
James Mardsen como Cyclops em X-Men 3
Filme de animação com preocupação real. Em poucas palavras se descreve A Idade do Gelo 2: Descongelados. Neste novo filme do trio de animais pré-históricos, Manny, Sid e Diego têm de enfrentar um perigo à escala global: apesar da Idade do Gelo estar a terminar e os animais estarem felizes com o regresso da vegetação e dos paraísos aquáticos, há o perigo de uma inundação que os três heróis vão ter de enfrentar, coadunado com o aquecimento global do planeta: uma clara mensagem que os desenhos animados tentam passar para a humanidade de preocupação com o ambiente.

Sempre recheada com comédia cortante (o expoente máximo é o esquilo Scrat, sempre à procura de um refúgio para a sua bolota), reforçada agora pelas vozes de Queen Latifah e do apresentador Jay Leno, A Idade do Gelo 2 avizinha-se como um dos candidatos ao Óscar de Melhor Filme de Animação para a próxima cerimónia das estatuetas.
Neil Jordan volta aos cinemas portugueses com Breakfast on Pluto. De novo, o cineasta aborda o tema da homossexualidade na Irlanda dos anos 70, mergulhada pelos conflitos inter-religiosos e do IRA. Em 1992, The Crying Game valeu-lhe um Óscar. Desta feita, Jordan pôde ver Cillian Murphy, o actor principal ser nomeado para um Globo de Ouro. Em Breakfast on Pluto, Murphy é Patrick "Kitten" Braden, um rapaz que cresceu sabendo que foi abandonado à nascença e com a consciência que era diferente dos outros. O filme desenrola a luta de "Kitten" para manter essa diferença numa Grã-Bretanha assolada pelo conflito.
O Tigre e a Neve traz de novo o sempre imprevísivel Roberto Benigni às salas de cinemas e inaugura uma série de filmes que abordam a guerra do Iraque. À boa maneira da película que o consagrou - A vida é bela - Benigni conta a história de dois amantes, que ficam retidos no Iraque durante a invasão americana. Como sempre, a esposa do realizador, Nicoletta Braschi, é a actriz principal, que faz par com o marido. Uma comédia à Benigni, mas com fortes ingredientes emocionais e políticos, em que não falta a crítica à administração Bush.
O "blockbuster" da semana é Apenas Amigos. Um filme ao estilo norte-americano, em que um rapaz de 28 anos, formado e prestes a constituir família com a namorada, encontra a antiga paixão do liceu, que na época apenas queria ser sua amiga. Uma comédia romântica com os rostos do cinema juvenil dos EUA: Anna Faris (Scary Movie), Amy Smart (Road Trip) e Ryan Reynolds (Sabrina, a Bruxinha Adolescente).
A proposta portuguesa desta quinta-feira é Vanitas. Filmado por Paulo Rocha no seu Porto natal, o filme é um hino à decadência humana reflectida na decadência da cidade Invicta. O mundo da moda serve de pano de fundo à relação entre duas mulheres de diferentes gerações e perspectivas quanto à importância dos afectos.
Do Oriente chega-nos Ninguém Sabe, drama japonês premiado em Cannes sobre quatro irmãos, todos filhos de pais diferentes que acabam abandonados pela mãe. A saga de um quarteto de crianças que teve de crescer mais depressa do que pensavam.
Tom Hanks (Terminal de Aeroporto) produz e é o actor principal de How Starbucks Saved My Life. Segundo o The Hollywood Reporter, o filme conta a história de um executivo publicitário que perde o emprego e a família. Para pagar as contas no final do mês, acaba por trabalhar num dos estabelecimentos da Starbucks. Lá, Hanks conhece uma jovem gerente e aprende lições sobre a vida e o amor. O óscarizado actor está neste momento a negociar a hipótese de Gus Van Sant (Elephant e Last Days), realizar o projecto.

Hanks pode ser visto dentro em breve no cinema em O Código Da Vinci e depois começa a rodar Charlie Wilson’s War.
Não. Não vai haver um X-Men 4 com John Malkovich. Trata-se antes de um thriller de ficção científica. Em The Mutant Chronicles, o actor será o mau da fita, um membro das Nações Unidas numa altura em que a Terra se vê a braços com uma batalha entre humanos e mutantes pelos recursos do planeta. A personagem de Malkovich pretende explodir a Terra e evacuar os terrestres para outro planeta. Thomas Jane (The Punisher) interpreta um major que comanda os humanos na batalha.

O realizador é Simon Hunter. Ainda não há data de estreia para The Mutant Chronicles.
O terceiro capítulo dos ladrões estilosos começa as filmagens a 21 de Julho. Ocean's Thirteen terá de novo como pano de fundo um casino, pronto a ser assaltado por George Clooney, Brad Pitt e companhia. Aliás todo o elenco da aventura original deve regressar para esta segunda sequela (Matt Damon, Andy Garcia, Don Cheadle, Bernie Mac, Casey Affleck, Scott Caan, Eddie Jemison, Shaobo Qin, Carl Reiner e Elliott Gould, entre outros). As únicas excepções são as actrizes: Julia Roberts e Catherine Zeta-Jones. A nova personagem principal feminina é, ao que tudo indica, a "cinquentona" Ellen Barkin. Ela desempenha o papel de novo interesse amoroso de Rusty (personagem de Brad Pitt).

Steven Soderbergh regressa à cadeira de realizador para aquela que deve ser a aventura final dos 11 de Danny Ocean. Ocean's Thirteen estreia em meados de 2007.
Incentivo ao terrorismo? Publicidade ao anarquismo? Mera tentativa de ressuscitar um sucesso antigo? São muitas as questões que rodeiam a intenção de James McTeigue e os Irmãos Wachowski quando realizaram V de Vingança. Se a isso se juntar a desistência do autor da banda desenhada, na qual o filme se baseia, a meio do projecto, o filme gera mais controvérsia não pela história, mas pelo ambiente que a rodeia.

A estreia do filme foi circundada de muita polémica. Muitos críticos de cinema acusaram os Irmãos Wachowski de aproveitarem a novela gráfica de Alan Moore para criticar o governo Bush e apoiar o terrorismo islâmico. Outros consideraram isso algo positivo, visto os responsáveis de Matrix terem resistido à necessidade de tornar a película um blockbuster que rendesse algum dinheiro e realizado um filme com forte carga política e demasiado intimista para uma mera longa-metragem de super-heróis.
V de Vingança é um filme baseado na banda desenhada de Alan Moore escrita na década de 80, altura em que a Grã-Bretanha era governada pela Dama de Ferro, Margaret Thatcher. A obra é uma metáfora do governo britânico de então, mas também pode ser visto como um novo 1984, de George Orwell, devido à ditadura, à tirania e à opressão.

Na história, Evey é uma rapariga normal, com uma vida como todas as outras, empregada do "sistema". Isto até o destino a cruzar com "V", um vigilante mascarado sem nome ou identidade que quer lançar a anarquia no governo vigente. À primeira vista, o vigilante dá a entender que os seus intuitos são puramente revolucionários e políticos. Mas ao longo do filme, o espectador apercebe-se que o que "V" quer é vingança. Vingança por causa de algo que lhe fizeram a ele, aos pais de Evey e a muitas outras pessoas, opositoras do sistema ditatorial.
Apesar da qualidade subjacente ao facto de não ser um "blockbuster" no verdadeiro sentido do termo, nota-se uma tentativa frustrada dos Irmãos Wachowski em ressuscitar o sucesso Matrix. É clara a intenção de fazer de Evey um Neo em versão feminina e "V" é Morpheus, o mentor disposto a sacrificar-se pela "causa". A única diferença é que não há um protagonista central. O vigilante mascarado e a sua discípula têm igual importância e o filme não sobrevive sem um deles presente.
Os efeitos especiais e as cenas de combate também são fotocópias da trilogia Matrix. A necessidade de inserir artes marciais numa cena de luta é levada ao extremo, com o britânico vigilante a ser especialista em kung-fu do dia para a noite.

Os actores um a um:
Hugo Weaving: o espectador pode agradecer a sua voz. A sua personagem mascarada dá a tonalidade pesada a todo o filme e talvez a película não teria a mesma carga se o vigilante mostrasse a face. Assim permanece incógnito e aquilo que lhe aconteceu fica à mercê da imaginação de quem vê o filme.
Natalie Portman: não consegue ser Neo, mas também não faz um mau papel. Muito pelo contrário. Melhor que as suas "rivais" em filmes de acção (Scarlett Johansson em A Ilha ou Charlize Theron em Aeon Flux), a israelita mostra muita competência para uma actriz de 24 anos. E muita coragem teve para rapar a cabeça e deixar o corpo submeter-se a alguns sacrifícios para ficar com a aparência de prisioneira na solitária.
Polémicas à parte, fica a ideia que a ambição do filme ficou condicionada pelo facto dos realizadores tentarem fazer dele aquilo que ele não era: a história de Neo e das máquinas, de Zion e da Nebuchaneddzar. Se V de Vingança fosse pensado apenas como o filme que é, talvez McTeigue e os irmãos Wachowski conseguissem apresentar um filme mais arrojado, que faria esquecer as referências ao terrorismo e à anarquia que, verdade seja dita, podiam ser mais leves.
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Já disponível o novo trailer de Missão Impossível 3, que podem ver em baixo, cortesia do IFilm.
A terceira aventura do agente Ethan Hunt (Tom Cruise) no cinema é realizada por JJ Abrams e tem também no elenco Philip Seymour Hoffman, Keri Russel, Ving Rhames, Laurence Fishburne e Michelle Monaghan. Missão Impossível 3 chega a Portugal no dia 4 de Maio.

Carina Murino como Solange em 007 - Casino Royale
As adaptações ao cinema de figuras da banda desenhada está na moda para os lados de Hollywood. Quer tratem de super-heróis ou não, os produtores têm encontrado nos livros aos quadradinhos, uma boa fonte para argumentos de películas. A prova está nas estreias desta semana nos cinemas portugueses. David Cronenberg apresentou-o em Cannes e alguns estranharam que estivesse fora dos Óscares. Uma História de Violência é baseado na BD homónima de John Wagner e conta a vida de um homem pacato que ganha fama depois de matar um assaltante em legítima defesa durante uma tentativa de roubo no seu café. Elevado pela população de Millbrook, no Indiana, como se fosse um herói, Tom (interpretado por Viggo Mortensen, o Aragorn de O Senhor dos Anéis), adquire um estatuto na sua cidade. Mas o seu passado ensobra as façanhas presentes e os seus amigos suspeitam que ele não é o herói que todos acreditam que ele é. William Hurt, Maria Bello e Ed Harris completam o elenco da película do aclamado realizador.

Tsotsi arrecadou prémios um pouco por todo o mundo e comprovou a sua qualidade ao vencer o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro há duas semanas. Originário da África do Sul, da autoria de Gavin Hood, o filme retrata a vida nos guetos sul-africanos, repletos de gangsters e jovens que lutam pela sobrevivência. Através do testemunho de um jovem de 19 anos, Tsotsi (rufião na linguagem de rua dos guetos sul-africanos) mostra a pobreza e a violência na periferia das grandes cidades daquele país.
Continuando na senda dos desenhos animados, estreia também esta semana A Pantera Cor-de-Rosa. O filme, dirigido por Shawn Levy, é a nova adaptação do clássico de 1963, com Peter Sellers no papel do inspector Jacques Clouseau. Em 2006, é a Steve Martin que cabe essa responsabilidade. O inspector é chamado para resolver um caso de homicídio de um treinador de futebol. Mas este caso revela outros contornos, quando Clouseau descobre que o que está em causa é um diamante que o treinador possui, conhecido como a Pantera Cor-de-Rosa. O filme conta também com a participação de Kevin Kline, Jean Reno e da cantora Beyoncé Knowles.
John Malkovich continua a sua aposta em filmes "mainstream" de baixo orçamento com Identidade Kubrick. Uma comédia de origem franco-britânica em que o personagem interpretado por Malkovich, Alan Conway, faz-se passar pelo realizador Stanley Kubrick. Apesar de o homem não saber nada acerca do trabalho de Kubrick, isso não parece atrapalhar a sua impostorice, pois as pessoas à sua volta continuam a pensar que ele é o tímido e discreto realizador de 2001, Odisseia no Espaço.
A Condessa Russa desenrola-se em meados dos anos 30 na turbulenta cidade de Shanghai. No meio da intriga política que impera durante a invasão do Japão à China, uma condessa russa procura sustento para a família dançando num bar. Até que encontra Jackson, um antigo diplomata que perdeu a família devido à guerra. Os dois encontram um no outro a esperança de paz e calma no meio da confusão. Ralph Fiennes e Natasha Richardson formam o casal junto em tempo de guerra, na película da autoria de James Ivory.
Cavaleiros dos Céus é a outra proposta europeia da semana. Para além de acção e aventura entre caças e outros aviões, o filme francês permite ao público português conhecer Clovis Cornillac, o novo "Astérix". O actor substitui Christian Clavier nas histórias do herói gaulês. Cornillac contracena com Gérard Dépardieu em Astérix nos Jogos Olímpicos, a estrear em 2007.
Para terminar em beleza o ciclo de entrevistas conduzidas pelo Take 2 e pelo Hollywood no Fantasporto, nada melhor do que uma conversa com o director do festival, Mário Dorminsky. Uma entrevista onde se falou não só do presente e do fututo do "Fantas" mas também do cinema em Portugal.

Take2: O que é que leva o Mário Dorminsky a sair de casa e a ir ao cinema?
Bem, desde que foi convidado para o lugar de vereador da Cultura, na Câmara Municipal de Gaia, que a minha vida mudou radicalmente. Por isso há um antes e um depois. Normalmente eu vou ao cinema por gozo. Gosto de estar com pessoas, com o público em geral, a ver os filmes. Não gosto das pipocas, dos barulhos dos telefones e das pessoas falarem na sala como se estivessem em casa, e por isso tenho tendência a ir ás primeiras sessões da tarde, especialmente no AMC que tem das salas que eu considero ser das melhores de Portugal e da Europa. E dá-me muito gozo ver o cinema em grande ecrã e mantenho-me acompanhado em relação ao que sai cá, até porque muitos dos filmes eu já vi, ou em festivais ou mostras de cinema. O que me acontece é que, nos últimos quatro cinco meses, com a dificuldade que foi em gerir o cargo de vereador, com a preparação do Fantas, tive dificuldades em ir ao cinema, onde só vi dois filmes, o Brothers Grimm e o King Kong.
Take2: Como é que acha que está a oferta nas salas de cinema nacionais?
O mercado está neste momento numa crise muito grande, provocada essencialmente pela falta de critério dos exibidores, em relação às propostas que são feitas pelos distribuidores. Isto é, cada vez mais passam no circuito comercial filmes que, no meu ponto de vista, deviam ir directamente para vídeo, ou dvd como se diz agora. E isso leva a uma quebra da ida ao cinema do espectador normal, que procura um filme que não está a conseguir encontrar, nos últimos tempos, numa sala de cinema.
Take2: O que é que há nesta edição do Fantasporto que pode fazer as pessoas a saírem de casa e a virem ao cinema?
O Fantas…o Fantas em si é uma marca. Ainda há bocado vi ali na bilheteira um homem que pedia um bilhete para a sessão e nem sabia os filmes que iam estar, só queria mesmo ver um filme que estava no Fantas. Nós não temos só o público cinéfilo, temos também as pessoas que vêm ao Fantas e que eu comparo ás pessoas que vão aos supermercados de cinema, aos fast-foods que são os multiplex, e que chegam à bilheteira e nem sabem bem o nome do filme. Só pedem bilhetes para ir ver o Tom Cruise ou a Nicole Kidman, ou seja lá quem for. O Fantas é, pela sua promoção, pelo seu nome, um fenómeno de imagem, de atracção em termos dos mais diversos públicos, e atrai públicos de uma forma transversal, dos mais novos – que às vezes querem vir ao Fantas e não pode, para quem incluímos a exibição das séries Triângulo Jota. Este ano não pensamos muito nos mais jovens, até porque se vai criar um programa chamado Fantaskids, que vai girar pelo país todo ao longo do ano, e que é uma forma de complementar o trabalho de criar o gosto pelo cinema junto dos mais novos, com filmes que eles gostem e que os tirem para fora da realidade, sem ser necessariamente os filmes da Disney.
Take2: O que é que nos pode dizer mais do Fantaskids?
O Fantaskids é um projecto que deve arrancar para Maio que deve circular pelo país, e que, em principio é um projecto que vai funcionar de uma forma paralela ás “semanas Fantasporto”, que fazemos em parceria com várias câmaras municipais. Queremos atrair mais miúdos a ver cinema. E como tudo indica que para o ano também vamos ter uma sala de cinema Fantasporto em Lisboa e no Porto, isso dá-nos possibilidades de mostrar os filmes que nós queremos ao longo do ano. A ideia é também por o Fantasporto a ser falado durante todo o ano através de um trabalho a ser desenvolvido pela empresa Realizar, que já tem trabalhado connosco e que nos vai permitir prestar mais atenção ao conteúdo do festival e menos ao aspecto de organização e preparação das diferentes iniciativas que pretendemos realizar.
Take2: Mas, e na edição deste ano. Quais são os grandes atractivos?
Temos um ambiente cosmopolita, isto é, um ambiente em que as pessoas podem conversar umas com as outras, nos intervalos, quando não vão aos filmes, e fala-se sobre cinema que é uma coisa que existia há muito tempo, e que deixou de existir. E o Fantas trouxe de novo glamour à ida ao cinema no Porto. Por outro lado há um tipo de filme Fantas, mais ou menos caracterizado por ser um filme que está na corda bamba entre o cinema de autor tradicional e o cinema comercial. Está no ponto de equilíbrio, que tanto pode pender para um lado como para o outro. E isso garante a descoberta de novos cineastas, novas cinematografias, o que é também a função de um festival de cinema. Trazer estas novidades ao público. É o único ponto do país onde as salas enchem para ver filmes coreanos, suecos ou espanhóis, por exemplo. Para nós a grande vitória é ter salas cheias com cinematografias que em Portugal pura e simplesmente não funcionam.
Take2: Que balanço há para já desta 26º edição do Fantas?
Bem, primeiro houve o pré-fantas, que nos permitiu olear a máquina, exibir os primeiros filmes para a Imprensa, transformar o Rivoli. Tudo isso que é necessário para se criar o ambiente para a altura em que o festival arranca mesmo.
Mas desde o primeiro dia temos tido noites muito boas, tardes mais fracas, o que é normal, e o arranque foi fortíssimo. E espero que assim seja até ao fim. Os filmes são suficientemente atractivos e está na onda dos últimos anos. Temos 32 países representados com filmes de todos os continentes, o que demonstra bem a importância que damos ao cinema feito em todo o mundo.
Take2: O Fantas começou por ser um Festival ligado muito ao cinema fantástico…
Só nos primeiros dois anos. A partir do terceiro ano mudamos imediatamente o conceito. Abrimos a porta ao thriller, depois criamos a primeira semana dos realizadores, e isso também se percebe porque a meio dos anos 80 houve a primeira quebra grande do cinema fantástico. E curioso é que ninguém da estrutura é fã de filmes de terror. Por isso, a partir de determinada altura pensamos que a programação fantástica exclusiva começava a ser perigoso, porque estávamos na altura das sequelas. E decidimos abrir o festival a outras cinematografias, a ser um festival mais generalista. E depois seguimos a ordem natural das coisas, com a descoberta do cinema asiático, criamos o Orient Express, com uma tónica muito significativa de temáticas pouco convencionais. E vamos fazendo experiências. Este ano estamos a fazer uma viagem ao cinema de Bollywood, também para ver no que vai dar. E estamos a homenagear o cinema húngaro, até porque se celebram 50 anos da entrada dos soviéticos em Budapeste. No fundo a lógica do festival tem sido esta ao longo dos anos, e tem sido um sucesso, em todas as áreas do festival.
Take2: Então porque é que ainda hoje a imagem que se passa do Fantas é que é um festival quase exclusivamente virado para o fantástico, para o terror?
Em relação a isso, eu acho que há uma grande dificuldade em conseguir através da comunicação social que o festival é um festival de monstros e monstrengos. E em relação a isso não podemos fazer nada. Mesmo quem cá vem, continua a transmitir a imagem da área do fantástico. E acho que, quanto a isso, não há volta a dar-lhe.
Take2: O Fantasporto tem funcionado sempre como um espaço de revelação de nomes, não só cá em Portugal mas também a nível mundial. Houve Sam Raimi, Peter Jackson, Guillermo del Toro…Qual é a grande revelação que poderá sair daqui este ano?
É difícil de dizer. Há vários nomes. É evidente que eu sei quais são os bons, mas dizer quais vão ser os que vão dar o salto, é diferente. A questão é esta: como normalmente os nomes que as pessoas retêm, são nomes muito ligados ao cinema americano, este ano, pegamos em nomes fortes do cinema asiático, e nos restantes casos acho que só o futuro o dirá porque não vai existir a máquina norte-americana por trás. E por isso tenho dúvidas em dizer que o senhor A, B ou C, que têm grandes filmes, vão conseguir projectar-se. Tanto revelamos nomes como um James Mangold, que agora leva filmes aos Óscares, como um cineasta como o Michael Haneke, que é conhecido por um núcleo duro de cinéfilos. Os europeus, só por sorte, é que acabam por explodir realmente.
Take2: Este ano há mais cinema europeu, e há mais cinema português. Acha que se pode falar numa “Geração Fantas”?
Há uma “Geração Fantas”. Uma geração que está aí com o Alice, o Odete, o Coisa Ruim, o All See You in My Dreams. Há muitos cineastas que emergiram do Fantas. E aí tem havido apoio do ICAM que tem permitido o apoio a alguns filmes para que possam ir a concurso. O problema é que há autores, como o próprio Filipe Melo, que está à espera de apoios para avançar com o seu novo filme, Dog Mendonça e Pizza Boy, que tem um argumento, fabuloso, fabuloso, que não arranjam financiamento. Sabemos que estão a arranjar investidores privados, mas mesmo assim ainda faltam verbas, que todos esperamos que venham do ICAM ainda este ano.
Take2: A Cinema Novo vai ser um desses investidores?
De alguma forma sim. Mas não temos capacidade financeira para entrar com 400 mil euros no projecto. Já tem actores – Nicolau Breyner e Bruce Campbell – e vai ser rodado em inglês, o que tem levantado problemas com o ICAM, apesar de já se ter decidido em apostar paralelamente numa versão portuguesa. Vamos ver como é que vamos trabalhar isso!
Take2: Há uma situação que é um dos grandes problemas do cinema português. Em Espanha os espanhóis vão ao cinema ver filmes espanhóis, os franceses vêm filmes franceses…em Portugal as pessoas não vêm filmes portugueses…
Falta a nova geração. Em Espanha apostaram na nova geração, conquistaram o público. E aí a comunicação social tem culpa. Critica-se e faz-se coberturas falando-se no filme A, B ou C, esquecendo-se do contexto em que o projecto foi feito. Em Portugal não se faz divulga-se de eventos, criticam-se os eventos. O exemplo mais claro foi que no sábado, dia após o início do Fantas, não saiu uma única notícia. Tivemos de por páginas pagas de publicidade para garantir que as pessoas soubessem o que se passou. E isso acontece por preguiça, por falta de vontade em divulgar o que se vai passar em cada dia.
A Comunicação Social bloqueia a cultura nacional. Só a manda abaixo. Em Espanha, França, Itália, Alemanha, seja quem for, defende os seus cineastas, cria nomes para as estrelas, faz dos actores estrelas, cria um “star system” apoiado pelas revistas, jornais, televisões. Em Portugal é bota abaixo. Por isso é perfeitamente natural que nos jornais digam que a Maria de Medeiros é francesa.
Take2: Quem é que o Mário gostava de ver na próxima edição do Fantas?
Eu gosto de ver os meus amigos todos. Mas gostava especialmente de ter quatro gordos, apesar de um deles estar magro. Um é o Guillermo del Toro que esteve cá o ano passado. O Peter Jackson, que agora está magríssimo. E gostava de ver cá o Santiago Segura e o Alex la Iglésia. Somos todos gordos, temos todos barba, temos todos um cabelo esquisito, somos todos amigos, por isso se estivéssemos cá ao mesmo tempo seria fantástico.
Take2: E já há algum filme que tenha visto ou ouvido falar que gostasse de exibir aqui no Fantas do próximo ano?
É muito difícil. Nós trabalhamos com material extremamente recentes. Este ano temos várias estreias mundiais e europeias, o que faz com que só possamos ter a certeza que vamos ter os filmes pouco tempo antes do festival. É quase impossível nesta altura do campeonato antecipar os filmes que estarão no Fantas do próximo ano. O que estamos a fazer é testes em novos formatos. Sem ninguém reparar, estamos já a passar filmes em alta-definição no grande auditório. E no próximo ano vai haver uma fusão total dos modelos de exibição dos filmes.
Take2: Como é que fazem a selecção dos filmes?
Nós acompanhamos a produção de um filme desde a sua origem. Há dois meios de comunicação essenciais, o Variety e o Scrren Internacional, que tem áreas dedicadas ao lançamento das produções internacionais. Quando vemos o nome do produtor – que já conhecemos e tem qualidade – o filme que tem o realizador x – que já sabemos que pode dar alguma coisa – e tem o actor a ou b – que dá o enquadramento ao filme – a partir daí acompanhamos o filme. Por isso agora temos listas e listas e filmes em Cannes e no American Film Market. E é aí que vamos ver e falar, pedir promos, desses filmes. Daí que a programação do próximo ano, e de 2008, já está a rodar.
Outro dos grandes nomes presentes da 26ª edição do Fantasporto foi John Howe. O ilustrador de O Senhor dos Anéis esteve no Porto a propósito do documentário John Howe: The And Back Again, de Anders Banke (Frostbiten) e François Boetschi. O Take 2 e o Hollywood estiveram na conferência de imprensa com o próprio Howe, Magnus Paulson (produtor) e François Boetschi.

Take2: Quando olha para o documentário John Howe: The And Back Again, deixa-o orgulhoso?
John Howe (JH): Sim. Claro que sim. Acho que eles fizeram um trabalho genial em tornar a minha vida interessante. Porque ela não é!
Take2: Quando cria as ilustrações do "universo Tolkien" a sua única inspiração são os textos escritos pelo autor, ou há algo mais do que isso no decorrer do processo criativo?
JH: É uma boa questão. Acho que qualquer ilustração tem de ir mais além do que está escrita no papel. O texto é um ponto de partida para a informação que queremos transmitir, e que não está necessariamente escrita. E isso implica sempre grande pesquisa. É um processo de duas partes que acontecem ao mesmo tempo. Procurar a informação, e depois esquece-la e deixar a inspiração trabalhar.
Take2: Tenta então jogar com o que Tolkien escreve e o que sente em relação ao que lê?
JH: Sim, acho que é uma sensação mista. Não nos podemos contradizer, mas o que está escrito não é suficiente. Temos de estar atentos à atmosfera e ao detalhe. E já vi ilustrações que são iguais ao que está no papel, e não fazem sentidos. E por isso acho que a criação do trabalho tem muito mais para além do que está escrito. Aliás acho os textos do Tolkien mais interessantes do que o próprio livro. Ele não inventou nada. A maioria dos nomes existem nas sagas escandinávias. Basta ver os nomes do Gandalf, dos elfos, anões...ele não inventou muito na verdade!
Take2: Ilustrar o universo de Tolkien é um dos pontos altos da carreira de um ilustrador?
JH: Estou tentado a dizer que sim. É muito raro encontrar um trabalho de ficção em que estamos completamente de acordo com o que foi escrito. Acho que não há nada no Lord of the Rings que não goste. E isso é muito dificil de encontrar. É um dos universos que mais nos realiza, em termos de ilustração!
Take2: Todos nós vimos os filmes, em que o John trabalhou como ilustrador. Quando olha para uma cena do filme, e faz pausa, e observa bem a cena, os detalhes, as personagens...sente que era assim que criaria a cena se a estivesse a ilustrar no papel?
JH: Não. Seria muito raro. Há algumas cenas que acho fabulosas, e que adoraria desenhar. Mas não todas. É simplesmente uma questão de gosto. Mas acho que o filme fez um trabalho fabuloso em não destruir a imagem que já existia do universo Lord of the Rings. É curioso porque o Peter Jackson fez um filme para um público devoto dos livros, que já tinha uma ideia de como tudo devia parecer, e ao mesmo tempo ele queria algo pessoal no trabalho que fez. E conseguiu uma mistura perfeita. Mas é preciso ter-se sorte. E ele teve-a!
Take2: Magnus e François. Vocês são ambos criadores. Como foi fazer um trabalho criativo sobre alguém cujo trabalho também é criar?
François Boetschi: É um encontro de três mundos, o meu e do Anders como cineastas, o do Magnus como produtor e o do John criador. Como ele disse os textos do J.R.R. Tolkien são também para ler nas entrelinhas, e acho que tentamos filmar o que está nas entrelinhas do trabalho do John. Menos o Senhor dos Aneis e mais o criador das ilustrações. A ideia da criação perseguiu-nos sempre durante este trabalho, sim.
Take2: Estamos num periodo em que os documentários com mais sucesso são documentários politicos ou de intervenção social. Mas vocês trabalharam a perspectiva de um criador. Acham que o documentarismo devia ser mais assim, mas voltados para as pessoas e para o que elas fazem?
François Boetschi: Não acreditamos muito na ideia do "cinema-verite", mas claro, quando começamos a filmar é uma pessoa que tamos a seguir. Mas queremos fazer isso de uma forma sensitiva. Não vamos dizer, isto é a vida do John Howe, porque não é. São pedaços da sua vida, pedaços muito pequenos. E não queremos fazer o todo passar pela parte. Há muito que não sabemos sobre ele.
John Howe: É curioso falarem nisso porque há outro documentário sobre o meu trabalho, que eu já vi, e são completamente diferentes estes dois filmes. E no entanto o objecto da camara é o mesmo, eu. Acho que o valor de um filme como estes está mais no trabalho que eles fizeram, do que no meu!
Take2: E como é que alguém como o John Howe se sente quando fazem um documentário sobre si, sobre a sua vida, o seu trabalho?
JH: Acho que fazer um documentário destes é muito dificil. O trabalho de criação é muito maçador de se ver. Não se pode filmar uma pessoa a fazer o mesmo durante 3 semanas. Não dá. É algo muito solitário. Por isso gostei muito do trabalho criativo deles, não só o meu trabalho mas tudo o que o possibilita. Para mim, acho que foi uma experiência fascinante.
Take2: O John Howe é um ilustrador de renome, mais conhecido pelo seu trabalho no Lord of the Rings, mas não só. Dos universos literários, dos mundos de ficção criados pelos mais diversos autores, há ainda contos, livros, personagens que gostasse de ilustrar e que ainda não o tenha feito?
JH: Sim, muitos. Mesmo muitos.
Take2: Quem, por exemplo?
Não consigo...são centenas, não consigo dizer só um nome!
Take2: Quando olha para as suas ilustrações do Senhor dos Aneis pensa que, se tivesse de fazer tudo outra vez, fazia de forma diferente?
JH: Sim, sem dúvida. Eu acho que tudo o que fiz na semana passada é o que fiz na semana passada. Não há nada definitivo nem permanente. Não é possivel fazer algo definitivo de nada. Porque se fizermos algo definitivo, isso significa que acabou. E por isso o trabalho mais interessante, é sempre o próximo, para mim.
Take2: Teve liberdade criativa quando fez o trabalho de ilustrador da trilogia Lord of the Rings?
JH: Sim, tivemos muita sorte. Tivemos em pré-produção durante um ano e meio. Foi muito tempo. Mas não houve pressão, não tinhamos datas de entrega, e nós sabiamos o ritmo que era necessário. A equipa de design de pré-produção tem sempre sorte, porque está tudo a começar lentamente. E eu tive esse prazer de trabalhar sem pressões.
Take2: Trabalhou com outro grande ilustrador, Alan Lee, quando fez o Lord of the Rings. Como foi trabalhar com outro grande nome do meio para alguém que está habituado a trabalhar sozinho? Houve colisão ou cooperação total?
JH: Sou um grande admirador dele. Um grande ilustrador, uma grande pessoa. A cooperação foi total. Ele é mais velho que eu, dez anos, e quando ainda estava a começar já ele era um grande nome. Foi óptimo conhece-lo, e a melhor coisa possivel que pode acontecer a um criativo é poder trabalhar com alguém que se admira. Foi mesmo estimulante trabalhar com ele. Tinhamos um pequeno escritório, que partilhavamos, na Nova Zelândia, e eu trabalhava nos meus desenhos, e vira-me, olhava para o que ele estava a fazer, e via desenhos fabulosos, que me inspiravam e ajudavam. Foi óptimo!
Léccio Rocha e Miguel Lourenço Pereira

Daniel Craig como James Bond em 007-Casino Royale
Outro dos vencedores da 26ª edição do Fantasporto foi A Lenda do Espantalho que conquistou o méliès de prata, o que lhe permite ser o candidato do "fantas" ao méliès de ouro na categoria de curta-metragem. O Take 2 e o Hollywood chegaram à fala com o realizador Marc Besas, no dia em que este foi premiado.

Take2: De onde nasceu a ideia para a curta A Legenda do Espantalho?
Marc Besas: É uma história curiosa. Há cinco anos atrás queria oferecer uma pequena história à minha namorada, para lhe dar nos anos. No dia anterior disse a mim mesmo que tinha de acabar aquilo depressa, e escrevi a história em pequenos cartões ilustrados. No dia seguinte dei-lhe o conjunto dos cartões como prenda. E toda a gente gostou muito da história...menos ela.
Take2: E a história foi original ou houve a inspiração em alguma lenda?
MB: Não, é original.
Take2: Qual foi a sua grande inspiração para o conceito visual da curta-metragem?
MB: Acho que todos sabem quem é que me inspirou...o nome dele é Tim Burton...e isto nem sequer é uma homenagem de um admirador, é uma cópia deliberada, porque eu simplesmente adoro o Tim Burton, adoro-o!
Take2: Para fazer a curta utilizou stop-motion e animação por computador. Porque juntar as duas técnicas de animação no mesmo filme?
MB: Na verdade nós só queriamos trabalhar com animação tradicional, mas era demasiado complicado. Por isso acabamos por precisar de trabalhar um pouco em computador, mas acho que a mistura das duas técnicas torna o filme ainda mais interessante, dá-lhe um estilo muito próprio.
Take2: Fazer A Legenda do Espantalha custou muito dinheiro?
MB: Foi uma produção baratissima. Fizemos o filme num mês, e depois trabalhamos na música e som, mas a rodagem foi muito rápida e acabou por sair muito barata.
Take2: Depois do sucesso desta curta quais são as apostas para o futuro?
MB: Estou a trabalhar num esboço para um próximo filme animado chamado El Sacamantejas, que é sobre um conto de folclore espanhol sobre o "Papão". O "Papão" arranca o estomago das crianças e usa-o para fazer sopa. Como podem ver é um argumento pesado, muito pesado!
Take2: E como foi saber que está na competição directa para o Mélies D´Ouro?
MB: Eu nem sabia o que era o Meliés. Foi o Jaume Balagueró (realizador de Fragile) que me explicou tudo à bocado. É óptimo. Para mim esse prémio tem um valor muito superior do que simplesmente ser eleito a "melhor curta-metragem" porque no fundo é uma oportunidade para tentar ganhar outros trofeus, e para ajudar a estabelecer o meu nome no meio.
Léccio Rocha e Miguel Lourenço Pereira
A 26ª edição do Fantasporto já terminou mas ainda há muitas histórias para contar. O Take 2 e o Hollywood dão hoje início à publicação de uma série de entrevistas conduzidas durante o festival. Para começar nada melhor do que a conversa que tivemos com Anders Banke e Magnus Paulson, realizador e produtor do filme vencedor da secção oficial cinema fantástico: Frostbiten. A entrevista teve lugar em dois momentos. Primeiro no dia seguinte à exibição do filme e mais tarde depois de anunciados os vencedores.

A VITÓRIA NO FANTAS
Take2:Frostbitten venceu, contra a expectativa de muitos. Como é que se sente o produtor vencedor do Fantas deste ano?
Magnus Paulson: Estou nas nuvens. É o primeiro Festival a que concorremos com o Frostbitten...é incrivel! Acabei de falar com o Anders (Banke, o realizador) e ele acabou de chegar a casa, à Suécia, e está a festejar com champagne na cozinha. Desconfio que aqui vai ser a mesma coisa.
Take2: Agora que venceram um Festival, a possibilidade de lançar o filme noutros paises é maior?
MP: Sim. Os números do box-office na Suécia acabaram de chegar e são surpreendentes. Estamos em quinto lugar, e somos o filme sueco mais visto do ano. Estou felicissimo, e ganhar aqui ainda me deixa mais feliz.
Take2: O Fantas tem o hábito de premiar realizadores que já foram galardoados em edições anteriores. Esperam voltar nos próximos anos com filmes prontos a disputar o Festival?
MP:Claro. Temos de manter o ritmo de vitória não é?
Take2: Agora há planos para o lançamento do dvd?
Sim claro. Temos muitas cenas extra, que não apareceram no filme mas vão estar no dvd. Temos também 20 horas de bastidores e por isso vamos trabalhar no desenvolvimento do projecto em dvd.
O FILME
Take2: Quais foram as reacções do público sueco ao filme?
Magnus Paulsoon- Não fazemos a mínima ideia. O filme estreou há dois dias (24 de Fevereiro) e nós já á estávamos no Porto…
Take2:E as primeiras impressões que receberam?
Magnus - Ainda não lemos nada sobre o que se passou mas a ideia que temos é que foi muito bem recebido pelo público. As únicas criticas foram de pessoas que estavam à espera de um filme hardcore de terror. E quando queremos atingir uma audiência maior que a do simples filme de terror, é natural que agrademos a mais público e não tanto aos fãs hardocre do cinema de terror..mas a verdade é que eles não são assim tantos, o que faz com quem não tenham tanta importância comercialmente. E nesse aspecto acho que nos temos saído bem e que vamos continuar a sair-nos bem nas bilheteiras.
Anders Banke- Muitas das pessoas que nunca viram de terror confessam que se assustaram um bocado com o Frostbitten, o que para nós é muito bom. Claro que quando se é um fã de filmes de terror e se viu centenas, é mais difícil agradar.
Take2: Quais foram as vossas grandes influências para criar este filme?
Anders - Eu sempre fui um grande admirador do Peter Jackson…visualmente sempre quisemos jogar muito com a luz, com o contraste da escuridão e da luz. E para isso inspiramo-nos bastante em artistas plásticos suecos. Mas também não começamos o filme a dizer “queremos fazer esta cena como este fez aquela”.
Magnus - Eu sempre me senti inspira.do pelo Lobisomem em Londres…o nosso argumentista (Daniel Ojanlatva) é um grande fã de Lost Boys..e claro há o Polanski que tem um filme com muita neve, sangue e humor!
Take2:Vai haver uma sequela?
Anders - Sim, temos discutido essa ideia. O nosso argumentista diz que a sequela é uma óptima ideia, mas todos concordamos que íamos deixar passar algum tempo antes de voltar-mos a filmar na neve. O nosso próximo filme deverá ter lugar nas Bahamas (risos).
Take2:Frostbitten vai ter distribuição no mercado europeu ou norte-americano?
Magnus - Estamos a apostar nisso. Mostramos o filme em Berlim, durante a mostra de filmes do Festival, e o público gostou muito. A nossa produtora está a apostar muito nessa divulgação e tenho praticamente a certeza que o filme vai sair em bastantes países. O que já sei é que vai estrear em Singapura e nas Filipinas. Achamos isso muito divertido, um filme sueco nas Filipinas…
Take2:Os dois trabalharam em documentários, esta é a vossa primeira longa-metragem, com elenco, e um elenco muito jovem ainda por cima. Como é que correu a direcção de actores?
Anders - Foi extremamente positivo. Tínhamos um período de filmagens muito restrito porque tinha a ver com a neve que tínhamos para filmar. Por isso acabamos por ter pouco tempo para ensaiar, mas correu bem. A jovem estrela do filme (Grete Havneskold) era a grande estrela juvenil do cinema sueco, e os outros também andavam pela casa dos 17-19, o que também ajudou a fazer de tudo isto algo muito divertido.
Take2:O Magnus esteve de alguma forma envolvido no processo criativo de Frostbitten?
Magnus - Eu sou um produtor criativo. Tenho muitas ideias e discuto-as com o Anders, mas assim que começam as filmagens eu apago-me. Mas como costumamos trabalhar em publicidade, em conjunto, é natural que haja troca de ideias.
Take2:Para além de Frostbitten, têm mais algum projecto em mãos?
Anders - Sim. Temos dois projectos. O principal, aquele que estamos a desenvolver agora, vamos filmar no próximo ano, e como se não tivéssemos tido problemas suficientes a rodar o Frostbitten este vai ser ainda mais difícil. É o dobro do orçamento e é algo que não é feito na Suécia desde os anos 20. É um projecto muito interessante e ainda não podemos revelar muita coisa, mas será um projecto mais internacional.
OUTROS PROJECTOS
Take2:Falando de Peter Jackson, o vosso trabalho anterior foi um documentário, intitulado John Howe : There and Back Again. O que é que vos levou a fazer esse documentário?
Anders - O meu realizador preferido de sempre é o Peter Jackson, eu adoro o universo do Senhor dos Anéis e acho que o John Howe é o maior artista de sempre, por isso o documentário quase que se tornou inevitável. Não tínhamos muito dinheiro, mas foi muito interessante e deu-nos muito prazer fazer este filme.
Take2:Peter Jackson viu o documentário?
Anders - Eu acho que sim. Enviamos-lhe uma cópia e ainda não recebemos qualquer resposta, mas ele também tem andado ocupado com o King Kong.
Take2:Magnus, e quanto ao filme Desperetly Seeking Seeka. Foi a sua faceta de realizador que o levou a fazer o filme? Porquê fazer um documentário sobre uma estrela porno dos anos 70?
Magnus - O sexo para começar….(risos) A verdade é que poderia ter sido qualquer um, qualquer tipo de ícone, seja da música, cinema, desporto. O que nos queríamos era saber o que acontece a alguém que foi famoso, que atingiu o cume da fama, e o que lhe acontece depois, quando a fama desaparece. Quando começamos não tínhamos a mínima ideia de como é que ela estava, onde é que ela morava, o que é que fazia…e acabou por resultar muito bem. Descobrimo-la em Chicago a viver uma vida bastante confortável. Aliás, depois do filme ela decidiu a voltar a esta em forma e está a preparar um comeback. Até posso dizer que nos ligou há pouco tempo a perguntar se não queríamos fazer uma sequela.
Take2: E aceitaram?
Magnus - Bem, não…quer dizer, já fizemos isto, já sabemos tudo o que precisamos sobre esta indústria e agora queremos continuar a investigar outras pessoas, outras áreas.
O CINEMA SUECO
Take2: Para nós, portugueses ,e para a generalidade dos cinéfilos, a Suécia ainda é muito conotada com o cinema de autor, com as obras de Ingmar Bergman e dos seus “discípulos”. O que é existe para além desse cinema na Suécia?
Anders - Sinceramente, para além de Frostbitten…nada. Frostbitten foi o primeiro filme de terror de sempre, e estou a falar num período maior que 100 anos. Apesar da imagem que passa para fora, de um país de liberdade, a Suécia é culturalmente muito reprimida. Ou se fazem comédias leves, ou filmes policiais ou filmes de autor. Não há espaço para mais nada.
Take2:Porque é que isso acontece?
Anders - Não sei..não consigo explicar. Só sei que de repente, com o Frostbitten tudo parece ter mudado. Já estão a planear outro filme de vampiros para Novembro, uma série de televisão com zombies…de repente as pessoas chegaram à conclusão que podem fazer outras coisas, que podem apostar em produtos diferentes.
Magnus - Pessoalmente acho que nós abrimos a porta para esta nova geração de realizadores na Suécia. Provamos-lhe que é possível fazer coisas como esta. Muita gente nos pergunta porque é que não filmamos o Frostbitten em inglês, porque seria muito mais fácil exportar o filme. Mas nós queríamos mesmo mostrar ás pessoas na Suécia que é possível fazer este tipo de filmes, em sueco, e exibi-lo nos cinemas. Foi muito complicado devo dize-lo, mas conseguimos, já estreou na Suécia com 52 cópias, o que é inédito…normalmente os filmes estreiam com 22, 25 cópias..ainda estamos um pouco surpresos.
Anders - Sim, tivemos muitos problemas em arranjar distribuidores. Tivemos duas distribuidoras que nos disseram “ok, o vosso é filme é óptimo, mas como nunca foi feito nada assim na Suécia, não sabemos como o vamos publicitar. E por isso não o vamos fazer”.
Take2: Como é que financiaram o filme?
Anders - Tivemos 11 co-produtoras, desde o Instituto de Cinema da Suécia a algumas produtoras locais, principalmente do sul que é de onde somos. E foi a primeira vez que produtoras locais se juntaram para financiar um filme. Além disso tivemos ajuda de uma empresa russa que nos ajudou com os efeitos especiais.
Magnus - E claro, o projecto Medeia. Aliás, acho que é a primeira vez na história da União Europeia que eles financiaram um filme de vampiros. O que é estranho porque andamos tanto tempo a lutar contra o sistema, e agora somos parte do sistema. Porque ficamos a pensar…e agora lutamos contra quem?
Take2: É produtor mas também já foi realizador. Planeia voltar a realizar no futuro?
Magnus - Não, acho que me vou ficar pela produção. Eu prefiro ficar na sombra a trabalhar. O Anders é que gosta da fama (risos).
Take2: Planeiam dar o salto para os Estados Unidos? É um objectivo pessoal?
Anders - Na realidade nunca foi. O que seria interessante é trabalhar com os orçamentos que existem lá. Eu já estive em Los Angeles e não gostava nada de lá viver. Mas se fosse para viver cá e ir lá filmar m filme de grande orçamento, isso já estava bom para mim. Eu gostava de fazer o mesmo que o Peter Jackson fez na Nova Zelândia. Gostava de trazer dinheiro para financiar filmes europeus, feitos aqui na Europa. E também, como eu já estudei em Moscovo, e para o ano foi filmar um remake russo de um filme de Hong Kong, também tenho a possibilidade de trabalhar a leste.
Take2: Acreditam que poderão vir a realizar filmes de grande orçamento na Europa?
Anders - Se eles podem fazer na Nova Zelândia, que é mais pequeno que a Suécia ou Portugal, porque não?
Magnus - Aliás, depois de fazer o Frostbitten falei com alguns produtores norte-americanos que me disseram que a Ásia é o grande mercado do momento, mas que os estúdios estão já à procura da next big thing. E eles acreditam que o que vai dar a seguir é o cinema europeu, especialmente o da Europa do norte. Por isso temos a consciência que estamos no radar deles.
Léccio Rocha e Miguel Lourenço Pereira
Depois de nas últimas semanas termos assistido às estreias dos vários filmes nomeados aos prémios da Academia de Hollywood, as salas de cinema voltam a ser invadidas por propostas mais comerciais. Ao todo são nove filmes. A variedade é muita, a qualidade é que nem por isso.

Underworld: Evolução continua a história da guerra entre vampiros e lobisomens iniciada com Underworld em 2003. Kate Beckinsale e Scott Speedman estão outra vez às ordens de Len Wiseman como a vampira Selene e o híbrido Michael. Desta vez a dupla vai ter de lidar com o vampiro original: Marcus (Tony Curran).
Em Terapia do Amor (Prime) Uma Thurman dá vida a uma mulher divorciada que redescobre o amor num jovem de vinte e poucos anos. Apesar da diferença de idades conta com o apoio da sua psicóloga (Meryl Streep), pelo menos até ela descobrir que o jovem em questão é o seu filho.
Bandidas tem duas das actrizes hispânicas mais sexys do momento, Penélope Cruz e Salma Hayek, na pele de duas justiceiras que decidem proteger a sua cidade de um governador sem escrúpulos. Escrito por Luc Besson e realizador por Joachim Roenning e Espen Sandberg, Bandidas conta também com Steve Zahn e Joseph D. Reitman no elenco.
Do Fantas para Portugal
Três das estreias desta semana passaram pela edição deste ano do Fantasporto. Espelho Mágico foi um dos pontos altos do festival, inserido na homenagem a Manoel de Oliveira. Protagonizado por Leonor Silveira, Ricardo Trepa, Lima Duarte, Michel Piccoli e Marisa Paredes, Espelho Mágico adapta para o cinema o livro A Alma dos Ricos, de Agustina Bessa-Luís. Na história, uma senhora da alta sociedade vive com o desejo de que a nossa senhora lhe apareça.
Frágeis (Fragile), do espanhol Jaume Balagueró, teve honras de fecho do Fantasporto e conta com Calista Flockhart no papel de uma enfermeira chamada para ajudar as crianças do hospital pediátrico de Mercy Falls. Mas o que ela não sabe é que o edifício esconde um terrível segredo.
Nove anos depois do original, Mamoru Oshii regressou ao mundo de Ghost in the Shell. Um mundo onde a diferença entre homens e máquinas é cada vez mais ténue. Um mundo povoado por questões filosóficas de resposta difícil e composto por paisagens fantásticas ao bom estilo oriental. Ghost in the Shell 2: Innoncence segue a história de Batou, um ciborgue perseguido por memórias de uma mulher e encarregue de investigar um caso de homícidio.
Outras estreias
Todos ao Monte (Yours, mine and ours) tem Dennis Quaid e Rene Russo (dois actores à procura de um "comeback") nos papéis principais e muitas crianças ao barulho. Quaid e Russo decidem casar mas o problema é que ambos têm filhos de relações anteriores, num absurdo total de 18. Uns são disciplinados e cumpridores, outros umas pestes, mas juntos vão tentar acabar com o casamento dos pais.
Por fim, do oriente chega-no O Mundo (Shije), um drama sobre a vida, os amores e os desamores de um grupo de bailarinas do World Park, um local nos arredores de Pequim que recria os monumentos mais famosos do mundo.

Brandon Routh como Clark Kent/Super Homem em Superman Returns
Eis um novo trailer de X-Men 3. As imagens apresentam os conflitos do filme e boa parte dos novos mutantes que aparecem na derradeira aventura destes heróis da Marvel.
Kevin Spacey já veio a público dizer que vai entrar em pelo menos mais dois filmes do Super-Homem. Isto quer dizer que estão planeadas pelo menos duas sequelas para Superman Returns e que Lex Luthor está nelas.
Gael Garcia Bernal estreia-se como realizador. O filme, baseado na série televisiva Ruta 32, ainda não tem título, mas sabe-se que desenvolve o tema das tensões sociais entre classes no México. Diego Luna é um dos actores já contratados para esta produção.
Paul Haggis foi o grande vencedor da noite de ontem, por ter entrado no Kodak Theater em Los Angeles com baixas expectativas e ter saído da sala com os Óscares para Melhor Filme e Melhor Argumento Original pelo filme Colisão. Ang Lee venceu o galardão para Melhor Realizador, mas viu o seu Brokeback Mountain derrotado nas outras categorias principais. O resumo de uma noite equilibrada, mas com algumas surpresas em que o número "3" foi o da sorte para uns e o do azar para outros, em Continuar.

Com JPN
O favorito da noite, O Segredo de Brokeback Mountain, de Ang Lee, foi o grande derrotado da noite dos Óscares. Apesar de ter ganho 3 estatuetas (Melhor Realização, Melhor Argumento Adaptado e Melhor Banda Sonora) deixou fugir o galardão principal para Crash.
Quando todos esperavam que a história de amor entre dois cowboys vencesse tudo, eis que o outsider surge e ganha. É, sem dúvida, um prémio da Academia a um tema em voga em Los Angeles (tensões raciais) e uma prova que o lobbie gay em Hollywood não é tão forte quanto isso. Paul Haggis bisa, depois de no ano passado ter ajudado Clint Eastwood a triunfar com Million Dollar Baby. Crash também levou 3 óscares para casa.
Em relação ao resto da noite. George Clooney parecia saber o que o esperava, quando, ao receber o Óscar para melhor Actor Secundário por Syriana - o primeiro da noite a ser entregue - afirmou: "Bem, isto quer dizer que já não recebo o de Melhor Realizador". Assim foi, Boa Noite e Boa Sorte não venceu em nenhuma das seis categorias para as quais estava nomeado, entre as quais Melhor Filme e Melhor Realização.
Também Steven Spielberg saiu da 78ª Cerimónia de entrega dos Óscares da Academica de mãos a abanar. Munique, nomeado em cinco categorias, não venceu em nenhuma delas. Apesar de à partida se saber que tinha poucas hipóteses de vencer os prémios principais, era de esperar que levasse pelo menos uma estatueta para casa.
O Óscar de Melhor Actor Principal não escapou ao favorito Philip Seymour Hoffman pelo seu desempenho em Capote, filme sobre o episódio da vida do escritor norte-americano Truman Capote que o levou a escrever o seu mais famoso - e derradeiro - livro, "A Sangue Frio".
De realçar aqui também a derrota de Joaquin Phoenix em Walk the Line. A biopic de Johnny Cash apenas sorriu com Reese Witherspoon, que ganhou na categoria de Melhor Actriz Principal, em que protagoniza o papel de June Carter, a mulher do cantor Johnny Cash. Aqui também ficou ciente a derrota do lobbie gay, pois Felicity Huffman e o seu Transamerica ficaram para trás.
Rachel Weisz derrotou a concorrência de Frances McDormand e arrebatou o prémio de Melhor Actriz Secundário pelo seu desempenho em The Constant Gardener. Foi um prémio merecido para esta britânica e para um dos realizadores do filme, o brasileiro Fernando Meirelles.
Quem também saiu do Kodak Theatre com um sorriso de orelha a orelha foi Peter Jackson. O grande vencedor de há dois anos, por causa de O Senhor dos Anéis, tinha sido vexado por causa do seu novo King Kong e relegado para nomeações em categorias técnicas. Os rumores deixavam antever uma derrota para As Crónicas de Narnia. Mas o que é certo é que Jackson derrotou de novo a concorrência e levou 3 óscares para casa. O filme da Disney levou apenas 1. Destaque também para as 3 estatuetas ganhas por Memoirs of a Geisha.
Na guerra entre bonecos, a Academia premiou o stop-motion, dando o título de melhor animação do ano a Wallace e Gromit: A Maldição do Coelhomem.
Óscares: Lista completa dos vencedores
Melhor Filme - Crash
Melhor Realização - Ang Lee (Brokeback Mountain)
Melhor Argumento Original - Crash
Melhor Argumento Adaptado - Brokeback Mountain
Melhor Actriz Principal - Reese Witherspoon (Walk the Line)
Melhor Actor Principal - Philip Seymour Hoffman (Capote)
Melhor Actor Secundário – George Clooney (Syriana)
Melhor Actriz Secundária – Rachel Weisz (Constant Gardener)
Melhor Documentário – March of the penguins
Melhor Filme Estrangeiro - Tsotsi (África do Sul)
Melhor Montagem - Crash
Melhores Efeitos Visuais – King Kong
Melhor Filme de Animação – Wallace & Gromit and the curse of the were-rabbit
Melhor Guarda-roupa – Memoirs of a Geisha
Melhor Curta-metragem - Six Shooter
Melhor Curta-metragem de Animação - The Moon and the Son
Melhor Maquilhagem - The Chronicles of Narnia
Melhor Documentário Curta-metragem - A Note Of Triumph: The
Golden Age Of Norman Corwin
Melhor Direcção Artística - Memoirs of a Geisha
Melhor Banda Sonora - Brokeback Mountain
Melhor Mistura de Som - King Kong
Melhor Canção Original - "It's hard out here for a pimp", Hustle & Flow
Melhor Edição Sonora - King Kong
Melhor Fotografia - Memoirs of a Geisha
Óscar Honorário - Robert Altman
Por entre duras críticas da organização do festival à falta de cobertura da comunicação social, foram hoje anunciados os vencedores da 26ª edição do Fantasporto. "Frostbitten" e "Adam's Apple" são os grandes vencedores da secção oficial de cinema fantástico e da semana dos realizadores.

O festival encerra hoje, sábado, às 21h15 no Rivoli com a exibição de "Fragile", do espanhol Jaume Balagueró e protagonizado por Calista Flockhart, seguido do tradicional Baile dos Vampiros no Teatro Sá da Bandeira. Amanhã o dia está reservado para a exibição dos filmes premiados no Pequeno e Grande Auditório do Rivoli.
"Frostbitten" (na foto), do sueco Anders Banke, é uma história de vampiros que mistura o terror com o humor e tinha sido um dos pontos altos do primeiro fim de semana do festival. Foi o melhor filme na secção oficial de cinema fantástico. Já o vencedor da semana dos realizadores, "Adam's Apple", de Anders Thomas Jensen, é uma comédia negra sobre o relação entre um padre e um neo-nazi. Foram os principais vencedores da 26ª edição do Fantasporto.
É a segunda vitória no Fantasporto do dinamarquês Thomas Jensen, que em 2003 tinha vencido igual galardão com "The Green Butchers". Para além de melhor filme, "Adam's Apple" conquistou também os prémios de melhor argumento e melhor actor (Ulrich Thomensen).
A co-produção luso-francesa "Animal" com Diogo Infante no papel principal venceu o Méliès d' Argent e o prémio para melhor argumento da secção oficial de cinema fantástico. O prémio de melhor realizador da mesma secção foi para Robin Aubert por "Saints Martyrs des Damnés". "Johanna" do húngaro Kornél
Mundruczó levou para casa o prémio especial do júri e o galardão de melhor actriz (Orsi Tóth).
Na semana dos realizadores foram premiados, para além de "Adam's Apple", "Offscreen" (melhor realização), "Be with me" (Prémio especial do júri) e "Incautos" (prémio de melhor actriz para Victoria Abril).
Na secção Oriente Express, dois dos melhores filmes de festival repartiram os prémios. "The Bow", de Kim Ki Duk, ficou com o prémio especial do júri e "Sympathy for Lady Vengeance", de Park Chan Wook, com o de melhor filme.
Palmarés completo:
Secção Oficial Cinema Fantástico
GRANDE PRÉMIO: Frostbiten de Anders Banke (Sue/Swe)
PRÉMIO ESPECIAL DO JURI: Johanna de Kornél Mundruczó (Hung)
MELHOR REALIZAÇÃO: Robin Aubert por Saints Martyrs des Damnés (Can)
MELHOR ACTOR: Jaume Garcia Arija em Zulo (Esp/Spa)
MELHOR ACTRIZ: Orsi Tóth em Johanna (Hun)
MELHOR ARGUMENTO: Roselyne Bosch por Animal (Por, Fra,GB/Por, Fra, UK)
MELHOR FOTOGRAFIA: Manuel Mack em A Quiet Love (Ale/Ger)
MELHOR CURTA-METRAGEM: Home Delivery de Elio Quiroga (Esp/Spa)
MENÇÃO HONROSA: Shadow Man de David Benullo (EUA)
16ª Semana dos Realizadores
PRÉMIO SEMANA DOS REALIZADORES FANTASPORTO 2006: Adam's Apple de Anders Thomas Jensen (Din)
PRÉMIO ESPECIAL DO JÚRI: Be With Me de Eric Khoo (Sing)
MELHOR REALIZADOR: Pieter Kuijpers por Offscreen (Hol)
MELHOR ACTOR: Ulrich Thomensen em Adam's Apple (Din)
MELHOR ACTRIZ: Victoria Abril em Incautos (Esp/Spa)
MELHOR ARGUMENTO: Anders Thomas Jensen por Adam's Apple (Din)
Secção Oficial Orient Express
GRANDE PRÉMIO ORIENT EXPRESS: Sympathy for Lady Vengeance de Chan Wook Park (Cor Sul/South Korea)
PRÉMIO ESPECIAL DO JÚRI: The Bow de Kim Ki Duk (Cor Sul,Jap/South Korea/Jap)
Méliès D'Argent
MÉLIÈS DE PRATA: Animal de Roselyne Bosch (Por, Fra,GB/Por, Fra, UK)
MÉLIÈS DE PRATA CURTA-METRAGEM: A Lenda do Espantalho de Marc Besas (Esp/Spa)
O Júri da Crítica do Fantasporto 2006 decidiu atribuir o prémio a: A Quiet
Love de Till Franzen (Ale/Ger)
O Júri do Público/Premio Jornal Público do Fantasporto 2006 :
The Other Half de Marlowe Fawcett e Richard Nockels
Prémio norteshopping A Tua Curta no Fantasporto: Estranhos Casos Ocorrem
de Luis Pato, Fernando Braga, João Marques e Daniel Marques
Prémios Carreira:
Manoel de Oliveira
Christiane Torloni
Bill Plympton
"Espelho Mágico", último filme do decano dos realizadores portgueses, foi exibido em antestreia nacional.

O Rivoli vestiu-se novamente de gala, desta vez para prestar homenagem ao maior nome do cinema português e patrono da secção oficial Semana dos Realizadores do Fantasporto deste ano.
Vindo directamente de Paris onde roda "Belle Toujours", Manoel de Oliveira esteve no Porto para apresentar "Espelho Mágico". Acompanhado pelo elenco, Oliveira destacou o trabalho dos actores como "o maior brilho que o filme tem" e agradeceu as sentidas palavras que a directora do festival, Beatriz Pacheco Pereira, lhe tinha dedicado minutos antes.
Humilde e bem-humorado, aquele que é desde 2001 o mais antigo realizador de cinema em actividade foi breve na sua intervenção pois defende que se deve "dizer pouca coisa antes de se ver o filme e muita depois", destacando apenas que "não há nada mais gratificante para um criador do que a compreensão do seu trabalho".
"Espelho Mágico" adapta para cinema o livro "A Alma dos Ricos" de Agustina Bessa Luís e conta a história de uma senhora da alta sociedade (Leonor Silveira) que deseja, mais do que qualquer outra coisa, testemunhar uma aparição da Virgem Maria. Ricardo Trepa, Lima Duarte, Michel Piccoli, Duarte de Almeida e Luís Miguel Cintra completam o elenco principal.
Também presente na homenagem esteve o secretário de Estado da Cultura, Mário Vieira de Carvalho, que elogiou a atitude de "inconformismo e inovação que não pára de surpreender" do realizador e a "persistência e competência" da organização do festival.
É já no domingo, a cerimónia de entrega dos Óscares. Brokeback Mountain é o grande favorito, mas há mais dois ou três filmes com uma palavra a dizer. Na madrugada de domingo, os olhos dos cinéfilos estarão postos no Kodak Theater, em Los Angeles, para a 78ª cerimónia de entrega dos mais importantes galardões da sétima arte. Se não houver surpresas, Brokeback Mountain deve ser o grande vencedor. O filme de Ang Lee tem reunido adeptos um pouco por tudo o mundo e venceu as competições mais importantes que antecedem os Óscares (Globos de Ouro, BAFTA, etc.). Mário Augusto também acredita que a história de amor entre dois cowboys vai arrebatar o maior número de estatuetas.

Acho que este ano, apesar do facto de poder haver surpresas, é consensual a opinião que o filme de Ang Lee será o grande vencedor.
Na área da representação, os galardões estão praticamente entregues. Para o crítico de cinema, só uma surpresa por parte do júri tirará as estatuetas a Philip Seymour Hoffman e Reese Witherspoon.
Se fosse eu a escolher, e espero que a tendência da Academia vá por aí, era o Philip Seymour Hoffman no Capote. É claramente o melhor actor do ano.
O "patinho feio" de Hollywood tem uma interpretação notável na biopic de Truman Capote e apenas enfrenta a concorrência renhida de Joaquin Phoenix em Walk the Line.
Quanto a Witherspoon, surpreendeu com o seu papel agri-doce de esposa de Johnny Cash (Phoenix), também em Walk the Line. Felicity Huffman apresenta-se como a única alternativa, pelo seu papel em Transamerica. Mas a sua vitória é pouco provável, a não ser aquilo a que Mário Augusto chama de "poderossísimo lobbie gay" que invade Hollywood faça a actriz de Donas de Casa Desesperadas vencer.
A luta é mais renhida nos prémios secundários. Na categoria masculina, há quatro galos para o mesmo poleiro: George Clooney, por Syriana; o vencedor do ano passado, Paul Giamatti, por Cinderella Man; Matt Dillon, por Crash e Jake Gylenhaal em Brokeback Mountain. Para Mário Augusto, o cowboy de Ang Lee parte como favorito, arrastado pelo sucesso do filme, mas também o crítico lembra que nos prémios secundários a Academia aproveita para "tirar contas à vida" e recompensar actores pela sua carreira.
Esta premissa deve ser válida na categoria feminina. Para o crítico de cinema, Frances McNormand pode ser contemplada devido a este racíocinio e pelo facto de interpretar em North Country, uma mulher debilitada, algo sempre muito apreciado pelo júri. Rachel Weisz, por O Jardineiro Fiel, é outra opção. A actriz é a única hipótese de o filme do brasileiro Fernando Meirelles levar algum Óscar para casa.
Para Mário Augusto, a noite não deve ser fortuita em surpresas, mas a acontecê-lo, a sorte deve pender para os lados de Boa Noite e Boa Sorte e Colisão. Os dois filmes não devem sair de Los Angeles sem uma estatueta, mas apenas em categorias secundárias. O mesmo deve acontecer com King Kong. O filme de Peter Jackson, conhecido pela trilogia de O Senhor dos Anéis, não reuniu consenso na Academia, que apenas o nomeou para categorias técnicas.
Com mais consciência crítica e menos glamour, é assim que temos visto George Clooney nos últimos tempos. Depois de Syriana de Stephen Gaghan (onde está nomeado ao Óscar de melhor actor secundário) é a vez de Boa Noite, e Boa Sorte (Good Night, and Good Luck) chegar a Portugal. A segunda incursão de Clooney pela realização é um retrato, feito através do micro-cosmos da redação de um programa de televisão, de uma américa paranóica em perseguição do "inimigo vermelho". David Strathairn (nomeado ao Óscar de melhor ator) lidera o elenco como Edward Murrow, o pivot da CBS que ousou enfrentar e questionar em directo o senador Joseph McCarthy e a sua "caça às bruxas". Robert Downey Jr., Patricia Clarkson e o próprio Clooney completam o leque de actores principais.
Depois de vencer os prémios da Crítica Internacional, de Melhor Argumento e de Melhor Actor no Festival de Veneza, Boa Noite, e Boa Sorte concorre agora a seis Óscares (Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Actor Principal, Melhor Argumento original, Melhor Direcção Artística e Melhor Fotografia).

Coisa Ruim foi o primeiro filme português a abrir a competição na história do Fantasporto e a verdade é que o filme de Tiago Guedes e Frederico Serra merece esse e outros feitos (leia-se prémios) que possa eventualmente alcançar. Escrito por Rodrigo Guedes de Carvalho, Coisa Ruim mergulha o espectador no Portugal profundo e rural, das crenças e das crendices. É a este meio fechado sobre si próprio que, vinda da cidade, chega a família Monteiro e o choque vai ser inevitável. Mais do que um filme de sustos fáceis e enlatadados "made in hollywood", Coisa Ruim é um filme de atmosfera, de medo e de sugestão, com um ritmo pausado a fazer lembrar M. Night Shyamalan. Adriano Luz lidera um elenco que conta também com Manuela Couto, José Afonso Pimentel, Filipe Duarte, João Pedro Vaz e José Pinto.
O mês de Fevereiro, e agora de Março, ficaram marcados pela estreia de filmes candidatos aos Óscares e North Country - Terra Fria encaixa nesse perfil. O filme de Niki Caro (A Domadora de Baleias) valeu a Frances McDormand a nomeação para melhor actriz secundária e a Charlize Theron a nomeação como melhor actriz principal, mas as hipóteses da sul-africana repetir o triunfo conseguido com Monster são quase nulas. No filme, inspirado em factos verídicos, Theron é Josey Aimes, uma mulher que tem de trabalhar nas minas para sustentar os filhos e que se vai tornar na primeira norte-americana a vencer um processo de assédio sexual em tribunal.
Fora da rota dos prémios há mais duas propostas esta semana. A primeira é Doce Tortura (A Bittersweet Life), filme de acção oriundo da Coreia do Sul e realizado por Kim Ji-woon (A Tale of Two Sisters). Na história, um perito em artes marciais vê-se perseguido pela máfia depois de se recusar a namorada do seu chefe.
A segunda é O Agente Disfarçado 2 (Big Momma's House 2), sequela do êxito de 2000, novamente com Martin Lawrence no papel principal, mas sem Paul Guiamati (que felizmente partiu para voos mais altos). Desta vez, o agente do FBI especialista em disfarces vai servir de ama na casa de suspeito de homícidio.