
Devido à recente polémica em torno da realização ou não da queima das fitas, o Dux Veteranorum de Coimbra reflecte sobre o que ela foi e o que,dado ao seu historial, ela realmente é...
O que a Queima das Fitas é começou em 1899, com a realização do "Centenário da Sebenta” onde se pretendeu fazer uma réplica dos centenários comemorados entre 1880 e 1898, no intuito de homenagearem diversas figuras e factos. O ponto comum destes centenários era serem apresentados públicamente na forma de um cortejo, com fogo de artifício, sarau e touradas. No entanto, estas formas de homenagem não eram as mais próprias, uma vez que o verdadeiro significado das efemérides era deturpado.
Surgiu assim a ideia da realização de um centenário humorístico, ridicularizando os feitos até então, tomando por base a sebenta, uma compilação dos apontamentos do professor. O Centenário da Sebenta passou a ter assim um âmbito critico de carácter geral e, ao mesmo tempo, particular, já que se protestava contra a exploração dos sebenteiros. Esta estrutura da festa confinou‑se assim a cortejos alegóricos e a um sarau. Nos anos seguintes, o 4º ano jurídico organizou eventos do mesmo género e introduziu um aspecto inovador: o queimar das fitas que se usavam nas pastas (actualmente designado por “grelo”) e que indicavam a condição de pré‑finalistas. Esta fita é uma consequência das pastas dos meados do século XIX que tinham para prender as duas partes que a compõem, três laços de fita estreita da cor da Faculdade do utente, um de cada lado, ao meio das bordas da pasta. O queimar das fitas acabou por se transformar num acto simbólico cujo significado assenta no atingir um objectivo próximo: o término do curso.

Em 1905, em consequência de uma reforma dos cursos universitários que mantinha os graus de Licenciado e Doutor e abolia o grau de Bacharel, realizou‑se o "Enterro do Grau”, festejos que seguiram uma estrutura idêntica aos anteriores. O “Enterro do Grau" foi mais uma manifestação que conjugada com as anteriores permitiu surgir o que viria a ser mais tarde a Queima das Fitas, pois pela primeira vez, verificou-se a participação activa da população de Coimbra, verificando‑se que a Queima das Fitas era já uma festa de comunhão com a população da cidade, numa iniciativa que pertencia pertencia aos estudantes, nomeadamente aos quartanistas grelados.
Em 1913 um acontecimento marcou o evoluir das festividades académicas, quando no dia 27 de Maio, devido a um incidente motivado pela Academia, um tenente da guarda ficou sem o boné. Usando da irreverência académica, os estudantes gritavam constantemente: "olha o boné”. Devido à repercussão que este facto teve na altura, este dia foi durante muitos anos o dia principal dos festejos. Até 1919, condicionados pelas condições políticas, económicas e sociais da época, a Queima das Fitas sofreu alguns interregnos, mas foi neste ano, 1919, que as comemorações académicas adquiriram a estrutura que mantêm actualmente. Pela primeira vez os quintanistas de todas as faculdades celebraram em pleno a festa da Queima das Fitas.

A partir deste ano surgiam elementos novos que enriqueceram a festa e que ainda hoje existem: a Garraiada, em 1929/30; a Venda da Pasta, actividade benemérita cuja receita revertia a favor do Asilo da Infância Desvalida (hoje Casa de Infância Doutor Elysio de Moura), em 1932; o Baile de Gala das Faculdades em 1933.
Com este figurino e até 1969, a Queima das Fitas rapidamente ultrapassou as fronteiras de Coimbra, atingindo níveis de reconhecimento nunca antes atingidos por qualquer outra festa do género.
Em 1969 e consequência das crises estudantis, foi decretado o luto académico que culminou com a não realização da Queima das Fitas desse ano.
Em 1972, alguns quartanistas, indo contra o luto académico, tentaram e realizaram alguns eventos mas todos debaixo de telha. Houve cartaz e selo, mas não houve cortejo.
Com o 25 de Abril de 1974, os conflitos, aparentemente, perderam a razão de existir. No entanto, a radicalização de posições deram origem a outros conflitos, continuando os estudantes privados da sua festa académica que parecia não se voltar a realizar.

Felizmente tal não se verificou e, após onze anos, a “QUEIMA DAS FITAS", voltou a realizar‑se em 1980, um ano depois da realização da Semana Académica, uma iniciativa da Direcção Geral da A.A.C., que funcionou como uma sondagem à academia e à população da cidade. A adesão e entusiasmo verificados comprovaram que todos desejavam o retorno da Queima das Fitas, uma manifestação de alegria estudantil que sempre foi realizada por Quartanistas Grelados e para os estudantes, faz parte integrante das tradições de uma academia que foi ímpar e que, penso eu, todos os que por cá passaram e cá estão querem que continue a sê‑lo.
Depois do sucesso das edições anteriores, realizadas em 1998, 2000 e 2002, eis que surge o Padrecos 2004.
A 4ª edição deste festival de tunas vai-se realizar nos próximos dias 5, 6 e 7 de Março na cidade invicta.
O anfitrião do festival será a tuna da Universidade Católica Portuguesa.
Fonte: portugaltunas.com
Tunas animam o intervalo do jogo Sporting x Académica
O jogo de futebol realizado este sabado, que opôs Sporting e Académica de Coimbra, contou com a presença de várias tunas.
Os adeptos que se deslocarem ao Estádio José Alvalade para assistirem ao jogo, contaram com muita animação antes e no intervalo da partida.
Sendo o jogo com a equipa dos estudantes, nada melhor do que a presença de cinco Tunas Académicas para actuarem perante os adeptos de ambas as equipas, a Estudantina Universitária de Lisboa, a Tuna Universitária do Inst. Superior Técnico, a Tuna Camoniana, a Tuna Médica de Lisboa e a Tuna Feminina da Universidade de Coimbra.
Para além de actuarem, os elementos das Tunas participaram num animado torneio de matraquilhos humanos.
A esmagadora maioria dos quase seis mil estudantes da Universidade de Coimbra votaram a favor da concretização da Queima das Fitas.
Segundo Vítor Hugo Salgado, presidente da Associação Académica (AAC),no referendo realizado quarta e quinta-feira, 4452 estudantes votaram a favor da realização da Queima das Fitas 2004, 1129 estudantes votaram pela suspensão da iniciativa, 47 votaram em branco e 33 foram nulos, restando contabilizar 154 envelopes relativos aos alunos cujo nome, no acto de votação, não consta dos cadernos eleitorais, sendo objecto de verificação posterior.
A vitória do "sim" à Queima das Fitas vai obrigar a uma segunda volta, na próxima semana, para que os estudantes se pronunciem pela realização total ou parcial da iniciativa.
Recorde-se que o referendo decorreu nos dias 14 e 15 de Janeiro, tendo os cerca de 22 000 estudantes da Universidade de Coimbra sido chamados às urnas para decidir sobre o cancelamento, ou não, da Queima das Fitas 2004, como forma de protesto contra a política governamental para o Ensino Superior.
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Queima das Fitas de Coimbra pode não se realizar
O amigo Vítor!
"Sim" à Queima das Fitas
Referendo em Coimbra
Um caloiro deve...

Não pensar, porque o pensamento é uma capacidade que não domina.

Conhecer em profundidade o código de praxe .

Não recusar boleia a superiores.

Permanecer em 99.9% dos casos de boca fechada .
O praxista é...

fonte:www.urbi.ubi.pt
"Praxes académicas - Rituais iniciáticos ou tradiçõe inocentes?" por Ricardo Jorge Costa
"O ressurgimento das tradições académicas na universidade portuguesa é um fenómeno que parece ter vindo para ficar. Depois de um período em que falar de capa e batina, praxe ou o cortejo, era sinónimo de "passadismo" e de "antigo regime", hoje, quem não é pela praxe é visto como um "careta" e não sabe entrar no "espírito universitário". A questão está longe de ser pacífica, já que, ao contrário de outras que habitualmente unem os estudantes, esta é das poucas, senão mesmo a única, a despertar claras reacções de amor-ódio.
O Hugo Couto, por exemplo, tem 20 anos e não esconde um ligeiro orgulho em afirmar que este ano foi praxado "todos os dias", apesar de tal significar - como ele próprio admite - "ter feito coisas estúpidas no meio da rua".
"Saí à rua todo vestido de preto, com a cara pintada e com pensos higiénicos na cabeça e no corpo, mas estava na boa...". No seu entender, esta e outras práticas revelam-se, no limite, "interessantes", quanto mais não seja porque se "perde vergonha de passar por situações embaraçosas". Mas esta não foi propriamente uma praxe "inteligente", o que, na sua opinião, consiste em ser-se submetido a brincadeiras engraçadas, "das quais todos gostemos, e não apenas as de que os "doutores" gostam", diz.
"Ele foi sem dúvida o mais malhado", diz Virgínia França, de 19 anos, aluna do mesmo curso, e uma das "doutoras" que acompanhou caloiros como o Hugo na sua entrada na universidade. Mas não a todo o custo: "Deixei de praxar a partir do momento em que vi certos elementos exagerar no comportamento. A praxe deve servir para integrar o caloiro e não para o humilhar", afirma, não se inibindo de fazer uma autocrítica à hierarquia que se estabelece entre caloiros e "doutores", com a qual não concorda. Ainda por cima, acrescenta, "quando o mais "burro" é o que costuma mandar mais".
Luís Fernandes, psicólogo de formação, desenvolve investigação no campo da etnologia na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto (UP). Apesar de este não ser um tema que o apaixone, tenta fazer uma análise objectiva das tradições académicas e, designadamente, da praxe: "Qualquer ritual que se mantém sem ir contra a vontade dos indivíduos é porque deve fazer algum sentido. Não faço ideia é qual será...", diz Fernandes, recuando à sua própria experiência estudantil - entre 1979 e 1985 -, numa altura em que estes rituais "simplesmente não existiam", substituídos por outros de carácter eminentemente político.
É no período de "arrefecimento" do período revolucionário - correspondente à primeira metade da década de 80, na qual a sociedade portuguesa entra num processo de normalização democrática - que aparecem os primeiros sinais de estudantes interessados em aderir a um movimento de regresso às origens da tradição académica, que anteriormente estava praticamente banida. Um ressurgimento, na opinião de Fernandes, ao qual não é alheio uma recuperação dos valores políticos do centro-direita e de um progressivo esvaziamento da esquerda.
Um movimento minoritário que foi engrossando as suas fileiras e que, na opinião de João Teixeira Lopes, sociólogo e professor da faculdade de Letras da UP, é directamente proporcional à massificação do ensino superior.
"A posição que defendo nunca foi testada empiricamente e trata-se, portanto, de uma mera hipótese, mas, na minha opinião, o recente apego às tradições académicas prende-se sobretudo com a massificação do ensino superior", cujo número de alunos, lembra, praticamente decuplicou entre o final da década de 60 e final de 90.
"Para os pais destes alunos - na sua maioria com níveis de escolaridade e de qualificação reduzidos - ver os filhos na universidade é a prova visível de um percurso de ascenção social, ao contrário do que acontecia no princípio dos anos 80, quando frequentar o ensino superior era, já de si, um factor de distinção".
Um apego à ostentação que poderá estar, de certa forma, relacionado com o forte investimento por parte dos pais, mas que também é sentido pelos estudantes. Daí, explica Teixeira Lopes, haver uma "necessidade de exibir essa conquista" através de rituais que invadem o espaço público, como é o caso não só da praxe académica, mas do próprio cortejo ou da queima das fitas. "E os estudantes mostram-no da forma mais ruidosa e exuberante possível", diz.
Este "reiventar" das tradições é, na sua opinião, igualmente indissociável de um futuro profissional "pouco risonho", muito provavelmente preenchido por um ciclo de flutuação em vários empregos, que conduzem a um "prolongamento da juventude e da dependência face aos pais", contrariamente ao que acontecia há trinta, ou quarenta anos.
Essa incerteza, refere este sociólogo, "pode conduzir a situações de profunda frustração e reflectir-se na agressividade, cada vez mais notória, que os rituais da praxe académica ostentam" como ele próprio admite ter verificado no início deste ano lectivo.
"Os incautos acabam por ser apanhados, muito provavelmente por não terem uma alternativa a estes rituais, por este ser o único meio de integração social", continua. E quando se recusa a praxe corre-se o risco de ser-se ostracizado, e "ser-se ostracizado numa faculdade pode significar solidão e depressão", sublinha. Nesse sentido, João Teixeira Lopes critica os movimentos associativos e as juventudes partidárias por não terem a imaginação suficiente para "contrapôr alternativas".
Não é o caso da sua própria faculdade, onde, este ano, houve uma tentativa de agitar as águas, através da distribuição de um panfleto onde se contestava a praxe e se exigia o direito a não participar nela. "A praxe não é mais do que uma forma de divisão, onde se torna evidente uma hierarquia erradamente estabelecida dentro da faculdade, procurando impôr respeito e sujeição à autoridade", podia ler-se no folheto, da responsabilidade do Antípodas - Movimento Anti-Tradição Académica. Um outro panfleto, igualmente posto a circular naquela faculdade, apresentava as razões que movem os pró e os anti-praxistas e pretendeu ser o princípio de um debate mais alargado sobre a tradição académica.
Uma das autoras foi a Sofia Maia, de 19 anos, que, apesar de integrar a associação de estudantes, insiste em demarcar a sua posição pessoal relativamente àquela que possa ser a da associação. "Só não sou mais militante nesta causa porque não tenho ninguém em quem me apoiar, e isso é um factor de desmotivação. Somos poucos e talvez por isso nos falte mais iniciativa".
Ela própria foi praxada durante três dias quando entrou para a faculdade. Passou por essa experiência porque, reconhece, vinha um pouco "desorientada". E esse é provavelmente um dos motivos mais fortes pelo qual os alunos se submetem a "práticas terríveis": "sentem-se vulneráveis e estão receptivos àquilo que lhes sugerem, ainda para mais sendo uma ideia tão pré-concebida".
João Teixeira Lopes aplaude a iniciativa e defende o debate. "Retirar esta questão do silêncio a que foi remetida e pôr as pessoas a pensar nela é um primeiro passo. O segundo passo é propôr alternativas de integração à praxe", diz, cuja inexistência se deve, nomeadamente, à "pasmaceira" em termos culturais e de animação verificado no início dos anos lectivos.
Na sua opinião, a maioria dos estudantes vive numa situação de anomia, que conduz a um enfraquecimento dos laços sociais. "A praxe cumpre a função do associativismo, mas mal. E os estudantes precisam de reforçar os laços entre si, mas não os encontram: nem no diálogo com os professores, nem entre si, porque a competitividade entre eles é muito grande".
Mas muitos estudantes parecem não fazer caso e admitem mesmo que a praxe é um momento por que há muito esperavam. É o caso do Pedro Rodrigues, de 19 anos, que considera ser uma "maneira engraçada" de entrar na universidade. "Desde que não abusem, não me importo nada".
Rui Brito, de 25 anos, e António Pereira, de 22, são estudantes de ciências e já praxaram muitos caloiros. Acima de tudo, consideram que ela não deve servir para "descarregar frustrações" e que à falta de um código da praxe as pessoas devem "reger-se pelo bom senso". E que significado tem para eles o traje académico, que envergam publicamente? "Uso traje na mesma medida em que se usava antigamente, quando servia para não se distinguir as pessoas ricas das pobres", diz o Rui. "Depois, há a ideia errada de que os caloiros não podem usar traje, quando ele é permitido logo no primeiro ano - pelo menos na nossa faculdade", refere, por seu lado, o António.
Pedro Cunha, 21 anos, estudante de direito, considera ser necessário "contextualizar" as tradições académicas, mas que, ao contrário do que alguns pretendem, "é impossível retornar ao passado".
"Eu não liguei muito à praxe porque vivo no Porto. Mas imagino que para aqueles estudantes que não são da cidade e que "caem aqui de pára-quedas" esta seja uma forma possível de integração". Não concorda é com facto de muitos se aproveitarem do aparente poder que possuem para se auto-evidenciar, levando a que, em certas situações, se ultrapasse o próprio "limite da sensibilidade humana".
João Teixeira Lopes considera que este exacerbar da praxe corresponde a uma história que os próprios estudantes contam a si mesmos, "uma história em que aparecem alegres, desinibidos", mas que, como qualquer narrativa, tem uma carga ilusória e de auto-mistificação. "Ao fim e ao cabo, é enganarem-se um pouco a si mesmos face ao futuro imprevisível que se avizinha".
Hugo Neto é o presidente da Federação Académica do Porto e um praxista assumido. "Claro que isso não reflecte a posição da FAP", ressalva, "já que ela é composta por associações de estudantes com posições bastante diferentes sobre a praxe". Porém, em sua opinião, apesar de o Porto não ter a mesma tradição de Coimbra, é uma das academias mais antigas do país e tenta, de certo modo, "puxar dos galões dessa antiguidade".
"A praxe é apenas mais uma forma de o afirmar" e aponta-a como exemplo de boas práticas, nomeadamente no que se refere ao acompanhamento pessoal que é dado pelos mais velhos aos recém chegados. "Emprestam apontamentos dos anos anteriores, indicam-lhes os sítios onde se pode comer mais barato, onde é mais fácil arranjar casa, etc..., numa tentativa salutar de integração".
Admite, porém, existirem determinados aspectos menos positivos na praxe, como o culto da hierarquia e a falta de controlo que pode levar à prática de "certos abusos" sobre os estudantes mais desapoiados ou desenraízados. "Como em tudo, há a boa praxe e a má praxe. A liberdade de opção é que deve ser sempre garantida".
"Os estudantes que defendem estas práticas costumam dizer que têm uma função integradora. Eu estou disposto a concordar com isso, até porque a antropologia já nos ensinou que os rituais iniciáticos têm um carácter eminentemente integrador para todos os indivíduos da comunidade. Eu questiono-me é porque razão uma cerimónia que podia cumprir um papel importante, descamba em práticas que a contrariam...", refere Luís Fernandes, recorrendo aos mecanismos de funcionamento das chamadas "sociedades urbanas complexas" para a explicar. "Nelas", refere o investigador, "os rituais tipificados já não têm lugar, tornando-se natural que um ritual estereotipado como este não tenha condições de sobrevivência". E quando não existem condições de sobrevivência, ele degrada-se. "É o que está a acontecer com estes rituais...".
A experiência pessoal de Diana Santos, caloira do curso de Jornalismo e Ciências da Comunicação, permitiu-lhe distinguir dois tipos de praxistas, os “verdadeiros académicos” e os “auto-denominados praxistas”.
Diana acredita que a sobrevivência da praxe depende somente da vontade de quem opta por a viver plenamente, "a praxe vai sobreviver... sempre, mesmo que as tradições se esqueçam ou se modifiquem, que os auto-denominados académicos se esqueçam de si mesmo como tal... a praxe viverá sempre com aqueles que a viveram e criaram memórias, pois elas são eternas". E conclui "não são necessárias várias simbologias nem grandes multidões, apenas é necessária a vontade de quem ainda se dispõe a vivê-la".
Para Diana, a dimensão simbólica do traje perdeu-se, sendo na maioria das vezes usado para exercício de poder, " há quem use o traje para demonstrar o seu poder ou até para ter mais umas fotos no seu albúm de família". Contudo, Diana admite que, apesar de serem em pouco número, ainda existam “verdadeiros académicos”, "pessoas que vivem a tradicão académica em pleno... que realmente sentem o traje, em vez de simplesmente o vestirem... ".
Indiferente aos anti-praxe, Diana Santos não comenta os argumentos que normalmente são envocados para se declararem contra as tradições académicas. "Sou praxista porque considero as desvantagens irrelevantes"
Diana Santos, caloira do curso de Jornalismo e C. Comunicação da Faculdade de Letras da UP fala da sua opção de ser caloira, que não hesita em classificar como “uma experiência enriquecedora”.

A "simples curiosidade" levou Diana Santos a optar, no ínicio do ano lectivo, por ser praxista.
“Quis ver o que era a praxe, e sobretudo formar uma opinião... acredito que alguns não se preocuparam sequer em ver, aprender um pouco antes de fazer uma escolha”.
Enquanto caloira nunca se sentiu humilhada, por isso defende avidamente que a praxe não é apenas gozo ao caloiro. Na sua opinião, a praxe é "dedicação, solidariedade, é consciência que a própria praxe nos acompanha além do ano de caloiro" e continua "gozo ao caloiro é uma espécie de formalidade que nos permite a integração no mundo académico, mas a praxe em si é sobretudo um estado de espírito".
Contudo esta estudante de Jornalismo não nega que a humilhação exista, "a humilhação resume-se ao ultrapassar dos nossos limites, tanto físicos como morais. Todos temos as nossas normas pessoais, e sempre que a tradição académica se soprepõe a elas, trata-se de humilhação".
Para Diana, não existem razões para os alunos que ingressem pela primeira vez no Ensino Superior terem medo de serem pró-praxe ou anti-praxe, "trata-se de uma escolha pacífica", e não compreende que existam "tantos caloiros que tenham receio de represálias por não serem a favor da tradição académica".
Quem divulga aquilo em que acredita, devia pensar duas vezes antes de Fazer o mesmo que uma tal de Direcção Central de Combate às Tradições Académicas.
Para essa denominada "direccção central", em texto publicado online, a praxe é somente um costume que tem o único objectivo de "humilhar, enxovalhar e demonstrar frustrações várias de um conjunto de asininos trajados".
Pois, mas o propósito da praxe não é humilhar os recém-chegados, mas sim integrá-los num espaço que desconhecem. A praxe é, acima de tudo, integração.
Infelismente é verdade que em certas Universidades existem alguns exageros. Mas não posso tolerar que se parta de uma parte para se classificar o todo.
A mesma organização redigiu esse documento para tentar influenciar os novos alunos a serem anti-praxe, chegando a afirmar que ninguém gosta de ser praxado, e Passo a citar "a maior parte das pessoas não gosta de ser praxada, tratada como carneiros, molestada, borrada por xiribambos vários, por vezes assediada, insultada, tratada abaixo de cão..."
Pois eu tenho a dizer, baseada na minha própria experiência praxista, que a praxe não é uma forma de exercer poder sobre outros, muito menos insutá-los ou até maltratá-los, como afirma a Direcção Central de Combate às Tradições Académicas. A praxe é companheirismo.
Tenho mesmo a dizer a esta "direcção central" que foi a praxe que me deu a conhecer os meus melhores amigos, por isso tenho que discordar mais uma vez...
O documento entitulado "Esclarecimento sobre a Praxe aos Novos Alunos" não apresenta em nenhum dos seus 4 pontos algum "esclarecimento" sobre a praxe, apenas se limita a criticá-la (sem apresentar fundamentos lógicos ou até pessoais que fundamentem a sua posição ). Trata-se basicamente de um texto propagandístico anti-praxe, que tenta persuadir os novos alunos. Por isso termina com uma apelo ridículo "Acredita nas tuas qualidades pessoais; não te deixes humilhar; não te deixes apanhar por esse círculo vicioso. Declara-te Anti-praxe!Se te declarares Anti-Praxe, esses morcegos fardados não te poderão tocar. Manterás a tua dignidade e integridade pessoal. "
Sinceramente, "cículo vicioso"...
O QUE É A PRAXE ACADÉMICA? por Rui Pinto
"A Praxe Académica é um conjunto de tradições geradas entre estudantes universitários e que já há séculos vêm a ser transmitidas de geração em geração. É um modus vivendi característico dos estudantes e que enriquece a cultura lusitana com tradições criadas e desenvolvidas pelos que nos antecederam no uso da Capa e Batina. Praxe Académica é cultura herdada que nos compete a nós preservar e transmitir às próximas gerações.
É preciso não esquecer o verdadeiro propósito e filosofia da Praxe Académica. Esta serve para ajudar o recém-chegado a integrar-se no ambiente universitário, a criar amizades e a desenvolver laços de sólida camaradagem. É através da Praxe que o estudante desenvolve um profundo amor e orgulho pela instituição que frequenta, a sua segunda casa.
Mas a Praxe Académica também ajuda o indivíduo a preparar-se para a futura vida profissional. Através das várias «missões impossíveis» que o praxado tem de desempenhar, este vai-se tornando cada vez mais desinibido, habituando-se a improvisar em situações para as quais não estava preparado.
A função educativa também está presente na Praxe Académica. A sanção de rapar um caloiro quando apanhado na rua a partir de certas horas tem origem na intenção de o obrigar a estudar.
Não se pode confundir Praxe Académica com as «pseudo-praxes», executadas apenas por indivíduos ignorantes na matéria. A Praxe não pode nunca ser sinónimo de humilhação ou de actos de violência barata levados a cabo por uns quantos frustrados que não sabem o que são as tradições académicas e só usam um traje para se pavonearem na esperança de serem notados. São indivíduos destes os responsáveis pelo actual estado moribundo da verdadeira Praxe Académica que tem vindo a dar lugar a ditaduras absurdas, um pouco por todo o lado, que partem de ignorantes que desejam que a Praxe seja aquilo que lhes apetecer.
O espírito académico não se trata apenas de festas e de copos.
A Praxe Académica e o uso da Capa e Batina representam humildade e o respeito pelos outros. O Traje Académico deve ser usado com orgulho, mas nunca com arrogância ou vaidade, pois este simboliza a igualdade entre todos os estudantes.
A Praxe Académica tem uma mecânica inerente que, ao ser desrespeitada, acaba por culminar em verdadeiros insultos à tradição.
A própria palavra latina PRAXIS significa prática, modo de agir, o que revela uma estrutura e regras que lhe são características.
A Praxe é dura, mas é a Praxe.
DVRA PRAXIS SED PRAXIS! "
Rui Pinto é veterano da Universidade Fernando Pessoa do Porto, onde frequenta o último ano do curso de Ciências da Comunicação.
É autor e gestor de um site inteiramente dedicado às Tradições Académicas.
Tuna Académica da Universidade Portucalense IDH já anunciou a data da XII edição do FITUP Infante D. Henrique.
XII FITUP-IDH, uma tradição com 11 anos de sucessos, irá realizar-se nos dias 12, 13 e 14 de Março de 2004.
O 1º FITUP IDH foi realizado no mítico teatro RIVOLI e teve como vencedora a Tuna Académica do ISEP. Este FITUP IDH foi uma iniciativa da Tuna e da Associação de Estudantes, que desde a primeira edição e até aos dias de hoje se associou à organização, reconhecendo a importância que este evento tem para a Universidade Portucalense e para a cidade do Porto. o I FITUP foi realizado durante a segunda semana de Março por ocasião da semana cultural da Universidade.
Foi em 1993! A Tuna tinha completado 2 anos de existência e sentia-se preparada para organizar um festival à medida da Universidade que representava. Na altura o dia escolhido foi a quinta-feira por ser o dia Académico por excelência.
No ano seguinte o festival passou para outra sala mítica da cidade do Porto: o teatro SÁ DA BANDEIRA! Aqui se manteve por dois anos por ocasião da II e III edição do FITUP IDH, ambas vencidas pela Tuna da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Continuou a realizar-se à quinta-feira e na segunda semana de Março. Por esta altura já todos na Tuna e na Universidade se tinham apercebido que o FITUP IDH tinha ganho para além de um grande prestígio e tunas de qualidade, um novo aliado: o público! O teatro Sá da Bandeira esteve completamente esgotado nas 2 edições!
No ano seguinte o FITUP passou para a maior sala de espectáculos do País: o COLISEU DO PORTO! Era um grande desafio, pois passar de uma sala de 800 pessoas para 3500 era um risco!
Começou-se então a preparar com todo o cuidado o IV FITUP IDH. Nada poderia correr mal, pois a Universidade Portucalense completava o seu X aniversário e queria que o FITUP IDH fosse feito com rigor e qualidade! O IV FITUP IDH realizou-se na quinta-feira 16 de Março de 1996 e foi um sucesso absoluto! Coliseu do Porto pelas costuras e uma noite memorável na qual a TAUP IDH gravou o seu 1º cd que se denominou pura e simplesmente IV FITUP! Um desafio maior estava encontrado: conseguir que todo o ano se repetisse o mesmo sucesso! A grande vencedora do IV FITUP IDH foi a Tuna da Universidade Católica Portuguesa- Porto, que iria obter também a distinção máxima na V e VI edições do FITUP IDH!
A quinta edição teve algumas particularidades: foi o primeiro espectáculo que o Coliseu do Porto acolheu depois da remodelação que recebeu em virtude do incêndio que lhe destruiu o palco em 1996. Foi o primeiro FITUP IDH que se realizou em dois dias, pois além do público ser em excesso só com um dia, o nº de Tunas que tinha o cartaz do festival não poderia ser realizado só num dia com as mínimas condições de conforto para todos os seus participantes. Pela primeira vez no FITUP IDH participavam tunas de fora da Península Ibérica com as presenças da Tuna Ciudad Luz – Eindhoven (com a qual a TAUP IDH se iria Irmanar em 1997) e a Tuna Macaense que pela primeira vez actuava no Coliseu do Porto numa altura em que Macau ainda fazia parte de Portugal! O sucesso foi absoluto com a quinta e a sexta-feira da segunda semana de Março a registrarem afluências na ordem das 2000 e 3000 pessoas respectivamente!
A VI Edição foi em tudo igual à sua anterior com a particularidade de se ter apostado nas actividades do festival que não as próprias actuações em si! Neste ano para além da tradicional visita às caves na sexta-feira que já se fazia desde o III FITUP IDH, no Sábado houve Torneio de Karting e Paint-Ball para todas as tunas participantes!
Tudo corria então de vento em popa e o VII FITUP IDH marcou a viragem da tuna para a aposta na promoção do evento! Para isso começou-se por garantir que o FITUP IDH era um evento de relevância cultural perante o Instituto Português de Arte e Espectáculos o que foi conseguido sem a menor dificuldade dada a envergadura que possuía já o certame! Assim o FITUP IDH teve um spot televisivo a passar em 2 canais televisivos e várias entrevistas nas rádios de maior audiência! A grande vencedora do festival foi a Magna Tuna Cartola de Aveiro.
Na VIII edição algumas novidades: a primeira tuna de fora da Europa participa, a Tuna de FIME de Nuevo Leon e o FITUP IDH torna-se primeiro festival internacional de tunas a ser transmitido para todo o mundo através da RTP Internacional e RTP África. A grande vencedora foi a Estudantina Universitária de Lisboa.
Chegamos à IX edição! Uma grande responsabilidade! Representar o Porto capital da cultura! O FITUP IDH é o primeiro evento do género a integrar o programa oficial do PORTO 2001 – Capital Europeia da Cultura. Coliseu do Porto esgotado nos dois dias com um total de 4000 pessoas nos dois dias do Certame e doze tunas Universitárias a desfile! Nesta edição a Tuna criou o Prémio Infante D. Henrique que se destina a homenagear uma pessoa que tenha, em nosso entender, dignificado o Bom nome da Universidade Portucalense! A vencedora foi a Tuna Universitária do Minho.
Na comemoração do X aniversário do FITUP IDH, já todos consideravam este Certame um dos melhores do país! Um festival de qualidade, quer ao nível dos seus intervenientes, quer às condições dadas aos mesmos! A vencedora foi a TunAmérica Universitária de Puerto Rico.
No XI uma nova era se inicia! Mais uma vez tudo correu pelo melhor e a vencedora foi a Tuna Universitária Distrito Jáen.
Na XII edição que se irá realizar nos dias 12, 13 e 14 de Março no Coliseu do Porto, só esperamos que o sucesso dos anos anteriores se venha a repetir!
Fonte: portugal tunas
Muitos dos que se erguem contra a praxe, defendem a sua opção invocando que é a praxe é organização militarista.
Muito bem... O exército também o é e não existe nenhuma organização anti-exército.
O argumento mais utilizado pelos anti-praxe e que mais me irrita é sem dúvida o militarismo da praxe.
É verdade, e não o posso negar, que a praxe tem uma vertente militarista muito acentuada, uma vez que se organiza hierarquicamente de cima para baixo, devendo os mais novos respeitar os mais velhos. Sublinho respeitar, não obedecer, já que existe uma diferença substancial entre os dois termos. Respeitar é acatar conscientemente a vontade dos mais velhos, contrariamente, obedecer é acatar cegamente todo o que lhe é dito.
Ninguém é obrigado a fazer o que não quer, muito menos se uma "ordem" for contra os princípios que defende. Não somos conformistas com as ordens que nos impõem, e obedecemos cegamente, apenas respeitamos quem as dá.
É verdade também que andamos pelas ruas em grupo, entuando cânticos militaristas.
É ainda verdade que nos orientamos pela figura do Dux Facultis, e a um nível superior, pela figura do Dux Veteranorum.
Tudo isto é verdade, mas outras organizações se estruturam nos mesmos moldes e ninguém as critica tão avidamente...
O exército também é uma organização militarista e, pelo menos que eu saiba, não existe ainda nenhuma organização anti-exército.
Algumas pessoas ainda encontram benefícios nele...
Na realidade, o exército também têm uma hierarquia muito demarcada, em que os mais novos respeitam os mais velhos, existindo também uma figura superior pelo qual todos os restantes se orientam e à qual devem respeito.
As empresas, os clubes desportivos, os partidos políticos, até a própria democracia se estruturam assim, se assim não fosse viveríamos numa total anarquia.

A equipa do rasganço deseja a todos os ciberleitores um bom ano de 2004.
A ESTATuna, Tuna da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes, irá actuar no próximo dia 8 de Janeiro, no programa da RTP1 "Praça da Alegria".
A ESTAtuna vai actuar num especial "Praça da Alegria", que será transmitido em directo de Abrantes, na próxima quinta-feira.
Será mais uma oportunidade para a ESTATuna mostrar o seu valor, num programa que será difundido para todo o mundo através da RTPi e da RTP África.