
Sofrer, mais por culpa própria do que por mérito de uma Naval sobrevalorizada após o triunfo em Guimarães. Com uma exibição muito mais conseguida comparativamente com a da jornada transacta, o FC Porto auto-flagelou-se numa noite em que foi tremendamente superior ao conjunto de Manuel Cajuda. Muito interessante ao nível dos processos ofensivos e das alternativas atacantes que consegue colocar ao seu dispor, a turma de Adriaanse peca muito no que a defender diz respeito. Lacuna óbvia e que pode trazer muitos dissabores aos portistas. Tivesse o dragão uma defesa à altura dos restantes sectores e ali estava um forte candidato a fazer mossa. Por onde quer que passasse...
Tácticas
Muito interessante do meio-campo para a frente, o FC Porto mostrou na Figueira da Foz que tem muitos recursos para jogar um bom futebol e marcar golos. Tacticamente, Co Adriaanse não mexeu. Torna-se claro que o técnico holandês tem um esquema, variando apenas nos nomes dos jogadores. Com Meireles impedido, lançou o outro 6 de que dispõe: Ibson. Atrás, ainda sem laterais-esquerdos de origem, voltou a apostar em César Peixoto. Numa Liga patrocinada pela betandwin.com, o treinador portista ganhou claramente no palpite. De resto, tudo igual comparativamente à recepção ao Estrela.
Manuel Cajuda, por seu turno, encarava este jogo com a confiança de quem entra a ganhar em ano de estreia, mas também com a tranquilidade de quem não tem quaisquer responsabilidades. Sem três peças, o algarvio tentou montar um esquema de contra-ataque, com jogadores rápidos e bons a executar. Frente à baliza de Taborda estava o autocarro, que nem esboçava qualquer temor face a prováveis amolgadelas. Fajardo e Saulo eram a esperança no desenvolvimento de ataques rápidos, com Bruno Fogaça a centrar as atenções no capítulo do golo. O estreante Márcio Luiz ajudava os trabalhadores Glauber e Gilmar, com ordens claras para não deixar passar.
Falta marcar
O FC Porto assumiu desde cedo o jogo. Co Adriaanse tinha-o anunciado e Cajuda consentiu, ciente de que não o poderia evitar. Rápido a fazer circular a bola e com extraordinárias soluções a toda a largura do terreno, o conjunto da Invicta lamentava apenas a ausência de um homem de área, que Postiga não pode ser. Com Lisandro a trabalhar muito bem e Diego a assumir o encontro, o FC Porto jogava muito perto da baliza de Taborda e criava constantes jogadas de perigo, fosse em jogo corrida, fosse de bola parada. Nesta toada, só espanta mesmo que o golo do dragão tenha tardado tanto em chegar. Para além disso, cedo ficou evidente que o fosso entre a linha média (que avança muito) dos portistas e o seu reduto mais recuado é imensa. Um vazio preocupante, tal a incapacidade do quarteto defensivo no cumprimento da sua missão. Com César Peixoto e Sonkaya a darem ainda mais largura ao ataque, esse vale cavou-se ainda mais. Curiosamente, seria mesmo o esquerdino, já em compensações da etapa inaugural, a dar mais do que merecida vantagem ao FC Porto. De bola parada, acrescento, juntando-lhe o insólito de o agora defesa ter ido à pequena-área cabecear para o fundo das redes de Taborda um canto de Jorginho.
Toca o mesmo
Insólito não será propriamente o termo, uma vez que Peixoto repetiu a gracinha no segundo tempo. A fotocópia dificilmente saíria tão perfeita e o vencedor do encontro parecia encontrado. E estaria, não fosse o benemérito Ricardo Costa tentar sair a jogar por entre uma muralha de pernas navalistas. Resultado: perda de bola e golo de Fogaça, um minuto depois do bis de Peixoto. Sem nada que o justificasse, a turma local marcava e colocava incerteza no resultado, obrigando a turma de Adriaanse a horas extra. Ora, parece que o holandês está com sorte ao jogo. Não sabemos se aconselhado pelo tutorial betandwin.com, o técnico voltou a apostar bem. O FC Porto estava claramente por cima, mas a inclusão de Quaresma e de Hugo Almeida revelou-se certeira. O extremo, que se estreou com o novo mister, cruzou bem, aparecendo Jorginho a servir Hugo Almeida para o tiro rumo às redes navalistas. Para o internacional português, está ultrapassado o trauma do primeiro golo pelos portistas.
Epílogo
Complicar era o termo e, não contente com a proeza, César Peixoto lá marcou mais um. Novamente de bola parada, mas, desta feita, na própria baliza. Um lance muito infeliz da defesa portista, que sofreu até final para garantir um triunfo que mereceu amplamente. Ainda longe do auge, este conjunto é já um caso muito interessante de futebol de ataque. No primeiro teste fora de portas, Adriaanse mostrou que lhe é indiferente o terreno onde joga. Com ele, o FC Porto é sempre favorito e joga sempre para ganhar o jogo. E isso implica atacar mais, rematar mais, ganhar mais cantos... ser melhor! Hoje, com uma evidência que os números não explicam, os portistas conseguiram sê-lo. Até daqui a duas semanas.
Ricardo Costa, o Amador - Sair a jogar em zona defensiva e perante uma muralha de pernas é de distrital. Na Liga, dá golo ao adversário. Esse foi o ponto negro mais visível da exibição do central, mas há muitos outros lances que revelam a sua falta de classe. Finalmente no centro da defesa, Ricardo Costa não tem desculpas. Não é, de facto, um jogador com nível de FC Porto. Péssimo ao nível técnico, mau a calcular os tempos e os ressaltos de bola, débil a posicionar-se.
Diego, o Mártir - Bom jogo. Revela facilidade em jogar para a frente, em carregar o futebol da sua equipa. Sem individualismos exarcebados, todavia, parecendo ciente do momento em que deve avançar e do momento em que deve soltar a bola. Continua, ainda assim, e ser um alvo a abater. Tanta porrada leva o brasileiro.
Lisandro, o Completo - Muito bom tecnicamente, aparece em qualquer zona do ataque, tem velocidade e sabe arriscar nos lances individuais, sem os tornar rendilhar além do desejável. Luta imenso, ganha muitas bolas e uma garantia de entrega nos limites.
César Peixoto, o Ás - Quase dá para esquecer o auto-golo. Revelou instinto de ponta-de-lança nos dois golos que introduziu na baliza certa. Não tão bem a defender, dá grande largura ao ataque. Falta acertar um ou outro cruzamento. Foi decisivo, pelos golos...
Estádio Municipal José Bento Pessoa
Arbitro: Lucílio Baptista
NAVAL - Taborda; Carlitos, João Paulo, Nélson Veiga e Bessa; Gilmar e Glauber (Luís Miguel, 54 m); Saulo (Léo Guerra, 62 m), Fajardo e Márcio Luís (Solimar, 74 m); Bruno Fogaça.
FC PORTO - Vítor Baía; Sonkaya, Ricardo Costa Pedro, Emanuel e César Peixoto; Ibson e Lucho González; Diego (Alan, 84 m); Jorginho, Hélder Postiga (Hugo Almeida, 68 m) e Lisandro López (Quaresma, 77 m).
Golos: 0-1, César Peixoto (45 m); 0-2, César Peixoto (52 m); 1-2, Bruno Fogaça (56 m); 1-3, Hugo Almeida (82 m); 2-3, César Peixoto (85 m, pb).
Acção disciplinar: cartão amarelo a Pedro Emanuel, Carlitos, Márcio Luiz, Nélson Veiga.

Foto: Reuters
Ganhar no Dragão. Parece coisa banal, mas revelou-se tarefa hercúlea durante a última época. Verdade seja dita, hoje não foi muito mais fácil, ainda que o adversário fosse um recém-promovido. Teorias à parte, a verdade é que Adriaanse se estreou com algo que nem Fernández nem Couceiro lograram: uma vitória na apresentação oficial à massa adepta portista. Exposto assim, de forma crua, parece um enorme feito, de tal forma que nem a escassez do resultado nem a mediania da exibição serviram para disfarçar o rosto feliz do adepto azul e branco. Vencer é uma palavra que o FC Porto aprendeu a valorizar durante o último ano, mas não será termo suficiente com o avançar da época. Para além dos três pontos, exige-se bom futebol. Hoje houve cheirinho, mas Adriaanse tem que ir muito mais longe...
Com um esquema esperado, o FC Porto defrontou um Estrela que vinha ao Dragão com um único objectivo: não perder. Ciente da metáfora da manta, o conjunto da Reboleira cedo se apercebeu que não era possível cobrir os pés. Todavia, foi mais longe: dobrou o retalho para reforçar a cobertura da cabeça, até porque o ar do Dragão aconselha a bons agasalhos.
Num período ainda precoce da temporada, o FC Porto teve dificuldade em se libertar, em se expressar. Limitado pela obrigação de vencer, demorou a assumir o jogo e a fazer valer a sua lei, a lei do mais forte. Nesse plano, Diego (o 10) esteve bem melhor do que todos os restantes companheiros, ainda que a espaços tenha tido bom acompanhamento dos alas.
No centro do ataque, Postiga foi presença confrangedora. Sem jogar bem, insiste-se, o FC Porto teria feito o bastante para, com um pouco mais de sorte e muito menos de Bruno Vale, ter chegado ao intervalo em vantagem.
Com o avançar dos minutos, a ansiedade podia tolher os movimentos do dragão, mas o certo é que o golo pairava sobre a baliza do Estrela. Mesmo sem consistência, mesmo sem rasgo, mesmo sem o entrosamento que a pré-época revelou, amiúde. Todavia, com Diego.
Foi num canto que o FC Porto chegou ao golo, com Ricardo Costa a encostar após um cabeceamento à trave. Suspirou-se de alívio e pediu-se um bocadinho de manta ao Estrela, que a emprestou de bom grado. É verdade que a gestão portista nem sempre foi perfeita mas também é verdade que a turma visitante revelou dificuldades em ver ao perto, habituada que estava aos binóculos, única forma que teve, até então, de ver a baliza de Vítor Baía.
Assim, foi mesmo o conjunto de Adriaanse a dispor das melhores oportunidades para fechar a contagem. Todavia, nem Postiga (por duas vezes) nem Hugo Almeida mostraram ser o avançado que a equipa procura. Faltando em exibição, garantiu-se em pontos aquilo que escasseou durante o último ano: ganhar em casa.
Adriaanse está, pois, de parabéns. Desde que saiba que não lhe basta vencer e que a fome de bom futebol continua por sacear (e ele sabe-o). Sem querer ser demasiado, só mais um pedido: dá para arranjar uma defesa?

Foto: Associated Press
Adeptos apaixonados na apresentação do FC Porto de Adriaanse. Diz-se que só há uma oportunidade para criar uma boa primeira impressão e o técnico holandês conseguiu-o na estreia ante a massa adepta portista. Perante um Espanyol que lutou pelo acesso à Liga dos Campeões na última temporada do futebol espanhol, o FC Porto mostrou que tem muito futebol de ataque. Jorginho e os argentinos são quem mais ordena, sendo que o brasileiro marcou por duas vezes. Antes do segundo do ex-Setúbal, o suplente Diego perdeu uma grande penalidade, não sendo por acaso que Kameni é conhecido em Espanha como o "parapenaltis". Todavia, o 2-0 não tardou e até Lucho González rematou a contar, naquela que foi a estreia do argentino a facturar com a camisola portista.

O FC Porto perdeu em White Hart Lane por 2-0. Com Vítor Baía na baliza, o vice-campeão português dominou mas revelou dificuldades em finalizar, sendo que o Tottenham assumiu o jogo na meia-hora final. Co Adriaanse mexeu no esquema com a entrada de Pepe (passaram a ser três centrais) e disso se aproveitaram os spurs, que marcaram no quarto-de-hora final por Jermain Defoe.
O FC Porto alinhou de início com Vítor Baía; Sonkaya, Pedro Emanuel, Ricardo Costa e Leandro; Raúl Meireles, Lucho González e Postiga; Jorginho, Lisandro López e McCarthy

Castigador! O FC Porto podia e devia ter ganho o Torneio de Amesterdão. Porque evidenciou qualidade na circulação de bola, porque tem princípios assimilados relativamente à organização do seu futebol ofensivo, porque já tem facilidade em criar situações de golo. Todavia, Adriaanse não tem um sector defensivo tão capaz quanto o "seis" mais avançado, não estando eu em crer que tal venha a ser equilibrado com o avançar da competição. O problema da defesa do dragão está na qualidade individual, que segue a anos-luz do futebol que o meio-campo e o ataque consegue patentear.
Tácticas
O FC Porto apresentou de início o onze que havia jogado dois dias antes. Uma única alteração, conforme o previsto e anunciado. Vítor Baía recuperava o lugar na baliza, naquele que era o teste decisivo antes da deslocação a White Hart Lane e do anúncio do guarda-redes titular do dragão de Co Adriaanse. Na defesa, tudo na mesma. Sonkaya à direita, Ricardo Costa e Pedro Emanuel ao centro e Leandro (que nem treinara ontem) manteve a posição na esquerda. Ao miolo, Raúl Meireles actuava mais pela direita, sendo que González ocupava a meia-esquerda e Postiga cobria a posição dez. Na prática, o segundo aproximava-se de Meireles em situação defensiva e abria para redutos próximos do extremo-esquerdo quando a bola pertencia aos dragões. Nas alas mantinham-se Lisandro e Jorginho, que alternavam frequentemente, como é praxe na posição de extremo. Benni McCarthy era o ponta-de-lança.
No Arsenal, o típico 4-4-2 sem rigidez no posicionamento e nas movimentações. Do meio-campo para a frente, Hleb surgia mais à esquerda, Bentley pela direita e sempre muito desapoiado por Pires, que se juntava mais ao bielorusso. Flamini fazia de Vieira, Reyes e Henry eram os avançados. Wenger trocou, ao intervalo, o espanhol por Bergkamp e substituiu o ex-Norwich pelo sueco Ljungberg.
Primeira Parte
Foi claramente o melhor período dos portistas, não se sabendo se esta realidade é causa e/ou consequência do menor rendimentos dos "gunners". Certo é que o FC Porto cedo tomou conta do encontro, fazendo valer uma maior rapidez sobre a bola, um posicionamento muito rigoroso e um sentido colectivo inatacável. Raúl Meireles era o pêndulo do bom futbol da turma de Adriaanse, sendo o melhor a destruir e o melhor a lançar o ataque. Fluído, o futebol azul e branco jogava-se sobre a relva, com sectores bastante juntos e linhas de passe permanentemente abertas. Porém, aí ainda mais longe. Para além da segurança no passe curto, o FC Porto revelava acerto nas desmarcações, o que, aliado à disponibilidade física e à boa disposição táctica, favorecia o passe longo, fosse na variação de flanco, fosse no aproveitamento das costas da defesa do Arsenal.
Com efeito, foi um futebol de qualidade aquele a que se assistiu no primeiro tempo. Daí resulta uma mão cheia (erro por defeito) de lances de golo, tendo-se apenas concluído um. Raúl Meireles, sobre a esquerda, leu bem o posicionamento de Jorginho à direita e fez o tal passe longo que acima se descreve. Bom na recepção e no cruzamento, o ex-Setúbal soltou uma daquelas bolas que só pede um toque para golo. Benni não chegou mas, ao segundo poste, "Licha" fez 1-0. Tudo certo, num lance esteticamente muito agradável e que denuncia o bom trabalho de um médio, de um extremo, do avançado (que surgiu ao primeiro poste, arrastando a defesa contrária) e do outro extremo, que buscou o poste contrário para a emenda final. Uma delícia e a jogada mais bonita de todo o encontro.
Segunda Parte
Apesar do descalabro, nem tudo foi diferente na etapa complementar. Ainda assim, as mexidas de Wenger puseram a nu as fragilidades deste FC Porto e o seu grande calcanhar de Aquiles. Ljungberg e Bergkamp trouxeram a irreverência e o pensar colectivo que, respectivamente, Bentley e Reyes não haviam demonstrado. Isso foi o bastante para provar que a defensiva azul e branca não ter os recursos que o resto dos sectores têm. Claro que a prestação sem bola de um conjunto funciona como a Teoria da Gestalt - há que ter em conta o todo. Aí, pode-se invocar até o desgaste físico inerente a um conjunto que está no início dos trabalhos e que fazia o segundo jogo em dois dias. Todavia, essa desculpa é demasiado curta para o mau preenchimento de espaços que o último reduto portista denotou no segundo tempo e para a passividade defensiva, sobretudo do quarteto mais recuado. Disso se aproveitou Ljungberg, que igualou após uma oferta de Ricardo Costa (corte muito ingénuo), fechando o marcador em novo lance pautado pela permissividade da defesa.
Ainda assim, e sendo notória essa debilidade, o futebol portista continuava a criar situações de finalização, ainda que vivesse já mais de lances directos ou da inspiração individual.
O FC Porto podia e devia ter ganho Torneio de Amesterdão. Mostrou qualidade de jogo para tal mas foi penalizado pela ingenuidade defensiva ainda patente e que, perdoem-me a honestidade, se deve menos à precoce fase da temporada do que à qualidade das opções para esses postos específicos. Antes agora, concordará o staff técnico dos dragões. Co Adriaanse tem motivos para sorrir, pois parece ter imposto um modelo de jogo e um estilo que favorece a posse de bola, o pressing e a fácil circulação do esférico, tendo como objectivo o golo. Muitas oportunidades criou o FC Porto nos últimos dois dias.
Os Jogadores
Vítor Baía evitou alguns golos e não tem culpas nos que sofreu. Sonkaya atacou relativamente bem mas perdeu algumas bolas proibitivas e deixou fugir Henry por um bom par de ocasiões. Ricardo Costa esteve muito mal no lance do primeiro golo, sendo que Pedro Emanuel também não fez uma exibição muito feliz. Leandro atacou pouco e foi permissivo no segundo golo. Meireles foi o melhor do FC Porto e justificou a injustiça que é a colocação de Ibson no banco de suplentes. Lucho revelou imensa qualidade no passe mas esteve discreto, perdendo fulgor, ao passo que Postiga também esteve uns furos abaixo do desejado, sendo ainda assim na eficaz circulação de bola. Lisandro não esteve tão bem quanto Jorginho, apesar do golo, sendo que o ex-Setúbal esteve bem tanto no plano colectivo quanto no individual (muito inspirado). Benni é o mesmo do ano passado - trabalha pouco. Hugo Almeida não pode perder tantos golos, Ivanildo esteve excelente durante o pouco tempo em que actuou, Paulo Assunção teve dois péssimos passes e um remate fraco, Pepe cumpriu, Sokota viu-se pouco.

Foto: Associated Press
Que bela estreia e que belo teste para o FC Porto de Co Adriaanse. Vitória por 2-0 frente ao Boca Juniors, com uma exibição conseguida e indicadores muito positivos. Lisandro López foi um deles mas Sonkaya também desmentiu quem afirmava que não o turco não sabe centrar. Dominador, o conjunto português criou várias situações de finalização e adiantou-se a meio do primeiro tempo. Hélder Postiga, com felicidade e um ressalto em Lucho González, abriu o marcador ante o histórico emblema de Maradona. Com Hélton na baliza, o onze português manteve o controlo mas só matou o desafio perto do final. Centro de Sonkaya, Hugo Almeida amorteceu e Jorginho encostou para o fundo das redes do Boca. Estava feito, venha o Arsenal (ganhou ao Ajax por 1-0, golo de Lupoli aos 87´).

Foto: UEFA
Na lista de convocados por Co-Adriaanse para o Torneio de Amesterdão, destaque para as ausências de Jorge Costa e Nuno Valente. Relativamente à convocatória para o jogo frente ao Brugge, apenas uma alteração, com a saída de César Peixoto e a entrada de Sokota. O plantel portista viaja amanhã para a Holanda, onde vai participar no prestigiado torneio de pré-temporada.
Ao que tudo indica, Edgar Davids vai ser jogador do Tottenham. O médio holandês vai desta forma jogar, pela primeira vez, na Premiership. A transferência, a custo zero, deixou bastante satisfeito o técnico Martin Jol, para quem o holandês é um médio de enorme qualidade e que vai trazer experiência a uma equipa bastante jovem como é a londrina. Quem estará, por esta altura, a fazer contas de cabeça será Pedro Mendes, que tem assim mais um concorrente de peso no meio-campo do Tottenham.
Depois da derrota da passada segunda-feira, o Real Madrid conseguiu limpar a má imagem ao vencer o Jubilo Iwata por 3-1. Os merengues começaram bem o encontro com um golo madrugador de Raúl, porém, os nipónicos acabariam por empatar. No entanto, um bis de Ronaldo ditou o resultado final do encontro, numa partida em que Figo entrou aos 46 minutos. Aliás, foi o internacional português quem fez a assistência para o segundo golo de Ronaldo.

Não houve surpresa na festa de apresentação do FC Porto aos sócios. Pelo menos no que diz respeito a novas entradas, já que os dragões apresentaram um novo hino. Interpretado pelos Blind Zero, a música que vai acompanhar a época azul e branca reza assim: "Com a força do dragão/Com a alma desta paixão/Vais lutar/Vais vencer/Vais fazer/ Deste Porto campeão". Seguiu-se a apresentação dos 28 jogadores que compõem o plantel e, com ela, veio a nova numeração. Vários atletas mudaram de camisola, recaíndo os destaques em Hélder Postiga (10), Benni McCarthy (9), Diego (20), Quaresma (7) e Lucho González (8, passando Nuno Valente a ser o 15). Houve depois a tradicional peladinha, com golos de Postiga, Jorginho, Hugo Almeida, Ibson e Quaresma.
Confira a numeração para 2005/2006...
1 Helton
2 Jorge Costa
3 Ricardo Costa
4 Pedro Emanuel
5 Leandro
6 Ibson
7 Quaresma
8 Lucho González
9 McCarthy
10 Hélder Postiga
11 Lisandro
12 Bosingwa
13 Bruno Alves
14 Pepe
15 Nuno Valente
16 Raul Meireles
17 Jorginho
18 Paulo Assunção
19 Sokota
20 Diego
21 César Peixoto
22 Sonkaya
25 Ivanildo
27 Alan
29 Bruno Moraes
31 Paulo Ribeiro
39 Hugo Almeida
99 Vítor Baía
O FC Porto derrotou o Bennekom por 7-0, no segundo encontro amigável realizado em solo holandês. Perante um conjunto amador, Co Adriaanse testou atletas que não tinham sido opção ou tinham jogado pouco na partida frente ao NEC. O FC Porto jogou de início com Hélton; Bosingwa, Bruno Alves, Sandro e Leandro; Raul Meireles, Bomfim e Léo Lima; Alan, Hugo Almeida e Ivanildo. Esse onze não se alterou até ao descanso, tendo a turma portuguesa conseguido três golos nesse período. Leandro do Bomfim foi o primeiro a marcar, convertendo em golo uma grande penalidade cometida sobre Ivanildo. Já perto da meia-hora, Alan estreou-se a facturar com a nova camisola, após centro da esquerda e serviço de Bomfim. Antes do intervalo, Ivanildo fez o melhor golo do encontro ao concluir com um chapéu um lance individual vistoso.
Adriaanse operou mexidas para o segundo tempo, fazendo alinhar Paulo Ribeiro; Ricardo Costa, Paulo Assunção, Pepe e Areias; Ibson e Jorginho; Quaresma, Sokota, Hugo Almeida e César Peixoto. Ricardo Quaresma fez o quarto golo após o recomeço, convertendo a segunda grande penalidade da tarde, desta feita cometida sobre Ibson. Mais golos perto do final, com Pepe a marcar a vinte minutos do termo do encontro. Após canto de César Peixoto, o central alargou a vantagem azul e branca. Não estava ainda feito o resultado final, sendo que Hugo Almeida e Sokota justificaram o enfoque que lhes foi dado antes desta partida. Revelaram entrosamento e trocaram passes para golo em sete minutos. Primeiro foi o português a servir o reforço croata, devolvendo este a gentileza para que o ex-Boavista também entrasse na contabilidade do particular.
Diante de um adversário insignificante, o FC Porto fez um treino com vista à assimilação do esquema e do estilo que Adriaanse quer implementar. Para além disso, esta foi uma oportunidade para quem jogou pouco ou nada diante do NEC. Nota-se clara preferência por um modelo táctico que utilize preferencialmente as alas e a clássica definição do trinco também parece afastada pelo novo treinador. Filosofia de ataque com pressão colectiva em situação de recuperação da posse de bola é a mentalidade que o técnico holandês quer fazer prevalecer nesta temporada.

Co Adriaanse vai entrar com um onze diferente daquele que alinhou frente ao NEC na partida de hoje, diante dos amadores do Bennekom. Este é o segundo teste aos portistas desde que se iniciou o estágio na Holanda e servirá para avaliar um estilo de jogo mais directo e que vise a capacidade de choque e de jogo aéreo do plantel. Assim sendo, Adriaanse quer ver Hugo Almeida e Sokota e deve apostar nesta dupla para o começo do encontro. McCarthy lesionou-se ontem mas o dia ficou marcado pelas repreensões do treinador a Léo Lima e a Ibson. Ambos saíram de orelhas a ferver do apronto matinal mas o ex-Marítimo fez explodir Adriaanse, que berrava junto ao jogador por este se agarrar demasiado à bola e não marcar ninguém em situações defensivas. Ibson foi chamado à atenção por este segundo motivo e o plantel começa a sentir até que ponto pode ir o perfeccionismo do novo treinador. Hoje, a partir das 15 horas portuguesas, há então particular frente aos amadores do Bennekom.

O FC Porto derrotou hoje o NEC por 1-0. Hélder Postiga, a quatro minutos do descanso, fez o único golo da turma portista. Servido por Jorginho, o avançado vila-condense materializou o ascendente da turma de Co Adriaanse, que defrontava o 13º classificado da última edição da Eredivisie holandesa. Neste primeiro particular de noventa minutos, o técnico portista experimentou o 4-3-3 (esquema principal) no primeiro tempo e enveredou pelo 4-4-2 na segunda metade. Foi evidente o melhor funcionamento da táctica predilecta do técnico holandês mas o estágio no país das tulipas ainda guarda mais três oportunidades para averiguar o funcionamento dos modelos tácticos a usar durante a temporada. Individualmente, e para além do golo e da assitência, há que destacar a performance de Postiga e do reforço Jorginho.
O FC Porto alinhou de início com Vítor Baía; Sonkaya, Ricardo Costa, Pepe e Nuno Valente; Paulo Assunção, Lucho González e Jorginho; Lisandro López, César Peixoto e Hélder Postiga. Jogaram ainda Helton, Jorge Costa, Pedro Emanuel, Areias, Ibson, Quaresma, Sokota e McCarthy.

Co Adriaanse, o psicanalista. Aí está o holandês, que chega com promessas de cura de um campeão europeu que acumulou recalcamentos durante nove meses de pulsões não concretizadas ou remetidas para o inconsciente. Comecemos pelas primeiras. Del Neri era o sucessor ideal de Mourinho mas julgou que o bi-campeão nacional e vencedor das duas provas da UEFA tinha sido despedido para dar lugar ao multi-premiado treinador do Verona. Recalcado. Como recalcados foram Pedro Mendes e colegas. Chegou Fernández e com ele todos os desejos inconscientes se concretizaram. McCarthy desatou à cotovelada, Derlei revelou o mau jogador por detrás da ponta do iceberg psíquico e, afinal, nenhum dos mega-craques contratados no defeso eram assim tão bons quanto se dizia.
Nada disto se alterou substancialmente com Couceiro e aí está Co Adriaanse, o homem que vem para exorcizar a libido portista e devolver o que quer que possa restar do espírito do campeão europeu. Vindo do AZ Alkmaar, o novo treinador já começou a reunir com os pacientes em longas sessões ao divã. Brincos, piercings e afins foram definitivamente expulsos e McCarthy também já sabe que mais vale enviar a vontade de sair bem lá para o fundo do psiquismo. Todavia, ainda se aguardam chegadas, sobretudo porque o reduto mais recuado evidencia fragilidades teóricos que se podem revelar muito traumáticas com o decorrer da temporada. Kromkamp ainda não estará descartado mas Pinto da Costa deve ter outros coelhos na cartola para Adriaanse.
Lucho González é a grande contratação deste defeso e parece ser o garante do regresso da qualidade ao miolo do FC Porto. Com Ibson ao nível daquilo que exibiu em meia-época e com Diego a dar continuidade à evolução registada nas jornadas finais, o vice-campeão pode revelar-se uma equipa temível. Resta aguardar pela capacidade concretizadora dos avançados e que a juventude que constitui o plantel se possa afirmar. Talentos são, neste conjunto, como os chapéus. Há muitos! Desde Quaresma, passando por Postiga, Bruno Moraes ou Ivanildo. Sem optimismos exacerbados, a época começa com uma exigência – bom futebol, golos e, sobretudo, o título nacional. Tem a palavra Co Adriaanse, o psicanalista.
Plantel 2005/2006
Guarda-redes
Vítor Baía
Hélton (ex-União de Leiria)
Paulo Ribeiro (ex-Vitória de Setúbal)
Defesas
Fatih Sonkaya (ex-Besiktas) - lateral direito
Jorge Costa - defesa central
Pedro Emanuel - defesa central
Ricardo Costa - defesa central
Bruno Alves (ex-AEK Atenas) - defesa central
Pepe - defesa central
Nuno Valente - lateral esquerdo
Leandro - lateral esquerdo
Areias - lateral esquerdo
Médios
Sandro (ex-Vitória de Setúbal) - médio defensivo
José Bosingwa - médio defensivo
Raul Meireles - médio defensivo
Paulo Assunção (ex-AEK Atenas) - médio defensivo/interior
Ibson - médio interior
Luis 'Lucho' González (ex-River Plate) - médio interior/ala direito
Leandro do Bomfim - médio ofensivo
Diego - médio ofensivo
Leo Lima - médio ofensivo
Anderson (ex-Grémio) - médio ofensivo/extremo esquerdo
Jorginho (ex-Vitória de Setúbal) - médio ofensivo/avançado
Avançados
Ricardo Quaresma - extremo direito
Alan (ex-Marítimo) - extremo direito/esquerdo
César Peixoto (ex-Vitória de Guimarães) - extremo esquerdo
Ivanildo - extremo esquerdo
Benni McCarthy - avançado
Hélder Postiga - avançado
Tomislav Sokota (ex-Benfica) - avançado
Hugo Almeida (ex-Boavista) - avançado
Lisando López (ex-Racing Avellaneda) - avançado
Bruno Moraes (ex-Vitória de Setúbal) - avançado
Em aberto:
# Jan Kromkamp, apesar da aquisição de Fatih Sonkaya, continua a ser pretendido para reforçar o lado direito da defesa.
# Existe ainda a hipótese de ser contratado um extremo-esquerdo.
# Emagrecimento do plantel para 25 elementos.
# Anderson pode ser inscrito apenas em Janeiro. O jovem de 17 anos continua ligado ao Grémio mas há total entendimento entre as partes. Todavia, o jogador só pode ser inscrito se viajar com o encarregado de educação (a mãe) e o processo de contratação deste por uma empresa portuguesa é demorado, facto que pode adiar a chegada do atleta, que vai representar a selecção sub-17 brasileira até Outubro.
Saídas:
José Couceiro (treinador), Nuno Espírito Santo (Dinamo Moscovo), Bruno Vale (Estrela Amadora), Seitaridis (Dinamo Moscovo), Costinha (Dinamo Moscovo), Paulo Machado (Estrela Amadora), Maniche (Dinamo Moscovo), Cláudio Pitbull (Al Ittihad, Luis Fabiano (Sevilha).
+ Hugo Leal, Marco Ferreira, Maciel (União Leiria), Jankauskas.
Equipa Técnica 2005/2006
Co Adriaanse (treinador principal)
Jan Riekerink (treinador assistente)
Rui Barros (treinador assistente)
Wil Coort (treinador de guarda-redes)
Orçamento/Objectivos 2005/2006
Aproximadamente 40 milhões de euros / Vencer SuperLiga, Taça de Portugal e alcançar os melhores resultados possíveis na Champions League.
As palavras do técnico:

'É sempre difícil começar, porque são os primeiros passos, mas creio que correu tudo bem. Já estamos a estudar português para que a comunicação seja cada vez melhor. Apesar dos jogadores perceberem inglês, é importante para nós conhecer a língua e a cultura portuguesa. Nos próximos dias é importante que os jogadores percebam o que pretendemos e também que consigamos ter uma ideia clara das qualidades de cada um.'
'Estou muito contente com a qualidade das infra-estruturas. O Centro de Treinos é dos melhores que se pode encontrar na Europa.'
'Foi uma maneira de as pessoas tomarem o primeiro contacto umas com as outras e do treinador expor as suas ideias, métodos e tudo aquilo que pretende fazer ao longo da época.'
'Não pode ter sido por causa do regulamento, já que ainda não o receberam, mas talvez por terem percebido como deve ser um profissional de futebol.'
'O ambiente desta equipa é espectacular e todos me receberam de forma exemplar. Quando um atleta vem para o FC Porto espera sempre encontrar algo enorme e foi precisamente isso que aconteceu. O clube é de facto enorme!'
'Um telefonema foi suficiente para me decidir a representar o F.C. Porto, que faz parte dos clubes de topo, onde se incluem nomes como o Barcelona, Real Madrid, Manchester ou AC Milan. Fiquei um pouco surpreendido com o contacto, pois a temporada já está a começar, mas fiquei muito contente com esta oportunidade.'
'Sei que também depende muito de mim, mas estou à vontade porque acredito no meu trabalho. Acima de tudo, acho que chegou a altura de ficar no FC Porto.'
'As expectativas para esta temporada são as melhores e a ambição é tremenda. O treinador é uma pessoa de diálogo, que aprecia a disciplina e que, tal como nós, está determinado a vencer.'
'Agora, estou mais maduro. A experiência na Grécia foi muito boa e aprendi muito com o ‘mister’ Fernando Santos.'
'As expectativas são elevadas quando se chega a um clube como o FC Porto e quero trabalhar para estar à altura das exigências.'
'Estou feliz por estar no FC Porto e agora quero terminar o período de adaptação. A integração foi boa e fomos todos muito bem tratados. A impressão do técnico também foi muito boa. Apesar de ainda estarmos num período de conhecimento, a impressão com que fiquei deste primeiro dia foi excelente.'
'Se tivesse um por cento de Ronaldinho já seria feliz. Tenho tudo para ser um grande jogador profissional.'
'Fui muito bem recebido. É gratificante chegar a um clube como o FC Porto. Agora tenho de trabalhar muito bem para que tudo dê certo. O nosso espírito já é muito bom e, claro, só pode melhorar daqui para diante.'
'Estou tranquilo, porque renovei contrato e, se o fiz, foi com a intenção de jogar no FC Porto. Foi bom ser emprestado, porque precisava de jogar. Fiz uma boa época, mas agora quero ajudar o FC Porto.'
'Espero o melhor e tenho as melhores expectativas. Vou trabalhar forte, quer nos jogos quer nos treinos, para que tudo corra pelo melhor. Espero também começar a ganhar títulos.'
'Fui muito bem recebido por todos os jogadores do plantel e só posso dizer que me sinto como amigo ou mesmo como familiar de todos eles. Espero desenvolver um bom trabalho para me integrar bem no grupo e na equipa e ajudar o FC Porto a conquistar muitos títulos.'
Com Terceiro Anel

A Marca volta hoje a dar como provável o ingresso do lateral Jan Kromkamp no plantel do Valência. Segundo o diário de Madrid, o jogador do AZ fecha o plantel de Quique Flores mas ainda falta acertar o valor definitivo da transferência. Oito milhões de euros é a verba estimada pela Marca para fechar o negócio com o lateral que Co Adriaanse quer ver no FC Porto. Aliás, a imprensa portuguesa refere que o jogador vai mesmo deixar a Holanda, estando ainda num impasse para escolher entre o vice-campeão português e o ex-campeão espanhol. Dois trunfos podem favorecer o conjunto do Dragão - o facto de Kromkamp conhecer Co Adriaanse, que está também a fazer grande pressão para que o jovem integre o plantel portista; o facto de o Valência, contrariamente aos portugueses, não participar na próxima edição da Liga dos Campeões. Kromkamp não esteve ontem na apresentação do AZ, sendo que a direcção alegou que o jogador está ainda a recuperar da grave lesão que o afastou do final da última temporada. Willy Sagnol (que já disse que não sai de Munique) e Miguel são as alternativas do Valência caso falhe a abordagem a Kromkamp, diz a Marca.

Faltavam quinze minutos para a hora marcada (9 horas) quando Benni McCarthy deu entrada no Centro de Estágio do Olival. Goradas as expectativas de sair para o Blackburn Rovers, de Inglaterra, o sul-africano apresentou-se para o início dos trabalhos com vista à preparação da época 2005/2006.
Co Adriaanse, novo treinador portista, chegou bem antes da maioria dos atletas. Foram 29 os jogadores que marcaram presença no começo dos trabalhos, merecendo destaque a estreia dos reforços Helton, Paulo Ribeiro, Sandro, Jorginho, Alan e Sokota.
Amanhã chega o internacional argentino Lucho González mas o colega de selecção Lisandro López só é aguardado no final da semana, em virtude de ontem ter participado na última jornada do “Torneo Clausura”. Anderson, médio de 17 anos contratado ao Grémio de Porto Alegre, está em estágio com a selecção canarinha de sub-17, com vista à preparação do Mundial da categoria.
Também no Olival estiveram cinco jogadores que regressam de empréstimos. Bruno Alves, o médio Paulo Assunção e os avançados César Peixoto, Bruno Moraes e Hugo Almeida contam seguir para o estágio na Holanda, que se realiza entre 11 e 24 deste mês. Serão 30 os atletas à avaliação de Adriaanse durante esse período, sendo que só 24 vão incluir a estrutura final do FC Porto 2005/2006.
Não está ainda fechado o mercado de contratações, com os portistas em busca de um substituto para o lateral-direito Seitaridis. Sem qualquer jogador natural dessa posição no plantel (Bosingwa e Ricardo Costa são adaptações), Pinto da Costa tenta contratar o holandês Jan Kromkamp, pupilo de Adriaanse no AZ Alkmaar e opção prioritária para o reforço da defesa.
Contudo, as negociações estão num impasse após a direcção holandesa ter recusado uma proposta na ordem dos sete milhões de euros. Cicinho (São Paulo) e Trabelsi (Ajax) podem ser alternativas a Kromkamp mas também não serão de descartar as hipóteses Abel (Braga) e Nélson (Boavista).
Hugo Leal é que já não tem qualquer vínculo aos portistas, tendo ontem rescindido o contrato assinado há um ano. Marco Ferreira, Jankauskas, Cláudio Pitbull e Maciel também não fazem parte dos planos para esta temporada.

Jan Kromkamp pode estar a um passo de assinar pelo Valência. Certo é que o clube de Caneira quer reforçar o lado direito da defesa e há dois candidatos ao posto: o internacional holandês e o benfiquista Miguel. Todavia, a SAD encarnada pede cerca de dez milhões de euros pelo internacional português, número superior ao exigido pelo AZ Alkmaar para a venda de Kromkamp. Como se sabe, o lateral holandês é a prioridade de Co Adriaanse para ocupar a vaga deixada pela saída de Seitaridis. Todavia, o esforço negocial da direcção portista esbarrou na intransigência de Dirk Scheringa, presidente do emblema semi-finalista da última edição da Taça UEFA. Sendo certo que a vontade do atleta é deixar o AZ, de preferência para o FC Porto, é de aguardar que a saída se venha mesmo a concretizar. Resta saber se os seis milhões de euros propostos por Fernando Gomes são suficientes para ir de encontro à vontade de Kromkamp, que também não veria com maus olhos o ingresso no Mestalla.
Entretanto, o vice-campeão nacional continua na busca de um lateral-direito. A escassos dias do início da pré-temporada, a SAD não admite subir a proposta feita ao AZ mas aguarda por um volte-face na posição do clube treinado por Van Gaal. Por ora, o nome de Cicinho é o mais falado para ocupar a vaga da defesa mas o agente do internacional canarinho não acredita que o São Paulo liberte o jogador. Muito valorizado pela prestação na Taça das Confederações, Cicinho é um atleta que interessa ao Bétis de Sevilha mas que também já suscitou a atenção de alguns emblemas italianos. O finalista da Taça dos Libertadores da América é, pois, um alvo difícil e isso pode levar o FC Porto a buscar alternativas no mercado interno. Abel, do Sporting de Braga, e Nélson, do Boavista, surgem como as hipóteses mais credíveis caso a opção recaia em atletas com experiência de Superliga.

Foto: Blog do Rio Ave
Tem 28 anos, é internacional cabo-verdiano e venceu a Taça de Portugal desta temporada. Trata-se de Sandro e é o escolhido pela SAD portista para substituir o trinco Costinha, transferido para o Dínamo de Moscovo. Peça importante no Vitória de Setúbal, o médio já vinha sendo falado para reforçar os dragões desde que José Couceiro assumiu o comando da equipa. Todavia, essa insistência diminuiu com a rescisão do contrato que ligava o técnico ao emblema portista, passando a noticiar-se como provável o ingresso de Sandro no Sporting de Braga. Hoje atingiu-se o acordo entre FC Porto e Vitória de Setúbal, sendo que o centro-campista ex-Salamanca deve assinar por quatro temporadas. Com a aquisição do cabo-verdiano passa a ser improvável a vinda do médio internacional holandês Denny Landzaat, jogador do AZ Alkmaar. Sandro é o sétimo reforço portista para a nova temporada, o terceiro oriundo do Bonfim se excluirmos do lote Bruno Moraes, jogador que já pertencia aos quadros do FC Porto e que regressa após empréstimo.

Foto: UEFA
Hugo Viana deve ser jogador do FC Porto a partir da próxima temporada. Emprestado ao Sporting pelo Newcastle United, o jovem internacional português está a ser disputado pelos grandes da Superliga mas os dragões parecem ter melhores argumentos para convencer a direcção de St. James Park. Certo é que os ingleses querem soltar o passe do esquerdino, sendo que isso pode fazer-se tanto pelo pagamento de uma verba não inferior a sete milhões de euros como pela cedência de um jogador. Afastada está a hipótese de novo empréstimo, facto que elimina o Sporting da corrida. Tudo aponta para que os portistas consigam o concurso do jogador, algo que dependerá de uma oferta monetária ou da inclusão do avançado Benni McCarthy nas negociações. Benni tem mercado em Inglaterra e o Newcastle procura avançados para suprir a já antiga falta de Craig Bellamy e, mais recentemente, de Patrick Kluivert. Todavia, o sul-africano tem mais emblemas interessados. Quanto ao Benfica, está praticamente afastada a possibilidade de os encarnados avançarem com a verba em dinheiro, sendo que resta a hipótese Miguel. Ora, a SAD benfiquista acredita poder fazer um negócio muito mais valioso com o lateral-direito, facto que pode dificultar a vinda de Hugo Viana para a Luz.
Também de malas para o FC Porto está Tomislav Sokota, internacional croata que vinha treinando com a equipa B do Benfica. Sokota não faz parte do principal plantel encarnado desde o final do ano passado, sendo que a direcção não apreciou o impasse nas negociações para renovação de contrato. Tomo é, pois, um atleta desvinculado e que assinará a custo zero. Sabe-se que o FC Porto tem a concorrência de clubes alemães mas o croata parece decisivo a continuar em Portugal, para mais num conjunto que lhe permite actuar na Liga dos Campeões. Depois de Lisandro López, Sokota é o segundo avançado contratado pelo FC Porto. Tudo se deve oficializar na próxima semana, até porque o atacante está no país de origem, tendo ontem participado numa partida de homenagem ao histórico Zvonimir Boban. Certa é a saída de Luís Fabiano e, como atrás se disse, também é muito provável a venda de Benni McCarthy. Restam, pois, Hélder Postiga, Bruno Moraes e, quiçá, Hugo Almeida. Quem já não fará parte do novo plantel portista é o playmaker holandês Rafael Van der Vaart. Tal como se vinha anunciando, o internacional era pretendido pelo Hamburgo, sendo que as partes chegaram a um entendimento que deve andar entre os cinco milhões de euros inicialmente propostos pelos alemães e os sete milhões pedidos pelos de Amesterdão. Van der Vaart será companheiro de Almani Moreira até 2010.

Foto: UEFA
Está escolhido o novo treinador do FC Porto. Co Adriaanse é amanhã apresentado como líder da equipa técnica que ataca a nova temporada. Nome intensamente falado há já largas semanas, Adriaanse tem 57 anos e chega do AZ Alkmaar, modesto emblema holandês que ajudou a projectar. Muito ligado ao Ajax, teve uma excelente passagem pelo Willem II - colocou o clube na Liga dos Campeões - mas só em Amesterdão teve a missão de comandar uma equipa com ambições maiores. Adriaanse chegou esta tarde a Portugal, trazendo consigo o adjunto Jan Olde Riekerink. Desconhece-se a restante equipa técnica que sucede ao reinado de José Couceiro (que se demitiu no final do jogo de ontem apesar dos convites para continuar na estrutura portista). Adriaanse deve assinar por duas temporadas com mais uma de opção e já não terá Seitaridis no plantel. Foi hoje oficialmente anunciada a venda do lateral-direito ao Dínamo de Moscovo, por números que rondam os dez milhões de euros. Ganha força a hipótese Kromkamp, defesa muito utilizado no AZ. Ainda no dia de hoje, registe-se a operação de Diego. Substituído ao intervalo da partida frente à Académica, o médio foi submetido a uma intervenção ao quinto metatarso do pé esquerdo. Diego falha a última partida da temporada, um amigável a realizar em Bragança no próximo domingo. Anulada foi a digressão à Arábia Saudita.

Foto: UEFA
São quatros os holandeses referenciados pelo FC Porto na preparação da próxima temporada. Fazendo fé na imprensa nacional mas também nos rumores que vêm do "País Baixo", Pinto da Costa está a ultimar os pormenores contratuais com Co Adriaanse. Treinador do AZ Alkmaar, Adriaanse é um nome referido há pelo menos um mês, sendo que o negócio se tem desenrolado nas últimas semanas e está prestes a conhecer acordo. Aos 57 anos, o técnico decidiu não renovar com o AZ (será substituído por Louis Van Gaal) e tudo se encaminha para que suceda a José Couceiro no Dragão, cabendo ao ex-Setúbal um cargo de direcção da equipa principal ou até o posto de treinador-adjunto. Ganha força esta segunda hipótese, sobretudo se tivermos em conta a necessidade de estabelecer ligação entre Adriaanse, que não fala qualquer língua latina, e o plantel.
Restam três jogadores. Comecemos pela hipótese mais credível, o lateral-direito Jan Kromkamp, que milita precisamente no AZ e é por muitos apontado como o melhor jogador da equipa. Recentemente chamado por Van Basten, Kromkamp está a recuperar de uma lesão e falhou a eliminatória frente ao Sporting, a contar para a Taça UEFA. Vem referenciado como um lateral alto, não raras vezes usado num esquema de três centrais, mas que sobe muito bem no terreno. Sabe-se que o clube holandês rejeitou recentemente uma proposta de 3 milhões de euros pelo jogador, sendo que o FC Porto não deve precisar de mais do que 6 milhões de euros para ficar com o atleta. Esta é uma das necessidades mais urgentes do plantel, que não tem laterais-direitos de raíz desde que foi assumida a venda de Seitaridis ao Dínamo de Moscovo. Sobram dois jogadores para o meio-campo, ambos normalmente titulares no esquema de Van Basten. Comecemos pelo AZ, donde se diz poder chegar Dennis Landzaat. Formado nas escolas do Ajax, vem trabalhando mais intensamente com Adriaanse desde a passagem pelo Willem II, agora prolongada no Alkmaar. Com 29 anos, Landzaat é uma contratação de risco e que só deve ser estudada no caso de se efectuar em moldes financeiramente vantajosos. Certo é que o FC Porto procura médios e o holandês até poderia ocupar a vaga de Costinha, ainda que tenham um estilo distinto. Dennis enquadra-se muito melhor no ataque, tem remate fácil e até facturou em Alvalade. Muito mais complicada parece a concretização do rumor em torno do prodigioso Rafael Van der Vaart. Capitão do Ajax e internacional holandês, este magnífico armador de jogo já anunciou vontade de deixar Amesterdão e mercado não lhe falta, sobretudo na Alemanha e em Itália. Internacional neerlandês desde os 18 anos, está actualmente nos 22 e seria um valor acrescido para o plantel portista. Muito caro porém... Ah, é esquerdino!

Acreditar! Quanto vale essa palavra?
Acreditar até final! Foi esse o lema durante toda a temporada e será esse o mote até final, até à última jornada. Nada mais resta a um FC Porto irregular, raramente empolgante e com lacunas evidentes nas mais diversas etapas do trabalho feito durante a época que agora finda. Ontem, depois de desperdiçada a brilhante porta de Moreira de Cónegos, o ainda campeão foi a Vila do Conde impor a segunda derrota caseira a um Rio Ave descaracterizado. Fê-lo sem brilhantismos, novamente com dificuldades na concretização mas com uma persistência que nem sempre lhe temos visto. Perante isto, Carlos Brito despediu-se com uma derrota da massa adepta vila-condense e José Couceiro ganha um ténue alento para a última semana de trabalho da temporada. Possível. Mas improvável...
Enquadramento. Perdida a invencibilidade caseira na recepção ao Gil Vicente, o Rio Ave passeava pelo restante da temporada sem grandes objectivos. Permanência assegurada, Europa distante, o conjunto de Carlos Brito queria apenas fechar de forma positiva um ciclo de longa duração ao emblema dos Arcos. São bem conhecidas as limitações do plantel neste fim de época, pelo que restou aos vila-condenses o recurso aos habituais e a opção por caras menos vistas ao longo de mais um campeonato. Quanto ao FC Porto, a hipótese título ficara mais distante em Moreira de Cónegos mas cabia aos dragões adiar a decisão por uma semana, sendo que a vitória não era apenas uma questão de desmancha-prazeres. Com o Braga a um ponto, o triunfo era obrigatório.
As tácticas. Carlos Brito não alterou a habitual estrutura em 4-3-3, com um meio-campo de combate e um ataque aberto e veloz. Miguelito e José Gomes eram laterais com espírito ofensivo numa defesa que contava ainda com Idalécio e com Bruno Mendes. Alexandre era a novidade num trio de meio-campo composto ainda por Delson e por Niquinha. Adiantados, Evandro e o capitão Gama abriam nas alas, com Paulo César a actuar mais pelo centro, ainda assim distante do aperto da grande-área. Sem Fabiano mas sobretudo sem Quaresma, Couceiro regressou ao 4-4-2 e até introduziu no onze Costinha e Maniche, de malas feitas para Moscovo. Mantinha-se o quarteto defensivo, com Costinha a trinco e Ibson e Maniche no apoio ao play-maker Diego. Postiga e Benni formavam a dupla de avançados.
Mentalidade Portista - Mesmo não tendo entrado bem, o FC Porto tomou conta das operações e lançou-se rumo à baliza de Mora. Fê-lo sem grande método mas o certo é que construiu situações para marcar, algo que vem sendo um problema dos portistas. Benni surgiu mais interventivo do que em encontros recentes mas Costinha e Maniche também revelavam uma disponibilidade salutar, algo que raramente têm expressado em palavras e em actos. Ainda assim, pelo menos inicialmente, o perigo azul e branco surgia em acções isoladas, frequentemente associadas a bolas paradas e a confusões junto da baliza de Mora. Lá vieram os golos no segundo tempo.
Jorge Costa - Sabe Deus o processo burocrático e a papelada de que é preciso tratar para que o FC Porto marque um golo. Por vezes, todavia, Deus troca de papéis com Jorge Costa. Tudo se resolve, ou não fosse o capitão portista um pragmático. Jorge Costa não é homem para pensar duas vezes e também não tem feitito para ficar quieto quando precisam dele. Ontem, inventou o golo de Benni num lance em que mistura duas características que lhe são reconhecidas - inesgotável entrega e auto-superação. "Como é que ele fez aquilo?", perguntou-se a assitência do Estádio dos Arcos e os que seguiam pela televisão. Incrível, este capitão!
Ineficácia - Mesmo sem brilhar, como atrás se disse, o FC Porto voltou a perder muitas bolas de golo. Falta um último toque, falta acerto no remate, falta a opção correcta. Falta quase sempre alguma coisa e por isso mesmo é que a produção ofensiva dos dragões tem sido tão escassa nesta temporada. Benni fez o 11º golo, ele que falhou um 1/3 dos encontros desta Superliga e tem quase 1/3 da capacidade concretizadora dos portistas. Postiga só recentemente descobriu o golo, Fabiano raramente o conseguiu. Quando os avançados não marcam fica difícil mas isso também estará relacionado com a deficiente produção do miolo. Diego está em crescendo, a equipa agradece e marca há cinco jogos consecutivos.
Rio Ave - Custa dar destaque negativo a uma equipa que teve as suas limitações para construção de um plantel, salvaguarda a sua situação antes de muitas outras e se vê obrigada a jogar parte da temporada sem os pilares da sua formação inicial. Carlos Brito merecia melhor despedida e as palavras só podem ser elogiosas para ele. Todavia, o Rio Ave fez muito pouco na noite de ontem. Segurança classificativa e impossibilidade de aspirar a mais são bons argumentos mas o adeus ao treinador justificaria outra postura por parte dos atletas. Como não é só Carlos Brito a despedir-se, talvez a próxima época esteja já a pairar sobre alguns jogadores.
Delson. Algumas entradas bem durinhas, que foram passando sem punição disciplinar mas deixaram marcas nas pernas portistas. Seguramente! Para além disso, exibiu-se a um nível bem inferior comparativamente com aquilo que tem conseguido produzir.
Alexandre. Compreende-se porque não tem jogado durante toda a temporada. Foi um vazio no miolo e disso se aproveitou o FC Porto, sobretudo sobre a meia-esquerda. Raramente subiu a preceito, foi mau a defender e também recorreu à falta com frequência.
Benni McCarthy. Pelo golo. Mesmo inconstante, tem sido quase sempre ele a encontrar o caminho das redes. Fala muito, fala quase sempre mal e nem em campo é regular. Tem, todavia, uma eficácia notável e foi assim que abriu o caminho para a vitória. Parecia ter adiantado em demasia mas lá tocou para o fundo das redes. Estava feito...
Diego. Muito diferente do Diego que temos visto até há semanas. Joga em progressão, rompe na vertical, arrisca no remate. Diego está muito diferente, para muito melhor, e o FC Porto só tem a ganhar com a prestação do jovem médio brasileiro. Promete muito para a próxima época.
Remate. Continua a ser muito difícil mas ao FC Porto só resta mesmo acreditar que é possível. Com a vitória de ontem, essa possibilidade mantém-se e a Liga dos Campeões está praticamente assegurada. Mesmo sendo esta uma época medíocre e repleta de incidências negativas, o certo é que os dragões discutem o campeonato até à última, o que atesta bem sobre a incapacidade dos adversários. Quanto ao Rio Ave, as limitações e a ausência de ambições explicam a fraca prestação. Não foi a despedida desejada por Carlos Brito e por Miguelito mas o brilhantismo do trabalho feito em Vila do Conde não se esfuma neste encontro.
Ficha do Jogo:
Estádio: dos Arcos
Árbitro: Paulo Costa
Rio Ave: Mora (Candeias, 63´); Zé Gomes, Idalécio, Bruno Mendes e Miguelito; Niquinha, Alexandre e Delson; Evandro (Gaúcho, 63´), Gama (Saulo, 70´) e Paulo César
FC Porto: Vítor Baía; Bosingwa (Seitaridis, 85´), Jorge Costa (Ricardo Costa, 92´), Pedro Emanuel e Leandro; Costinha, Ibson, Maniche e Diego; Postiga e McCarhty (Ivanildo, 87´)
Golos:
55´ McCarthy (0-1)
79´ Leandro (0-2)
Cartões Amarelos:
Rio Ave: Zé Gomes
FC Porto: Bosingwa
Aquilo que aqui escrevia de manhã deixou de fazer grande sentido. O FC Porto não soube aproveitar o deslize do Benfica e as contas portistas para o título são muito complicadas de fazer, sendo que também o Moreirense lamenta a igualdade desta noite, que atira a turma de Jorge Jesus para a Liga de Honra. Mesmo depois de ter entrado mal (Pedro Emanuel foi um desastre) e de ter tardado a igualar o marcador, o FC Porto dispôs de três flagrantes ocasiões de golo para somar os pontos em disputa. Nenhum desses lances foi materializado e assim se esfuma o sonho do dragão!!!
Enquadramento
Moreirense e FC Porto estavam obrigados a vencer para continuar a perseguir os seus objectivos. Por um lado, os locais viram na derrota do Gil Vicente uma réstia de esperança na permanência, por outro, o FC Porto tinha no deslize do Benfica o tónico ideal para encurtar espaço para a liderança. Manoel era a principal baixa dos axadrezados, que apresentavam um esquema organizado em 4-3-3, com os móveis Lito e Fernando no apoio ao avançado Nei. Quanto ao FC Porto, a baixa de Costinha deu origem à única mudança relativamente ao onze que recebera o Marítimo. Raúl Meireles tomou o lugar do internacional português.
Desnorte defensivo
Apesar de um bom lance inicial, o FC Porto cedo se viu dominado por um Moreirense muito disponível no capítulo físico. Mais rápido e melhor organizado, o conjunto de Jorge Jesus ia flanqueando o seu futebol e tinha facilidade em ganhar as segundas bolas. Lito e Fernando mostravam-se muito fortes na condução do ataque, sendo que Nei surgiu quando mais se esperava dele. Abriu o marcador bem cedo, surgindo muito mais rápido do que Pedro Emanuel para bater Vítor Baía, à saída deste. Sem grande historial de reviravoltas, o FC Porto sofria um rude golpe nas suas aspirações ao título. Longe das alas e preso a um estilo directo ineficaz, a turma azul demorou muito a reagir.
Bom fecho de primeira parte... sem golos
Teve, contudo, um excelente epílogo na metade inaugural. Diego apareceu no encontro e Quaresma percebeu que é humanamente impossível estar em todo o lado. Fixou-se na esquerda, onde começou a ganhar vantagem sobre Primo, o mesmo acontecendo com Bosingwa na ala contrária. Todavia, o golo não chegava e o momento de atirar gerava uma imensa indecisão. Impunha-se que a igualdade chegasse antes do descanso mas assim não viria a suceder, sendo que a recolha às cabines travou o ímpeto portista e a intensidade com que se procurava o empate. Assim, e não havendo mexidas, a segunda parte chegou com um FC Porto que teve de voltar a percorrer o caminho do bom futebol.
Couceiro arrisca, mas mal
Apesar de criar ocasiões isoladas, o FC Porto não conseguia chegar de forma sustentada à baliza de João Ricardo. Havia que fazer alguma coisa, até porque o contra-ataque local mantinha-se perigoso, e José Couceiro teve essa noção. Retirou o inexistente Leandro e lançou o confransgedor Luís Fabiano. Com Ivanildo no banco, até fez pena. Não ganhou muito com a troca mas o golo lá chegaria, como que do céu. João falhou uma intercepção e Postiga finalizou após recepção e cabeceamento fácil. Tudo indicava que se viveriam quinze minutos de extremo assalto às redes do Moreirense.
Acabou
Puro engano! Ivanildo lá entrou mas as sucessivas assistências a atletas de Jorge Jesus e o desnorte portista na hora de atacar não pareciam permitir novo golo. Também o Moreirense o buscava, ainda que em clara toada de contra-ataque. Amorfo, o FC Porto assistiu à expulsão de Ricardo Quaresma (por palavras, é incrível!), aos desperdícios de Benni e de Postiga e à excelente defesa de João após remate de Diego. O Moreirense está na Liga de Honra, o FC Porto desperdiçou uma ocasião única para se candidatar seriamente ao título. Parecia tão fácil...

Foto: fcporto.pt
Este Dragão gosta mesmo de viver no limite! Depois de meia hora de qualidade frente ao Marítimo, a equipa de Couceiro decidiu guardar a magra vantagem adquirida por Benny McCarthy. Sabendo de antemão o resultado do Benfica, os portistas tinham a obrigação de se apresentarem bem mais ambiciosos. No entanto, nem contra dez os campeões nacionais conseguiram convencer os seus adeptos, muito por culpa das escolhas de José Couceiro. Para a história fica o resultado e os três pontos, que mantêm o Dragão na luta pelo título.
Trinta minutos à moda antiga
A entrada do FC Porto na partida deixava antever uma noite tranquila para os lados do Dragão. Muita pressão a meio-campo e rápidas saídas para o ataque, ainda que nem sempe bem delineadas, faziam dos portistas a equipa com mais pendor ofensivo. Benny McCarthy e Postiga entendiam-se bem e íam criando oportunidades junto da balia de Marcos, muito por culpa do bom trabalho (e da fantasia) que se ía fazendo nas suas costas. Diego e Ibson completavam um triangulo (iniciado em Costinha) que no dia de ontem até funcionou de forma bastante produtiva. Quanto ao Marítimo limitava-se a defender, porém, sem abdicar do losangulo de ataque, no qual, Silas prometia "explodir" a qualquer momento. Apesar da colocação de Postiga, Benny e Quaresma (bem junto aos centrais maritimistas) obrigar a que Chainho e Wénio não subissem nas missões ofensivas, os quatro homens encarregues das mesmas davam conta do recado quando lhes era concedido algum espaço.
Abrir o leque e chegar ao golo!
O FC Porto com três homens na frente não conseguia aproveitar esse factor na sua totalidade. Postiga e Mc Carthy jogavam colados e apenas Quaresma abria na esquerda (mais tarde na direita) do ataque azul e branco. E bastou Couceiro aperceber-se disto mesmo para obrigar os seus homens a abrirem de forma uniforme criando, obviamente, enormes espaços a um meio campo aparentemente inspirado. Os portistas acabariam por chegar ao golo com o 77 azul e branco a aproveitar-se da posição irregular para bater Marcos. Pouco tempo depois, e com o Porto já mais ciente daquilo que realmente poderia fazer no último terço de terreno, Diego chegou também ao golo, que no entanto foi mal anulado pelo árbitro do encontro. Decisão que levou os adeptos portistas a transformarem o estádio num autêntico vulcão, que acabaria por não entrar em erupção, graças à grande penalidade assinalada no segundo tempo.
Matar o jogo? Não, obrigado...
A segunda parte começou morna com o Porto a denotar algum receio em voltar a assumir o controlo do jogo. O Marítimo agradeceu, ainda mais quando viu Diego desperdiçar uma grande penalidade, que podia ter sido decisiva. Os pupilos de Juca ganharam outro ânimo e passaram a querer ter a bola em seu poder no meio campo portista. Silas apareceu e os madeirenses queriam o empate. A desinspiração dos homens mais avançados assim não permitiu, sendo que, a infantilidade de Briguel aquando da expulsão também não ajudou (com um amarelo, colocou desnecessariamente a mão à bola). No entanto, o técnico dos madeirenses acreditava e começou a refrescar a frente de ataque. Quanto a Couceiro preferiu segurar a vantagem e colocara Raúl Meireles no lugar de Postiga (ainda antes da expulsão de Briguel).
Mais um homem e muito medo...
Contra dez, impunha-se a entrada de mais um homem que obrigasse o Marítimo a deixar as aventuras no meio campo portista. Porém, Couceiro fez troca por troca na frente de ataque, colocando Fabiano no lugar de McCarthy. E só a dez minutos do fim decidiu fazer entrar Ivanildo para o lugar de Costinha (que fez um jogo de enorme qualidade). Até final o FC Porto ainda dispôs de alguns lances de perigo, mas não se livrou de enormes sustos que, na sua maior parte, nasciam no miolo (no qual, Ibson e Diego já só sabiam defender). No entanto, os dragões acabariam por vencer, numa partia em que o resultado é justo, mas a postura dos azuis e brancos não terá agradado aos seus adeptos.
Melhor em campo: Ibson
Impressionante a qualidade deste brasileiro, que foi a grande compra desta época. Sempre disposto a ajudar o sector mais recuado, Ibson consegue transportar tranquilamente a bola para o último terço de terreno, tendo uma qualidade de passe bastante elevada. O brasileiro e Costinha foram os dois jogadores que mais se destacaram na partida de ontem, porém, o 31, porque jogou os noventa minutos e também porque assumiu um pouco a pele de Costinha depois da sua saída, merece esta distinção.
Ficha de jogo
Estádio do Dragão, no Porto
Assistência: 33.377 espectadores
Árbitro: António Costa (Setúbal)
Assistentes: Paulo Ramos e António Godinho
4º árbitro: Bruno Esteves
F.C. PORTO: Vítor Baía; Bosingwa, Jorge Costa «cap.», Pedro Emanuel e Leandro; Costinha, Ibson e Diego; McCarthy Hélder Postiga e Quaresma
Substituições: Hélder Postiga por Raul Meireles (66m), McCarthy por Luís Fabiano (77m) e Costinha por Ivanildo (83m)
Não utilizados: Nuno, Ricardo Costa, Seitaridis e Leo Lima
Treinador: José Couceiro
MARÍTIMO: Marcos; Briguel, Mitchell «cap.», Tonel e Eusébio; Wénio e Chainho; Luís Filipe, Silas e Manduca; Bibishkov
Substituições: Ronaldo por Bibishkov (74m) e Manduca por Marcinho (76m)
Não utilizados: Nélson, Ferreira, Evaldo, Zeca e Fernando
Treinador: Juca
Ao intervalo: 1-0
Marcadores: McCarthy (25m)
Disciplina: Cartão amarelo a Jorge Costa (35m), Bibishkov (37m), Briguel (53 e 73m), Pedro Emanuel (65m), Tonel (71m), Raul Meireles (84m) e Eusébio (88m)

Cicinho é pretendido pelo FC Porto e a sua eventual contratação implica duas consequências face ao actual plantel portista - o brasileiro do São Paulo seria substituto de Seitaridis e Luís Fabiano poderia servir como moeda de troca. Lateral-direito de 24 anos, Cicinho é um dos melhores jogadores na sua posição e já é internacional canarinho. Tanto o atleta como o empresário já admitiram, ao MaisFutebol, contactos entre as partes mas é sabido que o São Paulo quer aumentar a clausula de rescisão do ex-Atlético de Mineiro (actualmente fixada em 2,3 milhões de euros). Antigo clube de Fabiano, o São Paulo poderia estar interessado no regresso do "Fabuloso", sendo também sabido que a segunda incursão do avançado pela Europa não tem sido bem sucedida. Quanto a Seitaridis, o grego tem ficado pelo banco nos últimos dois encontros e é há muito conhecido o interesse do Schalke 04, vice-líder da Bundesliga alemã.
Cicinho é um jogador muito ofensivo, que actua sempre sobre a direita mas tem facilidade em fazê-lo tanto como lateral quanto como ala. Aliás, recorde-se que ele foi o jogador com mais assistência no São Paulo da última temporada, sendo que vem repetindo o feito esta época. Habituado a jogar em esquema de 4-4-2 mas também mais subido em tácticas que privilegiam três centrais.

Foto: Rádio Renascença
Dois conjuntos obrigados a vencer, muito espaço para jogar mas pouca inspiração de parte a parte. Quaresma quebrou a toada em cima do minuto noventa, assinando mais um daqueles golos geniais, à Quaresma. Apesar das ocasiões criadas durante o restante do encontro, a falta de frieza ou a excelência dos guarda-redes (Vítor Baía, sobretudo) ia impedindo números no marcador. Quando a fé era já pouca, o FC Porto ganhou vantagem e a partida e mantém-se na discussão dos lugares cimeiros. Quanto a Beira-Mar, elogie-se o trabalho de Inácio mas reconheça-se que o fado auri-negro parece inevitavelmente traçado – Liga de Honra.
Enquadramento.
Crucial! O rótulo aplicava-se a ambos os conjuntos e não parecia consonante com as melhoras que Inácio trouxera. Derrotado em Alvalade, em já fizera uma boa exibição, o Beira-Mar derrotou o Boavista no seu terreno e parecia relançado na luta pelo título. Todavia, as duas vitórias consecutivas conseguidas pelo Gil Vicente (a última já esta tarde, em Vila do Conde) tornavam muito complicada a missão dos aveirenses. Beto marcou o golo diante dos axadrezados, ele que também fizera o tento solitário da partida da primeira volta, favorável aos auri-negros no Estádio do Dragão. Quanto ao FC Porto, as contas de Couceiro eram bem simples de fazer – ganhar os jogos até final e ver no que dá. Sendo certo que dá, pelo menos, para aceder à Liga dos Campeões, algo que não é possível na quarta posição em que os dragões partiam para esta jornada. Tal como acontecera na preparação para a recepção ao Vitória de Setúbal, esta semana ficou marcada por notícias de contratações. Sokota ainda é só rumor mas Jorginho está confirmado e o grupo trabalhou longe dos holofotes mediáticos. Havia, contudo, que anular a série negativa recente em jogos fora de casa. É que o FC Porto perdera nas duas anteriores deslocações, o que até era uma estreia. Benni era a grande novidade para esta jogo depois de ter cumprido três partidas de castigo.
As tácticas.
Muito por força daquilo que foi dito anteriormente, o Beira-Mar apresentou estrutura para ganhar. Ricardo e Tininho eram laterais com instruções para subir quando se proporcionasse e Sandro era o elo mais recuado do miolo, jogando à frente de Ricardo Silva e de Alcaraz. McPhee ocupava a meia-direita, com Rui Lima no lado contrário e Beto no centro, procurando apoiar Ahamada (mais solto) e o possante Tanque Silva ao centro. Quanto ao FC Porto, o regresso de Benni obrigou a mexidas. Seitaridis parece ter sido preterido na lateral-direita e Leandro voltava a merecer a confiança na esquerda, com Ricardo Costa a ocupar o lugar deixado vago pelo castigo de Jorge Costa. Costinha recuperou e formava trio no miolo com Ibson e com Diego. Ricardo Quaresma ia fazendo as alas mas actuava mais na esquerda, sem que Benni compensasse à direita, juntando-se a Postiga no centro.

Podia ser uma das notas negativas do encontro e explico porquê. Tal como quase todos os companheiros, tem períodos de total alheamento do encontro e isto não resulta apenas de desinspiração. Resulta, e isso é que é muito grave, de ausência de transpiração e de um gritante derrotismo. Ricardo Quaresma fez uma boa primeira metade mas estava a ser dos piores na etapa complementar. Entre outras coisas, não se percebe porque teima em bater livres directamente à baliza adversária nem se percebe porque é que se alheia do colectivo. Todavia, é daqueles jogadores capazes de resolver e capazes de levantar um estádio. Por isso é tão criticado quando não rende o que pode e sabe, por isso é tão adorado quando faz coisas como a que fez hoje, mesmo em cima do final. Quaresma tem talento para ser um dos melhores jogadores da Superliga e do futebol internacional. Porque não é?

O FC Porto não costuma jogar de outra forma e o Beira-Mar só podia enveredar por aí. Couceiro e Inácio apostaram em esquemas que lhes permitissem chegar ao único resultado admissível e houve muito terreno por explorar. Sem esquemas defensivos rígidos mas com muitos nervos à flor da pele, até porque o encontro tinha rótulo de decisivo. Foi, com efeito, um Beira-Mar distinto daquele que actuou em Alvalade, por exemplo, e apesar da magreza do resultado houve muitas oportunidades de golo para ambos os conjuntos. Raramente se jogou bem mas os treinadores não merecem grandes críticas porque entenderam a exigência do momento e responderam com o único estratagema possível – para ganhar.

Couceiro tem razão (ainda que relativa porque não a há absoluta) quando diz que a arbitragem actua, na dúvida, contra o FC Porto – foi assim quando Diego foi tocado por Srnicek na área de rigor aveirense. Todavia, não é totalmente verdadeiro quando nota melhoras nesta equipa e tem-no feito constantemente. Sim, é um discurso para dentro. Não obstante, o que salta para fora é ainda um conjunto com picos de intensidade competitiva dentro do próprio jogo, com lacunas no tocante ao preenchimento de espaços, com debilidades na entrega e muita incapacidade de concretização. Couceiro tem margem de trabalho e será o menos culpado por aquilo que venha a acontecer até final da época, ainda que seja ele a responder por tudo o que está para trás. Não lhe será fácil, reconheço, lidar com a constante referência a nomes para a sucessão e estranha-se que Pinto da Costa ainda não tenha esclarecido o futuro relativamente à equipa técnica. Claro que isto pode ser lido como um sinal mas o melhor é esperar para ver.

Inácio pôs o Beira-Mar a jogar bem melhor do que no restante da temporada e os aveirenses bateram-se muito bem em todos os últimos três encontros. Inácio é quem dá a cara por uma época decepcionante mas o alvo da ira auri-negra deve ser só um. Mano Nunes deixou-se impressionar por dinheiro fácil e estabeleceu uma parceria que trouxe treinadores e jogadores de qualidade duvidosa por troca com um treinador altamente competente e um grupo de atletas por ele escolhido e trabalhado com os resultados que se conhecem. O Beira-Mar construiu um novo estádio mas vai usá-lo para a Liga de Honra. No futebol, como em outros ramos de actividade, há gente manifestamente incompetente e que, pior do que isso, se agarra ao poder.
Alcaraz.Será possível que tenha completo o encontro? Podia lembrar vários outros lances mas posso apenas referir uma entrada por trás sobre Postiga, ainda no primeiro tempo, e um valente pontapé em Ibson, já perto do final. Saiu com a ficha limpa...
Benni McCarthy.Não agrediu ninguém e antes ser completamente passivo do que activo pelos maus motivos. Todavia, o regresso de Benni foi tudo menos conseguido e o sul-africano pouco fez para merecer as palavras elogiosas do treinador. Nota única para um remate forte mas deslocado após passe de Ibson.
Vítor Baía.Com um excelente par de defesas segurou o nulo no marcador. Antes do golo de Quaresma, era o Beira-Mar quem jogava melhor e construía as melhores ocasiões. Esteve brilhante no frente-a-frente com Beto e com Tanque Silva.
Ricardo Quaresma.Teria merecido referência altamente negativa (pela segunda metade) se não tem tido aquele lance de génio. Quaresma é um génio e resolveu a partida de hoje. Como atrás se disse, é uma pena que raramente utilize as suas potencialidades.
Remate.Podia ter sido outro o resultado mas a realidade é que o FC Porto se mantém na luta por vencer todos os jogos até final e ver no que dá. Ainda pode dar tudo... Quaresma decidiu o encontro num lance de inspiração mas podia ter sido outro companheiro a resolver mais cedo. Podia ter sido, por exemplo, na conversão da grande penalidade que Duarte Gomes não assinalou após Srnicek ter derrubado Diego na grande-área aveirense. Sobretudo no segundo tempo, o Beira-Mar também construiu bons lances para ganhar mas aí apareceu o factor Baía, imponente no duelo com Beto, primeiro, e Tanque Silva, depois. Inácio sabe-o mas não quer reconhecer – o Beira-Mar prepara-se para descer à Liga de Honra.
Ficha do Jogo:
Estádio: Municipal de Aveiro
Árbitro: Duarte Gomes
Beira-Mar: Srnicek; Ricardo, Ricardo Silva, Alcaraz e Tininho; Sandro, Beto (Marcelinho 92 m), McPhee e Rui Lima (Ali 64 m); Ahamada e Tanque Silva (Kingsley (82 m)
FC Porto: Vítor Baía; Bosingwa, Ricardo Costa, Pedro Emanuel e Leandro; Costinha, Ibson e Diego (Paulo Machado 94 m); Quaresma (Raúl Meireles 92 m), Benni (Luís Fabiano 73 m) e Postiga
Golos:
90' Ricardo Quaresma (0-1)
Cartões Amarelos:
Beira-Mar: Ricardo, Rui Lima e Ricardo Silva
FC Porto: Pedro Emanuel, Diego e Fabiano

Está confirmado, Luis González é reforço do FC Porto durante os próximos cinco anos e sucede ao compatriota Lisandro López no leque de contratações para a época que se avizinha. Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, a SAD portista anunciou a compra de metade do passe do internacional argentino, ficando a Global Soccer Agencies com os restantes 50% (à semelhança do que acontece com Licha).

Foto: Associated Press
Ora aí está a novidade para os lados do Dragão – duas vitórias caseiras consecutivas e a primeira reviravolta na condição de visitado e em partida da Superliga. Daqui se pode depreender que o FC Porto fez mais do que aquilo a que nos habituou mas também é certo que o Vitória de Setúbal se apresentou fisicamente mas com atenções voltadas para as meias-finais da Taça de Portugal. Sem ser brilhante, o conjunto de Couceiro teve garra mais do que suficiente e, mesmo cometendo os erros típicos de uma turma intranquila, logrou vencer com toda a justiça. Assim se ameniza um final de campeonato que ameaçava tornar-se num enorme e lento sofrimento.
Enquadramento
Como atrás se disse, o Vitória de Setúbal apresentava-se no Dragão com a tranquilidade de quem tem a permanência garantida e não ambiciona a qualquer lugar de acesso às competições europeias por via da Superliga. Com efeito, a recepção ao Boavista pode abrir uma porta de regresso à UEFA por intermédio da Taça de Portugal e, logicamente, José Rachão poupou alguns elementos para se apresentar na máxima força na próxima terça-feira. Vindo de um empate caseiro diante do Gil Vicente, o conjunto sadino vencera na última deslocação (3-1 na Choupana).
Quanto ao FC Porto, a derrota no Bessa dificultou as contas do título e a semana foi preenchida por nomes. Couceiro assistiu ao aparecimento de cinco potenciais treinadores, Lisandro López foi anunciado como reforço mas outros atletas foram abordados como possíveis contratações para a próxima temporada. Ou seja, pouco se discutiu da recepção ao Setúbal na semana que agora finda, projectando-se já cenários de constituição da equipa técnica e do próprio plantel.
Tácticas
Mantendo o 4-3-3, José Couceiro viu-se obrigado a mexer no onze para a recepção à antiga equipa. Jorge Costa e Pedro Emanuel mantinham-se à frente de Baía mas as laterais tinham novos donos. Bosingwa roubou a direita a Seitaridis, Leandro assumiu a esquerda por troca com Ricardo Costa. Costinha, ainda que sempre debilitado fisicamente, conserva-se a posição mais recuada do miolo, com Ibson e Diego mais soltos nas missões de condução do futebol ofensivo azul e branco. Quaresma regressava ao onze e ocupava o posto deixado vago por Ivanildo, que integrou a selecção nacional de sub-19. Bruno Gama era a novidade mais sonante, ocupando a faixa direita do ataque portista. Hélder Postiga surgia como avançado, até porque Benni cumpria o terceiro e último jogo de castigo.
Quanto ao Setúbal, Rachão apostou num esquema de contenção mas que deixasse a porta do contra-ataque entreaberta. Assim sendo, Moretto era titular na baliza pelo terceiro encontro e tinha à frente a dupla Veríssimo-Hugo Alcântara. Éder ficava com a direita da defesa, sendo que Nandinho ocupava a posição diametralmente oposta. Ricardo Chaves era o mais recuado do miolo, com Hélio ao centro e Bruno Ribeiro sobre a esquerda. Pedro Oliveira, formado nas escolas do FC Porto, ocupava a direita e era um dos elos de ligações aos avançados Meyong e Zé Rui, bem abertos e móveis.
Dragões jogam mais e Setúbal marca à primeira
Sem deliciar, sobretudo no processo de pressão e recuperação da bola, o conjunto de Couceiro assumiu o controlo do encontro. Ibson estava uns furos acima do que exibira no Bessa e tinha o acompanhamento de Quaresma, que foi subindo de rendimento na medida em que se soltou dos individualismos descontrolados. Também Postiga, um avançado já bem próximo da forma que o projectou, se notabiliza do lado dos locais, sendo que Diego encravava com a sua lentidão de pensamento e execução. Bruno Gama também parecia sentir o peso do momento, ainda que venha a estar ligado ao golo da igualdade. Antes disso, está bom de ver, os sadinos ganharam vantagem. Primeira subida à área portista e excelente centro para a entrada de Meyong que, sem hesitar, escolheu um ponto e colocou a bola fora do alcance de Vítor Baía. Sem que nada o fizesse prever e beneficiando de posição irregular (perfeitamente desculpável o erro do auxiliar), o Setúbal adiantava-se no marcador. Apesar das boas ocasiões construídas, o FC Porto parecia juntar alguma intranquilidade à total falta de sorte.
Excelente fim de primeiro tempo
Como é natural, os dragões sentiram imenso o golo de Meyong. Não só por ter sido obtido contra a corrente do jogo mas também por ter avivado fantasmas de toda uma temporada. Nunca os portistas haviam virado um resultado no seu terreno em jogos a contar para a Superliga. Desta forma, os minutos que se sucederam foram de devaneio mas a equipa cresceu com as acções de Quaresma e de Hélder Postiga. Fazendo uso de lances de bola parada, o FC Porto ia chegando perto da baliza de Moretto e assim chegou a igualdade. Bruno Gama inventou uma falta inexistente e Quaresma meteu na cabeça de Postiga, que fazia o segundo golo na prova. Faltavam cinco minutos para jogar no primeiro tempo e foi tempo bastante para que os dragões criassem um bom par de ocasiões para consumar a reviravolta. Postiga voltou a evidenciar-se neste particular, ficando na retina o lance em que procurou aproveitar o adiantamento do guarda-redes sadino. Valeu a boa recuperação deste para se chegar ao intervalo com uma igualdade lisonjeira para os sadinos.
Mais do mesmo
Previa-se que o intervalo fosse prejudicial aos dragões. Com efeito, o descanso chegou na pior altura para o conjunto de Couceiro, que se encontrava no seu auge futebolístico. Fabiano entrou para o lugar do miúdo Bruno Gama (fica a vontade de o ver mais vezes), o que forçou o recuo de Postiga para zonas onde pudesse receber e soltar ou progredir. Curiosamente, Diego cresceu com o intervalo e aproximou-se do nível de Ibson, o que resultou na manutenção da toada de intenso domínio portista. Previa-se o golo mas, tardando, a força mental positiva podia resultar em ansiedade. Quanto aos sadinos, há muito que haviam trocado o tocado Ricardo Chaves por Binho mas nada mudou no tocante à filosofia de jogo dos visitantes. Até que Quaresma resolveu a partida após excelente lançamento de Ibson. Moretto perdeu-se na saída e o extremo ex-Barcelona só teve de tocar para o consumar da reviravolta. Estava feito o mais difícil – o FC Porto virara um resultado no seu terreno.
Epílogo
Rachão não insistiu para que o seu Vitória voltasse à discussão do encontro mas o árbitro podia e devia ter expulsado Pedro Emanuel. Esteve perdido durante todo o jogo o central ex-Boavista, contrariamente ao substituto do lesionado Costinha. Raúl Meireles tomou conta do miolo portista, ajudando a equipa a defender em terrenos mais avançados, o que aumentou a sua capacidade de recuperação e construção de jogo nas proximidades da área sadina. Mais do que isso, arriscou com relativo sucesso num pormenor que vem estando em falta neste FC Porto – o remate exterior. Ainda que tenha feito por merecer maior vantagem no marcador, o dragão acabou por derrotar um Vitória privado de Jorginho, Manuel José, Sandro ou Bruno Moraes. Não fez mais do que o que se lhe exigia mas é bom notar que virou o resultado e que chegou a mostrar bom futebol. Assim se consegue um bom final de semana e uma tranquila, na medida do possível, preparação da saída a Aveiro.
Melhor em Campo - O do costume, Hélder Postiga. Saúde-se o seu regresso...

Lisandro López é jogador do FC Porto para as próximas quatro temporadas e é o primeiro reforço para a época que principia em Agosto. Aos 22 anos, o avançado do Racing, da Argentina, foi falado para o Benfica no mercado de Inverno mas acabou contratado pelo FC Porto, que já anunciou o negócio a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários. Melhor marcador do Torneo Apertura, Licha custa 2,35 milhões de euros ao emblema portista, que passa a deter 50% do passe do internacional argentino, ficando a Global Soccer Agencies com a outra metade. O Racing, onde actua o veterano Diego Pablo Simeone, é segundo classificado do Torneo de Clausura, sendo que Lisandro já apontou dois golos. Também o River Plate, de Lucho González (quatro golos), segue a apenas um ponto da liderança, ocupada pelo Rosario Central.

O Jogo junta hoje quatro nomes a Co Adriaanse para a sucessão de José Couceiro no comando técnico do FC Porto. Emerson Leão, treinador do São Paulo, volta a ser referido depois de, já na passada semana, o sítio italiano Calciomercato o ter dado a caminho do Dragão. Também repetido surge o nome de Claude Puel, técnico do Lille. Em Agosto do ano passado, aquando da saída de Luigi Del Neri, o francês foi insistentemente falado para o FC Porto mas acabou por permanecer no clube que eliminou a União de Leiria na Intertoto. Ronald Koeman, histórico do futebol holandês e sucessor de Adriaanse no Ajax, está livre desde que saiu do clube de Amesterdão. Seria, por isso mesmo, uma alternativa bem mais plausível do que Paul Le Guen, actual treinador do Olympique de Lyon. Como se sabe, Le Guen está de pedra e cal no provável tetracampeão gaulês e não é credível que o FC Porto tenha maior fôlego salarial do que os franceses. Quanto a José Couceiro, tudo indica que permaneça ligado ao clube mas que assuma as funções de director-desportivo, que bem conhece.

Não sendo matemático, o FC Porto espera confirmações científicas para dar início às cerimónias fúnebres de um campeão em agonia. Foi assim durante toda a temporada, foi assim no Bessa. Resumindo, um conjunto que, mesmo sendo esteticamente melhor, revela uma tremenda ingenuidade. Sem fazer um grande jogo, longe disso, o Boavista voltou a derrotar o rival da Invicta e, mais do que a luta pela UEFA, pode até virar atenções para a Champions.
Enquadramento
O Boavista vinha de uma derrota humilhante diante do Sporting, o FC Porto vencera o Gil Vicente. Onde é que já vimos isto? Pois, assim havia acontecido na primeira volta. Desta feita, todavia, os axadrezados ficaram definitivamente afastados de uma luta que nunca assumiram e os portistas garantiram a margem mínima para acabar com o jejum de vitórias caseiras. Todavia, a liderança pairava a seis pontos de distância. Como tal, o conjunto de Couceiro via-se obrigado a não permitir que se repetisse o resultado da primeira volta. Sem Maniche nem Nuno Valente, sem McCarthy mas já com Pedro Emanuel e Seitaridis. Ivanildo foi eleito para a selecção de sub-19 mas regressou ao Olival para preparar a deslocação ao Bessa. Por seu turno, o Boavista estava privado dos catigados William e Éder, bem como do avançado emprestado pelo adversário de hoje, Hugo Almeida. Mais uma coincidência – ambos haviam vencido por apenas uma ocasião nos últimos quatro encontros (inclua-se a deslocação a Milão no caso dos portistas).
Pacheco aposta na velocidade
Face às ausências, ambos os conjuntos se viram forçados a introduzir novidades. No caso do Boavista, essas estenderam-se ao plano táctico. Com efeito, Jaime Pacheco montou um esquema que devolvia Carlos à baliza (ele que ganhou a titularidade no Dragão e voltava a merecê-la hoje, depois do castigo de William) e apostava num quarteto defensivo alterado pelas ausências de Nélson (opção) e de Éder (castigo). Carlos Fernandes era lateral-esquerda, Cadu vigiava Postiga na zona central, tendo ao lado Hélder Rosário. Martelinho ocupava o lado direito, devendo funcionar como um elemento desequilibrador nas acções ofensivas. Tiago e André Barreto (este mais sobre a esquerda) eram as unidades de contenção de um miolo que contava ainda com Lucas (interior-direito) e com Toñito, o principal elo de ligação à dupla de avançados formada por Zé Manuel e Cafú. Contrariamente ao que se poderia prever, os homens mais adiantados da turma do Bessa surgiam bem abertos (o primeiro na direita, o segundo na esquerda), sendo que a entrada para o centro dependia do local escolhido para a condução do ataque.
Postiga contra o Mundo
José Couceiro retirou Quaresma do onze inicial, lançando Bosingwa para o seu lugar. Seitaridis estava de regresso, bem como Pedro Emanuel, o que veio a calhar para devolver Ricardo Costa à lateral-esquerda, onde não estava o lesionado Nuno Valente e para onde Leandro parece não ser opção. Costinha era, como é hábito, a unidade mais recuada de um miolo que contava com Diego pela esquerda no apoio a Ivanildo e Ibson pela direita no apoio a Bosingwa. Todavia, o meio-campo actuava a uma velocidade inferior à do ataque, sobretudo se chamarmos à discussão Hélder Postiga. Andava desaparecido este miúdo. Que regalo! Ivanildo usava a velocidade também em acções ofensivas como na compensação a Ricardo Costa e Diego era, como vem sendo habitual, a unidade mais encravada do esquema portista.
Primeira metade azul
Por muito interesse que o Boavista tivesse neste jogo, era certo e sabido que o rótulo “decisivo” apenas se aplicava ao FC Porto. Disso se aproveitaram os axadrezados, que traçaram uma estratégia que passava pelo contra-ataque e, mais do que isso, pelas bolas paradas. Zé Manuel e Cafú tinham poucas bolas e só mesmo em livres e cantos é que a força aérea boavisteira impunha respeito. Por seu turno, e ainda que não criasse situações flagrantes de golo, o FC Porto tomava o controlo da partida. Muito disto se deve a Hélder Postiga, completamente distinto do avançado que se arrastou pelos relvados durante os últimos meses. Diego e Ibson estavam alheados do encontro, Bosingwa revelava mais empenho do que arte e o mesmo se aplicava Ivanildo, que ainda foi protagonizando alguns rasgos interessantes. Sobrava Postiga, o verdadeiro dínamo da supremacia portista, um herói entre os centrais boavisteiros e a filosofia “bater em tudo o que mexe”. Postiga mexeu e fez mexer, logo levou muito. Nesse particular, também Diego foi molestado, não se percebendo o porquê de Paulo Costa não ter sancionado uma falta flagrante de Toñito sobre o internacional brasileiro. Talvez o facto da irregularidade ter ocorrido dentro da área axadrezada tenha influenciado a decisão do árbitro mas não era preciso ter apontado para a marca de onze metros. Exigia-se, isso sim e em conformidade com a lei, que assinalasse livre indirecto por jogo perigoso, à semelhança do que fizera minutos antes após entrada bem menos ríspida de Bosingwa.
Caído do céu
Previa-se que a toada se mantivesse no segundo tempo mas o Boavista marcou através do tipo de lance em que se mostrara mais perigoso. Bola parada, está bom de ver. Lucas pingou o esférico para a área portista e do nada surgiu o golo de Cadú, com a bênção de Seitaridis e de Ricardo Costa. Assim, do céu, caiu o tento da equipa que soube ser mais feliz mas que soube, também, ser mais pragmática e cínica. Esperar-se-ia que Couceiro enfiasse a carne no assador e que Pacheco ripostasse com a entrada massiva de defensores. Nada disso! O FC Porto não foi além das catedráticas trocas-por-trocas e até Diego correu o risco de fazer o jogo todo, mesmo quando pedia a substituição desde que o jogo começara. Quaresma, como é óbvio, nada acrescentou e a lesão de Postiga roubou a única real referência que os portistas tiveram ao longo do encontro. Também do céu foram caindo ofertas de golo para os dragões mas quando a esmola é muita, o santo desconfia. Assim se conta a estória de um ex-campeão...
Balanço
O FC Porto diz adeus ao título num encontro que começou por dominar mas que abandonou após sofrer o golo de Cadú. Hoje, no Bessa, tivemos a imagem fiel daquilo que foi a época azul e branca – pouca transpiração, pouca inspiração e nenhum pragmatismo. Acima de tudo, Couceiro tem de perguntar a si próprio se conseguiu fazer com que a equipa crescesse desde que chegou e, mais do que isso, se foi capaz de ir tomando as opções mais correctas. Custa perder quando o adversário é melhor mas custa ainda mais quando se perde porque se foi menos inteligente. Hoje, como em muitas ocasiões, o FC Porto não foi inferior ao Boavista mas foi infinitamente menos cínico.
Postiga ressuscita no regresso do FC Porto às vitórias no Dragão

Foto: Lusa
Amor com amor se paga e, qual D. Sebastião, Postiga regressou ao bom futebol na tarde de sol da cidade Invicta. Marcou o único golo da partida, revelou a confiança que não lhe víamos há cerca de dois anos e mostrou que há valor no jovem plantel portista. Provas? Ivanildo correspondeu na estreia a titular e Leandro do Bomfim e Paulo Machado provaram que Couceiro sabe mexer. Apesar dos apontamentos positivos, o futebol foi quase sempre de fraca qualidade e Olegário Benquerença esteve longe de elevar o nível. Quanto ao Gil Vicente, os escassos três pontos alcançados nos últimos sete jogos deixam o galo na iminência de perder a crista.
Enquadramento.
No Dragão encontravam-se dois conjuntos altamente pressionados pela necessidade de pontos. O FC Porto via-se forçado a vencer para acreditar na revalidação do título mas vinha de uma série de três derrotas (duas delas para a Superliga) e de um humilhante percurso caseiro. Desde meados de Dezembro de 2004 que os portistas não venciam no seu terreno. Mais do que isso, era imperativo responder à vitória do Sporting e pressionar o Benfica em vésperas de saída ao Bessa. Seitaridis e Benni eram ausências por castigo, Maniche regressou lesionado da selecção nacional e estava, igualmente, fora de jogo. Relativamente ao Gil Vicente, a vitória da última jornada pusera fim a uma série de cinco derrotas consecutivas e pontos eram precisos na fuga à despromoção. Apesar desta ser, na teoria, uma deslocação sempre complicada, o conjunto de Ulisses Morais sonhava com a fórmula da repetição para agudizar a crise azul e branca. Ainda assim, as ausências de Paulo Jorge e de Marcos António eram limitadores para os gilistas.
As tácticas.
José Couceiro insistiu no 4-3-3 mas introduziu uma peça imprevista – Ivanildo. Face ao sub-rendimento de Leandro do Bomfim, o técnico portista apostou na irreverência do miúdo para a ala-esquerda. Bosingwa fez a posição do castigado Seitaridis num quarteto defensivo que incluía os habituais Jorge Costa, Ricardo Costa e Nuno Valente. No miolo, Costinha era a unidade mais recuada e fazia a transição para a linha composta por Ibson e Diego. Quaresma encarregava-se da ala-direita. Também o Gil Vicente se apresentou neste modelo, ainda que com um meio-campo de características mais defensivas e a aposta forte num trio de ataque bem aberto e que fazia da velocidade o seu modus operandi. Habitual central, Rovérsio começou como lateral-direito numa defesa constituída também por Gregory, Ezequias e Nuno Amaro. Casquilha, Ednilson e Luís Coentrão constituíam o tridente do miolo, ficando o ataque entregue a Nandinho (mais pela direita), a Fábio Januário (na esquerda) e ao ponta-de-lança Carlos Carneiro.

Confiante, disponível, decisivo. Estes são apenas alguns dos adjectivos para definir a actuação de Hélder Postiga, um atleta que tem andado totalmente arredado das boas exibições e dos predicados que o projectaram no FC Porto. Todavia, regressar da selecção com dois golos na bagagem ajuda, ajuda muito. Couceiro capitalizou a moral do avançado e este correspondeu com o golo que daria o triunfo aos dragões. Scolari afirmou que o avançado precisa de carinho mas quem aposta num jogador que nada rendera na época anterior demonstra muito mais. Hoje, Postiga pagou amor... com amor. Desperdiçou excelentes oportunidades, é certo, mas estreou-se a marcar pelos portistas na corrente temporada. Além disso, foi a referência que escassas vezes o FC Porto tem tido, trabalhou muito e quase sempre bem. Salutar este regresso do promissor atacante português.

Ulisses Morais tinha a corda na garganta mas não enveredou pela estratégia mais fácil na deslocação ao Dragão. Lançou de início três unidades de pendor ofensivo e não teve receio em arriscar, fazendo-o logo ao intervalo. Pode questionar-se a descida de Nandinho (o melhor do Gil Vicente no primeiro tempo) mas o técnico mexeu as armas que possuía. Devolveu Rovérsio ao centro, encostou Ezequias à esquerda e poupou nos meios para chegar aos fins. Não os alcançou mas revelou a ousadia e o despudor que vem faltando nesta Superliga. Ulisses Morais rejeitou abordagens que outros tiveram mas, contrariamente a estes, não saiu beneficiado. Numa prova que vive das pontuações, nem sempre é conveniente defender e manter princípios...

Elogie-se também a aposta de Couceiro no jovem Ivanildo. Promessa dos escalões de formação da casa, o avançado mereceu a confiança que merece ser dada a quem tem valor. Nenhum talento se pode confirmar sem que exista confiança e o FC Porto vem deixando passar algumas das boas promessas que passam pelas suas escolas e pelas selecções nacionais mais jovens. Ninguém pedia milagres a Ivanildo mas ele deu a irreverência, a entrega e o espírito de sacrifico que vem faltando na equipa. Soltou-se com o passar do tempo e foi ele quem sofreu a falta de que resultaria o único golo do encontro. Acabou esgotado mas as substituições estavam feitas. Ivanildo deixou no ar a vontade de o ver mais vezes, Couceiro deu indicações de que está atento aos bons valores que evoluem no Olival. Dificilmente seria maior a prova de confiança que deu a Paulo Machado quando o lançou para render Costinha...

Desculpem-me este breve desabafo mas o futebol é muito mais bonito à tarde. O péssimo momento do FC Porto impediu que se registasse outra assistência mas a envolvência é incomparavelmente melhor quando a bola se disputa a dias e horas decentes. Fica o recado!

Olegário Benquerença não conseguiu uma performance descomprometida no reencontro com o campeão nacional. Pior do que isso, dificilmente se entende que tenham ficado vestígios do Benfica-FC Porto da primeira volta. Inseguro, prejudicou o normal desenrolar do encontro e teve muitas decisões erradas. A principal terá sido o não assinalar de uma clara grande penalidade que castigaria mão de Jorge Costa em plena área portista mas também ficam muitas dúvidas num lance em que Ivanildo parece travado na zona de rigor gilista. Por onde quer que se lhe pegue, Olegário Benquerença teve uma má actuação.

Bem sabemos, é dito atrás, que as equipas que hoje se encontravam viviam sob a pressão dos pontos. Todavia, o futebol praticado foi de má qualidade. Prefiro acreditar que tal terá sido consequência do mau momento que ambas as formações atravessam, até porque os treinadores montaram esquemas e modelos que lhes permitissem chegar ao golo.
Rovérsio.
Terá sido o mais fraquinho do Gil Vicente e isso explica que também tenha sido o mais faltoso. Assim aconteceu sobre a direita, assim continuou com a passagem para a central. Chega a espantar que tenha conseguido completar o encontro.
Costinha.
Continua a errar passes em demasia, denota em cansaço físico tremendo e até no preenchimento de espaços revela deficiências. Costinha vive o futebol de forma extraordinária e isso foi evidente nos minutos que passou no banco de suplentes. Não está, e isso tem de ser reconhecido, num bom momento. Tanto a nível físico como psicológico, Costinha não é comparável com o trinco que enchia o miolo do conjunto de Mourinho.
Leandro do Bomfim.
Eureka! Bomfim é jogador para actuar com espaços, com liberdade, num esquema de contra-ataque que lhe permita explanar a mais-valia técnica que hoje exibiu. Teve pormenores deliciosos, entendeu-se muito bem com Ivanildo, Paulo Machado e até Bosingwa. Não esquecendo que Quaresma bate o livre que resulta no golo, o ex-PSV fez mais do que o extremo português em muito menos tempo de jogo.
Hélder Postiga
Pelo golo, pela postura, pelo corte com o Postiga deprimido e errante do passado recente. Muito próximo do avançado que brilhou na Superliga e na Taça UEFA, o vila-condense deixou no ar a promessa de mais remates certeiros. Ainda há que afinar a pontaria.
Remate.
O FC Porto regressou aos triunfos num encontro morno mas que oferece três pontos a quem mais os mereceu. Bem que podia ter evitado o sofrimento por que passou mas quem não vencia em casa há tanto tempo acusa, naturalmente, a pressão. Não se viu futebol que o legitime mas os portistas continuam na luta pelos lugares da frente. Quanto ao Gil Vicente, tem que descobrir o caminho da tranquilidade e uma postura mais pragmática e menos romântica. Ulisses Morais gosta de baliza mas o ponto é quem mais ordena. Olegário Benquerença esteve muito mal e nada justifica a quantidade de erros que cometeu.
Ficha do Jogo:
Estádio: Dragão
Árbitro: Olegário Benquerença
FC Porto: Vítor Baía; Bosingwa, Jorge Costa, Ricardo Costa, Nuno Valente (17', Leandro); Costinha (72', Paulo Machado), Ibson, Diego; Ivanildo, Quaresma (64', Leandro do Bomfim) e Hélder Postiga.
Gil Vicente: Adriano, Rovérsio, Ezequias, Gregory, Nuno Amaro (63', Paulo Costa); Ednilson (46', Carlitos), Luís Coentrão, Casquilha (46', Braima); Nandinho, Paulo Januário e Carlos Carneiro.
Golos:
37' Hélder Postiga (1-0)

Lisandro Lopez é reforço do FC Porto para a próxima temporada, avança o jornal O Jogo na edição de hoje. Máximo goleador do Torneio de Abertura argentina, o internacional pela selecção alviceleste foi dado como certo no Benfica durante o período de contratações de Inverno. Gorada a possibilidade de se transferir para a Luz, Licha Lopez é agora alvo dos portistas que, afirma o periódico desportivo, já garantiram a sua contratação. Muito falado para emblemas europeus, o atleta do Racing Avellaneda tem 22 anos e vale cerca de cinco milhões de dólares. Apesar da baixa estatura, é um jogador possante e que promete ser uma mais-valia para o jogo de área azul e branco.

Foto: Associated Press
Apesar de o Sporting ter conseguido o único resultado que o mantinha na luta pelo título, o grande vencedor do encontro de Alvalade foi... o Benfica. São seis pontos a separar os encarnados do quarteto de perseguidores, sendo que o FC Porto voltou a exibir gritantes fragilidades. Couceiro perdeu três encontros fundamentais e prepara-se para assumir o fracasso de uma temporada que não planeou. Hoje, como no passado, os ainda campeões demonstraram berrantes debilidades em capítulos básicos como o passe e juntaram-lhe a dose de idiotice que marcou o fim da era Fernández. McCarthy foi expulso ainda no primeiro tempo, Seitaridis teve igual sorte no lance que ofereceu a Liedson o tento inaugural. Extremamente pressionado, o Sporting fez uma exibição bastante mediana. Face a adversários destes, é q.b...
Enquadramento
Couceiro traçou com precisão os contornos desta partida - uma final para o FC Porto, uma finalíssima para o Sporting. Compreende-se o jogo psicológico mas é absolutamente trivial que os leões não beneficiariam de nenhum resultado que não a vitória. Por seu turno, o conjunto portista via a sua situação agravada em caso de derrota mas nenhum resultado ditava a eliminação do leque de candidatos ao troféu. Vindos de derrotas caseiras para Superliga, os adversários desta noite tiveram sortes diferentes a meio da semana - o FC Porto viu concluído o brilhante percurso europeu, o Sporting ultrapassou o Middlesbrough e continua a sonhar com a vitória na Taça UEFA.
Tácticas
Face às ausências de Polga, Hugo, Custódio e Rochemback, Peseiro não tinha muito por onde inventar para a recepção ao campeão. Enak e Beto eram os centrais em sobra numa defesa que contava ainda com Rogério e Rui Jorge. João Moutinho era o homem mais recuado do miolo, com Pedro Barbosa e Hugo Viana a alternarem nas alas e Sá Pinto a cair próximo do reduto mais adiantado. Liedson era o homem mais fixo, Douala tinha liberdade mas cedo preferiu a ala-direita. Por seu turno, Couceiro tinha todo o plantel disponível e protagonizou uma grande surpresa. Previa-se que Bosingwa recuperasse a posição no miolo em detrimento da nulidade Diego mas o técnico preferiu troca-por-troca e confiou no medíocre Leandro do Bomfim. Quaresma retomou a titularidade, actuando sobre a direita num esquema de 4-3-3. Pedro Emanuel ganhou a Ricardo Costa na luta pela titularidade mas o ex-PSV era o motivo de espanto geral. Tendo o FC Porto um meio-campo muito debilitado, não se compreende a não opção pelo reforço dessa zona. Até por ser aí que reside um dos pontos fortes do Sporting...
Dragões entram melhor
Todavia, foi o FC Porto o primeiro a dominar o encontro. Ainda em fase de estudo, os dragões pareciam ganhar com o natural acerto de Ibson mas, mesmo tendo mais posse de bola, permaneciam muito longe da baliza de Ricardo. De tal forma que este sol azul foi de pouca dura, ou não tivesse regressado o tempo de chuva. Neste capítulo, Douala foi o santo milagreiro que fez precipitar água dos céus. Não tardou muito para que o camaronês se apercebesse de que a lateral-esquerda dos portistas era muito apetecível e foi ver Pedro Emanuel a compensar as incursões do ex-Leiria, deixando livre espaço no centro. Nuno Valente estava permanentemente deslocado e o Sporting crescia a olhos vistos. Muito disto está também relacionado com o crescimento do miolo leonino, por oposição a um FC Porto que voltou a evidenciar tremendas debilidades no capítulo do passe, circulação de bola e preenchimento de espaços.
Momento I - Benni expulso
Apesar de a toada ser, por esta altura, já favorável ao Sporting, o sul-africano Benni McCarthy resolveu dar uma ajuda extra a Peseiro. Lance completamente estúpido do avançado, que projecta o cotovelo sobre a perna de Rui Jorge ao levantar-se. Pode discutir-se a intencionalidade e intensidade do movimento mas um reincidente como McCarthy será sempre julgado em função dos antecedentes. Incompreensível como Benni não aguenta mais de dois jogos sem ser castigado! Perdendo a referência do ataque e o único elemento que dava sentido ao disparatado futebol directo (sejamos simpáticos no termo), o FC Porto limitou as formas de acesso à baliza de Ricardo - bola parada ou um lance de génio de Quaresma. Por sua vez, o Sporting cresceu ainda mais com a vantagem numérica, sobretudo ao nível anímico. Hugo Viana foi aparecendo cada vez mais no encontro mas os leões mostravam muito nervosismo e pouco acerto. Todavia, estas são descrições extensíveis ao FC Porto e, por exemplo, à monumental gaffe de Vítor Baía. Episódios à parte, o intervalo chegou com o nulo.
Momento II - E agora com a mão!
Apesar de Peseiro nada arriscar e do Sporting se manter numa toada muito fraquinha perante tal cenário, o certo é que cheirava a golo leão. Por via das dúvidas, Seitaridis ajudou quando usou a mão para desviar um esférico que se preparava para chegar a Liedson. Previa-se que o brasileiro marcasse mas, não contente com tão pequena desvantagem, o grego deu um bónus ao Sporting. Resultado - grande penalidade, golo do melhor marcador da Superliga e o FC Porto com nove unidades. Tudo mais complicado para os dragões, que nem com onze se aproximaram da baliza de Ricardo. Foi, de facto, doloroso ver um conjunto incapaz de segurar o esférico mas também não deixa de ser lamentável que Peseiro tenha aproveitado de forma tão deficiente as debilidades da turma contrária. Permanentemente na corda bamba, o Sporting parecia demasiado temeroso quanto a um milagre que desse o empate aos portistas e nunca evidenciou uma postura que lhe permitisse matar o jogo e ir em busca da superioridade no confronto directo. Contudo, Carlos Martins sentenciou o encontro no último lance. Perante tamanhas facilidades, não se admitiria outro cenário que não a vitória do leão.
Balanço
Ter-se-á perdido tudo em três jogos? Não sendo possível tirar conclusões a esta distância, a verdade é que o FC Porto está muito longe do topo da Superliga e, pior do que isso, exibe enormes fragilidades. Deficiências que vão desde o plano técnico (passe) ao aspecto táctico (disposição das peças e cumprimento de funções), vagueando também pelo capítulo da total idiotice. Couceiro é o menos culpado mas há erros primários neste FC Porto, ainda candidato. Por seu turno, Peseiro pode esgrimir argumentos de ordem física mas o Sporting foi, dadas as circunstâncias, demasiado banal. Pior do que isso, o seu treinador revelou-se mais nervoso do que os jogadores e esteve muito mal a partir do banco. Continuando na luta, o leão tem que mostrar muito, muito mais....
Será um FC Porto altamente pressionado aquele que hoje se apresentará no Estádio de Alvalade. Num encontro que se pode revelar decisivo para ambos os lados, José Couceiro joga uma temporada que não planeou e, pouco ou nada ganhando com o triunfo, sujeita-se a perder tudo em caso de derrota. Assim sendo, não é totalmente verdadeiro o jogo psicológico que tentou fazer na antevisão do clássico. Ciente de que este encontro é uma finalíssima para o Sporting, Couceiro quis acreditar que o FC Porto joga apenas mais uma final. Depois de duas cruciais derrotas, os dragões apresentam-se em Alvalade sem qualquer lesão, castigo ou outro impedimento de ordem processual. Todavia, a vertente psicológica deve pesar imenso sobre um plantel que raramente se mostrou forte e coeso. Amanhã, em Alvalade, joga-se uma época...
Humilhado pelo Nacional, eliminado da Liga dos Campeões. Não é um cenário idílico para Couceiro mas é nestas condições que chega a deslocação a Lisboa. Forçado a vencer para manter acesa a discussão pela Superliga, o FC Porto apresenta-se num momento extremamente frágil e joga toda uma temporada em Alvalade. Poucos acreditam, apesar desta prova ser pródiga em reviravoltas, que uma derrota mantenha os campeões na discussão e é com essa realidade que os portistas têm que lidar. Na máxima força no que toca a opções disponíveis, é muito previsível que Couceiro regresse ao esquema 4-4-2. Não que o trio de centrais tenha fracassado em Milão mas o alargamento do leque de escolhas deve favorecer o regresso ao modelo que mais tem sido utilizado com a chegada do técnico ex-Setúbal. Quanto aos nomes, também não será difícil conjecturar o onze inicial. Vítor Baía é o dono natural da baliza, Seitaridis e Nuno Valente mantêm o lugar nas laterais e Jorge Costa terá ao lado Ricardo Costa. Costinha actua à frente deste quarteto e terá na linha subsequente um trio de médios trabalhadores. Partindo do princípio que a nulidade de Diego seja preterida, será crível que o regresso de Bosingwa seja premiado com a titularidade. Falta averiguar qual a condição física do médio mas é notório que a sua regularidade o tem distinguido na posição. Estando bem, o ex-Boavista será interior-direito e o reforço (na verdadeira acepção do termo) Ibson estará na posição diametralmente oposta. Maniche joga mais sobre o miolo, suportando o ataque. Ricardo Quaresma terá maior liberdade do que o avançado Benni McCarthy. Neste cenário, as principais dúvidas terão que ver com a condição física de Bosingwa e com a opção pelo companheiro de Benni. Estando bem, creio que o primeiro será opção para render – ainda que não com as mesmas missões – o inconsequente Diego, sendo que o último ainda deve beneficiar do ónus de ter entrado bem em Milão. Cláudio, extracomunitário, voltou a sair dos convocados, onde reentram Leandro do Bonfim, Bosingwa, Bruno Gama, Ibson e Luís Fabiano. José Couceiro levou vinte jogadores para Lisboa. Conheça a lista: Vítor Baía, Nuno, Leandro do Bonfim, Bosingwa, Bruno Gama, Costinha, Diego, Hélder Postiga, Ibson, Jorge Costa, Luís Fabiano, Maniche, McCarthy, Nuno Valente, Pedro Emanuel, Pepe, Quaresma, Ricardo Costa, Raul Meireles e Seitaridis.

Humilhante! Campeão perde 22º ponto caseiro após derrota histórica
José Couceiro mentiu quanto detectou garra, querer e espiríto de campeão ao FC Porto que venceu em Penafiel. Então, os campeões mais não tiveram do que pura sorte! Infelizmente para os dragões, a semana decorreu sem que ninguém atentasse na mediocridade patenteada no 25 de Abril. Resultado - o mesmo conjunto mas sem milagres. Vulgarizado por um Nacional deveras interessante, a turma de Couceiro está mais longe da luta pelo título e joga muito do que resta da temporada em Milão e em Lisboa. Como é bisonha a face do campeão nacional e europeu...
Enquadramento
Couceiro radicalizou o discurso com a referência às finais e, como tal, partia para este encontro absolutamente proibido de perder pontos. Implicava isso a inversão de uma tendência que se prolongava desde meados de Dezembro – o FC Porto não vencia no seu terreno desde então. Após seis partidas realizadas (uma delas para a Champions), o treinador contratado ao Vitória de Setúbal empatara por três vezes – todas em casa – e vencera por outras três – fora do Dragão, claro está. Em vésperas da deslocação a Milão, o campeão nacional e europeu estava obrigado a quebrar a praga de maus resultados caseiros. Por seu turno, João Carlos Pereira alcançou quatro vitórias em sete jogos mas o percurso fora da Choupana estava completamente equiparado – uma vitória, um empate, uma derrota. Ainda assim, o Dragão não parecia o palco ideal para o regresso aos bons resultados, depois da derrota frente ao Benfica.
Tácticas
Ninguém se espantará com mais um novo onze do FC Porto, desta feita privado de Benni McCarthy (castigado, ora pois) e de Maniche (poupado). Não impediu isto nova aposta no 4-3-3, com Ricardo Costa a retomar o lugar junto de Jorge Costa e Seitaridis a regressar à ala-direita. Costinha era o vértice mais defensivo de um triângulo constituído também por Ibson e por Diego. Mais uma vez, o primeiro foi bem mais expedito do que o último, sendo que Leandro do Bomfim e Quaresma também não revelavam arte para desequilibrar nas alas. Na frente, Luís Fabiano aparecia demasiado só para se revelar aos adeptos do Dragão. Mesmo esquema utilizado por João Carlos Pereira, ainda que com óbvias diferenças ao nível comportamental. João Figaldo juntava-se a Ávalos no centro de uma defesa que tinha os habituais Emerson e Alonso nas laterais. Cléber Monteiro actuava sem bola e a missão de condução do futebol insular estava entregue a Bruno (ex-FC Porto) e a Gouveia. Adriano era o homem mais avançado, seguido nas alas por Miguel Fidalgo e por Marcelo, unidades de contra-ataque mas que ajudavam a fechar nas acções sem bola.
Positivo
+ A época tem provado que não é preciso muito para sair do Dragão com alguns pontos na bagagem mas há que elogiar, ainda assim, o rigor com que o Nacional se apresentou. João Carlos Pereira mais não terá feito do que imitar as fórmulas vencedoras de Boavista, Beira-Mar e Sporting de Braga mas o certo é que o seu conjunto exibiu uma coesão e um cumprimento das tarefas pedidas verdadeiramente notável. Hilário esteve excelente quando chamado a intervir e um par de elementos foi bastando para alimentar um ataque extremamente feliz. Melhor era impossível...
+ João Carlos Pereira fez, de facto, um bom trabalho de casa. É inegável que o Nacional cresceu fora da Choupana desde que o técnico ex-Académica assumiu o leme. Concretiza-se isto no dobro da vitórias conseguidas até então e num score altamente favorável aos insulares. Apenas uma derrota e um empate, sete pontos preciosos na luta por um lugar mais consonante com o valor dos madeirenses. Parabéns para quem trabalha.
+ Ibson voltou a ser o melhor do FC Porto. Uma constante desde que o ex-Flamengo chegou ao clube, sendo que o médio foi bastante prejudicado com as alterações introduzidas para a segunda metade. Num imenso recital de vaidades e egos injustificados, ele foi a velocidade, o rigor, a máquina que voltou a respeitar os cânones do bom futebol que se exige a um candidato ao título. Fossem todos como Ibson!
Negativo
- Há imensas debilidades tácticas no FC Porto. Não se concebe o terrível preenchimento de espaços num conjunto que se quer de pendor ofensivo. Continua a ver-se um ataque imensamente desapoiado, o que dificulta a fluidez e a qualidade de passe mas também a rápida recuperação de bola aquando da sua perda. Recorra-se a um termo que fez moda há dois anos atrás para concluir o óbvio – não há pressão alta, não se ganham segundas bolas. Provém isto da deficiente colocação dos elementos mas também da nula capacidade de trabalho de grande parte dos jogadores do FC Porto. E isso, parece-me, é absolutamente inconcebível.
- Não foi o jogo 100 com que Costinha terá sonhado. Bem distante do fulgor de outros tempos, o trinco personificou a gritante mediocridade dos portistas num capítulo que é essencial a uma equipa de futebol – o passe. Foi um sem número de solicitações despropositadas, ainda que se deve alargar esta menção negativa a elementos como Diego, Quaresma ou Leandro do Bomfim. Obviamente, a crítica relativa a aspectos técnicos poder-se-ia alargar mas quando não se consegue fazer rodar a bola com uma sequência de três passes torna-se impossível jogar futebol.
- José Couceiro, repito, mentiu quando detectou espírito de campeão ao FC Porto que venceu em Penafiel. Fica-lhe bem o reconhecimento de que a exibição desta noite foi bisonha mas é bom que ele se inclua no rol de críticas (duras, bem duras) que lançou a alguns jogadores e, numa forma geral, ao colectivo. Sem brilho, Couceiro foi levando a carruagem até ao dia de hoje. Não exibiu, todavia, qualquer significativo desenvolvimento na qualidade futebolística. Aparentemente, o treinador foi ao flash-interview para anunciar um murro na mesa. A ver vamos...
- Última nota, muito breve, para o erro de Mário Mendes no julgamento do lance que viria a resultar no segundo golo do Nacional. Adriano impede Ricardo Costa de se fazer à jogada que Alonso aproveitou para transformar. Mas falhas destas parecem irrelevantes quando o placard final regista 0-4...
Destaques do Terceiro Anel
O duro: Cléber Monteiro. Desde cedo se viu ao que vinha o médio insular. Três faltas em menos de dez minutos e um cartão amarelo que travou o seu estilo faltoso. Cléber não é jogador para embelezar, José Carlos Pereira destinou-lhe a missão de destruir e foi isso que o trinco fez.
Que pesadelo! Leandro do Bomfim. Rotulado de médio-criativo, o ex-PSV voltou a actuar sobre a esquerda – desta feita mais avançado no terreno – e muito se falou da sua inclusão no onze. Nada ganhou com isso o FC Porto! Leandro falhou imensos passes, não revelou primorosos dotes técnicos, não envolveu o futebol portista. Talvez seja injusto individualizar nele grande parte dos males desta equipa mas esperava-se bem mais do brasileiro...
O dandy: Alonso. Extremamente seguro a defender, raramente foi ultrapassado por Quaresma, Bomfim e companhia. Mais do que isso, esteve brilhante no aproveitamento do lance que resultou no segundo golo. Assim se coloca a cereja em cima do bolo e João Carlos Pereira tem nas mãos o sucessor de Rossato. Hoje, Alonso enterrou o que restava do defunto FC Porto.
O Ás: Bruno. Infeliz na passagem pelas Antas, Bruno mostrou quão útil pode ser a uma equipa com as ambições do Nacional. Cumpridor tacticamente, ele foi o garante da coesão defensiva pela coordenação dos espaços mas também o dínamo dos mortíferos contra-ataques insulares. Muito justamente, fechou a contagem com um livre à Bruno. Sem pretensões de estrela, até por não ser desses jogadores que vive um clube como o Nacional, o médio foi decisivo.
Remate
Foi amplamente elogiado o trabalho do Nacional mas permitam-me que a conclusão se centre na terrível mediocridade do FC Porto. Nenhum candidato ao título pode passear tamanha ausência de ideias, de vontade, de espírito competitivo. Couceiro não escolheu o grupo mas tem amplas responsabilidades no prolongar no nihilismo que tem pautado a época deste plantel. Não se vêem melhorias, não é possível delinear qualquer ténue progresso. Este FC Porto não merece ser campeão mas poucos parecem incomodados com isso. Por seu turno, João Carlos Pereira vai elevando o Nacional na tabela e na qualidade. Os da Choupana já vencem fora de casa e longe vão os dias de aperto...
Ficha do Jogo:
Estádio: Dragão
Árbitro: Mário Mendes
FC Porto: Vítor Baía, Seitaridis (Cláudio, 45´), Jorge Costa, Ricardo Costa e Nuno Valente; Costinha (Leo Lima, 62´), Ibson e Diego; Leandro do Bomfim, Ricardo Quaresma e Luís Fabiano (Hélder Postiga, 45´)
Nacional: Hilário; Emerson, João Fidalgo, Ávalos e Alonso; Cléber Monteiro, Bruno e Gouveia (Hernâni, 79´); Miguel Fidalgo (Viveiros, 66´), Marcelo (Marchant, 58´) e Adriano
Golos:
4' Miguel Fidalgo (0-1)
60´ Alonso (0-2)
69´ Nuno Viveiros (0-3)
84´ Bruno (0-4)
Cartões Amarelos:
FC Porto: Nuno Valente e Leandro do Bomfim
Nacional: Hilário e Cléber Monteiro
Cartões Vermelhos:
nada a registar

Foto: Reuters
Ponto prévio – o FC Porto (e as generalizações são sempre perniciosas, mas já lá vamos) nada fez para merecer a tremenda sorte que lhe permitiu vencer em Penafiel. McCarthy concretizou a reviravolta no último minuto de compensação e, na verdade, foi ele o único que compensou a falta de inspiração com extrema transpiração. Couceiro radicalizou o discurso (as finais, lembram-se?) mas, a julgar pela amostra, mais valia prolongar o blackout. Numa partida bizarra, que começou com o golo de Wesley, os portistas foram um vazio organizacional que se misturou com uma entrega nula. Hoje, em Penafiel, o campeão só teve uma característica a distingui-lo – a estrelinha.
Tácticas?! Quais tácticas?
Os fanáticos da organização e das nuances esquemáticas não deviam ter visto este encontro. De facto, o madrugador golo do Penafiel adulterou todas as montagens que Luís Castro e José Couceiro tenham programado para esta partida. Comece-se, pois, pelo tal lance capital ocorrido antes de completo o segundo minuto do encontro. Clayton explorou a total ausência de rotina de Raul Meireles para servir Wesley, o homem-golo do Penafiel. Nuno Valente voltou a chegar atrasado mas também os centrais parecem surpreendidos pela facilidade com que o ex-colega de desembaraça, com alguma sorte à mistura, de Meireles. Chamado em função das ausências de Seitaridis, Ricardo Costa e Bosingwa, o médio revelou-se uma péssima opção para o posto de lateral-direito. Não se exijam milagres a um jogador pouco utilizado e que, agrave-se o cenário, é chamado para uma posição que lhe é estranha mas o certo é que o ex-Boavista não é o único culpado pelo que se seguiu. Se Luís Castro já havia montado um esquema de contra-ataque, a vantagem precocemente ganha favoreceu a colocação das linhas durienses bem próximas da baliza de Nuno Santos. Todavia, o FC Porto raramente aproveitou o convite e o Penafiel fazia das tripas coração para afastar a bola dos seus redutos mais atrasados e, se possível, fazer chegar bolas a Clayton e a Roberto.
Campeão?! Qual campeão?
Ainda que tolhido pelo golo de Wesley, o futebol portista não pode inventar desculpas para tamanha mediocridade. A desorganização era total mas sobressaía o deprimente laxismo de várias unidades do campeão nacional, que não reagiu à desvantagem e tinha em McCarthy o elemento mais inconformado. Foi ele a criar os melhores lances dos dragões, foi ele o oásis num deserto de vaidades incompreensível. Quaresma e Diego, por exemplo, revelavam um gritante afastamento do encontro e se o primeiro regressava à já habitual atitude egocêntrica, o último insistia em alhear-se do jogo. O intervalo chegou sem nenhum indício de descontentamento e a etapa complementar começou na mesma toada. Em resumo, o FC Porto acreditava que a vitória lhe chegaria do céu. Atitude verdadeiramente incompreensível num conjunto em permanente oscilação. Que dizer de Luís Fabiano, que substituiu Maniche ao intervalo, e nada fez durante 45 minutos? Nada de agradável, pois, pelo que passamos ao acto seguinte...
Sorte?! E Benni...
Com Leandro do Bomfim a actuar como não-sei-quê-esquerdo e um esquema completamente indecifrável (ainda que a segunda metade tenha começado com um claro 4-3-3 que encostava Benni à esquerda, Quaresma à direita e Fabiano ao centro), o FC Porto mantinha-se longe da baliza de Nuno Santos e o contra-ataque penafidelense até se aproximava do segundo golo. Nesta toada, o tento de Pedro Emanuel caiu, literalmente, do céu! Excelente livre de Nuno Valente e cabeceamento do central para a igualdade, aproveitando a ataraxia do Robocop Fernando Aguiar. Restavam dez minutos para jogar mas nem o golo espevitou o campeão. Leo Lima entrou com o mesmo ritmo exibido por Diego e companhia, pelo que até foi o Penafiel a aproximar-se, de forma tão desajeitada quanto a defesa do FC Porto, do segundo golo. Benni, por seu turno, prolongava a incansável luta contra a desinspiração e contra o conformismo dos colegas. O sul-africano ensaiou antes de matar o encontro, ainda que o fora-de-jogo tenha anulado o teste. Todavia, não chegou para impedir que o avançado assinasse o tento que ele, mais do que ninguém, fez por merecer! Ainda que todos tenham festejado, ainda que a imagem de união final pareça bonita, a vitória premeia quem a fez por merecer e esse foi, muito claramente, Benni McCarthy. Não se iluda José Couceiro porque de campeão o FC Porto só teve a estrelinha. E Benni, pois claro...

Foto: Reuters
Resultado justo em noite de bom futebol e que levou ao Dragão dois conjuntos interessados em vencer. Aceitar-se-ia qualquer desfecho mas a repartição de pontos é totalmente correcta. Mais do que isso, a partida de hoje mostrou algo que nem sempre se viu a FC Porto e a Benfica. Actuando a este nível até final da Superliga, temos candidatos ao título. Couceiro deve rever processos defensivos, Trap lamenta a desvantagem no confronto directo mas terá ganho a força psicológica necessária para o que resta da temporada. Sendo que ambos os clubes fizeram por vencer, ninguém se pode dar por satisfeito com o resultado desta noite. O FC Porto continua sem vencer no Dragão, o Benfica pontuou na Invicta muitos anos depois...
Esquema aguardado mas Postiga é surpresa
José Couceiro não surpreendeu na táctica utilizada mas introduziu um nome que não estaria nas cogitações. Quaresma estivera apagado frente ao Inter, sendo rendido por Postiga no apoio a Benni McCarthy. Ibson e Maniche formavam uma excelente parelha no miolo, sendo que nenhum deles se fixou num raio de acção limitado. Isto não resultava num modelo anárquico, até porque ambas as unidades revelavam excelente leitura táctica. Por outro lado, eram eles a dar fluidez ao futebol portista, com Diego a um nível superior comparativamente com exibições recentes mas, ainda assim, longe do ideal. McCarthy segurava mais jogo de que um Postiga muito abnegado mas amiudadas vezes trapalhão, tolhido pela vontade.
Trap muda homem da frente
Também não se registaram surpresas no sistema encarnado, apontando-se apenas a introdução de Karadas no lugar de Nuno Gomes. Ganhou o Benfica uma referência no ataque, sendo que o norueguês funcionou mais como pivot do que como finalizador. Geovanni tinha apoio constante de Miguel e Dos Santos também revelava facilidade em se envolver no ataque. Confiante, o Benfica surgiu no Dragão para discutir o resultado e logrou dar uma imagem bem superior àquela que vinha exibindo em encontros recentes. Bastante disponíveis, os encarnados superavam com relativa facilidade a vantagem numérica do miolo portista, até porque os alas revelam uma capacidade de sacrifício notável. Petit, mais do que Manuel Fernandes, voltou a tomar conta do miolo benfiquista.
Encarnados entram melhor
À semelhança do que acontecera em Braga, o Benfica voltou a entrar muito bem. Extremamente pressionante, actuou em bloco junto do meio-campo portista e logrou conter o esquema de posse de bola que Couceiro teria delineado. Foi um quarto-de-hora muito interessante do Benfica, ainda que sem criar reais ocasiões de perigo. Todavia, serviu para deixar a indicação de que os encarnados vinham para discutir o resultado. Tal como atrás referido, Karadas era o pivot do ataque lisboeta, actuando preferencialmente de costas para a baliza e servindo o jogo das alas, sempre bem apoiadas pelo envolvimento dos laterais. Todavia, o futebol encarnado não estava dependente das faixas, algo que vem sendo uma constante desde a chegada de Nuno Assis, um atleta muito móvel e com toque de bola.
FC Porto apresenta-se
A partir de então, surgiu a tal máquina de bom futebol portista. Diego exibia-se um furos acima do habitual, ainda que não atingisse o patamar de um Ibson ou de um Maniche. Muito ganha Couceiro com a boa forma destas unidades, com evidente qualidade futebolístico, toque de bola, qualidade de passe, capacidade de actuar em progressão. Em suma, um regalo. McCarthy, apesar das diferenças de estatura, passou a discutir e a ganhar lances aos centrais encarnados, tendo feito um óptimo jogo. Postiga teve mais querer do que poder mas, por esta altura, o encontro pertencia ao FC Porto e começavam a desenhar-se reais ocasiões de golo. Ainda que na posição de dominado, o Benfica nunca pôs de parte as iniciativas ofensivas e foi impondo respeito ao campeão. Todavia, foram mesmo os visitados a controlar até ao descanso, ainda que alternando períodos de grande fulgor com uma acalmia inconsequente.
Dragões reentram a matar...
... mas não marcam! Soberbo quarto-de-hora por parte do FC Porto, exibindo uma extraordinária envolvência e uma qualidade de jogo que chegou a sufocar o Benfica. Ibson e Maniche eram as estrelas da companhia, fazendo a bola rolar, abrindo nas alas ou progredindo centralmente. Todavia, o intenso ataque à baliza de Quim não se concretizou em golos, algo que os portistas já justificavam plenamente. Curiosamente, só o fizeram quando o Benfica já reaparecera no encontro, criando até excelentes situações por Nuno Assis e Geovanni. Parecia que os encarnados estavam de volta ao encontro mas Nuno Valente serviu McCarthy para o regresso do sul-africano aos golos! Lance fácil para o avançado e o FC Porto estava na frente, logo no período menos fulgurante dos dragões desde que recomeçara a partida.
Entra Quaresma, Benfica agradece
Postiga saiu imediatamente após o tento de McCarthy, sendo rendido por Quaresma. Couceiro já tinha a troca planeada e tudo indicava que a entrada do ex-Barcelona seria proveitosa. Todavia, Ricardo nada acrescentou ao futebol portista, agora assente numa outra toada. Raramente foi capaz de desequilibrar, raramente se entregou ao encontro com a mesma garra com que o faziam quase todos os colegas. Até que chegou o golo do empate, obtido por Geovanni após canto na direita. Incompreensivelmente, o brasileiro conseguiu impôr-se e cabecear para a igualdade. Tremenda falha da defensiva portista! Até final, viveu-se o período mais interessante de toda a partida, no sentido em que ambas as balizas estiveram sob fogo. Com efeito, a vitória poderia ter pendido para qualquer dos conjuntos, até porque ambos tiveram excelentes ocasiões de golo.
Balanço
Tal não veio a suceder, sendo que o resultado final é totalmente aceitável. Fosse permitido e ambas as equipas ficariam com três pontos, tal a entrega que tiveram ao jogo e o brilhantismo que, a largos espaços, conseguiram exibir. Vendo este jogo, a Superliga pouco deve às grandes provas europeias. Ambiente, emoção, espírito vencedor. Ainda que ambos devam estar a lamentar, por esta altura, os dois pontos perdidos, sobra a ideia clara de que, a este patamar, há dois fortes candidatos ao título nacional. Couceiro tem vantagem sobre Trap no confronto directo e, tal como se encontra esta Superliga, isso pode vir a revelar-se importante para as contas finais.
Melhor em Campo - Ibson

Foto: UEFA
Cenário idílico para José Couceiro, que tem uma imensa maioria do plantel à disposição. Nunca, durante toda esta temporada, se puderam deixar de lamentar ausências por lesão ou por castigo mas hoje há apenas uma desculpa para o FC Porto que encara a primeira recepção ao Benfica no Estádio do Dragão. Lesionado na partida diante do Inter de Milão, Bosingwa é o único elemento indisponível. Forçado a vencer, Couceiro tem aqui mais uma oportunidade de arrancar para um resto de temporada mais tranquilo. Assim o exigem os adeptos portistas, desesperados por uma vitória... em casa!
Enquadramento
18 de Dezembro de 2004! Para os mais esquecidos, é esta a data da última vitória caseira do FC Porto. Foi frente ao Moreirense e por números tangenciais, como tangenciais têm sido as vitórias alcançadas na era Couceiro. Curiosamente, o novo técnico tem intercalado triunfos com empates, sendo que a lógica levará a concluir que se seguirão três pontos à igualdade cedida perante o Inter. Todavia, sabemos bem que o futebol não se coaduna com cálculos matemáticos. Líder da Superliga, ainda que partilhando o posto com o adversário de hoje, interessará ao FC Porto garantir a vantagem no confronto directo com o Benfica. Ainda que seja prematuro efectuar essas contas, não é de excluir que a competitividade se mantenha elevada entre alguns conjuntos e, nesse sentido, pode até chegar-se a uma situação de igualdade pontual no termo da Superliga. De qualquer forma, o pensamento portista terá de passar obrigatoriamente por uma vitória até porque, reforce-se, nunca antes um treinador teve tanto por onde escolher.
Táctica
Alargado o lote de disponíveis, alargam-se também as alternativas tácticas. Ainda assim, parece crível que Couceiro volte a optar pelo 4-4-2. Resulta esta posição da necessidade de ganhar ascendente numérico sobre um conjunto alicerçado em 4-2-3-1, limitando acções de alguns elementos fundamentais no Benfica de Trap. Sendo certo que a chegada de Nuno Assis amenizou a dependência dos alas, parece lógico que Costinha será o responsável pelo criativo ex-Guimarães, algo que não atrapalha o apoio do trinco aos centrais uma vez que estes se encontram em vantagem numérica perante Nuno Gomes. Por outro lado, a opção por médios-interiores permite que os laterais sejam permanentemente apoiados em caso de progressão pelas extremidades do ataque encarnado. Sendo que só existe uma bola (logo, ela só pode estar num flanco), soa lógico que apenas um dos centro-campistas assumirá a função de acompanhamento das incursões laterais. Isto liberta o colega do lado oposto para a vigilância das subidas de Petit e de Manuel Fernandes, tarefa na qual é auxiliado pelo elemento responsável pela organização de jogo. Este esquema favorece igualmente a construção do ataque, porque tem facilidade em colocar bastante homens em situação ofensiva – o que, estou em crer, também deve ser suficiente para impôr travões a Petit, uma unidade que gosta de subir no terreno e tentar o remate de longe. Sendo óbvio que os interiores terão missões de lateralização do jogo, parece também fundamental o apoio dos laterais e o espírito de iniciativa da unidade que jogará por detrás do avançado fixo.
Nomes
Facilitemos a análise com o recurso aos nomes. Parece-me que se colocam duas dúvidas a Couceiro. Uma será menos decisiva, residindo na opção por Jorge Costa (não joga há seis partidas, vem de lesão) ou por Pedro Emanuel no apoio ao enraizado Ricardo Costa. Outra andará à volta de Raul Meireles ou Diego. Maniche deu óptimas indicações frente ao Inter, assumindo-se facilmente como o organizador que o brasileiro não tem sido. Todavia, a entrada do ex-Santos remetê-lo-ia para a posição que mais vezes tem ocupado mas forçaria à exclusão de Meireles, que não sendo vistoso se revela muito útil nas missões ofensivas (tem toque de bola fácil) e é muito mais rigoroso do que Diego ao nível táctico, sendo que Maniche também supera o jovem canarinho nesse particular. Todavia, estou em crer que a escolha de Couceiro vai recair sobre Diego, o que implica que o camisola 18 actue como interior-esquerdo. Face à ausência de Bosingwa, Ibson ocupa a direita do miolo, ele que seria um forte candidato à titularidade em qualquer circunstância. Ainda que tenha estado apagado diante do Inter, Quaresma deve manter o lugar no onze, actuando como unidade mais livre. Espera-se que não tenha grandes constrangimentos de ordem defensiva e que actue perto das alas, de forma a que também possa aproveitar as incursões dos laterais encarnados. McCarthy será o ponta-de-lança. Couceiro irá também escolher a constituição do banco, até porque convocou vinte atletas. Destaque-se a inclusão de Leandro do Bonfim, resolvida que está a situação contratual com o PSV Eindhoven. Promissor médio ofensivo, o brasileiro não convenceu na Holanda e resolveu-se, inclusive, um jogador problemático. A ver vamos se marcará o seu espaço no FC Porto...
Convocados
Vítor Baía
Nuno
Jorge Costa
Pedro Emanuel
Pepe
Ricardo Costa
Seitaridis
Nuno Valente
Costinha
Raul Meireles
Leandro do Bonfim
Léo Lima
Diego
Ibson
Maniche
McCarthy
Luís Fabiano
Hélder Postiga
Quaresma
Cláudio

Foto: UEFA
Não foi desta que se quebrou a invencibilidade do Inter e nem sequer se pode afirmar que o FC Porto tenha estado mais próximo desse feito do que esteve de partir para Milão com a obrigação de virar uma derrota. Não se conclua desta premissa que os dragões fizeram uma má exibição. Com efeito, esta até foi uma agradável excepção à mediocridade que tem pautado as actuações dos portistas no seu terreno. Tendo como referente o padrão exibicional da corrente época, viu-se hoje um FC Porto bastante interessante. Todavia, do outro lado estava um Inter imbatível à quase quatro dezenas de jogos. Está muito complicada a continuidade de Portugal na Liga dos Campeões mas, diz o povo, “a esperança é a última a morrer”.
Enquadramento
Líder destacado no grupo que o sorteio lhe destinou para a fase inaugural da prova, o Inter de Milão chegava ao Porto na máxima força. Mancini dera-se ao luxo de prescindir de Davids e de Recoba e nem as dúvidas em torno da disponibilidade de Martins e de Vieri retiravam ambição aos nerazurri. Bater o Inter pela primeira vez na corrente temporada era o incentivo extra que se apresentava ao FC Porto. Todavia, um jogo desta natureza representava, por si só, um enorme aliciante. Estreante nestas lides, José Couceiro via-se privado de um organizador de jogo. Diego estava castigado, Ibson não foi inscrito no prazo previsto, Leo Lima e Leandro do Bonfim já haviam actuado nas competições europeias. Também Jorge Costa era carta fora do baralho, devido a castigo.
Táctica portista não surpreende
Dadas estas limitações no leque de escolhas, era previsível a opção táctica de José Couceiro. De resto, também não se registaram surpresas no que concerne a nomes. Vítor Baía ocupou a baliza, Seitaridis regressou à lateral-direita e o mesmo aconteceu com Pedro Emanuel, de volta à parceria com Ricardo Costa. Nuno Valente era o dono do lado esquerdo e tinha Bosingwa à frente. Raul Meireles assumia-se como médio-interior direito, com Costinha na posição habitual e Maniche a fazer de armador, ainda que a partir de linhas recuadas. Ricardo Quaresma aparecia sobretudo pela direita, sendo que o regressado Benni McCarthy ocupava a posição mais avançada. Este esquema confiava a Bosingwa a ala esquerda, aproximava Meireles de Maniche na missão de condução e devolvia Quaresma à direita, ainda que com liberdade assinalável. Nuno Valente e Seitaridis, mais este, tinham ordens para apoiar as acções ofensivas.
Mancini apresenta 4-4-2 com variações
Mais previsível o esquema italiano, ainda que importe mencionar determinados desdobramentos que se vieram a revelar eficazes. Castigado durante as duas últimas partidas da Serie A, Marco Materazzi recuperou o lugar no onze, relegando Sinisa Mihajlovic para o banco. Ivan Córdoba actuava ao seu lado, com Javier Zanetti na direita e Favalli na esquerda. Cristiano Zanetti fazia parelha com Cambiasso na linha mais recuada do miolo. Todavia, se o primeiro raramente se imiscuía em missões ofensivas, o segundo fazia-o com frequência. Infeliz em Madrid, o argentino fazia valer a sua cultura táctica e o toque de bola fácil que o caracteriza. Stankovic, mais evoluído do ponto de vista táctico, superou a concorrência de Kily e Veron fechava o quarteto, prevendo-se que actuasse sobre a direita. Assim acontecia nas missões defensivas, sendo que a posse de bola fazia o ex-Chelsea aparecer sobre o miolo, conduzindo jogo. Neste cenário, o versátil Adriano surgia da direita para o centro, iludindo marcações, embalando para o tipo de jogo em que é forte. Martins funcionava como homem mais fixo, ainda que as suas características o impeçam de se prender a um espaço. Obafemi procura jogo, discute lances com adversários mais fortes e mais altos, tem uma mobilidade e uma entrega ao jogo que Vieri não exibe.
Jogo aberto até lesão de Bosingwa
Desde cedo se viu que, não obstante as idiossincrasias do encontro, o Inter vinha ao Dragão para marcar e, se possível, ganhar. Rigoroso nas acções sem bola, o conjunto italiano desdobrava-se com facilidade para o ataque. Adriano e Martins revelaram facilidade em marcar um espaço junto do último reduto portista e a combatividade que emprestaram ao encontro indiciou sarilhos para Vítor Baía. Stankovic estava apagado mas muito cumpridor tacticamente, sendo que Veron revelava maior protagonismo, algo que lhe foi facilitado pelo imenso toque de bola que possui. Ainda assim, parece-nos que o retraimento do médio ex-Estrela Vermelha está relacionado com o pendor ofensivo que Seitaridis cedo mostrou. Assim sendo, entregar Favalli a possíveis situações de inferioridade numérica perante a ala direita portista podia resultar em complicações. Feitos os ajustes ali, havia também que assegurar a neutralização do poder de progressão de Bosingwa, que se destacou na esquerda e contava com o apoio de Nuno Valente. McCarthy também parecia motivado e o encontro estava interessante, numa toada bipolar assente no conceito de futebol de ataque.
“Faca de dois legumes”
Todavia, a lesão de Bosingwa veio desequilibrar a balança, agora claramente favorável ao Inter. Extretamente passiva, a postura portista convidava ao normal atrevimento nerazurri. As pernas tremiam perante Adriano e Martins, extremamente irrequietos e possantes. Ambos logravam progredir até linhas bastante avançadas, perante o permissível comportamento dos dragões. As linhas médias não actuavam com agressividade na busca da bola e isso encorajava o futebol transalpino. Neste contexto, os italianos chegaram à vantagem quando Paulo Machado aquecia para render o limitado Bosingwa. Numa rara incursão de Stankovic pela esquerda (aproveitando o balanceamento de Seitaridis), o sérvio ofereceu ao isolado Martins o tento inaugural. Jaime Pacheco chamar-lhe-ia a “faca de dois legumes”! Forçado a fazer todo o corredor, Seitaridis não foi compensado defensivamente e o ala-esquerdo milanês surgiu nas costas para oferecer o tento inaugural ao nigeriano, que só encostou.
Senta-se Paulo Machado, entra Fabiano
Bosingwa foi rendido pouco depois mas por Luís Fabiano. Couceiro viu-se perante um dado novo, até porque o Inter tinha conseguido aquilo que o FC Porto queria impedir – a vantagem do golo fora. Paulo Machado regressou ao banco e o avançado ex-São Paulo foi chamado para entrar. Resulta daqui a mudança do estilo de jogo, até então baseado na progressão lateral. Dispensou-se o meio para chegar ao fim (último reduto do Inter), ainda que Benni tenha herdado a missão de procurar jogo em outros terrenos. Ainda assim, a necessidade obrigou Couceiro a optar por um modelo mais directo mas poucas foram as ocasiões em que, até final da primeira metade, se ameaçou a baliza de Toldo. Facilmente anulados pelo alto e duro Materazzi e pelo baixo mas eficaz Córdoba, os avançados portistas revelavam-se inconsequentes. Com efeito, continuaram a ser os centros de Seitaridis o sustento do curto poder de fogo que o FC Porto demonstrava ter.
Intervalo faz bem
Importa referir a importância que o regressado Maniche tinha na condução do futebol portista. Bem distante do ritmo “a passo” que tem marcado as actuações do clube pela Superliga, o dinamismo imposto pela qualidade de passe do internacional favoreceu a progressão e o constante movimento da bola entre sectores. Todavia, Quaresma voltava a protagonizar uma performance desinspirada, ainda que o FC Porto tenha encontrado alternativas. Defensivo, o Inter encostava agora Adriano à lateral onde não estava Seitaridis mas poucas bolas chegavam ao ataque milanês. Crescia o conjunto de Couceiro, com McCarthy bem mais empenhado do que Fabiano e Raul Meireles a crescer para uma óptima parelha com Maniche. Estas duas unidades faziam correr a bola, abriam opções, descobriam alternativas.
Enfim, o empate (salvo por Baía)
Também melhor surgia Nuno Valente, sendo que dos seus pés saiu o golo da igualdade. Livre rapidamente batido por Maniche e cruzamento do lateral para o segundo poste. Inesperadamente, Toldo falhou a intercepção e Costinha encostou para a conclusão de Ricardo Costa. Chegava o empate e o momento podia empurrar o FC Porto para o segundo golo. Todavia, o fulgor cedo se esfumou e Mancini leu bem as incidências da partida. Muito ganhou o Inter com a inclusão do turco Emre, exímio marcador de lances de bola parada. Foi aí que os italianos se revelaram e foi daí que podia ter chegado a vitória. Vítor Baía salvou o FC Porto por várias ocasiões nos minutos finais, aqueles em que os nerazurri se costumam revelar mais fortes.
Balanço
Resultado justo e amplamente favorável aos italianos, que partem em vantagem para o encontro da segunda volta e são favoritos à passagem para a fase seguinte. Sendo óbvio que o FC Porto não pode entregar a eliminatória, há que ter a noção de que é preciso ser eficaz em Milão. Favalli e Materazzi não jogam no Giuseppe Meazza (será uma contrariedade ou uma mais-valia?) e é bom que Couceiro tenha em mente que é provável que o Inter não fique em branco. Assim sendo, há que trabalhar a eficácia e descobrir mecanismos que ofereçam esperança aos portistas. Deixe-se aqui uma constatação – o percurso dos dragões é bem mais positivo fora do Dragão. Resta acreditar...
Ficha do Jogo
Quarta-Feira, 23 de Fevereiro de 2005
Estádio do Dragão, cerca de 40 mil espectadores
Árbitro - Graham Poll (Inglaterra)
FC PORTO – Vítor Baía; Seitaridis, Ricardo Costa, Pedro Emanuel e Nuno Valente; Raul Meireles e Costinha; Bosingwa (Luís Fabiano, 27 m), Maniche e Quaresma (Hélder Postiga, 82 m); McCarthy.
INTER – Toldo; Javier Zanetti, Córdoba, Materazzi e Favalli; Veron (Emre, 70 m), Cristiano Zanetti, Cambiasso e Stankovic; Martins e Adriano (Vieri, 80 m).
Disciplina: cartão amarelo a Favalli, Córdoba e Costinha.
Marcador: 0-1 por Martins (23 m); 1-1 por Ricardo Costa (60 m).

Não há grandes diferenças entre o Inter de Milão actual e o aqui analisado a 17 de Dezembro de 2004, dia em que se ficou a conhecer o adversário do FC Porto para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Exige-se, todavia, uma pequena actualização e a previsão daquilo que amanhã pode acontecer no Estádio do Dragão.
1 – FC Porto mudou, Inter mantém-se

Foram dois meses conturbados para os lados do Dragão, ainda que o emblema ocupe a liderança da Superliga e parta com ambições para a ronda da Champions que se aproxima. Todavia, o reinado de Fernández terminou de forma abrupta. Grande instabilidade exibicional, poucas perspectivas de evolução e uma crescente contestação ao trabalho da direcção, equipa técnica e plantel. Como é hábito nestas situações, o treinador é o sacrificado e assim aconteceu com o espanhol.
Para o seu lugar foi contratado José Couceiro, uma personalidade com fortes ligações ao futebol português mas com poucas provas dadas no cargo de técnico. Com efeito, a prestação que vinha conseguindo em Setúbal constitui mesmo o seu cartão de visita, manchado pela descida de divisão em Alverca, na época transacta. Comparado ao agora treinador do Chelsea, Couceiro tem procurado marcar uma postura forte e aparenta ter dominado o balneário. Todavia, o FC Porto ainda não teve provas de fogo sob a sua liderança e os desafios aprazados para os próximos dias são, efectivamente, dois enormes testes à capacidade desta equipa técnica e ao futuro próximo dos portistas.
Também no plantel se registam enormes diferenças. Derlei e Carlos Alberto eram unidades importantes mas saíram no mercado de Inverno, tal como Maciel, Hugo Almeida, Hugo Leal e César Peixoto. Entraram Leandro, Cláudio, Leo Lima, Ibson e Leandro do Bonfim mas só os dois primeiros podem ser utilizados na Champions. Por outro lado, saliente-se o regresso de Nuno Valente (voltou à competição na Amoreira) e também se aguarda que Maniche esteja ao mais alto nível na noite de amanhã. Operado em Dezembro, o médio foi expulso na curta aparição diante do Sporting de Braga e só agora pode fazer a estreia com Couceiro.
Por seu turno, o Inter mantém a estrutura aqui retratada em Dezembro. Giovanni Pasquale já não faz parte do plantel europeu, tendo sido substituído por um colega de posto. Referimo-nos ao lateral-esquerdo Francesco Coco, um atleta de 28 anos que surge recuperado de uma complicada e demorada lesão. Antigo jogador do AC Milan e do Barcelona, Coco ainda procura a forma física desejável, ele que esteve fora de campo por mais de um ano e recusou-se, inclusive, a receber ordenados durante esse período.
Mancini não perdeu nenhum elemento importante mas também não contratou ninguém durante o período de transferências. Todavia, Marco Materazzi manteve um impasse relativamente ao seu futuro no clube. Titular durante a primeira fase da temporada, o filho do ex-treinador do Sporting perdeu o posto para Sinisa Mihajlovic e chegou a solicitar a transferência para o Bolonha. Contudo, após conversações entre as partes chegou-se a acordo para a permanência do central de 31 anos e até se renovou o seu vínculo contratual até Junho de 2009.
De resto, o Inter mantém-se invencível na corrente temporada. Terceiro classificado na Serie A, o conjunto de Mancini está a onze pontos da liderança repartida entre Milan e Juventus (em Dezembro, esse fosso era de catorze). Há dois meses, os nerazurri apenas haviam somado três vitórias mas agora já contabilizam nove. Relativamente à TIM Cup (Taça de Itália), o Internazionale eliminou a Atalanta na passada semana e encontra-se nos quartos-de-final da prova. Com efeito, fossem necessários maiores índices de motivação e aí estava um enorme catalizador de interesse – o FC Porto pode ser a primeira equipa a derrotar o Inter na corrente temporada...
2 – Que FC Porto?

Ainda que limitado na escolha do lote de convocados, Couceiro terá algumas dúvidas relativamente à constituição do onze inicial. Diego e Jorge Costa são cartas fora do baralho por se encontrarem castigados mas os reforços Leo Lima, Ibson e Leandro do Bonfim também não podem actuar. Leo Lima e Leandro já o fizeram ao serviço de outros emblemas (Marítimo e PSV Eindhoven, respectivamente), sendo que Ibson não chegou a tempo de ser inscrito na UEFA. Resulta daqui que o FC Porto não tem um típico organizador de jogo para a recepção ao Inter de Milão. Lá chegaremos! Vítor Baía será dono da baliza (salvo alguma ocorrência imprevisível) e até o quarteto defensivo soa óbvio. Castigado por duas jornada na Superliga, Giorgios Seitaridis regressa aos convocados e ocupará o posto que Bosingwa reivindicou à condição. Desta forma, o grego será lateral-direito, Nuno Valente estará no flanco oposto e Pedro Emanuel fará dupla de centrais com Ricardo Costa. Também ele afastado dos últimos encontros devido a castigo, o central contratado ao Boavista em 2002 recupera a sua posição no onze e é muito provável que o novo internacional português o acompanhe. Ricardo tem sido utilizado no seu posto natural desde que Couceiro chegou e Pepe denota uma grande intranquilidade quando chamado a actuar. Assim sendo, poucas dúvidas sobram de que será ele o preterido.
Daqui para a frente sobram dúvidas. Por um lado, relativamente ao esquema táctico. Ainda que o 4-3-3 tenha sido utilizado nos dois primeiros desafios da era Couceiro, o 4-4-2 apareceu em Belém e não se pode dizer que tenha fracassado, até porque os dragões saíram vencedores. Aqui, a opção estará sobretudo dependente dos atletas a utilizar mas a forma de actuar do adversário não deve ser descurada. Estou em crer que, face à ausência de um playmaker, o FC Porto terá a ganhar com a opção pelo 4-4-2. Não só por se garantir, dessa forma, a paridade numérica com o forte miolo transalpino mas também porque é esse o garante de outra coesão para as transições atacantes. Estruturados neste esquema, os campeões europeus podem jogar com linhas mais próximas e não sentirão dificuldade em defender em terrenos avançados, algo que é fundamental para impedir que o adversário consiga embalar em velocidade. Parece-me, igualmente, ser este o garante do alargar do leque de opções de construção de jogo, sobretudo pela colocação de médios-interiores que abririam em acções ofensivas e apoiariam os laterais em missão defensiva, sendo que o homem afastado do raio de acção seria o auxiliar de Costinha, elemento repartido entre a zona de avanço dos médios e o auxílio aos centrais (em igualdade numérica com a dupla de avançados do Inter). De facto, Costinha necessita de grande auxílio e creio ser este o esquema que melhor salvaguarda essa situação.
Falando então de nomes, é consensual que Costinha será a unidade mais defensiva do miolo. Bosingwa deve retomar o lugar de interior-direito e Raul Meireles passaria para a posição diametralmente oposta, ele que deixou boas indicações no Restelo. Mais dotado sob o ponto de vista técnico, Maniche pode ser a unidade central deste quarteto e aquela que teria mais obrigações de estabelecer a ligação com Ricardo Quaresma e Benni McCarthy (estou convencido de que o sul-africano, melhor marcador portista na prova, retomará o lugar no onze). Este esquema também favorece o jovem ex-Barcelona. De facto, tem sido evidente a sua subida de rendimento quando liberto de obrigações posicionais em uma das alas. Com um raio de acção alargado, Quaresma foge a marcações e dispõe de espaço para desequilibrar.
Sendo está uma sugestão pessoal, não me parece que Couceiro se afaste muito deste esquema e deste onze. De qualquer maneira, aqui ficam os vinte convocados para a partida de amanhã.
Guarda-Redes – Vítor Baía, Nuno; Defesas – Seitaridis, Pedro Emanuel, Ricardo Costa, Nuno Valente, Pepe, Leandro, Areias; Médios – Costinha, Bosingwa, Maniche, Raul Meireles, Paulo Machado; Avançados - Cláudio, Hélder Postiga, Ivanildo, Luís Fabiano, McCarthy, Quaresma.
3 – Que Inter?

Mancini não deve fugir do 4-4-2 que tem utilizado durante toda a temporada. Com efeito, as nuances deste Inter estarão sobretudo na forma como vão encarar este desafio e no modo delineado para que os italianos levem a água ao seu moinho. Relativamente aos nomes, é previsível que o quarteto defensivo seja constituído por Javier Zanetti, Ivan Cordoba, Sinisa Mihajlovic e Giuseppe Favalli. Note-se que estes dois últimos estiveram na goleada imposta pelo FC Porto à Lázio de Roma na meia-final da Taça UEFA 2002/2003, então jogada no Estádio das Antas. Na frente, Adriano é presença certa mas sobram dúvidas relativamente à opção por Vieri ou Martins. Ambos estiveram em dúvida (pelo que até é admissível que a opção recaia em Júlio Cruz ou no fortalecimento do meio-campo com a inserção de outra unidade) mas estou em crer que as condicionantes deste jogo favorecem a opção pelo jovem nigeriano. Explico porquê. Para além de ser o segundo melhor marcador do Inter na prova (com quatro golos), Obafemi é um atleta bastante mais móvel do que Vieri e não creio que a toada de contra-ataque que Mancini deve apresentar amanhã se coadune com a presença de um típico homem de área. Extremamente veloz, Martins revela maior facilidade em procurar jogo em zonas recuadas e até pode dar garantias defensivas que Vieri, muito claramente, não oferece. De resto, subsistem bastantes interrogações relativamente ao quarteto do miolo. Davids não viajou para o Porto mas sobram seis nomes altamente viáveis para apenas quatro posições. Não creio que Andy van der Meyde (o sétimo elemento) seja chamado ao onze por Roberto Mancini e parece-me que os nerazurri vão apostar em duas unidades de contenção. Acredito que os italianos entregam o domínio do encontro ao FC Porto e apostam deliberadamente em uma estratégia de contra-ataque. Desta forma, Cristiano Zanetti jogaria com Esteban Cambiasso num reduto mais recuado e Juan Veron surgiria à frente destes, ele que funciona muito bem em termos defensivos mas também se incorpora facilmente no ataque, fazendo uso da imensa qualidade de passe e/ou do forte remate que lhe rendeu, inclusive, o golo em Udine. Sobra uma vaga, a disputar entre Dejan Stankovic (ex-Lázio, esteve nas Antas em 2003) e Kily González. Apesar de pouco utilizado, o argentino tem merecido a confiança de Mancini no passado recente e não seria de estranhar a sua inclusão no onze titular. Extremamente veloz, seria uma excelente unidade para o contra-ataque, ao passo que Stankovic é um elemento mais estável, muito dotado do ponto de vista técnico mas também muito cumpridor ao nível táctico – ou não estivesse ele em Itália desde 1998. Independentemente dos nomes, creio que o meio-campo milanês terá duas unidades de contenção, com uma delas a incorporar os movimentos ofensivos, sendo que sobram dois médios-interiores com missões de cobertura aquando da perda da posse de bola e tarefas de condução e lançamento do ataque rápido que deve pautar a acção nerazurri com bola. Aqui fica a lista dos 21 convocados, com óbvio destaque para as ausências de Edgar Davids, Giorgios Karagounis e Álvaro Recoba.
Guarda-redes - Toldo, Carini e Impagnatiello; Defesas - Cordoba, Burdisso, Zanetti, Mihajlovic, Zé Maria , Favalli e Materazzi; Médios - Emre, Zanetti, Andy van der Meyde, Veron, Kily González, Cambiasso e Dejan Stankovic; Avançados - Ricardo Cruz, Adriano, Obafemi Martins e Christian Vieri.
3.1 – A temer...

- Esteve lesionado mas regressou à competição a 6 de Fevereiro, em Parma. Está longe da forma que patenteou até Dezembro mas aguarda-se que apareça em força a qualquer momento. Leva sete golos na Champions e catorze na Serie A e os adeptos esperam sempre uma grande exibição do avançado brasileiro que completou 23 anos no passado dia 17. Cuidado com os dotes técnicos, com o espaço que lhe é concedido para furar ou para ensaiar os remates exteriores, com a eficácia que exibe em lances de bola parada. Adriano é um perigo!
- Genericamente, o ataque do Inter deve ser atentamente vigiado. Martins tem uma velocidade imensa e uma capacidade de choque acima da média mas todos os sectores conseguem chegar ao golo. Mordazes no contra-ataque, os italianos têm forte presença na área e facilidade em rematar de fora. Redobrada atenção aos lances de bola parada. Há que tentar evitá-los porque Mihajlovic, Adriano, Stankovic e Veron têm facilidade em batê-los, seja directamente, seja para a conclusão dentro da área. Neste particular, a estatura de Cordoba é altamente enganadora...
- Extremamente forte nas pontas finais dos encontros. Por várias vezes na condição de derrotado (frequentemente por mais do que um golo até), o Inter tem facilidade em recuperar no marcador e fá-lo com minutos finais de extrema pressão. Sobe os sectores com facilidade, coloca força de choque na área, ganha livres. Inevitavelmente, tal estará igualmente associado a uma capacidade mental invulgar. Diante do Inter, os encontros jogam-se mesmo até ao apito final. Cuidado com festas antecipadas ou substituições para os aplausos. Há que manter unidades de ataque e demonstrar capacidade de chegar com perigo até junto de Toldo...
- Matéria-prima de qualidade no miolo do Inter. Mancini apresenta sempre um miolo muito coeso, que alia solidez defensiva a toque de bola e capacidade de inserção no ataque. Predominam elementos dotados tecnicamente, que sabem subir a jogar e que sabem trocar a bola. Exploram com eficácia o remate de fora, solicitam com precisão as unidades mais avançadas. Andy van der Meyde e Kily González são homens para lateralizar e dar velocidade, Veron e Stankovic têm controlo de bola e grande visão de jogo. Muito importante: cuidado com as subidas de Javier Zanetti!
3.2 – A explorar...

- Favalli! Usar a velocidade e a técnica de Quaresma sobretudo no flanco direito e dar indicações a Bosingwa e a Seitaridis para, sempre que possível, subirem pela lateral. Favalli esteve nas Antas há duas temporadas e cabe ao FC Porto oferecer-lhe mais uma noite para esquecer. Aos 33 anos, Favalli é um mau defesa. Lento, com défice posicional e frequentes atrevimentos ofensivos que Couceiro deve aproveitar. Cambiasso deve fechar nessa zona (sobretudo se tiver a companhia de Cristiano Zanetti) mas nem por isso o FC Porto deve deixar de apostar no aproveitamento das debilidades de Favalli.
- Mihajlovic! Outro dos que esteve na meia-final da Taça UEFA. Fez 36 anos anteontem e só joga porque tem uma soberba capacidade para transformar bolas paradas em lances de golo. Como defesa é muito fraco e o FC Porto deve insistir no municiamento ofensivo para o seu raio de acção. Cordoba é incomparavelmente melhor, tanto por saber jogar em antecipação com pela facilidade que revela em posicionar-se dentro do espaço que lhe é destinado. Apesar da baixa estatura, tem grande poder impulsão e não perde disputas aéreas.
4 - Equipas Prováveis
Salvaguarde-se a liberdade de acção de Quaresma para cair em ambas as faixas e até para jogar perto de McCarthy. No Inter, a dúvida entre Kily ou Stankovic.



Foto: Lusa
Em período de crise, o FC Porto sai do Restelo com uma vitória legitimada por uma maioria muito relativa. Couceiro não anunciou promessas megalómanas e, assim sendo, a prestação dos campeões nacionais baseou-se numa real politik que acabou por resultar. Ainda que com a ajuda pontual da entidade supervisora, os dragões venceram pela margem mínima e sem deslumbrar. Revelaram, isso sim, extrema eficácia e viram Costinha concluir uma meia-hora (coincidente com a segunda metade da etapa inaugural e o início da complementar) de domínio e algum acerto futebolístico. Por seu turno, o Belenenses esteve bem longe do conjunto concretizador e empolgante que costuma ser no Restelo. Em suma, este foi o único resultado que garantia a continuidade da tradição – o FC Porto não perde fora, o Belenenses não empata em casa.
Enquadramento
Vindo de um empate (mais um) caseiro, o FC Porto apresentava-se em Belém para o terceiro jogo da era Couceiro. Limitado nas opções, o campeão nacional actuava na condição em que mais tem rendido - a da visitante. Obrigado a vencer para manter a liderança da Superliga e para ganhar fôlego para um ciclo decisivo (Inter e Benfica, em casa), o emblema portista colocava o acento tónico na eficácia e na capacidade de sacrifício. Por seu turno, o Belenenses actuava perante o seu público pela segunda ronda consecutiva. Com efeito, a goleada imposta ao Estoril apagava a derrota de Leiria mas Antchouet voltava a estar indisponível para a recepção ao FC Porto. Todavia, Carvalhal também actuava na condição em que se sente melhor – a de visitado. Extremamente concretizador no seu terreno, o Belenenses sonhava com a reedição do luxuoso desafio diante do Benfica.
Belenenses com o onze previsível
Sem o máximo goleador do conjunto, os lisboetas apostaram no esquema com que se têm apresentado ao longo da Superliga e nem nos nomes se constatavam surpresas. Amaral, com um ímpeto mais ofensivo, e Cabral ocupavam as laterais do último reduto e Pele juntava-se a Wilson no centro da defesa. Rui Ferreira aparecia à frente destes, sendo que Marco Paulo surgia como interior-direito e José Pedro ocupava a posição diametralmente oposta. Juninho Petrolina deveria ser a unidade mais liberta do miolo, surgindo como distribuidor de jogo nas costas de Lourenço e de Paulo Sérgio. Todavia, cedo se viu que este último ocuparia um raio de acção deslocado sobre a esquerda, a ala mais carenciada deste Belenenses.
Couceiro muda nomes e esquema
Previa-se que o FC Porto apenas trocasse Leo Lima por Diego relativamente ao onze que recebeu o Vitória de Guimarães. Desta forma, foi com alguma surpresa que se anunciaram as entradas do médio ex-Santos mas também de Raul Meireles e de Hélder Postiga no onze. Isto implicava, claro está, uma nova disposição táctica (Couceiro apostara anteriormente num claro 4-3-3) e a adopção de um esquema muito idêntico ao do Belenenses. Assim, Bosingwa (sobre a direita), Pepe e Ricardo Costa (ao centro) e Nuno Valente (na lateral-esquerda) constituíam o previsível quarteto defensivo. Costinha era trinco, Meireles actuava como interior-direito, Diego retomava o cargo de playmaker e Ibson surgia na meia-esquerda. Postiga era o escolhido para o centro do ataque e Quaresma recebia ordens para se movimentar livremente, ainda que com especial incidência na ala-esquerda.
FC Porto procura-se, Belenenses aproveita
Ainda à procura do equilíbrio e, principalmente, do ritmo de jogo, o FC Porto entrou bastante mal no encontro. Apático, adoptou uma postura passiva enquanto buscava a identidade possível (Raul Meireles fazia, se não me engano, a estreia a titular). Disso se aproveitava o Belenenses, atacando preferencialmente pela direita e por acção de Amaral. Neste período, a rebeldia posicional de Paulo Sérgio também favoreceu o futebol dos lisboetas, ainda que tal supremacia no encontro não resultasse em flagrantes ocasiões de golo. Limitado, é recorrente, a 2/3 da largura do terreno, o conjunto de Carvalhal foi caindo com o desenrolar dos minutos e com o estabilizar do jogo portista.
Petrolina e Diego estão fora-de-jogo
Para o apagamento do Belenenses terá contribuído a nulidade que se revelava Juninho Petrolina. Incapaz de pegar no jogo azul, o médio ex-Beira-Mar arrastou-se por uma exibição errante, bem distante da euforia exibicional que tem pautado o melhor Belenenses desta Superliga. Também Diego se imiscuiu do encontro, divagando pelo terreno de jogo, perdido na incapacidade de aguentar a posse de bola e/ou dar sequência ao futebol da equipa. Contrariamente ao Belenenses, os portistas revelavam preocupante afastamento da ala-direita e dependiam da acção conjunta que Quaresma e Ibson conseguiam na linha oposta. Todavia, ressalve-se a disponibilidade de Meireles para actuar numa posição que lhe é estranha, resultando essa característica que emprestou à sua actuação num tremendo voluntarismo físico e num exemplar conhecimento táctico e de movimentação sem bola. Sem exuberâncias, o ex-Boavista correu, recuperou, abriu linhas de passe, entregou-se ao encontro.
Dragões dominam até ao descanso…
Com Meireles em bom plano mas sobretudo com um Ibson dotado no toque de bola e um Quaresma capaz de desequilibrar, o FC Porto tomou conta das operações e passou a actuar mais próximo da baliza de Marco Aurélio, ainda que não criasse flagrantes ocasiões de golo. Postiga estava afastado do jogo mas os dragões conseguiam actuar em bloco, recuperando bolas no meio-campo defensivo do Belenenses e revelando vontade de se abeirar do último reduto local, fosse em futebol corrido, fosse em lances de bola parada. Revelou-se mais este meio de subsistência, até porque Quaresma tinha facilidade em ganhar livres perigosos. Todavia, o lance que mais ficou na retina veio de uma diagonal sem bola de Raul Meireles, a pedir abertura por Diego. Movimentações quase inéditas no FC Porto versão 2004/2005 e que, como tal, merecem vivo aplauso.
… e marcam no recomeço
Contrariamente ao que se podia pensar, o intervalo apenas acentuou o domínio do FC Porto e a incapacidade do Belenenses para chegar com perigo junto da baliza de Vítor Baía. Para tal muito contribuía, reforce-se, a ausência de Juninho. Decidido e ambicioso, o conjunto de Couceiro chegou a vantagem ao segundo minuto da segunda metade. Canto batido por Quaresma na direita e falha de marcação imperdoável. Resultado, Costinha apareceu sem oposição para, cara-a-cara com Marco Aurélio, abrir o marcador. Eficazes, os portistas alcançavam uma vantagem justificada por trinta minutos de nível bastante aceitável. A partir daqui, aguardava-se uma feroz reacção do Belenenses e a aposta no contra-ataque por parte do FC Porto, ciente da necessidade de matar o jogo.
Encravado
Nem uma coisa nem outra. Se o Belenenses não conseguia acutilância, o FC Porto também não buscava o segundo golo. Esteve próximo de o conseguir num livre de Quaresma travado pelo poste mas assumiu uma postura retraída e de convite ao ataque adversário que só não resultou em estragos por muito pouco. Sectores afastados, pouco ou nenhum envolvimento ofensivo, uma disposição suicida junto do seu último reduto. Por outro lado, nem a entrada de Rodolfo Lima nem a de Catanha resultaram numa real e ameaçadora perseguição ao golo do empate. Sem criar lances de perigo, o Belenenses actuava já em 4-3-3 mas o estilo atabalhoado dos dragões ia chegando para as encomendas
Olá, eu sou o Carlos Xistra
Até que Baía é chamado a intervir e Carlos Xistra alivia na recarga. Surpreendido por um forte remate exterior, o guarda-redes só consegue desviar para a frente e Lourenço preparava-se para igualar. Tocado por Ricardo Costa, o avançado mais não conseguiu do que encostar para defesa definitiva mas Xistra deveria ter assinalado castigo máximo. Claramente perdido, o árbitro puniu depois falta inexistente de Cláudio, anulando assim um lance de cara-a-cara entre o avançado brasileiro e o guarda-redes Marco Aurélio. Já com Neca em campo (fez mais em nove minutos do que Petrolina em noventa), a turma de Carvalhal tentou um último fôlego e esteve próximo da igualdade, negada com brilhantismo por Vítor Baía.
Balanço
Eficaz, o FC Porto aproveitou uma meia-hora interessante para fazer o resultado. Bem longe de brilhar, o conjunto de Couceiro responde da melhor forma ao começo de um período complicado. Ciente de que não há mais desculpas nem espaço para recuperações, o campeão nacional limitou-se a conquistar os três pontos. Por seu turno, o Belenenses esteve bem distante do fulgor exibicional de outras noites. Lamenta um erro de arbitragem (mais um, tem razão Carvalhal) mas pagou um exagerado respeito que mostrou, em alguns momentos do encontro, ter pelo adversário. Foi o espectáculo possível no encontro entre um FC Porto carente de resultados e um Belenenses carente de Antchouet… e de Juninho.
Ficha de Jogo
Sexta-Feira, 18 de Fevereiro de 2005
Estádio do Restelo, 21:30
Árbitro - Carlos Xistra [Castelo Branco]
Assistentes - André Cunha [Portalegre] e Paulo Moreira [Lisboa]
Belenenses - Marco Aurélio; Amaral, Wilson, Pelé e Cabral; Rui Ferreira, Marco Paulo (Rodolfo Lima), José Pedro (Neca) e Juninho Petrolina; Paulo Sérgio (Catanha) e Lourenço
FC Porto - Vítor Baía; Bosingwa, Pepe, Ricardo Costa e Nuno Valente; Costinha, Raul Meireles, Ibson e Diego (Leo Lima); Quaresma (Cláudio) e Postiga (Luís Fabiano)
0-1 por Costinha, aos 47´
Melhor em Campo - Ricardo Quaresma

Foto: UEFA

Foto: Lusa
Com a perspectiva de se isolar na liderança da Superliga, o FC Porto recebia um Vitória de Guimarães que não perdia nem sofria golos há cinco jornadas. Todavia, nem a chegada de Couceiro anulou vícios recentes e do campeão nacional apenas se viram os primeiros vinte minutos. Por sinal, os mesmos da Amoreira mas com uma substancial diferença - total ineficácia ofensiva. Durante o restante tempo, os dragões andaram quase sempre longe da baliza de Palatsi, exibindo um futebol desconexo, parco em ideias e em ambição. Relativamente ao Vitória de Guimarães, só Marco Ferreira e Tiago Targino (principalmente este) disfarçaram uma gritante e medíocre tacanhez.
Estruturado num 4-3-3 (parece ser esta a táctica de Couceiro), o FC Porto lamentava ausências importantes mas isso não foi visível durante o primeiro quarto do encontro. Desenvolto, o futebol do campeão nacional revelava facilidade em ganhar a linha mas Fabiano, Quaresma e Cláudio desperdiçaram excelentes ocasiões para marcar. Infelizmente, não mais os campeões exibiram tamanho fulgor. Porquê?
1 - Também ele limitado nas opções, Manuel Machado apresentou-se no Dragão sem pontas-de-lança disponíveis. Ora aí estava a desculpa perfeita para a concretização dos planos que já idealizara. De facto, Luís Mário (um organizador) era a unidade mais avançada, tendo nas costas um Rafael que pouco tocou na bola e nas laterais dois atletas bem distintos. Um, Marco Ferreira, estava talhado para o contra-ataque e parecia ser o único capaz de ameaçar Vítor Baía. Outro, Djurdjevic tinha missão única - defender. Sem rodeios, Flávio Meireles e Moreno também só existiram para essa tarefa, sendo que o restante onze incluía o guardião Palatsi e o quarteto defensivo. Recorrendo a um termo espanhol, o rocoso futebol do Vitória foi o primeiro obstáculo a um FC Porto desenvolto e a um bom espectáculo
2 - Com Diego no banco, sobretudo por se ter revelado inoperante na Amoreira, Couceiro recorria a Leo Lima e introduzia o recém-contratado Ibson no onze. Recuperado, Costinha ocupou uma posição completamente desnecessária e nunca o miolo revelou consistência. Se Ibson ainda disfarçava natural inadaptação ao clube e ao estilo de jogo europeu, Leo Lima não iludia o vazio do sua performance, aqui e ali adulterada por um primor técnico sempre inconsequente. Ele nunca foi, com efeito, o desequilibrador de que o FC Porto necessitava.
3 - Estranhamente, os vícios da era Fernández mantêm-se. Além de uma gritante incapacidade de actuar perto da baliza adversária, o campeão nacional guarda a excessiva lateralização do seu jogo. Sem velocidade, sem explosão, sem pontapés na modorra, sem capacidade de choque. Quaresma e Cláudio revelavam escassa capacidade de desequilibrar na ala, Luís Fabiano não demonstrava conhecimento táctico. Em resumo, os dragões não sabem movimentar-se sem bola, não são capazes de descobrir vazios e, pior do que isso, não correm. Urge trabalhar a ocupação de espaços, urge melhorar o jogo sem bola.
Perdoem a ausência de referências ao Vitória de Guimarães mas a verdade é que os minhotos foram inexistentes até à entrada de Targino, um miúdo que veio explorar as debilidades de Ricardo Costa e de Pepe. Uma pena que este avançado não jogue sempre de início. Por seu turno, o FC Porto trocava Leo Lima por Diego mas não ganhava nada em termos práticos. Distante da baliza, sem emoção no seu jogo nem entrega ao encontro, o conjunto de Couceiro perde nova oportunidade de se reconciliar com o Estádio do Dragão. Faltam golos, falta intensidade, falta cor... Falta tanto!!!

Foto: UEFA
Num breve comunicado emitido esta tarde, o FC Porto informou da "indisponibilidade para falar aos Órgãos de Comunicação Social". Este blackout surge na sequência de processos disciplinares que desagradaram a direcção portista. Pinto da Costa já admitira esta tomada de posição, em muito reforçada pelo castigo a Seitaridis. Em vésperas de um FC Porto-Benfica, José Veiga já comentou os castigos aplicados a jogadores portistas. Para o dirigente do futebol encarnado, “pela primeira vez, a Comissão Disciplinar da Liga está a funcionar como deve funcionar”. Curiosamente, o dia do anúncio de blackout é também o dia em que Maniche surge em destaque no sítio da UEFA. Em entrevista, o médio português promete melhoras para breve, indicando a necessidade de "reconstruir o espírito de equipa, que foi algo que perdemos logo no início da pré-temporada". Contente no campeão europeu, o internacional sintetiza - "temos de estar mais unidos no campo, pois isso é a chave para o sucesso. O clube contratou um novo treinador e ainda nos estamos a adaptar aos seus métodos, mas tenho confiança de que rapidamente estaremos de regresso ao nosso melhor. É esperar para ver".

Foto: Lusa
Ninguém exigia milagres e José Couceiro não os trouxe. Pelo menos por ora! Conseguiu, isso sim, o que se lhe pedia e recolocou o FC Porto na liderança da Superliga, ainda que há condição. Mais do que isso, ofereceu meia-hora de bom futebol e um conceito que raramente se vira com Fernández - eficácia. Ainda assim, Costinha deu o mote para longos períodos de confusão, incerteza, desnorte. Sem que nada o fizesse prever, os dragões voltaram a um futebol desgarrado e só com muito coração se salvaram três pontos na Amoreira. José Couceiro ganha o encontro que o próprio definira como final mas ainda há muito trabalho pela frente. Ficam, como ponto de princípio para o que resta da temporada, alguns apontamentos e promessas de um crescimento sustentado. Assim o confirme a próxima jornada...
Perante um Estoril muito modesto, o FC Porto apresentou-se num esquema muito próximo do que actuara em Leiria, na última vitória dos dragões. Ricardo Costa e Pedro Emanuel constituiam a lógica dupla de centrais, sendo que Nuno Valente regressava à competição após longos meses de paragem. Bosingwa actuava bem mais perto de Diego do que de Costinha, com Quaresma aberto na esquerda e Benni na direita. Novidade, Postiga foi titular. Notas claras sobre o novo FC Porto...
Por seu turno, Litos montava a sua equipa num 4-4-2 que começou tímido. João Paulo era a unidade mais avançada, com o reforço Moses por perto. Inclinado para a direita, o esquema procurava explorar a precária condição física de Nuno Valente, pouco apoiado por Quaresma, sendo que o central do lado esquerdo (ou seja, o que compensava na ala) também não soube lidar com a velocidade do avançado ganês e do lateral Rui Duarte. Fellahi surgia como a unidade mais solta do miolo, inicialmente preso de movimentos.
Cedo se impôs a lei do mais forte, com os pupilos de Couceiro a revelarem boa condição física num terreno complicado para a prática do futebol. Subido, o FC Porto actuava como um bloco extendido, o que lhe permitia ter acutilância junto do último reduto local, recuperar a bola com facilidade e abrir jogo nas alas. Boas indicações de Nuno Valente neste período, com notória quebra após alguns minutos de jogo. Ainda assim, lances individuais de Bosingwa (soberbo!) e de Quaresma davam vantagem de dois golos aos portistas. Eficácia era termo novo quando aplicado às camisolas azuis e brancas e o domínio portista era tal que nada fazia prever uma mudança de rumo - até porque o Estoril sempre parecera demasiado encolhio.
Até que de um erro de Costinha nasce uma grande penalidade, convertida por Fellahi. Inexplicavelmente, o FC Porto passava a estar com a corda no pescoço e não mais se viu lucidez no jogo do campeão. Sectores dispersos, pouca acutilância na busca do esférico, passes falhados e aproveitamento reduzido das segundas bolas. Galvanizado mas um tanto limitado, o conjunto de Litos foi-se aproximando da baliza de Vítor Baía - mais com a coração do que com a arte e o engenho - mas não mais o marcador se mexeu.
Pinheiro teve a melhor oportunidade para empatar mas os dragões também lamentam uma má decisão do auxiliar, que interrompeu por alegada mão na bola um lance que resultaria em grande penalidade favorável ao FC Porto. Todavia, o tempo arrastou-se até ao apito final. Couceiro consegue três pontos na estreia, deixa indicadores positivos, denuncia linhas de trabalho e promete melhoras. Cá estaremos para confirmar...
Esta tarde
Rio Ave 1-0 Penafiel
Gaúcho
Leiria 1-0 Belenenses
Renato
O Auditório do Estádio do Dragão recebe, por esta hora, a apresentação de José Couceiro, novo treinador do FC Porto. Contratado por uma temporada e meia, o ex-treinador do Setúbal traz consigo Pedro Martins, que já o vinha acompanhando no Bonfim. Ex-jogador do Vitória de Guimarães, do Sporting e do Alverca, Pedro Martins acompanha Couceiro na experiência pelo FC Porto. Com um discurso forte, o novo técnico assume a obrigação de vencer a Superliga e coloca a ênfase na galvanização colectiva do balneário portista. Ciente da necessidade de vencer na Amoreira, José Couceiro começa a trabalhar já amanhã no Centro de Estágio do Olival, sendo o terceiro treinador do FC Porto durante a corrente temporada. Por seu turno, Pinto da Costa reconheceu os maus resultados recentes e justificou dessa forma a saída de Fernández. Revelou também que Couceiro já estava referenciado para o cargo há algum tempo, confessando mesmo a certeza de que o ex-treinador do Alverca sentar-se-ia no banco dos dragões mais tarde ou mais cedo.

Foto: Lance
Fernández está de saída do FC Porto. Treinador e SAD terão posto termo a cinco meses muito conturbados, sendo que a derrota diante do Braga terá sido a gota de água. Contestado pelos adeptos, o substituto de Del Neri estava sem margem de manobra e parecia ter perdido o pulso ao balneário. Carlos Brito, José Couceiro e António Sousa são os nomes mais falados para suceder ao espanhol.
Ibson (ex-Flamengo) e Leandro do Bonfim (ex-PSV) foram inscritos sob o fecho das inscrições na Superliga. Mais dois atletas de nacionalidade brasileira para ocupar posições do miolo. Revelação do último Brasileirão, Ibson é um típico número 8. Por seu turno, Leandro estava em litígio com o emblema de Eindhoven, onde passou os últimos três anos sem nunca se afirmar.
Últimas aquisições...
Leandro Bonfim (médio ofensivo, ex-PSV Eindhoven) - FC Porto
Ibson (médio ofensivo, ex-Flamengo) - FC Porto
Maciel (extremo, ex-FC Porto) - Atlético Paranaense
Delibasic (avançado, ex-Maiorca) - Benfica
Leonardo Moura (lateral-direito, ex-Fluminense) - Sp. Braga
Georges Ambassa (defesa-central, ex-Canon Yaoundé) - Boavista
Renato (defesa-central, ex-Goiás) - Belenenses
Diogo (avançado, ex-Kalmar, Suécia) - Vitória Guimarães
Amoreirinha (defesa-central, ex-Benfica) - Estoril
Delfim (médio defensivo, ex-Marselha) - Moreirense
Fredrik Soderström (médio defensivo, ex-Estrela Amadora) - Córdoba (Espanha)
Nelsinho (ex-Sp. Braga) - Estrela Amadora
Lá Fora...
Abel Xavier (sem clube) - AS Roma
Bojinov (Lecce) - Fiorentina
Anelka (Manchester City) - Fenerbahçe
Craig Bellamy (Newcastle) - Celtic de Glasgow, por empréstimo
Mikel Arteta (Glasgow Rangers) - Everton
Andy Reid, Michael Dawson (Nottingham Forest) e Mido (AS Roma) - Tottenham
Henry Camara (Celtic) e Olivier Bernard (Newcastle) - Southampton
Alexander Rodic (Gorica) - Portsmouth
Coloccini (AC Milan) - Deportivo
Koji Nakata (Kashima Antlers) - Marselha
Mohamadou Idrissou (Hannover) - Caen, por empréstimo
Ricardo Sousa (Hannover) - De Graafschap
De Pedro (Blackburn) - Perugia

Foto: Lusa
Esta Superliga está imensamente grata ao Sporting de Braga. Já o estava antes do início deste encontro, é certo, mas a vitória no Dragão acaba com uma tremenda e lamentável farsa. A mediocridade do FC Porto de Fernández é totalmente incompatível com a liderança de uma qualquer competição, sendo que Jesualdo Ferreira vê recompensado o trabalho que os minhotos patentearam, mais uma vez. Trabalho é, de facto, uma palavra-chave e que distingue os adversário da noite de ontem. De um lado, uma turma metódica, realista, desejosa de pontos e ciente de como os alcançar. Do outro, e à semelhança do que vem sendo hábito nesta Superliga, uma soma de individualidades pouco ou nada adeptas da teoria da Gestalt. Em síntese, o FC Porto não é digno do topo da tabela.
Depois de uma vitória sofrida em Leiria (porque oscilou entre o bom e o sofrível de uma parte para a outra), Fernández voltava a variar o esquema táctico. Ainda que a mudança de nomes fosse obrigatória - por força da indisciplina que vem marcando este FC Porto - a mudança formal de um 4-3-3 aberto para um 4-3-3 ao molho e fé em Deus é bem menos compreensível. De facto, Costinha voltava a ter a companhia de Bosingwa mas o regresso de Diego baralhou as contas no miolo. Leo Lima deveria cair sobre a esquerda mas esta ala era assumida pelo reforço Leandro que, finalmente, relegou a experiência Ricardo Costa para o banco (quando não dá, não dá). Pensar-se-ia num FC Porto diferente, porque mais largo e independente do trabalho de uma única extremidade. Infelizmente, os dragões voltaram a não ter acutilância junto das laterias - muito por culpa da inoperância de Diego e de Leo Lima, muito por culpa do recuo de Seitaridis, muito por culpa da ausência de uma unidade que ameaçasse a dupla Nem-Nunes.
De facto, os centrais bracarenses foram apenas a perífrase de um conjunto bem montado, ciente dos seus objectivos e seguro de como os atingir. Abel e Jorge Luiz, já o haviam provado antes, são laterais de qualidade e o miolo minhoto é dos melhores desta Superliga - trabalhador, generoso táctica e tecnicamente. Jesualdo Ferreira não admite a concepção do típico trinco - pejorativamente duro e tosco. Deste modo, os visitantes cedo lograram impôr a mais-valia do seu trio de números 8 (Luís Loureiro, João Alves e Vandinho). Dominador nesse espaço do terreno e implacável na zona mais recuada, o Braga contava ainda com a magia de Jaime Jr. e de Wender e com a veia goleadora do Jardel de Coimbra. João Tomás foi o melhor em campo e um exemplo de eficácia e de brilhantismo - a noite era dele.
Ainda que com maior posse de bola - consentida, era esta a estratégia de Jesualdo - o FC Porto jogava muito longe da baliza de Paulo Santos e o número de perdas de bola era verdadeiramente assustador. Pior do que isso, estas aconteciam numa zona perigosa do terreno, até porque o Braga apostava num esquema subido e que facilmente colocasse o esférico para a mobilidade de Jaime ou Wender, sempre com o apoio alternado do trio do meio-campo. Por seu turno, os dragões viviam das iniciativas de Leandro e de Ricardo Quaresma (mais uma vez desinspirado), sendo que nem Leo Lima nem Diego tinham a capacidade de pegar no jogo. Como já aqui fiz notar por variadas ocasiões, este FC Porto não tem verticalidade e os organizadores perdem-se, com frequência, em progressões laterais que, por muito vistosas que sejam, resultam em muito pouco.
Nesta toada, o Braga foi crescendo até chegar à vantagem. Canto batido por João Alves na esquerda e João Tomás, fulgurante, a cabecear para o fundo da baliza de Vítor Baía. Sozinho em posição absolutamente proíbida, o avançado ex-Bétis tratou de desnudar uma outra farsa que, por sorte, não caiu também ontem - esta defesa do FC Porto é, também ela, medíocre. Já o tinha mostrado antes, voltou a exibi-lo mais tarde. Não foi brilhante a reacção do campeão nacional, que conseguiria, num rasgo individual, chegar à igualdade. Estranhamente, Seitaridis perdeu os falsos pudores e arrancou rumo à área bracarense, sendo então derrubado por Nem. Grande penalidade convertida por Diego, desta feita sem direito a insultos ao guarda-redes adversário. Sem que muito fizesse para o justificar, o FC Porto empatava e parecia partir para um período de maior acerto. Com Pitbull em campo e a demonstrar que há um bom sentido para a tão discutida alcunha, os dragões pareciam não ter razões para limitar Seitaridis a missões defensivas.
Infelizmente para os portistas, o arrancada do grego foi mesmo uma excepção à regra da banalidade. Atrás, a infantilidade e a falta de nível continuavam, com Pedro Emanuel e Pepe (mais este) a convidarem o Braga a nova vantagem. Assim aconteceu a poucos minutos do intervalo. Agora de livre, João Alves descobre um Wender que terá usado do poder da invisibilidade. Solto de marcação, o brasileiro ex-Naval bateu, de cabeça, Vítor Baía. Parece fácil! Assim se chegava ao intervalo, com o Braga a dispôr de justa vantagem no marcador e Fernández forçado a mostrar mais, muito mais, para impedir que o seu FC Porto chegasse ao cúmulo de somar, nos jogos caseiros, mais pontos perdidos do que ganhos! Já se despediram treinadores por bem menos...
Todavia, a segunda parte não acrescentou nada à pobreza que vem sendo este campeão nacional, europeu e mundial. Só Cláudio (usemos o nome politicamente correcto) demonstrava poder acrescentar algo a um conjunto vazio de ideias, de ambição, de personalidade. Curiosamente, também Leandro se exibia a um nível aceitável, ainda que tenha caído com o tempo. Se a osmose não actuar, o FC Porto tem reforços. Do outro lado, o Braga não foi tão brilhante no início da segunda metade. Não que tivesse sido encostado às cordas mas o miolo perdeu fulgor e Wender, principalmente este, não lograva aproveitar o vazio existente no último reduto portista.
Atabalhoado, o campeão esperava o golpe final e João Tomás encarregou-se de o aplicar. Descoordenação, mais uma, entre Costinha e Pepe (a meio-campo) e saída temerária de Vítor Baía, a pontapear o esférico contra o corpo do avançado bracarense. Com a sorte que protege os audazes, Jesualdo Ferreira confirmava o triunfo no Dragão e a liderança, ainda que provisória, na Superliga. Na noite do curto regresso de Maniche, o FC Porto voltou a exibir a anarquia que se instalou entre o balneário e somou mais uma expulsão inacreditável. Por agressão, Maniche viu vermelho directo e ainda tentou tirar explicações com Bruno Paixão. Obrigado Braga! Por desmascarares um líder que mais não tem sido do que uma utopia futebolística e organizativa. Pior do que isso, um FC Porto com evidentes lacunas desportivas e no saber estar. Há três anos, Octávio Machado foi despedido por uma derrota diante do Braga, então para a Taça de Portugal. O que se seguiu... Bom, o que seguiu já todos nós conhecemos!
Ficha de Jogo
Estádio do Dragão | Espectadores: 33 517 | Árbitro: Bruno Paixão (Setúbal | Assistentes: José Lima (Lisboa), António Godinho (Setúbal) | 4º Árbitro: Rui Costa
FC Porto 1 - Braga 3
GOLOS [0-1] João Tomás 22', [1-1] Diego 34', [1-2] Wender, 42', [1-3] João Tomás 76'
FC Porto
99 Vítor Baía GR
22 Seitaridis LD
15 Leandro LE
7 Pepe DC
3 Pedro Emanuel DC
6 Costinha MD
17 Bosingwa MD 31'
12 Diego MO
28 Léo Lima MO 67'
10 Quaresma AD 82'
9 Luís Fabiano AV
T: Victor Fernandez
13 Nuno GR
5 Ricardo Costa DC
8 Nuno Valente LE
18 Maniche MO 67'
55 Paulo Machado MO
23 Cláudio AV 31'
41 Hélder Postiga AV 82'
Amarelos 38' Quaresma, 41' Pepe, 43' Léo Lima, 50' Seitaridis
Vermelhos 85' Maniche
Braga
1 Paulo Santos GR
22 Abel LD
28 Nunes DC
4 Nem DC
5 Jorge Luiz LE
6 Luís Loureiro MD 60'
88 Vandinho MD
18 João Alves MO
10 Jaime MO 64'
15 Wender AV
9 João Tomás AV 81
T: Jesualdo Ferreira
12 Marco GR
3 Paulo Jorge DC
14 Castanheira MO
8 Paulo Sérgio AD
30 Cândido Costa AD 60'
29 Cesinha AE 64'
50 Edinho AV 81'
Amarelos 33' Nem

Foto: Lusa
Nota prévia - qualquer semelhança entre esta e outras crónicas é pura coincidência. Ainda assim, ressalve-se que as coincidências são como as bruxas e, por isso mesmo, a exibição do FC Porto em Leiria esteve longe da perfeição. Estranha-se, de facto, a qualidade do primeiro tempo azul e branco mas a normalidade esteve presente em muitas pequenas histórias deste encontro - da perda de golos claros à imbecilidade e indisciplina de alguns elementos do plantel portista. Em suma, o conjunto de Fernández voltou a denotar uma gritante falta de amor próprio e uma suicida tendência para sofrer. Depois de um segundo tempo tão fraco, até o brilhantismo da etapa inaugural é relegado para plano periférico.
Fabulosa primeira parte do FC Porto, alicerçada numa táctica bem definida e na inspiração individual de alguns elementos. Sem atropelos à matemática, os dragões regressavam ao 4-3-3, sendo que a novidade era a inclusão de McCarthy na extrema-direita. E que bem esteve o sul-africano nessa posição, sendo que Quaresma desequlibrava na ala contrária e Luís Fabiano batia-se bem entre os três centrais leirienses, ainda que sem eficácia concretizadora. De facto, essa foi a principal lacuna dos visitantes no primeiro tempo (junte-se-lhe a habitual e indesculpável indisciplina), com golos perdidos na cara de Helton a não darem expressividade a um domínio esclarecedor. Contudo, Ricardo Costa subiu bem alto para mostrar aos avançados como se faz. Foi dele o único tento de um encontro que devolveu o FC Porto às vitórias, três empates volvidos.
A União de Leiria, por seu turno, voltava a apresentar um esquema com três centrais. Esquema móvel, tanto a nível defensivo como ofensivo (bem aberto mas sem bola). Ainda assim, o miolo esteve demasiado ausente do primeiro tempo, disso beneficiando o emblema portuense. Devidos ajustes após o intervalo, que por certo se confundem com a descida de qualidade do futebol portista. Por esta altura, as ordens de Fernández encaminhavam para uma estranha e confransgedora defesa do escasso resultado. Ou seja, o FC Porto dispensou a segunda parte e voltou a evidenciar a anarquia reinante no Dragão. Sucedem-se casos de indisciplina, com claro prejuízo interno mas sem que o treinador tome uma posição de força.
Assim sendo, a vitória resultou de um extremo e desnecessário sofrimento. Isto de jogar bem tem os seus limites e os portistas abusaram no primeiro tempo. Com efeito, não parece claro que a vitória de Leiria resulte numa inversão da medíocre tendência deste líder da Superliga. A confirmar na próxima semana, por alturas da recepção ao perseguidor Sporting de Braga...

Foto: ESPN
Lucho González será jogador do FC Porto em Julho. O médio argentino era pretendido já em Janeiro mas o River Plate não está mesmo disposto a abrir mão do internacional, pelo que o negócio fica marcado para o arranque da próxima temporada. Astrada, técnico do emblema sul-americano, insistiu para que Lucho ficasse no plantel para participar na Copa dos Libertadores, apesar do clube ter libertado o avançado Maxi López para o Benfica. Quem também fica até final da temporada argentina é Javier Mascherano, médio pretendido por vários emblemas europeus e falado com alguma insitência, durante os últimos dias, para o Barcelona de Deco.
De saída do FC Porto está Maciel, jogador há muito considerado dispensável por Fernández mas que continua dividido entre o Rennes de França, o Wisla Cracóvia da Polónia e o Vitória de Setúbal. Também César Peixoto e Raul Meireles devem abandonar os dragões ainda em Janeiro.

Foto: vnn.vn
Vítor Baía foi considerado o oitavo melhor guarda-redes do planeta. Num ranking divulgado pela IFFHS (Federação Internacional de História e Estatística do Futebol) o guardião do FC Porto surge, assim, no top ten de uma lista comandada por Buffon. Empatado com Henao a nível pontual, Baía consegue, no entanto, estar bem acima de Ricardo (titular da selecção nacional) que surge em 19º lugar.
conheça de seguida os dez melhores guarda-redes do mundo...
1.º Gianluigi Buffon (Juventus/Ita) 185 pontos
2.º Petr Chec (Chelsea/Cec) 125
3.º Dida (AC Milan/Bra) 78
4.º Iker Casillas (Real Madrid/Esp) 75
5.º Andonios Nikopolidis (Olympiakos/Gre) 64
6.º Oliver Khan (Bayer Munique/Ale) 39
7.º Roberto Abbondanzieri (Boca Juniors/Arg) 31
8.º VÍTOR BAÍA (FC PORTO/POR) 29
. Juan Carlos Henao (Once Carlos/Col) 29
10.º José Santiago Canizares (Valência/Esp) 23

Foto: UEFA
Chama-se Cláudio Pitbull e é o eleito para substituir Derlei (que afinal rendeu oito milhões de euros) no FC Porto. Aos 23 anos, o médio-ofensivo vem do Grémio de Porto Alegre, tendo-se desvinculado do emblema brasileiro esta semana. Melhor marcador do conjunto no último Brasileirão, Cláudio Mejolaro estreou-se pelo time do Rio Grande do Sul em 1999, ainda que tenha rodado no Juventude de Caxias em 2002. Tecnicista mas com boa capacidade de finalização, Pitbull é o terceiro reforço portista na reabertura do mercado.
Quem deve estar a chegar é Lucho González, médio internacional argentino que ontem confirmou a possibilidade de ingressar no FC Porto. Fê-lo em declarações ao diário Olé, declarando-se optimista quanto ao desfecho das negociações. "Victor Fernandez pediu a minha contratação e sinto-me muito contente com a hipótese. Vejo-a como uma boa oportunidade para o meu futuro. Sinceramente, estou muito contente com isso", assegurou Luís González.
De saída estão César Peixoto e Raul Meireles. Os atletas foram cedidos ao Marítimo até final da temporada, no âmbito da vinda de Leo Lima para o FC Porto. O extremo vinha sendo utilizado com frequência nos últimos tempos, o médio raramente foi opção e viu a sua afirmação ser adiada devido a uma série de lesões.
Na Luz, Nuno Assis é reforço para as próximas três épocas e meia. O médio ex-Vitória de Guimarães é o escolhido para ocupar o lugar de Zahovic no plantel encarnado, sendo que Roger Galera também foi inscrito na Liga e é opção para a recepção ao Boavista. A vinda do criativo de 27 anos implica a cedência definitiva de Alex ao clube minhoto. Encravada parece estar a vinda do argentino Maxi López.

Capa da edição de hoje do jornal O Jogo
Afinal não era Manduca! Leo Lima é reforço do FC Porto para os próximos quatro anos e meio. O médio criativo brasileiro foi contratado ao Marítimo, depois de um ano na Madeira. A vinda do centro-campista internacional pelo Brasil nos escalões jovens deve implicar a cedência de um ou dois jogadores portistas ao emblema dos Barreiros, sendo que os nomes mais falados são Raúl Meireles, Hugo Leal e Maciel. A dias de completar 23 anos, Leo Lima teve um percurso mediano pelo Vasco da Gama e jogara no CSKA de Sófia antes de ingressar no Marítimo, há precisamente um ano. Bom de bola, Leo é um exímio marcador de livres (lacuna do actual FC Porto) mas gosta de espaço para explanar o seu futebol.
Também de chegada deve estar Lucho González, médio internacional argentino do River Plate que seguiu para estágio com a actual equipa. Contudo, tanto ele como Maxi López viajam para Portugal no dia de amanhã. Um assina pelos portistas, o outro será jogador do Benfica.

Foto: Lusa
Que triste e pobre FC Porto este de Fernández! Sem fio de jogo e sem ideias mas sobretudo carente de atitude e de liderança. Alturas houve em que o Rio Ave presenteou o campeão europeu com autênticos banhos de bola, com a complacência de um conjunto portista que perdeu o 12º ponto caseiro! Assume contornos verdadeiramente escandalosos a temporada azul e branca, sendo que a partida de hoje foi o espelho daquilo que vem sendo este FC Porto - um conjunto de elementos desligados e que produz zero a nível de qualidade de jogo. Nesse sentido, o golo de Fabiano resulta num lisonjeiro empate para os anteriores líderes, diante de um Rio Ave que se adiantou por Gaúcho e que mostrou no Dragão porque é que ainda não perdeu com os chamados Grandes. Personalizado, o conjunto de Carlos Brito mostra trabalho, rigor e bom futebol. Às vezes, os bons treinadores estão mais perto do que se imagina!!!

Manduca pode ser reforço do FC Porto. Fontes próximas da SAD azul e branca garantem a existência de negociações entre os campeões nacionais e o Marítimo, ainda que os insulares estejam a pedir um valor elevado pelo passe do avançado brasileiro. Contratado esta temporada ao despromovido Paços de Ferreira, o extremo de 24 anos tem dado nas vistas ao serviço da turma de Mariano Barreto e esta não é a primeira notícia que o dá a caminho de um dos grandes. Com quatro golos marcados na actual temporada, Manduca é alternativa para o lugar de extremo-esquerdo e apresenta uma mais-valia - tem passaporte italiano, ou seja, é comunitário.
Mais improvável é a contratação de Lucho González, ainda que os portistas devam mesmo avançar para a aquisição de um centro-campista (Maniche está lesionado, Costinha não tem forma física, Diego está castigado para a primeira-mão da eliminatória contra o Inter, Carlos Alberto pode estar de saída). Contudo, o River Plate está reticente quanto à venda de um dos mais valorizados elementos do plantel.

O diário desportivo O Jogo dá hoje conta do interesse do FC Porto no médio internacional argentino Lucho González, campeão olímpico em Atenas. O atleta do River Plate é muito pretendido desde que assumiu o meio-campo da selecção das Pampas na Copa América e nos Jogos Olímpicos, sendo que a proposta mais alta feita desde então veio do Atlético de Madrid. Os colchoneros terão apresentado dez milhões de euros pelo médio sul-americano, sendo que o negócio foi descartado pela possibilidade de contratar o dinamarquês Jesper Gronkjaer por cerca de dois milhões de euros. Luís González, vencedor dos Torneos Clausura argentinos de 2003 e de 2004, é um atleta de estatura relativamente elevada, sendo que também demonstra uma disponibilidade física assinalável. Raramente larga o adversário, atacando tão bem como defende. Apesar de actuar preferencialmente no miolo, pode também surgir como extremo-direito mas a sua utilidade no FC Porto terá sobretudo que ver com a rentibilização do futebol a meio-campo. Com efeito, a chegada de Lucho libertaria Maniche das missões defensivas crescentes com a saída de Deco. Com o internacional português a actuar sobre a esquerda, González jogaria mais sobre o flanco direito, perto de Quaresma e libertando Diego para zonas mais avançadas. Aos 23 anos, Luís é um dos candidatos a futebolista do ano na América do Sul e um dos melhores jogadores do campeonato argentino, formando com Mascherano uma dupla perfeita no miolo do River e da selecção. Um dos pilares do título olímpico, Lucho serviu Tevéz para o golo da vitória na final do torneio. Apesar do valor do seu passe ser elevado, a vinda do centro-campista para o FC Porto deveria ter os mesmos moldes da contratação de Luís Fabiano, com o clube a pagar apenas parte do passe, sendo que a restante ficaria na posse de um fundo internacional de jogadores.

Tomas Rosicky, médio organizador checo de 23 anos, é mais um nome apontado como possível reforço do FC Porto na reabertura do mercado. O jogador do Dortmund, clube que atravessa o pior momento da última década, tem mercado um pouco por toda a Europa e o emblema alemão parece disposto a vendê-lo, até porque Rosicky está descontente com a actual situação do conjunto do Westfallenstadion. Falado para a Juventus, onde já actua o compatriota Nedved, no início da temporada, Tomas foi opção para o FC Porto quando ainda actuava no Sparta de Praga, clube que o lançou no estrelato aos 17 anos. Tecnicista, com um drible fabuloso e remate fácil, Rosicky tem tudo para deliciar o Dragão mas não é credível que o Dortmund o deixe sair por menos de quinze milhões de euros. Valores muito elevados para um emblema português, sendo que a notícia hoje avançada pelo JN pode muito bem ser apenas mais um rumor. É que Pinto da Costa também já desmentiu a viabilidade do regresso de Jorge Andrade à cidade Invicta, dado como certo pela última edição do semanário Expresso. Certo é que os portistas estão no mercado, sendo provável que as posições a privilegiar sejam o meio-campo e o ataque. Confirmado que está o lateral-esquerdo Leandro, o FC Porto tenta um médio organizador e um extremo. Entretanto, Maciel e Hugo Leal devem estar de saída, sendo também certo o empréstimo de Hugo Almeida. O Boavista, necessitado de pontas-de-lança, tem preferência sobre o avançado internacional português.

Foto: Público
Como é difícil escrever a crónica de um alegado jogo de futebol que foi a sua negação! Qualidade quase nula, erros primários repartidos pelas três equipas e um plantel do FC Porto claramente sobreavaliado. Sempre me contaram a história do Pai Natal no singular mas agora percebo que essa figura terna e familiar é como os chapéus - há muitos! Vítor Baía enfiou a carrapuça e marcou na própria baliza, ao passo que o auxiliar de Carlos Xistra tinha-a tão enterrada que nem viu um fora-de-jogo de dois metros. Assim até Fabiano marca! Fabuloso... Se uns ofereciam as prendas, outros pareciam muito pouco prendados para o conseguir. Que o digam César Peixoto ou Hélder Postiga, os burros de um triste presépio que consagra o nascimento de um campeão de Inverno que, a julgar pelo parto, não terá longa vida. Não queiramos cruxificá-lo injustamente mas é difícil acreditar em milagres...
Percebeu-se hoje porque é que o Marítimo não vencia há seis jogos! Sem Leo Lima, os insulares enfiaram-se numa caixinha de boas intenções mas só com extrema complacência portista é que os pupilos de Mariano Barreto ameaçavam a baliza de Vítor Baía. Estruturados em 4-2-3-1, os madeirenses apresentavam um esquema de contenção (não se sabe bem do quê porque os campeões nunca obrigaram a tanto) e nem o futebol flanqueado parecia constituir ameaça para uma defesa que actuava aos tremeliques. Assim sendo, só a prenda de Baía permitiu o golo de Pena, que encostou após falha incrível do guarda-redes do FC Porto.
Limitado nas opções, Fernández alargou o castigo que aplicara a Carlos Alberto e a Quaresma (também castigado pela Liga) a todos os adeptos portistas. Mais noventa tristes e deprimentes minutos, mais opções engenhosas de deixar os cabelos em pé! Não queiramos nomeá-las e correr o risco de deixar algo ou alguém de fora... Estruturado num teórico 4-4-2, os dragões assentavam apenas neste último número. Bosingwa - pela raça e lição de profissionalismo - e Seitaridis - pela qualidade e dimensão que deu ao escasso jogo azul e branco - são as unidades que escaparam à mediocridade que foi e é este FC Porto, um conjunto anárquico em que passam imunes atitudes completamente inimagináveis.
Se o golo de Pena parecia vindo de um filme de terror, o empate de Fabiano em nada lhe fica atrás. Deslocado em relação à linha defensiva insular, o Fabuloso viu o trio de arbitragem validar um tento fantasma! Incrível... Completemos o surreal com o prolongamento do espectáculo Postiga (em exibição no palco CSKA, repete no PSG e em qualquer recinto perto de si), que desperdiçou dois golos na cara de Marcos! Por respeito a vós, leitores do Quarto Árbitro, fico-me por aqui. Como a equipa deste blog gosta de falar de futebol, não faz sentido prolongar a crónica de noventa minutos que foram a negação desta fantástica modalidade. Bom Natal para todos e desconfiem dos tipos que vêem entregar as prendas...

Foto: Lusa
Regressado de duas partidas internacionais, o FC Porto enfrentava a Superliga, qual bicho de sete cabeças! Se a globalidade do percurso na prova nacional não tem sido brilhante, o historial recente no Estádio do Dragão aconselhava a que se acendessem umas velinhas e se preparassem as orações de circunstância. Com o credo na boca, os dragões lá venceram um Moreirense que não fez mais porque não soube e porque se viu reduzido a dez unidades quando acabava de lançar a carne ao assador. Com a benção de Maniche, os portistas lá regressam a uma liderança que pode ser provisória mas não se livram de mais uma exibição escassa, tanto na qualidade como na quantidade. Os pupilos de Vítor Oliveira, esses, apresentaram no Dragão a mesma miséria que já haviam levado a Lisboa - alguma vontade mas nenhum engenho. Infelizmente, a história deste FC Porto-Moreirense não é bonita de se contar!
Vindo da primeira vitória fora de portas, que garantia também a fuga do último lugar, o Moreirense apresentava-se no Dragão com muitas cautelas. Um esquema de quatro defesas como Primo e Tito nas laterais, sendo que Sérgio Lomba e Ricardo Fernandes formavam a dupla de centrais. No miolo, três homens de contenção - com Filipe Anunciação sobre a direita, Luís Vouzela na esquerda e Jorge Duarte a controlar as operações à frente dos centrais. Afonso Martins era a unidade mais solta deste quarteto, sendo o apoio aos móveis avançados Lito e Manoel. Com pouca ou nenhuma ambição, o Moreirense não mostrou nenhuma melhoria relativamente às actuações que fizera na Luz e em Alvalade. Sem matéria-prima que lhe valha, Vítor Oliveira limitou-se a jogar para o empate.
O FC Porto, por seu turno, só mexia no onze de Yokohama para trocar o castigado Costinha por Bosingwa, sendo que a principal mudança estava na atitude e na inspiração para contornar mais um desafio no Dragão. Com Seitaridis ainda e sempre preso de movimentos na lateral-direita (Ricardo Costa foi um pouco mais afoito na ala contrária), o futebol portista não era flanqueado e Diego tinha dificuldades em aparecer na primeira parte. Maniche ainda pegava no jogo aqui e ali mas nem Derlei nem McCarthy tocavam a mesma música do internacional português.
Neste estado de coisas, e porque o começo do jogo de ontem em tudo fazia lembrar as duas derrotas caseiras recentes, o golo de Maniche caiu como um tranquilizador sobre o campeão nacional. Bom trabalho de Luís Fabiano (bom jogo mas continua a dispensar os golos de forma inacreditável) na direita e emenda de Maniche ao segundo tempo, com Ricardo Fernandes fora do lance. Parecia decidido o encontro, sendo que o Moreirense pouco ou nada ameaçava e o cansaço portista era por demais evidente para que se conseguisse prever uma goleada. Com o aparente controlo das situações - sim, porque vantagens tangenciais desfazem-se quando menos se espera - Fernández mandou César Peixoto para o aquecimento e fê-lo entrar na segunda parte.
O extremo alargou (pelo menos seriam essas as indicações) o futebol portista pela ala-esquerda, substituindo um Derlei a anos-luz dos bons velhos tempos. Mexia também Vítor Oliveira, tirando Primo e Luís Vouzela para lançar Fernando Moura e o regressado Vítor Pereira. Os vimaranenses alternavam um esquema de três centrais com uma linha de quatro, sendo que Lito era agora o dono de toda a ala direita. Infelizmente para os de Moreira de Cónegos, as alterações não lograram aproximá-los da baliza de Vítor Baía, ao passo que Luís Fabiano começava o espectáculo de golos falhados. Ainda assim, os portistas não marcavam uma posição de força e o técnico dos minhotos aproveitava para lançar a carne ao assador. Armando entrou para o lugar de Filipe Anunciação antes de Ricardo Fernandes sair lesionado. Só deu FC Porto a partir de então...
FC Porto que já tinha em campo Ricardo Quaresma, numa clara tentativa de deixar os campeões a jogar com nove! Terrível a desinspiração das duas unidades que deviam tomar conta do futebol portista, sendo que Hugo Leal também já estava em campo, por KO de Maniche - pára por tempo indeterminado e nem se sabe se arrisca operação! Numa partida sonolenta, o FC Porto regressa aos triunfos no Dragão para a Superliga perante um Moreirense com muitas limitações. Os pupilos de Fernández estão provisoriamente na liderança mas têm um teste exigente nos Barreiros, na próxima quarta-feira. O Moreirense, por seu turno, espera ansiosamente pela reabertura do mercado...
Ficha do Jogo
Estádio do Dragão, 17 de Dezembro de 2004 - 21:30
Árbitro - Elmano Santos (Funchal)
Auxiliado por Sérgio Lacroix e Marcílio Pinto
Acção Disciplinar - Amarelos a Diego, Ricardo Costa, Jorge Costa e Quaresma (FC Porto) e Filipe Anunciação (Moreirense)
FC Porto - Vítor Baía; Seitaridis, Jorge Costa, Pedro Emanuel e Ricardo Costa; Bosingwa, Maniche (Hugo Leal, 64´), Diego e Derlei (César Peixoto, 46´); Luís Fabiano e McCarthy (Quaresma, 58´)
Moreirense - João Ricardo; Primo (Vítor Pereira, 46´), Ricardo Fernandes, Sérgio Lomba e Tito; Jorge Duarte, Luís Vouzela (Fernando, 46´), Filipe Anunciação (Armando, 68´) e Afonso Martins; Lito e Manoel
1-0 por Maniche, aos 25´
Melhor em campo - Maniche

Foto: El Mundo
Mais do que justa a vitória portista na Taça Intercontinental! Aliás, os portugueses já mereciam, no final do tempo regulamentar, um triunfo gordo que só os ferros, o guarda-redes colombiano e o árbitro puderam evitar. Com uma exibição muito conseguida, os dragões esbarravam consecutivamente num obstáculo milagroso. Assim foi até às grandes penalidades, objectivo único do Once Caldas, habituado a vencer nestas circunstâncias. Como não há mal que sempre dure, o FC Porto garantiu a conquista da última edição da prova na segunda série de grandes penalidades. Pelo meio, um infindável rol de histórias e de azares que nem a mais afamada das bruxas podia exorcizar. Contas feitas, pois são essas que ficam para a História, o FC Porto vence a Taça Intercontinental pela segunda vez. Parabéns!!!
Desde cedo se viu que a partida teria sentido único. Com os colombianos remetidos à defesa, o esquema do Once Caldas deixava o mexicano De Nigris isolado entre os centrais do FC Porto, aqui e ali com a companhia atacante de, no máximo, três elementos. Viafara aparecia pela direita, ainda que a sua missão fosse sobretudo defensiva, Soto surgia pela esquerda, o argentino Fabbro dispunha de alguma liberdade para vaguear pelo meio-campo portista. A estratégia era clara, aguentar a partida até às grandes penalidades, e assentava em três pilares - Henao, os ferros e, em última instância, o árbitro.
O FC Porto, por seu turno, mantinha o esquema apresentado na recepção ao Chelsea. Uma única alteração, com o contestado Areias a dar lugar a Ricardo Costa, ainda que o internacional sub-21 português nada tenha acrescentado no papel ofensivo. Assente num estilo mais directo, até porque não havia homens nas alas, o futebol portista privilegiava os lançamentos para McCarthy e Luís Fabiano, sendo que a meia-distância (com Maniche em destaque neste particular) também era uma das armas preferenciais para tentar chegar ao golo. Golo que chegou na sequência de um livre, ainda que o auxiliar tenha descortinado um fora-de-jogo muito duvidoso a Benni McCarthy. Começavam os azares, que cresceram com o primeira intervenção dos postes, a negar um brilhante golo a Fabiano, que na jogada seguinte chegou um pouco atrasado após solicitação de Diego.
Com Maniche em plano de evidência, quem sabe se empolgado pela perspectiva de férias, os portistas tinham em Benni e no Fabuloso duas unidades de extrema valia, com ambos os avançados a jogarem bem de costas para baliza, a denotarem facilidade na recepção e toque de bola, a constituírem pontos de referência para um futebol frequentemente atrofiado. Ainda antes do intervalo, os portistas já somavam mais duas bolas nos ferros, ambas no mesmo lance. Livre batido por Diego que só o poste esquerdo da baliza de Henao parou, com a recarga a encontrar novamente a barra com meta. Diz-se que não há azar que sempre dure mas a infortuna portuguesa prolongou-se durante a segunda metade.
A tónica do encontro manteve-se na etapa complementar, com Maniche a dinamizar o futebol portista e a travar, tanto ele como McCarthy, um acesso duelo com Henao na luta incansável pelo golo. No caso do sul-africano, os ferros quiseram novamente intrometer-se quando nem o carismático guardião colombiano conseguia travar as bombas do avançado portista. O golo parecia sempre uma questão de minutos mas tardava em aparecer, sendo que o conjunto sentiu negativamente as mexidas de Fernández e a natural quebra física. A saída de Luís Fabiano prejudicou o futebol do dragão e o cansaço começava a ser evidente em algumas unidades, não resultando esses factores num menor assédio portista à baliza colombiana, com as oportunidades a sucederem-se. Perdoem-me por não fazer referências a lances de ataque do adversário mas, acreditem, não é má vontade, tão só o relato jornalístico dos factos.
O prolongamento chegava com um amargo sabor a injustiça, sendo que o Once Caldas confiava cada vez mais na hipótese das grandes penalidades. Ainda os colombianos esfregavam as mãos de contentes, já o FC Porto se via forçado a queimar a última substituição. Vítor Baía ter-se-á sentido mal, sendo substituído por Nuno. De resto, trinta minutos de contenção, com os sul-americanos a arriscarem cada vez menos e os portugueses a denotarem quebra física. Chegava a lotaria das grandes penalidades, regressava a atracção ao ferro. À quarta tentativa, o melhor em campo Maniche dava ao vencedor da Libertadores da América bola para triunfo. Mais uma vez, a barra negou o golo ao FC Porto. Mas se uma mão lava a outra (aqui que aqui os portistas já tivessem o corpo todo borrado), o conjunto da Colômbia viu o poste evitar a vitória na prova. Segunda série de grandes penalidades decidida ao pontapé nove, o tal que foi de sorte para Pedro Emanuel, herói de um triunfo mais do que merecido do FC Porto. Assim termina a crónica de uma vitória antecipada, quiseram as circunstâncias que o sucesso do dragão tenha conhecido outros relatos para contar uma história que volta a ser feliz - a Taça Intercontinental é nossa!!!

Foto: El Mundo
O melhor do FC Porto:
Maniche - Apesar de ter apreciado outras exibições individuais, compreende-se que Maniche tenha ganho o Toyota que premeia o melhor em campo. Quem sabe se motivado pela perspectiva de férias, o médio português teve um pulmão imenso e um poder de iniciativa que ainda não lhe viramos esta temporada. Rematou em doses industriais, várias vezes com perigo para as redes de Henao, serviu companheiros, deu velocidade ao futebol portista. Se a crítica, eu incluído, lhe tem apontado o dedo por as suas missões serem efectuadas no raio de acção de Costinha, hoje não há por onde pegar. Pisou terrenos avançados, foi sempre uma ameaça para o adversário e o melhor condutor do futebol do dragão. Ironicamente, viu a barra negar-lhe a conversão da grande penalidade que lhe coube... Os colombianos tiveram bola para ganhar mas não quiseram castigar Maniche com tamanha injustiça!
Vítor Baía - Mero espectador. Teve uma saída muito comprometedora na segunda metade mas limitou-se a observar as incidências do encontro no restante tempo de jogo. Ter-se-á sentido mal já no prolongamento, sendo substituído por Nuno. Aparentamente não terá nada a ver com as recentes lesões musculares.
Seitaridis - Certinho a defender mas as incidências do encontro convidavam a outro atrevimento ofensivo. O grego raramente o teve, ainda que tenha cumprido, e bem, na sua principal função.
Jorge Costa - Nunca teve grandes problemas pela frente, pelo que até saiu com a bola controlada em alguns lances. Foi matando as poucas incursões do Once Caldas pelo meio-campo portista e não falhou quando chamado a bater uma grande penalidade. No melhor pano cai a nódoa mas até aí Jorge Costa escolhe a ocasião...
Pedro Emanuel - Não fosse o remate vitorioso para a confirmação do triunfo e o nome do central só constaria da ficha do jogo. Não se veja aqui qualquer crítica, porque o facto é que não houve trabalho para o ex-Boavista. Resolveu com eficácia habitual os poucos lances em que foi obrigado a mexer as pernas.
Ricardo Costa - O mesmo que se disse de Seitaridis, ainda que o internacional sub-21 tenha cometido alguns erros primários, sobretudo no capítulo do passe. Arriscou algumas subidas mas fica difícil ser-se eficaz quando não se consegue dar seguimento a uma jogada com um passe bem tirado ou um cruzamento a preceito. Marcou uma grande penalidade, valeu por isso.
Costinha - Primeiro jogador a lançar o ataque, esteve tactimante irrepreensível. O encontro não obrigava a grandes correrias defensivas, pelo que a missão do ministro era apenas a de reencaminhar o futebol portista para a frente. Cumpriu a tarefa com êxito e ainda teve a frieza para bater um dos castigos máximos.
Diego - Há magia naqueles pés mas ainda se notam muitos vícios do futebol brasileiro. Diego protege bem a bola, recebe com precisão e passa melhor. Mas não é um jogador para verticalizar o futebol, perdendo muito com deslocações de bola laterais. Falta-lhe alguma objectividade, ainda que seja precioso nas desmarcações que faz ou nos livres que bate. Enviou uma bola à barra e converteu a primeira grande penalidade. O que se seguiu era verdadeiramente escusado!!!
Derlei - Repito-me mas a vontade continua a estar lá toda, falta o engenho. Muitos quilómetros percorridos, algumas ocasiões de golo mas zero de eficácia. Não sei se a posição que actualmente ocupa é a melhor para as suas características mas é lá que Fernández lhe pede para render...
Luís Fabiano - Bem melhor! O brasileiro tem presença, sabe jogar de costas para a baliza, sabe controlar o esférico e buscar linhas de passe. Hoje inventou um golo mas a barra negou-o, sendo que logo a seguir chegou atrasado a um excelente passe de Diego. Batalhou muito e o melhor elogio que se lhe pode fazer é que o FC Porto caiu com a sua saída. No bom caminho...
McCarthy - Também merecia um Toyota. É um quebra-cabeças este Benni, com imensa presença física e muito lutador nos duelos com adversários maiores e mais fortes. Tem toque de bola, tem recepção e poder de choque, tem um remate fulminante que só a barra de Henao parou. Tentou o golo por variadas ocasiões mas foi manifestamente infeliz. Ainda assim, grande partida de McCarthy, que apontou a quinta grande penalidade.
Carlos Alberto - Um ou outro pormenor do miúdo que ontem completou 20 anos. Marcou uma grande penalidade mas pede-se mais objectividade ao seu futebol, que é indubitavelemente precioso e perfumado. Tem tudo para ser um grande jogador mas cabe-lhe a última palavra quanto ao futuro. Queres ser um craque, Carlos?
Ricardo Quaresma - Não foi feliz hoje. A espectacularidade técnica não era chamada para este desafio e Quaresma rendeu pouco, até porque nunca se fixou numa posição. Pareceu sempre um pouco perdido mas valeu pelo castigo máximo que converteu.
Nuno - Entrou a frio e não fez nada digno de registo. Nas grandes penalidades limitou-se a marcar presença, o adversário falhou sozinho...

O FC Porto já treina no Japão, onde no domingo tenta trazer para Portugal e para a Europa a última edição da Taça Intercontinental. Único emblema nacional a vencer a prova, o FC Porto está em Yokohama para imitar o feito da geração de futebolísticas que superou o Peñarol na neve de Tóquio, corria o ano de 1987. Com outras caras no plantel mas sem mudanças na presidência (ainda que seja difícil a viagem de Pinto da Costa para o Oriente, alegadamente por questões de saúde), os dragões tentam ficar para a história do futebol mundial como os últimos detentores de um troféu que vai na 25ª edição. Embalados pela vitória diante do Chelsea e consequente apuramento para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões, os portistas parecem querer entrar em novo clima de confiança, ainda que a época seja pródiga em exemplos de quebras anímicas e de qualidade de jogo. Rise & Fall...
Instalados no mais alto hotel da cidade de Yokohama, habitada por 3 milhões de pessoas e situada a 30km da capital Tóquio, o FC Porto vai efectuar dois treinos até domingo. Uma das principais preocupações prende-se com a adaptação a um fuso horário diferente e a condições climatéricas igualmente distintas. A preparação física dos jogadores é fundamental, sendo que tanto portugueses como colombianos estão de olho nessa variável. Se os portistas mantiveram contactos com o Real Madrid e o AC Milan no sentido de prever o programa de treinos e os métodos de adaptação às condições locais, o Once Caldas contratou um fisioterapeuta da selecção nipónica de hóquei em gelo, encarregando-o de promover o fortalecimento muscular dos jogadores. Completamente adaptados ao Oriente, os sul-americanos já se encontram no Japão desde o passado dia 3. Depois de uma semana passada em Fukushima, na J-Village, os colombianos estão já na cidade onde se vai disputar a partida.
Vencedores da Taça dos Libertadores da América, o Once Caldas começou a ganhar peso no panorama futebolístico colombiano há pouco mais de uma década. O carismático treinador Luis Montoya e o guarda-redes Henao, herdeiro do mítico Higuita, são as grandes referências de um conjunto que surpreendeu tudo e todos na última edição da maior prova do futebol latino-americano. Luís Fabiano e o São Paulo foram ultrapassados pelos colombianos, que derrotaram na final os argentino do Boca Juniors, através da marca de grandes penalidades. Henao foi o herói da derradeira partida e é o último obstáculo à conquista da Taça Intercontinental pelo FC Porto. Actualmente na terceira posição do campeonato da Colômbia (com sete pontos em três jogos), o Once Caldas vê na partida de domingo a etapa última na concretização de um sonho inimaginável. Equipa organizada e com um rigor defensivo assinalável, o conjunto orientado por Montoya está longe da disposição táctica e das mais-valias técnicas que reconhecemos a argentinos e brasileiros. Praticam um futebol de contenção, assente nos princípios do pragmatismo e de uma frieza notável.
O FC Porto, por seu turno, teve um tempo infinitamente menor para preparar esta partida. Saídos da partida diante do Chelsea, os dragões treinaram no Olival na manhã seguinte e viajaram à noite, chegando ao Japão na noite de quinta, segundo as horas locais claro está. Muito solicitados, ou não fossem os japoneses verdadeiros amantes da bola, os portistas partiram para o Japão sem Maciel nem Hugo Almeida. Voaram 21 jogadores, sendo que Maniche, Diego e Derlei têm problemas físicos. Mais graves os casos do médio português e do avançado ex-Leiria, sendo todavia provável que possam alinhar de início da manhã (hora portuguesa) de domingo. Certo é que Maniche vai parar depois da disputa deste troféu, algo que parece incontornável desde o início da temporada. Sem pré-época e vindo directamente de um ano desgastante, Maniche tem actuado com limitações, pelo que se recomenda um período de repouso que deve insistir nos índices físicos de um atleta fundamental para as exigências da segunda metade da temporada. Provável é o regresso à baliza de Vítor Baía, ele que não actua desde a derrota caseira frente ao Boavista, em partida a contar para a Superliga. Baía deve remeter Nuno para o banco de suplentes, sendo que não é provável que hajam grandes alterações relativamente ao onze que defrontou o Chelsea. A dúvida estará entre Luís Fabiano e Ricardo Quaresma, sendo que o extremo deve mesmo regressar à titularidade. Recém-chegado de uma lesão, Fabiano também não pára há largos meses (tal como Maniche) e terá sido chamado por Fernández em função do tudo-ou-nada que representava a partida da Liga dos Campeões. Dúvidas para rebater na manhã do próximo domingo, com Portugal colado à RTP1 na ânsia de ver o FC Porto erguer a última edição da Taça Intercontinental...

Foto: UEFA
E o sonho continua, mesmo depois de tantas insónias, mesmo depois de tantos pesadelos. Um sonho espevitado no final mas que até primou pela letargia e pela fatalidade de um final infeliz. Afinal, contudo, o FC Porto segue em frente na Liga dos Campeões, evitando assim o escândalo de se tornar no primeiro campeão em título a fraquejar logo na ronda inaugural. Mais do que isso, a passagem é um bâlsamo para os importantes compromissos que se seguem e a confirmação de que o argumento "eles não sabem fazer melhor" é pouco ou nada válido.
Diante de um Chelsea de primeira linha, o conjunto portista não fez uma exibição de encher o olho e já poucos acreditariam na vitória quando Benni McCarthy - quem mais? - carimbou a passagem à fase seguinte. Mourinho acabou a partida com John Terry a ponta-de-lança mas o regresso ao Dragão não lhe deu mais do que a primeira derrota na corrente edição da Champions, segunda de toda a temporada futebolística (a outra foi no City of Manchester, para a Premiership).
Obrigado a vencer e com o rádio virado para Paris, o FC Porto pensava poder encontrar no Chelsea um conjunto desleixado - em função do primeiro lugar estar garantido, em função dos muitos e importantes desafios que se seguem. Fernández, por seu turno, sabia (ou devia saber) que tinha que assumir uma postura de risco, por forma a contrariar a recente tendência portista para marcar poucos ou nenhuns golos, por forma a contrariar a extremamente organizada defesa dos londrinos, uma das menos batidas na Europa.
Para tal, e sendo que no sector mais recuado não havia grandes novidades, o técnico espanhol apostou num esquema teoricamente ambicioso, que contemplava o recurso a dois pontas-de-lança, sendo que Derlei e Diego apareciam nas costas. Assim sendo, Costinha era a unidade mais defensiva do meio-campo, com Diego sobre a direita e Maniche como interior-esquerda, sendo que Derlei pretendia ser o playmaker e a unidade mais próxima de Luís Fabiano (com ordens para cair mais sobre o espaço de Areias e Maniche) e de McCarthy (inclinado para a direita, onde também deveriam surgir Seitaridis e Diego).
Por seu turno, o Chelsea apresentava uma das muitas variações tácticas que já lhe conhecemos. Ontem apostou num 4-4-2 mais evidente, com a defesa a ser constituída pelo quarteto habitualmente titular. De facto, terá causado alguma estranheza ver tanta cara habitual no confronto do Dragão, sobretudo se tivermos em conta que os londrinos já tinham o primeiro lugar assegurado e que há desafios muito importantes nos dias que se seguem. Ainda assim, o meio-campo apresentava os menosn rodados Scott Parker (sobretudo este) e Aleksei Smertin. O médio ex-Charlton actuava numa posição mais defensiva, o russo descaía para a direita, sendo que Wayne Bridge encarregava-se da ala oposta. Como organizador de jogo surgia o fantástico Frank Lampard, estando o ataque entregue a Didier Drogba, unidade mais fixa, e ao irlandês Damien Duff, um elemento com total liberdade de movimentos e ordens para deixar Areias à procura dos olhos.
Não foi uma boa primeira parte do FC Porto, ainda que a vontade estivesse lá toda. Faltava o engenho! Com um Derlei muito combativo mas a anos-luz daquilo a que nos habituou, os dragões viam-se forçados a uma solução recorrente, muito pouco apreciada nas bancadas. Com efeito, Areias era a única unidade a causar desequilíbrios e a ganhar a ala para o cruzar, ainda que o fizesse de forma desastrada, quase sempre a jeito do corte de Ricardo Carvalho ou de John Terry. Ou seja, Fernández parecia perceber que uma equipa como o FC Porto tem de ter largura de jogo mas não constatava que essa largura tem de significar maior envolvimento das unidades do meio-campo e da frente. Ao entregar o futebol flanqueado única e exclusivamente a Areias, o técnico portista prestou um mau serviço ao jogo da sua equipa e uma má propaganda ao limitado lateral-esquerdo. Pelo esforço e porque quem dá o que tem a mais não é obrigado, fica aqui expresso o meu elogio a Areias. De resto, a primeira metade do FC Porto valeu por um ou outro pormenor do combativo Benni, habituado a aparecer nestas alturas, ontem mais motivado do que nunca pelo reencontro com o treinador preferido.
O Chelsea, por seu turno, apostava claramente na organização defensiva e no contra-ataque. Damien Duff era a arma letal neste tipo de jogo, revelando-se sempre o melhor elemento dos ingleses na etapa inicial da partida. Lampard mostrava o que sabe a meio-campo (e sabe muito este soberbo jogador) mas até foi Drogba a beneficiar da primeira flagrante ocasião de golo, miraculosamente desviada para a barra por Nuno. No melhor pano cai a nódoa e o guarda-redes deu um monumental frango após remate de Duff, que havia trocado as voltas a Areias. O Chelsea estava na frente e o Dragão via a Liga dos Campeões por um canudo, sendo que até a Taça UEFA chegou a ser uma miragem. Conformados, os adeptos pareciam preparar-se para uma terceira derrota consecutiva em casa, até porque Fernández nunca havia virado um resultado desde que assumira o comando técnico dos FC Porto...
A segunda metade chegava mas Fernández não mexia no onze, se bem que o FC Porto tenha tido um recomeço dinâmico e interessante. Diego começou a aparecer na partida e assinou um brilhante remate que só Paulo Ferreira impediu que resultasse na igualdade. Pouco depois, Quaresma rendia o tocado Derlei e colava-se à ala direita, a tal que ainda não funcionara. Com Ricardo bem aberto, as situações de dois-para-um podiam favorecer o FC Porto, sendo que para tal era necessário o envolvimento de Seitaridis. Assim aocnteceu no lance do golo, obtido um minuto depois do extremo ter entrado em campo. O ex-Barcelona colou Gallas à linha, convidando Giourkas a subir e a rematar - a intercepção caiu nos pés de Diego que, de primeira, vingou o lance que Paulo Ferreira anulara minutos antes. O FC Porto estava de volta ao jogo e a Champions deixava de ser uma miragem, com o CSKA a vencer no Parque dos Princípes.
Infelizmente para os portistas, só um lance de Benni deu sequência ao golo da igualdade. Imediatamente após, o Chelsea voltou a pegar no jogo e até teve nos pés de Lampard as melhores ocasiões de golo, com Nuno de novo em grande. O FC Porto estava na Taça UEFA, o que até parecia ser um mal menor. Até que Quaresma inventa um lance na esquerda e serve a cabeçada vitoriosa do herói dos grandes momentos. O melhor em campo dava aos campeões a possibilidade de seguir em frente na Liga dos milhões, ainda que Mourinho tenha arriscado tudo nos últimos minutos da partida, inclusive com a colocação de John Terry (para se ver a minúcia do trabalho em Stamford Bridge, dever-se-ia constatar a movimentação do central na esfera de Costinha sempre que os portistas beneficiavam de um lance de bola parada) a ponta-de-lança. Para quem ainda tivesse dúvidas, o FC Porto tem potencial mas deve exponenciar o futebol pelas alas. Assim se abateu um Chelsea, é bom reforçá-lo, de primeira linha, assim se dá seguimento ao sonho europeu...

Foto: UEFA
O melhor do FC Porto:
Benni McCarthy (9) - Incrível a capacidade do sul-africano para aparecer em grande depois das trapalhadas que arranja. Há que incentivá-lo a sair para noites de copos, a ver cartões vermelhos ridículos, a irritar os treinadores... Voltou a ser o melhor jogador do FC Porto na noite de ontem mas, mais do que isso, os dragões devem-lhe a qualificação para a fase seguinte. Em dois jogos absolutamente decisivos, Benni assinou dois golos cruciais. Ontem valeu pelo golo mas também pela iniciativa que sempre mostrou ter - jogou bem de costas para a baliza, nunca se atemorizou perante Carvalho ou Terry, arriscou no remate até conseguir o golo da passagem. E logo de cabeça, que nem é a sua especialidade mas que vale ouro quando o adversário é inglês e tem gigantes na defesa e na baliza!
Nuno (7) - Ficou a ver quando Duff rematou para o golo dos londrinos mas teve um par de óptimas intervenções que salvaram os portistas de encaixar outros tantos golos. Uma mão lava a outra e as defesas ao cabeceamento de Drogba e às incursões de Lampard foram preciosas.
Seitaridis (7) - Correcto a defender, ainda que aqui e ali ultrapassado por Bridge ou Gallas, o grego foi uma nulidade a atacar durante a primeira parte. Quando soltou as amarras o FC Porto cresceu e até foi de uma iniciativa sua que nasceu o golo da igualdade.
Jorge Costa (6) - Tem de ser sempre titular. É a voz de comando, é o garante da solidez defensiva e da ordem na sector mais recuado. Esteve seguro como é seu timbre.
Pedro Emanuel (7) - O mesmo que se disse do capitão. Não sendo grande fã de uma dupla de jogadores com características similares, há que reconhecer a utilidade do central ex-Boavista.
Areias (6) - Não é um jogador brilhante, longe disso. Não é soberbo a defender, não é bonito a atacar nem a cruzar. Mas assumiu o risco e as responsabilidades que poucos quiseram ter na primeira parte. E merece esse elogio, por nunca s ter intimidado com os assobios da bancada e um ambiente que lhe é cada vez mais hostil.
Costinha (6) - Marcado por Terry nos lances de bola parada, Costinha foi bastante regular durante todo o tempo de jogo. O costume...
Maniche (6) - Habituou-nos a melhor mas foi batalhador qb. Tentou pegar no jogo aqui e ali mas está longe de forma que atingiu em outros tempos. Ainda assim, trabalhou muito e merece ser destacado por isso.
Diego (7) - É um grande jogador mas ainda tem vícios que o tempo se encarregará de curar. Joga mais na horizontal do que na vertical, o que é castrador quando o FC Porto não explora as alas. Cresceu na segunda parte e teve dois remates com selo de golo. Um deles viria a entrar...
Derlei (6) - Por muita vontade que tenha (e tem) está muito longe do Ninja Derlei. Parece limitado fisicamente mas nunca foi capaz de cumprir a missão que lhe fora destinada. Saiu tocado e em dúvida para Tóquio.
Luís Fabiano (6) - Regresso após longa paragem e missão importante nas proximidades da área do Chelsea. Precisa de tempo, coisa que não tem tido desde que aterrou em Portugal. E saúde, claro...
Quaresma (7) - A chave! Alargou o jogo do FC Porto, prendeu Gallas para a subida de Seitaridis que rendeu a igualdade, centrou para Benni fazer o golo que carimba a passagem à fase seguinte. Foi aquilo que nem sempre tem sido - útil à equipa.
Postiga (4) - Um pontapé acrobático e a honra de ver o golo de Benni de bem perto...
César Peixoto (3) - Não acrescentou nada!

Foto: Lusa
Liderança isolada da Superliga, duas vitórias consecutivas em terrenos complicados, recepção a um adversário modesto e que ainda não ganhara desde que Manuel Cajuda assumiu o comando da equipa. O cenário era, para os mais optimistas, absolutamente idílico. O FC Porto ia manter a primeira posição e, com sorte, ainda tirava a barriga de misérias - que é como quem diz, de más exibições e poucos golos. Os pessimistas, que também os há, torciam o nariz e também enunciavam as razões para tamanha descrença. Diz o povo que "quando a esmola é muita o santo desconfia" e a possibilidade de o FC Porto alcançar uma série de três vitórias deixava muito boa gente com a pulga atrás da orelha.
Certo da vitória parecia Fernández, que isto de jogar à confiança até dá para apostar na máquina Hélder Postiga. Voltou a sair-lhe o tiro pela colatra, o que equivale a dizer que o espanhol consegue, nos jogos disputados no Dragão, perder mais pontos do que aqueles que ganha! Mais: em apenas 7 partidas para a Superliga, o ex-técnico do Celta já multiplicou por cinco o número de pontos que o antecessor perdera em, imagine-se!, 34 jornadas. Neste cenário dantesco, até o Beira-Mar de Cajuda se estreia a vencer!
A sabedoria popular é, de facto, muito traiçoeira. Diz o povo que "no poupar está o ganho" mas Fernández tanto poupou para a recepção ao Beira-Mar que até os golos ficaram nos treinos. De facto, mais grave do que a exclusão de Seitaridis e Maniche, para já não falar em Derlei, é a ausência de aproveitamento nos lances de golo iminente que se criam. O FC Porto teve muitas e boas situações ao longo da primeira meia-hora do encontro mas insistia em adiar a garantia de uma vitória que parecia certa. Com um esquema muito idêntico ao que vem sendo utilizado, Fernández chamava Areias à lateral-esquerda e encostava Ricardo Costa ao lado oposto, com Pepe a substituir o castigado Jorge Costa no auxílio a Pedro Emanuel. Carlos Alberto acompanhava Diego no controlo das operações a meio-campo, com Quaresma em parte incerta e a voltar a evidenciar o que de menos bom tem. Ainda assim, as ocasiões sucediam-se ao mesmo ritmo a que eram desperdiçadas, de forma que roçou o escândalo.
O Beira-Mar de Cajuda, por seu turno, tinha na deslocação ao Dragão um dos jogos menos exigentes no que à obtenção de pontos diz respeito. Com o lateral-direito Ribeiro em grande nível e um Tininho que foi ganhando consistência na ala contrária, os aveirenses tinham várias unidades de contenção e um duo da frente com missões distintas: McPhee entrou em campo para jogar futebol e causar perigo junto do último reduto portista, Santiago Silva para fazer jus à alcunha e distribuir porrada por onde desse. Desde cedo se viu que os livres de Beto eram a maior ameaça à baliza de Nuno, ainda que o médio ex-Paços de Ferreira necessitasse de outra calibragem na hora de tentar o remate.
Quando finalmente acertou com as munições, o Beira-Mar garantiu em pleno reduto do líder e bicampeão a primeira vitória da era Cajuda. Não que Beto tenha marcado perto do fim, longe disso, mas a displicência com que os dragões encararam o resto do encontro e o vazio de ideias que se apoderou do conjunto de Fernández não permitiram outro resultado que não a derrota. É certo que o FC Porto continuou a criar ocasiões - ainda que agora mais espaçadas e menos condizentes com um domínio efectivo e consistente do jogo. Mas é também certo, todavia, que as performances individuais de alguns jogadores são de bradar aos céus. Postiga (rendido ao intervalo por Hugo Almeida) perde lances inacreditáveis, Carlos Alberto vale zero para o jogo colectivo (bem me lembro de um treinador que à segunda finta inconsequente o chamava para lhe dar dois berros e outros tantos puxões de orelha), Quaresma não percebe que tem de exibir outros recursos quando a imaginação não chega. Em função de tudo isto, o FC Porto nunca teve uma reacção à adversidade digna de registo e que resultasse em largos períodos de domínio avassalador. Ainda assim, hoje Fernández largou a carne no assador - ao intervalo trocou Maniche por Ricardo Costa, encarregando Bosingwa de toda a ala direita. Infelizmente, o espanhol insiste em não planear o ataque maciço pelas alas e em não dotar as acções ofensivas dos dragões de movimento - o futebol é sempre lento, previsível e, quando se dá a perda de bola, a pressão e recuperação imediata é utópica.
Pelo contrário, Manuel Cajuda soube montar o esquema que lhe convinha e trocar unidades com preceito e correcção. Em função disso, é premiado com uma primeira vitória em pleno Dragão e garante outra estabilidade para o seu Beira-Mar, que não conhecia o sabor do triunfo há 8 jornadas. A expulsão de Beto e as perdidas de Costinha, Hugo Almeida e Derlei ainda fizeram perigar a conquista dos três pontos mas a sorte estava mesmo do lado do técnico algarvio. Fernández, esse, bem pode continuar a lamentar a falta de fortuna. Enquanto não descobrir na própria casa as razões dos sucessivos falhanços, o FC Porto vai continuar a ter tropeções flagrantes. Este foi só mais um...

Foto: Lusa
O FC Porto é líder isolado da Superliga depois de ultrapassar uma saída muito complicado ao Estádio do Bonfim, casa de um Vitória de Setúbal que também sonhava com a liderança. Um triunfo muito sofrido dos dragões, que revelaram grande qualidade na primeira parte e fizeram do querer e do espírito colectivo a chave de uma etapa complementar limitada pela expulsão de Jorge Costa, no final do primeiro tempo. De resto, Fernández voltou a substituir mal e o FC Porto também não teve um aliado em Hélio Santos. O Setúbal, por seu turno, não teve arte nem engenho para aceitar o convite ao ataque que a vantagem numérica parecia oferecer, se bem que Couceiro tenha metido a carne toda no assador. Infelizmente para ele, Manuel José foi a única unidade que rendeu ao nível a que nos tem habituado. Depois do frio de Moscovo, os campeões saem de uma semana complicada com duas vitórias e o coração um pouco mais quente.
José Couceiro não surpreendeu na constituição do onze para a partida frente ao campeão nacional. Com a perspectiva de alcançar o Boavista no topo da tabela, os sadinos procuravam bater o pé a um dos candidatos ao título - à imagem do que já haviam consigo na recepção ao Sporting. Para tal, Couceiro insistia no quarteto defensivo formado por Éder (à direita), Bruno Ribeiro (na lateral oposta), Hugo Alcântara e Veríssimo (ao centro). Ricardo Chaves e Sandro eram as unidades de contenção no meio-campo, com Jorginho atrás do avançado Igor. Manuel José actuava pela ala-direita, Zé Rui era extremo-esquerdo. Este dispositivo assentava muito na acção de Jorginho, que assumia toda a condução do futebol sadino, aqui e ali coadjuvado pela garra de Manuel José na direita. Cedo se viu que os laterais não tinham ordens para arriscar muito nas subidas, sendo que Zé Rui também não revelava grande inspiração quando a bola lhe chegava aos pés.
O FC Porto, por seu turno, vinha de uma vitória em Moscovo que aliviava a indisgestão da primeira derrota para a Superliga. Com Diego, Carlos Alberto e Hugo Leal de regresso, Fernández não mexeu muito no esquema que normalmente tem utilizado. Sem os habituais titulares Vítor Baía, Derlei e Benni McCarthy, os dragões voltavam a chamar Nuno à defesa das redes e incluíam Diego e Hélder Postiga no onze titular. Ou seja, o regresso do organizador ex-Santos não implicou a saída de Bosingwa, que voltou a exibir-se a grande nível. Indo por partes, a defesa era a mesma de Moscovo, sendo que Diego se imiscuía no tridente do miolo constituído por Costinha, Maniche e Bosingwa. Numa primeira fase, o médio ex-Boavista aparecia à direita, alternando com Giourkas nas subidas pela ala direita. Quaresma actuava na esquerda ou nas proximidades de Hélder Postiga, que reclamava a titularidade mesmo sem ter feito nada que o justificasse na corrente temporada. Contudo, Bosingwa cedo se juntou à dupla do centro do terreno, passando Quaresma a jogar mais perto de Bruno Ribeiro.
Entrou melhor o FC Porto, situação que se confirmou na primeira parte. Com Maniche de volta aos velhos tempos da combatividade e da inclusão no jogo ofensivo da equipa, os dragões viviam muito do génio que Quaresma oferecia. Com um futebol muito bem jogado a espaços, os portistas ameaçavam inaugurar o marcador mas só o fizeram a meio da etapa inaugural. Canto na esquerda muito bem batido por Diego e cabeça vitoriosa de Jorge Costa, tranquilo na pequena-área sadina. É certo que o capitão vinha fazendo um óptimo jogo mas a ordem de expulsão que recebeu (por acumulação de amarelos) voltou a deixar o campeão limitado durante grande parte do tempo de jogo. Antes desse lance, já o FC Porto devia a si próprio e sobretudo a Postiga uma vantagem mais dilatada. Certo é que o intervalo chegou com os dragões na frente mas em inferioridade numérica, pelo que se previa uma segunda metade bem complicada.
Se a missão do conjunto de Fernández já era complicada, o espanhol parecia querer dificultá-la ainda mais. Obrigado a juntar Pepe a Pedro Emanuel, o aragonês retirou a unidade de maior rendimento na primeira parte e aquela que mais garantias dava para o tipo de jogo que os portistas se viam obrigados a fazer na segunda parte. Do outro lado, Couceiro trocava Éder por uma unidade de ataque, no caso Meyong. Manuel José estava encarregue de toda a ala direita (e que bem o fez), ao passo que o camaronês se juntava a Igor na luta da área. Ainda assim, as mexidas resultaram num domínio de jogo setubalense mas que não se repercutia em jogadas de verdadeiro perigo para a baliza de Nuno. Jorginho não carburava tanto quanto Couceiro desejava, sendo o ex-dragão Manuel José a criar os melhores lances do conjunto sadino.
Uma segunda parte, pois, sem grande história, ainda que seja mais do que justo salientar mais um grande jogo de Bosingwa e a total incapacidade de Fernández para as substituições e para ler o jogo. Com Manuel José livre, a entrada de Peixoto podia e devia ter significado um maior controlo sobre o extremo sadino. Infelizmente, César insiste em nada acrescentar ao futebol do campeão, sendo que Fernández também cai em sucessivos erros na hora de mexer no onze ou ler as incidências da partida. Nota última para Hélio Santos, que deixou passar uma grande penalidade clara a favor do FC Porto (no recomeço, por mão de Hugo Alcântara em plena área sadina) e deixou seguir um lance em que Pepe parece travar Meyong com recurso à falta. As imagens não são conclusivas, pelo que se dá o benefício da dúvida ao juíz da partida. Aceita-se a expulsão de Jorge Costa.

Foto: Rádio Renascença
O melhor do FC Porto:
Bosingwa (8) - É um regalo em entrega e querer este médio. Tem um pulmão imenso, o que o torna numa preciosa unidade no auxílio à defesa e nos lances de ataque. Está em grande forma e Fernández reconhece-o ao negar que o regresso de Diego implique a sua saída do onze. Começou o jogo na direita mas cedo se juntou a Maniche no centro do terreno, onde rende bem mais. Sempre tranquilo, foi útil nos períodos difíceis e até esboçou saídas com a bola controlada quando poucos pareciam capazes de fazê-lo.
Nuno (7) - Não teve muito que fazer mas esteve sempre bem quando chamado a intervir. O centro-remate de Manuel José terá sido o lance mais trabalhoso da noite mas revelou acerto nas saídas e na defesa de alguns remates teoricamente inofensivos. Ou seja, cumpriu plenamente.
Seitaridis (7) - Pedia-se mais atrevimento nas subidas mas o grego cumpre na perfeição nas tarefas defensivas. Zé Rui foi uma nulidade mas Jorginho também não se deu bem quando caiu nas zonas de acção do lateral portista. Muita segurança.
Jorge Costa (6) - Vinha sendo das melhores unidades até receber ordem de expulsão. Marcou o único golo da partida e era uma excelente voz de comando nas missões defensivas. Exagerou no lance que origina o segundo cartão amarelo, pelo que tem responsabilidades no aperto que os dragões sentiram na segunda metade.
Pedro Emanuel (6) - Esteve certinho. Pede-se que tome decisões mais rápidas no alívio do esférico de zonas perigosas mas revelou correcção na leitura dos movimentos dos avançados contrários, facto que o ajudou na tarefa de anular Igor e Meyong.
Ricardo Costa (5) - É um trapalhão. Perde muitas bolas em zonas proíbidas e isso ameaça causar grandes problemas ao dragão. É certo que apanhou com um Manuel José inspirado mas nunca se mostrou capaz de o agarrar, sendo incompreensível a intranquilidade que revela em campo. Um jovem sobreavaliado?
Costinha (8) - Rigor táctico e voz de comando na ausência de Jorge Costa. Jorginho nem cheirou a sua zona de acção e foi precioso no auxílio aos centrais quando o Setúbal passou a ter dois avançados-centro. É um homem de garra.
Maniche (7) - Voltou às boas exibições e, mais importante do que isso, evidenciou a entrega que lhe tem faltado. Na primeira parte foi um pêndulo entre a defesa e o ataque e até fez uso da imensa capacidade de remate que possui. A barra travou as suas intenções. Primeira parte soberba, etapa complementar mais tímida até porque, segundo me parece, a condição física ainda não é a melhor.
Diego (6) - Não tem o ritmo de jogo que a lesão lhe roubou. Teve bons pormenores, muita disponibilidade para se sacrificar pelo conjunto e bateu o canto para o único golo da partida. E isso vale um jogo.
Quaresma (8) - Não é o melhor em campo porque Fernández lhe cortou as pernas. A segunda parte estava bem ao jeito dele mas ficou nas cabines ao intervalo. Na primeira metade partiu a loiça toda, inventando um lance soberbo que Postiga teve o descaramento de desperdiçar.
Postiga (5) - 4,5 milhões de euros! Onde é que eles estão? Perdido entre os centrais, correu que nem um desalmado mas perdeu, ingenuamente, a única ocasião de golo de que benficiou. E que ocasião! Falhar um golo daqueles mancha logo a performance de um avançado.
César Peixoto (3) - Onde estava quando Manuel José subia pelo terreno. Não era suposto ter defendido? Um bom apontamento - rematou bem para defesa de Marco Tábuas.
Carlos Alberto (3) - Um amarelo antes de entrar em campo. Não é das melhores formas para se fazer notar...

Foto: UEFA
Mantém-se vivo o sonho com a Liga dos Campeões. Numa exibição que voltou a oscilar entre o bom e o sofrível, o FC Porto teve a sorte do jogo para sair de Moscovo com hipóteses de qualificação para os oitavos-de-final da prova. A Taça UEFA é um mal menor bastante provável em caso de não apuramento, depois do primeiro triunfo europeu da temporada para o actual vencedor da Champions. Sem maravilhar, ninguém exigia isso, os portistas saíram da gélida capital russa com mais um ponto que PSG e CSKA, sendo que os franceses ainda jogam hoje, em Londres. Pede-se ajuda ao Chelsea de Mourinho e uma vitória dos dragões na última jornada da fase de grupos para que se possa concretizar o milagre da qualificação. Amén!
Extremamente limitado, Fernández não teve muito por onde fugir na constituição do onze portista. Realce para a ausência, já previsível, do médio Diego e para a inclusão de Ricardo Costa na lateral-esquerda. O técnico espanhol terá ganho em capacidade de choque no jogo aéreo aquilo que perdeu, seguramente, na qualidade de passe. O central sub-21 foi uma das principais causas do elevado índice de bolas perdidas na defesa e meio-campo defensivo. Mas já lá vamos... O trio do meio-campo voltava a contar com Costinha, Maniche e Bosingwa, com o ex-Boavista a surgir mais sobre a direita (ainda que tendesse em demasia a descair para o centro), por oposição ao posicionamento de Ricardo Quaresma na ala contrária. O desinspirado Derlei jogava nas costas de McCarthy, que mantinha a confiança de Fernández, não obstante a ridícula expulsão na partida diante do Boavista.
O CSKA, por seu turno, tentava adiantar-se à concorrência na luta por um lugar na fase seguinte. Gazzaev montou um esquema em 3-5-2, em muito condicionado pelas ausências de Odiah e Ivica Olic, que não recuperaram de lesões. Ignashevich, mais sobre a direita, Berezouts, descaído para a esquerda e o lituano Semberas constituíam o trio de centrais. À frente destes apareciam Aldonin e Rahimic, sendo que Jarosik era a unidade mais avançada do meio-campo, bem atrás da dupla móvel Semak e Vágner Love. Na direita estava Krasic, no lado oposto actuava Zhirkov. Estava disposição dava claro ascendente aos moscovitas no miolo do terreno, sendo que o duo da frente surgia em igualdade numérica junto de Jorge Costa e Pedro Emanuel. Situação que obrigava a compensações da parte de Seitaridis e Ricardo Costa, quase sempre mal aproveitadas pelos alas russos.
Apesar de um bom lance construído na direita e concluído por Maniche para as mãos de Akinfeev, o FC Porto começou o jogo muito nervoso e a falhar passes em demasia, uma preocupante situação que teve continuidade durante todo o jogo. Muitas perdas de bola em zonas infantis, muitos erros primários que ameaçavam as redes bem defendidas por Nuno. Contudo, à medida que o miolo assentava e Bonsingwa e Seitaridis se envolviam com propósito nas acções atacantes, os portistas passaram a discutir o resultado e a aparecer perto da baliza russa. Com o perigo afastado do último reduto dos dragões, o FC Porto começou a ameaçar Akinfeev, chegando mesmo a desperdiçar lances escandalosos. Derlei teve a mais flagrante das ocasiões, perdendo uma eternidade na cara do jovem guardião russo. O golo surgiria pouco depois, contudo, a partir de um bom lance ofensivo. Subida de Giourkas, bem acompanhado pelos centro-campistas, que abriram linhas de passe para uma tabelinha que ofereceu a ala ao grego. Bom cruzamento e Benni a inaugurar o marcador, com excelente golpe de cabeça. Os portistas colocavam três jogadores na área em harmoniosa distribuição pelo espaço. Livre de marcação, o sul-africano disse que sim.
Infelizmente, a tremideira atrás mantinha-se. De facto, o perigo causado pelos russos provinha mais da passividade e dos erros primários cometidos pelos portistas. Num desses lances, Maniche joga de calcanhar para isolar Ignashevich, rasteirado na área por Costinha. Felizmente, o CSKA voltou a desperdiçar uma grande penalidade (Vágner Love fizera o mesmo diante do Chelsea). O mesmo jogador que sofreu a falta encarregou-se da marcação do castigo mas mais não fez do que aliviar a bola para a bancada. Mau demais! Ainda assim, os russos continuavam a ameaçar a baliza de Nuno, sobretudo por intermédio de Semak, cuja velocidade e poder de arranque colocava a cabeça em água à durinha dupla Jorge Costa-Pedro Emanuel. O intervalo chegou, apesar de tudo, com vantagem para os portugueses.
Apesar de se encontrar em situação de desvantagem, Gazzaev não introduzia mudanças para a segunda parte, mantendo a confiança na temível dupla de avançados. As linhas recuadas do FC Porto mantinham-se muito nervosas, surgindo de falhas suas as melhores ocasiões para o CSKA igualar. Não obstante os muitos cantos de que beneficiava, o conjunto moscovita não ameaçava tanto quanto desejaria (e com menor eficácia ainda) as redes à guarda de Nuno. Por seu turno, o ataque portista não aproveitava da melhor forma o espaço de que dispunha para contra-atacar, situação que se agudizou com a entrada de César Peixoto, que substituiu Quaresma e se juntou ao combativo mas desastrado Derlei. Bosingwa continuava a deliciar e Benni era a melhor unidade do ataque azul e branco, que parecia não querer matar o jogo. Com o credo na boca, os portistas sustiveram as investidas russas e nem sentiram a troca de flanqueadores, com Ferreyra e Gusev a entrarem em campo. Apesar dos soluços e da instabilidade revelada a espaços, o FC Porto sai da gélida Rússia com a possibilidade de discutir o apuramento. Não se viram melhorias significativas nem um conjunto dominador e autoritário mas isso também seria, porventura, pedir demais. Fiquemos contentes com o resultado...
Ficha do Jogo
Partida no Lokomotiv Stadium, em Moscovo
Árbitro - Mejuto González (Espanha)
Auxiliado por Martinéz Samaniego e Novoa Robles (Espanha)
CSKA Moscovo - Akinfeev; Ignashevich, Semberas e Berezouts; Aldonin, Rahimic, Jarosik, Zhirkov (Ferreyra, 67´) e Krasic (Gusev, 70´); Vágner Love e Semak
FC Porto - Nuno; Seitaridis, Pedro Emanuel, Jorge Costa e Ricardo Costa; Costinha, Maniche, Bosingwa e Quaresma (Peixoto, 59´), Derlei (Pepe, 90´) e McCarthy (Hugo Almeida, 78´)
Golo - 0-1 por Benni McCarthy, aos 28´
Amarelos - Vágner Love e Aldonin; Hugo Almeida

Foto: UEFA
Tudo, nada ou qualquer coisa. Jogo absolutamente decisivo para o FC Porto, que hoje discute em Moscovo a possibilidade de manter a ilusão de defender o título alcançado a 26 de Maio. O cenário não é brilhante, até porque os portistas ainda não venceram qualquer partida na prova, limitando-se a escassos empates caseiros com CSKA e PSG. Obrigados a vencer, os dragões equacionarão, em caso último, a hipótese Taça UEFA como menos má. Vindos de uma derrota para a Superliga, os pupilos de Fernández continuam a bater-se com muitos e importantes problemas derivados de lesões. Vítor Baía está fora de opção por um mês, Raul Meireles foi hoje operado a uma hérnia, Carlos Alberto é carta fora do baralho e Diego deve começar o jogo do banco, ainda que o FC Porto precise de assumir o jogo. Por outro lado, o trio Nuno Valente, Hugo Leal e Luís Fabiano continua em recuperação, não estando prevista data para o regresso. Muitos problemas, pois, para a constituição do onze. Nuno vai ser titular na baliza e é provável que o quarteto defensivo se mantenha relativamente ao jogo com o Boavista, sendo sempre imprevisíveis as opções de Fernández para o centro da defesa e para a lateral-esquerda. Costinha, Maniche e Bosingwa constituem o trio do meio-campo, ainda que pouco ou nada tenham rendido em Barcelos e na partida do último Sábado. Com Quaresma à direita e Derlei entre a esquerda e o auxílio ao ponta-de-lança, que pode ser Hugo Almeida. É que a agressão de Benni a Milhazes não agradou ao staff portista, pelo que o sul-africano até pode ficar de fora desta partida.
O CSKA, que perdeu recentemente o campeonato russo, não vê grandes vantagens no facto de o jogo se disputar sob intenso frio. Com o nigeriano Odiah em dúvida mas Ivica Olic recuperado, os moscovitas devem apostar num esquema de 4-4-2, com o argentino Ferreyra na condução do jogo ofensivo, relegando Semberas para o banco. Os moscovitas têm 4 pontos, contando com o jogo de hoje para somar uma importante vitória rumo aos oitavos-de-final. Assim não permita o FC Porto...

Foto: UEFA
Durou uma semana a liderança do FC Porto nesta Superliga. Uma semana atribulada, como muitas outras, mas que até devia ser encarada positivamente. Afinal, os dragões ocupavam a primeira posição e o Dragão celebrava um ano... sem derrotas. Até hoje! Apesar das muitas e importantes ausências, o FC Porto de Fernández, que regressava ao banco, foi uma autêntica vergonha. Novamente preso nas ideias, mais uma vez limitado a um sistema de jogo primário e que em nada resultou. Pior do que isso, o treinador insiste numa atroz incapacidade para mexer no jogo - empatado, não arriscou um pouco que fosse e substituiu de forma ridícula. O conservadorismo já havia dado mau resultado contra o PSG mas hoje é suposto que Fernández tenha aprendido a lição. É que perdeu, mesmo não tendo assumido uma postura atrevida. Ah, e lá se foi a invencibilidade na Superliga e no Dragão. Não é um aniversário bonito...
Infelizmente para o FC Porto, o castigo a Fernández terminou na última jornada, a mesma que tinha apresentado um líder fraquinho e que saiu de Barcelos com três pontos e muita, mas mesmo muita, sorte. Por falar em sorte e azar, a semana engrossou o lote de lesionados, não deixando qualquer organizador disponível para defrontar um Boavista que vinha de uma goleada. Ou seja, se os do Bessa já se costumam engalanar para os jogos com o bicampeão, mais ainda se esforçaram para apagar da memória a tragédia de Alvalade. Expectativas: um FC Porto dominador perante um Boavista de tracção atrás e com um objectivo - não sofrer golos!
A postura retraída de Fernández começou logo na constituição do onze. Perante as ausências de Diego e Carlos Alberto, o espanhol chamou Bosingwa, que alternava com Seitaridis na condução de jogo pela direita. Quaresma actuava perto de Benni, Derlei tentava construir jogo entre o trio do meio-campo e a frente. Infelizmente, cedo se viu que este FC Porto não tinha largura nem profundidade para assustar um Boavistão que tinha em Éder o ícone do futebol feio a que Jaime Pacheco nos habituou. Organizado num 4-3-3 mentiroso, os visitantes deixavam sempre dez (às vezes onze até) homens atrás da linha da bola e tinham no central ex-Leiria o garante da solidez defensiva. Se não vai a bem vai a mal, até porque Lucílio Batista e FC Porto são termos que não combinam e os cartões são para ficar no bolso.
Assim sendo, a primeira parte resume-se a ausência de ideias do FC Porto, perante um Boavista escaldado e ciente de que não podia correr o risco de sofrer nova vergonha. Pior do que todo este cenário, Benni conseguiu no Dragão aquilo que já tentara em Barcelos: ser expulso. Ele que até vinha actuando bem como pivot, a jogar de costas para a baliza e até a descair nos flancos. Uma atitude verdadeiramente estúpida retirou-o do jogo, perante a passividade de um Fernández que preferiu jogar sem referência do que retirar uma das desaparecidas unidades do meio-campo.
Jaime Pacheco esfregava as mãos de contente. Se já havia perspectivado a entrada de Zé Manel após o intervalo, a superioridade numérica ajudou-o a confirmar essa opção, sendo que aproveitou o tirou também Éder, antes que Lucílio foi mesmo obrigado a fazê-lo. Martelinho entrou para a lateral-direita, Hélder Rosário regressava às origens, que é como quem diz o centro da defesa. Enquanto isso, Fernández via a inoperância portista de braços cruzados. E quando finalmente se decide a chamar um avançado erra redondamente na opção, retirando a única unidade que tentava mexer com as coisas: Ricardo Quaresma, hoje menos sucedido do que em Barcelos.
Nada ganhou com a alteração, ao passo que Pacheco arriscava ao tirar André Barreto, fazendo entrar João Pinto para a proximidade de Cafú. O treinador espanhol do FC Porto só voltou a mexer para trocar Postiga por Derlei (onde andas Ninja?), não ganhando absolutamente nada com isso. É certo que Hugo Almeida beneficou de uma soberba ocasião de golo mas os bicampeões viviam de lances isolados, não havendo uma continuidade capaz de intimidar o Boavista. Muito macios, os pupilos de Fernández foram incapazes de marcar uma posição de força e viviam dos rasgos de Bosingwa, que falava uma língua diferente da dos colegas.
De forma que, ao cair do pano, Cafú acabou com a invencibilidade do Dragão e manchou de inverdade um jogo muito pobre. Em fora-de-jogo, o brasileiro marcou para o Boavista e põe fim a uma fugaz liderança do FC Porto nesta Superliga. Um castigo mais do que merecido para Fernández e alguns dos seus pupilos, um prémio demasiado lisonjeiro para um Boavistão que voltou aos velhos tempos do forte e feio. Pacheco soma mais um triunfo nos descontos, com a benção de Fernández, Benni e Lucílio Batista. Amén!

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Não há justiça no futebol. O FC Porto saiu ontem de Barcelos com uma vitória que não fez por merecer, numa das mais apagadas exibições da temporada (mais uma). Um triunfo assente na magia de Ricardo Quaresma, que fez uso das alcunhas para abrir o marcador - naquele que é, seguramente, um dos melhores golos da época. Curvou que nem um Mustang perante Nuno Amaro e sacou da varinha para, qual Harry Potter, enfiar a bola no único buraco por onde ela podia passar rumo às redes do desamparado Draco Malfoy.
A verdade é que os bicampeões nacionais já são líderes da Superliga, na partida que ditou a primeira derrota do Gil Vicente de Ulisses Morais. O ex-treinador do Estoril foi incapaz de aproveitar a desastrada noite portista, revelando um péssimo jogo de banco. Depois de muito sofrimento e erros primários em doses industriais, Costinha acabou por matar um jogo que nunca teve vida. As boas-vindas à realidade para quem se iludiu com os 70 minutos do derby do Dragão...
Vindo de dois empates em outros tantos jogos, o Gil Vicente de Ulisses Morais procurava, na pior das hipóteses, manter a série de jogos sem perder. Assente num esquema de 4-3-3, os de Barcelos apresentavam um meio-campo de combate e tinham em Jorge Ribeiro a unidade que deveria assegurar a ineficácia da ala direita portista, sustentada (pelo menos na teoria) por Seitaridis e Quaresma. Paulo Costa caía preferencialmente na direita mas também se imiscuía, amiudadas vezes, na zona de acção do ponta-de-lança Júlio César.
O FC Porto apresentava três mexidas relativamente à partida contra o Sporting. Tudo começava na baliza, ontem ocupada por Nuno. Mera medida de precaução, consta, uma vez que Vítor Baía acusava um estiramento numa das coxas. Duas alterações na defesa, com Pepe a recuperar a titularidade e a relegar Jorge Costa para o banco e Areias a ocupar, naturalmente, o lugar deixado vago pelas lesões de Ricardo Costa e Nuno Valente. Derlei começou por assumir, inicialmente, o lugar de extremo-esquerdo.
Situação que cedo se alterou, em função da saída forçada de Diego, que em 6 minutos já havia sofrido 3 faltas! À terceira foi de vez e o médio brasileiro foi substituído por KO! Entrou Bosingwa, porque também não havia Carlos Alberto. Derlei assume, então, novo posicionanemto mas o futebol dos dragões já estava completamente partido. De facto, o organizador ex-Santos era o único elemento a carburar o jogo portista, facto que implicou a perda de capacidade construtora pelo meio. Exigia-se, pois, largura nas alas. Ora, nem Seitaridis nem, tão pouco, Areias arriscavam a subir nos flancos, sendo enorme o fosso entre os que defendiam e os que tentavam atacar. Costinha, Maniche e Bosingwa revelavam um défice de capacidade para pegar no jogo, Derlei e Benni (mais o último) eram ineficazes na retenção e devolução do esférico, que morria nas acertadas marcações e na superioridade numérica evidenciada pelos de Barcelos.
Começa, então, a verificar-se a ascensão do Gil Vicente, em muito consentida pela defesa dos dragões. Numa altura em que ainda não está consolidada qualquer dupla (por inúmeras razões, sobressaíndo as muitas lesões), parece-me no mínimo leviano tirar Jorge Costa. Bem vistas as coisas, os centrais do FC Porto ainda não têm rotinas de conjunto e a alteração permanente da dupla em nada beneficia esse entrosamento. Depois da brilhante exibição de Jorge Costa e Pedro Emanuel diante do Sporting, assistiu-se ontem a um mar de equívocos por parte de Pepe e do defesa ex-Boavista. Erros primários que podiam ter comprometido, e muito, o desfecho final da partida.
Mas falemos em coisas bonitas, que o desafio de ontem também as teve. Pois que, numa altura em que o Gil Vicente dominava, surge o lance do jogo e, quem sabe, da jornada. Quaresma inventa um golo que não dá para ser descrito em outro meio que não a televisão. Tirem o som da caixinha, deliciem-se, gravem, vejam até à exaustão! Um regalo, o materializar de um Ricardo rejuvenescido, de há uns tempos para cá imune às críticas de ferozes comentadores - sim, eu terei sido dos mais exaltados. Mais do que golos e lances bonitos, Quaresma é hoje um jogador bem mais humilde, bem mais cumpridor, bem mais colectivo e esforçado. E quando assim é...
O golo do ex-Barcelona matou a primeira metade mas não enganava. O FC Porto era um conjunto frágil e a segunda parte seria de sofrimento. O lance do extremo em nada alterou a forma desastrada exibida pelos dragões, perante um Gil Vicente obrigado a forçar a parada e ir em busca da igualdade. Pepe, Pedro Emanuel e, mais tarde, Nuno (que antes havia evitado alguns lances bem perigosos) pareciam querer ajudar mas Ulisses Morais não estava para aí virado. Do banco portista vinham lanços brancos a pedir compaixão, do reduto de Ulisses saía Rui Baião, o substituto natural do único avançado Júlio César. Para rir! Já antes havia entrado Nandinho para o lugar de Paulo Costa, nada se ganhando ou perdendo com a mexida. Sem referência na área, os de Barcelos viviam das gaffes dos visitantes, que acumulavam erros gritantes. Mas o empate, mais justo na medida em que castigava o péssimo jogo dos dragões do que a ambição dos visitados, não aparecia.
Quem desaparecera das quatro linhas fora Maniche, ou melhor, o sósia daquele fabuloso jogador que actuou pelo FC Porto das últimas duas temporadas. Entrou o fantasma de César Peixoto, que redescobriu a arte de marcar cantos e deu a Costinha a oportunidade de matar o jogo. Assim aconteceu... Será um morto com poucos amigos mas, seguramente, muitos admiradores do golo de Quaresma. Os dragões são líderes da Superliga mas precisam de mostrar muito mais para se manterem na posição que ocupam. O Gil Vicente tem alguns argumentos mas Ulisses Morais mexeu muito mal na partida de ontem.

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O melhor do FC Porto
Ricardo Quaresma - Sim, fui dos maiores críticos de Quaresma no início da temporada. Chamei-lhe nomes feios mesmo quando marcava golos incríveis. De há uns tempos para cá tenho tido outro discurso, ainda que repare que a imprensa da especialidade venha seguindo um percurso diferente do meu. Talvez esteja errado, mas gosto de ver jogadores humildes e empenhados numa causa colectiva. Quaresma não tinha nada disso no início da época mas já revela muito maior profundidade hoje. Por isso tudo, mas também pelo soberbo golo que marcou, Ricardo é o homem do jogo e da jornada. Quando se dá o que tem, os momentos bonitos têm outro sabor. Quanto ao tão badalado lance, creio que nenhum meio que não a televisão pode descrevê-lo. Por isso, tirem o som da caixinha, deliciem-se, gravem, vejam até à exaustão!
Nuno - Chamado de urgência face à lesão de Vítor Baía, Nuno estreou-se nesta Superliga. A verdade é que alternou o melhor com o pior. Evitou que Braíma marcasse na primeira parte, ofereceu o golo ao mesmo jogador no segundo tempo. Não dá a estabilidade que o titular oferece mas pode gabar-se de não ter sofrido qualquer golo ontem.
Seitaridis - Ofensivamente não existiu, defensivamente deixou-se surpreender por Jorge Ribeiro em alguns lances. O grego tem culpas no facto do internacional português ter sido dos melhores, senão mesmo o mehor, dos gilistas.
Areias - A ele se aplica, na vertente ofensiva, o mesmo que se disse de Giourkas. Teve a sorte de não lhe aparecer pela frente nenhum adversário que impussesse respeito. Por isso mesmo, foi muitas vezes um auxílio à dupla de centrais. Não comprometeu.
Pepe e Pedro Emanuel - Corridos a nota negativa. Não podem facilitar tanto, não podem errar tanto! Ofereceram vários lances de perigo ao adversário, revelaram falta de sentido táctico, raramente optaram pela solução certa. Um autêntico desastre! Causa-me enorme confusão, por exemplo, ver Pepe insistir em subidas estúpidas. Ontem, por exemplo, vi o central brasileiro correr 50 metros sem bola para abrir uma linha de passe à direita! Não há ninguém que corrija este moço?
Costinha - Foi o mais certinho do meio-campo mas também teve os seus senãos. Muitos passes falhados e alguns erros de marcação à entrada da área não chegam para deturpar uma exibição muito esforçada e combativa, premiada no final com o golo da confirmação. Pode dar muito mais e melhor mas exibiu-se a um nível bem superior ao dos colegas.
Maniche - OK, quem és tu e o que fizeste ao verdadeiro Maniche? O Maniche corre quilómetros, percorre todo o campo, tem sempre a solução certa, pressiona, rouba bolas, marca golos, desmarca colegas, aparece para finalizar, DEDICA-SE! Pois bem, aquela camisola 18 desta época não corresponde a nenhuma destas descrições. Pelo que só podemos estar na presença de um sósia. Momentos de forma todos têm mas falta de empenho é que não se pode perdoar...
Diego - Esteve 10 minutos em campo. O suficiente para perceber que o jogo portista dependia dele e que o Gil Vicente tinha consciência disso. Sofreu três faltas em seis minutos. À terceira desistiu por KO... O FC Porto também foi abaixo.
Derlei - Boa entrega a um jogo complicado para ele. Lutou muito, brigou imenso e ameaça tornar-se no Derlei que todos conhecemos. Está no bom caminho.
Benni McCarthy - Ausente. A partida não era fácil mas em vez de a discutir o sul-africano preferiu pegar-se com os adversários. Deu para passar o tempo mas valeu zero para o conjunto portista.
Bosingwa - Tem sempre muita entrega mas isso não chega. Para mais quando se entra para substituir Diego (ainda que não com as mesmas funções). Não comprometeu no plano defensivo, lutou imenso como é seu hábito mas também pagou a factura da separação entre as linhas médias e avançadas dos dragões.
César Peixoto - Positivo: Marcou o canto para Costinha. Negativo: Não teve nenhum outro apontamento digno de registo - perdeu muitas bolas, mexeu-se pouco, andou perdido.
Hugo Almeida - Jogou muito pouco tempo.
Victor Fernández - Segundo jogo a partir do camarote. Obrigado a mexer em detrimento de algumas lesões, podia muito bem ter mantido os centrais. Numa altura em que ainda não está consolidada qualquer dupla, parece-me no mínimo leviano tirar Jorge Costa. Teve a estrelinha de campeão mas esteve muito, muito, muito longe de convencer...

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Triunfo amplamente justo da única equipa que fez por ganhar o primeiro clássico do Dragão. Com 70 minutos de bom nível, aqui e ali pincelados por períodos de brilhantismo, os portistas regressam às vitórias e evidenciam qualidade para apresentar bons resultados no que resta da época. Ainda que limitado (tanto no esquema como nas opções individuais), este FC Porto depende do querer e da intensidade que o colectivo consegue imprimir em campo. Se essa ambição e capacidade de luta tem estado ausente, hoje deu um ar da sua graça e impulsionou o conjunto para uma vitória saborosa mas que carece de confirmação nos próximos jogos.
Ainda que a viver um período positivo, o Sporting deu hoje uma pálida imagem do seu valor. Apesar de vinte minutos iniciais de controlo (não confundir com domínio), os leões desapareceram quando os pupilos de Fernández perceberam as limitações dos visitantes e que só imprimindo outra intensidade seria possível chegar à vitória. Por falar no treinador espanhol, Peseiro foi hoje goleado na hora de substituir. Apostou mal e viu o trunfo Carlos Alberto matar o jogo.
Vindo de três jogos sem vencer, o FC Porto encarava este derby sem a tranquilidade desejada e com a pressão dos três pontos. O regresso de Costinha ao onze, para o lugar de Bosingwa, era a única novidade apresentada pelo castigado Fernández. Pepe voltava à convocatória mas para ficar no banco, justificando-se perfeitamente a opção por Pedro Emanuel, que teve uma actuação a roçar o brilhantismo. Tacticamente, notava-se também uma mexida no posicionamento de Derlei, que actuava bem mais próximo de Benni. Na prática, Fernández percebeu que o Ninja não rende na ala e deu indicações para que McCarthy alternasse com o ex-Leiria na ocupação das extremidades do relvado. Quaresma voltava a ser o único flanqueador nato.
Dominador no meio-campo, principalmente nos primeiros 20 minutos, o Sporting não deu continuidade a uma série de cinco vitórias consecutivas nem ao bom começo protagonizado. De facto, além de aproveitar o nervosismo e a busca de identidade que ocupava o dragão, o conjunto leonino assentava o seu futebol na acção dos quatro centro-campistas. A superioridade numérica ajudou neste período inicial, ainda que os leões fossem incapazes de alargar e esticar o seu futebol. De facto, as limitações sportinguistas nas alas convidavam o FC Porto a explorar esses espaços - o que só aconteceu na segunda metade dos primeiros 45 minutos. Com Custódio fixo à frente dos centrais, o trio Rochemback-Rogério-Hugo Viana deambulava por todo o miolo, ainda que raramente tivesse largura suficiente para assustar os defesas portistas. Douala e Liedson tentavam cair nos flancos mas as suas intenções eram facilmente anuladas. Pior do que isso, os dragões começaram a perceber que a chave da partida estaria no aproveitamento das limitações de Enakharire e Rui Jorge.
Assim sendo, o FC Porto cresceu quando Seitaridis se juntou a Quaresma no massacre a Rui Jorge, sempre desapoiado. Lamentavelmente, a ala esquerda dos portistas não conhecia igual dinâmica, ainda que tenha partido daí a iniciativa de Diego que Ricardo desviou para canto. Mais tarde, já depois de se pedir grande penalidade sobre Quaresma, Derlei rasgou a defesa leonina para desperdiçar a vantagem na cara do titular português. Os visitados passavam por um momento gracioso mas não davam vantagem numérica ao melhor futebol que vinham praticando. Assim se aproximava o intervalo, que não chegou sem que o Sporting tivesse um cruzamento muito perigoso da direita. Ninguém desviou o esférico, chegando-se ao descanso com um nulo penalizador para os portistas, entretanto privados de Ricardo Costa, que se lesionou e cedeu lugar a Areias.
FC Porto que começou a segunda metade de forma avassaladora. O ataque da ala direita azul e branca a Rui Jorge intensificava-se, passando os leões por grandes dificuldades. O quarteto do meio-campo demorava a perceber que o jogo não se desenrolava aí, sendo que também Diego dispunha de espaços para rasgar a defesa leonina. Costinha e Jorge Costa ainda perderam boas oportunidades mas Benni não esteve pelos ajustes à bola nº 3. Canto de Quaresma e ajuda de Ricardo para a bomba do sul-africano. O guardião sportinguista fica a pedir falta mas só pode penitenciar-se a si próprio no lance que dá a mais do que justa vantagem aos portistas.
Procurou reagir o Sporting mas as trocas operadas por Peseiro não ajudaram. De facto, o ex-adjunto de Queiroz foi tão mau na hora de mexer no onze que até Fernández parecia um génio das substituições. Num período em que se pedia velocidade, o Sporting troca Douala por Pinilla. Quando se pedia acutilância e pendor atacante, Peseiro mantém Rogério e Custódio, trocando Rochemback e Hugo Viana por Pedro Barbosa e Carlos Martins. Apesar de não ter arriscado completamente nada, o técnico sportinguista via o internacional sub-21 oferecer ao conjunto alguma dinâmica. De facto, era dos seus pés que saíam os únicos lances de algum perigo para a baliza de Vítor Baía.
Enquanto isso, Fernández tirou da cartola um autêntico joker. Muitos discutiam a saída de Quaresma mas Carlos Alberto decidiu definitivamente um encontro que só podia ter um vencedor. O ex-Fluminense tem uma recepção brilhante para a desmarcação de Diego, que evita dois e fuzila Ricardo para um dos mais bonitos golos desta Superliga. Insatisfeito, o médio internacional canarinho serviu o colega recém-entrado para o 3-0 final. Como não gosta de golos fáceis, Carlos Alberto abrilhantou um lance de concretização obrigatória. Estava decidido um emotivo encontro de futebol, que desfaz a suposta recuperação leonina mas que também não relança, por si só, um FC Porto à procura de identidade. Os princípios orientadores do que se segue, esses, foram hoje perfeitamente ilustrados. Venham os próximos episódios...
É um FC Porto sobre brasas aquele que hoje defronta o Sporting, no primeiro Clássico do Estádio do Dragão. Um conjunto eliminado da Taça de Portugal, praticamente afastado da Liga dos Campeões e, neste momento, incerto no lugar que dá acesso a um mal menor, a Taça UEFA. Um FC Porto, além disso, periclitante na Superliga e instável q.b. para descansar uma massa adepta habituada ao sucesso. Apesar de todo este cenário inimaginável no início da temporada, o onze que hoje deve alinhar no relvado do Dragão deve ser muito idêntico ao que o vem fazendo em outras ocasiões. Assim sendo, são de registar os regressos de Pepe e de Costinha, este último parado desde a partida do D. Afonso Henriques, a contar para a Taça de Portugal. O regresso do trinco implicaria, por si só, o afastamento de Bosingwa do onze mas o ex-Boavista nem sequer faz parte dos convocados, uma vez que está castigado por ter atingido o limite de cartões amarelos. Quem também permanece de fora são os lesionados Nuno Valente (desde princípios de Setembro) e o artilheiro Luís Fabiano, grande aposta para a temporada em curso. Lesões preocupantes, sem dúvida, sendo que Hugo Leal também está impedido de dar o seu contributo (saiu, igualmente, tocado de Guimarães).
Assim sendo, Fernández deve insistir no 4-3-3 e nos nomes mais utilizados na corrente época. O espanhol que não pode hoje sentar-se no banco, tendo sido castigado na fatídica partida da 4ª eliminatória da Taça de Portugal, alegadamente por ter levantado os braços e exclamado "isto é falta!". Inqualificável!!! De qualquer forma, talvez os dragões se dêem bem com a ausência do técnico - ele que tem sido acusado de ler mal o jogo e de operar as mais ridículas substituições. O que, infelizmente, não é credível que mude a partir de hoje é o apagamento do meio-campo portista, que vai encontrar um adversário bem preenchido no miolo. Os leões estão em vantagem numérica nesse sector crucial, pelo que se questiona qual a resposta a dar pelos dragões tanto nos lances ofensivos como no posicionamento sem bola, que exigirá muito de Quaresma e Derlei. Por outro lado, curiosidade para ver se Fernández continua a fazer omoletes sem ovos, ou seja, se continua a insistir num esquema aberto nas alas sem recurso aos laterais. Derlei e Maniche, que marcaram frente ao adversário de hoje em 2003, são peças fundamentais, deles se esperando uma grande aparição. Diego não terá uma partida fácil e muito do futebol portista deve passar pelos pés de Quaresma, de quem se aguarda objectividade e sentido colectivo. Na frente, o sul-africano McCarthy parece dar garantias - ainda que ninguém consiga prever os picos de forma de Benni.
A nível defensivo, a inconstância de Pepe e a tremideira colectiva podem ser inimigas para um FC Porto obrigado a parar Liedson e Douala, para já não falar em Rochemback e no crescimento de forma que vem protagonizando Hugo Viana. Um Sporting, para mais, que chega a este desafio num pico de forma exibicional contrastante com o vivido pelo campeão nacional. Ainda assim, não é admissível outro resultado que não a vitória, sob pena de se agudizar a situação do plantel e do próprio Victor Fernández, que vem assassinando objectivo atrás de objectivo. E ele que até viu vantagens no afastamento da Taça de Portugal. Como atrás refiro, será importante constatar se alguns jogadores entram na forma a que nos habituaram e se o colectivo dá outro desenho a um 4-3-3 amorfo e previsível. Mais do que uma resposta isolada, espera-se hoje o princípio de uma longa fase vitoriosa para o lado do Dragão.
Convocados do FC Porto:
Guarda-redes: Vítor Baía e Nuno;
Defesas: Areias, Jorge Costa, Pepe, Pedro Emanuel, Ricardo Costa e Seitaridis;
Médios: Carlos Alberto, Costinha, Diego, Maniche e Raul Meireles;
Avançados: César Peixoto, Derlei, Hélder Postiga, Hugo Almeida, Quaresma e McCarthy.

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É muito provável que eu não perceba nada de bola e que Victor Fernández esteja certo. Contudo, continuo à espera de ver as teorias e as opções do treinador do FC Porto a funcionar. Até agora, a única realidade é que o mês de Novembro está a começar e os campeões nacionais e europeus já estão eliminados da Taça de Portugal e arriscam-se a dizer adeus às competições europeias. Um grande pesadelo, portanto, sendo que o percurso na Superliga também está bem longe de ser brilhante.
A partida de hoje frente ao Paris Saint-Germain teve tudo de mau. Um FC Porto que, à imagem do que nos habituou, só rende a espaços e em momentos, sempre fugazes, de algum empolgamento colectivo. Os portugueses foram maus, os franceses não foram melhores, o árbitro esteve ao nível de ambos os conjuntos. Apesar de todo este dantesco cenário, o pior do dia acabou mesmo por ser Victor Fernández. Vamos às razões...
É certo que este plantel não foi escolhido pelo espanhol, é certo que o episódio Del Neri não permitiu que se fizesse todo um planeamento de pré-competição exigível a um clube da dimensão do FC Porto. Fernández pode ter muitas desculpas mas nada pode argumentar quando está generalizada e fundamentada a crença de que o espanhol é burro. Desculpem-me o termo, porventura saído a quente, mas Fernández é burro.
Quando chegou à Invicta disse trazer consigo dois esquemas tácticos (por sinal idênticos aos que vinham sendo utilizados por Mourinho) e futebol ofensivo. Depois de goradas algumas tentativas de implantação de um 4-4-2 ingénuo e em nada consonante com características individuais de alguns elementos que o constituíam, Fernández adoptou definitivamente o 4-3-3. E o advérbio deve ser mesmo levado à letra, uma vez que se deixou de aplicar a máxima de que os esquemas devem ser pensados em função do adversário e das incidências de um encontro. Ora, Fernández já não admite a utilização de outro modelo - se pega, tanto melhor; se não dá, para a semana há mais.
Continuando, há outro erro que me parece gritante. Qual é o 4-3-3 que, no futebol moderno, dispensa uma das alas e não se socorre de laterais ofensivos?
Derlei está longe de outros tempos e pouco acrescenta a um futebol que se quer largo, César Peixoto enganou-se (ou enganaram-no) na profissão, Rossato foi tirar cruzamentos para o País Basco! Ricardo Costa deveria ser uma solução de recurso e não uma opção recorrente, Seitaridis tem instruções - não me convençam do contrário - para não passar do meio-campo. Hoje, por exemplo, passou 90 minutos a cobrir um extremo-esquerdo (estou a ser simpático ao utilizar esta designação para definir a posição ocupada por Edouard Cissé, o típico centro-campista de recuperação improvisado na lateral) que nunca lhe deu que fazer, raramente criando desequilíbrios num sector que é fundamental para o normal funcionamento de um esquema como o utilizado pelo FC Porto.
Esquemas largos sem envolvência dos laterais e com um falso extremo? Não brinque com a minha inteligência, Sr. Fernández!
O actual momento do clube exige o fortalecimento da zona central, para que se concretize a utopia de ver um conjunto mandão, que saiba assumir a posse de bola durante grande percentagem do tempo de jogo, que tenha envolvência e capacidade de chegar perto da baliza adversária. E isso é, hoje, uma miragem.
Por um lado, porque não há a tal largura que se exige ao modelo actualmente utilizado. Por outro, porque Costinha, Maniche e Diego (mudem os nomes se desejarem, o efeito é o mesmo) estão longe de garantir a coesão, o rigor e até o empenho que se deve exigir de uma tripla de centro-campistas. De facto, um dos grandes males deste FC Porto é a ausência de um meio-campo, que não pode viver só de um trio mas que tem que concertar as acções dos alas e, voltamos à tecla, dos laterais. Infelizmente, esta equipa está encalhada a meio . E será também por aí que raramente aguenta longos períodos de domínio de uma partida, sendo que é igualmente por estas razões que a defesa treme tanto. Mas essas questões defensivas ficam, para já, remetidas para um futuro post.
A juntar a tudo isto, Fernández é um burro na hora de substituir. Já nem falo na tradicional mexida do minuto 60 - Diego por Meireles. Hoje, por exemplo, tirou McCarthy quando o sul-africano estava em crescendo e a equipa pedia dois pontas-de-lança; permitiu que Bosingwa e Maniche co-existissem quando o esférico já pouco passava pelo miolo; substituiu o único elemento que alargava o jogo portista e entregava bolas em condições para a área pelo tal avançado que devia ter entrado antes; obrigou Carlos Alberto a actuar como extremo depois da saída de Quaresma. Ou seja, fez uma grande borrada!
Pelo que, meus amigos, hoje o lenço não serviu só para apagar os efeitos de uma gripe mal curada. Na sua imaculada brancura, o pedaço de papel foi agitado ao vento e à chuva de mais uma noite de pesadelo. O alvo? Luís Fernández! Para que se salve o pouco que resta de uma temporada que está em vias de se tornar num verdadeiro fiasco desportivo e financeiro...

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Os jogadores do FC Porto viveram momentos de aperto depois do jogo com o Nacional da Madeira. Tudo começou ainda no Funchal, com os Superdragões a não digerirem bem o empate da sua equipa. Já no Porto, houve de tudo um pouco, e o confronto físico entre jogadores e claque esteve por um fio. Carlos Alberto, Derlei ou Seitaridis, foram os mais visados pelos adeptos. Os ânimos estiveram de tal ponto quentes, que membros da claque perseguiram o autocarro portista até ao Hotel, na zona da Boavista. Fernandez, bem como a restante comitiva portista, mostraram-se preocupados com esta situação, até porque, segurança foi coisa que não se viu durante todo este triste episódio. Resta saber que posição vai tomar a SAD azul e branca perante este cenário.
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Falta de sorte? Azelhice em doses industriais? Num jogo em que tudo e nada serve de explicação, o certo é que o FC Porto tarda em mostrar estatuto de campeão. Irregularidade exibicional (frequentemente numa mesma partida), erros primários e a ausência da matreirice que caracterizava o plantel dos últimos anos. De facto, é muito difícil explicar como se perdem dois pontos em cinco minutos, depois de se estar a vencer por dois golos. De facto, é muito difícil encaixar as sucessivas quebras dos homens de Fernández. É certo que a sucessão de jogos "decisivos" não ajuda, mas quando não se vence fica ainda mais difícil sair de ciclos complicados com a moral e os pontos em cima. Num jogo que não encheu o olho, o Nacional acreditou na sorte e conseguiu-a; o FC Porto relaxou na vantagem e voltou a falhar os objectivos. Nos últimos quatro jogos, apenas uma vitória. Preocupante...
O Nacional de Mior não apresentava qualquer variação ao esquema que tem usado com o técnico brasileiro. Um puro 4-3-3, ainda que mais tecnicamente dotado no miolo do que o habitual. Bruno e Alexandre Goulart são homens que, de facto, dão outras garantias na condução e fluidez de jogo, ainda que pudessem perder no choque físico com o meio-campo portista. Serginho Baiano aparecia à esquerda, Miguel Fidalgo à direita e Adriano voltava ao onze... e aos golos.
Fernández, por seu turno, promovia algumas alterações, como já anunciara. Na defesa não havia muito por onde fugir e no meio-campo também era previsível a utilização de Bosingwa no lugar do lesionado Costinha. À semelhança de outras ocasiões, Carlos Alberto foi chamado para substituir Quaresma, ainda que raramente tenha rendido aquilo que pode e sabe. Derlei e Benni voltavam ao onze, ainda que o primeiro insista em deixar a desejar.
Ainda os atrasados se sentavam nas bancadas, já o FC Porto inaugurava o marcador. Livre de Diego, batido para o centro da área madeirense. Qualquer toque poderia ser fatal mas o esférico acabou por entrar sem qualquer interferência, perante a passividade de Hilário. Apesar da vantagem, os portistas não tranquilizavam e o primeiro tempo não foi de grande qualidade. Emotividade, essa, havia para dar e vender, com o Nacional a denunciar a vontade de vender muito cara a derrota.
Na segunda metade, Fenández troca Carlos Alberto por Quaresma mas seria o inspirado McCarthy a alargar a vantagem. "Está ganho", terão pensado alguns. Minutos volvidos, a substituição da praxe. Alguém devia explicar ao espanhol que Raul Meireles não tem obrigatoriamente que entrar para o lugar de organizador de jogo. Por estranho que possa parecer, o ex-Boavista tem actuado sempre por troca com Diego e o período em que está em campo coincide com quebras óbvias do FC Porto. É fácil criticar quando as opções não resultam mas parece evidente que não é possível prescindir tão cedo de uma posição tão importante como a que Diego ocupa. Até porque nem Derlei nem Quaresma eram alternativas ao processo de construção de jogo.
Ainda assim, até foi o campeão a dispôr da melhor ocasião até os fatídicos minutos de reacção insular. Quis o poste que o regresso de Fabiano não fosse coroado com um golo. O pior para os dragões e o sonho do Nacional estaria para chegar. Cada tiro, cada melro... que é como quem diz, dois cantos, dois golos! Meireles marcou na própria, Adriano regressou aos golos e adiou nova fase positiva dos dragões. Está complicado Fernández!!!
Ficha do Jogo
Sábado, 30 de Outubro de 2004
Estádio Eng. Rui Alves, Funchal
Árbitro - Paulo Costa
Auxiliado por José Ramalho e Devessas Neto
Nacional - Hilário; Patacas, Ávalos, Fernando Cardozo e Cleomir (Rondinelli, 63´); Cléber (Gouveia, 73´), Bruno e Alex Goulart; Miguel Fidalgo, Serginho Baiano (Michel, 63´) e Adriano
FC Porto - Vítor Baía; Seitaridis, Jorge Costa, Pepe e Ricardo Costa; Bosingwa, Maniche e Diego (Meireles, 62´); Carlos Alberto (Quaresma, 46´), Derlei e Benni (Luís Fabiano, 73´)
0-1 por Diego, ao 1´
0-2 por Benni McCarthy, aos 51´
1-2 por Raul Meireles (própria baliza), aos 90´
2-2 por Adriano, aos 95´
Mete dó este FC Porto. Vender a imagem do treinador ofensivo fica muito bem mas como se pode dominar um jogo e ser-se mandão quando não se tem meio-campo, quando não se tem reacção à adversidade, quando se cometem erros primários? Hoje não faço crónica da partida, não me sinto emocionalmente habilitado para escrever umas linhas que sejam sobre a miséria a que acabo de assistir. Daqui a uns dias sai uma análise fria dos acontecimentos e do momento deste FC Porto. Para já, digo que o Vitória de Guimarães aproveitou dois erros infantis dos campeões nacionais para seguir em frente na Taça. Digo também, e desculpem-me a sinceridade, que compreendo cada vez pior o negócio de Hélder Postiga, o tal jogador contratado porque Del Neri precisava de um bom cabeceador. Talvez por isso Hugo Almeida fique na bancada! Quem disse a Maciel que era bom jogador enganou-o bem; Fernández tem a desculpa de não o ter visto muito tempo em campo mas fico à espera de ver se tem mais oportunidades; Hugo Leal acabou com o que restava do meio-campo portista mas deve ser bem melhor do que Raul Meireles, que deve estar em casa a jogar Playstation. E assim se vai o primeiro troféu da época... O primeiro de quantos?
PS - Para conduzir é preciso carta de condução e quem viola as leis pode ver a licença confiscada. É pena que o futebol não permita que Rui Ferreira e Flávio Meireles sejam proíbidos de pisar os relvados...
Foto: MaisFutebol
Triunfo extremamente fácil de um FC Porto regular sobre um Penafiel muito tenrinho. Não foi, como tal, o jogo ideal para se superar o duro golpe da deslocação a Paris. Perante um adversário que nunca ameaçou poder discutir a partida, os portistas marcaram quando mais convinha e geriram, ainda que de forma desadequada, uma vantagem confortável e a obtenção dos três pontos. Na noite de Benni, os dragões respondem ao triunfo encarnado mas não convencem uma massa adepta receosa pela instabilidade exibicional. Guimarães e Funchal podem ser a confirmação da retoma. Até lá, este ainda é um conjunto sob brasas. O Penafiel, esse, já deve pensar nos jogos do seu campeonato. O que hoje evidenciou foi muito, mas mesmo muito pouco.
Dois esquemas teoricamente idênticos indiciavam variações e atitudes completamente distintas. Os dragões regressavam ao modelo mais largo do mesmo dispositivo, com Quaresma no onze e outra abertura que Carlos Alberto não pode, pelas suas características, garantir. O castigo de Pepe motivava a ida de Ricardo Costa para o centro da defesa, posição de origem. Na esquerda, e porque Nuno Valente continua lesionado, actuava Areias. A grande novidade estava, contudo, reservada para a posição de trinco, onde alinhou Bosingwa. Costinha via o jogo do banco, pelo que Fernández relegava no médio ex-Boavista, também ele de regresso à base depois de incursões pelas alas, as funções habitualmente delegadas em Costinha.
O Penafiel, por seu turno, parecia confuso com as marcações aos extremos portistas. Luís Castro cometeu o erro imperdoável de colocar os laterais a marcar Quaresma e Derlei individualmente, o que contribuiu para lançar o pânico entre os centrais. A bem dizer, todo o aparelho defensivo penafidelense parecia uma enorme onda de equívocos, que os portistas aproveitavam com naturalidade e sem que o "sangue, suor e lágrimas" de Winston Churchill fosse chamado para o caso. Na frente, caso o esférico lá chegasse, as intenções passavam pela inspiração do médio Wesley e pela mobilidade de Folha e Clayton, unidades móveis entre o avançado Roberto.
Como já referi, a nula organização defensiva dos visitantes era um convite irresistível para uma equipa à procura do reencontro consigo própria e com a sua massa adepta. Ainda assim, as contingências da partida não obrigavam a recursos extraordinários, até porque o bis de McCarthy (que iguala Liedson no topo da lista de goleadores) surgiu com naturalidade. E mais poderia ter conseguido o avançado sul-africano, numa primeira parte normal do dragão, perante um adversário muito frágil, longe do nível que se exige a esta Superliga. Ainda que Maniche e, sobretudo, Derlei estivessem, novamente, furos abaixo do nível que podem atingir, os portistas assentavam o seu futebol nos rasgos de Quaresma e Diego e na constância de Bosingwa, que se exibiu a nível muito alto.
O intervalo chegou com vantagem de dois golos e assim terminou a partida. Luís Castro aliviou a consciência e eventuais críticas de nada ter feito para mudar o rumo dos acontecimentos com as opções por Rolf e Sidney. Na realidade, as coisas só mudaram porque os dragões desistiram da partida e de assumir as rédeas da mesma. Na imensa modorra que se instalou, muito pouco há a registar. Nem um nem outro treinador acertavam nas mexidas, sendo que Fernández voltou a cair na tentação de trocar Diego por Meireles, opção que dera os frutos que se conhecem na recepção à União de Leiria. A habitual entrada de Hélder Postiga também acrescentou zero ao futebol azul-e-branco, que já desesperava as bancadas geladas. Num jogo sem história e que em nada dignifica o espírito competitivo que se quer para a Superliga, a vitória do mais forte foi absolutamente natural. A reconciliação com os adeptos e consiga própria fica para mais tarde...
Ficha do Jogo
Partida no Estádio do Dragão, Porto
Domingo, 24 de Outubro de 2004 - 21:30
Árbitro - Rui Costa (Porto)
Auxiliares - José Carlos e António Perdigão
FC Porto - Vítor Baía; Seitaridis, Jorge Costa, Ricardo Costa e Areias; Bosingwa, Maniche e Diego (Raul Meireles, 63´); Quaresma, Derlei (Carlos Alberto, 77´) e McCarthy (Hélder Postiga, 63´)
Penafiel - Nuno Santos; Pedro Moreira, Odair, Nuno Silva e Celso; Fernando Aguiar (Rolf, 45´), Nilton e Wesley; Folha (Sidney, 45´), Clayton e Roberto (Drulovic, 73´)
Golos - 1-0 por Benni McCarthy aos 13´
2-0 por Benni McCarthy aos 24´
Foto: MaisFutebol
O PSG tirou a barriga de misérias às custas de um FC Porto muito tenrinho, que hoje pôs termo aos paralelismos entre esta e a edição passada da Liga dos Campeões. Ingénuo e, arrisco-me a dizê-lo, com a lição muito mal estudada, os portistas praticaram o futebol que mais interessava ao adversário e vêem a permanência na maior competição da UEFA muito complicada. As contas dos dragões são muito fáceis de fazer: há que ganhar os restantes três jogos.
Hoje, os parisienses resolveram a partida num único minuto. Foi o tempo necessário para dois golos e para dar a estocada num FC Porto que mostrou muitos números mas que foi terrivelmente inconsequente e que, e a meu ver isto é inconcebível, desistiu demasiado cedo do jogo. E isto é o que mais custa a engolir!
O onze da Luz foi o onze do Parque dos Príncipes. Infelizmente, o meio-campo nunca carburou com a mesma eficácia e McCarthy era presa fácil, apesar de dar luta, para a dupla de centrais francesa. Azar dos portistas, o colombiano Yepes regressou hoje e apoderou-se do lugar que emprestara a Hélder. Foi pena o castigo não ter durado mais dois jogos! Ora, o problema do meio-campo azul e branco esteve na ineficácia daquilo que tão bem funcionara em Lisboa. Não houve fluidez, não houve largura, não houve linhas de passe e, como tal, as trocas de bola cedo estavam condenadas ao insucesso. Incrivelmente, os dragões pareciam não saber como actua o PSG, que cedo reconheceu que o domínio de jogo devia pertencer aos campeões, e que Vahid só queria oportunidades para contra-atacar. Fez-lhe a vontade Fernández, uma vez que as marcações estavam de tal forma alienadas que uma bola parada próxima da baliza de Letizi se tornava num enorme lance de perigo... a favor dos fanceses!
Halilhodzic apostou no contra-ataque e no futebol directo, assente em dois avançados altamente móveis e numa dupla de alas bem abertas. Ou seja, o PSG tinha facilidade em colocar quatro homens no ataque à baliza de Baía e dispunha de opções em toda a largura do campo. Estranhamente, os dragões pactuavam com essa situação, sobretudo a partir do momento em que perderam o controlo do jogo. Mais tarde perderam também o jogo, com dois golos em outros lances. Puros contra-ataques, com finalizações de Coridon e de Pauleta, sendo que creio haver responsabilidades de Baía no primeiro tento. Incrivelmente, o jogo morreu aí, ainda que se conte a história de uma ou de outra ocasião. Há muito não se via um FC Porto tão preguiçoso e descrente, sendo que não posso conceber que uma equipa desista de discutir um jogo tão prematuramente.
Fernández terá, igualmente, as suas culpas. Primeiro, porque não estudou o PSG. NÃO ESTUDOU! E isto é, para mim, muito, muito grave. Depois, porque tardou em mexer nas unidades e nunca percebeu que o FC Porto só podia criar perigo se alargasse o seu jogo e se metesse uma unidade que pudesse discutir lances com Fanfan e, sobretudo, Yepes. Talvez Hugo Almeida deixe de ver jogos da bancada. Talvez...

Foto: UEFA
Tarefa hercúlea esta de escolher um menos mau. Aqui vai uma tentativa!
O menos mau do FC Porto
McCarthy - Não, não jogou bem. Ainda estará a lamentar que Yepes tenha regressado hoje e que Hélder tenha ficado no banco o jogo todo. Não se faz! Leva a recompensa do Terceiro Anel por ter sido o mais mexido do FC Porto e aquele que, a meu ver, mais tentou remar contra a maré. Podia ter marcado quando esteve na cara de Letizi mas há que dar mérito ao guardião parisiense.
Vítor Baía - Não foi a melhor forma de escapar ao falatório pós-Benfica. Tem culpas no primeiro golo...
Seitaridis - Na primeira parte tentou ser o ala que o FC Porto não tinha mas as coisas nunca lhe saíram muito bem, até porque Rothen andava por perto. Tem a desculpa de nenhum dos golos ter partido da sua lateral.
Ricardo Costa - Ambos os golos do PSG nascem da sua zona. Está tudo dito! Não foi tão ofensivo nem tão eficaz como na Luz.
Jorge Costa - Se calhar até foi o melhorzito da defesa. Mas onde é que estava quando os franceses marcaram?
Pepe - Não quero tornar-me repetitivo em relação ao brasileiro. É imaturo, impulsivo e instintivo no pior dos sentidos, não tem sentido de jogo nem leitura posicional. Não é o parceiro ideal para Jorge Costa.
Costinha - Não se deu por ele. Noutras ocasiões isto podia ser um elogio mas hoje é certo que esteve mal. Sem adversário directo, devia actuar como terceiro central mas a verdade é que também tem missões nas bolas paradas ofensivas e a omnipresença não é para todos!
Maniche - Desapareceu de novo. Teve rasgos na Luz mas hoje foi uma nulidade e até falhou passes em demasia! O remate de longe também não sai e até o querer e a intensidade parecem ter baixado.
Diego e Carlos Alberto - Junto-os porque caíram nos mesmos erros. Afunilaram o jogo, condenaram-no a acção individuais que nunca resultavam, não souberam pautar o futebol ofensivo. E isso é a pior das críticas que se pode fazer a organizadores de jogo. Pouca entrega e nenhum empenho defensivo.
Derlei - Onde andas Ninja? Em Paris não estiveste de certeza...
Quaresma - Entrou tarde e não foi muito solicitado. Era o homem certo para o adversário certo e até teve boas iniciativas individuais. Infelizmente, o termo individual deve ser mesmo levado a sério. Ou seja, foi colectivamente inconsequente.
Postiga - E pensar que o Hugo Almeida estava na bancada!!!
Bosingwa - Nada a dizer. Lamento...
Foto: MaisFutebol
Assim não é bom viver o futebol! Este Benfica-FC Porto cheirou e vai continuar a cheirar muito mal. Não contem com discussões baixas no Quarto Árbitro, não é isso que me move a fazer a crónica de um jogo que tem de ser encarado como normal. Infelizmente, este clássico foi e continua a ser jogado fora das quatro linhas, nas plataformas da informação que permite que aqueles 90 minutos mágicos sejam apenas o intervalo de um combate realizado à margem das leis. Há que saber ganhar, há que saber perder. Hoje, mais uma vez, foram os portistas a sair vencedores - com justiça, pela soberba primeira parte protagonizada; injustamente, porque o Benfica cresceu no segundo tempo e lamentará (coloco a dúvida porque ainda não vi nenhuma imagem completamente esclarecedora) algumas más decisões do trio de arbitragem. Por muito que os próximos dias queiram fazer esquecer, o FC Porto venceu o clássico e reduziu para um ponto a diferença que o separa do anterior líder, o Benfica. Mais do que isso, confirmou o crescendo e ameaçou tornar-se numa máquina de bom futebol, assim que adquira outras condições físicas e rotinas necessárias.
Falemos, pois, de futebol. O Benfica apresentou o esquema esperado, ainda que trocasse nomes. A dúvida entre João Pereira e Geovanni resolveu-se com facilidade - jogaram os dois, sendo que o brasileiro ocupou o lugar tradicionalmente preenchido por Zahovic. Nuno Gomes era o único ponta-de-lança num esquema inclinado para a direita, onde coexistiam naturalmente Miguel e João Pereira. O duo tinha normalmente a companhia de Geovanni, descaído para o flanco onde costuma actuar. Ao centro e à esquerda, as águias eram presa fácil para um eficaz meio-campo portista.
No tocante ao FC Porto, a inclusão de Carlos Alberto em detrimento de Quaresma resultou numa aposta claramente ganha por Fernández. A utilização do brasileiro permitia rápidas e eficazes variações de esquema táctico, que tanto se desenvolvia num 4-3-3 alargado como num 4-4-2 de recuperação e posse de bola. Excelentes as prestações individuais de Maniche e Costinha, com os mágicos sul-americanos Diego e Carlos Alberto a carburar o futebol ofensivo e a dar muito que fazer à defesa encarnada. Ricardo Costa estava certinho à esquerda e a primeira parte revelou um grande FC Porto, muito próximo daquele que entrou no antigo Estádio da Luz em Março de 2003.
Pressionante, concentrado e tacticamente irrepreensível, o conjunto da Invicta dominava a situação a meio-campo e anulava qualquer perigo que viesse das alas encarnadas (maior dinamizador do futebol encarnado). Por outro lado, sabia-se que o Benfica também vive muito das bolas paradas, pelo que se exigia que se cometesse o menor número de faltas, de preferência longe da baliza de Baía. Fisicamente muito forte, o FC Porto era sempre mais rápido sobre a bola e revelava uma organização poucas vezes vista esta temporada. Com largura e linhas de passe permanentemente abertas, com fluidez, rigor táctico e acerto técnico, os dragões chegaram à vantagem logo aos 9 minutos, por intermédio do incerto Benni McCarthy. Correu bem o jogo de hoje ao sul-africano, que disparou uma bomba indefensável para Moreira, a lembrar o remate que em 2000 celebrizou definitivamente Figo e desesperou o veterano David Seaman.
Manteve o domínio o conjunto de Fernández, ainda que Trap tenha lido bem o jogo, apostando na saída de João Pereira (numa direita congestionada) e na inclusão do gigante Karadas. Teve azar na primeira parte, sempre dominada por um FC Porto de topo, que podia inclusive ter chegado ao intervalo com uma vantagem mais acentuada. O recomeço trouxe, contudo, um dragão mais instável - sobretudo à medida que se evidenciavam quebras físicas, mormente na zona intermédia - e um Benfica com vontade de reagir, ainda que com mais coração do que com cabeça. O contra-ataque portista não impunha respeito, a organização do primeiro tempo esbatia-se na vontade encarnada de chegar à igualdade.
Esteve próximo Karadas, num lance em que se reclama mão de Seitaridis nas costas do norueguês. As imagens parecem ir de encontro às pretensões encarnadas, ainda que a questão da intensidade volte a colocar-se. Já depois de Nuno Gomes e Pepe serem expulsos (clássico sem vermelhos nem é clássico), Petit dispara forte para enorme fífia de Vítor Baía, que emenda o erro com uma palmada contra o poste esquerdo da baliza portista. Fica a ideia, contudo, de que a bola já havia ultrapassado a linha de golo, ainda que as imagens voltem a não ser totalmente esclarecedoras. Nesta altura já o FC Porto actuava com Areias e Bosingwa, sendo que Quaresma entrou mais tarde para oferecer a Maniche o golo da confirmação. O médio desperdiçou, Benquerença apitou para o final e o clássico recomeçou. Seguem-se episódios lamentáveis, para o Quarto Árbitro fica a vitória dos dragões, num desafio em que o Benfica terá queixas da arbitragem, num desafio em que fica provado que os portistas podem fazer mossa por esse País e essa Europa fora. O Benfica voltou a acusar a pressão dos grandes momentos.

Foto: FCPorto.pt
Indiferente a todas as polémicas e incidências que preencheram a actualidade destes quinze dias, o grupo de trabalho do FC Porto teve pouco tempo para preparar a partida desta noite. Limitado pelos compromissos de diferentes selecções, o trabalho de Fernández fez-se a conta gotas e com recurso a alguns atletas da equipa B.
Em vésperas da partida, os dragões viram confirmadas as lesões de Nuno Valente e de Pedro Emanuel, às quais se deve juntar a tardia chegada de Luís Fabiano. O avançado brasileiro regressou dos compromissos do escrete com uma pequena lesão, pelo que também é carta fora do baralho para o jogo de hoje. Relativamente a Nuno Valente, chegou a prever-se a possibilidade de recuperar totalmente da lesão que o vem afastando dos relvados desde a deslocação de Portugal à Letónia. Contudo, o lateral-esquerdo acabou a semana sem o aval do departamento médico, sendo ainda incerta a data do seu regresso. Pedro Emanuel, que jogara de início diante do Belenenses, também ficou na Invicta, confirmando-se ontem a sua indisponibilidade, que vinha sendo traçada há alguns dias. Assim sendo, Ricardo Costa permanece na esquerda (Fernández, tal como Mourinho, prefere adaptar do que apostar no concorrente directo de Nuno Valente), ao passo que o capitão Jorge Costa recupera o lugar no eixo da defesa, onde estará também Pepe. À direita, como vem sendo hábito, alinha Seitaridis. Isto representa, na prática, o regresso ao quarteto mais utilizado na temporada, ainda que a coordenação da dupla de centrais venha deixando a desejar. Ricardo Costa dá garantias a defender, ainda que não seja previsível que dê grandes ajudas na construção do ataque. Pode, contudo, funcionar como terceiro central se as contingências do jogo obrigarem Trap a utilizar dois pontas-de-lança e deve ser um tampão eficaz na cobertura à dupla Miguel-João Pereira ou Miguel-Geovanni, ainda que pessoalmente esteja em crer que o italiano vai manter a aposta na primeira.
No meio-campo são certas as presenças de Costinha, Maniche e Diego, colocando a dúvida (pelo menos a acreditar na imprensa de hoje) no que toca à utilização de Quaresma ou Carlos Alberto. Seguro é que Derlei e McCarthy estarão no onze, pelo que a disposição táctica do FC Porto está dependente da utilização do Harry Potter ou do Feijão ex-Fluminense. No caso da opção recair sobre o primeiro, é certo que os campeões se apresentam em 4-3-3, com alas bem abertas e um tridente bem definido no meio-campo. Costinha seria trinco e marcador directo de Zahovic, Diego e Maniche ficariam com Petit e Manuel Fernandes a percorrer o seu raio de acção. Derlei actuaria como ala-esquerdo, fechando nas subidas de Miguel; Quaresma faria o mesmo com Fyssas; Benni McCarthy era o homem mais adiantado. Duas disposições possíveis com Carlos Alberto; a primeira seria idêntica à anteriormente descrita, trocando-se apenas os nomes. Recorde-se que o médio contratado em Janeiro começou a época na esquerda, onde não rendeu por aí além, até por ser um jogador que gosta de actuar com total liberdade de movimentos e um raio de acção ilimitado. Prendê-lo num canto e dar-lhe missões defensivas específicas não é, pelo menos a meu ver, a melhor das opções. Outra hipótese pode consistir no 4-4-2, com Derlei e Benni na frente e Carlos Alberto mais próximo do centro mas com aberturas à direita nos ataques do FC Porto. Isso obrigaria a que Maniche actuasse mais perto da esquerda, num esquema que já dissequei a meio da semana, aqui neste espaço, ainda que tenha proposto outros nomes.
Parece-me, contudo, que a opção deve mesmo recair em Quaresma e no 4-3-3, ainda que Fernández disponha de outras opções no banco, que facilmente permitirão a mudança de sistema. Assim sendo, é provável que se sentem no banco Nuno Espírito Santo, Areias, Bosingwa, Hugo Leal, Carlos Alberto, Hélder Postiga e Hugo Almeida, sendo previsível o afastamento de Raúl Meireles, que também seguiu viagem para a capital.
Boa sorte FC Porto!!!
Foto: MaisFutebol
Primeira vitória caseira do FC Porto em 2004/2005. Um triunfo mais do que justo, perante um Belenenses com razões de queixa da arbitragem mas que tem no trio do apito uma explicação muito curta para tamanha falta de ambição. Quem quer andar nos lugares cimeiros da Superliga não pode quedar-se por tão pouco. No dia em que Benni regressou aos golos, Elmano Santos procurou ser protagonista. O madeirense até pode ter a lei do seu lado em alguns lances. Não tem, contudo, aquilo que para mim distingue um bom de um mau árbitro: bom senso. O lance da expulsão de Juninho Petrolina é disto bom exemplo.
Arbitragem à parte, até por não ter sido por aí que se definiu o vencedor, o FC Porto teve períodos interessantes mas ainda não é um conjunto constante. Por vezes chega a ser previsível e, pasme-se, insiste em oferecer a primeira meia-hora ao adversário. Como é que é, Sr. Fernández?
O Belenenses veio bem artilhado para o jogo no Dragão. O ataque assentava claramente num 4-4-2, com os laterais a abrirem e uma dupla de avançados que fazia da mobilidade o termo-chave. O miolo era comandado por Juninho, com Andersson mais recuado. José Pedro e Marco Paulo funcionavam como médios-interiores (o primeiro à esquerda, o segundo à direita), num esquema que formava um losango perfeito.
Tudo isto era muito bonito na teoria mas os lisboetas passaram grande parte do tempo com estrutura defensiva. Essa era um pouco distinta, uma vez que consistia em três linhas muito bem definidas. Lourenço e Antchouet formavam a mais avançada e abriam na busca pela bola, ficando cada um deles incumbido de vigiar as subidas do lateral e do central que se encontrassem no seu lado. Ou seja, alternavam - conforme a posição que ocupassem - o cerco a Seitaridis e Pepe ou a Ricardo Costa e Pedro Emanuel. A segunda linha tinha como elemento mais adiantado o médio ex-Beira-Mar, ao passo que Marco Paulo fechava à direita e José Pedro à esquerda, sempre com um olho no miolo e na acção de Andersson. O quarteto à frente de Marco Aurélio formava o último reduto.
Amarrado nesta camisa de forças, o FC Porto tentava ganhar em casa pela primeira vez na corrente época. Para isso fizera mudanças na defesa, onde Pedro Emanuel surgia no lugar do capitão Jorge Costa. À direita, o recuperado Seitaridis retomava o lugar emprestado a Bosingwa. O que não se alterou foi a ataraxia inicial, que ultimamente tem durado trinta minutos. Vazio de ideias, o campeão arrastou-se por um relvado tacticamente coberto, à procura de um rasgo de Diego ou de um bom envolvimento lateral. Não obstante uma ou outra ocasião, o FC Porto era uma equipa previsível.
Se na bancada havia razões para nervosismo - o português é, por norma, um paciente de impaciência - o árbitro tinha tudo para manter a calma nas quatro linhas. Paradoxalmente, era ele o mais nervoso. Depois de alguns cartões a pedido e de outras decisões questionáveis, decidiu amarelar Costinha e Juninho Petrolina na sequência de um lance normal, que tinha tudo para se resolver com apertos de mão e juras de amor eterno. Ao distribuir o mal pelas aldeias, Elmano Santos expulsou o criativo ex-Beira-Mar. Assistido pela lei (sem recurso a imagens televisivas creio ter visto Juninho atirar a bola contra Ricardo Costa), o juíz do Funchal não pode nunca ser coberto pelo bom-senso. O Belenenses não merecia, o FC Porto não precisava.
Ultrapassada a meia-hora, os dragões aumentaram o ritmo de jogo, perante um conjunto nervoso e que ainda procurava encontrar-se. Maniche fez o golo inaugural aproveitando essa toada, dando sequência e consequência a um bom lance de ataque. O intervalo chegou pelo prematuro apito de Elmano, que se esqueceu de deixar seguir um canto de onde podia resultar qualquer coisa. Com a multidão no último terço do campo, o juíz apitou para o recolher.
A história da segunda parte confunde-se com a história do regressado Benni, do escondido Fabiano e do desaparecido Belenenses. O FC Porto desperdiçou uma noite mais tranquila até à entrada do sul-africano, não obstante o número de oportunidades criadas. Aqui e ali trapalhão, o campeão tinha em vontade aquilo que lhe faltava, excepção feita a Diego, em discernimento. Depois de a baliza escancarada parecer assustadora veio McCarthy e o suspírio de alívio. O refilão avançado conseguiu exibir-se em campo com a mesma objectividade e agressividade com que tem encarado os microfones. Fernández agradece, o povo descansa. Até à Luz...
Ficha do jogo
Arbitragem de Elmano Santos (Funchal), auxiliado por João Santos e Sérgio Serrão
Domingo, 3 de Outubro de 2004. Estádio do Dragão, cerca de 40 000 espectadores
FC Porto - Baía; Seitaridis, Pepe, Pedro Emanuel e Ricardo Costa; Costinha (Hugo Leal), Maniche e Diego; Quaresma (Carlos Alberto), Derlei e Fabiano (McCarthy)
Belenenses - Marco Aurélio; Amaral, Pelé, Rolando e Cristiano; Andersson, Marco Paulo (Ruben Amorim), José Pedro e Juninho Petrolina, Antchouet e Lourenço (Brasília)
Golos - Maniche (34´), Benni (72´ e 87´)
Melhor em campo - Diego

Foto: BBC Sport
Um ano depois, o FC Porto voltou a perder para a Liga dos Campeões. Um ano depois, o FC Porto soma um mísero ponto à segunda jornada da prova maior do futebol europeu. Um ano depois, o FC Porto é derrotado pelo Chelsea.
No jogo mais mediático dos últimos tempos, os dragões eram confrontados com questões quase existenciais e com um enorme movimento desejoso de sangue e de comprovar quem era mais forte: o criador ou a criação! Por muita atenção que lhe dessem, o jogo de hoje era tão-só isso: um jogo. Que o FC Porto nunca poderia ter ganho cometendo tantos erros. Aproveitaram os londrinos nos momentos cruciais, revelando um instinto fatal que já reconhecíamos a José Mourinho. Muitos passes falhados, muita tremideira sempre que a bola entrava na área de Baía por via aérea, pouca filosofia de conjunto, disfarçada aqui e ali mas sempre castrada por um Chelsea que, sem ser espectacular, foi muito eficaz.
O onze era o mesmo de Guimarães, pelo que aumentavam as esperanças num bom resultado mas também as expectativas de confirmar as boas indicações deixadas no passado Sábado, na melhor exibição da época. Infelizmente, o meio-campo não funcionou tão bem e a defesa continuava a evidenciar as fragilidades de outras partidas. Diego tinha dificuldade em pegar no jogo dos dragões, até porque Mourinho povoava o seu miolo com muitos homens de combate. Sem a fluidez desejava, o FC Porto perdia muitos passes e vivia num constante desassossego sempre que o Chelsea se aproximava da baliza de Vítor Baía.
Sem nada que o justificasse, nem era preciso, os londrinos chegam à vantagem. Duff desmarcou Gudjohnsen com mestria mas o islandês não tinha enquadramento para rematar à baliza portista. Pepe voltou a precipitar-se e saiu à queima, tentando evitar a acção do avançado de Mourinho, que aproveitou o movimento do brasileiro para escolher um de três "londrinos" livres na área azul e branca. Coube ao russo Smertin a honra de inaugurar o marcador, perante um desamparado Vítor Baía e um deslocado Ricardo Costa.
Demoraram a reagir os campeões europeus. Maniche e Diego não conseguiam actuar nas imediações de Quaresma, Derlei e Fabiano e as soluções passavam pelo tiro exterior ou pelos passes directos. Nem um nem outro pareciam funcionar, até que Cech começou a sentir alguns calafrios. Com efeito, o FC Porto cresceu a partir da meia-hora e acabou o primeiro tempo mais perto da área londrina, pelo que se esperava o intensificar do cerco na segunda parte. Contrariamente às expectativas, foi o Chelsea quem marcou, num momento crucial. Lamentavelmente, os dragões deixaram-se bater na sequência de um livre muito previsível, tal a frequência com que tem sido tentado desde o início da temporada. Drogba complicava as coisas para o conjunto de Fernández.
Voltou a tardar o renascimento dos portugueses, perante um Chelsea letal e que controlou sempre muito bem as operações a meio-campo. As entradas de Carlos Alberto e McCarthy mexeram com a partida e o golo do sul-africano, na recarga a um tiro do ex-Fluminense, alimentava a ilusão do empate. Esperava que os dragões crescessem e que os londrinos passassem por momentos complicados. Mais uma vez, contudo, a equipa de José Mourinho revelou-se num momento decisivo. O Chelsea inclinou-se para a baliza de Baía, ainda que o árbitro tenha ajudado numa ou noutra falta, e marcou dois minutos depois do tento de Benni. Na conversão de um livre, está bom de ver, com a conivência de Pepe, que deixou Terry à vontade para o golo.
Não mais os dragões foram capazes de voltar à partida, cabendo ainda aos londrinos as melhores ocasiões. À imagem do seu treinador, o clube inglês foi absolutamente mortífero quando necessitou. Sem fazer uma grande exibição, o Chelsea foi um justo vencedor, perante um FC Porto que chegou a ser ingénuo. Pede-se mais personalidade mas também o cimentar de um espírito de grupo e de vitória que não se consolida com um jogo e uma exibição mais conseguida. Ainda vai muito a tempo este plantel, sendo, contudo, imperativo trazer três pontos de Paris.
Ficha do Jogo
Stamford Bridge, Londres, 29 de Setembro de 2004
Árbitro: Herbert Fandel (Alemanha)
Auxiliares: Markus Scheibel e Rainer Werthmann
Chelsea: Petr Cech; Paulo Ferreira, John Terry, Ricardo Carvalho e William Gallas; Claude Makelele, Aleksei Smertin, Frank Lampard e Damien Duff (Tiago, 67´); Didier Drogba (Geremi, 88´) e Eidur Gudjohnsen (Mateja Kezman, 80´)
FC Porto: Vítor Baía; José Bosingwa, Jorge Costa, Pepe e Ricardo Costa; Costinha, Maniche e Diego; Ricardo Quaresma (Carlos Alberto, 58´), Derlei (Hélder Postiga, 80´) e Luís Fabiano (Benni McCarthy, 58´)
Golos: Aleksei Smertin, aos 7´
Didier Drogba, aos 50´
Benni McCarthy, aos 68´
John Terry, aos 70´
Cartões Amarelos: Smertin, Carvalho e Gallas; Pepe, Fabiano e Derlei
O melhor do FC Porto:
Diego - Mágico?! Mágico é Diego! Grande exibição do jovem internacional brasileiro. Pautou todo o futebol ofensivo dos dragões e tomou quase sempre a melhor opção. Pensa e executa com maior velocidade e tem grande facilidade no controlo do esférico em progressão. Ou passa, ou sofre falta. Foi capaz de variar jogo, de o abrir, de dar sentido ao esquema portista, que prevê o uso dos flancos. Sempre muito marcado, foi também o homem das bolas paradas. Dizem que ainda não está nas melhores condições físicas mas prometer mais é quase criminoso. As defesas adversárias que se cuidem. Aí está Diego! Merecia melhor sorte em algumas situações de golo.
Vítor Baía - Não teve muitas intervenções mas foi chamado a sair com alguma frequência. Jogou bem com os pés, anulou cruzamentos, deu tranquilidade ao quarteto defensivo.
Bosingwa - Deu muito à equipa, acrescentou valor ao colectivo. Defendeu quase sempre bem mas foi a atacar e a ajudar a criar superioridade numéricas e desequílíbrios que mais deu nas vistas. Tem muito pulmão e Fernández deve pensar duas vezes antes de tirá-lo do onze. Muito bem.
Jorge Costa - Não merece as críticas que lhe têm sido feitas. É uma voz de comando e sabe muito bem quais as suas limitações. Compensa-as com a garra única que põe em campo e transmite aos companheiros e com o sentido posicional, que lhe permite estar no sítio certo para cortar o lance ofensivo adversário ou fazer aquela falta cirúrgica que se impõe.
Pepe - O pior, o único mau. Pede para sair do onze se continua a receber bolas de forma desastrada, se continua a falhar cortes ou a fazer atrasos disparatados! Alterna a excelência com a mediocridade e podia ter comprometido a equipa em algumas situações. Gosta de jogar à queima e em antecipação mas não pode correr para buscar a bola no meio-campo, deixando os companheiros desguarnecidos. Tem de controlar os seus ímpetos e ganhar o instinto que lhe permita saber sempre o que fazer. Ali não é que ficar a pensar, meu caro.
Ricardo Costa - Compensou Pepe muitas vezes, ajudou a neutralizar um flanco direito muito forte do Guimarães. Foi para aí que se organizou grande parte do futebol ofensivo vimaranense mas Ricardo esteve bem. Foi o terceiro central em algumas ocasiões mas não é, já o sabíamos, o melhor apoio aos extremos. A experiência Areias parece ter chegado ao fim.
Costinha - Voltou a apontar o golo da vitória em Guimarães. Fez um jogo muito interessante, à semelhança de todo o meio-campo portista e já deu outra dinâmica ofensiva ao miolo, além de ter estado muito bem a defender e a superiorizar-se nas bolas paradas. É um jogador que aparece nos momentos importantes e assim aconteceu nos minutos finais da partida de hoje.
Maniche - Menos exuberante que Diego, correu imenso e lutou ao estilo que lhe conhecemos. Foi importante no exercício da pressão alta, foi útil no carburar do jogo ofensivo da equipa. Podia e devia ter explorado mais o tiro de meia-distância.
Quaresma - Assim sim, Harry Potter. Mais humilde, mais trabalhador, mais constante, menos dependente de rasgos ocasionais. Esteve inspirado a nível individual, apareceu bem à direita e à esquerda, deu consequência à maioria dos lances que desenhou. A manter o nível, será muito mais importante para a equipa.
Derlei - Ainda não está aquela máquina. Continua, isso, sim, um trabalhador incansável. Teve bons lances para marcar mas revelou alguma inépcia para bater Palatsi. Saiu cansado mas promete melhores dias. A ambição continua lá e a capacidade de luta é inalterável.
Luís Fabiano - É mesmo craque este brasileiro. Teve um jogo complicado mas trabalhou imenso, e quase sempre bem. Sem muitos lances para bisar a baliza de Palatsi, soube marcar o seu espaço e funcionar como pivot. Guarda bem a bola, recebe-a com facilidade e dá consequência ao jogo da equipa. Não merecia ter saído e o FC Porto perdeu com isso.
Postiga - Está na jogada do golo mas foi uma nulidade, sendo ainda inaceitável que se deixe expulsar por palavras. Tem de rever o comportamento.
Hugo Leal - Voltou a entrar bem na partida. Jogou veloz, pensou quase sempre bem, fez o jogo rolar quando se pedia que o FC Porto marcasse o golo. Importante a sua presença no período em que actuou.
Carlos Alberto - A cartada mais bem jogada. Teve dois lances para marcar, já depois do golo, e deu irreverência ao futebol portista. Apostou bem nas suas qualidades individuais e, assim sendo, acrescentou muito ao colectivo.
Fernández - Parece ter encontrado o esquema e o onze-base. Trocou bem na defesa mas jogou mal quando tirou Fabiano. Há que dar-lhe mérito por esta vitória e esperar se confirma os créditos hoje exibidos no futuro.
Foto: MaisFutebol
Primeira vitória na Superliga, condizente com a primeira grande exibição do novo FC Porto. Se fui muito crítico relativamente às anteriores performances, hoje tiro o chapéu e faço uma enorme vénia à equipa liderada por Fernández. Foi mais do que justo o triunfo portista, que materializa um jogo muito conseguido, com pormenores muito interessantes e um elevado índice competitivo. Quase sempre bem, a defender alto e pressionante e a atacar com intensidade e largura, o FC Porto só pode lamentar o sofrimento por que passou para conseguir este resultado. Mas até isso valoriza uma vitória muito importante, ante um Vitória qua paga pela diminuta ambição que demonstrou ao longo do encontro.
Mudanças de nomes e de rendimento na defesa do campeão, que teve Bosingwa à direita e Ricardo Costa à esquerda. Acrescentou muito ao futebol portista o internacional sub-21. Defendeu quase sempre bem, teve um imenso pulmão para atacar, deu sentido a um esquema que se quer alargado e assente num futebol flanqueado. Grande jogo do ex-Boavista. A opção por Ricardo Costa, essa, já não rendeu tanto a nível ofensivo mas deu estabilidade a uma defesa que treme muito sempre que Pepe se perde (e acontece muitas vezes). Por outro lado, o flanco direito vimaranense (com Alex e Marco Ferreira) impunha muito respeito e alguma contenção, sendo por aí que se construíam grande parte dos ataques vitorianos.
Na frente, Maniche e Diego tiveram as melhores performances da época, com o brasileiro em plano de destaque. Mostrou outra velocidade a pensar e executar, dando ritmo ao futebol do dragão, conduzindo o jogo e escolhendo as suas derivações. Soube progredir com a bola controlada (e que bem o faz!), soube dirblar para largar na ala, soube solicitar um Fabiano trabalhador, que mostra dotes que se podem revelar muito importantes para o futuro dos portistas. Começou, contudo, difícil o jogo para o campeão europeu. Montado para defender, o Guimarães anulava as alas do FC Porto e encaixava nos médios mais criativos, relegando a circulação de bola para o meio-campo defensivo dos azúis e brancos. De resto, um esquema de 4-4-2 que virava 4-5-1 em acção de perseguição da bola, ou seja, quase sempre.
Começou a soltar-se o visitante a partir da metade do primeiro tempo. O Guimarães dispersou-se, o dragão começou a carburar o seu futebol. Um futebol extenso em opções, que tanto podiam passar pelas alas (com Quaresma em bom nível, sim sr., deixando de ser um jogador de rasgos esporádicos), como por circulação de bola pelo centro, como por rasgos individuais com remate exterior, até mesmo por tabelinhas que tinham em Fabiano o pivot. Começava a justificar-se, pois, a vantagem azul e branca, que até podia ser superior a um golo.
A primeira parte chegou ao final, contudo, sem que houvesse qualquer mexida no placard. O FC Porto voltou no mesmo ritmo e com os mesmos jogadores para o segundo tempo mas o Guimarães trocava Nuno Assis por Luís Mário e Djurdjevic por Romeu. Libertou-se? Em parte sim, até porque o servo-montengrino era uma ajuda indispensável a um Cléber limitado. Aproveitou o FC Porto essa lacuna no flanco esquerdo vitoriano? Nem por isso, sobretudo porque Quaresma passou a cair mais no flanco oposto, cabendo a Bosingwa as iniciativas por essa lateral. Diego e Fabiano continuavam a mexer muito bem, pelo que se estranhou a troca do avançado por Postiga, quando Derlei já pedia a substituição. Perdeu o campeão com esta troca, até porque chegou numa altura em que o golo estava próximo e Postiga demorou a entrar na partida (será que o conseguiu?).
Fernández jogou mal esta cartada mas esteve relativamente melhor quando apostou em Hugo Leal e, sobretudo, Carlos Alberto. Chegava pouco depois o justíssimo golo da vitória, apontado por Costinha (como no ano passado, lembram-se?). Jogada confusa após bola parada e golo do Ministro, a empurrar para o fundo da baliza de Palatsi. Carlos Alberto ainda pôde aumentar a vantagem mas quem merecia o golo era mesmo Diego, a estrela da partida. Confirmem-se nos próximos jogos a boa exibição hoje conseguida.

Foto: Soccerage
O diário catalão Sport dá hoje conta da possibilidade de Camacho suceder a Victor Fernández no comando técnico do FC Porto. Ainda que ninguém tenha posto em causa o lugar do actual treinador portista, o certo é que o descontentamento em torno das performances do campeão europeu não dão grande margem de manobra à SAD azul e branca, forçada a tomar medidas no caso de não se verificarem melhorias no futuro próximo. As deslocações a Guimarães e a Londres são, como tal, decisivas para Fernández. O nome de Camcho tem de ser encarado como possível dada a sua disponibilidade, o seu conhecimento do futebol português e, acima de tudo, em função do apreço que Pinto da Costa tem pela sua pessoa. Recorde-se que, num clima de relações deterioradas entre FC Porto e Benfica, Camacho sempre elogiou os dragões e sempre teve no presidente portista um admirador.

Luigi Del Neri ainda se recorda bem de um pesadelo chamado FC Porto. Sem nunca se alongar em demasia, o técnico italiano, em entrevista ao "Maisfutebol",dá a conhecer um pouco daquilo que lhe vai na alma. Aqui ficam algumas das declarações de Del Neri...
O actual FC Porto:
"Não sigo o F.C. Porto. Não me interessa. Não quero saber o que acontece com o clube. É uma página fechada da minha vida."
"Não me surpreende que isto esteja a acontecer. O F.C. Porto mudou muito. Entraram muitos jogadores novos, entraram novos treinadores. É normal que isso aconteça. Era difícil fazer melhor."
"Não fico contente por saber que não ganha. Quando a aventura acabou fiquei triste e decidi esquecer esse episódio da minha vida. Agora se me dizem que está mal, não fico contente. Se fosse bem, não queria saber, não era problema meu, mas se vai mal não posso ficar contente."
FC Porto de Del Neri:
"Não creio que este F.C. Porto tenha um pouco de meu. Pode ser uma desculpa do clube para o que vai mal, mas não é a verdade. A relação do F.C. Porto com o Del Neri já acabou há muito tempo. O problema é do treinador actual, não é meu."
"Eu não tive tempo para fazer melhor. O F.C. Porto do meu tempo, para mim, estava a jogar bem. Estava a crescer muito. Se correu mal, não foi por minha culpa."
6 jogos, 1 vitória! Dito assim, de forma tão crua e simples, parece o score de uma equipa do fundo da tabela, com orçamento reduzido e ambições que não vão além da manutenção. Ganhará contornos de ridículo e escandaloso quando referente ao campeão europeu e nacional, histórico candidato ao título reforçado para esta época com atletas de topo. Depois de 33 vitórias caseiras consecutivas, este FC Porto de Fernández só pode ser comparável ao de Octávio Machado, em Janeiro de 2001! Sem visão de jogo, o espanhol chega a meter dó quando decide prescindir do meio-campo e da condução de jogo, oferecendo a bola ao adversário e partindo a equipa em dois. A saída de Diego criou um fosso imaginário que colocava 8 homens de um lado e 3 do outro, sendo que a bola só poderia passar se ultrapassasse, por via aérea, o enorme precipício que separava os sectores. Bem pode desculpar-se com a condição física de Diego, não pode é esquecer que decidiu poupar Carlos Alberto. O estado de Derlei também pode explicar alguma coisa mas nem isso nem a falta de sorte servem para esconder a realidade. Sofrível, deprimente, sem carácter nem ambição. Meus amigos, bem-vindos ao FC Porto de Fernández!
A União de Leiria que se apresentou no Estádio de Dragão foi escalonada para aproveitar o estado de espírito do adversário. Montada para defender mas para ter no trio da frente um elemento ameaçador, o esquema de Pontes anulava as principais armas de um FC Porto que regressava ao 4-3-3 (a ver qual pega primeiro!) e que teria nas alas a grande fonte de alimentação do seu futebol. Fangueiro, homem de contra-ataque, ajudava nas tarefas defensivas, comandadas por um meio-campo experiente e que não virava as costas ao choque. Krpan era o homem em evidência na frente, muito mexido e ciente do momento de insegurança vivido pela dupla Pepe e Jorge Costa (quando é que o brasileiro assimila o estilo de jogo do capitão?).
O FC Porto, esse, continua a ter quebras no jogo. Acima de tudo, perdeu a capacidade de reacção que sempre teve com Mourinho e que lhe permitia, inclusive, virar muitas desvantagens no marcador. A impotência hoje revelada só me lembra a eliminatória da Taça de Portugal de 2001, perdida para o Braga. Desde então que não me recordo de tanta ataraxia, de tanta incapacidade de reacção, de tanta falta de ideias. O Fernández que tenho visto no banco é um bicho perdido, miúdo, amedrontado, indeciso. Chama Maciel, manda entrar Pedro Emanuel, volta a chamar o brasileiro quando tem opções como Postiga e McCarthy. Assim não, mister.
Depois do golo de Quaresma (volta a ter momentos de génio mas é uma nulidade durante quase todo o encontro), os campeões até criaram bons lances, sobretudo por Luís Fabiano, o mais mexido dos dragões. Contudo, era Diego quem carburava um jogo atrofiado pela inconstância do Harry Potter e pela ausência de ritmo do Ninja (dava jeito um Rossato, não dava?) e que, como tal, não alargava nas alas. Até porque, e tenho medo de me tornar repetitivo, qual é o esquema de 4-3-3 que resiste sem o apoio dos laterais?
Por muito que Fernández gesticulasse, a saída de Diego marcou o fim daquilo que de interessante se vinha vendo nos campeões nacionais. A ganhar, o FC Porto deu o jogo ao adversário, convidou-o a subir e a aproveitar a falta de rotina de uma defesa infantil. Não me recordo de ver as equipas de Mourinho jogar sempre bem e com intensidade elevada. Recordo-me, isso sim, que havia diferenças entre perder ritmo de jogo e perder o controlo do jogo. O grande conjunto dos últimos anos podia não aguentar o encontro na sua totalidade mas sabia reconhecer o limite e tratava de matar o jogo no meio-campo, mantendo o seu controlo. Fernández acreditou poder ganhar a partida prescindindo do meio-campo ofensivo e entregando-o ao inimigo. Mais uma vez, sofreu as consequências. Os números estão aí, analisem-nos. Del Neri foi despedido por menos...
Jogo no Estádio do Dragão
1ª Jornada da Superliga 2004/2005
FC Porto - Vítor Baía; Seitaridis (Pedro Emanuel), Pepe, Jorge Costa e Areias; Costinha, Maniche e Diego (Raúl Meireles); Derlei (Maciel), Quaresma e Luís Fabiano
União de Leiria - Hélton; Torrão (Laranjeiro), João Paulo, Renato e Alhandra; Paulo Gomes, Otacílio e Caíco; Fangueiro (Fredy), Krpan e Geufer (Fábio Felício)
Golos - Quaresma (7´), Krpan (75´)
Melhor em campo - Krpan (Leiria)

Pinto da Costa foi nomeado, pela FIFA, membro da Comissão Organizadora do Campeonato do Mundo de Clubes. Com a companhia do escocês John McGinn e o russo Viacheslav Koloskov, o portista vai ser um dos responsáveis pela organização do Campeonato do Mundo de clubes. Pinto da Costa é assim, um dos três representantes europeus numa comissão de 14 elementos. A primeira reunião está marcada para 21 de Setembro da sede Internacional de Zurique.
A carreira do Presidente do Futebol Clube do Porto é, desta forma, reconhecida pela FIFA que vê no portista um elemento credível para a comissão recém formada.

Pinto da Costa já tinha demonstrado diversas vezes a sua indignação relativamente à FPF e ao facto dos jogadores serem constantemente afastados dos trabalhos do clube. O "Todo-o-Poderoso" da invicta aponta como principal falha, a falta de diálogo entre a Federação e os clubes. Na reunião do G-14, esse foi, precisamente, um dos temas em questão...
Ora, perante tudo isto era mais do que previsivel uma reacção portista à lesão de Nuno Valente. O atleta sofreu uma entorse no joelho na partida de Riga, sendo que, o relatório médico da selecção foi confirmado por Nélson Puga já em Portugal. Como se isso não bastasse o atleta fazia-se acompanhar apenas do relatório, sendo que, a ressonância magnética efectuada depois da partida ficou na posse da Federação.
Posti isto, Pinto da Costa e Adelino Caldeira terão mesmo ultimado no dia de ontem a queixa formal que vão enviar à FIFA. Mas nesta queixa não consta apenas o caso de Nuno Valente, já que, o facto de Quaresma ter permanecido no estágio da selecção de sub-21, sabendo-se que não podia alinhar ontem, também revoltou os portistas.
Resta agora saber qual vai ser a reacção da FIFA, sabedo-se de entemão que as relações entre FCPorto e FPF chegaram a um ponto bastante crítico (e os principais prejudicados vão ser os atletas...).
Outra das dores de cabeça de Fernandez é a lesão de Diego que voltou da selecção brasileira com uma entorse. Será que a queixa enviada À FIFA tembém vai mecionar esta situação?...

O actual treinador do Chelsea decidiu, em nota de imprensa assinada pelo seu assessor Eládio Paramés, responder à letra aos Super Dragões. Na nota pode ler-se que: "com o objectivo de esclarecer definitiva e cabalmente a opinião pública, declara-se que é totalmente falso que José Mourinho tenha enviado as referidas mensagens ou feito os alegados telefonemas". O treinador pretende ainda "obrigar os seus autores a provarem em local e altura própria as afirmações que proferiram".
Na nota pode também ler-se que, "tal como outras insinuações, rumores e boatos postos a correr (...), não são certamente inocentes e não surgiram por acaso, mas nem por isso deixam de ser graves, pois pretenderam (mas não conseguiram) colocar em causa a sua honra e dignidade".
A novela promete continuar com episódios escaldantes...

O regresso de José Mourinho ao estádio do dragão promete! As revelações vão surgindo a um ritmo alucinante e o livro lançado pelo técnico, em Lisboa, foi mesmo a gota de água. No livro Mourinho fala de muita coisa, porém, o que desperta mais interesse é perceber por que motivo se afastou dos festejos logo após a conquista da Liga dos Campeões... O treinador do Chelsea decidiu abrir o jogo e, mesmo sem referir nomes, rapidamente se percebeu que as tão comentadas ameaças a treinador e sua família tinham partido de algum membro dos Super Dragões.
A claque já reagiu: "Relativamente às supostas ameaças de que o senhor Mourinho afirma ter sido vítima, temos a dizer que se trata de uma situação verídica e da qual temos conhecimento, embora nada tenha a ver com os Super Dragões como claque, nem tão-pouco com nenhum dos seus líderes aqui representados [Paulo Trilho, Fernando Madureira e Rui Teixeira], mas sim com um elemento com algum peso no grupo."
Mas não é tudo! Segundo o responsável pela claque Fernando Madureira as ameaças tinham uma razão: "Dois dias antes da final, descobriu que Mourinho andava a mandar mensagens e a fazer chamadas para a esposa. Quer dizer, mulher, pois não é casado." E esta hein!?
Relembro que no seu livro José Mourinho para além de contar em pormenor tudo o que aconteceu nas vésperas da final da Champions, ainda acrescenta que o comportamento da claque se alterou bem antes do jogo na Alemanha. Já frente ao Paços de Ferreira os super dragões terão sido impedidos de cantar o seu nome, chegando mesmo a virar as costas ao jogo quando o resto do estádio o fazia.
Mal agradecidos? Perigosos? Rebeldes? Incontroláveis?... são os Super Dragões!

McCarthy está desiludido por não ter assinado pelo Everton. Em estágio com a África do Sul, o avançado não entende porque não foi autorizado a assinar pelos "toffees" e culpa o FC Porto pelo romper das negociações. Quem não gostou do teor das declarações de Benni foi Pinto da Costa, que lembra ao jogador que o clube fez um grande esforço para o contratar e que Victor Fernández deixou claro que conta com ele. Vida difícil, pois, para o sul-africano. Como se não lhe bastasse a concorrência de Luís Fabiano, Derlei, Hélder Postiga e Hugo Almeida!

A notícia é avançada pelo sítio MaisFutebol. Fernández não conta com um avançado com quem já teve más relações em Vigo e tanto o FC Porto como o Everton têm interesse no empréstimo do jogador. A confirmar-se, os campeões da Europa limpam a posição mais avançada em apenas um dia, com as saídas de Bruno Moraes, Hugo Almeida e Benni McCarthy, que se juntam ao lituano Jankauskas no lote de "dispensáveis".
Mas nem só de saídas vive o FC Porto, que ultima a aquisição de Thiago, central do Juventude, líder do Brasileirão. O jovem de 19 anos é uma das surpresas da prova e o seu nome já está associado ao clube de Pinto da Costa há algum tempo. O negócio oficializar-se-á ainda hoje.

Esteve para vir, preferia o Barcelona, poderia ingressar no Sporting por empréstimo, era certo no Bétis, permaneceu em São Paulo, venceu a Copa América, esteve na Torre das Antas e... assinou. Luís "Fabuloso" Fabiano é o novo (será o último) reforço do FC Porto versão 2004/2005. Internacional brasileiro, titular na ausência de Ronaldo ou Ronaldinho, Fabiano é um dos grandes goleadores do passado recente do Brasileirão. Personalidade controversa, amado e odiado entre paulista, o Fabuloso é um homem-golo, de estilo franzino mas combativo, tecnicamente dotado e bom a bater bolas paradas. Custa 10 milhões e integra um plantel onde moram Postiga, Derlei, McCarthy e Hugo Almeida e donde saíram, no dia de hoje, Bruno Moraes (roda no Setúbal), Marco Ferreira (rumo a Guimarães) e Rossato (para a Real Sociedad).
De uma coisa estejamos cientes: esta foi a pré-temporada mais atabalhoada do reinado de Pinto da Costa.

O adversário do FC Porto na Liga dos Campeões venceu o Saturno e mantém-se na luta pelo título. A equipa de Gazzaev marcou no último minuto, com o suplente Kirichenko a assinar o único golo do encontro e a dar os três pontos à equipa da capital, que alinhou com Akinfeev, Semberas, Ignashevich, Alexey, Odiah, Zhirkov, Jaroshik, Aldonin (Semak, 63m), Rahimic, Olic (Kirichenko, 77m) e Vagner Love.

O FC Porto voltou a perder a oportunidade de vencer a Supertaça Europeia (que conquistou em 1988). Uma semana depois do triunfo sobre o Benfica, a equipa de Fernández ainda não apresenta grandes melhoras, notando-se ainda muita descoordenação e a necessidade de encontrar uma filosofia comum e um identidade global. O FC Porto ainda não é um conjunto. Quando muito, será um conjunto de três sectores não interligados e que revelam problemas de organização mesmo no seu interior. Exemplo mais gritante desta realidade é o meio-campo, sector fulcral do esquema anterior, baseado na posse de bola, na proximidade entre jogadores e sectores, na abertura de linhas de passe. Haja tempo, portanto, para trabalhar, até porque o próprio Fernández consegue reconhecer estas debilidades. Mau era que viesse dizer que está tudo bem...
Estranhamente (ou não), Pedro Emanuel ficou no banco após a magnífica exibição ante o Benfica. O centro da defesa foi, como tal, completamente novo, sendo que os laterais se mantiveram. Costinha jogava à frente do quarteto mas ainda procura o seu correcto posicionamento, pelo que esteve uns furos abaixo daquilo a que nos habituou. Seguiam-se Maniche, Hugo Leal e Carlos Alberto, sendo que o organizador raramente pegou no jogo, até por se colar muito às laterais. De facto, o FC Porto teria a ganhar com um homem que soubesse pautar o jogo, algo que Maniche (à procura da forma) e Hugo Leal (idem) não conseguiram fazer. Pior do que isso, o meio-campo ainda não funciona como um todo, com os jogadores muito distantes e linhas de passe muito fechadas por um Valência que tem em Baraja e Albelda dois óptimos executantes. Entrosamento...
O ataque ficou a cargo dos esforçados (nada mais) Postiga e McCarthy. Mal auxiliados nas alas, os laterais portugueses viram-se em inferioridade numérica face a Curro Torres-Rufete e Carboni-Vicente. Pior do que isso, Di Vaio e Corradi pareciam uma multidão e Baraja aparecia em zona de tiro amiudadas vezes. Assim surgiu o primeiro golo, já depois de Postiga ter beneficiado de duas boas oportunidades para marcar.
A segunda parte chegou e só acentuou os sintomas de um FC Porto viciado no jogo de Del Neri. A bola já não passava pelo meio-campo, vigorava o futebol directo e bombeado, as ocasiões de golo escasseavam, apesar de Carlos Alberto ter construído um bom lance. Após a entrada de Quaresma... o golo de Di Vaio. Falta de entrosamento entre os defesas, com Pepe a cobrir Jorge Costa mas não sendo coberto por Nuno Valente.
Quaresma ainda marcou, dando brilho a uma exibição individualista, inconsequente, muito pobre ao nível pessoal e colectivo. À imagem do que fizera com o Benfica, amenizou uma péssima prestação com um golo tremendo. Saiba Fernández trabalhá-lo, saiba Fernández reconhecer os defeitos desta equipa. Pelo que deu a entender na conferência de imprensa, leu muito bem relativamente às necessidades dos dragões. Falta corrigi-las...
Chelsea, Paris Saint-Germain e CSKA de Moscovo são os clubes que o FC Porto tem de enfrentar para discutir o acesso aos oitavos-de-final da prova que venceu em 2003/2004. Mourinho, Paulo Ferreira e Ricardo Carvalho voltam ao Dragão, numa partida que se prevê carregada de emoção e simbolismo. Será o criador vencido pela criação?
O PSG de Pauleta e o CSKA anteriormente treinado por Artur Jorge (campeão europeu pelos dragões em 1987) são os restantes obstáculos a ultrapassar, sendo que os portistas têm que lidar com a obrigação de passar à fase seguinte. Numa prova onde não há equipas fáceis, este foi o sorteio possível. Venham os jogos...
Conheça um pouco mais dos adversários do FC Porto.
O Chelsea é o clube da moda. Muito pouco há a dizer sobre o clube londrino que não seja já do conhecimento público. Treinado por José Mourinho, o milionário emblema de Roman Abramovich foi vice-campeão da Premiership e semi-finalista da Champions na época transacta. Ainda assim, Ranieri não evitou o despedimento e Mourinho (o treinador da moda na Europa) foi convidado a aceitar o desafio de Stamford Bridge. Disse sim, como é óbvio, e operou imediatamente uma pequena revolução. Dispensou os argentinos Verón e Crespo e o veterano gaulês Desailly. Cech, o guardião checo ex-Rennes, foi contratado para a baliza e Ricardo Carvalho reforçou o centro de uma defesa que conta com Terry, Gallas e Huth. Paulo Ferreira foi contratado para a direita, onde já estava Gallas e donde saiu Melchiot. Bridge e Babayaro fazem o lado oposto. Para o meio-campo entraram Tiago e Robben e regressou Smertin. Makelele, Cole, Parker, Geremi, Lampard e Duff transitam do plantel anterior. Para o ataque chegaram Drogba (o mais caro do ano) e Kezman, que se juntam, desta forma, a Gudjohnsen e Mutu. O Chelsea não vence o campeonato inglês desde 1955, joga em 4-4-2 e a equipa-tipo não deve andar longe dos seguintes nomes: Cech; Ferreira, Carvalho, Terry e Bridge; Makelele, Tiago, Lampard e Robben; Drogba e Kezman.
O Paris Saint-Germain de Pauleta e Hélder foi vice-campeão francês na temporada passada mas não começou bem a nova época. Isto apesar das ambições e do esforço feito no sentido inverso. O PSG tem o segundo maior orçamento da Ligue1 (80 milhões de euros contra os 100 milhões do tricampeão Lyon) e contratou óptimos jogadores para a nova época, com Rothen e Yepes à cabeça. Fundado em 1970, o PSG é o clube da capital e um dos mais populares de França. Campeão por duas ocasiões, o percurso do clube pela Europa inclui uma Taça das Taças (1996). Vahid Halilhodzic, o treinador, costuma usar o 4-4-2 mas também pode usar três centrais. O ataque costuma privilegiar as alas e a velocidade de uma dupla de avançados que se complementa. A equipa-tipo dos franceses deve estar próxima disto: Alonzo; Mendy, Pichot, Yepes e Armand; Cissé, Cana, Fiorese e Rothen; Ljuboja e Pauleta.
O CSKA de Moscovo é um histórico da Rússia. O antigo clube de Artur Jorge tem em Vagner Love a sua principal estrela. O avançado brasileiro vencedor da Copa América será um pesadelo na frente, ele que se destacou a grande nível com a camisola do Palmeiras. O restante plantel inclui Gusev e Laizans, nomes mais conhecidos do público que seguiu o Euro´2004. Tido como outsider no grupo, as deslocações ao Leste são sempre temíveis, pelo que todo o cuidado será pouco para evitar eventuais surpresas. Akenfeev é o titular dos russos, ele que defendeu contra Portugal no jogo do Europeu. Anyukov deve ter a lateral-direita e o consagrado Yanovsky figurará no meio-campo dos moscovitas, onde também pontificam Gusev e Laizans, o letão da equipa. Na frente estarão Kirichenko e o croata Ivica Olic.

Assim sim. O FC Porto que ontem derrotou o Liverpool já esteve bem próximo daquele que vai defender os títulos nacional e europeu, apesar de ainda não contar com algumas caras que, prevê-se, serão fundamentais. Em partida a contar para a Champions World Series, os dragões encontraram um Liverpool que começa a competir dentro de duas semanas; um Liverpool renovado, a meu ver para melhor, pelo menos no plano teórico dos nomes (tanto na equipa técnica como no plantel). Um obstáculo a sério, portanto, que não atemorizou os portistas e que deixou os primeiros indicadores de que se pode fazer algo de muito positivo. O FC Porto de Del Neri não se tornou, de um dia para o outro, numa equipa perfeita mas já exibiu características que obrigam a acreditar numa época muito positiva.
O sistema de rotação e conhecimento dos jogadores parece estar próximo do fim. Del Neri já tem uma ideia sobre quem lhe dá garantias e ontem aplicou-as, mantendo alguns jogadores durante os 90 minutos do encontro, resolvido por Carlos Alberto já perto do final. Assim sendo, Ibarra estará riscado da lista do italiano, que entregou a direita a um central. Ricardo Costa jogou o tempo todo e deve ser a primeira alternativa a Seitaridis, tendo-se exibido muito bem ante o Liverpool, até porque já tem alguma rotina no lugar. Quem também parece ter ganho um espaço é Pepe, que jogou ao lado de Pedro Emanuel no primeiro tempo e partilhou o centro da defesa com Jorge Costa nos minutos finais. Certo é que o ex-maritimista não engana: é mesmo craque! De resto, é injusto destacar nomes quando o onze inicial se exibiu a tão bom nível. Bosingwa encheu-me as medidas, Raul Meireles confirmou o que vem fazendo, Quaresma e César Peixoto partiram a loiça nos flancos (mais o primeiro, melhor em campo enquanto jogou), Derlei e McCarthy exibiram pormenores interessantes, mobilidade q.b. e muitas “ganas”.
Apesar de dez minutos sofridos, o FC Porto começou a assentar o seu jogo, a neutralizar o meio-campo povoado dos ingleses e a tomar conta das operações. O estilo directo funcionou amiudadas vezes, alternado com futebol continuado e boa posse de bola. Mais do que isso, a equipa parece ter ganho conta de que os alas não podem jogar sozinhos, sendo que o futebol flanqueado só funciona com o auxílio dos laterais e com a abertura de linhas de passe por parte de quem actua ao centro. A mobilidade dos avançados também é fundamental e isso verificou-se ontem, sobretudo na primeira parte.
De facto, os portistas tiveram uma meia-hora de grande nível, com Quaresma como mestre-de-cerimónias. O extremo ainda procura os índices físicos e a confiança que a lesão lhe retirou mas já deu um ar da sua graça ontem. Rematou aos ferros por duas vezes, sofreu uma grande penalidade não assinalada, trocou os olhos aos defesas do Liverpool. César Peixoto também não esteve nada mal, reclamando um lugar no onze e libertando Derlei para outras funções.
O golo não chegou na primeira parte, apesar de ser bem merecido, e o segundo tempo foi bem mais morno, embora o controlo do jogo continuasse a pertencer aos dragões. As substituições foram diminuindo o ritmo, sobretudo porque Maciel e Marco Ferreira não têm os recursos de Quaresma e César Peixoto. O duo do meio-campo, esse, mantinha-se imbatível, chegando e sobrando para os ingleses. Baros dava algumas dores de cabeça mas foi Carlos Alberto quem marcou, já muito perto do fim, na sequência de um livre de Areias e da assistência de Jorge Costa. E assim o FC Porto entra a ganhar na Champions World Series. Mais do que o resultado, Del Neri terá ficado agradado com as performances individuais de colectivas dos jogadores em quem mais apostou. Que o trabalho continue…

Depois de duas vitórias e outros tantos jogos (e os resultados valem muito pouco nesta altura da época), importa continuar a reflectir sobre o novo FC Porto. Falemos de esquemas tácticos, de jogadores, de bons indicadores, de aspectos a melhorar, de preocupações…
A vitória sobre o Volendam e o maior grau de dificuldade imposto pelo adversário já deve ser suficiente para perceber alguns contornos do FC Porto 2004/2005, o FC Porto de Del Neri. Ainda sem os “europeus”, os campeões da Europa mantêm-se fiéis ao 4-4-2 imposto pelo italiano. Como o esquema é bastante diferente do utilizado pelos dragões nos últimos anos, é normal que hajam aspectos a melhorar, nomeadamente no que concerne à tão badalada defesa-em-linha. Como seria natural, o modelo defensivo idealizado por Del Neri ainda não funciona; primeiro, porque têm actuado jogadores com pouca ou nenhuma rotina de conjunto; segundo, porque há elementos que nunca actuaram esta disposição defensiva e porque o assumir de tal disposição implica o quarteto mais recuado mas também exige a optimização do posicionamento dos restantes elementos, mormente do duo do meio-campo.
Por outro lado, podemos começar a personalizar para encontrar nuances no 4-4-2 de Del Neri. Essas nuances são sobretudo evidentes quando Carlos Alberto está em campo. O médio brasileiro devia actuar como avançado mas as suas características e a sua disponibilidade física fazem com que pareça mais um “Deco”. Com efeito, o jogo ofensivo passa todo por ele quando se encontra em campo, até porque Carlos Alberto procura as alas, ajuda na recuperação de bola, sai a jogar desde o meio-campo defensivo. Será intencional? Se sim, isso exige uma maior movimentação centrípeta dos alas e um futebol mais envolvente, que será tanto mais eficaz quanto maiores forem os recursos dos médios (e se Bosingwa e Paulo Assunção não os têm, Costinha e Maniche – vamos incluir também Meireles - podem dar e vender). Se não, urge constatar que Carlos Alberto não tem características de avançado, pelo que se impõe que o 19 seja usado no meio-campo, até porque tem disponibilidade física que lhe permite defender e atacar com a mesma intensidade.
Com efeito, Carlos Alberto promete complicar as contas do novo treinador. É, de facto, um dos jogadores em foco, facto que não deve ser tido como novo, até porque já havia mostrado o seu valor na época passada. Sei que estas análises são muito pessoais mas volto a afirmar que o miúdo da favela carioca é o mais talentoso dos jogadores que actuam em Portugal. O trabalho que teve com Mourinho pode ter-lhe sido fundamental mas ainda requer muitas horas de esforço e muito acompanhamento. Caso tal se verifique, não tenho a menor dúvida de que estaremos na presença do próximo nº 10 do escrete canarinho.
Para já, Carlos Alberto é um dos atletas que está a frente nesta fase da preparação. Acompanham-no Derlei, Rossato, Raul Meireles e Jorge Costa. O Ninja habituou-nos a um nível nivelado por cima, sempre constante. Ninguém se lembra que esteve mais de meia-época lesionado, tal o ritmo que impõe em jogo, tal a fluidez que dá ao futebol da equipa. Derlei é contagiante, joga e faz jogar, é fundamental. Já escrevi que o Ninja pode ser o Joker para esta temporada, actue em que posição actuar. Certo é que dele se espera que ajuda Costinha e Maniche a conduzir jogo, até porque o FC Porto não pode ficar preso ao futebol directo e previsível que tem exibido com Bosingwa e Paulo Assunção. O futebol envolvente que fez dos portistas líderes em Portugal e na Europa não pode ser desperdiçado e Derlei terá uma palavra muito importante nesse capítulo, actue na esquerda ou a avançado.
É certo que ainda só o vimos ao centro mas, não afastando essa hipótese, acredito que pode actuar na esquerda. Razões: o FC Porto ainda não conta com Postiga e Hugo Almeida, assim com Bruno Moraes, tem andado tocado, o que limita o leque de avançados e obriga Derlei a actuar no centro (até porque Jankauskas e McCarthy têm características semelhantes). Por outro lado, o plantel tem, no momento, 4 extremos. Estando eu em crer que Marco Ferreira vai ser dispensado e que Rossato não é, pelo menos por ora, visto como ala, é natural que se abra um espaço para Derlei na esquerda, sobretudo se César Peixoto não corresponder às expectativas. E a falta de rotina nem será desculpa para o Ninja, que actuou nessa posição durante 2002/2003. Contudo, salvaguardo também uma posição: Derlei não pode actuar de forma tão rígida como Quaresma, sobretudo porque não é um extremo de raiz, sendo que as suas características o obrigam a deambular por todo o terreno.
Quanto a Rossato, gostaria muito de o ver mais adiantado mas tenho gostado muito de o ver actuar na defesa. Disciplinado sem bola, tem grande atrevimento nas acções ofensivas e é de uma utilidade tremenda nesse particular. Compará-lo com Areias é comparar o FC Porto com o ADO´20! Quanto ao ex-aveirense, ser portista não chega… Muito pouco serviço. Pior só Ibarra, que não parece interessado em jogar pelo campeão da Europa. Displicente, desconcentrado, Hugo tem cometido erros de Infantil, compromete a defesa-em-linha e não sobe no terreno. Preocupações? Muitas! Seitaridis deve estar no Jogos Olímpicos e Ricardo Costa é certo na comitiva portuguesa…
Raul Meireles também tem dado óptimas indicações, lamentando-se apenas que Pedro Mendes não lhe faça companhia no meio-campo portista. Bosingwa e Paulo Assunção (mais o último) não têm qualidade para actuar num grande e a diferença é gritante quando Meireles está no terreno. Costinha e Maniche têm companheiro para o sector.
Voltando a esquecer os nomes, Del Neri tem de rever e treinar a defesa-em-linha, um método muito eficaz mas muito perigoso e que exige uma grande rodagem do quarteto defensivo. Tenho poucas dúvidas de que resultará com Seitaridis, Jorge Costa, Ricardo Carvalho (mesmo Pepe e até Pedro Emanuel) e Nuno Valente (ou Rossato), mas é bom que todo o plantel se habitue a esta forma de jogar, que implica todos os sectores. O facto é que há um excessivo afastamento entre as linhas do FC Porto, sobretudo porque a defesa ainda não subiu tanto quanto devia. Se os sectores se unirem, os dragões terão um futebol mais envolvente, menos dependente de lançamentos directos e da performance dos alas.

O FC Porto começou da melhor forma a temporada 2004/2005, ainda que um jogo como o de ontem valha muito pouco. Contudo, a vitória por 8-0 sobre o ADO20, da 3ª divisão holandesa, serviu para confirmar algumas teorias e animar as tropas, agora que se inicia uma época desgastante e que envolve os craques portistas em competições tão diversas como a SuperLiga, a Taça de Portugal, a Supertaça Cândido de Oliveira, a Supertaça Europeia, a Taça Intercontinental, a Liga dos Campeões e os jogos de selecções (fase de qualificação para o Mundial, Jogos Olímpicos e sub-21)!
As exigências são, como se pode averiguar, imensas mas os primeiros indicadores do novo FC Porto são extremamente positivos, ainda que careçam de confirmação nos próximos jogos de preparação e, mais importante do que isso, nas partidas a doer.
O esquema que Del Neri apresentou frente ao ADO20 não surpreendeu. Ainda sem grande parte do plantel, o FC Porto apostou no 4-4-2 anunciado. A defesa actuou em linha, o meio-campo estava reservado a dois homens que misturavam funções defensivas com a condução do jogo de ataque, a frente abria com dois alas e culminava com dois avançados, um mais móvel (encarregue de buscar jogo atrás e funcionar como uma espécie de nº 10 – ainda que com funções distintas às anteriormente assumidas por Deco), outro mais fixo (funcionando como típico homem de área).
A fragilidade do adversário não permite grandes extrapolações sobre as preferências individuais de Del Neri. Ricardo Costa actuou como defesa-direito na primeira parte (Ibarra jogou a segunda), Rossato veio mesmo para ser lateral-esquerdo, Derlei foi utilizado como avançado, ainda que assumindo as características acima descritas para o homem mais móvel da frente de ataque. Carlos Alberto substituiu o Ninja no segundo tempo (será essa a posição em que actuará durante 2004/2005? Estará excluída a hipótese do 19 ocupar o lugar que deve ser de Maniche?), Quaresma jogou na esquerda (porque só havia César Peixoto, porque Maciel e Marco Ferreira faziam a direita – se o ex-Setúbal for dispensado Quaresma acompanha Maciel na direita e sobra apenas César para o flanco oposto).
Muitas dúvidas, portanto, que um primeiro desafio não pode esclarecer e que ganhará outros contornos com a chegada dos “europeus”. Para a histórica fica a estreia de Del Neri e de alguns jogadores (Quaresma e Rossato deram nas vistas) e a vitória sobre o ADO20, por 8-0. César Peixoto inaugurou o marcador, Rossato, Derlei e Jankauskas (2) fecharam as contas ao intervalo. Quaresma e Marco Ferreira (2) marcaram no segundo tempo.



Vítor Baía (sim, o tal que não serve para a selecção) é o melhor guarda-redes da Europa, diz a UEFA. Ricardo Carvalho é o melhor defesa e Deco brilha no meio-campo, sendo ainda candidato ao troféu de melhor jogador da Liga dos Campeões 2003/2004. Resta saber se Mourinho volta a ser o melhor treinador...
Notícias gratificantes no dia em que o FC Porto partiu para a Holanda, onde ocupa as instalações da Laranja Mecânica. O estágio dura até final do mês e continua no Canadá e nos Estados Unidos, onde os portistas defrontam o Galatasaray e o Liverpool.

“O plantel está fechado”. A afirmação é de Pinto da Costa e repete-se, com insistência, há já alguns dias. Assim sendo, há que começar a traçar as linhas do FC Porto 2004/2005, sobretudo se tivermos em conta que Del Neri tem pouco mais de um mês para conhecer e se dar a conhecer, período que encurta para algumas semanas no que toca aos atletas que jogaram o Euro´2004, todos eles fundamentais no modelo e no sistema que o italiano quer implementar. As questões são muitas e urge antecipar possíveis respostas, delimitando contornos da equipa que vai defender os títulos nacional e europeu.
Gigi tem dado várias pistas sobre aquilo que pretende para a sua nova equipa. Sem esconder o jogo, tem exprimido as suas ideias sobre o futebol, afirmando-se disposto a aplicá-las ao FC Porto, convicto de que não marcará uma grande mudança relativamente à “era José Mourinho”. Existem algumas diferenças, admite, mas o fundamental será pôr o campeão europeu a jogar bem e ao ataque. Transmitindo a imagem de salvador do calcio, Luigi Del Neri pretende consolidar um 4-4-2 (a que até chama de 4-2-4) bastante diferente do utilizado pelo antecessor. Isto porque privilegia o jogo pelas alas, com flanqueadores típicos, defendendo ainda a utilização de dois verdadeiros avançados (ainda que com características distintas). Se pensarmos no FC Porto da última Liga dos Campeões, constatámos que Mourinho utiliza uma espécie de 4-5-1, sem flanqueadores natos e com um grande povoamento do centro do terreno. Lidas assim as coisas, de forma tão superficial, pensar-se-ia que o FC Porto da época transacta colocava a ênfase na organização defensiva. Pura mentira, até porque o modo de actuar de uma equipa baseia-se menos em esquemas numéricos teóricos do que na sua concretização. Daí que haja uma tremenda curiosidade para constatar de que forma vai o modelo aparentemente ofensivo de Del Neri concretizar-se.
O treinador italiano diz-se defensor da defesa em linha, o que pode indiciar que as movimentações ofensivas dos laterais serão limitadas. Por outro lado, pode também denunciar um quarteto defensivo muito subido, o que obrigaria o guarda-redes a jogar como líbero (Gigi já o defendeu) e beneficiaria um conjunto compacto, que se dispusesse num espaço de 30-40 metros e que exigisse uma pressão muito alta e muito rápida na reconquista do esférico. Com todos os riscos que tal sistema acarreta, este dispositivo parece favorecer uma enorme proximidade entre os sectores, ainda que diminua o terreno de jogo e prejudica o futebol flanqueado, que se quer veloz, mortal no aproveitamento de espaços e pródigo no recurso a lances de um-para-um.
Por outro lado, sou defensor de que o esquema seja definido pelas características dos jogadores. Assim sendo, tentemos averiguar se os ideais de Del Neri se aplicam ao plantel do FC Porto, que este ano sofreu bastantes alterações. Na baliza parece inquestionável o nome de Vítor Baía, sendo que a constituição do quarteto defensivo também não coloca grandes dúvidas. Seitaridis, Jorge Costa, Ricardo Carvalho e Nuno Valente devem ser os eleitos, pelo que só há uma alteração relativamente aos quatro da última temporada. Os laterais adequam-se na perfeição à filosofia do treinador italiano, sendo exímios defensores, muito bons no auxílio aos centrais, quase perfeito na marcação, intransponíveis no um-para-um. De Nuno sabemos, igualmente, que se incorpora bem nas acções ofensivas, crença que fica por confirmar em Giourkas. Rehhagel nunca deixou que o ex-Panathinaikos exprime-se o seu valor atacante mas ficaram bons apontamentos das vezes em que se aventurou pela ala direira (uma das quais originou, inclusive, uma grande penalidade).
No meio-campo é que as coisas começam a complicar-se. Se o miolo era a base do grande FC Porto das últimas temporadas, o novo esquema de Del Neri prevê, pelo menos na aparência (e insisto que estas filosofias podem ter pouco a ver com a prática), um menor povoamento desse sector específico. Isto porque há um enorme desfasamento numérico entre Costinha-Maniche-Pedro Mendes-Deco e Costinha-Maniche. É claro que a força do miolo estará dependente daquilo que fizerem em campo os alas e os avançados. Contudo, há algumas questões pertinentes, que só veremos respondidas nos jogos de preparação, quiçá somente com os desafios a doer. Com efeito, delegar a condução de jogo em Costinha e Maniche parece infrutífero; isto porque o número 6 é essencialmente um homem de recuperação e ocupação de espaços, com reduzida capacidade de condução de jogo e progressão com a bola controlada, ainda que possua boa qualidade de passe e consiga, ainda, aparecer em zonas de finalização. Maniche também não é um médio de perfuração. Embora tecnicamente dotado, o número 18 tem óptima visão jogo, muita boa leitura táctica, excelente passe e brilhante capacidade para de desmarcar e finalizar, qualquer que seja a distância para a baliza adversária.
Contudo, nem Costinha é Patrick Vieira nem Maniche é Deco. Como tal, será necessária uma unidade extra no auxílio a esta dupla, estando eu em crer que Derlei fará essa função, uma vez que me parece pouco provável a inclusão de Carlos Alberto no onze-base. Colocado sobre a esquerda, Derlei flectiria amiudadas vezes para o centro, ajudando na condução de jogo e confundindo as marcações adversárias. Como não sabe jogar mal, o Ninja teria novas funções mas parece-me uma unidade altamente capaz de cumprir essas funções, até porque possui técnica, força, capacidade de recuperação, disponibilidade total.
Se Quaresma é certo na direita (sendo menos mas igualmente possível vê-lo no auxílio a Maniche), a dupla da frente deve ser constituída por Postiga e McCarthy, estando eu em crer que o ex-Tottenham descairia para a esquerda na ausência de Derlei desse posto específico, com o sul-africano a funcionar mais como um homem de área. Estando eu a arriscar nos nomes e nas suas funções em campo, é bom que se salvaguarde que há outras opções para o onze portista. Derlei pode muito bem ser avançado, jogando com Postiga ou McCarthy e assumindo, igualmente, funções próximas das do típico número 10, tal como Carlos Alberto pode aparecer na esquerda, ainda que não seja o típico flanqueador. Muitas dúvidas para o esquema ofensivo, portanto, acreditando eu que este não estará muito distante deste figurino.

O esquema não será muito diferente quando o FC Porto não tem a posse da bola. Já referi que me parece ser privilegiada a pressão alta e grande proximidade dos sectores, o que por um lado diminui o espaço onde o adversário pode actuar mas deixa uma brecha considerável entre a última linha e o guarda-redes. O meio-campo volta a ser fundamental aqui, não sendo conveniente esquecer os papéis de Costinha e Maniche mas não sendo de negligenciar, igualmente, as funções que Deco e Pedro Mendes assumiam. De facto, o agora jogador do Barcelona é dos médios criativos mais disciplinados e mais cumpridores do ponto de vista defensivo, facto comprovável pelo número de recuperações e de faltas cometidas. Derlei pode ser, novamente, a chave, ajudando a fechar no centro e tendo a compensação de Postiga na esquerda. Qualquer coisa como isto…

É óbvio que os nomes podem variar mas parece-me que a disposição dos jogadores nas acções de recuperação de bola será esta. Resta-nos esperar para ver…
Aqui fica a listagem dos números que os portistas vão usar em 2004/2005 (retirada do site MaisFutebol):
1 - Bruno Vale
2 - Jorge Costa
3 - Pedro Emanuel
4 - Ricardo Carvalho
5 - Ricardo Costa
6 - Costinha
7 - Pepe (herda o número de Secretário) *
8 - Nuno Valente
9 - Jankauskas
10 - Quaresma (herda o número de Deco)*
11 - Derlei
13 - Nuno
14 - Areias (herda o número de Sérgio Conceição)*
15 - Rossato (herda o número de Alenitchev)*
16 - César Peixoto
17 - Bosingwa
18 - Maniche
19 - Carlos Alberto
20 - Marco Ferreira
21 - Maciel
22 - Seitaridis (herda o número de Paulo Ferreira)*
23 - Ibarra (herda o número de Pedro Mendes)*
24 - Bruno Alves (número sem dono)*
25 - Paulo Assunção (herda o número de Ricardo Fernandes)*
28 - Bruno Moraes
29 - Hugo Almeida
33 - Raul Meireles (número sem dono)*
41 - Hélder Postiga (número sem dono)*
77 - McCarthy
99 - Vítor Baía
O FC Porto começa hoje a preparar a temporada 2004/2005. Os portistas reuniram-se para dar início aos trabalhos, embora o plantel ainda não conte com Ricardo Carvalho, Maniche, Costinha, Nuno Valente, Hélder Postiga e Seitaridis, em virtude das participações destes atletas no Euro´2004. Luigi del Neri é o novo treinador dos campeoões nacionais e europeus e Pinto da Costa apresentou cinco caras novas oficialmente, embora estas já fossem conhecidas como reforços do FC Porto há algum tempo. Assim sendo, Rossato e Paulo Assunção (ex-Nacional), Areias (ex-Beira-Mar), Raúl Meireles (ex-Boavista) e Pepe (ex-Marítimo) foram à sala de imprensa oficializar o vínculo ao clube portista.
O grupo de trabalho ainda não conta com Hugo Ibarra, que só hoje regressa a Portugal. Gigi vai começar a trabalhar com 30 jogadores mas já avisou que só pretende ficar com 25, pelo que há alguns atletas que têm algumas semanas para dar provas do seu valor. O centro da defesa e o ataque são os sectores com mais recursos, sendo ainda prevísivel que Marco Ferreira abandone o plantel, com o Vitória de Guimarães a mostrar-se interessado.
O estágio do FC Porto começa hoje em Gaia mas ainda tem datas marcadas para a Holanda e para os Estados Unidos, onde os dragões disputam um conceituado torneio de pré-temporada. Entretanto, o nome de Diego ainda é falado, sendo que Carlos Alberto seria o primeiro a aplaudir a chegada do companheiro e amigo.

Postiga já é oficialmente jogador do FC Porto, onde reencontra a camisola 41. Os dragões pagaram 4,5 milhões pelo passe do avançado, quantia a que se deve somar o valor do passe de Pedro Mendes, equivalente a três milhões de euros. Pinto da Costa adiantou que não há mais reforços e que Luís Fabiano será jogador do Barcelona, embora seja emprestado na próxima época.
Hélder Postiga está de regresso ao FC Porto. Estranhamente, eu não estou minimamente feliz com a notícia! É certo que, como acontece com todos os portistas, tenho uma enorme consideração por Postiga e uma grande afecto pela sua pessoa, não só por ser um produto da casa mas por ser, igualmente, um óptimo jogador.
Acontece que a contratação do avançado se sucede ao interesse que o Benfica tinha manifestado no atleta e vem na sequência de um pedido que Del Neri fizera a Pinto da Costa: era um preciso um avançado com bom jogo de cabeça! Ou eu andei a dormir nestes últimos anos ou Hélder Postiga não é esse tipo de jogador. Pior do que isso, a compra do avançado do Tottenham implica a saída de Hugo Almeida, um jovem promissor que tem, a meu ver, muito mais presença na área e muito mais condições para discutir os lances aéreos.
Catastrófica, mesmo, só a inclusão de Pedro Mendes no negócio. Lembro que Pinto da Costa estava interessado em manter a estrutura ganhadora da última época, pelo que acho incompreensível que se prescinda de um atleta que é, nesta altura, um dos melhores jogadores portugueses e um dos dragões que melhor interpretava a mística do clube!
Faltava-me um pormenor: o FC Porto ainda gastou dinheiro com esta imensa borrada! Filipe Vieira e Dias da Cunha não fariam pior.
Quando era puto (será que já não sou?) fazia dezenas de colecções. As que juntava com maior cuidado eram as relativas aos craques do futebol. Lembro-me que haviam cromos tão raros que era muito difícil encontrar quem os tivesse, quanto mais achar alguém que se gabasse de o ter repetido. Eu, com a montanha de jogadores quase vez mais iguais, lá andava à procura de um sortudo que me desse aquele cromo que faltava lá na caderneta. Nem que para isso tivesse que negociar os milhares de escudos em craques repetidos...
Para quê estas recordações? Confesso que não me lembrava delas há muito mas o negócio hoje divulgado trouxe-as à memória com facilidade. De facto, Pinto da Costa oferece um cromo raro por um que, a meu ver, e tendo em conta o actual plantel do FC Porto, é vulgar. Lembro-me de Pedro com a camisola 8 do Vitória de Guimarães. E lembro-me de dizer que aquele era o reforço que eu queria para o meu clube; sempre o entendi como uma prioridade, pelo que fiquei imensamente feliz com a sua aquisição. Os dragões ganhavam um jogador "à Porto" - raçudo, antes quebrar que torcer, com óptima leitura táctica e posicional, com qualidade de passe, com brilhante ocupação de espaços, excelente na recuperação da bola... Enfim, um jogador de atributos raros e que, muito sinceramente, não reconheço em Paulo Assunção, Bosingwa ou Raúl Meireles. O FC Porto perde, com efeito, um dos seus melhores elementos, um jogador que vivia o topo da sua carreira e que tinha uma margem de progressão assinalável, até porque só tinha 25 anos.
Ganha, em contrapartida, um jogador de méritos reconhecidos mas que é tudo menos um jogador de cabeça. Postiga actua preferencialmente como segundo ponta-de-lança, aquele que busca jogo atrás e nas faixas, aquele que serve os companheiros e remata de fora, aquela que joga bem de costas para a baliza e que está melhor fora da área do que dentro desta, à procura que lhe passem a bola para fazer o golo. Nesse sentido, contava com a permanência de Hugo Almeida e anseava pela chegada de um verdadeiro ponta-de-lança, um homem de área que o FC Porto não tem desde que saiu Jardel e que faz todo o sentido, agora que Del Neri quer assumir um esquema com dois avançados. Continuo a ver esta dupla como vejo os centrais: têm de se completar.
Nesse sentido, fico muito triste por constatar que este defeso podia estar a correr de forma diferente. Não gostei dos contornos da compra de Paulo Assunção (tão-pouco da compra propriamente dita) e era apologista das permanências de Sérgio Conceição e Hugo Almeida, estando em crer que o extremo possui um valor inegável e que beneficiaria de realizar a pré-época, tendo ainda o ónus de representar aquilo que eu gosto de ver num jogador do FC Porto. Pois, Pedro Mendes também o tinha...
PS - Ainda ontem comentava. Tenho que comprar uma camisola do Pedro Mendes... Obrigado presidente!

Não, não é nenhuma contratação. O presidente do Real Madrid chegou à Invicta ao meio-dia de hoje e vem para negociar Ricardo Carvalho e Costinha, trunfos eleitorais para o confronto que terá com o seu antecessor, Lorenzo Sanz. Pérez saiu do aeroporto na companhia de Jorge Mendes, empresário dos jogadores, muito ligado ao FC Porto.

A imprensa desportiva madrilena suspira pelos craques do FC Porto. Ricardo Carvalho e Costinha fazem a manchete da Marca mas o primeiro nome parece mais consensual que o segundo. O AS diz que "o doberman de Camacho" será Vieira ou Emerson, a Marca diz que Florentino virá ao Porto para convencer Pinto da Costa a negociar os passes de Ricardo e Costinha. O central continua a deliciar a antiga estrela Emilio Butraguenõ, actual director-desportivo dos merengues. "Ricardo Carvalho ha demostrado que está a la altura de los grandes acontecimientos y que sabe asumir sus responsabilidades", disse. Como quem não quer a coisa, Butragueño ainda aproveitou para tocar num tema muito em voga no país vizinho, o portista Seitaridis - "De lo mejorcito de la Eurocopa. Un lateral excepcional. Tiene un talento inusual en un defensa". E tem dono também...
Entretanto, a luta presidencial no Real Madrid envolve um outro craque portista. Maniche é dado como trunfo eleitoral do antigo presidente Lorenzo Sanz, que ainda garante os checos Rosicky e Milan Baros. Como é bom ter dinheiro! Não ganha campeonatos, mas ajuda...

Deco viajou para Barcelona, Ricardo Quaresma fez o percurso inverso. O mágico luso-brasileiro fez ontem os exames médicos e foi apresentado como jogador do Barça para as próximas quatro épocas. À mesma hora, na Invicta, após ter cumprido todos os trâmites normais neste tipo de situações, "El Gitano" era apresentado como reforço portista, num contrato que o liga aos dragões até 2009. Pinto da Costa tratou de elogiar o novo craque portista para 2004/2005 - " A partir do momento em que percebemos que era possível contratar o Quaresma enviei a Del Neri cassetes de alguns pormenores e jogos completos, sendo que no dia a seguir disse que este jogador seria excelente para o F.C. Porto, o que nos levou a acelerar o acordo. Para Del Neri, Quaresma encaixa-se naquilo que deseja do Porto para colmatar a saída de Deco".

O ex-sportinguista passa a envergar a camisola 10 (o 20 está actualmente com Marco Ferreira) mas Deco também herda o número deixado vaga pelo extremo no Barcelona, o mesmo que usa ao serviço da selecção nascional.
O FC Porto contratou Paulo Assunção, médio ex-Nacional da Madeira. O jogador tinha tudo acordado com o Sporting e a sua ida para Alvalade estava alinhavada desde o Alemanha - República Checa. O atleta falava como membro do plantel leonino mas o negócio não se concretizou, sendo Assunção desviado para o FC Porto, num acordo que, dizem os dirigentes sportinguistas, reflecte a falta de ética do presidente Rui Alves e mais uma aparição do sistema, que não os surpreende. Para quem está de fora não é fácil discernir o que aconteceu na realidade. Não sabemos os contornos da situação, porque abortou a ida do médio para Alvalade, porque partiu o jogador para o Porto, desde quando vinham os contactos com Pinto da Costa. Não sabemos...
O que sei, enquanto portista, é que esta situação não dignifica em nada o nosso clube e a imagem do nosso presidente. Continuo à espera de explicações que desmintam a crença generalizada de que este foi apenas um gesto mesquinho para desviar o atleta de um clube rival. Não sei até que ponto o brasileiro acrescentará algo a uma equipa cheia de qualidade para essa posição específica, uma posição cuja influência numérica cairá com o comando de Del Neri. O técnico já disse que o seu 4-4-2 compreende alas típicos, pelo que só sobram dois lugares para médios-centro. Costinha, Maniche, Pedro Mendes, Raúl Meireles, Bosingwa, Carlos Alberto e Alenitchev (dada como certa a partida de Deco, que trará, Pinto da Costa já o disse, um substituto à altura) parecem-me nomes mais do que suficientes para dar garantias ao novo treinador. Mais preocupante do que isso é constatar que nada tem sido feito para reforçar as alas, pouco ou nada exploradas pelo FC Porto de 2003/2004. Faltam nomes e falta qualidade para esse sector.
Paulo Assunção já actuara pelos dragões em 2000/2001, envolvido no negócio de Argel, que assinara pelo Palmeiras após meia-época frustrante nas Antas. O jogador veio por empréstimo, só actuou na equipa B e não justificou a prática da opção de compra que os portistas detinham. Nas últimas duas época esteve na Choupana, onde se assumiu. Apesar de ter estado bem no Nacional, continuo a ser da opinião de que não acrescenta nada ao plantel portista.

O Euro´2004 tem ofuscado a actualidade clubística (e o fervor também) mas é tempo de traçar algumas das linhas que definirão o novo FC Porto. Depois de dois anos fabulosos com José Mourinho ao leme, o campeão europeu vê-se obrigado a reformular a sua equipa técnica e parte do onze que serviu de base aos sucessos dos últimos tempos. Com um estatuto a defender, o novo staff do Dragão já terá as linhas orientadoras alinhavadas mas o grosso do seu futuro começa a ser jogado na pré-época, quando Del Neri e o novo plantel iniciarem a temporada 2004/2005. Nada será como dantes...
Equipa Técnica e filosofia de jogo
O técnico italiano tem uma missão colossal pela frente. Qualquer treinador do FC Porto será comparado a José Mourinho, tanto nos resultados como nos métodos, tanto no estilo como nas opções. O ex-Chievo deve sabê-lo de antemão mas não parece preocupado, preparando-se para definir uma equipa à sua medida, com as suas ideias de futebol e convicções do que melhor servirá ao actual campeão europeu.
Conceituado em Itália, Del Neri tem o mérito de ter levado o Chievo Verona à Serie A. Posteriormente, conduziu o clube com o mais reduzido orçamento e que não possui instalações nem estádio próprio à Taça UEFA, dando ainda a conhecer nomes como Bernardo Corradi (agora na Lázio), Luciano (Inter de Milão) e Perrotta (ainda atleta do Chievo mas provável contratação do FC Porto ou da AS Roma).
O percurso do Chievo no escalão maior de uma das maiores ligas do Mundo legitima a crença nos seus méritos mas Del Neri não será o técnico mais consensual do momento, sendo que ainda terá tudo a provar. Dos seus ideais sobre o futebol sabemos que pretende adoptar um 4-4-2 distinto do de Mourinho. Se o agora treinador do Chelsea colocava nas alas do seu losango jogadores com características defensivas e que primassem pela capacidade de passe, de recuperação e de lançamento do jogo atacante; Del Neri pretende verdadeiros extremos no seu 4-4-2, pelo que não deveremos voltar a ver Maniche e Pedro Mendes na esquerda ou na direita. Também sabemos que o ex-Chievo gosta de actuar com dois avançados, de características distintas mas complementares. Um deles será, muito provavelmente, Derlei. O Ninja é o membro mais móvel do duo, com funções de procura da bola e de auxílio aos alas e ao condutor de jogo. Aparece para finalizar, juntando-se ao outro avançado, jogador de área, bom de cabeça e com instinto goleador. Del Neri também quererá um número 10, sendo que este tem de ser capaz de ajudar nas missões defensivas, até porque o meio-campo só terá um elemento com características de recuperador. Na defesa, os princípios devem ser idênticos aos de Mourinho, sendo que o esquema de 4-4-2 deve limitar as incursões ofensivas dos laterais. Pressão alta e pressing constante na hora de defender parecem ser palavras de ordem de Del Neri, tal como o foram com o agora treinador do Chelsea.
No que concerne à equipa técnica, José Mourinho levou consigo Baltemar Brito (que já trouxera de Leiria), Silvino (que já treinava os guarda-redes há algumas temporadas), Rui Faria (jovem preparador-físico contratado com Mourinho) e André Vilas Boas (olheiro da confiança do técnico). É provável que estes elementos sejam substituídos por italianos, sendo que a edição de hoje do jornal OJogo avança com o treinador de guarda-redes da Udinese como substituto de Silvino Louro.
O plantel
Na baliza não haverão alterações, com Vítor Baía a titular e com Nuno e Bruno Vale a surgirem nos lugares seguintes da hierarquia. Já a defesa, que se manteve durante o reinado de Mourinho, será alvo de mexidas, sobretudo na direita, completamente renovada. Secretário terminou contrato e Paulo Ferreira seguiu o treinador para Londres, por uma verba que rondou os 20 milhões de euros. A aposta principal recai no grego Seitaridis, jogador de 23 anos que se exibe a alto nível durante o Euro´2004. Alto, bom na marcação e no auxílio aos centrais, muito acertado posicionalmente e com óptima leitura táctica, Giourkas Seitaridis também é útil no auxílio ao ataque, sendo que os seus lançamentos laterias são autênticos cantos quando efectuados junto ao último reduto adversário. O suplente de Seitaridis será Hugo Ibarra, cujo regresso foi confirmado por Pinto da Costa. Ainda assim, estamos em condições de acreditar que o FC Porto não enjeitará a hipótese de o recolocar no mercado, apesar da idade, do preço e do estatuto de extra-comunitário do argentino. A confirmar-se o retorno, Ibarra terá nova hipótese para mostrar créditos exibidos no Boca Juniors e no Mónaco, se bem que o seu estilo ofensivo não beneficie a coesão que se exige a um lateral. Mas até pode actuar em terrenos mais avançados...
No lado oposto mantém-se Nuno Valente, titular durante o período de José Mourinho. Mário Silva estará de saída, até porque Pinto da Costa já contratou Areias e Rossato. O ex-Beira-Mar ainda é jovem e deu nas vistas nas últimas épocas, tendo passado pelas escolas do FC Porto na formação. Muito apreciado por Boloni, que fixou o seu nome após uma deslocação ao Mário Duarte, Areias não oferece, em princípio, as mesmas garantias que Nuno Valente. Já Rossato é um excelente atleta, capaz de fazer todo o corredor esquerdo. Celebrizou-se no Nacional da Madeira e foi disputado por vários clubes nos últimos tempos. Acabou por ser contratado pelos portistas, sendo uma opção para a ala-esquerda de Del Neri, até porque se dá muito bem em terrenos ofensivos. Veloz, tecnicista e muito disponível no plano físico, o brasileiro encherá as medidas do novo treinador.
No centro da defesa aparece Pepe, jovem central brasileiro que até esteve à experiência em Alvalade, na pré-época de há duas temporadas. Também vem da Madeira, onde espantou o técnico olímpico do Brasil. Sabe actuar como médio-defensivo e até dá uma perninha a ponta-de-lança. Apesar da polivalência, deve ser chamado como central, onde faz valer o bom jogo aéreo, a antecipação e a capacidade de sair com a bola jogável. Grande reforço, sem dúvida.
O FC Porto está, neste momento, com cinco centrais, sendo prevísivel que saia um deles. A aposta mais forte recai sobre Ricardo Carvalho, um dos melhores defesas da Europa. Pinto da Costa aceitaria vendê-lo pela quantia certa, que não se fará abaixo dos 20 milhões de euros. Neste cenário manter-se-iam Jorge Costa, Pedro Emanuel e Ricardo Costa.
O meio-campo também permanece uma incógnita, com Deco a estar garantido no Chelsea e com Costinha e Maniche pretendidos por clubes de topo na Europa. Perrotta é um dos nomes falados com mais insistência nos últimos tempo, sendo o próprio a alimentar essa possibilidade. Certa é a necessidade de colmatar as saídas de Deco e, muito provavelmente, de Alenitchev, que invoca razões particulares para regressar à Rússia e ao Spartak de Moscovo. É certo que se mantém Carlos Alberto mas há que recompôr o sector dos organizadores de jogo. Pedro Mendes fica no plantel, sendo que não se pode dizer o mesmo relativamente a Ricardo Fernandes, que teve uma época fraquinha e pode ser um dos dispensados. As saídas ou permanências de Maniche e Costinha determinarão as restantes movimentações da direcção no mercado. O ala Marco Ferreira não deve continuar de azul-e-branco, hipótese mais remota mas igualmente possível no tocante a César Peixoto. Sérgio Conceição terminou contrato mas é possível que permaneça no clube, sendo essa a sua vontade.
No ataque mantêm-se Maciel, Derlei e Benni McCarthy, sendo uma incógnita a situação de Jankauskas e o possível regresso de Hugo Almeida. Certo é que o FC Porto está no mercado e tem em Luís Fabiano, craque do São Paulo e do escrete, o principal alvo. Del Neri chega quarta-feira e todas estas questões começarão a ganhar forma, pelo que tudo estará resolvido poucos dias após o fim do Euro´2004.

Apesar dos jogadores da selecção terem o dever de se concentrarem em absoluto no Campeonato da Europa, na realidade os contactos com a imprensa têm servido para falar de tudo menos da equipa das quinas. Desta feita foi Deco que, na zona mista do Estádio da Luz, após o jogo com a Rússia, decidiu por fim à especulação e confirmou a sua ida para junto de José Mourinho. Segundo o luso-brasileiro, "está tudo praticamente acertado com o Chelsea, sendo que, faltam apenas os exames médicos e a assinatura do contrato".
Já Ricardo Carvalho, continua na mira do Real Madrid. Notícias hoje vindas a lume em muitos diários davam conta desse facto. Os merengues, segundo o AS, vão ter de desembolsar entre 12 e 18 milhões de euros para levarem o português para fazer dupla com Samuel. O facto de Luisão ser extra-comunitário pode ter feito com que as baterias se apontassem para o central luso. O Real junta-se assim a Barcelona e Inter na corrida pelo atleta.

Luigi Del Neri é o novo treinador do FC Porto, como já vinha sendo anunciado há algumas semanas. Gigi, como é conhecido em Itália, fez um trabalho fenomenal ao serviço do Chievo Verona. Conseguiu colocar o clube na Serie A italiana e levou-o mesmo à Taça UEFA. Pelo meio, deu a conhecer jogadores como Bernardo Corradi, Luciano e Perrotta, de quem se fala como possível contratação dos azuis e brancos. Gigi começou no Nocerina (Serie C1/B) em 1995, transitou para o Ternana (Serie B) em 1998 e chegou a Verona no ano de 2000. Pegou num clube sem estádio e sem instalações próprias e colocou-o na primeira divisão do Calcio. Insatisfeito, pôs a formação com menor orçamento no topo do campeonato, conseguindo uma histórica qualificação para a Taça UEFA. Falado para ascender à liderança da Juventus, da Roma e da própria selecção italiana, Del Neri não será o nome mais mediático para suceder a José Mourinho no banco do clube campeão europeu. O último técnico italiano a trabalhar em Portugal foi Giuseppe Materazzi, que não se deu bem por Alvalade. A ver vamos se Gigi tem melhor sorte...

Benni McCarthy regressou às Antas em Agosto de 2003. Depois de uma época sem ser opção para o Celta de Vigo, era a escolha de Mourinho para substituir Hélder Postiga. Benni chegou e quis vencer sem sequer olhar. Disse que vinha para ser campeão e que a Liga milionária estava ao alcance dos portistas. Insatisfeito, ainda expressou vontade em ser o melhor marcador da Superliga. Portugal riu...

O FC Porto é campeão europeu. O FC Porto venceu a maior prova internacional de clubes, uma prova que não é só para campeões, sendo uma competição onde só os melhores marcam presença. Até ontem, tendiamos a confundir os melhores com os mais ricos. Pura ilusão! A história da nova Liga dos Campeões pós-Bosman teve um ciclo até 26 de Maio de 2004. A partir de agora, qualquer equipa pode sonhar...
Hoje festejam-se os 17 anos de vida da vitória em Viena mas poucos passam indiferentes ao grande feito portista ontem alcançado. Com felicidade, porque não há vencedores sem sorte; com muito esforço, porque foi aí que os dragões marcaram a diferença; com classe, porque também a temos. Hoje, como sempre, o FC Porto é o melhor do Mundo aos olhos dos portistas; hoje, como nunca, os dragões e a nação portuguesa reclamam um lugar de destaque no futebol internacional. Por mais que os olhos da Europa rica e mimada se queiram desviar, o feito desta equipa e do futebol nacional é demasiado saliente para passar despercebido.
A final dos parentes pobres do futebol europeu teve ontem lugar em Gelsenkirchen. A Europa quis assobiar para o lado mas a vitória portista entrará, sem pedir licença, na casa de todos os amantes do futebol. Uma vitória que os números ajudam a disfarçar, na medida em que escondem as dificuldades sentidas pelos azuis e brancos, submetidos, durante grande parte do primeiro tempo, a um Mónaco bem organizado e, sobretudo, galvanizado.
Os do Principado jogavam com um sorriso nos lábios mas a ambição era imensa, à imagem do que acontecia no lado contrário. Contudo, um Maniche em má forma e um Costinha atónito durante a primeira meia-hora ajudaram a que os monegascos tivessem o controlo do jogo, sem criarem grandes lances de golo.
Mas em que assentava este domínio da equipa de Didier Deschamps? D.D. surpreendeu com a inclusão simultânea de Zikos, Cissé e Bernardi. Estamos a falar de três jogadores com características predominantemente defensivas, incapazes de dar a fluidez que o jogo do Mónaco habitualmente tem mas muito sólidos na ocupação dos seus espaços. E essa perfeita ocupação melindrou o esquema portista, sendo que o jogador emprestado pelo PSG encostava mais à direita, com Giuly a jogar muito próximo de Morientes.
Esta disposição monegasca obrigou o FC Porto a praticar um futebol directo, onde Derlei e Carlos Alberto eram pêra doce para Rodriguez e Givet, a dupla de centrais. Zikos e Bernardi ganhavam a batalha no centro do terreno mas Rothen quase nunca apareceu no desafio, até porque a intenção inicial era apostar num futebol também directo, explorando a força e o posicionamento de Morientes e a mobilidade de Giuly, que passava despercebido às marcações portistas, procurando espaços nas costas dos centrais. O FC Porto cedo apostou na defesa em linha, jogando no fora-de-jogo, que saía quase sempre bem ou era mal anulado pelos auxiliares de Kim Milton Nielsen.
O internacional Ludovic Giuly até dispôs de uma ocasião inicial, salva por um grande Vítor Baía. Mas do 99 falaremos mais adiante. De facto, Deschamps arriscava pouco mas ganhava a batalha do meio-campo, impedindo os portistas de praticarem o futebol que tanto apreciam. Contudo, a arma do técnico francês era mesmo o nº8, pelo que o seu esquema sofreu um duro revés com a lesão, e consequente substituição, do criativo gaulês. Dado Prso (a caminho de Glasgow) é um bom jogador mas possui outras características. Mais alto e mais vistoso, Prso é essencialmente um jogador de área, apesar de não ser nada tosco com a bola nos pés. Contudo, a sua presença facilitou a tarefa ao FC Porto e aos seus centrais, que já não tinham de seguir Giuly por toda a extensão do ataque francês. Isso também libertou os laterais (apesar de Nuno Valente se ter exibido uns furos abaixo do habitual) e o trabalho de Costinha, que era agora um terceiro central, mais disponível para o auxílio nas marcações a Morientes e Prso.
Os dragões começaram a assentar o seu jogo mas o golo surge num momento em que poucos o previam. Passavam 15 minutos desde a saída de Giuly quando Pedro Mendes intercepta um centro largo vindo da esquerda. O médio recua e solicita Paulo Ferreira, que cruza para a recepção de Carlos Alberto. O jovem brasileiro tenta solicitar Derlei nas costas de Rodriguez mas o central consegue um toque, que deixa o esférico à disposição do 19 portista. Sem pensar duas vezes, o jogador rematou por entre a dupla de centrais, surpreendendo Flavio Roma. Um golaço que lançava o FC Porto rumo ao caneco!
As opções por Carlos Alberto e Pedro Mendes dissipavam as únicas dúvidas sobre o onze portista. Apostas completamente ganhas, sendo que o brasileiro fez o primeiro golo e o número 23 foi, muito provavelmente, o melhor elemento do meio-campo azul e branco. Se a substituição, por lesão, de Giuly foi um dos momentos do jogo, os riscos assumidos por Deschamps na procura da igualdade inclinaram definitivamente o jogo para um vitória portista. A perder, o técnico francês pouco mais podia fazer mas o FC Porto aproveitou, com mestria e saber, as alterações introduzidas por D.D.
O Mónaco abdicou do 4-4-2 e apostou numa tripla de centrais, que permitia a Ibarra e Evra tornarem-se extremos. Zikos encostou a Givet e Rodriguez, Cissé juntou-se a Bernardi no meio-campo mas foi preterido à passagem do minuto 60. A entrada de Nonda teve o condão de bipolarizar o futebol monegasco, que se dividia entre muitos atacantes e alguns defesas.
Alentichev já tinha entrado e revelou-se peça fundamental na vitória portista. O russo pode não ser um primor a nível físico mas tem técnica, classe e sabedoria para dar e vender. Segurou o jogo quando era preciso, acelerou quando podia, assistiu na altura certa, marcou na confirmação. O FC Porto vencia por 3-0 e era o novo campeão europeu, o primeiro Robin Hood da nova Liga dos Campeões.
Na despedida de Mourinho, destacar um jogador parece injusto. Porque Pedro Mendes voltou a ser um senhor, porque Deco voltou a decidir sem dar nas vistas, porque Ricardo Carvalho é mesmo galáctico, porque Paulo Ferreira é sublime. Mas Vítor Baía é o maior! O jogador mais injustiçado do futebol moderno em Portugal mas não é hora de entrar em polémicas. Aos mais desatentos, quero apenas lembrar que é o atleta com maior palmarés da história do futebol português e o único a ter ganho tudo na Europa. Não serve para a selecção mas para os portistas ele é um símbolo e um enorme orgulho.
Obrigado Porto!!!

A Liga dos Campeões adoptou um novo formato para 2003/2004. Um formato que elimina a segunda fase de grupos e que começa a eliminar logo nos oitavos-de-final. Um caminho ainda longo mas que reduz o número máximo de jogos (isto para quem não tem de jogar as pré-eliminatórias) a 13 partidas, quando anteriormente eram necessárias 17. Uma mudança exigida pelo preenchimento dos calendários nacionais e internacionais, que só favorece a qualidade e a emotividade da maior competição de clubes do Mundo.
O FC Porto teve um caminho quase imaculado até Gelsenkirchen. O sonho comanda a vida mas muitos pensavam que o sonho portista quedar-se-ia pelos oitavos-de-final. Assim não aconteceu... O Quarto Árbitro relembra o trajecto dos portistas até 26 de Maio de 2004.
No dia em que se jogava a Supertaça Europeia (que os dragões perderam para o Milan, mercê de um golo madrugador de Schevchenko), o FC Porto ficou a conhecer os adversários com quem mediria forças rumo aos oitavos-de-final. As bolas foram saindo e o nome do todo poderoso Real Madrid impunha respeito. Inserido no pote 2, o FC Porto tinha como restantes adversários os franceses do Marselha e os sérvios do Partizan de Belgrado, que haviam afastado o Newcastle na 3ª pré-eliminatória.
A caminhada para o sonho Gelsenkirchen começou na capital da Sérvia-Montenegro. Um palco infernal de onde os portistas trouxeram um ponto. Soube a pouco, até porque Costinha marcou primeiro e o golo de Delibasic não convenceu os dragões, claramente mais fortes. Terá faltado ambição.
Costinha também foi o primeiro a marcar no segundo jogo, realizado no Estádio das Antas. O adversário era o Real Madrid, que venceu por 3-1, efectuando um dos melhores jogos da temporada. Helguera igualou e o habitual Solari (marca sempre ao FC Porto) virou o marcador ainda antes do intervalo. Zidane limitou-se a confirmar a vitória merengue.
Vencer em Marselha era fundamental para manter viva a esperança de passar a fase de grupos. Os franceses estavam num grande momento de forma, contando com nomes como van Buyten, Vachousek, Meriem, Mido, Marlet, Sytchev e, sobretudo, Didier Drogba. O costa-marfinense foi mesmo o primeiro a marcar mas o que se seguiu foi um recital de futebol azul e branco. Maniche igualou e Derlei virou antes do intervalo. A segunda parte teve poucos motivos de interesse, com Alenitchev a confirmar a vitória nos minutos finais. O Marselha ainda reduziu mas o triunfo estava garantido.
O encontro repetiu-se na 4ª jornada, agora nas Antas. Alenitchev marcou o único golo de um encontro que quase carimbava o passaporte para os oitavos. Partida morna que só Drogba conseguiu atribular, sobretudo com um tiro à barra, já nos minutos finais.
Novo encontro nas Antas, último para competições europeias. O Partizan foi adversário muito acessível, com um FC Porto a vencer facilmente, em ponto morto quase. Benni McCarthy bisou e os dragões confirmavam a presença na fase seguinte. Os sérvios ainda reduziram mas o encontro estava mesmo no final.
Para cumprir calendário e rodar jogadores, Real Madrid e FC Porto encontraram-se em Madrid numa noite chuvosa. Solari marcou o golo da praxe mas Derlei igualou, na conversão de uma grande penalidade a punir falta de Michel Salgado sobre Deco. Os merengues foram primeiros, os dragões terminaram em segundo.
Mourinho pediu, o sorteio fez-lhe a vontade. O Manchester United, na altura líder da Premiership, era o adversário do FC Porto nos oitavos-de-final da Champions. Um adversário quase impossível, uma óptima oportunidade de prender a atenção da Europa e do Mundo.
Grande estreia europeia do Dragão. Um jogo de gala, com o melhor Porto da temporada. Fortune até marcou primeiro mas Ferguson pouco podia fazer para acalmar o fogo dos portistas. Benni marcou dois golaços e deu vantagem aos dragões. O jogo de Old Trafford previa-se complicado mas tudo é possível no Teatro dos Sonhos.
Scholes marcara à passagem da meia-hora, Jorge Costa tinha-se lesionado, a eliminatória corria para o final e para a presença, mais do que aguardada, do Manchester United na fase seguinte. Aos 88 minutos, Jankauskas sofre falta de Phil Neville. Benni marcara de livre em Coimbra e tinha confiança para bater Tim Howard. Não o conseguiu e Costinha aproveitou para colocar os dragões nos quartos-de-final. O FC Porto calava Manchester e a Europa, ganhando o respeito que exigia desde a época passada.
Depois Mourinho queria o Mónaco (ironias do futebol!) mas ficou com outro francês, o Lyon. Os tricampeões gauleses rugiram pouco no Dragão, onde o FC Porto resolveu a eliminatória, com golos de Deco e Ricardo Carvalho.
A deslocação a Lyon poderia complicar-se com um golo madrugador dos franceses. Contudo, quem marcou primeiro foi Maniche, resolvendo a questão dos quartos-de-final. Ainda assim, os portistas viveram os 25 minutos mais complicados desta edição da Champions, com Luyindula a igualar e com os lioneses a sufocarem a defensiva azul e branca. A equipa de Mourinho ultrapassou esse período e não mais perdeu o controlo das operações. Maniche bisou no recomeço e o golo de Elber, no final do encontro, só veio amenizar o descalabro da formação de le Guen.
Seguia-se o Deportivo la Coruña, que protagonizou um milagre ao vencer o AC Milan por 4-0, após a derrota de 4-1 na primeira mão. Antes já haviam despachado o outro finalista de 2003, a Juventus. Um adversário temível portanto. Os galegos jogaram no Dragão para o empate e conseguiram-no, pelo que foram considerados favoritos para marcar presença em Gelsenkirchen.
Contudo, o futebol dos espanhóis deixou muito a desejar, com uma postura altamente defensiva. Irureta não contava com Derlei mas foi ele a carimbar a passagem para a final da Champions. A utopia concretizava-se... É hoje!

Um dos mais importantes dias do futebol português, a maior afirmação de uma equipa nacional desde que o maior espectáculo do Mundo se transformou num fenómeno económico, o maior feito (impensável, diriam muitos) desde a lei Bosman, a maior conquista desde que a Liga dos Campeões adquiriu um formato incompatível com equipas portuguesas.
A lógica do "quero, posso e compro" já não define resultados, pelo que a final da Champions de 2004 é jogada entre outsiders e olhada de lado pela Europa. Contudo, a verdade é que nada pode distorcer os feitos alcançados por FC Porto e Mónaco, por José Mourinho e Didier Deschamps.
É hoje, esperemos todos que seja hoje. Por volta das 21:45, Jorge Costa levantará o caneco mais apetecido do futebol internacional de clubes. A Liga dos Campeões será do FC Porto. O jogo tem transmissão directa na RTP1 e na SportTV mas o Quarto Árbitro arrisca os onzes iniciais. E porque os campeões nacionais não jogam sozinhos, o melhor mesmo é dar um vista de olhos ao que aqui escrevemos sobre os monegascos, numa análise detalhada.
FC Porto - Vítor Baía; Paulo Ferreira, Jorge Costa, Ricardo Carvalho e Nuno Valente; Costinha, Pedro Mendes, Maniche e Deco; Carlos Alberto e Derlei
AS Mónaco - Flavio Roma; Gael Givet-Viaros, Squillaci, Julien Rodriguez e Patrice Evra; Lucas Bernardi, Edouard Cissé, Hugo Ibarra (ou Andreas Zikos) e Jerôme Rothen; Ludovic Giuly e Fernando Morientes

Ele é o Ninja
O nosso Ninja
Em todo o campo
Sempre a lutar
Sabem que um golo
Ele vai marcar
Ele é o Ninja
O Ninja, Derlei!

Allez Porto, allez
Nós somos a tua voz
Queremos esta vitória
Conquista-a por nós!

A final da Liga dos Campeões da próxima quarta-feira vai ser dirigida pelo dinamarquês Kim Milton Nielsen, auxiliado por Jens Larsen e Jørgen Jepsen.
O árbitro da grande final nasceu em 1960 na cidade de Copenhaga e é um dos juízes mais respeitados do futebol Europeu. Com um curriculum invejável, o dinamarquês tem marcado presença em todas as grandes competições da UEFA e da FIFA nos últimos anos. Para além dos 134 jogos internacionais o árbitro esteve mais recentemente no Mundial da Coreia e Japão, bem como no Euro 2000 na Bélgica e Holanda.
Em declarações ao site da UEFA, o dinamarquês admite que " uma grande honra ser nomeado para a final da Champions League" e garante que "não vai estar nervoso". Nielsen acrescentou também que "a preparação para a final vai decorrer dentro da normalidade como habitualmente faz para qualquer outra partida".
O juíz parece ser, assim, uma pessoa bastante tranquila e habituada a momentos tão importantes como os da próxima quarta-feira. Esperemos que a arbitragem esteja à altura do seu historial...

Segundo a edição de hoje do jornal Record, o central do Marítimo já terá assinado um contrato com os azuis-e-brancos. Porém, não são mencionados grandes pormenores, apesar de se acrescentar que o jogador pode ser apresentado ainda antes da final da Liga dos Campeões.
Segundo a mesma notícia, a chegada de Pepe ao Porto não está relacionada (pelo menos para já) com uma possível saída de Ricardo Carvalho. Os campeões nacionais passam, assim, a contar com um jovem polivalente de grande qualidade. Aliás, o seu nome foi ontem mencionado no onze ideal da Superliga para o Quarto Árbitro.

O FC Porto termina 2004 com o melhor ataque e o melhor marcador da Superliga. Esse é o facto mais importante que resulta de um jogo descomplexado e alegre, próprio de equipas que há muito conhecem o que lhes reservou o campeonato que agora finda.
A festa azul e branca seguiu os trâmites legais, disse um “até sempre” a Carlos Secretário e relançou o sul-africano no caminho dos golos. Bem mesmo a calhar, numa altura em que há duas finais para vencer.
Esta pode também ter sido a última oportunidade para ver Mourinho orientar o FC Porto no seu estádio, numa altura em que tanto se discute o seu futuro. Ninguém pareceu preocupado, até porque o momento era de festa e os jogadores encarregaram-se de colocar muitas cerejas no topo do bolo.
Sem grande parte dos habituais titulares, o FC Porto fez um jogo muito alegre e mexido, muito por culpa de um Paços de Ferreira que já não tinha nada a perder e que veio ao Dragão de peito aberto. Dessa atitude resultou o golo madrugador de Renato Queiroz, que aproveitou um deslize de Mário Silva para bater Vítor Baía.
Poucos se incomodaram, até porque as questões do dia eram outras: o adeus de Secretário, a possibilidade de McCarthy se sagrar melhor marcador do campeonato e a vontade de terminar esta edição com o melhor ataque da prova.
E rapidamente Benni disse sim, com o primeiro de três golos que conduziram o FC Porto a uma vitória tranquila e que até podia ter sido mais folgada. Pelo meio, a lesão do azarado Sérgio Conceição (a ver vamos se é grave, até porque a coisa de que Sérgio mais precisa é uma pré-época a 100%), um golo mal invalidado a cada uma das partes e a emocionada despedida de Carlos Secretário, um atleta da casa e da selecção nacional que sempre se dedicou ao futebol de forma profissional. E porque quem dá o que tem a mais não é obrigado, o futebol português deixa a sua homenagem a este jogador e deseja-lhe as melhores felicidades para o futuro. Obrigado Secretário!
Enquanto isso, Benni colocou o campeão na liderança e matou o encontro com um fabuloso pontapé de bicicleta. Temos candidato a golo do ano, sem dúvida. Apesar das críticas e das fases por que passou durante este regresso ao FC Porto, a verdade é que McCarthy não pode ser beliscado, uma vez que terminou a Superliga no topo dos goleadores e é o melhor concretizador dos portistas na liga milionária. Pelo que com críticas pode ele bem. Até porque todos se riram quando o sul-africano chegou com discursos de “vamos ser campeões, podemos ganhar a Champions e quero ser o melhor marcador em Portugal”. Pois riam-se agora, riam-se…
No meio de tudo isto, o internacional português Bruno Vale sagrou-se campeão nacional, abrilhantando o feito com um par de boas defesas. Mas de que ele é um bom guarda-redes ninguém duvida.
Para o ano há mais! Sei que soa a conversa de benfiquista mas é mesmo assim. Relativamente ao Paços, esperamos que se recomponha desta descida, até porque vinha fazendo coisas bonitas no escalão maior do nosso futebol. Pelo que se deseja um rápido regresso e que José Mota continue o bom trabalho que tem feito com os castores.

Chega mais tarde um bocadinho mas ninguém se importará que o desejo de Mourinho se cumpra desde que o FC Porto saia de Gelsenkirchen com o título. O Mónaco (que era o preferido do técnico portista para os quartos-de-final) tem muitas parecenças com a formação portuguesa. É um outsider, passou toda a época a correr por fora mas surge agora bem vivo aos olhos da Europa e do Mundo. Altamente ofensivo, o conjunto do mítico Didier Deschamps pratica um futebol descomplexado, aberto, centrado na baliza do adversário. Conclusão: sofre muitos golos… mas marca que se farta!
A equipa do principado actua num dos mais bonitos estádios mundiais, o Louis II. O palco da Supertaça Europeia tem capacidade para 18 500 lugares e serve de casa ao segundo classificado na Liga Francesa. À imagem do que aconteceu na temporada passada, o Mónaco continua a morder os calcanhares ao Lyon (já eliminado pelo FC Porto nesta Liga dos Campeões). Quando há 4 jornadas para disputar, os monegascos estão a 2 pontos do líder, também perseguido pelo PSG de Pauleta e Hugo Leal.
Bem sabemos que os dragões não ligam muito a este tipo de curiosidade (até preferem que estas lhes sejam adversas) mas as equipas francesas têm dado sorte ao FC Porto. Se Marselha e Lyon já caíram aos pés dos portugueses esta temporada, convém não esquecermos o Lens de 2002/2003 (abalroado na caminhada para Sevilha) e o Nantes de 2000/2001 (ultrapassado nos oitavos-de-final – a equipa então treinada por Fernando Santos perderia na ronda seguinte com o futuro vencedor Liverpool). Esperemos que a tradição se mantenha.
O Mónaco que agora vemos na final da Champions até esteve para descer de divisão, por alegadas irregularidades. A situação resolveu-se a bem, pelo que Deschamps está agora no topo do futebol mundial. Um lugar que ele tão bem conhece – mas já lá vamos. O novo técnico ainda só ganhou uma Taça da Liga para os monegascos. Aconteceu em 2003, três anos depois do último campeoanto conquistado pela formação do principado. Em 2000, ainda Costinha pontificava no onze dos franceses que venceu o Championat. Um onze que já não contava com os novos craques que em 1998 (na ressaca do título nacional da época transacta) chegaram à meia-final da Liga dos Campeões, cedendo ante a Juventus de… Didier Deschamps. Os futuros campeões do Mundo e da Europa Thierry Henry e David Trezeguet davam os primeiros passos na alta roda do futebol e quase faziam história na maior prova internacional de clubes.
Não chegaram à final mas formaram jogadores para as melhores equipas do velho continente. Aliás, só por uma vez os monegascos atingiram uma final europeia. Aconteceu em 1992, ainda Rui Barros defendia as cores do principado. Os franceses defrontaram o Werder Bremem no Estádio da Luz mas perderam por 2-0, hipotecando o sonho de uma vitória europeia que agora pode concretizar-se. No palmarés, o Mónaco conta 7 títulos nacionais, acompanhados de 5 Taças de França, 2 Troféus dos Campeões (a supertaça lá do sítio) e 1 Taça da Liga (ganha em 2003 com Deschamps no comando).
Um estilo de jogo altamente ofensivo caracteriza este Mónaco. Prova disso são os 27 golos marcados nesta edição da Liga dos Campeões – o que lhes dá o primeiro e segundo lugar na lista de goleadores da prova, com Morientes e Prso a ocuparem, respectivamente, essas posições. Em contrapartida, porque não há bela sem senão, a formação francesa tem concede muitos golos. Vicissitudes de um esquema virado para o ataque e muito permeável às ofensivas adversárias, sobretudo se estas explorarem as laterais.
Deschamps tem várias tácticas montadas e que põe em jogo com relativa facilidade. Ainda assim, o técnico opta quase sempre pelo 4-4-2, que pode assumir várias variantes. A mais defensiva esteve ontem em Stamford Bridge e coloca um dos três bons centrais à direita, fazendo subir o lateral até ao meio-campo, onde é um misto de médio-ala e de segundo defesa-direito. Isto implica que Giuly adopte um outro posicionamento, bem próximo do ponta-de-lança. O pequeno francês tem liberdade de circulação mas encosta sobretudo à direita e ao centro, aparecendo em zonas de finalização e nas recargas às solicitações do avançado, que é Morientes. Na esquerda actua geralmente Rothen, um Deco de pé esquerdo, que também deve auxiliar o internacional sub-21 Patrice Evra. Muito ofensivo, este jogador faz da rapidez uma arma mas o FC Porto pode explorar a sua disponibilidade atacante. À frente dos centrais actuam dois médios de características mais defensivas, que também sabem (e têm de) lançar o ataque.
Este esquema privilegia o ataque pelas alas e que pode chegar a envolver 8 homens. No aspecto defensivo, é possível vermos o lateral encostar aos centrais, ficando o médio direito (ontem foi Ibarra) na cobertura do flanqueador adversário. Extremamente velozes e letais, os contra-ataques do Mónaco passam pela mobilidade e velocidade de Giuly, pela capacidade de passe e penetração de Rothen, pela disponibilidade de Ibarra e Evra nas alas e pelo instinto goleador de Morientes.
Esta opção mais cuidada (que deve ser utilizada no jogo da final) pode dar lugar a um 4-4-2 mais arrojado, com Prso e Morientes na frente e Giuly e Rothen nas alas. A defesa pode manter-se ao fazer sair o central que ocupa o lado direito, avançando Ibarra, bem mais ofensivo. Em frente aos centrais, também há opções e opções. Edouard Cissé, Bernardi e Zikos são elementos quase exclusivamente defensivos, enquanto Plasil dá outra fluidez ao ataque monegasco, envolvendo-se com frequência no ataque e fazendo uso do poder de remate.
Menos prováveis mas igualmente exequíveis (sobretudo com o decorrer do encontro) são as opções pelo 4-3-3, 3-5-2 ou 5-3-2. O Mónaco sabe jogar com 3 centrais e tem óptimos flanqueadores, pelo que estas possibilidades estão sempre à disposição de Deschamps, que ainda tem 4 óptimos homens de área.
Centrando-me agora na análise individual, o guarda-redes dos monegascos é Flavio Roma, italiano de 29 anos que está na equipa desde 2001, proveniente do Piacenza. Trata-se de um atleta alto, muito bom entre os postes mas com alguns cálculos deficientes relativamente aos timings de saída ao encontro da bola. Tem sido muito importante nesta caminhada, pelo que a sua titularidade nem sequer se questiona.
O concorrente é Tony Sylva, o simpático guardião senegalês que se mostrou no Mundial de 2002. Aos 28 anos, Sylva cumpre a 10ª época de contrato com o Mónaco, apesar de já ter estado emprestado a alguns clubes franceses.
Na defesa, menções aos 3 centrais, sendo que Givet até sabe actuar à direita, como ainda ontem sucedeu. Começando por este jovem internacional esperança francês de 21 anos, Gael Givet-Viaros cumpre a 4ª temporada ao serviço dos franceses. A sua versatilidade faz dele um jogador muito útil, adaptando-se com facilidade às posições de defesa-direito e de defesa-central. O seu percurso tem alguns paralelismos com o do portista Ricardo Costa, igualmente formado como central mas regularmente chamado para tapar buracos nas laterais, sobretudo a esquerda.
Givet é central na ausência de Squillaci ou Rodriguez. O primeiro é francês (apesar de ter o nome do craque italiano que brilhou no Mundial de 1990) e tem 23 anos. Estreou-se em 1997/98 no Toulon, mas logo se mudou para o principado. Como não foi opção nas primeiras duas temporadas, foi rodar para o Ajaccio, onde foi titularíssimo e onde ajudou à formação da equipa que subiu à Ligue 1. Na Córsega cresceu como jogador, não se estranhou o regresso ao Mónaco, onde cedo assumiu a titularidade e a liderança do centro da defesa, posição que ficou enfraquecida pela partida do internacional mexicano Rafael Márquez para Barcelona. Contudo, Julien Rodriguez nem tem permitido que se sintam saudades do mexicano, formando dupla com Squillaci. O francês cumpre a 7ª temporada ao serviço dos vermelhos e brancos, após ter actuado pelo Istres.
Estamos, portanto, a falar de uma dupla de centrais jovem, que faz do jogo aéreo e da velocidade a principal arma. É capaz de faltar alguma maturidade e voz de comando a estes homens mas não deve ser por aqui que o FC Porto pode fazer a diferença. Mais: é preciso ter cuidado na marcação de livres e cantos. Squillaci é um jogador que faz muitos golos neste tipo de lances.
Givet pode ser lateral-direito mas essa posição pertence a Hugo Ibarra, atleta que não singrou no FC Porto mas que ainda mantém vínculo contratual com o clube português. Aos 30 anos, Ibarra tem a grande hipótese de brilhar na Europa, ele que até foi para o principado contrariado, uma vez que tencionava permanecer no Boca Juniors e vencer a Taça Intercontinental. Há males que vêm por bem. Lateral baixo, Ibarra é o típico jogador sul-americano: rápido, bom tecnicamente, com facilidade em se incorporar em acções ofensivas, bom cruzamento e bom remate. É óbvio que o FC Porto pode aproveitar as suas fragilidades enquanto defesa e a sua ausência do desafio em alguns períodos. Ontem marcou o 2-1 mas tinha andado fora da partida até então.
Do outro lado está o espectacular Patrice Evra. Aos 22 anos, este lateral ofensivo nascido no Senegal e formado nas escolas do PSG cumpre a 2ª época no Mónaco, depois de passagens pelos italianos Marsala e Monza e pelo Nice. Baixo mas muito rápido, Evra tem características muito semelhantes a Malouda, do Lyon. A sua capacidade defensiva pode ser explorada mas há que ter em conta as suas incursões atacantes. Se tivermos em consideração que quem faz o flanco esquerdo é Rothen, não é difícil concluir que Paulo Ferreira terá um trabalho dos diabos. Parece-me certo que Pedro Mendes voltará a ser titular na Alemanha, fazendo a interior direita.
Para esta posição o português Marco Ramos também é opção, embora raramente seja utilizado. Fez todo o percurso no Mónaco e, aos 21 anos, tenta impor-se no conjunto de Deschamps. Não é fácil…
Bem menos utilizados são o defesa-direito Oshadogan, italiano ex-Cozenza de 27 anos que cumpre a 1ª época no Mónaco, e o versátil lateral noruguês nascido em Marrocos Hassan El Fakiri, ex-Rosenborg e Lyn.
Para o centro do terreno há 4 opções. O argentino Lucas Bernardi é uma delas. Quase sempre titular, este aguerrido médio-defensivo de 26 anos é um operário do centro de terreno. Recupera muitas bolas e até se envolve relativamente bem no ataque. Com o 7 nas costas, Bernardi não é nenhum portento de técnica mas vale mesmo pelo estilo manga arregaçada que assume em campo. Está há 3 anos no principado mas até entrou em França para jogar no Marselha, vindo do Newell´s Old Boys.
Ao seu lado costuma ter Andreas Zikos, grego de 29 anos que só não actuou ontem por ter sido expulso no encontro da primeira-mão. Chegou a França em 2002, vindo do AEK, mas fez o seu início de carreira no Xanthi. Internacional, será um dos escolhidos para o Euro 2004, onde defrontará Portugal. Um jogador muito semelhante a Bernardi mas com maior vocação ofensiva.
A ausência de Zikos deu a titularidade a Edouard Cissé no jogo de ontem. O jogador está emprestado pelo PSG e tem sido muito útil a Deschamps. É a opção com mais centímetros e assume-se como o Vieira do Mónaco, pela sua disponibilidade na condução de jogo e na aparição em zonas de concretização.
Aos 22 anos, o checo Jaroslav Plasil é o homem mais ofensivo que Deschamps pode escalonar para o meio-campo. Está no clube desde 2001 mas passou a última época emprestado ao Créteil. Fez-lhe bem! É um atleta muito cumpridor e muito evoluído tecnicamente, que sabe aparecer à direita e à esquerda, tanto para solicitar os companheiros como para concluir lances ofensivos. Tem bom remate de fora.
Estou em crer que este é o sector onde o FC Porto pode fazer a diferença. Sabendo que o miolo portista é muito forte, não sei até que ponto o esquema de Deschamps resistirá a Deco, Maniche e companhia. Se José Mourinho conseguir colocar esta zona do terreno em sentido, os portistas terão caminho aberto para o golo. Exige-se um Deco inspirado e a capacidade de Maniche e Pedro Mendes se incorporarem em acções ofensivas.
O perigoso do Mónaco começa a aparecer do meio-campo para a frente. E começa precisamente com Rothen. O francês de 26 anos é um verdadeiro prodígio, com óptimo pé esquerdo. Faz da velocidade uma arma e tem extrema facilidade em assistir os companheiros. Fá-lo a partir do nada, no momento mais inesperado, e com rápidas incursões pela ala esquerda. Tem facilidade em ganhar a linha e contribui para que Morientes seja uma ameaça ainda maior. Além de tudo isso, é o marcador dos lances de bola parada. Um jogador fabuloso que ainda consegue encostar aos médios nas acções defensivas. Ou seja, não se prende à lateral e pode aparecer em qualquer zona do terreno. Um verdadeiro perigo que exige um Paulo Ferreira ao melhor nível e um Pedro Mendes do costume.
Ludovic Giuly é extremo direito mas pode jogar como segundo avançado. O baixinho capitão é altamente veloz, possui uma técnica soberba e é mais do que suficiente para pôr Nuno Valente em sentido. Mas cuidado, Giuly também sabe aparecer em zonas de finalização. Formado em Lyon, o número 8 está no principado desde 1997 e tem presença assegurada no Euro 2004. Um prodígio por onde passa grande parte do futebol do Mónaco.
Na frente de ataque mora o melhor marcador da Liga dos Campeões. Morientes, que não serve para o Real Madrid, tem feito uma época sensacional, pelo que será um dos alvos mais apetecíveis da próxima temporada. Jogador de área, Fernando estará no Euro 2004. Impressionante a capacidade de finalização do avançado, que parece estar sempre no sítio certo. Joga extremamente bem de cabeça (o lance do golo de Ibarra surge de uma cabeceamento impossível do espanhol) mas tem um pé direito igualmente letal. Volta a um jogo que conhece bem, pois já ganhou 3 Ligas dos Campeões ao serviço dos merengues. Aos 28 anos, o jogador nascido em Cáceres e lançado pelo Albacete é uma das estrelas de 2004.
O número 10 pode actuar com Giuly ou com Dado Prso, companheiro de ataque de Sokota na selecção croata. O alto avançado de 28 anos tem um excelente jogo de cabeça mas também concretiza muito bem com ambos os pés, apesar de preferir o esquerdo. Pode não actuar de início na final mas será, com toda a certeza, uma opção pronta para o jogo de área. Exímio goleador, Prso é o segundo da lista da Champions, com 7 tentos já concretizados.
Outra alternativa é Shabani Nonda, avançado congolês de 27 anos melhor marcador da Liga francesa de 2002/2003. Uma óptima opção que só pode lamentar os 8 meses de lesão que enfrentou e que lhe tiraram quase toda a temporada. Marcou o terceiro golo contra o Chelsea (no primeiro jogo) mas entrou e um potente jogador, com muita velocidade, poder de choque na área e óptimo remate.
A última opção para a frente de ataque é Adebayor, jovem togolês de 20 anos que explodiu no Metz a temporada passada. Um atleta com grande margem de progressão mas que não deve ser primeira opção para o jogo da final.
Didier Deschamps é o técnico. Aos 35 anos, começa da melhor forma a carreira de treinador, sendo intensamente falado para os cargos que Marcelo Lippi e Claudio Ranieri vão deixar vagos. Falamos de clubes onde Deschamps foi feliz, tendo mesmo ganho uma Champions pelos italianos. Nascido em Bayonne, Didi também fazia parte do Marselha que conquistou a polémica Liga dos Campeões de 1993, sendo ainda o último jogador a levantar a taça de Campeão da Europa, pela França. Antes, já havia feito história em 1998, ano em que levou a selecção anfitriã ao título mundial.
Um técnico da nova geração, tal como José Mourinho. A ver vamos quem leva a melhor!

José Mourinho tem propostas irrecusáveis e quer aceitá-las. Volta a dizê-lo, ainda que não usando estas palavras, na edição de hoje do jornal O Jogo. Todos sabemos que Mourinho é um técnico ambicioso, sendo que toda a sua ambição é justificada, ou não fosse ele o melhor treinador da Europa (diz a votação da UEFA, dizem os resultados).
Ainda não falou com Pinto da Costa mas as propostas já foram entregues à SAD por Jorge Mendes. Com o presidente falará mais tarde, “porque não é o momento”. Contudo, estou em crer que todo este discurso tem um destinatário, que é precisamente Pinto da Costa. Um discurso que vem na altura errada (veja-se o exemplo de Ranieri), que até pode influenciar o grupo de trabalho, mas que já vem com intenções de domar os apelos que vão surgir por parte da direcção portista.
José Mourinho tem óptimas oportunidades para sair mas tem perdido óptimas oportunidades para estar calado. Num clube protegido e comandado a partir de quatro paredes, seria aconselhável que também este episódio se resolvesse longe da opinião pública. É assim que as coisas têm funcionado e Mourinho não tem motivos para mandar recados pela comunicação social.
Face a esta situação, Pinto da Costa continua a ter a faca e o queijo na mão. Tem dito, nas poucas vezes que toca no assunto, que Mourinho continua e com Abramovich diz não se preocupar. “O dinheiro é importante para comprar o que está à venda”. O presidente quererá manter o treinador mas não sei até que ponto se pode opor à determinação do “mister”. “Mister” que sempre disse não sair do clube em litígio. Ou seja, alguém tem que ceder.
Ou Pinto da Costa cede às pretensões de Mourinho ou Mourinho cede à vontade da SAD e dos portistas e cumpre o contrato que assinou e as promessas que proferiu. Parece simples de resolver, sobretudo se falarmos de pessoas amigas e civilizadas. Como tal, não se percebe os recados “by media” atirados pelo técnico, que ora diz mais do que o que deve, ora se escusa a comentar com um “estou farto dessas histórias”. Numa altura em que há dois troféus em jogo, este tipo de discussões não vêm nada a calhar. Não ponho em causa o profissionalismo de José Mourinho mas estamos a considerar aspectos que mexem com as pessoas, isso é indiscutível.
Pelo que posso depreender, igualmente, do discurso do treinador portista, há imensa vontade em que alguns jogadores partam consigo rumo à aventura inglesa ou italiana, com preferência para a primeira (e talvez haja aqui mais de Liverpool do que de Chelsea). Diz Mourinho que “no futebol actual há um preço para tudo” e que “não se deve dizer este jogador eu não venderei nunca”, como que respondendo aos insistentes comentários que Pinto da Costa tem feito ao alegado assédio a jogadores portistas.
Ora, isto é que o presidente não pode permitir. As responsabilidades dos dragões não são consonantes com um começar de novo, inerente à partida de elementos fulcrais como o tre