20 minutos do filme chegaram para saber que rumo havia de dar a esta crítica. 20 minutos chegaram para me aperceber que os cinéfilos tinham razão. 20 minutos chegaram para me aperceber que afinal as críticas não eram exageradas e que a película de O Código da Vinci é mesmo um "copy-paste" do livro. 20 minutos chegaram para me aperceber que não valia a pena ver o filme até ao fim, porque já sabia exactamente o que se ia passar e isso faz uma película perder toda a graça. 20 minutos chegaram para me aperceber o quão repetitivo a realização de Ron Howard se ia tornar, tão repetitiva quanto este texto.

Li o livro e gostei bastante e não fosse esse facto o filme passar-me-ia completamente ao lado. Ron Howard, de certa forma, deve ter esquecido as pessoas que vão ao cinema mas que por acaso não leram o livro. Muitas das situações do filme são indecifráveis se a pessoa não leu a obra de Dan Brown. Pelo contrário, quem leu fica sem interesse nenhum no filme porque nota desde o princípio que a película segue o livro à risca, logo não vai ter piada nenhuma. Foram várias as vezes que exclamei "Eu li sobre este pormenor". Esse factor ajudado com algumas falhas que o filme tem (como o facto do espectador mais atento reparar logo que a voz do "Professor" que fala com Aringarosa ao telefone é igual à de Ian McKellen, que interpreta Sir Teabing) não abonam nada em favor de O Código da Vinci - O Filme.
No entanto não se pense que O Código da Vinci é um monte de enormidades cinematográficas. Apesar do exagero na duração do filme (150 extenuantes minutos!), Ron Howard teve cuidado de torná-lo o mais fiel possível, o que apesar do exagero, é de louvar. A escolha do elenco é questionável, mas os locais são fidedignos e a história é uma boa história, como diria o outro. Quem não leu o livro fica intrigado e quer saber onde o mistério acaba, o que garante a permanência na sala até o fim do filme. Mas para quem leu O Código da Vinci, não passa de uma prenda de Natal que já sabemos qual é. O embrulho até pode ser o mais bonito, mas a surpresa em abrir o pacote já não existe.

Os actores um a um:
Ton Hanks: A sua qualidade não o permite ter um mau desempenho, apesar de, neste filme, tudo ser feito para que tal aconteça. Para além de não ter nada a ver com a imagem que a maioria tinha do Prof. Robert Langdon, Hanks transfigura-se em algo que não é: um personagem de um filme cheio de acção que se limita a dizer frases retiradas de um livro. Para isso, que contratassem o Steven Seagal. Parabéns a Hanks por resistir às contrariedades.
Audrey Tautou: A menina doce de O Fabuloso Destino de Amélie e Un Long Dimanche de Fiançailles transforma-se na criptóloga, às vezes rude, que vive na sombra de Robert Langdon. Aliás essa sombra não lhe fica nada bem, já para não falar de falar em inglês. No entanto, esteve à altura das exigências num novor registo. Merece palmas.
Jean Reno: Polícia uma vez, polícia para sempre. Reno está habituado a este tipo de representação (creio que nunca fez mais nada na vida a não ser polícia) por isso é natural que esteja à vontade. Desempenho razoável para um papel razoável.
Ian McKellen: A sua veterania ajuda-o a desempenhar um bom papel. Frio e com cara de vilão que no entanto não deixa transparecer que o é, não fosse aquele erro da voz que escrevi há pouco.
Paul Bettany: Apesar de imaginar um Silas mais musculado e mais feio, Bettany não se porta nada mal no papel do albino assassino. Papel que mostra outra faceta do actor britânico.
Alfred Molina: Transmite o que a maioria dos membros do elenco transmite: é um bom actor, mas parece que não cabe no papel. Um bispo Aringarosa mole ao contrário da imagem velhaca e gananciosa do livro. É pena não o podermos voltar a ver como Dr. Octopus.
Ao ler esta review, não se sinta o leitor retraído para ir ver O Código da Vinci. Não o desaconselho para o caso de não ter lido a obra de Dan Brown. No entanto se já leu, existem outras formas de passar um serão, visto o filme não acrescentar nada de novo à obra.
Classificação:
O Código da Vinci
Realizador - Ron Howard
Elenco - Tom Hanks, Audrey Tautou, Jean Reno, Ian McKellen, Paul Bettany, Alfred Molina
Produtora - Sony Pictures
Duração - 149 m
Classificação - m/12
Já era de esperar, falou-se nisso logo desde o anúncio de que iam fazer o filme
Convém ter em conta que desde cedo se falou que Dan Brown acompanhou a adaptação para o ecrã de forma muito cerrada. Não me admiro por isso que o filme seja a cópia directa do livro. Acontece muitas vezes, uma vez que alguns escritores não são muito dados a permitir grandes "liberdades artísticas" a quem tenta adaptar o seu trabalho.
Por: Pedro Tomás àsmaio 30, 2006 04:57 PMnão vou comentar as verdadeiras ou falsas afirmações dos livro vou so comentar que o filmes desvirtua as ideias do livro e isso não é Normal!no final do filme Langdom revela a sophie que ela não é neta de sauniere, apenas foi protegida por ele.Como???então e o equilibrio entre feminino e masculino defendido pelo Priorado e ideia mestra do segredo do Graal?
Não posso concordar com a ideia do copy paste, as ideias foram alteradas. a parte disso a acção foi muito bem conseguida.
sinceramente, axei o filme mt bom... e nao penso isso... eu fikei surpreendido em muitas partes do filme
Por: unknow àsjunho 6, 2006 11:53 PMeu nao li o livro, mas vi o filme. achei o filme muito bom e percebi do principio ao fim do que se tratava, por isso acho que estiveram muito bem..
Por: catarina àsjunho 10, 2006 11:28 AM