É hoje o último dia da consulta pública da Avaliação de Impacto Ambiental do traçado do IC 1 Viana do Castelo/Caminha. Os protestos devem ser enviados por escrito para:
Presidente do Instituto do Ambiente
Rua de "O Século", 63
1200 Lisboa
Os índios enviaram a carta que podem ler abaixo:
Exmo. Sr.
Sou jornalista há mais de 15 anos. Durante todo este tempo, nunca participei numa discussão pública sobre Avaliação de Impacto Ambiental do que quer que fosse, por considerar que a minha profissão recomenda distanciamento. Não posso, contudo, ficar passivo face a uma questão que me diz tanto. O traçado final do IC 1, tal como é proposto pela Euroscut, vai destruir a paisagem de uma das mais belas aldeias portuguesas: Vilar de Mouros. Digo-o com sentimento, com emoção, com mágoa, com tristeza, e, sobretudo, com raiva. Só mesmo quem não conhece Vilar de Mouros, quem nunca sentiu Vilar de Mouros, poderia alguma vez pensar sequer pôr uma auto-estrada a atravessar a aldeia.
Sou autor do livro “Vilar de Mouros, 35 anos de festivais”, lançado em Julho. Se V. Exa. ler o livro (o que, naturalmente, recomendo), poderá confirmar a profunda riqueza paisagística, arqueológica, cultural e social da freguesia. Não foi por acaso que intitulei o primeiro capítulo “O Recanto do Paraíso”. Vilar de Mouros é um dos raríssimos recantos do Paraíso. E não há muitos mais em Portugal. Se o IC 1 rasgar os montes da Gávea e de Góios, Vilar de Mouros ficará com feridas que jamais cicatrizarão. Nunca mais poderei subir aos montes que circundam a aldeia, porque terei pelo caminho um obstáculo intransponível. E que saudades me dá já a lembrança dessas subidas, na companhia da família e de amigos de todas as idades. O contacto com a natureza no mais puro que ela tem, o prazer de alcançar o cume e desfrutar de uma paisagem lindíssima. Se o IC 1 atravessar o Rio Coura junto à segunda levada (a mais escondida e menos conhecida de todas), vai destruir a mais verdejante área de Vilar de Mouros. Se o IC 1 atravessar Vilar de Mouros, vai poluir o ar puro que se respira no Vale do Coura e destruir para sempre o sossego de uma aldeia que vive 51 semanas por ano na mais pacata quietude rural.
O meu apelo não podia ser outro: NÃO DESTRUAM A PAISAGEM DE VILAR DE MOUROS; NÃO DESTRUAM UM RARO RECANTO DO PARAÍSO; NÃO SUFOQUEM DE TRÂNSITO LANHELAS E CERVEIRA; REPENSEM (BEM) TODO O TRAÇADO FINAL DO IC 1, ESTUDANDO ALTERNATIVAS PELO INTERIOR, COM LIGAÇÃO DIRECTA À PONTE CERVEIRA-GOYAN.
Com os melhores cumprimentos,
Atentamente