janeiro 09, 2004

O militarismo e a praxe

Muitos dos que se erguem contra a praxe, defendem a sua opção invocando que é a praxe é organização militarista.
Muito bem... O exército também o é e não existe nenhuma organização anti-exército.

O argumento mais utilizado pelos anti-praxe e que mais me irrita é sem dúvida o militarismo da praxe.
É verdade, e não o posso negar, que a praxe tem uma vertente militarista muito acentuada, uma vez que se organiza hierarquicamente de cima para baixo, devendo os mais novos respeitar os mais velhos. Sublinho respeitar, não obedecer, já que existe uma diferença substancial entre os dois termos. Respeitar é acatar conscientemente a vontade dos mais velhos, contrariamente, obedecer é acatar cegamente todo o que lhe é dito.
Ninguém é obrigado a fazer o que não quer, muito menos se uma "ordem" for contra os princípios que defende. Não somos conformistas com as ordens que nos impõem, e obedecemos cegamente, apenas respeitamos quem as dá.
É verdade também que andamos pelas ruas em grupo, entuando cânticos militaristas.
É ainda verdade que nos orientamos pela figura do Dux Facultis, e a um nível superior, pela figura do Dux Veteranorum.
Tudo isto é verdade, mas outras organizações se estruturam nos mesmos moldes e ninguém as critica tão avidamente...
O exército também é uma organização militarista e, pelo menos que eu saiba, não existe ainda nenhuma organização anti-exército.
Algumas pessoas ainda encontram benefícios nele...
Na realidade, o exército também têm uma hierarquia muito demarcada, em que os mais novos respeitam os mais velhos, existindo também uma figura superior pelo qual todos os restantes se orientam e à qual devem respeito.
As empresas, os clubes desportivos, os partidos políticos, até a própria democracia se estruturam assim, se assim não fosse viveríamos numa total anarquia.

Posted by raquel_lima at janeiro 9, 2004 04:48 PM
Comments

A designação "organização militar" não é exacta. O exercíto é apenas mais um exemplo de um tipo de organização hierarquica e fortemente estruturada. Um outro exemplo são as fábricas de produção em linha.

A praxe, mais do que uma organização, é um expressão cultural.

Posted by: eu at janeiro 9, 2004 06:50 PM

Para "eu"

Achei que foste muito feliz no termo que utilizaste para definir a praxe. Mais do que qualquer outra coisa ela é uma expressão cultural, define uma cultura, expressa um tradição...
Contudo nada na vida é tão linear quanto a tua definição. Ortega Gasset diz-nos que "eu sou eu e as minhas circunstâncias" pelo que podem surgir vários definições para praxe e não podemos afirmar que elas estejam erradas porque são o reflexo das circunstâncias de quem a definiu.
Essa situação acentua-se quando se constanta que a praxe é transmitida através do código oral, de pessoa para pessoa, de geração para geração... a pessoa e as suas circunstâncias, a geração e as suas circunstâncias.
A linearidade esgota-se quando nos deparamos com esta subjectividade, sobretudo, como se vulgarizou afirmar, a praxe não se explica, vive-se...

Posted by: Raquel Lima at março 18, 2004 01:20 PM