janeiro 28, 2004

A Queima das fitas aos olhos de um Dux

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Devido à recente polémica em torno da realização ou não da queima das fitas, o Dux Veteranorum de Coimbra reflecte sobre o que ela foi e o que,dado ao seu historial, ela realmente é...

O que a Queima das Fitas é começou em 1899, com a realização do "Centenário da Sebenta” onde se pretendeu fazer uma réplica dos centenários comemorados entre 1880 e 1898, no intuito de homenagearem diversas figuras e factos. O ponto comum destes centenários era serem apresentados públicamente na forma de um cortejo, com fogo de artifício, sarau e touradas. No entanto, estas formas de homenagem não eram as mais próprias, uma vez que o verdadeiro significado das efemérides era deturpado.

Surgiu assim a ideia da realização de um centenário humorístico, ridicularizando os feitos até então, tomando por base a sebenta, uma compilação dos apontamentos do professor. O Centenário da Sebenta passou a ter assim um âmbito critico de carácter geral e, ao mesmo tempo, particular, já que se protestava contra a exploração dos sebenteiros. Esta estrutura da festa confinou‑se assim a cortejos alegóricos e a um sarau. Nos anos seguintes, o 4º ano jurídico organizou eventos do mesmo género e introduziu um aspecto inovador: o queimar das fitas que se usavam nas pastas (actualmente designado por “grelo”) e que indicavam a condição de pré‑finalistas. Esta fita é uma consequência das pastas dos meados do século XIX que tinham para prender as duas partes que a compõem, três laços de fita estreita da cor da Faculdade do utente, um de cada lado, ao meio das bordas da pasta. O queimar das fitas acabou por se transformar num acto simbólico cujo significado assenta no atingir um objectivo próximo: o término do curso.

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Em 1905, em consequência de uma reforma dos cursos universitários que mantinha os graus de Licenciado e Doutor e abolia o grau de Bacharel, realizou‑se o "Enterro do Grau”, festejos que seguiram uma estrutura idêntica aos anteriores. O “Enterro do Grau" foi mais uma manifestação que conjugada com as anteriores permitiu surgir o que viria a ser mais tarde a Queima das Fitas, pois pela primeira vez, verificou-se a participação activa da população de Coimbra, verificando‑se que a Queima das Fitas era já uma festa de comunhão com a população da cidade, numa iniciativa que pertencia pertencia aos estudantes, nomeadamente aos quartanistas grelados.

Em 1913 um acontecimento marcou o evoluir das festividades académicas, quando no dia 27 de Maio, devido a um incidente motivado pela Academia, um tenente da guarda ficou sem o boné. Usando da irreverência académica, os estudantes gritavam constantemente: "olha o boné”. Devido à repercussão que este facto teve na altura, este dia foi durante muitos anos o dia principal dos festejos. Até 1919, condicionados pelas condições políticas, económicas e sociais da época, a Queima das Fitas sofreu alguns interregnos, mas foi neste ano, 1919, que as comemorações académicas adquiriram a estrutura que mantêm actualmente. Pela primeira vez os quintanistas de todas as faculdades celebraram em pleno a festa da Queima das Fitas.

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A partir deste ano surgiam elementos novos que enriqueceram a festa e que ainda hoje existem: a Garraiada, em 1929/30; a Venda da Pasta, actividade benemérita cuja receita revertia a favor do Asilo da Infância Desvalida (hoje Casa de Infância Doutor Elysio de Moura), em 1932; o Baile de Gala das Faculdades em 1933.

Com este figurino e até 1969, a Queima das Fitas rapidamente ultrapassou as fronteiras de Coimbra, atingindo níveis de reconhecimento nunca antes atingidos por qualquer outra festa do género.

Em 1969 e consequência das crises estudantis, foi decretado o luto académico que culminou com a não realização da Queima das Fitas desse ano.

Em 1972, alguns quartanistas, indo contra o luto académico, tentaram e realizaram alguns eventos mas todos debaixo de telha. Houve cartaz e selo, mas não houve cortejo.

Com o 25 de Abril de 1974, os conflitos, aparentemente, perderam a razão de existir. No entanto, a radicalização de posições deram origem a outros conflitos, continuando os estudantes privados da sua festa académica que parecia não se voltar a realizar.

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Felizmente tal não se verificou e, após onze anos, a “QUEIMA DAS FITAS", voltou a realizar‑se em 1980, um ano depois da realização da Semana Académica, uma iniciativa da Direcção Geral da A.A.C., que funcionou como uma sondagem à academia e à população da cidade. A adesão e entusiasmo verificados comprovaram que todos desejavam o retorno da Queima das Fitas, uma manifestação de alegria estudantil que sempre foi realizada por Quartanistas Grelados e para os estudantes, faz parte integrante das tradições de uma academia que foi ímpar e que, penso eu, todos os que por cá passaram e cá estão querem que continue a sê‑lo.

Posted by raquel_lima at janeiro 28, 2004 01:34 PM
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