O mês de Maio é de festa aqui nestas paragens. O Take 2 faz dois anos de existência e os motivos para celebrar são mais que muitos. Depois de mais de 1000 posts escritos, esta página continua de pé, muitos graças a todos aqueles que nos lêem. Esses são os primeiros a quem agradecemos por estes 2 anos de vida. Também aos professores que sonharam este projecto e nos apoiaram deste o início e aos alunos que "gramaram" para o manter de pé.
Aquele que começou por ser um blog-jornal de cinema da licenciatura em Jornalismo e Ciências da Comunicação da Universidade do Porto no âmbito das aulas de Online inicia agora uma nova etapa: os alunos que o compunham vão deixar de ser alunos ao começar a dar os primeiros passos no mundo do jornalismo com os estágios de fim de curso. A mudança é visível na frequência dos posts: os estágios não permitem que o blog seja actualizado com a frequência que desejaríamos. O futuro a Deus pertence, mas da nossa parte cá estaremos enquanto nos for possível, com maior ou menor actualização, para mais e melhores anos.
A redacção do Take 2

Começa hoje uma nova rubrica no Take 2. Cromos do Cinema relembra velhas glórias (ou talvez não) que passaram pelos ecrãs de todo o mundo. Aqueles actores e actrizes que entraram num ou dois filmes conhecidos e depois nunca mais se ouviu falar deles. Passaram ao lado de uma grande carreira ou então o saber representar é que lhes passou completamente ao lado. Para começar Andrew Bryniarski. Pelo nome, ninguém deve conhecer o ilustre senhor que dá o corpo a Leatherface, o assassino de The Texas Chainsaw Massacre. Para além do conhecido filme de terror, o actor foi Zangief na adaptação ao cinema de Street Fighter e teve pequenas aparições (fundamentais!) em filmes como Scooby-Doo, Pearl-Harbor, Batman Returns e séries como Lois e Clark, Firefly e Conan.

Será do olhar "fulminante" ou da dificuldade em pronunciar o seu nome que Andrew não terá tido mais sorte no mundo da sétima arte?
O ano que agora finda foi fértil em discussões cinematográficas, muitas delas em torno da crise, tanto nas bilheteiras como na qualidade dos filmes. No entanto, há sempre obras que se destacam das demais.

King Kong

Um portento. O novo filme de Peter Jackson arrebata-nos desde as primeiras imagens de Nova Iorque dos anos 30 até aos últimos planos de Kong, passando por toda a aventura na ilha da caveira. Jackson, a Weta Digital e Andy Serkis fazem um trabalho notável na criação de mais este mundo de fantasia. No coração desta maratona cinematográfica de mais de três horas está uma belíssima história de amor,que nem sequer envolve dois seres humanos. Apesar das diferenças óbvias entre Ann e Kong, os dois completam-se e formam um par mais credível do que muitos casais que povoam as comédias românticas. A cenas em que ambos patinam no gelo e em que Ann actua para o gorila gigante ficarão na história como das mais românticas do cinema.

Os filmes de super-heróis são já um sub-género à parte em Hollywood. Baseados ou não em comics já existentes, este tipo de filmes tem vindo a atrair um leque cada vez mais variado de cineastas de Bryan Singer a David Cronenberg, passando por Christopher Nolan. O realizador de Memento assinou não só uma das melhores adaptações de banda-desenhada de sempre, mas também um dos melhores filmes do ano com Batman Begins. Sem ser literal como Robert Rodriguez e Frank Miller o foram em Sin City, Nolan soube captar a essência do vigilante de Gotham e os vários elementos da personalidade de Bruce Wayne que fazem do seu alter-ego um dos super-heróis mais interessantes dos comics. O resto é acção e aventura no seu melhor, com o mínimo de recurso ao CGI (o que torna as coisas ainda mais emocionantes), suportada por um elenco de luxo escolhido a dedo e perfeito para os respectivos papéis, principalmente Christian Bale como Bruce Wayne/Batman.
Serenity

Num ano em que a saga da Guerra das Estrelas chegou ao fim, Serenity perfilava-se como o sucessor perfeito para os fãs de ficção científica. Infelizmente, o filme de Joss Whedon que continuava a história começada por si próprio em Firefly (série de televisão precocemente cancelada pela Fox) falhou em atrair o grande público, principalmente aqueles que desconheciam a série original. No entanto, esta hábil mistura de western com ficção científica é uma aventura espacial credível, bem escrita, bem interpretada e com personagens carismáticas, lideradas pelo capitão Mal Reynolds (uma espécie de Han Solo). Na inevitável comparação com a nova trilogia de Star Wars, Serenity sai vencedor em quase todos os aspectos: argumento, diálogo, interpretações, realização e puro divertimento, mas é impossível competir com a máquina de markting de George Lucas e com uma base de fãs que aguardava a conclusão da saga há mais de 30 anos.
Tanto Serenity como Firefly são dois tesouros que vale a pena descobrir em dvd, não só pelos apreciadores de ficção científica e de westerns, mas também pelo público em geral.

O filme de Park Chan-wook é dos mais imaginativos e intensos de 2005 e uma prova de que ainda é possível ser-se original ao tratar um tema tantas vezes levado ao cinema: a vingança. Protagonizado por Min-sik Choi, Oldboy onde todos os elementos, da banda sonora à fotografia encaixam na perfeição. Tem uma boa história, tem acção, tem drama e tem até um pouco de comédia negra, mas acima de tudo tem um twist verdadeiramente surpreendente capaz de nos manter colados à cadeira até ao final do filme. Hollywood devia tirar daqui uma lição. Em vez dos já cansativos remakes (Oldboy não vai escapar à refilmagem ocidental e até mesmo um remake indiano ao bom estilo de Bolliwood está a caminho) a indústria cinematográfica, seja ela de que país for, deve correr mais riscos em obras inteligentes, originais mas que não deixem de ter um certo apelo comercial.
Quando se discutem os candidatos aos Óscares de 2006 é importante lembrar o grande vencedor da última edição dos prémios da Academia: Million Dollar Baby. O filme de Clint Eastwood é um verdadeiro murro no estômago, uma história poderosa e comovente de dois estranhos que se encontram: uma rapariga determinada que sonha ser pugilista e um velho e teimoso treinador que sonha reconciliar-se com a filha. Um filme que consagrou Hilary Swank e Morgan Freeman como os grandes actores que são, Clint Eastwood como o grande realizador que é e ao qual é impossível ficar indiferente.
2005 foi sobretudo um ano de regressos. Regresso de Star Wars, regresso de Peter Jackson, regresso de Steven Spielberg, regresso de Harry Potter, regresso de Batman e outros super-heróis, regresso dos cenários medievais místicos como a Terra Média em As Crónicas de Nárnia, regresso em força da animação em stopmotion com Wallace e Gromit e Corpse Bride, regresso da luta entre Disney e Dreamworks pelo lugar cimeiro no cinema de animação, regresso de Jeunet, dos onze de Ocean, de Manoel de Oliveira, de Ridley Scott e por aí em diante. O cinema está em crise, seja no aspecto financeiro seja nas ideias e formatos e a aposta em repetir velhas fórmulas foi prato forte em 2005. Espera-se melhoras para o próximo ano, para o bem do cinema e dos espectadores...

Christian Bale
Quem não conseguia este actor, tem muito a agradecer por este ano ter passado. O rapazinho de O Império do Sol, de Steven Spielberg, fez em 2005 o salto para o estrelato. Foram 5 os filmes em podemos ver Bale em acção, mas sem dúvida foi com Batman Begins que o actor mostrou o que vale. Christian Bale foi perfeito no papel de Bruce Wayne/Batman. O Maquinista, The New World e Harsh Times confirmaram aquilo que já era notório. O actor teve ainda tempo de dobrar Howl na versão inglesa do filme de Hayao Miyazaki. 2006 será um ano mais calmo para quem já tem na calha mais um filme do Homem-Morcego. Para quando uma obra para o candidatar aos Óscares?
Trio pirata
2005 trouxe sortes diferentes ao trio de Piratas das Caraíbas. Para Depp, este ano foi especiamente trabalhoso. O multifacetado actor esteve presente nas salas de cinema portuguesas com 3 filmes de estilos completamente diferentes. Com Finding Neverland viu de perto fugir-lhe o Óscar mais uma vez. Charlie and the Chocolate Factory e Corpse Bride ressuscitaram a sua parceria com Tim Burton. O filme com que Depp pretendia voltar à carga em busca das estatuetas, The Libertine, passou um pouco ao lado nos EUA. Orlando Bloom não teve um ano muito bom com Kingdom of Heaven e Elizabethtown. Tanto o épico de Ridley Scott como o romance de Cameron Crowe mostraram um actor muito aquém de outras interpretações. Outro Bloom distante de Will Turner e Legolas. Os fãs começam a perguntar qual deles é o verdadeiro Bloom. Keira Knightley também não teve um ano memorável. Apesar do bom desempenho em Pride & Prejudice, Domino e The Jacket não foram aquilo que se esperava. Venha daí Piratas das Caraíbas 2.
Cinema Português

Com esta menção não estou a proclamar o advento do Quinto Império, nem tão pouco estou a declarar que o cinema português melhorou este ano ao ponto de competir com o resto do cinema europeu ou mesmo americano. Mas ninguém pode negar que 2005 foi um ano bastante positivo para a 7ª arte em Portugal. Não tanto em termos financeiros (a crise bate a todas as portas e nem o êxito a roçar o blockbuster O Crime do Padre Amaro chegou para contrariar a tendência de queda para o número de espectadores nas salas de cinema), mas em termos de reconhecimento no estrangeiro. Falo de dois filmes: Alice e Odete. De Manoel de Oliveira nem é preciso falar, porque todos já sabem do que o "jovem" realizador é capaz. Mas Marco Martins fez o seu primeiro filme e foi logo aplaudido no melhor festival de cinema europeu. Nuno Lopes interpretou o papel da sua vida o que lhe valeu um lugar nas Shooting Stars 2006. O actor vai representar Portugal em Berlim no prémio de esperança da representação. Odete também levou uma menção honrosa em Cannes mas o melhor estava reservado para o festival de Belfort, onde Ana Cristina Oliveira venceu o prémio de Melhor Interpretação Feminina. A actriz que já contracenou com Harrison Ford e Benicio del Toro vence assim o seu primeiro prémio e apaga a má imagem deixada em Taxi. De momento grava Miami Vice com Colin Farrell e Jamie Foxx.
Ano Gay em Hollywood

2005 foi o ano de confirmação da teoria que há uma onda gay no cinema americano. Para além do recém-estreado Family Stone, com um gay com problemas auditivos, a lista de filmes estreados este ano (sobretudo nos EUA) que abordam a temática homossexual é imensa. 2006 será o ano da consolidação. À cabeça está o casal homossexual de cowboys em Brokeback Mountain. A história de Romeo e Julieta sob o ponto de vista de Ang Lee é uma das fortes candidatas a sair do Kodak Theatre com algumas estatuetas. Mas é sobretudo na comédia que a onda gay ganhou força, seja ele pelo casal gay que monta o pior espectáculo de sempre na Broadway no musical de Mel Brooks, The Producers; seja pelo homem que muda de sexo em Transamerica ou ainda o piscar de olho de Philip Seymour Hoffman em Capote e o show cor-de-rosa choque de Cillian Murphy em Breakfast on Pluto. Já para não falar da drag-queen com sida em Rent, o detective homossexual de Val Kilmer em Kiss Kiss Bang Bang ou o coreógrafo de Mrs. Henderson Presents.

O Take 2 deseja a todos os seus leitores um Feliz Natal com cinema no sapatinho e um Próspero Ano de 2006 com tudo de bom. São os votos sinceros de:
David Pinto
Duarte Sousadias
Léccio Rocha
Nuno Neves
O JN de domingo passado deu o mote, as salas de cinema portuguesas perderam 2 milhões de espectadores em comparação, e colocou o tema da crise na indústria cinematográfica na ordem do dia. Já muito se tem escrito mas este é um assunto sobre o qual importa continuar a reflectir pois a crise económica não serve de desculpa para tudo.

A verdade é que o cinema enfrenta a cada vez mais feroz concorrência dos meios de entretenimento domésticos. Comecemos pelo exemplo mais simples e bem sintomático da realidade portuguesa: os canais de filmes. Um bilhete de cinema a preço normal custa em média 5 euros, o que significa que um casal que queira ir ao cinema gasta no mínimo (se não tiver filhos) 10 euros, apenas para ver um filme. Por pouco mais do que isso as redes de televisão por cabo disponibilizam canais com filmes 24 horas por dia e para os mais variados gostos. Sob esta perpectiva, ir ao cinema é um luxo que ainda por cima tem o "inconveniente" de obrigar a sair de casa (o que também acarreta os custos de transporte). Mas isto é só a ponta do icebergue.

Para além dos filmes, que chegam cada vez mais depressa ao DVD e aos canais codificados, não se pode descurar o papel da própria televisão. Mais uma vez graças à televisão por cabo (mas não só) é possível assistir ao que de melhor a TV americana tem produzido nos últimos anos. E a verdade é que existem aí produtos para todos os gostos (drama, comédia, ficção científica, policial) e que em muitos casos superam grande parte dos filmes do mesmo género. Poucos thrillers de acção superam a generalidade dos episódios de The Shield (ainda por descobrir pelas tv's portuguesas) ou de 24, que alcançou no passado fim de semana o maior share deste ano da :2. Para além disso a televisão já não é um trabalho menor para os actores e muitos nomes de Hollywood não hesitam agora em explorar o pequeno ecrã. Citem-se a título de exemplo Kiefer Suderland (que tem o papel da sua vida em 24), Glenn Close em The Shield, Dennis Hopper e Benjamin Bratt em E-Ring e até o "nosso" Joaquim de Almeida (24, Wanted). A prova de que Hollywood está atenta a este fenómeno é o facto de estar a chamar alguns dos grandes criadores de programas de TV comom Joss Whedon (Buffy, Firefly) e JJ Abrams (A Vingadora, Perdidos) para realizarem longas metragens. Mas isso não chega, numa altura em que se reciclam cada vez mais antigas séries de televisão, porque não havia o público de ficar em casa a ver as novas?

E se os adultos são tradicionalmente mais comodistas os jovens tem outros motivos para começarem a evitar o cinema (apesar de ainda serem a fatia principal do publico). Em primeiro lugar estão mais próximos das novas tecnologias, da internet e por consequência da pirataria. Em segundo lugar são os adeptos mais fervorosos dos jogos de vídeo. Uma indústria milionária que conseguiu aproximar-se do cinema recolhendo mais benefícios do que vantagens (logo para começar é muito mais fácil encontrarmos uma boa adaptação de um filme para videojogo do que o contrário). Para se ter uma ideia do dinheiro que esta indústria movimenta por comparação ao cinema num só dia Halo 2 fez 124 milhões de dólares (a sua adaptação cinematográfica será um estrondoso sucesso se fizer isso no primeiro fim de semana) e as vendas dos dois jogos da série juntas chegam aos 600 milhões de dólares!

Para além disso, muitos jogos estão cada vez mais cinematográficos com histórias complexas e os próprios actores emprestam as suas vozes aos seus modelos digitais. O melhor exemplo disto é o recente 007 From Russia with Love que, enquanto se discute se Daniel Craig será um bom Bond, permite aos fãs controlarem o eterno 007, Sean Connery.
É certo que os jogos de vídeo chegam a custar dez vezes mais que um bilhete de cinema mas são, em muitos casos, um investimento mais seguro. Para começar são interactivos, algo com que o cinema só poderá sonhar, e uma "demo" de um jogo permite averiguar a sua qualidade com muito mais precisão do que qualquer trailer de cinema.

Em conclusão, os portugueses têm menos dinheiro no bolso e a pirataria é uma realidade mas isso não explica tudo. Hollywood (e as indústrias de cinema de todo o mundo) deviam olhar com atenção para o que de melhor se faz noutros sectores do entretenimento e tentar supera-los em termos de qualidade e inovação em vez de apelar a um qualquer sentimento de nostalgia com produtos do nível de Os Três Duques ou Casei com uma Feiticeira.
Dos grandes realizadores da clássica Hollywood, três há que marcaram o meu percurso de descoberta do Cinema. O maior de todos - a estrela que iluminará para todos os tempos a Sétima Arte - é John Ford. (Perdoem-me pôr as coisas nestes termos. Mas se o Cinema é emoção, é desse modo que pretendo esta rubrica escrever.) Os outros dois são Howard Hawks e Nicholas Ray. É sobre este último que vamos falar.

O nosso contacto com a obra de Nicholas Ray é, deveras, pouco usual, quando comparado com o modo como lidamos com os filmes de outros cineastas. Fomos descobrindo, espaçadamente, os filmes deste. Só há pouco tempo podemos ter uma noção exacta da dimensão do seu Cinema. E que balanço fizemos. Os filmes de Ray são sobre Homens em conflito interior. Que falharam ou estão a falhar na vida. Trabalhando com grandes actores - James Mason, Humphrey Bogart ou James Dean - Ray consegue criar filmes cheios de emoção. E que marcaram o Cinema.
Os começos de um independente

Independência. Foi deste modo que Nicholas Ray encarou a vida e a sua arte. Sempre pretendeu ter poder total na concretização dos seus filmes. Não se quis vender ao movie-system de Hollywood, onde o realizador era encarado como mero técnico e não como artista.
Nascido em 1911 numa pequena povoação do Wisconsin, Raymond Nicholas Kienzle só viria a fazer filmes com 36 anos, depois da II Guerra Mundial, onde contribuiu como propagandista do Office of War Information. Mas desde logo o olhar de Nicholas Ray - que se afirmava como «rebelde», situação que iria estudar ao longo dos seus filmes - estava amadurecido. Certamente devido à sua experiência nos teatros nova-iorquinos e à amizade próxima que tinha com Elia Kazan. They live by night (1948) foi o seu primeiro filme. Obra considerada um clássico do Cinema Negro. Onde o tema recorrente de Ray - que chegou a afirmar ironicamente que fez sempre o mesmo filme - já está presente: a solidão do ser humano perante um mundo «ao qual não fora apresentado».
O terceiro filme de Ray - pelo meio fez um pouco conhecido de nome A woman secret - teve como actor principal um actor com o qual criaria uma complexidade especial: Humphrey Bogart. Knock on any door (1949) conta a história de um advogado que defende um cliente bastante diferente da sua personalidade. O advogado é Bogart. O jovem é John Derek, no papel de Nick Romano. O filme tem certos momentos excelentes, como a alegação final de Bogart, que foi realizada num só take e de improviso. E o final foi uma novidade para a época. Se as massas gostavam de happy endings, neste filme não o encontraram.
A solidão é uma necessidade

O que acontece quando uma pessoa está só, se sente mal com isso, mas da solidão sair não consegue? Nicholas Ray realiza um drama sobre um escritor assim. De novo com Humphrey Bogart, que devido à confiança que tinha do talento de Ray produzia os filmes deste, dando-lhe liberdade total. In a lonely place («Matar ou não matar», 1950) mostra-nos Dixon Steele ("Boggie"), um literato de meia idade com um temperamento irascível. Ray apresenta-nos, ainda está o genérico a decorrer, Bogart a oferecer um soco a um automobilista. Logo aqui entramos em choque com a personalidade de um escritor que não consegue resolver os problemas com diplomacia. E devido ao seu modo de ser - e agir - vê rondar à sua volta o boato de que é um assassino. De uma rapariga que convidara para sua casa, e a quem nada fizera. Entretanto, nesta altura, surge como vizinha uma mulher. Diferente das outras, com um modo de ser parecido com Dixon. Chama-se Laurel Gray (Gloria Grahame) e vai amar Boggie como este nunca foi amado. A ele, que está num momento depressivo não conseguindo já ser o escritor que era, dá forças para completar um livro que se vinha arrastando. Mas Dixon não é como o comum dos mortais. É uma personagem em conflito interno, típica de Nicholas Ray. É um inadaptado, um homem a quem é impossível amar. Por causa disso, acabará por perder Laurel, que começara a desconfiar da sua sanidade mental e a duvidar se Dixon não é mesmo um assassino.
Ele, no entanto, sabe que perde sempre tudo. Daí os versos que compõe a Laurel, quando a relação começa a descambar em tragédia: «I was born when she kissed me/ I died when she left me/ I lived a few weeks/ While she loved me.» A sequência final do filme foi das últimas a ser rodadas. E curiosamente, numa situação de "tensão" plateau. Nick Ray estava-se a separar da actriz principal, Gloria Grahame, com quem era casado. O curioso é que o argumento de In a lonely place estava a ser constantemente reescrito. Desse modo podemos sempre especular que há um pouco de Nick Ray em Dixon.
continua
Na era pouco imaginativa que o cinema agora atravessa, são poucos os oásis onde o cinéfilo mais crítico pode aportar. E onde pode beber a frescura de novas ideias. Onde pode saciar a sede de filmes. Filmes no verdadeiro sentido da palavra. Criações de génio que nos deixem aterrados - e aterrorizados - e que nos façam pensar que a sétima arte continua viva. E bem viva. Afirmava Wim Wenders (a quem "roubo" o título desta rubrica nova no Take2) há alguns anos que o cinema estava moribundo. Realizadores como Lars von Trier vêm o contrário provar.
Êxtase. Assim se consegue definir o meu estado de espírito quando recentemente vi dois filmes de Lars von Trier. Duas obras primas absolutas. Em que cinco estrelas - ou dez no caso deste blog - provocam a essas grandes obras o mesmo sentimento que um aluno de Muito Bons têm quando recebe um teste de Suficiente. No actual panorama fílmico, em que somos invadidos, nos cinemas, com produções hollywoodescas nas quais o que interessa é fazer vender o seu peixe, com comédias estúpidas que são esquecidas na manhã seguinte quando se acorda, ou filmes de acção em que a violência é tão reles que nos provoca esgares de horror não pelas cenas em si mas pela estupidez delas. Nos tempos que correm em que a maior parte dos filmes europeus buscam um formalismo exagerado e que nos faz sair do cinema, na estreia, a pensar que estamos sempre a ver o mesmo filme, embora se salvem claras excepções, eis que um novo realizador chega à cidade. Cidade que é metáfora do mundo das artes e das ideias. O Cinema não parecia conseguir, como arte, novos arrojos para continuar a sua missão. A de dar a ver novas ideias. Lars von Trier desceu à cidade. E veio com um manifesto claro a defender. A partir dele, o cinema nunca mais será o mesmo.
Chamo-me Lars von Trier. Sou discípulo de Dreyer.
Da Dinamarca, país frio do norte da Europa, pouco se ouve falar. Mas quando se ouve, é normalmente uma batida ensurdecedora e que não deixa ninguém indiferente. Hans Christian Andresen publicou os mais belos contos para crianças a partir deste país. Sören Kierkgaard explorou uma filosofia sobre o ser humano que é obrigatória em qualquer curso de filosofia e teologia. E no cinema realce para um nome único até à pouco tempo. Carl T. Dreyer. Um realizador que criou uma estética pouco comum. E em que, para além do realizador homenageado neste artigo, poucos se podem orgulhar de ter quase tocado. É, entre esses, o caso de Manoel de Oliveira. Mas o realizador portuense aproxima-se mais pelo formalismo do que pela temática, embora filmes invisíveis como Benilde talvez lhe estejam próximos. Dreyer pensou o ser humano perante o divino e as obrigações morais. O seu filme Ordet - A Palavra em português - é algo de absolutamente magistral. É a perfeição da crença em Deus elevado ao extremo no mundo das imagens em movimento. Mas também o mostrar o ser humano desnudado. Uma crítica da pouca fé e moral do homem actual. Os actores, para Dreyer, não deviam só representar. Deviam levar ao extremo as falas. Parados e expressando poucas sensações. Mas daí parte um golpe imenso. Que atinge em cheio o espectador Que o faz olhar para o seu umbigo e sentir-se incomodado. Porque é essa uma das funções da arte. Espelhar o ser humano como ninguém. Ilustrá-lo na sua nudez.
Se não tivesse havido Dreyer não havia von Trier. Isso é uma certeza quando olhamos para os seus recentes filmes. Obras que retratam a maldade humana. E a sua mesquinhez. Que confrontam a bondade e a fé no divino com o anti-divino que é o ser-humano.
Tripé? Para que serve?
Analisemos formalmente a recente obra de von Trier. Câmara ao ombro. Cortes bruscos. Montagem descuidada. Por vezes uma má utilização da fotografia. Etc. Estes são os princípios de uma manifesto novo. De um grito contra uma ordem cinematográfica estabelecida a que o olhar humano se tinha preguiçosamente habituado. Dogma 95. Eis o nome do movimento cinematográfico do qual von Trier é o cabeça de cartaz. São dez os pontos especificados e defendidos pelo Dogma 95. Muitos deles esquecidos nos filmes recentes do dinamarquês. Mas o essencial é totalmente perceptível. Para acabar de vez com a ditadura do tripé.
Escolas de cinema defendem o tripé. Planos fixos. Cortes bem feitos. Por causa disso o cinema ressentiu-se de um academismo que asfixiou a criatividade técnica de muitos realizadores. Mas com o Dogma 95 tudo mudou. O olhar humano, que não é fixo - o corpo treme sempre - reaproxima-se do cinema. Vemos os filmes como olhamos. A verdade parece mais próxima deste modo. mas centremos-nos finalmente nos filmes de von Trier. O essencial deste texto.
Dancer...
O filme que ganhou a Palma de Ouro 2001 - Dancer in the dark - contempla as regras atrás enunciadas. Câmara sem tripé. Luz natural também - nada de luz artificial é outra das ideias do Dogma 95 - ou música. É a realidade nua e crua que von Trier quer mostrar. Mas há um contraponto para isto: o mundo de sonho de Selma que, apesar da sua cegueira consegue imaginar as mais resplandescentes músicas. Filmadas com luz artificial e planos de câmara formais. Este é um mundo de sonho. A trama do filme não se desenvolve aí. è um estado onírico de uma personagem que amaria habitar um mundo musical. Situação do imaginário que qualquer um de nós pode ter. Estas sequências provam que von Trier sabe realizar para além do Dogma 95.
Dancer in the dark é uma comovente tragédia sobre o ser humano, preocupação essencial do realizador. Nesta obra - continuação temática de Breaking the waves (1996) - está presente a ideia do sacrifício em prol de outrém. Mas um sacrifício desnecessário e cruel para o espectador, visto que tanto Bess (Emily Watson em Breaking the waves) como Selma (Björk em Dancer in the dark) são personagens inocentes. Mas são incriminadas pela sociedade por crimes que não cometeram. O que as condenou foi a ousadia que tiveram devido ao profundo amor pelo marido ou pelo filho, respectivamente. Cristos femininos da era moderna. Eis um tema de Dreyer presente. A fé condenada. Fé no próximo. Fé num mundo melhor que acaba por desiludir.
You're welcome to Dogville...
Se Dancer in the dark já ia longe na nova forma de fazer cinema praticada por Lars von Trier, Dogville (2003) distancia-se ainda mais. Obra-prima da recente história do cinema, o filme procura fazer conexões com a literatura. É como um livro em que vemos as personagens (o filme divide-se mesmo em capítulos) mas em que temos que imaginar os cenários. Os romances, normalmente, não têm ilustrações. Precisamos por isso de os imaginar quando os lemos. Mas com a recente revolução da informação (ainda em curso) a leitura de romances mais arrojados diminuiu, sendo os códigos da vinci os best sellers: localizações bem definidas, exploradas, e uma espécie de argumento-romance vendem bem. Mais, estamos perante uma crise do poder da imaginação devido a tanta imagem com que somos todos os dias invadidos. Pela TV, pelos jornais, na net, na rua... Lars von Trier, com Dogville, pretende fazer-nos puxar pela imaginação.
Dogville é, assim, um filme que reflecte sobre o homem. Mas agora de um modo mais profundo e onde o espectador não é "passivo". A câmara móvel fixa são os nossos olhos. E com ela partilhamos a desgraça de Grace e as obssessões dos habitantes de Dogville. Caminhamos pelo palco dos acontecimentos - no sentido literal - como se fossemos uma personagem invisível que se move fantasmagoricamente naquela localidade. Uma aldeia onde vivem poucas pessoas. Todas são pobres e iguais entre elas. Um dia surge Grace (Nicole Kidman), uma fugitiva de gangsters e da polícia. Basta a sua presença para destabilizar a aldeia, e mostrar que por trás de cada ser humano se esconde uma alma tenebrosa. Grace é abusada por todos. Violada pelos homens da aldeia. Desrespeitada pelas crianças. Escravizada e mal tratada pelas mulheres. Grace, no entanto, a todos perdoa. A todos quer bem. Eis um Cristo moderno. Que oferece a outra face quando a ofendem. Mas se em Dancer in the dark nos sentimos desconfortáveis com o final (não se faz justiça a Selma), em Dogville este leva-nos à justiça total. Àquela que nos faz sentir culpados pelas conclusões e sede de vingança que o ser humano pode ter depois da humilhação. Grace vai do amor da existência da aldeia, que ao princípio é o refúgio, até ao ódio total. Em que a destruição é o único caminho para fazer justiça. E salvar o mundo: a ideia de que acontecerá o mesmo a uma hipotética próxima pessoa que ali se dirija. Alerta de von Trier. Assim acabam as relações humanas em sociedade, e a impotência, se virar prepotência, matará as democracias.
Dogville pode ser visto, desse modo, como uma metáfora de qualquer comunidade. Qualquer que ela seja. Aquela aldeia não é apenas uma chamada de atenção aos Estados Unidos da América, como pretende Lars von Trier em primeira instância. É um retrato da nossa vivência em sociedade. E desse subconsciente profundo em que habita o pior que há de nós.
See you in Manderlay and Washington
Dogville é o primeiro filme da trilogia americana de Lars von Trier. Um tríptico em que o realizador dinamarquês pretende mostrar a sua revolta contra a "ditadura americana", que conduz o mundo no mau caminho. "Nunca fui aos Estados Unidos, mas sou 70% americano", afirmou recentemente em Cannes. O contexto das suas foi a estreia de Manderlay, segunda parte de Dogville. Nesta obra central da trilogia é abordada a questão da escravatura. Este é o pretexto para uma contínua reflexão sobre o homem que nos dá von Trier a ver e a pensar. Brevemente, em Portugal, podemos continuar a seguir Grace nas suas "aventuras". Mas só iremos parar em Washington em 2007. O opus final do tríptico americano, do qual só recentemente começou o realizador a escrever o argumento.
Em jeito de conclusão. O discípulo de Carl T. Dreyer é uma das descobertas mais surpreendentes que recentemente tive no mundo da sétima arte. Com pena minha, não compreendi a dimensão do cinema de von Trier quando vi, pouco depois da estreia, Breaking the waves (1996). Não tinha ainbda maturidade suficiente para entender questões tão importantes levantadas por este realizador. Mas a aprendizagem que é a vida ajudam-nos a crescer. E a saber melhor compreender o cinema. Porque o cinema é vida. Não nos cansamos de repetir este cliché tão verdadeiro. E a vida, já agora, também pode ser cinema.
Emotion Pictures é a minha rubrica de opinião no Take2, que com este texto é inaugurada. Nela pretendo voar livremente em reflexões, críticas e opiniões sobre o Cinema. Essa paixão avassaladora que me persegue desde pequeno. É um espaço onde a escrita é diferente, e onde é permitida uma ponta de ousadia.
A estreia de Sin City esta Quinta-Feira dá início aquele que será, sem dúvida o Verão dos super-heróis. Para além da obra-prima de Frank Miller também Batman Begins e Fantastic Four prometem levar os fãs de banda-desenhada até à sala de cinema mais próxima.

Frank Miller é um dos nomes maiores dos comics norte-americanos e Sin City, onde acumla as funções de desenhador e escritor, é considerada como a sua obra maior, tendo vencido sete Eisner Awards ao longo dos anos. A sua narrativa, ambiente e ritmo lembram-me muitas vezes a de um filme, podendo algumas páginas serem usadas como um storyboard. No entanto, o seu visual assente no grande contraste entre o preto e o branco (sem cinzento) e só ocasionalmente com a presença de uma outra cor (como acontece em That Yellow Bastard), fazia com que uma adaptação fiel ao original parecesse impossível num mercado regido pela busca desenfreada de público.

Até que Robert Rodriguez entrou em cena. O realizador responsável pela trilogia El Mariachi uniu-se ao próprio Miller para levar Sin City ao cinema. A sua intransigência em ter o escritor como co-realizador valeu-lhe até uma "guerra" com o sindicato de realizadores, que culiminaria na saída de Rodriguez daquela associação. Em boa hora o fez, pois o resultado da colaboração entre os dois é possivelmente a adaptação para cinema de uma banda-desenha mais fiel ao material orignal alguma vez feita. A preto e branco com pequenos rasgos de cor, Sin City actualiza o filme noir para o século XXI juntando-lhe efeitos visuais quer na construção dos cenários, quer das personagens num género a que já chamam "digi-noir".

Batman Begins chega a Portugal dia 23 de Junho e, o Tim Burton que me desculpe, tem potencial para ser o melhor filme do cavaleiro negro até agora. Christian Bale como Bruce Wayne/Batman é uma escolha de casting inspiradíssima e o leque de secundários com Liam Neeson, Morgan Freeman, Michael Caine, Gary Oldman entre outros é igualmente bom. Mais uma vez Frank Miller é chamado ao barulho pois o material que serve como principal inspitação ao filme escrito por David Goyer e realizado por Christopher Nolar são duas sagas escritas por Frank Miller - Batman: Year One e Batman: The Dark Knight Returns, duas das melhores obras do Homem-morcego. Para além disso, Batman Begins corta com a continuidade dos filmes anteriores por forma a começar de novo e assim atrair novos espectadores e, sobretudo, fazer esquecer o terrível Batman & Robin de Joel Schumacher.

Por fim, depois do Homem-Aranha e dos X-Men, o Quarteto Fantástico era as personagens de primeira linha da Marvel que faltava levar ao cinema. Pois bem, o filme chega aos ecrãs portugueses a 14 de Julho e tem Ioan Gruffudd, Michael Chiklis, Jessica Alba e Chris Evans na pele dos heróis e Julian McMahon como o vilão. Diferente da maioria dos outros super-heróis por não terem identidades secretas e serem uma família, na base de Fantastic Four está a ambição humana e as suas consequências, tanto poisitivas como negativas. Baseado tanto na linha original como na linha Ultimate (onde os principais personagens da Marvel foram actualizados para o século XXI) o filme de Tim Story pretende ser um filme de acção e comédia quase familiar, o que não caíu bem junto dos fãs.

Por coincidência ou não, as cadeias ibéricas de vestuário presentes em qualquer centro-comercial têm nesta coleção peças com motivos alusivos a diversos super-heróis inclusivamente Batman e o Quarteto Fantástico. Ser "nerd" nunca esteve tão na moda como agora.
Vários sites trouxeram para discussão a possibilidade de Spiderman 3 ter dois vilões. Apesar de tudo não passar de simples rumores, as hipóteses de vermos o Homem-Aranha com uma dose dupla de trabalho são elevadas e mudaria um pouco a estrutura dos filmes anteriores.
Segundo o Ain't-it-Cool-News ou o Latino Review, Thomas Hayden Church (Sideways), actor contratado para este filme, será Sandman e James Franco (Harry Osborn) será Hobgoblin. Tudo porque Harry encontrou o esconderijo secreto do pai e quer vingar-se do Homem-Aranha.

E o leitor? O que acha destes vilões e dos actores que os interpretam? Se fosse Sam Raimi, o realizador, como faria? Deixe a sua opinião na caixa de comentários.
O processo de tradução não é tão fácil como se possa pensar. Exige uma grande sensibilidade e cultura geral, para além de, obviamente, um bom domínio das línguas envolvidas. No entanto sensibilidade, ou se preferirmos, bom senso é coisa que parece não existir entre os responsáveis pelas traduções dos títulos dos filmes para português.

São vários os exemplos de títulos absolutamente disparatados, ou de simples equívocos, mais ou menos graves, dos quais vou apenas citar aqui alguns. Numa época em que, graças à internet, é possível ter acesso a toda a informação sobre um filme desde muito cedo (praticamente desde que é dada a luz verde ao projecto e às vezes até antes) seria conveniente que as traduções mantivessem elementos passíveis de identificar o título em português com o original. Em vez disso algumas traduções nacionais quase que destroem qualquer estratégia de markting a longo prazo. Tomo como exemplo o filme The Bourne Identity de 2002. À primeira vista a tradução seria óbvia e fácil - A Identidade de Bourne. Mas em vez disso optou-se pelo discutível, mas ainda assim aceitável em relação à história, Identidade Desconhecida. No entanto, dois anos mais tarde chegou a sequela, The Bourne Supremacy. Mais uma vez evitou-se a tradução óbvia e optou-se apenas por lhe chamar Supremacia. O que resulta daqui é a inexistência de qualquer ligação entre os dois filmes, pelo menos a julgar pelos títulos em português, facto que pode muito bem ter apanhado desprevenidos os espectadores mais desinformados e que, tendo sido evitado, podia ter rendido mais alguns euros na bilheteira.

A recente onde de remakes também coloca alguns desafios, sendo que se na lingua original o remake normalmente mantém o título do original, o mesmo já não acontece com o título em Português. Foi o caso de The Manchurian Candidate, que em Portugal conseguiu ser mal traduzido duas vezes. Se o original, com Frank Sinatra no papel principal foi baptizado de O Enviado da Manchúria, o remake de Jonathan Demme recebeu o equivocado título de O Candidato da Verdade, já que no filme só há um candidato e é todo menos da verdade.

Mas nada disto se compara ao título em português mais estranho que vi nos últimos meses. Trata-se da edição em DVD do genial Shaun of the Dead, um verdadeiro filme de culto de 2004 que em Portugal recebeu o título Zombies Party, Uma Noite de Morte. Um opcção original sem dúvida, tanto mais que inclui elementos em inglês que nem sequer estão no título original.

Preocupante também é o uso abusivo da palavra "meu" nos títulos. Se a tradução de Dude Where's my car? (2000) foi correctíssima (Onde tá o carro, meu?) não se compreende porque o quiseram ligar ao filme seguinte do realizador, Harold and Kumar Go to the White Castle, baptizado em terras lusas de Grande moca, meu! Parece até que qualquer filme que tenha algum tipo de referência a drogas leves tem direito a ter um "meu" no título, como foi o caso de Club Dread ou se preferirem a versão portuguesa - Morre a Rir, Meu. E aparentemente os senhores das traduções não se vão ficar por aqui pois a recém estreada comédia Are We there yet? (aquela irritante pergunta que as crianças fazem durante a viagens) foi traduzida para Estás frito meu.

A continuar assim estamos efectivamente "fritos" e condenados a más traduções. Se só no título se encontram erros deste calibre, que segredos esconderão uma análise profunda da legendagem e dobragem das dezenas de filmes que estreiam todos os meses. Traduzir exige sensibilidade e está visto que há por aí muitos "meus" que não a possuem.
Já se sabia que a 77ª edição dos prémios da Academia de Cinema de Hollywood iria ser diferente. O evento tinha vindo a perder audiências e muitos classificavam a cerimónia como longa e aborrecida. Tinha chegado a altura de uma renovação e foi a isso que assistimos no passado domingo. As mudanças começaram logo no anfitrião. Chris Rock foi o escolhido para encerrar o habitual ciclo de rotatividade entre Billy Crystal, Whoopi Goldberg e Steve Martin e não desiludiu.

Contestado pelos sectores mais conservadores o comediante garantia à partida uma maior dose de irreverência capaz de captar o público mais jovem. E, de facto, a polémica começou ainda antes do espectáculo com o actor a declarar que nenhum negro heterosexual assistia aos óscares até ao fim. Obviamente que tal não passava de uma estratégia de markting para atrair as atenções, e o facto é que o monólogo inicial do apresentador foi divertido e bem ao seu estilo. Pena que depois pouco mais se tenha visto, talvez pelo ritmo mais acelarado da cerimónia este ano, ou talvez porque as críticas a George W Bush não tenham caído bem. De registar apenas uma pequena picardia com Sean Penn (um excelente actor, mas revelou alguma falta de sentido de humor) a propósito de Jude Law.
Rock já tinha apresentado os MTV Music Awards e a verdade é que várias vedetas habituais nos espectáculos daquela estação, como Jay Z e Puff Daddy, marcaram presença este ano nos Óscares. Mas a que se destacou mais e pela negativa foi Beyoncé que "assassinou" três das canções nomeadas. Aliás só os Counting Crowes, talvez por serem norte-americanos, tiveram direito a apresentar o seu próprio tema. Os restantes nomeados foram cantados por Beyoncé e o tema vencedor, "Al otro lado del río", foi intrepertado por António Banderas e Carlos Santana. Sublime por isso a forma como Jorge Drexler usou o seu discurso de aceitação do óscar para cantar a sua (bela) música.
Outro aspecto que saltou à vista foi a forma como alguns prémios foram atribuídos com todos os nomeados em palco. A ideia podia até ser boa se a realização tivesse colaborado e dado tempo de antena aos intervenientes, mas houve até entregas em que devida ao plano picado não se viram sequer os rostos dos nomeados. Isto já para não mencionar o amontoar de gente em palco nalgumas características como a de Melhores Efeitos Especiais.
Positivo para quem vê a cerimónia a horas impróprias como nós em Portugal foi a menor duração do espectáculo.
Em conclusão, este foi um ano de transição para os mais prestigiados prémios do ciinema e como tal há ainda bastantes aspectos que podem ser melhorados. Resta esperar pelos resultados para saber se a Academia vai continuar a seguir esta linha no próximo ano, ou se pelo contrário regressará à velha formula.
Mais uma vez o Take 2 dá voz aos seus leitores sobre o tema em destaque da semana. Os Óscares são os prémios por excelência do cinema. A noite de sábado é a mais aguardada do ano, quando se sente toda a magia e fantasia de Hollywood, o glamour e o charme, a beleza e a espectacularidade. Na cerimónia de 2005, The Aviator e Ray perfilham-se como os favoritos. Se por um lado temos a good old America do início do séc. XX mostrada pelo eterno derrotado Martin Scorcese na forma biográfica do excêntrico Howard Hughes, por outro temos a história de um dos maiores músicos de sempre - Ray Charles, protagonizado de uma forma brilhante por Jamie Foxx. Million Dollar Baby comprova que Clint Eastwood está melhor a cada ano que passa, podendo o génio repetir o êxito de Mystic River. Sideways e Finding Neverland têm ainda uma palavra a dizer no meio de tamanha concorrência. As emoções estão ao rubro e a disputa promete ser maior do que o ano passado. É caso para dizer que os anéis serão distribuídos por muitos dedos.
Na sua opinião, quem será o grande vencedor da noite? E o grande derrotado? Haverá surpresas? Deixe as suas previsões na caixa de comentários.

O Festival Internacional de Cinema Fantástico do Porto comemora este ano as suas bodas de prata. Ao longo de 25 anos o Fantasporto afirmou-se no panorama cinematográfico nacional e internacional como um dos melhores festivais do género. Por aqui passaram nomes como David Lynch, Brian Yuzna, Luc Besson e outros como David Cronenberg, Brian de Palma e Pedro Almodôvar foram dados a conhecer ao público português.

Mas o “Fantas” não limita a sua área de influência ao cinema. Música, livros, exposições e debates fazem do certame um dos maiores pólos dinamizadores da cultura na cidade invicta, que não tem parado de crescer ao longo dos anos. A crescente afluência de público motivou de resto o alargamento do festival aos cinemas AMC em 1997 e a mudança para o Teatro Municipal Rivoli no ano seguinte.
Estes feitos ganham particular relevo por serem alcançados em Portugal, um país onde o público parece estar de costas voltadas para o seu próprio cinema e para a cultura de uma maneira geral, um país de aves agoirentas que profetizam o fracasso de toda e qualquer iniciativa antes ainda desta começar. Foi assim com a Expo, o Rock In Rio e o Euro, mas tal como o Fantasporto, todas elas foram um sucesso.
Felizmente este não é um caso único em Portugal. A festivais já consagrados como o Cinanima e o Festival de Curtas-Metragens de Vila de Conde juntam-se novas experiências como o DocLisboa e o IndieLisboa. Podemos ainda não estar ao nível de Cannes, Veneza ou Sundance, mas pelo menos sabemos que a capacidade de organização está cá, falta apenas o poder persuasivo e financeiro para atrair as estrelas mais mediáticas do meio.
Pena é que esta fantástica estrutura de festivais seja desperdiçada num cinema que tarda em dar o golpe de asa que o aproxime de outras cinematografias europeias como a espanhola. Faltam infra-estruturas que sirvam não só cinema português mas que atraiam também os grandes estúdios americanos, como acontece na República Checa, e acima de tudo falta vontade de investir, porque dinheiro está visto que há, continua é a ser desperdiçado em subsídios a fundo perdido.
O cinema fantástico e de terror, bem como os seus sub-géneros como o gore, são encarados com desconfiança, e até desdém, por grande parte da crítica e também por algum público. Vive-se com a crença generalizada de que este é mais fácil de se fazer e que não requer um bom domínio da técnica, quer ao nível da representação como da realização. Enfim, prevalece a ideia de que este não é mais do que "gritos e sangue".

No entanto, se analisarmos um pouco a história, constatamos que alguns dos maiores nomes da realização têm no seu currículo, regra geral no início da carreira, filmes de terror. Alfred Hitchcock, considerado um dos melhores realizadores de sempre, teve incursões pelo género com clássicos como Psycho e Os Pássaros; Stanley Kubrik também percorreu esse caminho em The Shinning com um diabólico Jack Nicholson. Se olharmos para o panorama actual, vemos que o Steven Spielberg que nos trouxe filmes tão comoventes como E.T. e o Terminal de Aeroporto, é o mesmo que em 1975 deu vida ao tubarão mais assustador do cinema em Jaws. Também Roman Polanski mostrou a sua apetência pelo género em A Nona Porta (com algumas cenas rodadas em Sintra), o que não o impediu de realizar depois o premiado drama O Pianista.

Com estes antecedentes não admira que os grandes estúdios estejam cada vez mais à vontade em entregar projectos ambiciosos a realizadores oriundos do cinema de terror. Veja-se o caso de Peter Jackson, autor de "clássicos" como Bad Taste e Braindead, que depois de alguns filmes de baixo orçamento se viu a braços com uma enorme e bem sucedida produção que foi a trilogia do Senhor dos Anéis. Também Sam Raimi, criador da não menos "clássica" trilogia Evil Dead, teve a sua grande oportunidade quando a Marvel o escolheu para levar ao grande ecrã o seu maior super-herói, o Homem-Aranha, e não desiludiu quem nele apostou.

Por aqui se pode facilmente concluir que o talento e a competência podem ser descobertos em qualquer género cinematográfico, desde que se procure com seriedade e sem preconceitos. No caso concreto do cinema fantástico e de terror, os festivais como o Fantasporto são uma óptima montra para jovens cineastas mostrarem os seus trabalhos e quem sabe chamar para si a atenção da indústria cinematográfica.
O Take 2 inaugura hoje uma nova rubrica. Uma rubrica na qual você diz De sua justiça. Para começar, nada melhor do que uma pergunta sobre o filme a estrear mais noticiado dos últimos tempos: Superman.
Na sua opinião, foi correcta a escolha dos actores para desempenhar o Homem de Aço, Lex Luthor e Lois Lane? Lembrar que são Brandon Routh, Kevin Spacey e Kate Bosworth respectivamente. Deixe a sua resposta na caixa de comentários.

Embora não faça parte do meu género de filmes predilecto, Eternal Sunshine of the Spotless Mind é sem sombra de dúvida o filme do ano. A obra de Michel Gondry é das mais completas e inteligentes dos últimos anos. Tem romance, tem drama, tem ficção e tem comédia. O argumento do brilhante Charlie Kaufman é o recheio e as interpretações de Jim Carrey e Kate Winslet a cereja em cima deste bolo, o bolo do ano.

Joel Barrish, a personagem de Carrey é um homem aparentemente feliz, com uma relação amorosa estável. O pior é quando descobre que a sua namorada (Kate Winslet) está a fazer um tratamento para esquecer as partes menos boas do seu relacionamento, isto é... esquecê-lo a ele. Furioso, Joel tenta fazer o mesmo, mas não consegue esquecer Clementine, pelo contrário, cada vez se apaixona mais e luta contra o tratamento. Assim começa uma espantosa viagem ao labirinto de pensamentos de Joel, conduzida pelo Dr. Mierzwiak (Tom Wilkinson) e a sua equipa (Elijah Wood, Kirsten Dunst e Mark Ruffalo).
É triste saber que a maioria dos espectadores que assistiram a este filme, sairam a meio desiludidos porque esperavam o Jim Carrey de A Máscara ou Ace Ventura. Mas isto é outra pregação...
Shrek 2

A sequela do "maior conto de fadas nunca contado" revelou-se melhor que a primeira aventura de Shrek. O ogre verde colocou a Dreamworks na ribalta dos filmes de animação. Um ogre verde feio, mau e saloio fazia esquecer o rapaz que esfregou a lâmpada, a sereia que queria ser mulher, a bela adormecida ou o leão rei da selva. Shrek 2 foi o filme mais visto em Portugal em 2004, prova de que os desenhos animados ocupam um lugar de destaque no cinema actual. Já não são só para crianças, mas cada vez mais adultos se deixam encantar pelas trapalhadas do ogre e do seu companheiro Burro. Cinema descomprometido, original e sobretudo novo. Faz rir, chorar, pensar, dá para toda a familia...e vende bem.
O que marca Shrek 2 é, para além da sátira aos clássicos da animação já feita no primeiro filme, a preocupação dos produtores em tornar as personagens mais reais, os cenários mais fidedignos, tudo muito mais...adulto. A exigência chegou ao mais pequeno pormenor da mão pelo cabelo ou das articulações dos ossos. A comédia é ainda mais aguçada. Vendo o filme mais do que uma vez, apercebemo-nos sempre de novos trocadilhos e cameos que passaram mesmo à nossa frente e nem reparamos. Senhor dos Anéis, Indiana Jones e Spiderman são alguns dos filmes satirizados. É entretenimento puro...
Starsky and Hutch

No mandato de 2004 no ministério da comédia, Ben Stiller foi cabeça de cartaz. Dodgeball e Starsky and Hutch foram sem dúvida as comédias (na verdadeira acepção da palavra) mais bem conseguidas do ano. Não foram as que deram mais para rir, mas em termos de busílis da questão - a comédia não se cinge só ao factor "fazer rir" - Starsky and Hutch é a minha comédia do ano. A adaptação da série televisiva dos anos 70 está tão bem feita que parece mesmo que recuamos 30 anos no tempo. O guarda-roupa, os cabelos, as expressões, os gestos, os tiques, o disco sound e os deliciosos pormenores de realização como os zooms rápidos fazem-nos mergulhar no universo cinematográfico daquela época. A história é também um cliché completo de todos os policiais - o chefe de polícia negro, os policias gordos do café e donuts, o informador, etc. Mais uma vez a sátira é rainha. Os desempenhos de Stiller e Wilson estão ao seu melhor nível. Vince Vaughn e Snoop Dogg também dão nas vistas. Amy Smart e Carmen Electra são as "babes" de serviço e Will Ferrell apimenta com algo muito actual.
Os meus fabulosos tios

É natural que muitos nem se quer se lembrem deste filme. Secondhand Lions passou evidentemente despercebido. Sem nomes que chamassem muito a atenção, com uma sinopse que não abria o apetite, sem publicidade, era natural que à partida este filme não teria lugar nas preferências de alguém. A obra de Tim McCanlies nem sequer figura na lista de 50 filmes mais vistos do ano. O certo é que num dia em que aparentemente não havia mais nada para fazer, em que os filmes em cartaz não eram dos mais convidativos, Os meus fabulosos tios tornou-se uma opção que acabou por se revelar surpreendente.
Um argumento simples mas mágico, dois veteranos actores cujas interpretações se assemelham à melhor colheita de Vinho do Porto, um Haley Joel Osment que faz roer de inveja qualquer jovem actor Harry Potter de meia-tigela, transformaram este filme numa das minhas escolhas de 2004.
Não é uma obra genial (também não era essa a intenção de Tim McCanlies), mas é de uma simplicidade tal que faz pensar. E quando um filme nos faz pensar é muito bom sinal.
Menções Honrosas:
Terminal de Aeroporto
O Quinteto da Morte
Spiderman 2
Dodgeball
Levity
The Incredibles
Radio
Eu, Robot
The Girl Next Door
Balas e Bolinhos: O Regresso
Wimbledon
National Treasure
Lost in Translation
21 Gramas
Something's Gotta Give
A Paixão de Cristo
2004 já lá vai. É verdade. 2005 promete ser um ano de boa colheita cinematográfica - Star Wars: Episode III; Batman Begins; War of the Worlds; King Kong são alguns dos títulos que prometem encher as salas de cinema neste ano.
2004 foi sobretudo um ano de confirmações. Deu para perceber que certas formas de fazer cinema e certos actores já deram o que tinham a dar e que o futuro está no cinema por computador. Mudam-se os tempos...
Gael Garcia Bernal

Já não é novidade para ninguém que Gael Garcia Bernal não é um actor qualquer. Prova disso são os seus desempenhos em filmes como Amores Perros ou Y tu mamá también.
2004 confirmou o jovem mexicano como uma pedra fulcral no bom cinema latino.
Má Educação juntou-o novamente ao controverso Pedro Almodovar. O filme abriu o festival de Cannes e as mentes dos cinéfilos, prato típico na carreira do realizador. A Gael coube ficar com o papel polémico e não se saiu nada mal.
Em The Motorcycle Diaries, Gael esteve mais leve, mais à vontade, mais livre. Deve isso à personagem que interpreta - Ernesto Guevara, aquele que seria o revolucionário "Che" - e ao realizador: o brasileiro Walter Salles. Só é pena que nenhum destes esteja indicado para melhor filme estrangeiro na próxima edição dos Óscares.
Cinema de Animação

2004 foi também o ano de afirmação da bonecada como nova forma de fazer cinema. Já não exclusivamente para crianças mas também como lufada de ar fresco para os adultos. Cinema descomprometido, original e sobretudo novo. Faz rir, chorar, pensar, dá para toda a familia... e vende bem. Shrek é já uma referência no mundo do cinema. A Disney, longe do sucesso de outrora, aposta também na animação computadorizada em aliança com a Pixar. Computadores que parecem assumir um papel fundamental na realização dos filmes. Torna-se dificil criar algo sem recurso ao digital. O peixinho Nemo ainda rendeu até Fevereiro, Home on the Range surgiu lá pelo meio e The Incredibles encerrou este ano, rompendo as barreiras, mostrando a outra faceta dos super-heróis, sem esquecer aqueles pormenores que nos deliciam.
Amar em 2004

Mesmo assim, ainda há aqueles que tentam avivar as antigas formas de fazer cinema. Uns prometem, mas não cumprem, tornando as suas badaladas epopeias em épicas barracas. Outros agarraram o sentimento mais explorado no cinema, dando-lhe uma dimensão completamente nova.
O amor esteve no ar em 2004. Love Actually terminou 2003, dando os primeiros sinais de um ano de romance. Lost in Translation arrebatou Óscares e entrou no novo ano como impulsionador para outros filmes do género.
Em Maio, surgiu a pérola do ano, com um diamante em bruto muito bem lapidado por Charlie Kaufman. Eternal Sunshine of the Spotless Mind é dos filmes mais inteligentes dos últimos anos e trouxe Jim Carrey para patamares nunca antes vistos. Assim vale a pena ir ao cinema.
Antes do Amanhecer, O Diário da Nossa Paixão, We don't live here anymore e até Wimbledon são outros casos que mostram que o cinema ainda traz sonho e uma cultura de evasão. A ideia que tudo pode correr bem, que podemos ultrapassar os nossos problemas e amar.
Começa aqui o balanço cinematográfico do ano que amanha termina. Ao longo dos próximo dias os redactores do Take 2 vão falar sobre o melhor e o pior de 2004.
Quentin Tarantino

O primeiro volume de Kill Bill dividiu opiniões ainda em 2003, mas a segunda parte desta história de vingança foi consensualmente elogiada por todos. Tarantino trouxe de volta o diálogo cortante que caracteriza a sua cinematografia, ao mesmo tempo que continuou a prestar homenagens aos seus géneros preferidos, nomeadamente o western-spagetti. Foi um ano de intensa exposição mediatica para o realizador de Pulp Fiction, que se desmultiplicou em entrevistas onde não excluiu a hipótese de voltar ao universo criado em Kill Bill.
O futuro deste Texano de nascença permanece incerto. Tarantino mostrou o desejo de levar novamente ao ecrã Casino Royale, o primeiro romance onde aparece a figuro de James Bond, mas é altamente improvável que tal venha a acontecer, pelo menos enquanto continuar rotulado como um cineasta de excessos, nomeadamente o excesso de violência. Adiado parece ter sido mais uma vez o seu projecto sobre a 2ª Guerra Mundial, Inglorious Bastards, já que o realizador afirmou numa entrevista à Total Film que iria rodar mais um filme de kung-fu, mas desta vez falado em mandarim e com uma má dobragem ao jeito dos filmes de artes-marciais dos anos 70. Certezas ainda não há, mas fica o voto para que quando voltar, traga também a sua musa, Uma Thurman, já que ninguém a consegue filmar como ele.
Jude Law

Um ano em cheio para o actor londrino, que participou em, nada mais nada menos, do que 6 dos filmes lançados em 2004: Sky Captain and the World of Tomorrow, Alfie, Lemony Snicket's A Series of Unfortunate Events, The Aviator, Closer e I Heart Huckabees. Destes apenas os três primeiros já se estrearam em Portugal.
Neles Law demonstrou grande à vontade fosse no papel de absoluto protagonista, como em Alfie, ou relegado para segundo (ou terceiro) plano em The Aviator. Inscreveu o seu nome na história do cinema ao participar no primeiro filme com cenários inteiramente gerados por computador (Sky Captain) e emprestou a sua voz a Uma Série de Desgraças, onde brilham Jim Carey e Meryl Streep. Pelo meio ainda teve tempo para entrar na comédia "indie" I Heart Huckabees, ao lado de nomes como Dustin Hoffman, Isabelle Huppert, Mark Wahlberg e Naomi Watts.
Para o futuro tem já agendadados o remake de All The King's Men e Dexterity.
Zombies

Um ano em cheio para os mortos-vivos do cinema. 2004 trouxe dois dos melhores filmes do género desde a trilogia dos mortos de George Romero, Dawn of the Dead, remake do segundo filme daquela saga e Shaun of the Dead, que juntou a nata da actual comédia britânica numa brilhante homenagem ao género. Nem Portugal escapou e I'll See You in My Dreams emergiu como o primeiro filme zombie português. A curta metragem, escrita e produzida por Filipe Melo e realizada por Miguel Ángel Vivas, triunfou não só no Fantasporto 2004 como também um pouco por todo o mundo acumulando prémios como o do festival FANTASIA e o Meliès de Ouro para Melhor Curta Fantástica.
Nem o desastre que foi Resident Evil: Apocalypse consegue manchar um ano de ouro para o cinema zombie. Ironicamente, tinham sido os jogos de vídeo no qual este se baseou a ressuscitar o interesse pelo género.
Pixar

Poucos estúdios se podem orgulhar de só terem filmes de qualidade no seu catálogo, mas a Pixar pode fazê-lo. Tudo começou em 1995 com Toy Story, o primeiro filme de animação completamente feito por computador, mas foi com os mais recentes Finding Nemo e The Incredibles que o público se rendeu definitivamente às criações da empresa californiana. Pelo meio houve A Bug's Life, Toy Story 2 e Monsters Inc, bem como uma série de curtas metragens, que são verdadeiras pérolas para quem as quiser descobrir.
Muitos prémios e recordes batidos depois, o acordo com a Disney está a chegar ao fim e a estreia de Cars em 2006 vai (em principio) por fim a uma das mais lucrativas parcerias de sempre. Mesmo assim, enquanto criatividade e excelência tencológica andarem de mãos dadas, o futuro só pode ser risonho para os lados da Pixar.
Sequelas das qualidade

De há uns anos para cá, qualquer filme minimamente rentável é alvo de uma sequela que, regra geral, em nada dignifica o seu antecessor e tem apenas um objectivo: fazer dinheiro. Foi por isso com agrado que 2004 viu chegar sequelas que, não só dignificavam os originais como os superavam. Falo claro de Spider-Man 2 e Shrek 2, dois filmes que elevaram a fasquia no que diz respeito aos filmes de super-heróis e de animação, respectivamente.
Amanhã já é vespera de Natal, altura de presentear os ente queridos com pequenas (ou grandes) lembranças. Depois do Duarte ter feito as suas sugestões, o Take 2 deixa aqui mais algumas ideias a pensar nos mais indecisos ou atrasados.
Porque nem só de cinema vive o Homem, hoje sugerimos-lhe algumas séries de televisão, um formato em expansão graças ao mercado dos DVD.

Nada melhor para começar do que uma das melhores séries da actualidade: 24. Com um conceito brilhante (cada temporada corresponde a um dia e cada episódio a uma hora), uma história interessante e desempenhos notáveis (talvez o melhor trabalho de Kiefer Sutherland), este thriller de acção está ao nível do que melhor se faz no género seja em TV ou em Cinema. Em Portugal estão disponíveis em DVD as duas primeiras temporadas.


De uma série que está a deixar a sua marca na televisão, para uma que já o fez num passado recente: Seinfeld. Esta comédia sobre tudo e sobre nada é um autêntico fenómeno de popularidade, não só nos Estados Unidos, mas também um pouco por todo o mundo. As suas primeiras três temporadas estão finalmente disponíveis em DVD em edições repletas de extras e a um preço bastante acessível. Os verdadeiros fans podem adquirir também o livro de Jerry Seinfeld.

Os Sopranos estão para a televisão como O Padrinho está para o cinema: ambos representam o melhor que alguma vez se fez sobre a máfia. Para quem só agora descobriu os prazeres desta multi-premiada série, cuja 5ª temporada está actualmente em exibição na :2, estão já editadas em DVD no nosso país as três primeiras temporadas.

Muito mais havia para dizer e para sugerir como Sete Palmos de Terra, O Sexo e a Cidade e Smallville, mas como o tempo urge, ficamos por aqui. Até para o ano.
As listas servem para catalogar muita coisa. Umas são quase infinitas, e juntam objectivamente milhares e milhares de títulos ou informações. É o caso das bibliotecas, com listagens imensas de títulos. Outras, no entanto, são feitas com base na subjectividade. São as listas para se escolher «os cem melhores filmes...» ou «as cem mulheres mais sensuais...». Usa-se muito a centena, como o número justo para estas coisas. Porém, como mostra João Bénard da Costa, no catálogo da Cinemateca "100 dias, 100 filmes" (que se integrou no ciclo homónimo da capital europeia da cultura 94), quando tem que escolher os seus "cem filmes europeus preferidos", «... cem é um número execrável, quando se trata de uma lista destas». Fazendo uma analogia com um perú («pequeno demais para dois, grande demais para dois»), o director da Cinemateca portuguesa explica que ao início parece que temos o número suficiente de filmes, mas no fim temos que fazer dolorosas escolhas.
Ora, o conceituado jornal New York Times lançou a lista dos 1000 melhores filmes. Mil! Um imenso banquete, se continuarmos a metáfora culinária.

Feita a partir das escolhas dos críticos de cinema do NY Times, podemos encontrar na lista os filmes mais marcantes da história do cinema. Americanos, europeus, asiáticos, está lá tudo. Se procura um filme e o encontrar, o leitor tem a possibilidade de ver a ficha técnica deste e o resumo da acção.

Para instrumento de consulta vale a pena o link que aqui deixamos. Nota que, em mil filmes, não há nenhum português. No ciclo 100 dias 100 filmes estavam três.
Na nossa opinião, uma lista deste tipo serve para pouca coisa, além de vender as escolhas de certos críticos, para nós europeus com uma visão de outro continente, com uma cultura diferente da nossa. O Cinema - e as preferências que se tem neste - é algo de muito pessoal, como é toda a arte. Não é com listas que se criam gostos. Nem ideias. E se uma lista de cem pode ser pouco, uma lista de mil é muita coisa.
O Passos Manuel reabriu à uns dias atrás, trazendo um novo ânimo cultural à degradada baixa do Porto. No edifício do Coliseu, o Passos Manuel pretende, nesta sua nova vida, apresentar cinema não-comercial. Cinema de autor e grandes clássicos da sétima arte podem, a partir de agora, ser vistos na reaberta sala do Porto.

O dia 8 deste mês ficou marcado pela reabertura do cinema Passos Manuel. Depois de ter fechado em 2002, e com ele a última sala do centro do Porto (Batalha, Pedro Cem, Trindade, etc. não resistiram também à desertificação da Baixa), chegou a vez de se tentar de novo revitalizar o Cinema na Baixa. É uma aposta de risco para António Guimarães, empresário portuense dono do bar Aniki-Bobo. Mas ao mesmo tempo uma aposta necessária. É preciso revitalizar a baixa do Porto. E o cinema, considerado espectáculo de massas, pode ser uma boa tentativa para o conseguir. As grandes salas, atrás enumeradas, fecharam. Os teatros da Baixa concentram pessoas, mas não são suficientes para chamar multidões. O marasmo e o perigo tomaram conta das noites da baixa do Porto. Antes haviam os cinemas atrás enumerados, além de uma maior segurança. Os políticos prometem voltar a esses tempos. Executam iniciativas, fazem obras. Mas com o sucesso conhecido. Com a reabertura deste cinema - uma iniciativa privada - um passo(s) está a ser dado em frente.
O primeiro filme a ser mostrado na renovada sala de cinema é Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera, de Kim Ki-Duk. Além de verem o filme, os espectadores têm um bar e um clube para passarem o tempo.
O Passos Manuel terá também sessões de documentários, filmes experimentais, longas e curtas-metragens. no C7nema podem recolher informações adicionais.
Pode parecer estranho inaugurar esta rubrica com um assunto relacionado com a política, mas a verdade é que os Estados Unidos foram a votos e quem perdeu foi o mundo.
George W. Bush foi reeleito. Contra todas as expectativas (leia-se esperanças), o presidente em exercício viu o seu mandato renovado e desta vez com uma legitimidade acrescida. Este ano não houve confusões na Flórida e a única dúvida foram os votos à condição do Estado do Ohio, que não chegaram para levantar polémica. Para além de ter vencido, nas urnas e não nos tribunais como aconteceu em 2000, Bush viu o partido republicano aumentar o seu domínio no Senado e no Congresso, o que vai garantir ao presidente uma maior facilidade em aprovar os seus diplomas. Na prática isto pode traduzir-se num acentuar da política do medo para aprovar atropelos às liberdades pessoais dos cidadãos.
Por falar em terroristas, com a reeleição de Bush estes ganham argumentos para justificar o injustificável. Bush é um radical e, a não ser que altere a sua política externa, vai continuar a agir como tal enviando soldados para a guerra, em países já pouco amigos dos EUA. Ao seu lado (ainda que alguns possam ser substituídos) estarão os restantes chickenhawks, homens como o próprio Bush, Donald Rumsfeld, Dick Cheney e Paul Wolfowitz que se esquivaram à guerra enquanto jovens, mas agora a defendem fortemente.
Pelo meio teremos certamente mais algumas gaffes, os já famosos "bushismos", que nos farão rir e distrair de uma situação grave: os Estados Unidos reelegeram um presidente que os levou para duas guerras, sendo que na última delas (no Iraque) se atropelou completamente a ONU. Tal poderia parecer impensável aos olhos da Europa, mas a verdade é que para toda aquela América rural do interior, isso pouco importa e um rápido olhar pelo mapa dos votos permite-nos ver isso mesmo.
E agora, aquilo que faz mexer este blog todos os dias, o cinema. Apesar de todos os seus esforços Michael Moore falhou. O cineasta fez de derrubar Bush a sua missão, mas nem o seu discurso nos Óscares, nem o seu filme panfleto Fahrenheit 9/11 conseguiram os seus objectivos.
Com tudo isto, só nos resta esperar que Bush tenha aprendido com os erros do passado e modere as suas políticas. Fica o consolo que em 2008 o mesmo já não possa acontecer, num ano que se quer que seja o de Hilary Clinton.
Mais algumas flagrantes do mundo cinematográfico...

1. Se uma mulher está a fugir de alguém de certeza que vai tropeçar e cair
2. O teu carro vai sempre pegar à primeira a não ser que estejas a ser perseguido por um maníaco assassino ou um monstro de criação genética
3. Maníacos malucos tem força sobre-humana
4. As pessoas doidas são sempre perigosas
5. Os bons da fita tem sempre melhor pontaria que os maus
6. Os bons da fita estão sempre em inferioridade numérica
7. Os bons da fita ganham sempre e ficam com a miúda
8. Pessoas feias são sempre os maus da fita
9. Os bons da fita são sempre bem parecidos
10. Sexo, morte e anarquia é uma maneira de viver
11. Os bons da fita são os únicos com sentido de humor
12. Os carros explodem em todos os acidentes
13. Se o herói salta dezenas de metros para a água, esta terá sempre profundidade suficiente
14. O chefe dos maus da fita é sempre esperto e os que trabalham para ele sempre estúpidos
15. Tartes com creme são para ser lançadas e nunca comidas
16. As casas de banho só servem para sexo, assassinio e drogas
17. Casas assombradas nunca estão fechadas à chave
18. As mulheres desmaiam nos momentos criticos
19. Os bons da fita são sempre baleadas no braço ou na perna
20. Todos os chineses sabem Kung Fu
21. Os assassínos são sempre acompanhados de música sinistra
22. Os teenagers são sempre mais espertos que os seus pais
23. Teenagers que fazem sexo são destinados a uma morte grotesca
24. Não há mulheres feias apenas homens feios
25. As trovoadas espontaneamente criam assassínios
26. Os computadores nunca "crasham"
27. Quando alguém está morto ou a morrer haverá um rasto de sangue no canto da sua boca
28. A noite de Natal e a de Haloween duram três ou quatro dias
29. A polícia nunca espera pelos reforços
30. Policias à paisana são demasiado bons para serem vistos
31. Todos os jogos de baseball serão ganhos com um Home Run
32. Toda a gente ganha em Las Vegas
33. Os bons da fita não tomam drogas
Aqui ficam algumas das coincidências do mundo do cinema, aqueles clichés bem evidentes que fazem rir qualquer um...

Em qualquer investigação policial é sempre necessário visitar um clube de strip.
Todas as camas têm lençóis especiais em forma de L de forma a taparem as mulheres até aos ombros e os homens, que se deitam ao lado delas, até à cintura.
O sistema de ventilação de qualquer edifício é o local ideal para alguém se esconder. Ninguém se lembra de procurar lá e pode-se alcançar facilmente qualquer parte do edifício através dele.
Um homem não mostra dor quando é ferozmente espancado mas queixa-se quando uma mulher lhe tenta limpar as feridas.
Quando um carro sofre um acidente arde quase sempre.
Despir-se até à cintura pode tornar um homem imune às balas.
A tosse é normalmente o sinal de uma doença fatal.
Todas as bombas estão equipadas com temporizadores com grandes LEDs vermelhos de modo a que se saiba exactamente quando irão explodir.
Os pilotos de helicóptero privados estão sempre prontos a aceitar dinheiro de terroristas, mesmo que o trabalho seja matar estranhos e termine na sua própria morte quando o helicóptero explode numa bola de fogo.
Todos os discos de computador trabalham em todos os computadores.
Quando estão sós, todos os estrangeiros preferem falar inglês entre eles.
Qualquer fechadura pode ser aberta em segundos com um cartão de crédito ou um arame excepto a porta de um prédio em chamas com uma criança lá dentro.
Ao conduzir um carro é normal não olhar para a estrada mas sim para a pessoa do lado ou de trás durante toda a viagem.
Normalmente os polícias trabalhadores e honestos são mortos três dias antes da reforma.
Quanto mais um homem e uma mulher odeiam-se maiores a probabilidades de se apaixonarem.
Quando se é perseguido através de uma cidade pode-se normalmente escapar através da parada do dia de S. Patrick, em qualquer altura do ano.
A torre Eiffel pode ser vista da janela de qualquer edifício de Paris.
O chefe da polícia é sempre negro.
Quando se fica sem uma mão o braço cresce 15 cm.
Ao pequeno almoço as mães fazem sempre ovos e bacon para a família mesmo que ninguém tenha tempo para comer.
Os camponeses medievais tinham dentes perfeitos.
Ao conduzir um automóvel numa perseguição, mesmo numa recta é necessário virar constantemente o volante com força para a direita e para a esquerda.
Não importa que se esteja em desvantagem numérica numa luta que envolva artes marciais. Os inimigos esperam pacientemente para atacar um por um, dançando à volta em atitude ameaçadora até que o seu predecessor esteja KO.
Independentemente dos estragos que uma nave espacial sofra durante um ataque, o sistema de gravidade interna nunca é afectado.
Muitos instrumentos musicais, especialmente os de sopro e os acordeões podem ser tocados sem mover os dedos.
É sempre possível estacionar o carro em frente do edifício que se visita.
As armas de fogo são como as lâminas de barbear descartáveis; se se fica sem balas deita-se a arma fora. Pode-se sempre comprar outra.
A maquilhagem pode ser usada na cama sem sujar.
Um detective só consegue resolver um caso se tiver sido suspenso do serviço.
Em vez de gastarem balas, os megalomaníacos preferem matar os seus inimigos através de dispositivos complicados que envolvem rastilhos, roldanas, gases tóxicos, lasers e tubarões e que permitem que os seus prisioneiros tenham pelo menos 20 minutos para fugir.
Enquanto jovem, prometeu bastante. Mas com o passar dos anos, a qualidade dos seus papéis fez decrescer a sua popularidade. O que poderia ter sido um grande actor, quedou-se pela mediocridade.

Quando o jovem de cara bonita (ou não) faz sucesso em Hollywood, é normal que se criem expectativas acerca do seu talento. É normal também nascerem comparações (comparar Heath Ledger a Mel Gibson, por exemplo). Mas nem sempre a continuação da carreira do actor corresponde ao que se esperava e os píncaros da glória transformam-se num abrir e fechar de olhos numa sarjeta. Talvez a culpa não seja do próprio actor. O que é certo é que muitos actores arruinam a sua carreira por causa de um papel menos conseguido. Matt Dillon é um caso.

Talvez a maioria não se lembre, mas na década de 80, Dillon era um dos maiores playboys de Hollywood. Em qualquer filme que entrava, o rapazinho punha as raparigas em alvoroço com as suas qualidades. Representava uma geração de jovens americanos desinibidos, atrevidos, mandriões mas atentos ao que passava ao seu redor. Filmes como Over the Edge, Liar's Moon, ou A Kiss Before Dying faziam qualquer DiCaprio ou Hartnett um fracasso masculino.

Mas com o passar dos anos os papéis de Dillon foram-se deteriorando. O actor não se adaptou às novas modas de Hollywood e passou de actor principal a secundário, quase "terciário". O seu papel de maior destaque dos últimos anos foi em Doidos por Mary dos Irmãos Farrelli.
É assim que Hollywood despreza num minuto os que adorou num segundo.
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