dos avançados com mais prestígio na Europa, Christian Vieri começou no Prato mas despontou na Juventus, onde atingiu a final da Liga dos Campeões de 1997, ganha pelo Dortmund de Paulo Sousa. Foi goleador em Madrid mas voltou a Itália para jogar na Lázio (onde também actuava Mancini) no ano seguinte. De bando em bando, fixou-se em Milão desde 1999, tendo já apontado quase 100 golos pelos nerazurri só na Serie A. Com um feitio difícil, a vedeta Vieri está em queda de há uns tempos a esta parte, não deixando por isso de ser uma ameaça a ter em conta. Dois golos apontados logo na estreia, na vitória sobre o Bolonha em Agosto de 1997, e a conquista da Taça UEFA faziam prometer uma grande carreira para Alvaro El Chino Recoba, contratado ao Nacional de Montevideu. Emprestado ao Veneza, Recoba regressou a Milão em 1999 e cedo ganhou o estatuto de um dos mais bem pagos jogadores do Mundo, ainda que o seu brilhante e temível pé esquerdo nem sempre apareça. Com um percurso periclitante... Termine-se com Julio Cruz, argentino ex-Feyenoord e Bolonha contratado na época passada. Bom avançado, ainda que num plano inferior ao dos restantes.
A Estrela

Um senhor jogador este internacional canarinho de 22 anos. Começou a dar nas vistas logo aos quinze, vencendo o Campeonato do Mundo de sub-17 pelo Brasil. Evoluiu no São Paulo mas cedo foi descoberto pelos nerazurri, ainda que se tenha demorado a impôr. Adriano Ribeiro Leite assinou por um clube a viver o sonho/pesadelo Ronaldo a 1 de Julho de 2001, dando logo nas vistas num amigável com o todo-poderoso Real Madrid. O certo é que não se mostrou imediatamente, sendo mesmo emprestada à Fiorentina em Janeiro do ano seguinte. No Verão de 2002 (vindo da vitória em Toulon) rumou a Parma, onde permaneceu durante uma temporada e meia recheada de golos. Regressou a Milão em Janeiro deste ano, encarregue de resolver os problemas de um ataque em crise. Cedo pegou na equipa, ofuscando um Vieri que vivia de velhos tempos. Em três temporada de Serie A, Adriano já fez 39 golos (os desta época, já são 14!, não estão englobados nesta contagem) mas o seu processo de afirmação ainda está a meio. Foi a grande estrela do Brasil na última Copa América - jogador da final, jogador da prova e melhor marcador - levando o escrete às costas para a vitória final, que tirou à Argentina já em tempo de compensação. Um colosso de força, um génio na técnica, Adriano tem velocidade, poder de choque e um remate estonteante. Não tem sido menos decisivo na Champions, onde já soma quatro golos e três assistências em apenas quatro partidas.

Foto: Gazzetta dello Sport
Ao contrário do que vem acontecendo na Serie A italiana, o Inter de Milão cedo marcou uma posição de força nesta Liga dos Campeões. Reforçada com uma goleada no Mestalla, a liderança italiana permitiu a manutenção do estatuto de invencível - que se alarga a todas as provas em que o conjunto de Mancini compete. Com o segundo lugar a ficar decidido na última jornada, o campeão Werder Bremen impôs-se ao actual vencedor da Taça UEFA, que regressa à segunda grande competição europeia. A vergonha desta fase foi mesmo o Anderlecht, que até chegara à prova com uma vitória categórica sobre o Benfica. No rescaldo final, os belgas não somaram qualquer ponto! Mau demais...
Breves Notas
- Todas as equipas envolvidas no Grupo G já têm no seu historial troféus europeus. Mais guarnecido museu do Inter de Milão, que ganhou duas Taças dos Campeões (1964, 1965) mas já perdeu uma final em Portugal (contra o Celtic de Glasgow, no Jamor, em 1967). Além desses troféus, os nerazurri conquistaram a Taça UEFA por três ocasiões, todas na década de 90 do século passado (1991, 1994 e 1998). O Werder Bremen já venceu a Taça das Taças, diante do Mónaco de Rui Barros em pleno Estádio da Luz (1992). O Valência soma duas Taças das Cidades com Feira (1962, 1963), uma Taça das Taças (1980) e uma Taça UEFA (2004). Duas vezes derrotado em finais da Liga dos Campeões (2000 e 2001), o conjunto ché tem duas Supertaças Europeias, a última delas ganha à custa do FC Porto. Por seu turno, o Anderlecht já conquistou duas Taças da Taças (1976, 1978) e uma Taça UEFA (1983) ganha ao Benfica;
- Depois de ter eliminado os encarnados, o campeão belga não mais ganhou para a corrente edição da Liga dos Campeões. Bobo da corte, o Anderlecht foi despachado com seis derrotas e é a única equipa desta fase a não pontuar;
- Formado nas escolas do Sporting, Marco Caneira rumou muito cedo para Itália mas nunca se conseguiu mostrar em Milão. Agora, contratado pelo Valência ao Bordéus, Caneira tinha a oportunidade de reencontrar a antiga equipa;
- Falando de velhos conhecidos, Roberto Mancini, agora treinador do Inter, voltava a encontrar rostos com quem trabalhara em Roma. Agora em lados opostos da barricada, porque Mancini orienta os nerazurri e porque o compatriota Ranieri contratara para Valência Stefano Fiore e Bernardo Corradi;
- Apesar de ser, entre estes competidores, o emblema com mais nome na Europa, o Inter de Milão era o único que se apresentava em prova sem ostentar o título nacional. De facto, os italianos mantêm um longo jejum na Serie A, prova que já conquistaram por 13 vezes mas que não vencem desde 1989.
Os Apurados
- Sem espinhas, o Internazionale alcançou o primeir lugar e lá se manteve até final, salvaguardando-se de qualquer possível ataque de Werder Bremen ou Valência. Os alemães até começaram com uma derrota mas a vitória na recepção ao Valência e o afastamento de qualquer surpresa nas partidas com o Anderlecht ajudaram a cimentar o segundo lugar, confirmando categoricamente em pleno Mestalla, no jogo de todas as decisões;
- Fraquejou na última hipótese tal como já havia caído na recepção ao Inter. O Valência tem tremido com Ranieri, sendo forçada qualquer comparação com o conjunto da época passada, que venceu a Liga das Estrelas e a Taça UEFA, então com Rafa Benítez ao leme.
A Estrela
Um senhor jogador este internacional canarinho de 22 anos. Começou a dar nas vistas logo aos quinze, vencendo o Campeonato do Mundo de sub-17 pelo Brasil. Evoluiu no São Paulo mas cedo foi descoberto pelos nerazurri, ainda que se tenha demorado a impôr. Adriano Ribeiro Leite assinou por um clube a viver o sonho/pesadelo Ronaldo a 1 de Julho de 2001, dando imediatamente nas vistas num amigável com o todo-poderoso Real Madrid. O certo é que não se mostrou imediatamente, sendo mesmo emprestada à Fiorentina em Janeiro do ano seguinte. No Verão de 2002 (vindo da vitória em Toulon) rumou a Parma, onde permaneceu durante uma temporada e meia recheada de golos. Regressou a Milão em Janeiro deste ano, encarregue de resolver os problemas de um ataque em crise. Cedo pegou na equipa, ofuscando um Vieri que vivia de velhos tempos. Em três temporada de Serie A, Adriano já fez 39 golos (os desta época, já são 14!, não estão englobados nesta contagem) mas o seu processo de afirmação ainda está a meio. Foi a grande estrela do Brasil na última Copa América - jogador da final, jogador da prova e melhor marcador - levando o escrete às costas para a vitória final, que tirou à Argentina já em tempo de compensação. Um colosso de força, um génio na técnica, Adriano tem velocidade, poder de choque e um remate estonteante. Não tem sido menos decisivo na Champions, onde já soma quatro golos e três assistências em apenas quatro partidas.

Foto: UEFA
A Revelação
O super suplente, o homem que garantiu a qualificação do Werder Bremen. Jovem paraguaio de 21 anos, está na Alemanha desde 2001 mas só recentemente se vem impondo no conjunto principal. Chegou vindo do Alético Tembetary e apontou 15 golos pelas reservas do Werder Bremen em 2002/2003, fazendo também a sua estreia pela primeira equipa em Março do ano passado, diante do Leverkusen. Na temporada transacta assinou cinco golos, o primeiro na recepção ao Schalke 04, dois minutos depois de entrar em campo. Já é internacional paraguaio, tendo actuado na última Copa América, e prima pela velocidade e pela técnica que empresta ao jogo de um conjunto que se pauta pelo rigor e pela capacidade física. É um desequlibrador e isso foi fundamental no Mestalla, onde conseguiu dois golos em apenas dez minutos! Nelson Haedo Valdez, a revelação do Grupo G, um craque em ebulição...

A Desilusão
Ninguém lhe exigia a qualificação mas seis derrotas em outros tantos jogos não é bom cartão de visita para o campeão belga, que até eliminara o Benfica na ronda anterior. Fora ou em casa, o Anderlecht foi presa demasiado fácil para os adversários, reduzindo a luta a três equipas...

Foto: UEFA
Os Resultados
Inter 2-0 Bremen
Valência 2-0 Anderlecht
Anderlecht 1-3 Inter
Bremen 2-1 Valência
Valência 1-5
Anderlecht 1-2 Bremen
Bremen 5-1 Anderlecht
Inter 0-0 Valência
Anderlecht 1-2 Valência
Bremen 1-1 Inter
Inter 3-0 Anderlecht
Valência 0-2 Bremen
A Classificação
1º Internazionale - 14 pontos
2º Werder Bremen - 13
3º Valência - 7
4º Anderlecht - 0
O Goleador
Ivan Klasnic - 5 golos

Foto: UEFA

Foto: Uefa
Vingou a lei do mais forte no Grupo F. Milan e Barcelona eram os dois candidatos naturais aos primeiros lugares do grupo e não foram precisos muitos jogos para que se percebesse que não iam haver surpresas.
Os campeões italianos seguraram o primeiro lugar do grupo, dois pontos à frente da equipa blaugrana, seguidos do surpreendente Shakhtar Donetsk e dos escoceses do celtic.
As exibições mostraram que alguns dos melhores encontros desta fase da Champions foram mesmo neste grupo. Não se admirem se daqui sair o próximo campeão europeu...
Breves notas:
- Milan e Barcelona são duas das equipas com maior historial na competição. Só os italianos têm, à sua conta, 6 títulos de campeão europeu de clubes...
- Nenhum clube do grupo (e de toda a competição) se pode orgulhar de ter um número de títulos nacionais como os escoceses do Celtic. Os católicos de Glasgow foram campeões escoceses por 39(!) vezes;
- No extremo oposto encontra-se o Shakhtar, que conseguiu o primeiro título nacional da sua história em 2002;
- Os dois jogadores mais velhos presentes na edição deste ano da Champions fazem parte da equipa do Milan: Costacurta e Maldini (38 e 36 anos); Maldini é também o campeão absoluto em presenças na competição: 74 jogos da Liga dos Campeões.
Os apurados:
- O Milan conseguiu o primeiro lugar do grupo apenas dois pontos à frente do Barça. A equipa de Carlo Ancelotti tem, talvez, o melhor onze da competição, e fez valer os talentos que possui: Nesta seguro a defender, Kaká perfeito a fazer jogar e Shevchenko imperdoável nos golos. As exibições nem sempre foram brilhantes (com os críticos a continuarem a acusar os rossoneri de ultra-defensivos), mas os resultados mostram que este Milan é para ser tido em conta. Contem com eles...
- O Barcelona encantou o mundo nesta priemira fase da prova. Em grande na Liga Espanhola, a equipa catalã mostrou que é o conjunto que melhor futebol pratica em toda a Europa. Ronaldinho é a estrela, mas Eto'o e, sobretudo, Deco são elementos fundamentais que ajudam a explicar o sucesso da equipa. Ficaram em segundo, mas poderiam perfeitamente ter acabado na frente.
- O Shakthar Donetsk tornou-se na surpresa do grupo ao conseguir a qualificação para a Taça Uefa, à frente do (teoricamente) mais forte Celtic. A classificação da equipa ucraniana premeia o esforço dos jogadores orientados por Mircea Lucescu, que nunca desistiram de acreditar e conseguiram bater o Barcelona na última jornada da primeira fase.
A Figura:

Foto: Uefa
Aos 24 anos, Ronaldo de Assis Moreira, Ronaldinho, conquistou o mundo. O avançado brasileiro já há muito que dava nas vistas, quer como jogador dos franceses do PSG, quer ao serviço da equipa nacional canarinha, mas só com a ida para Nou Camp ganhou a projecção mundial que merece.
Ronaldinho é um artista da bola. Famoso pelas incríveis fintas, que só ele tem a frieza para executar em jogos deste nível, Ronaldinho é também fundamental nas assistências e na construção de jogo da equipa blaugrana. A companhia de Deco ("a aquecer-lhe as costas") e de Eto'o (a passar à prática o que ele constrói) foram os pilares que faltavam para fazer da equipa de Rijkaard a mais temida do momento.
O sorriso com que sempre joga é bem característico de alguém que ainda ama o futebol e só por isso já merecia ser considerado o melhor do mundo. Depois ainda vem o resto, como o golo frente ao Milan... brilhante!
A revelação:

Foto: Uefa
Fixem este nome: Ricardo Izecson Santos Leite - no mundo do futebol mais conhecido por Kaká. A revelação deste grupo é mais uma confirmação, já que Kaká já vinha sendo uma das peças-chave da equipa campeã de Itália e também brilha ao serviço do escrete.
Kaká é, provavelmente, o melhor substituto que o Milan podia arranjar para Rui Costa. Não foi por acaso que cedo relegou o português para o banco de suplentes. Inteligente, forte e com excelente técnica, o médio brasileiro é um elemento muito importante do ataque milanês, conseguindo muitos golos e dando outros tantos a marcar. A aliança que forma com Sheva rende muitos golos (e pontos) aos milaneses, e promete levar a equipa até ao fim na Champions.
A desilusão:
A desilusão do Grupo F chama-se Celtic FC. Já se sabe que a passagem à fase seguinte ia ser muito difícil para os escoceses, mas poucos esperavam que o conjunto de Martin O'Neill nem a Taça Uefa alcançasse.
É verdade que tudo se decidiu na última jornada do grupo, com o Celtic a empatar em casa frente ao Milan e o Shakhtar a vencer o Barça, mas fica fora das competições europeias uma das boas equipas "pequenas" da Liga dos Campeões. Esfumam-se as oportunidades de ver Juninho e Petrov a brilhar nos competitivos palcos europeus.

Foto: Uefa
Os resultados:
Celtic 1-3 Barcelona
Shakhtar 0-1 Milan
Barcelona 3-0 Shakhtar
Milan 3-1 Celtic
Milan 1-0 Barcelona
Shakhtar 3-0 Celtic
Barcelona 2-1 Milan
Celtic 1-0 Shakhtar
Barcelona 1-1 Celtic
Milan 4-0 Shakhtar
Celtic 0-0 Milan
Shakhtar 2-0 Barcelona
A Classificação:
1º AC Milan - 12 pontos
2º Barcelona - 10
3º Shaktar - 6
4º Celtic Glasgow - 5
O goleador:

Foto: Uefa
Samuel Eto'o - 3 golos
Andriy Shevchenko - 3 golos

Foto: Uefa
O grupo E foi feito à medida do Arsenal, que surgia, à partida, como o inequívoco candidato ao 1º lugar. A verdade é que as coisas não foram nada fáceis para os Gunners, que tiveram de suar para garantir a passagem à fase seguinte.
No final, as contas dizem bem do que se passou dentro do campo: os dois primeiros do grupo terminaram empatados e o segundo ficou a apenas um ponto destes. Um equilíbrio inesperado, sobretudo da parte do Arsenal, que deixou suspense até à última jornada...
Breves Notas:
- Apenas uma equipa deste grupo já conhece o sabor de ser campeão europeu: o PSV Eindhoven. Foi em 1988 que os holandeses conquistaram a antiga Taça dos Campeões Europeus;
- O Arsenal, evidente candidato ao primeiro posto do grupo, não conseguiu vencer nenhum jogo fora de casa, na edição deste ano da Champions;
- Este foi o grupo que registou mais empates na currente edição da prova; 10 empates em 24 jogos é obra...
- "Cesc" Fabregas é um quebra recordes no Arsenal: tornou-se o mais jovem jogador a alinhar pelo clube londrino (com 16 anos e 177 dias) e é também o mais jovem marcador de sempre dos Gunners (16 anos e 212 dias).
Os Apurados:
- O Arsenal era o favorito para todos os especialistas, apostadores e adeptos do desporto rei, para alcançar o primeiro lugar do grupo. No entanto, as contas quase deram uma volta e não foi fácil a qualificação dos Gunners. Só na última jornada é que o primeiro lugar ficou decidido.
- O PSV alcançou a qualificação para a fase seguinte antes do Arsenal, não evitando, ainda assim, o segundo posto atrás dos ingleses. Fica o registo de exibições agradáveis da equipa holandesa, que promete dar que falar ao longo da prova. A ver vamos...
- O Panathinaikos garantiu a qualificação para a Taça Uefa. Sabe a pouco este feito dos gregos que se assumiam, ao princípio, como a segunda equipa do Grupo E. Ficaram perto, mas não chegou.
A Estrela:

Foto: Uefa
Por muito que o Arsenal tenha sofrido para garantir a qualificação, há um nome que saiu quase puro dos encontros da equipa de Arséne Wenger: Thierry Henry.
A "máquina de fazer golos" não deixou os seus créditos por mãos alheias e foi um dos obreiros da qualificação dos londrinos. 4 golos, 2 assistências e um dos mais rematadores da prova fazem de Henry a figura deste Grupo.
Não foi, ainda assim, um dos melhores anos do avançado francês, mas as coisas ainda estão a aquecer. A verdade é que as nomeações para melhor do ano não foram ao acaso...
A Revelação:
Francesc Fabregas foi uma das revelações da prova. O médio do Arsenal provou que, apesar de ser o mais jovem jogador da história do clube e um dos mais jovens da Champions, é já um valor confirmado do futebol internacional.
Fruto da Cantera do Barcelona, "Cesc" é um médio com todas as características necessárias para vingar no futebol moderno: inteligente, forte e com uma excelente visão de jogo, Fabregas dá show com os fantásticos passes longos que executa.
É um regalo ver Fabregas em campo.Um talento que ainda vai dar muito que falar!

Foto: Uefa
A desilusão:
O Panathinaikos acabou por ser uma das desilusões deste grupo. A equipa grega era, teoricamente, a segunda equipa do grupo, quer pela experiência que já tem a este nível da competição, quer pelo valor do seu plantel. Não ficou longe da qualificação, a apenas 1 ponto dos dois primeiros classificados, mas faltou estofo à equipa de Itzhak Shum para chegar mais longe.
Uma pequena desilusão também foram as fracas performances do Arsenal no Grupo E. O mais forte candidato do grupo, candidato à vitória final na prova, nunca mostrou esse favoritismo e viu-se grego para chegar ao primeiro lugar. A goleada aos (muito frágeis) noruegueses do Rosenborg não esconde as falhas de encontros anteriores. No entanto, esta equipa já provou ser capaz de voltar à boa forma a qualquer momento.

Foto: Uefa
Os Resultados:
Arsenal 1-0 PSV
Panathinaikos 2-1 Rosenborg
PSV 1-1 Panathinaikos
Rosenborg 1-1 Arsenal
Panathinaikos 2-2 Arsenal
Rosenborg 1-2 PSV
Arsenal 1-1 Panathinaikos
PSV 1-0 Rosenborg
PSV 1-1 Arsenal
Rosenborg 2-2 Panathinaikos
Arsenal 5-1 Rosenborg
Panathinaikos 4-1 PSV
A Classificação:
1º Arsenal - 10 pontos
2º PSV - 10
3º Panathinaikos - 9
4º Rosenborg - 2
O Goleador:

Foto: Uefa
Thierry Henry - 4 golos

Foto: BBC Sport
Seguem em frente os emblemas considerados favoritos à partida para esta fase. Ainda que a ordem não seja a mais previsível, o certo é que Olympique de Lyon e Manchester United vão jogar os oitavos-de-final da prova, com os franceses a apurarem-se no primeiro lugar e a ameaçarem confirmar os créditos que já deixaram vincados na última edição da prova. Para a Taça UEFA são relegados os turcos do Fenerbahçe, que aproveitaram o confronto directo com o Sparta de Praga para garantir a terceira posição. Claramente o elo mais fraco, o conjunto de Karel Poborsky foi impotente para marcar uma posição na prova. Tudo muito claro, pois, com o apuramento para a ronda seguinte decidido bem cedo e o Lyon a aproveitar o relaxamento com que o Manchester United encarou a deslocação à Turquia. Os ingleses não evitam o confronto com um dos primeiros classificados...
Breves Notas
- Lyon e Manchester United foram os apurados neste Grupo D mas não é esse o único elemento comum entre ambos os conjuntos. Com efeito, o nome FC Porto deve dizer bastante a estes emblemas, ainda que não pelos melhores motivos. Na última edição da Champions, vinham fazendo uma prova imaculada até encontrarem o futuro vencedor. Os ingleses saíram primeiro, perdendo no Dragão por 2-1 e vendo Costinha dar o apuramento portista em pleno Old Trafford. O Manchester United vencia por uma bola mas o médio dragão empatou a um minuto do final, apurando o FC Porto. Seguiu-se o Lyon, que saiu da Invicta com uma desvantagem de dois golos e não logrou vencer no Gerland. Igualdade final a duas bolas;
- Sparta de Praga e Manchester United (habituado a esse estatuto com Sir Alex Ferguson) não ostentavam o título nacional. Ambos os emblemas têm dominado as competições internas mas chegaram a esta Liga dos Campeões sem fazer justiça ao nome da maior prova da UEFA. O máximo que ambas conseguiram em 2003/2004 foi conquistar a respectiva Taça;
- Por outro lado, Lyon e Fenerbahçe ganharam as provas maiores dos países em que competem. O conjunto de Paul LeGuen vem dominando um campeonato que primava pela rotatividade de vencedores. Com efeito, o Lyon é tricampeão (estreou-se a vencer a prova em 2002 e não mais parou), ao passo que os turcos conquistaram em 2004 o 15º campeonato nacional do seu historial;
- Karel Poborsky reencontrava-se com o primeiro emblema que servira fora da República Checa. Disputado depois de um Euro´96 de grande nível, o então jogador do Slavia de Praga rumou a Inglaterra para actuar no Manchester United. Apenas jogou dois anos no Reino Unido, tendo feito dez partidas na Liga dos Campeões. Para a Premiership fez 35 jogos, apontando cinco golos;
- O Manchester United era a única equipa que se podia gabar de ter triunfado na Europa. Vencedor da Taça das Taças e da Supertaça Europeia em 1991 (já com Ferguson ao leme), o clube inglês conta com duas vitórias na Taça/Liga dos Campeões. Se a última foi ganha em 1999 na mítica final diante do Bayern de Munique, a mais antiga remete para o ano de 1968. Em pleno Wembley, palco que dois anos antes dera o Mundial ao golo fantasma do avançado do West Ham Geoff Hurst, o United derrotou o Benfica de Eusébio, Torres e Coluna por 4-1, após prolongamento. Pelos ingleses brilhavam os históricos Bobby Charlton e George Best, entre outros...
Os Apurados
- Sem surpresa, Lyon e Manchester United garantiram o direito de seguir em frente na prova. Muitos esperavam que os ingleses se qualificassem no primeiro lugar mas o relaxamento na deslocação à Turquia roubou a liderança ao conjunto de Cristiano Ronaldo. Assim sendo, os franceses encontram um segundo classificado, ao passo que o britânicos jogam com um cabeça-de-série.
- Os turcos do Fenerbahçe seguem na Taça UEFA, prova já ganha pelo avançado holandês Pierre van Hoojdonk, ex-Benfica. O goleador foi decisivo no triunfo do Feyernoord, em 2002, sendo que outro emblema turco, no caso o Galatasaray, ficou com o troféu no ano de 2000.
A Estrela
Não é fácil eleger um jogador entre tantas estrelas que passearam classe por este Grupo D. Ainda assim, importa destacar o maior goleador da prova, o holandês Ruud van Nistelrooy. Com manifesto azar na Premiership, o holandês só precisou de cinco jogos para fazer oito golos, o que faz dele o melhor goleador desta edição da Liga dos Campeões. O ex-PSV fez um póquer na recepção ao Sparta de Praga e prova que é um dos melhores marcadores da história da competição, sendo inclusive o mais concretizador dos últimos três anos. Só ao serviço do Manchester United, o craque já apontou 36 golos na Liga dos Campeões!

Foto: UEFA
A Revelação
Igualmente complicada a eleição nesta categoria. Juntamente com o brasileiro Nilmar, 20 anos, a afirmar-se na Europa depois de muito prometer no Internacional de Porto Alegre, o turco Tuncay Sanly vem sendo outra clara revelação. Ainda assim, e porque o jovem Tuncay (cinco golos) não continua na Liga dos Campeões, vamos atribuir a distinção ao internacional canarinho. Lançado pelo Inter brasileiro, Nilmar venceu dois campeonatos sub-20 e dois Estaduais Gauchos pelo plantel principal. Fez parte da equipa brasileira que jogou a Golden Cup de 2003 (foi finalista) e já mereceu uma chamada à equipa principal, que abrilhantou com um golo. Aconteceu no amigável com o Haiti, que o Brasil venceu por 6-0 a 18 de Agosto de 2004.
Assinou pelo Lyon um contrato de cinco anos a dois dias do fecho das inscrições. A sua compra ficou decidida depois da grave lesão sofrida pelo compatriota Giovane Elber mas os quatro golos já apontados por Nilmar não devem ter envergonhado os responsáveis do emblema do Gerland. O brasileiro participou nos seis encontros mas só soma 213 minutos, sendo preferencialmente utilizado na condição de suplente. Um jovem craque a quem elogiam "a rapidez de Owen e a visão de Zidane". A confirmar...

Foto: UEFA
A Desilusão
Não se podendo exigir milagres ao Sparta de Praga, a grande desilusão é atribuída a um óptimo jogador que vinha reclamando oportunidades nestas competições mas que pouco ou nada pôde fazer. Falamos do holandês Pierre van Hooijdonk, que se esperava ser a estrela do Fenerbahçe mas que só apontou um golo em seis partidas. Não fosse Tuncay Sanli e a prestação dos turcos poderia ter sido muito menos proveitosa, sendo que o avançado ex-Benfica teria responsabilidades nesse particular. Enquanto homem-golo, esperava-se bem mais de um jogador que decidiu a Taça UEFA de 2002.

Foto: UEFA
Os Resultados
Lyon 2-2 Manchester United
Fenerbahçe 1-0 Sparta de Praga
Manchester United 6-2 Fenerbahçe
Sparta de Praga 1-2 Lyon
Sparta de Praga 0-0 Manchester United
Fenerbahçe 1-3 Lyon
Manchester United 4-1 Sparta de Praga
Lyon 4-2 Fenerbahçe
Manchester United 2-1 Lyon
Sparta de Praga 0-1 Fenerbahçe
Fenerbahçe 3-0 Manchester United
Lyon 5-0 Sparta de Praga
A Classificação
1º Olympique Lyon - 13 pontos
2º Manchester United- 11
3º Fenerbahçe - 9
4º Sparta Praga - 1
O Goleador
Ruud van Nistelrooy - 8 golos

Foto: UEFA

Foto: uefa.com
No Grupo C desta edição da Champions League encontrávamos dois eternos candidatos à vitória na competição, aos quais se juntou o surpreendente Maccabi Telavive. Juventus, Bayern e Ajax haviam conquistado, no passado, o troféu mais desejado da Europa do futebol, sendo que essa conjuntura abria o apetite para seis jornadas que prometiam espectáculo. Entre surpresas e desilusões houve quem tivesse de suar bastante para conseguir atingir os objectivos mínimos nesta fase da prova, num grupo em que Juventus e Bayern não deram aos adversários grande margem de manobra.
Breves notas
- Neste Grupo C constavam três ex-vencedores da competição mais importante da UEFA (Juventus, Bayern e Ajax)
- Juventus e Bayern encontraram-se pela primeira vez na prova (em Turim a 19 de Outubro de 2004);
- No Ajax, uma desavença pública entre Koeman e Van Gaal após a goleada sofrida frente ao Bayern (4-0), culminou na saída do ex-treinador do Barcelona algumas semanas depois;
- Os israelitas do Maccabi de Telavive participaram pela primeira vez nesta competição;
- O Maccabi apurou-se para a fase de grupos ao eliminar o PAOK, que perdeu a 1ª mão da pré-eliminatória por 2-1 em Salónica, mas viu a desvantagem ser ampliada na secretaria devido à utilização irregular do cipriota Liasis Louca, que estava castigado pela UEFA.
- Este foi o grupo com mais cartões: nada mais nada menos do que 50 amarelos e 4 vermelhos.
Os apurados
- A Juventus foi a primeira equipa do grupo a garantir o apuramento. Com 16 pontos somados ao cabo de seis partidas, os transalpinos foram ainda o conjunto com menos golos sofridos na primeira fase (apenas 1 tento sofrido e já na última jornada frente ao Maccabi). A supremacia do conjunto foi evidente ao longo desta primeira fase, principalmente com as vitórias sobre o poderoso Bayern. Apesar dos triunfos terem sido sempre alcançados pela margem mínima (os italianos não conseguiram marcar mais do que um golo por partida), Nedved e companhia lá carimbaram, confortavelmente, o passaporte para a fase seguinte;
- As duas derrotas frente à Juventus e o empate, já na última partida, face aos holandeses não foram suficientes para fazer tropeçar o Bayern de Munique. No conjunto bávaro houve uma estrela cintilante chamada Roy Makaay.
A estrela

Foto: uefa.com
Pavel Nedved é uma peça fundamental na manobra dos de Turim. Aquele que é um dos melhores jogadores da actualidade continua a deslumbrar e esteve presente em todas as partidas da Juve na primeira fase da prova. Mais importante do que os dois golos decisivos que apontou foram as exibições que, em todas as partidas, denotaram uma qualidade acima da média... como sempre.
A revelação

Foto: uefa.com
O número 10 dos israelitas do Maccabi Telavive foi a surpresa agradável deste grupo. Dego (israelita, mas natural da Etiópia), foi decisivo na vistosa campanha do Maccabi nesta fase. Com 23 anos de idade, o avançado apontou quatro golos na estreia absoluta na Champions League. O israelita foi o principal "culpado" da primeira vitória do Maccabi na prova, e logo frente ao Ajax. Depois de cada um dos dois golos apontados o israelita chorou de emoção, perante o delírio dos adeptos locais.
A desilusão

Foto: uefa.com
O Ajax foi mesmo a grande desilusão deste grupo C. Os holandeses reflectiram sempre grande instabilidade, sendo que, não fosse a vitória em Amesterdão por 3-0 frente ao Maccabi, tinha mesmo ficado fora das competições europeias esta temporada. Os 10 golos sofridos pelos holandeses, em parte devido à goleada imposta pelo Bayern na Alemanha (4-0), não deixam margem para grandes dúvidas acerca da fragilidade da equipa de Koeman.
Goleador:

Foto: uefa.com
Roy Makaay foi o grande artilheiro neste Grupo C com 7 golos apontados.
Resultados:
Ajax 0 - 1 Juventus
M. Tel-Aviv 0 - 1 Bayern
Bayern 4 - 0 Ajax
Juventus 1 - 0 M. Tel-Avive
Juventus 1 - 0 Bayern
Ajax 3 - 0 M. Tel-Aviv
Bayern 0 - 1 Juventus
M. Tel-Aviv 2 - 1 Ajax
Juventus 1 - 0 Ajax
Bayern 5 - 1 M. Tel-Aviv
Ajax 2 - 2 Bayern
M. Tel-Aviv 1 - 1 Juventus
Classificação:
Grupo C
1º Juventus - 16 pontos
2º Bayern de Munique - 10
3º Ajax - 4
4º Maccabi Telavive - 4

Foto: Uefa
O Grupo B era, à partida, um dos mais interessantes da primeira fase da Liga dos Campeões. Com três fortes candidatos para passarem à fase seguinte, Real Madrid, Roma e Bayer Leverkusen, e um quebra-cabeças (outsider que nunca é outsider) chamado Dínamo de Kiev, a luta parecia ser interessante para saber quem aguentava a pressão. A verdade é que desde cedo se percebeu que dentro de campo as coisas iam ser bem diferentes do que eram em teoria. Um Real em convulsão, uma Roma moribunda e um Leverkusen a renascer, trocaram as voltas aos analistas e deixaram baralhadas as contas do Grupo. No final, liderança para os alemães, qualificação (à justa) para os merengues, esperança renovada para os ucranianos e pesadelo em Itália...
Breves Notas
- O Real Madrid, líder absoluto no historial da Liga dos Campeões (e da antiga Taça dos Campeões Europeus), esteve em risco, pela primeira vez desde 1990, de não se qualificar para a 2ª fase da Champions;
- À partida para a última jornada, o líder do grupo era o Dínamo de Kiev, a quem bastava um empate em Leverkusen para garantir a qualificação. A verdade é que os alemães ganharam, o Real Madrid também, e o Dínamo acabou a jornada com terceiro do grupo, não indo além da qualificação para a Uefa;
- A Roma já vivia períodos conturbados desde o início da época. A saída de jogadores-chave, como Samuel ou Emerson, desestabilizaram por completo a equipa da capital italiana. As dificuldades eram evidentes, mas tudo piorou com a agressão ao árbitro sueco Anders Frisk, que resultou na derrota por 3-0, em casa, frente ao Dínamo, e a interdição do Olímpico de Roma por 3 jogos. O pesadelo começou aqui...;
- O único campeão do grupo era o Dínamo de Kiev. Nem Real, nem Roma, nem Leverkusen se podiam orgulhar, esta época, do mesmo!
Os Apurados
- O Leverkusen mostrou que está de volta à boa forma. A equipa de Klaus Augenthaler conseguiu uma performance interessante e alcançou mesmo o primeiro posto do grupo. Ainda que esse lugar só tenha chegado na última jornada, os alemães foram, sem dúvida, a melhor equipa do grupo.
O Real Madrid conseguiu a qualificação num jogo atípico (amigável??) em Roma. Num Estádio Olímpico vazio, os merengues fizeram o que até aí tinha sido complicado: golos. A qualificação não surpreende, mas os resultados não são entusiasmantes.
- O terceiro lugar do Grupo B ficou para os ucranianos. O Dínamo voltou a mostrar qualidade (é das melhores equipas entre os "pequenos"), e conseguiu o tercewiro posto com todo o mérito. Vai à Uefa, mas a fase seguinte da Champions ficou ali tão perto...
A Estrela

Foto: Uefa
Num grupo onde poucos jogadores se destacaram de forma inequívoca, a escolha de uma figura não foi tarefa fácil. Não, esta escolha não foi feita "porque sou português". A verdade é que Luís Figo tem sido o "abono de família" do Real, quer na Liga dos Campeões, quer no campeonato espanhol. O português levou a equipa às costas e conseguiu motivar adeptos e colegas de equipa para a (difícil) qualificação. E o golo de Roma, aquele golo, volta a trazer o Figo dos bons velhos tempos...
Ainda assim, merecem destaque as boas exibições dos jogadores do Leverkusen, com destaque para o defesa Juan e para o avançado Berbatov.
A revelação
França não tem nome de jogador. O "brasileiro do cabelo estranho" é o líder de uma verdadeira legião canarinha em terras germânicas. Françoaldo Sena de Souza, França para os amigos, foi uma das peças-chave do conjunto alemão para conseguir a qualificação neste grupo. Golos, assistências
e espectáculo foram algumas das atracções do avançado brasileiro, que convenceram os mais cépticos do seu real valor. Já correm rumores do interesse vindo de Munique, mas até lá, França vai continuar a liderar as hostes do BayArena.

Foto: Uefa
A desilusão

Foto: Uefa
A AS Roma foi, sem dúvida, a grande desilusão do grupo e uma das maiores desilusões da prova. É verdade que o início de temporada não foi pacífico para as hostes romanas, e a saída de jogadores importantes como Emerson ou Samuel, não aguravam nada de bom para esta temporada.
Tudo correu mal aos romanos nesta prova, desde os adeptos, aos jogadores, passando pelos técnicos que nunca deram a estabilidade pedida por uma equipa deste nível. As mudanças de treinadores, de Rudi Voller até Luigi del Neri, tem servido como desculpa, mas a verdade é que jogadores como Totti, Cassano ou Méxes não mostraram tudo do que são capazes, e os jogos frente ao Real Madrid são um bom exemplo disto mesmo.
Os Resultados
Leverkusen 3-0 Real Madrid
Roma 0-3 Dínamo de Kiev (decisão da Uefa)
Real Madrid 4-2 Roma
Dínamo de Kiev 4-2 Leverkusen
Real Madrid 1-0 Dínamo de Kiev
Leverkusen 3-1 Roma
Roma 1-1 Leverkusen
Dínamo de Kiev 2-2 Real Madrid
Real Madrid 1-1 Leverkusen
Dínamo de Kiev 2-0 Roma
Leverkusen 3-0 Dínamo de Kiev
Roma 0-3 Real Madrid
A Classificação
1º Bayer Leverkusen- 11 pontos
2º Real Madrid - 11
3º Dínamo Kiev - 10
4º AS Roma - 1
O Goleador
Luís Figo - 4 golos

Foto: Uefa
Figo é também o rei da assistências na prova (5 passes para golo).

Foto: UEFA
O FC Porto vai encontrar o Inter de Milão nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. O sorteio acaba de ditar o encontro entre portugueses e transalpinos. Os dragões disputam a primeira partida no Estádio do Dragão (22 ou 23 de Fevereiro), deslocando-se posteriormente ao Giuseppe Meazza (15 de Março, uma semana mais tarde que os restantes jogos em virtude do Milan-Manchester United).
A análise do adversário do FC Porto ainda hoje no Quarto Árbitro. O Inter à lupa...
Restantes Encontros
Real Madrid - Juventus
Barcelona - Chelsea
Werder Bremen - Lyon
Liverpool - Leverkusen
PSV - Mónaco
Manchester United - AC Milan
Bayern - Arsenal

Foto: UEFA
Noite dramática em alguns estádios, noite de passeio em outros casos. A partida de Anfield entre Liverpool e Olympiakos terá sido a mais emocionante, com a qualificação a ser discutida até ao último minuto. O Real Madrid de Figo também conseguiu o apuramento, com o português em plano de evidência no duelo de Roma. O Liga dos Campeões volta em Fevereiro com o FC Porto em prova mas com os compatriotas Luís Figo, Cristiano Ronaldo, Rui Costa e Deco também na luta por um lugar na final do Ataturk. Sem esquecer, claro está, o Chelsea de José Mourinho, Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho e Tiago...
Não foi bonito o adeus do Depor à Liga dos Campeões. Semi-finalista da última edição, o conjunto de Jorge Andrade não apontou qualquer golo e classificou-se em quarto lugar no Grupo A. Hoje os galegos apadrinharam a passagem do vice-campeão Mónaco à fase seguinte da prova. Os franceses venceram por uma margem amplamente folgada, sendo que a chave foi o uruguaio Chévanton. O avançado ex-Lecce abriu o marcador (22´) mas a primeira metade acabou com uma vantagem já confortável para os pupilos de Deschamps. O central Givet (37´) e o argentino Saviola (39´) carimbaram a passagem aos oitavos-de-final, sendo que o avançado até picou o ponto no regresso a Espanha. Dois golos reservados para a etapa complementar, com o brasileiro Maicon (55´) e Adebayor (76´) a agudizarem o fracasso que foi a passagem do Depor pela prova.
Dramática a vitória e a passagem do Liverpool à fase seguinte. Os reds precisavam de derrotar o Olympiakos por mais do que um golo (porque haviam perdido no Piréu por 1-0) mas até viram Rivaldo abrir a contagem (27´). O brasileiro voltou a marcar de livre directo, ele que decidiu o derby com o Panathinaikos num lance idêntico. O Liverpool conseguiria um comeback histórico ao marcar três golos na etapa complementar, sendo o primeiro deles assinado pelo internacional sub-21 francês Sinama-Pongolle (47´). O tempo passava sem que o conjunto de Rafa Benitez marcasse, até que outro miúdo, no caso Neil Mellor, assinou o segundo golo (80´). Mellor já marcara na vitória sobre o Arsenal mas ainda faltava um último golpe, que só a estrela Steven Gerrard podia dar. O médio internacional inglês apontou o tal golo que apura o Liverpool após um jogo verdadeiramente fantástico...
O Leverkusen conseguiu a primeira posição no Grupo B. Os alemães, finalistas em 2002, precisavam de uma vitória na recepção ao Dinamo Kiev e construiram-na na etapa complementar. O central canarinho Juan deu vantagem ao conjunto da BayArena, com o ucraniano Voronin a confirmar a vitória dos visitados (77´), que ganhou outra consistência já perto do final, com Babic a juntar-se às contas finais da partida (86´).
À porta fechada, o Real Madrid foi a Roma garantir o apuramento diante de um conjunto que rodou elementos mas não alterou a depressão que tem marcado o passado recente. Del Neri foi impotente para impedir a vitória merengue, que começou a ganhar forma quando Ronaldo bateu Pelizzoli. Já na segunda parte, Luís Figo viria a bisar. O português confirmou a vitória dos espanhóis na conversão de uma grande penalidade (60´) e deu outro confronto aos pupilos de García Rémon antes de abandonar as quatro linhas (82´). Decisivo no apuramento dos madridistas, Figo já soma quatro golos na prova maior do futebol europeu.
Nada mudou no Grupo C, o que significa que o Ajax segue na Taça UEFA e o Maccabi Telavive diz adeus às provas europeias. O grande ponto de interesse da jornada era saber se a Juventus conseguia o pleno mas, sobretudo, ver se os italianos eram a primeira formação a ultrapassar uma fase de grupos sem sofrer qualquer golo. Nenhuma destas situações se verificou, com os bianconeri a empatarem a uma bola em Israel. Dego bateu Chimentou da marca de grande penalidade mas Del Piero impediu a primeira derrota e a passagem dos israelitas à Taça UEFA.
Empate também registado em Amesterdão, ainda que o Bayern de Munique tenha aberto o marcado. O ponta-de-lança holandês Roy Makaay assinou o sétimo golo na prova (9´) mas o conjunto de Koeman daria a volta ao marcador. O checo Galasek empatou na primeira parte (38´), o romeno Mitea (64´) consumou a viragem na etapa complementar. Os alemães viriam, contudo, a estabelecer o resultado final numa igualdade, que em nada altera os destinos de ambos os emblemas. O médio Michael Ballack assinou o último golo do encontro (78´).
Com tudo praticamente decidido no Grupo D, o Lyon conseguiu ainda ascender à liderança, sendo que o Manchester United descansou na deslocação a Istambul e foi relegado para a segunda posição. Ronaldo foi o único habitual titular a jogar no terreno do Fenerbahçe, que venceu com um hat-trick de Tuncay Sanli (47´, 72´, 91´). Os franceses, por seu turno, golearam o Sparta de Praga por 5-0, com Essien a abrir a contagem (7´). O brasileiro Nilmar bisou (19´ e 51´) e o final reservava ainda os golos de Idangar (83´) e de Bergougnoux (91´). O conjunto de Paul Le Guen pode reencontrar o FC Porto, o Sparta de Praga sai das competições europeias, onde segue o Fenerbahçe, ainda que agora na Taça UEFA.
Grupo A
1º Mónaco - 12 pontos
2º Liverpool - 10
3º Olympiakos - 10
4º Deportivo - 2
Grupo B
1º Bayer Leverkusen- 11 pontos
2º Real Madrid - 11
3º Dínamo Kiev - 10
4º AS Roma - 1
Grupo C
1º Juventus - 16 pontos
2º Bayern de Munique - 10
3º Ajax - 4
4º Maccabi Telavive - 4
Grupo D
1º Olympique Lyon - 13 pontos
2º Manchester United- 11
3º Fenerbahçe - 9
4º Sparta Praga - 1
em negrito os apurados

Foto: UEFA
O Arsenal ainda chegou à liderança do Grupo E. Com o apuramento dependente de uma vitória na recepção ao Rosenborg, os gunners ainda beneficiaram da derrota do PSV em Atenas para concluir a fase na primeira posição. Começou cedo a goleada em Highbury, com Reyes a abrir a contagem logo aos terceiro minuto. Henry, Fabregas e Pires (grande penalidade) também marcaram na primeira metade, ainda que Hoftun tenha reduzido para os noruegueses. Com o resultado definido, coube ao holandês Robin van Persie o tento final.
Goleada também em Atenas, com o Panathinaikos a abrir o marcador à passagem da meia-hora. Marcou o internacional grego Papadopoulos, que veria o norte-americano Beasley igualar para o PSV, já apurado. O alemão Munch viria a bisar (um dos golos a fechar a primeira parte, na conversão de uma grande penalidade) e o romeno Sanmartean fechou as contas em 4-1. Resultado inglório para os gregos, que seguem na Taça UEFA.
Com Milan e Barcelona apurados, o Grupo F valia pela luta pelo terceiro lugar e pela incerteza quanto ao primeiro classificado. Ao empatar em Celtic Park, o Milan confirmou o domínio e afastou os escoceses das provas europeias, onde prosseguem os ucranianos do Shakhtar Donetsk, que derrotaram o Barcelona por 2-0. Sem muitos dos habituais titulares, os catalães viram o nigeriano Julius Aghahowa decidir a partida, ao assinar os dois golos. Iniesta deperdiçou uma grande penalidade para o Barça.
O Valência ficou pelo caminho! Obrigado a derrotar o Werder Bremen, os campeões espanhóis desperdiçaram muitas ocasiões de golo e viram o paraguiao Nelson Valdez resolver a partida. O avançado bisou no Mestalla e deixou Caneira na Taça UEFA. O Inter de Milão confirmou o primeiro lugar no grupo com uma vitória sobre o Anderlecht, o bobo da festa na fase de grupos da Champions. Nenhum ponto, dezassete golos encaixados! Ontem os milaneses ganharam com golos de Júlio Cruz e de Obafemi Martins, sendo que o nigeriano marcou por duas vezes.
Semak derrotou o PSG no Parque dos Princípes. O avançado russo assinou um hat-trick que afasta Pauleta e Helder das provas europeias. Pancrate ainda empatou para os parisienses, que até jogavam com mais um quando Semak decidiu a partida. Os moscovitas ainda estiveram virtualmente apurados para a fase seguinte mas Benni voltou a ser o carrasco dos russos....
Grupo E
1º Arsenal - 10 pontos
2º PSV - 10
3º Panathinaikos - 9
4º Rosenborg - 2
Grupo F
1º AC Milan - 12 pontos
2º Barcelona - 10
3º Shaktar - 6
4º Celtic Glasgow - 5
Grupo G
1º Internazionale - 14 pontos
2º Werder Bremen - 13
3º Valência - 7
4º Anderlecht - 0
Grupo H
1º Chelsea - 13 pontos
2º FC Porto - 8
3º CSKA - 7
4º PSG - 5
em negrito os apurados

Foto: UEFA
E o sonho continua, mesmo depois de tantas insónias, mesmo depois de tantos pesadelos. Um sonho espevitado no final mas que até primou pela letargia e pela fatalidade de um final infeliz. Afinal, contudo, o FC Porto segue em frente na Liga dos Campeões, evitando assim o escândalo de se tornar no primeiro campeão em título a fraquejar logo na ronda inaugural. Mais do que isso, a passagem é um bâlsamo para os importantes compromissos que se seguem e a confirmação de que o argumento "eles não sabem fazer melhor" é pouco ou nada válido.
Diante de um Chelsea de primeira linha, o conjunto portista não fez uma exibição de encher o olho e já poucos acreditariam na vitória quando Benni McCarthy - quem mais? - carimbou a passagem à fase seguinte. Mourinho acabou a partida com John Terry a ponta-de-lança mas o regresso ao Dragão não lhe deu mais do que a primeira derrota na corrente edição da Champions, segunda de toda a temporada futebolística (a outra foi no City of Manchester, para a Premiership).
Obrigado a vencer e com o rádio virado para Paris, o FC Porto pensava poder encontrar no Chelsea um conjunto desleixado - em função do primeiro lugar estar garantido, em função dos muitos e importantes desafios que se seguem. Fernández, por seu turno, sabia (ou devia saber) que tinha que assumir uma postura de risco, por forma a contrariar a recente tendência portista para marcar poucos ou nenhuns golos, por forma a contrariar a extremamente organizada defesa dos londrinos, uma das menos batidas na Europa.
Para tal, e sendo que no sector mais recuado não havia grandes novidades, o técnico espanhol apostou num esquema teoricamente ambicioso, que contemplava o recurso a dois pontas-de-lança, sendo que Derlei e Diego apareciam nas costas. Assim sendo, Costinha era a unidade mais defensiva do meio-campo, com Diego sobre a direita e Maniche como interior-esquerda, sendo que Derlei pretendia ser o playmaker e a unidade mais próxima de Luís Fabiano (com ordens para cair mais sobre o espaço de Areias e Maniche) e de McCarthy (inclinado para a direita, onde também deveriam surgir Seitaridis e Diego).
Por seu turno, o Chelsea apresentava uma das muitas variações tácticas que já lhe conhecemos. Ontem apostou num 4-4-2 mais evidente, com a defesa a ser constituída pelo quarteto habitualmente titular. De facto, terá causado alguma estranheza ver tanta cara habitual no confronto do Dragão, sobretudo se tivermos em conta que os londrinos já tinham o primeiro lugar assegurado e que há desafios muito importantes nos dias que se seguem. Ainda assim, o meio-campo apresentava os menosn rodados Scott Parker (sobretudo este) e Aleksei Smertin. O médio ex-Charlton actuava numa posição mais defensiva, o russo descaía para a direita, sendo que Wayne Bridge encarregava-se da ala oposta. Como organizador de jogo surgia o fantástico Frank Lampard, estando o ataque entregue a Didier Drogba, unidade mais fixa, e ao irlandês Damien Duff, um elemento com total liberdade de movimentos e ordens para deixar Areias à procura dos olhos.
Não foi uma boa primeira parte do FC Porto, ainda que a vontade estivesse lá toda. Faltava o engenho! Com um Derlei muito combativo mas a anos-luz daquilo a que nos habituou, os dragões viam-se forçados a uma solução recorrente, muito pouco apreciada nas bancadas. Com efeito, Areias era a única unidade a causar desequilíbrios e a ganhar a ala para o cruzar, ainda que o fizesse de forma desastrada, quase sempre a jeito do corte de Ricardo Carvalho ou de John Terry. Ou seja, Fernández parecia perceber que uma equipa como o FC Porto tem de ter largura de jogo mas não constatava que essa largura tem de significar maior envolvimento das unidades do meio-campo e da frente. Ao entregar o futebol flanqueado única e exclusivamente a Areias, o técnico portista prestou um mau serviço ao jogo da sua equipa e uma má propaganda ao limitado lateral-esquerdo. Pelo esforço e porque quem dá o que tem a mais não é obrigado, fica aqui expresso o meu elogio a Areias. De resto, a primeira metade do FC Porto valeu por um ou outro pormenor do combativo Benni, habituado a aparecer nestas alturas, ontem mais motivado do que nunca pelo reencontro com o treinador preferido.
O Chelsea, por seu turno, apostava claramente na organização defensiva e no contra-ataque. Damien Duff era a arma letal neste tipo de jogo, revelando-se sempre o melhor elemento dos ingleses na etapa inicial da partida. Lampard mostrava o que sabe a meio-campo (e sabe muito este soberbo jogador) mas até foi Drogba a beneficiar da primeira flagrante ocasião de golo, miraculosamente desviada para a barra por Nuno. No melhor pano cai a nódoa e o guarda-redes deu um monumental frango após remate de Duff, que havia trocado as voltas a Areias. O Chelsea estava na frente e o Dragão via a Liga dos Campeões por um canudo, sendo que até a Taça UEFA chegou a ser uma miragem. Conformados, os adeptos pareciam preparar-se para uma terceira derrota consecutiva em casa, até porque Fernández nunca havia virado um resultado desde que assumira o comando técnico dos FC Porto...
A segunda metade chegava mas Fernández não mexia no onze, se bem que o FC Porto tenha tido um recomeço dinâmico e interessante. Diego começou a aparecer na partida e assinou um brilhante remate que só Paulo Ferreira impediu que resultasse na igualdade. Pouco depois, Quaresma rendia o tocado Derlei e colava-se à ala direita, a tal que ainda não funcionara. Com Ricardo bem aberto, as situações de dois-para-um podiam favorecer o FC Porto, sendo que para tal era necessário o envolvimento de Seitaridis. Assim aocnteceu no lance do golo, obtido um minuto depois do extremo ter entrado em campo. O ex-Barcelona colou Gallas à linha, convidando Giourkas a subir e a rematar - a intercepção caiu nos pés de Diego que, de primeira, vingou o lance que Paulo Ferreira anulara minutos antes. O FC Porto estava de volta ao jogo e a Champions deixava de ser uma miragem, com o CSKA a vencer no Parque dos Princípes.
Infelizmente para os portistas, só um lance de Benni deu sequência ao golo da igualdade. Imediatamente após, o Chelsea voltou a pegar no jogo e até teve nos pés de Lampard as melhores ocasiões de golo, com Nuno de novo em grande. O FC Porto estava na Taça UEFA, o que até parecia ser um mal menor. Até que Quaresma inventa um lance na esquerda e serve a cabeçada vitoriosa do herói dos grandes momentos. O melhor em campo dava aos campeões a possibilidade de seguir em frente na Liga dos milhões, ainda que Mourinho tenha arriscado tudo nos últimos minutos da partida, inclusive com a colocação de John Terry (para se ver a minúcia do trabalho em Stamford Bridge, dever-se-ia constatar a movimentação do central na esfera de Costinha sempre que os portistas beneficiavam de um lance de bola parada) a ponta-de-lança. Para quem ainda tivesse dúvidas, o FC Porto tem potencial mas deve exponenciar o futebol pelas alas. Assim se abateu um Chelsea, é bom reforçá-lo, de primeira linha, assim se dá seguimento ao sonho europeu...

Foto: UEFA
O PSV Eindhoven já está apurado para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões. O vice-campeão holandês empatou ontem com o favorito Arsenal, com Andre Ooijer a inaugurar o marcador para os visitados. Os londrinos igualaram ainda na primeira parte, por intermédio de Henry. O conjunto de Wenger tem vantagem sobre o Panathinaikos na discussão pela passagem à fase seguinte. Tudo porque os gregos não foram além da repartição de pontos em Trondheim, ainda que tenham estado a vencer por duas ocasiões. Os golos de Konstantinou, primeiro, e de Skácel, depois, foram anulados pelo bis de Helstad.
O Milan ganhou vantagem na luta pelo primeiro lugar do Grupo F. A jogar em casa, os rossoneri golearam o Shakthar Donetsk por 4-0, com Rui Costa em grande. Golos na segunda parte, repartidos por dois craques sul-americanos. Kaká e Crespo aproveitaram a ausência de Sheva para brilhar a grande nível. Mais modesto o resultado do Barcelona, que empatou em Camp Nou com o Celtic de Glasgow. O inevitável Samuel Eto´o ainda adiantou os catalães mas os católicos escoceses igualaram em cima do intervalo, por intermédio do avançado galês John Hartson.
Ainda não é certo que o Werder Bremen acompanhe o Inter de Milão rumo aos oitavos-de-final. Os alemães podiam confirmar a passagem na noite de ontem mas não foram além de uma igualdade diante dos italianos. Ismael adiantou o campeão alemão da marca de grande penalidade mas Obafemi Martins mantém o estatuto de invencível para os milaneses. Tem sido um autêntico salvador este avançado nigeriano. Aproveitou o Valência para se manter na corrida; os espanhóis venceram na Bélgica por 2-1, com golos italianos de Corradi (calcanhar) e de Marco di Vaio. Caneira ainda cometeu uma grande penalidade, de que resultaria o tento do empate, assinado por Wilhelmsson na recarga à defesa de Canizares.
José Mourinho dificultou a vida ao FC Porto, não indo além de um nulo na recepção ao Paris Saint-Germain. O Chelsea será primeiro no Grupo H, o PSG precisa de uma vitória no Parque dos Princípes para seguir em frente.
Grupo E
1º PSV - 10 pontos
2º Arsenal - 7
3º Panathinaikos - 6
4º Rosenborg - 2
Grupo F
1º AC Milan - 12 pontos
2º Barcelona - 10
3º Celtic Glasgow - 4
4º Shaktar - 3
Grupo G
1º Internazionale - 11 pontos
2º Werder Bremen - 10
3º Valência - 7
4º Anderlecht - 0
Grupo H
1º Chelsea - 13 pontos
2º PSG - 5
3º FC Porto - 5
4º CSKA Moscovo - 4
em negrito os já apurados

Foto: UEFA
Mantém-se vivo o sonho com a Liga dos Campeões. Numa exibição que voltou a oscilar entre o bom e o sofrível, o FC Porto teve a sorte do jogo para sair de Moscovo com hipóteses de qualificação para os oitavos-de-final da prova. A Taça UEFA é um mal menor bastante provável em caso de não apuramento, depois do primeiro triunfo europeu da temporada para o actual vencedor da Champions. Sem maravilhar, ninguém exigia isso, os portistas saíram da gélida capital russa com mais um ponto que PSG e CSKA, sendo que os franceses ainda jogam hoje, em Londres. Pede-se ajuda ao Chelsea de Mourinho e uma vitória dos dragões na última jornada da fase de grupos para que se possa concretizar o milagre da qualificação. Amén!
Extremamente limitado, Fernández não teve muito por onde fugir na constituição do onze portista. Realce para a ausência, já previsível, do médio Diego e para a inclusão de Ricardo Costa na lateral-esquerda. O técnico espanhol terá ganho em capacidade de choque no jogo aéreo aquilo que perdeu, seguramente, na qualidade de passe. O central sub-21 foi uma das principais causas do elevado índice de bolas perdidas na defesa e meio-campo defensivo. Mas já lá vamos... O trio do meio-campo voltava a contar com Costinha, Maniche e Bosingwa, com o ex-Boavista a surgir mais sobre a direita (ainda que tendesse em demasia a descair para o centro), por oposição ao posicionamento de Ricardo Quaresma na ala contrária. O desinspirado Derlei jogava nas costas de McCarthy, que mantinha a confiança de Fernández, não obstante a ridícula expulsão na partida diante do Boavista.
O CSKA, por seu turno, tentava adiantar-se à concorrência na luta por um lugar na fase seguinte. Gazzaev montou um esquema em 3-5-2, em muito condicionado pelas ausências de Odiah e Ivica Olic, que não recuperaram de lesões. Ignashevich, mais sobre a direita, Berezouts, descaído para a esquerda e o lituano Semberas constituíam o trio de centrais. À frente destes apareciam Aldonin e Rahimic, sendo que Jarosik era a unidade mais avançada do meio-campo, bem atrás da dupla móvel Semak e Vágner Love. Na direita estava Krasic, no lado oposto actuava Zhirkov. Estava disposição dava claro ascendente aos moscovitas no miolo do terreno, sendo que o duo da frente surgia em igualdade numérica junto de Jorge Costa e Pedro Emanuel. Situação que obrigava a compensações da parte de Seitaridis e Ricardo Costa, quase sempre mal aproveitadas pelos alas russos.
Apesar de um bom lance construído na direita e concluído por Maniche para as mãos de Akinfeev, o FC Porto começou o jogo muito nervoso e a falhar passes em demasia, uma preocupante situação que teve continuidade durante todo o jogo. Muitas perdas de bola em zonas infantis, muitos erros primários que ameaçavam as redes bem defendidas por Nuno. Contudo, à medida que o miolo assentava e Bonsingwa e Seitaridis se envolviam com propósito nas acções atacantes, os portistas passaram a discutir o resultado e a aparecer perto da baliza russa. Com o perigo afastado do último reduto dos dragões, o FC Porto começou a ameaçar Akinfeev, chegando mesmo a desperdiçar lances escandalosos. Derlei teve a mais flagrante das ocasiões, perdendo uma eternidade na cara do jovem guardião russo. O golo surgiria pouco depois, contudo, a partir de um bom lance ofensivo. Subida de Giourkas, bem acompanhado pelos centro-campistas, que abriram linhas de passe para uma tabelinha que ofereceu a ala ao grego. Bom cruzamento e Benni a inaugurar o marcador, com excelente golpe de cabeça. Os portistas colocavam três jogadores na área em harmoniosa distribuição pelo espaço. Livre de marcação, o sul-africano disse que sim.
Infelizmente, a tremideira atrás mantinha-se. De facto, o perigo causado pelos russos provinha mais da passividade e dos erros primários cometidos pelos portistas. Num desses lances, Maniche joga de calcanhar para isolar Ignashevich, rasteirado na área por Costinha. Felizmente, o CSKA voltou a desperdiçar uma grande penalidade (Vágner Love fizera o mesmo diante do Chelsea). O mesmo jogador que sofreu a falta encarregou-se da marcação do castigo mas mais não fez do que aliviar a bola para a bancada. Mau demais! Ainda assim, os russos continuavam a ameaçar a baliza de Nuno, sobretudo por intermédio de Semak, cuja velocidade e poder de arranque colocava a cabeça em água à durinha dupla Jorge Costa-Pedro Emanuel. O intervalo chegou, apesar de tudo, com vantagem para os portugueses.
Apesar de se encontrar em situação de desvantagem, Gazzaev não introduzia mudanças para a segunda parte, mantendo a confiança na temível dupla de avançados. As linhas recuadas do FC Porto mantinham-se muito nervosas, surgindo de falhas suas as melhores ocasiões para o CSKA igualar. Não obstante os muitos cantos de que beneficiava, o conjunto moscovita não ameaçava tanto quanto desejaria (e com menor eficácia ainda) as redes à guarda de Nuno. Por seu turno, o ataque portista não aproveitava da melhor forma o espaço de que dispunha para contra-atacar, situação que se agudizou com a entrada de César Peixoto, que substituiu Quaresma e se juntou ao combativo mas desastrado Derlei. Bosingwa continuava a deliciar e Benni era a melhor unidade do ataque azul e branco, que parecia não querer matar o jogo. Com o credo na boca, os portistas sustiveram as investidas russas e nem sentiram a troca de flanqueadores, com Ferreyra e Gusev a entrarem em campo. Apesar dos soluços e da instabilidade revelada a espaços, o FC Porto sai da gélida Rússia com a possibilidade de discutir o apuramento. Não se viram melhorias significativas nem um conjunto dominador e autoritário mas isso também seria, porventura, pedir demais. Fiquemos contentes com o resultado...
Ficha do Jogo
Partida no Lokomotiv Stadium, em Moscovo
Árbitro - Mejuto González (Espanha)
Auxiliado por Martinéz Samaniego e Novoa Robles (Espanha)
CSKA Moscovo - Akinfeev; Ignashevich, Semberas e Berezouts; Aldonin, Rahimic, Jarosik, Zhirkov (Ferreyra, 67´) e Krasic (Gusev, 70´); Vágner Love e Semak
FC Porto - Nuno; Seitaridis, Pedro Emanuel, Jorge Costa e Ricardo Costa; Costinha, Maniche, Bosingwa e Quaresma (Peixoto, 59´), Derlei (Pepe, 90´) e McCarthy (Hugo Almeida, 78´)
Golo - 0-1 por Benni McCarthy, aos 28´
Amarelos - Vágner Love e Aldonin; Hugo Almeida

Foto: UEFA
Jorge Andrade está afastado das competições europeias. O semi-finalista da última edição da Champions voltou a perder na noite de ontem. Em jogo a contar para o Grupo A, os espanhóis viram Djordjevic resolver a partida a favor do Olympiakos, que continua em boa posição para confirmar o apuramento para a fase seguinte. O Mónaco mantém esperança de seguir em frente, tendo ontem derrotado o Liverpool pela margem mínima. Javier Saviola apontou, já na segunda parte, o único golo da partida.
Está complicada a vida do Real Madrid, forçado a vencer em Roma para seguir em frente. Ontem, na recepção ao Bayer Leverkusen, o conjunto de Figo exibiu novamente algumas fragilidades, aproveitadas por Dimitar Berbatov para inaugurar o marcador. Ainda assim, a segunda metade avassaladora por parte dos merengues quase rendia uma vitória. Os alemães estacionaram o autocarro em frente à baliza de Butt mas Figo construiu o golo da igualdade, assinado por Raúl, que iguala Alfredo di Stefano na arte de marcar golos. O médio português foi dos melhores em campo, beneficiando inclusive de uma grande penalidade para dar o triunfo aos madridistas. Hans-Jorg Butt viria a defender, negando ao Real Madrid uma importante vitória. Próximo do apuramento está o Dínamo Kiev, que derrotou a Roma de Del Neri por 2-0. Um auto-golo de Traianos Dellas seria o princípio do descalabro romano mas Shatskikh aumentaria a vantagem ao aproveitar da melhor forma um cruzamento de Diogo Rincón.
Tudo mais do que confirmado no Grupo C, onde passam Juventus e Bayern de Munique. Os de Turim estão próximos do pleno, tendo ontem ganho ao Ajax por 1-0, com novo golo do uruguaio Marcelo Zalayeta. Mais folgada a vitória dos bávaros, que ao intervalo já venciam por três bolas. Pizarro, Salihamidzic e Frings foram os autores dos golos obtidos até então. Dego ainda reduziria para o Maccabi Telavive, da marca de grande penalidade, mas Roy Makaay ainda marcaria por duas ocasiões, dando aos líderes da Bundesliga mais uma confortável vitória.
No Grupo D falta encontrar o vencedor, sendo que Manchester United e Lyon já estão apurados. Ontem encontraram-se em Old Trafford, com vantagem para os primeiros, que contaram com Cristiano Ronaldo de início. No jogo 1000 de Sir Alex Ferguson no comando técnico dos red devils, o Manchester ganhou vantagem por Gary Neville e ainda conseguiu responder a Diarra, que igualara para os franceses. Ruud van Nistelrooy viria a garantir o triunfo e a passagem à fase seguinte, apontando o seu 36º golo em 37 partidas para a Champions. Na outra partida da noite, o Fenerbahçe foi a Praga assegurar o acesso à Taça UEFA. Fê-lo com um tento solitário de Kovac, na própria baliza.
Grupo A
1º Olympiakos - 9 pontos
2º Mónaco - 9
3º Liverpool - 7
4º Deportivo - 2
Grupo B
1º Dínamo Kiev - 10 pontos
2º Bayer Leverkusen - 8
3º Real Madrid - 8
4º AS Roma - 1
Grupo C
1º Juventus - 15 pontos
2º Bayern de Munique - 9
3º Ajax - 3
4º Maccabi Telavive - 3
Grupo D
1º Manchester United - 11 pontos
2º Olympique Lyon - 10
3º Fenerbahçe - 6
4º Sparta Praga - 1
em negrito os já apurados

Foto: UEFA
O Deportivo de Jorge Andrade está praticamente afastado dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. A derrota de ontem, em pleno Riazor, não dá grandes esperanças ao conjunto de Irureta. O Liverpool foi à Corunha buscar três preciosos pontos, assinados pelo auto-golo do central português.
Na outra partida do Grupo A, o Olympiakos derrotou o Mónaco por 1-0. Já perto do final do encontro, Gabriel Schürrer garantiu o triunfo dos vice-campeões gregos, que se mantêm na luta pelo apuramento.
Tudo empatado no Grupo B, com Figo em grande na salvação merengue. O Real Madrid esteve a perder por duas bolas mas conseguiu a igualdade. Yussuf e Maris Verpakovskis proporcionaram um começo de sonho para os ucranianos mas o capitão Raúl e Luís Figo, aqui através de uma grande penalidade, responderam para o conjunto espanhol.
Mais um golo tardio de Vincenzo Montella foi suficiente para a Roma salvar um mísero ponto na recepção ao Bayer Leverkusen. Os italianos estão, ainda assim, praticamente afastados da fase seguinte. Berbatov adiantara os alemães a dez minutos do final.
Por falar em golos depois da hora, Alessandro Del Piero garantiu o triunfo da Juventus em Munique, depois de Pavel Nedved já ter dado vitória tangencial na partida do Delle Alpi. Um bis de Dego ofereceu ao Maccabi de Telavive a primeira vitória na corrente edição da Champions. A derrota do Ajax beneficia o Bayern de Munique, que assim continua na dianteira para seguir rumo aos oitavos-de-final. De Rodder ainda reduziu para os holandeses mas o jogo terminou pouco depois.
Terminemos com o Grupo D, onde Lyon e Manchester United confirmaram a superioridade que vêm demonstrando. Ruud van Nistelrooy marcou por quatro vezes na recepção ao Sparta de Praga, que ainda conseguiu o tento de honra por Zelenka. Dois golos fora de horas obtidos por Nilmar permitiram a qualificação do Lyon para a fase seguinte da prova. Selçuk adiantou o Fenerbahçe mas Essien e Malouda viraram o marcador para os franceses. Tuncay igualou para o campeão turco mas o internacional brasileiro garantiu um fim de jogo de sonho para os pupilos de Paul LeGuen.
Grupo A
1º Olympiakos - 7 pontos
2º Liverpool - 7
3º Mónaco - 6
4º Deportivo - 2
Grupo B
1º Dínamo Kiev - 7 pontos
2º Bayer Leverkusen - 7
3º Real Madrid - 7
4º AS Roma - 1
Grupo C
1º Juventus - 12 pontos
2º Bayern de Munique - 6
3º Ajax - 3
4º Maccabi Telavive - 3
Grupo D
1º Olympique Lyon - 10 pontos
2º Manchester United - 8
3º Fenerbahçe - 3
4º Sparta Praga - 1

Foto: Gazzetta dello Sport
Marco Caneira não tem tido uma época muito fácil. É certo que volta a ser opção para a Seleccção Nacional (ainda que jogue menos regularmente e apresente rendimento inferior ao que denotava em Bordéus) mas a experiência no Valência podia correr melhor. Pouco utilizado, não tem recebido as melhores críticas quando actua e ainda é fustigado por lesões e outras pequenas mazelas. Adriano, esse, parece querer arranjar mais problemas para o português. O avançado do Inter acabou expulso neste lance mas tanto ele quanto Mancini falam de provocações. Caneira, por seu turno, ficou de cabelos em pé e não consta que se tenha livrado das talas na mão direita...

Foto: UEFA
O Chelsea de José Mourinho é a primeira equipa apurada para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Um golo solitário obtido a meio da primeira parte pelo holandês Arjen Robben (o primeiro com a camisola do Chelsea) foi suficiente para colocar os blues na fase seguinte da prova, sendo que os londrinos também já garantiram o primeiro lugar do Grupo H. Os moscovitas do CSKA ainda desperdiçaram, por Vágner Love, uma grande penalidade. O resultado de hoje deixa tudo em aberto para o desafio da próxima jornada entre russos e portugueses, com o PSG à espreita em Inglaterra.
No Grupo E, novo empate entre Arsenal e Panathinaikos, com os gunners a entrarem numa fase de maus resultados. Henry marcou cedo, na conversão de uma grande penalidade, mas os gregos chegaram ao empate a quinze minutos do fim, graças a um auto-golo do central Pascal Cygan. Aproveitou o PSV para cimentar a liderança no grupo. Os holandeses receberam o Rosenborg, bastando um madrugador tento de Beasley para se definir o vencedor.
Vingança culé na recepção ao AC Milan. Deco esteve em plano de destaque mas até foram os visitantes a inaugurar o marcador, por intermédio do inevitável Andryi Schevchenko. Eto´o igualou antes do intervalo mas a vitória só chegaria a um minuto do termo do tempo regulamentar. O pé esquerdo de Ronaldinho decidiu uma partida intensa entre dois candidatos ao troféu. O Celtic derrotou o Shakhtar Donetsk por 1-0, com Alan Thompson a apontar o único golo do encontro.
Inter de Milão e Valência empataram a zero, aproveitando o Werder Bremen para cimentar a segunda posição no Grupo G. O campeão alemão derrotou o Anderlecht por números expressivos (5-1). Klasnic conseguiu um hat-trick, sendo que Miroslav Klose e Daniel Jensen também marcaram. Iatchouck apontou o único golo dos belgas.
Grupo E
1º PSV - 9 pontos
2º Arsenal - 6
3º Panathinaikos - 5
4º Rosenborg - 1
Grupo F
1º AC Milan - 9 pontos
2º Barcelona - 9
3º Shaktar - 3
4º Celtic Glasgow - 3
Grupo G
1º Internazionale - 10 pontos
2º Werder Bremen - 9
3º Valência - 4
4º Anderlecht - 0
Grupo H
1º Chelsea - 12 pontos
2º CSKA - 4
3º PSG - 4
4º FC Porto - 2

Foto: BBC Sport
Na antevisão da partida de hoje frente ao CSKA de Moscovo, José Mourinho disse não acreditar na possibilidade de o Chelsea vencer a Premiership e a Liga dos Campeões numa mesma temporada. O ex-treinador do FC Porto, que conseguiu esse feito ao serviço do clube da Invicta, justifica a impossibilidade com as exigências da Premier League. "Em Inglaterra é diferente, porque todas as equipas podem roubar pontos aos melhores".
Pelo que fica a pergunta - e em Portugal não? Não querendo contrariar Mourinho no que toca à dificuldade de vencer ambas as provas num mesmo ano, estará o técnico esquecido de empates na Amadora ou em Aveiro? Não perdeu o seu grande FC Porto pontos frente ao Moreirense ou frente à União de Leiria?

Foto: BBC Sport
Não vence fora de casa o Arsenal. Em jogo a contar para o Grupo E, os londrinos foram empatar a Atenas e perderam a liderança para o PSV, que ganhou em Trondheim. Comecemos pelos gunners, que estiveram em vantagem por duas ocasiões. Primeiro por intermédio de Ljungberg, depois através do inevitável Henry. González e Olisadebe marcaram para o Panathinaikos, que somou o quarto ponto e quer discutir o apuramento.
Um golo tardio de De Jong deu a vitória ao PSV. Os holandeses encontraram muitas dificuldades na Noruega e nem o golo do peruano Farfán sossegou o conjunto de Hiddink. Storflor empatou ainda antes do intervalo e a segunda metade foi bastante repartida.
Schevchenko, quem mais?, derrotou o Barcelona no jogo mais esperado do dia. Os italianos imitam a Juventus e colocam-se no grupo de equipas que contam por vitórias todos os jogos realizados. Deco esteve apagado num jogo muito dividido e que só o ucraniano conseguiu resolver. À passagem da meia-hora, o antigo avançado do Dínamo de Kiev disse sim a uma iniciativa de Cafu. Ainda no Grupo F, o Shaktar Donetsk goleou o Celtic de Glasgow por 3-0. Matuzalem, ex-Perugia, bisou e Brandão também fez o gosto ao pé.
Inesperada goleada no Mestalla, com o Inter de Milão a confirmar a subida de forma. O resultado final regista um 1-5 surpreendente, precisamente no dia em que Caneira regressou à titularidade. Os próximos tempos devem ser complicados para o central. Golos obtidos na segunda parte, com Stankovic e Vieri a darem vantagem de dois tentos em outros tantos minutos. Ainda reduziu Aimar mas van der Meyde, Adriano e Júlio Cruz construíram uma folgada e saborosa vitória para os nerazurri.
O carrasco do Benfica voltou a perder, desta feita na recepção ao Werder Bremen. Wilhelmsson adiantou os belgas do Anderlecht mas o croata Klasnic bisou e deu o triunfo ao campeão alemão, que assume pretensões neste Grupo G.
Matreiro o Chelsea, bem à imagem de Mourinho. Com Ricardo Carvalho e Tiago no banco, os londrinos venceram o CSKA de Moscovo por 2-0, com golos obtidos a abrir e a fechar a primeira parte. Marcou primeiro o central John Terry, bola parada está bom de ver, fechou as contas o islandês Gudjohnsen. Acreditam se disser que resultou de um pontapé livre? O Chelsea lidera o Grupo H, só com vitórias.
Grupo E
1º PSV - 6 pontos
2º Arsenal - 5
3º Panathinaikos - 4
4º Rosenborg - 1
Grupo F
1º AC Milan - 9 pontos
2º Barcelona - 6
3º Shaktar - 3
4º Celtic Glasgow - 0
Grupo G
1º Internazionale - 9 pontos
2º Werder Bremen - 6
3º Valência - 3
4º Anderlecht - 0
Grupo H
1º Chelsea - 9 pontos
2º CSKA - 4
3º PSG - 3
4º FC Porto - 1

Foto: BBC Sport
Está bem renhido o Grupo A desta Liga dos Campeões, ainda que hoje o Mónaco tenha ganho uma vantagem interessante. Os monegascos venceram os dois jogos em casa, batendo esta noite o Olympiakos. À semelhança do que acontecera contra o Deportivo, os pupilos de Deschamps marcaram cedo. Aos dez minutos já venciam por dois golos, graças a Saviola e a Chevantón, avançado uruguaio ex-Lecce. Os gregos reduziram na segunda parte, por intermédio de Okkas, mas a reacção da equipa de Rivaldo ficou-se por aí. O Depor conseguiu um empate positivo em Anfield Road, casa de um Liverpool que vinha de uma derrota em Atenas. O nulo final castiga a equipa de Rafa Benítez, que teve sempre o domínio do jogo e dispôs das grandes ocasiões de golo.
Ainda não convence este Real Madrid. A segunda vitória chegou, contudo, na recepção ao Dínamo de Kiev, anterior líder isolado deste Grupo B. Michael Owen estreou-se a marcar pelos merengues e garantiu três importantes pontos para a equipa de Figo, que saiu lesionado ainda no primeiro tempo. Condenada parece a Roma, que averbou a terceira derrota em outros tantos jogos. Apesar disso, até começou a vencer na BayArena, mercê de um auto-golo de Dimitar Berbatov, habituado a alvejar a baliza adversária. Contudo, os alemães de Leverkusen viraram o marcador no segundo tempo, com golos de Roque Júnior e de Krzynowek. Em tempo de compensação, França matou o jogo e as esperanças da equipa de Del Neri nesta Liga dos Campeões.
Importante vitória do Ajax na recepção ao Maccabi de Telavive. Três golos obtidos em meia-hora chegaram para recolocar os holandeses na discussão pelo apuramento, depois de duas derrotas e de um início de Eredivisie (a Superliga lá do sítio) complicado - perderam, inclusive, em casa com o Heerenveen, adversário do Benfica na Taça UEFA. Importante a vitória da Juventus na recepção ao Bayern de Munique. No duelo de líderes do Grupo C, quem venceu foi Pavel Nedved, que conseguiu um bonito e importante golo no último quarto-de-hora.
O Manchester United não foi além de um desolador nulo em Praga, terreno de um ex-red devil que dá pelo nome de Karel Poborsky. Num desafio repartido mas com ascendente para os ingleses, Ronaldo actuou durante os últimos dez minutos e rematou por três ocasiões.
O Grupo D é liderado pelo Olympique de Lyon, que hoje venceu no terreno do Fenerbahçe por 3-1. O conjunto treinado por Paul LeGuen, e que foi eliminado da última Champions pelo FC Porto, marcou por Juninho Pernambucano no início do segundo tempo e dilatou a vantagem por Cris. Márcio Nobre reduziu para os turcos mas Frau dissipou todas as dúvidas perto do final.
Grupo A
1º Mónaco - 6 pontos
2º Olympiakos - 4
3º Liverpool - 4
4º Deportivo - 2
Grupo B
1º Dínamo Kiev - 6 pontos
2º Bayer Leverkusen - 6
3º Real Madrid - 6
4º AS Roma - 0
Grupo C
1º Juventus - 9 pontos
2º Bayern de Munique - 6
3º Ajax - 3
4º Maccabi Telavive - 0
Grupo D
1º Olympique Lyon - 7 pontos
2º Manchester United - 5
3º Fenerbahçe - 3
4º Sparta Praga - 1

O árbitro italiano Pierluigi Collina foi nomeado pela Uefa para dirigir o encontro entre o PSG e o FCPorto, a contar para a terceira jornada da Liga dos Campeões. O jogo da próxima Quarta-Feira, fundamental para as aspirações portistas no grupo H da competição, fica assim com uma "estrela" a controlar os casos do jogo e a evitar polémicas em torno da arbitragem. Será?
Para o outro jogo do grupo H, que coloca frente-a-frente CSKA e Chelsea, foi nomeado o eslovaco Lubos Michel.

Foto: UEFA
Um Arsenal demolidor mas perdulário saiu ontem de Trondheim com um ponto. Freddie Ljungberg marcou cedo mas Strand apontou um golão, dando o empate aos noruegueses. Reyes desperdiçou muitas ocasiões para marcar e os "gunners" ficam-se pela divisão de pontos.
Vennegoor of Hesselink foi o herói do PSV na recepção aos gregos do Panathinaikos. O holandês marcou a dez minutos do fim, pondo fim à resistência de um Pana à imagem da selecção da Grécia.
Grupo E
1º Arsenal - 4
2º PSV - 3
3º Panathinaikos - 3
4º Rosenborg - 1

Foto: UEFA
O carrasco do Benfica ainda não somou qualquer ponto na Liga dos Campeões. Ontem perdeu na recepção ao Inter de Milão, que venceu tranquilamente por 3-1-. Martins marcou cedo mas Adriano e Stankovic confirmaram o triunfo no recomeço. O melhor que os belgas conseguiram foi o tento de Baseggio, apontando já em descontos.
Reviravolta alemã na partida que opôs Werder Bremen e Valência. Marcou cedo Vicente mas a segunda parte traria golos do campeão germânico. Miroslav Klose, que vinha de um hat-trick, voltou a marcar mas coube ao grego Charisteas o tento da vitória. O homem dos golos decisivos ditou o resultado final a dez minutos do final.
Grupo G
1º Inter - 6
2º Werder Bremen - 3
3º Valência - 3
4º Anderlecht - 0

Foto: UEFA
Os favoritos Barcelona e AC Milan vêm confirmando o estatuto neste Grupo G. Ontem voltaram a vencer e mostraram-se bem mais fortes que os seus adversários. Deco foi fundamental nos blaugrana, tendo marcado pela segunda vez na prova. O luso-brasileiro inaugurou o marcador ante o Shaktar Donetsk, da Ucrânia. Ronaldinho, de grande penalidade, e o inevitável Eto´o fecharam as contas da partida, realizada em Camp Nou.
Mais difícil foi a missão do campeão italiano, que derrotou o Celtic por 3-1 mas só conseguiu os golos decisivos ao cair do pano. Isto apesar do tento madrugador de Shevchenko, anulado por Varga à entrada para o último quarto-de-hora. Pippo Inzaghi e Andrea Pirlo deram, contudo, o triunfo aos milaneses, que contaram com Rui Costa nos últimos minutos.
Grupo F
1º Barcelona - 6
2º AC Milan - 6
3º Celtic - 0
4º Shaktar Donetsk - 0

Foto: UEFA
Confirma-se a intenção do CSKA de Moscovo discutir a passagem à fase seguinte da Liga dos Campeões. Ontem bateram o Paris Saint-Germain, que ainda revela muitas fragilidades e será, ao que tudo indica, o parente pobre do grupo. Golos de Semak e de Vagner Love, este último na conversão de uma grande penalidade, foram suficientes para que os russos despachassem a equipa de Pauleta e Hélder.
Grupo H
1º Chelsea - 6
2º CSKA - 4
3º FC Porto - 1
4º PSG - 0

Foto: BBC Sport
O Depor não foi goleado mas mantém o péssimo início de época. Aproveitou-se disso o Mónaco, que aos dez minutos já vencia por 2-0. Golos do ex-Inter Kallon e de Javier Saviola, magistralmente servidos por Adebayor. O marcador ficaria por aí, sendo que Jorge Andrade pouco pôde fazer para evitar o descalabro espanhol.
O Olympiakos venceu na recepção ao Liverpool. O grego Stoltidis fez o único golo do encontro, respondendo com um cabeceamento certeiro a um livre de Rivaldo, que também esteve perto de marcar.
Grupo A
1º Olympiakos - 4
2º Liverpool - 3
3º Mónaco - 3
4º Deportivo - 1

Foto: UEFA
Golos madrugadores de De Rossi e Cassano puseram em causa a participação do Real Madrid na corrente Liga dos Campeões. O que se seguiria não estava nos planos dos italianos mas o certo é que os merengues viraram o resultado a seu favor, ainda que tenham vivido momentos verdadeiramente aterradores. Os romanos aguentaram-se bem enquanto houve força mas depois começou a vir ao de cima a capacidade individual dos madridistas, com Raúl e Figo em plano de destaque. O avançado parece estar de volta aos golos, ontem apontou dois, o português esteve na totalidade dos tentos espanhóis, apontando inclusive o segundo, na conversão de uma grande penalidade. Roberto Carlos, assobiado na última aparição merengue pelo Santiago Bernabéu, fechou as contas.
Grande jogo do Dínamo de Kiev, que inaugurou o placard na recepção ao Bayer Leverkusen. O brasileiro Diogo Rincón marcou o único golo do primeiro tempo. Os alemães dariam a volta no recomeço, com tentos de Voronin e Nowotny. Os ucranianos conseguiram, contudo, voltar à vantagem. Rincón bisou e viu o romeno Cernat conseguir igual feito.
Grupo B
1º Dínamo Kiev - 6
2º Bayer Leverkusen - 3
3º Real Madrid - 3
4º AS Roma - 0

Foto: UEFA
A Juventus conseguiu uma vitória mais sofrida do que o esperado na recepção ao Maccabi de Telavive. Um golo solitário do italo-argentino Mauro Camoranesi permitiu aos de Turim manter o percurso vitorioso na Champions.
Mais pomposa foi a exibição do Bayern de Munique, que goleou o campeão holandês por 4-0. Os bávaros parecem apostados em vingar a má campanha da edição passada e têm em Roy Makaay a sua arma mais letal. O ex-companheiro de Jorge Andrade na Corunha fez um hat-trick e confirmou a liderança do grupo para a equipa de Felix Magath. Zé Roberto fechou a contagem. O Ajax está em muito má posição para discutir a passagem à fase seguinte.
Grupo C
1º Bayern de Munique - 6
2º Juventus - 6
3º Maccabi Telavive - 0
4º Ajax - 0

Foto: BBC Sport
A alcunha do mítico Old Trafford aplica-se na perfeição à estreia de Wayne Rooney pelo Manchester United. Lesionado desde a partida que opôs a Inglaterra a Portugal, a contar para o Euro´2004, o prodígio de 18 anos voltou ontem aos relvados. E que melhor estreia poderia pedir? Com Ronaldo no banco, o United derrotou o Fenerbahce por 6-2, com o ex-Everton a apontar um hat-trick. Giggs abriu o marcador aos 7´, começando de seguida o "show" Rooney. Principiou por fuzilar as redes turcas após ser lançado em velocidade, bisou na sequência de um lance individual com bomba de fora de área, fechou a conta pessoal já na segunda parte, convertendo um livre directo.
O campeão turco marcara, entretanto, por Márcio Nobre. A ilusão ainda chegou a pairar quando Tuncay reduziu para 4-2 mas Ruud van Nistelrooy e David Bellion encarregaram-se de dissipar qualquer reacção da actual equipa de van Hooijdonk. Mas o jogo ficava mesmo marcado pela épica estreia de Rooney, que ontem viu o seu irmão mais novo assinar pelos "red devils". Irmão de peixe...
No outro jogo do Grupo D, o Lyon venceu em Praga por 2-1. Os da casa ainda inauguraram o marcador mas Essien e Wiltord deram o triunfo à equipa de Paul LeGuen, que empatara com o Manchester United na jornada inaugural.
Grupo D
1º Manchester United - 4
2º Lyon - 4
3º Fenerbahce - 3
4º Sparta de Praga - 0

GRUPO E:
Arsenal (Ing) - PSV Eindhoven (Hol), 1-0
(Alex 41' p.b.)
Panathinaikos (Gre) - Rosenborg (Nor), 2-1
(Gonzalez 43' e 79'; Frode Johnsen 90')
GRUPO F:
Celtic Glasgow (Esc) - FC Barcelona (Esp), 1-3
(Sutton 59'; Deco 20', Giuly 78', Larsson 82')
Shaktior Donetsk (Ucr) - AC Milan (Ita), 0-1
(Seedorf 84')
GRUPO G:
Inter Milão (Ita) - Werder Bremen (Ale), 2-0
(Adriano 34' g.p., 89')
Valência (Esp) - Anderlecht (Bel), 2-0
(Vicente 16', Baraja 45')
GRUPO H:
Paris Saint-Germain (Fra) - Chelsea (Ing), 0-3
(Terry 29', Drogba 45', 76')
FC Porto (Por) - CSKA Moscovo (Rus), 0-0
O melhor do FC Porto:
Giorgios Seitaridis - Ainda não revela os índices físicos desejáveis mas já dá para ver que tem tudo para ser fundamental num FC Porto mais crescido e entrosado. Segunda parte de luxo do defesa grego, que raramente dá baldas na defesa e que tem futebol ofensivo q.b. Se o treinador lhe der liberdade, Giourkas é jogador para fazer todo o flanco, até porque evidencia velocidade, capacidade de jogo e boa leitura das movimentações dos coelgas. A ala-direita foi dele na etapa complementar e foi daí que vieram as grandes aflições para os russos. Num esquema de 4-3-3, foi o lateral-direito o único a dar sentido à expressão "futebol largo".
Vítor Baía - Nada podia fazer para parar as bombas do croata Olic. Muito atento, esteve sempre bem quando chamado a intervir mas passou grande parte do encontro a ver jogar. Mostrou reflexos notáveis quando a sua baliza foi ameaçada.
Jorge Costa - Ainda parece estar à procura de Ricardo Carvalho. As subidas de Pepe no terreno (seja para roubar bolas, seja para transportar jogo e criar desequilíbrios) ainda o deixam um pouco à nora, sobretudo porque nunca foi um jogador de velocidade. Tem de recorrer amiudadas vezes à falta quando não consegue fazer valer a sua presença física. Uma dupla que está a crescer. Não será por aqui, contudo, que o FC Porto pode lamentar dissabores.
Pepe - Procura conciliar as suas características com as de Jorge Costa. É um jogador de movimento, que gosta de procurar a bola. É muito completo em todos os parâmetros mas ainda tem que adaptar-se às características do conjunto.
Areias - Certinho a defender. E por aí ficamos! Não tem o mínimo sentido ofensivo, quase nunca toma a opção certa. Teve dois remates deploráveis. E pensar que Rossato foi preterido...
Costinha - Bom jogo do trinco. Como a dupla Jorge Costa-Pepe ainda não funciona às mil maravilhas, tem tido o descernimento para o ler o jogo e saber quando deve auxiliar o centro da defesa. É frequentemente chamado a fazer as compensações e sabe alertar os companheiros para essa situação, que obriga a re-posicionamentos para que alguém o saiba compensar a ele. Patrão do meio-campo.
Maniche - Com alguns períodos de apagamento mas com uma entrega assinalável. Nunca parou de correr, nunca deixou de tentar dar o muro na mesa. O remate não lhe saiu, os passes chegaram a falhar mas Maniche nunca deixou de batalhar pela vitória. Dele veio a pouca dinâmica que o FC Porto teve e dele deve partir o espírito que os novos têm que assimilar. Tem sentido, ainda assim, a falta de um Deco e de um Pedro Mendes ao lado.
Diego - Tem futebol para dar e vender. Não se adaptou, ainda, ao futebol europeu. Executa bem mas necessita de pensar mais rápido e de fazer rolar o jogo com outra fluidez. Os vícios do futebol brasileiro demoram a curar mas demonstra muita disponibilidade e um toque de bola que não engana: tem mesmo tudo para ser craque. Um melhor entrosamento com Maniche e um maior aproveitamento do passe longo também são desejáveis.
Carlos Alberto - Colocar o brasileiro a extremo é matar o futebol. Mourinho dava-lhe total liberdade para vaguear entre as posições de médio-interior e de segundo avançado, Fernández cola-o a uma linha, limita-o. Carlos Alberto precisa de espaço para se mostrar e o FC Porto precisa que ele possa pôr em campo todas as suas virtudes.
Ricardo Quaresma - Me against the world. Teve um único apontamento em todo o jogo, quando ganhou a linha e ofereceu o golo à cabeça de Postiga. Tudo o resto foi um mar de equívocos, uma montanha de egoísmo, uma infinta crença nas suas capacidades, uma fatalidade que o obriga a encarar cada lance como uma luta pessoal contra um batalhão. Sem espírito de grupo não vai a lado nenhum. Voltou a revelar o seu mau feitio no momento da substituição. Tem imenso talento mas parece preferir conduzir a carreira em outro sentido.
Postiga - Foi o miúdo que deliciou as Antas em anos anteriores. Mexido, irreverente, voluntarioso. Deu ao conjunto aquilo que McCarthy não tem dado. Sem ter sido um primor, teve as melhores ocasiões e lutou muito pelo colectivo. Não pode, isso é certo, falhar oportunidades tão flagrantes como aquelas de que dispôs.
Luís Fabiano - Não jogou muito tempo mas entrou cheio de vontade e deixou pormenores interessantes. Tem presença na área, discute a bola com os defesas, sabe procurar jogo atrás. A confirmar...
Hugo Leal - Porque não entrou mais cedo? Ainda não tem ritmo competitivo mas também evidencia disponibilidade. Qualidade de passe e visão de jogo são outros predicados de um médio que pode obrigar Fernández a voltar no 4-4-2.
McCarthy - Pouco tempo em campo mas podia ter marcado em dois lances.

O FC Porto consentiu hoje um desolador empate na recepção ao CSKA de Moscovo, campeão russo. Ao 4º jogo da época, para uma 4ª competição, os portistas continuam a desiludir e a adiar o regresso ao bom futebol. Hoje, perante um conjunto bem estruturado e com rotinas de jogo adquiridas, os detentores do troféu voltaram a exibir fragilidades na construção de jogo e na recuperação das segundas bolas e passaram grande parte do encontro a perceber as nuances do 4-3-3.
De facto, tudo se complica quando um esquema baseado em extremos utiliza um típico médio criativo e não favorece as subidas dos laterais. Assim sendo, e com um Quaresma novamente egoísta e desinspirado, os portistas deram 45 minutos ao adversário, sem fluidez no jogo a meio-campo, sem largura que permitisse assustar o organizado reduto defensivo moscovita. As tarefas de construção de jogo ficavam reduzidas a Maniche e Diego, claramente tolhidos pelas marcações impostas pelos russos. Sem circulação de bola, o FC Porto vivia de rasgos para assustar Akinfeev. Nesse particular, Postiga foi sempre o homem em evidência, ainda que tenha acertado em todos os destinos excepto no golo. Contudo, o ex-Tottenham trouxe aquilo que ainda não se viu em McCarthy: movimento, procura da bola, espontaneidade.
Depois de uma primeira metade sofrível, os portistas voltaram com outra organização e com Seitaridis envolvido nas manobras ofensivas, o que alargou bastante o jogo, até porque Quaresma já estava na esquerda. Contudo, faltava quase sempre o último passe ou o remate certeiro. Fernández, esse, assistia ao jogo de pé e a dar indicações mas era lento a perceber as razões do encravar do futebol portista e perdia o timing para as substituições. O FC Porto ganhou, claramente, com as entradas de Luís Fabiano e Hugo Leal.
Do outro lado, Ivica Olic era o homem em evidência. Já ameaçara na primeira parte mas foi na etapa complementar, e na mesma jogada curiosamente, que arrancou duas bolas aos ferros de um Vítor Baía impotente mas que reagiu bem sempre que chamado a intervir. Os moscovitas assumem-se como candidatos à passagem. Têm um lote de bons jogadores e uma cultura táctica assinalável, sendo de louvar os desdobramentos do 4-4-2 defensivo para o 3-5-2 ofensivo, assente na subida do defesa-direito e na acção do lateral-esquerdo, ele próprio um central de raíz, que se juntava a Ignaschevich e Semberas. Aldonin é óptimo na marcação e Jarosik sabe dar rumo ao futebol de ataque. Ainda assim, um FC Porto mais rotinado saberia optimizar as transições, quase sempre emperradas pela ausência de opções que permitissem alargar o jogo.
Empate desolador no final, lamentando-se as muitas perdidas dos avançados portistas. A próxima jornada disputa-se, para os dragões, em Stamford Bridge. A Liga dos Campeões 2004/2005 começa como a edição anterior: com um empate.

Tem hoje início a versão 2004/2005 da UEFA Champions League. O objectivo passa por roubar o troféu conquistado pelo FC Porto a 26 de Maio deste ano. Para esta noite estão aprazados os encontros dos grupos E, F, G e H. O actual campeão europeu é o único representante português em prova, dado que o Benfica voltou a desperdiçar a oportunidade de integrar o lote dos melhores da Europa.
Para o Grupo E jogam-se o Arsenal-PSV Eidhoven e o Panathinaikos-Rosenborg. Os "gunners" são claramente favoritos na luta pelo primeiro lugar mas prevê-se uma enorme rivalidade para encontrar quem avança para a fase seguinte.
Mais imprevísivel parece o Grupo F. Hoje disputam-se o Celtic-Barcelona e o Shaktar Donetsk-AC Milan. Larsson regressa a Celtic Park, onde jogou durante 7 temporadas, mas até pode começar a partida do banco, em virtude de um toque sofrido na recepção ao Sevilha, sábado passado. Ronaldinho vai jogar de início num terreno onde ninguém vence há 17 encontros. As equipas reencontram-se depois do duelo na Taça UEFA da temporada passada. Na altura o Celtic foi superior, vencendo em casa por 1-0 e alcançando um nulo em Camp Nou. O Milan também tem uma saída difícil, ao terreno do Shaktar, clube ucraniano que jogou com o Boavista há alguns anos. O grande rival do antigo clube de Schevchenko pode ser o outsider do grupo mas tem um lote apreciável de jogadores e nunca se sabe muito bem o que pode vir do Leste.
Igualmente disputado deve ser o Grupo G. Hoje o Valência recebe o Anderlecht, carrasco do Benfica na 3ª pré-eliminatória. Os campeões de Espanha e vencedores da Taça UEFA são favoritos mas também é preciso contar com Inter e Werder Bremen. O campeão alemão desloca-se hoje ao Guiseppe Meazza.
O Grupo H é o do campeão europeu. O FC Porto mede hoje forças com o CSKA de Moscovo, que tem um excelente plantel, ao passo que o Chelsea de Mourinho, Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho, Tiago e... Abramovich joga no Parque dos Príncipes, ante um PSG que ainda não ganhou em 2004/2005!