junho 25, 2005

O lado progressivo de Vilar de Mouros

Ano 2005 DC. 31 de Julho. Nos confins do Norte de Portugal, uma aldeia resiste ainda e sempre à invasão da música empacotada e pronta-a-consumir.
Os irredutíveis preparam-se para mais uma apresentação inédita. Mais uma na longa história do festival: os britânicos Porcupine Tree.

porcupinetree.jpg

A banda britânica, liderada pelo guitarrista/compositor Steve Wilson há mais de uma década, está na linha da frente do novo rock progressivo, capaz de beber influências em mundos tão distantes no tempo (mas próximos na atitude artística) como o psicadelismo espacial dos Pink Floyd, o progressivo melódico tardio dos Marillion pós-Fish, o experimentalismo "post" dos Radiohead ou, na fase mais recente da banda, dos caminhos pioneiros dos Sonic Youth. Muitos tê-la-ão já ouvido em alguns programas de "música alternativa" mas tem sido no meio underground do progressivo que os Porcupine Tree desde sempre contaram com a sua base mais leal.

Vilar de Mouros vai, por isso, ver ao vivo uma das bandas mais influentes do progressivo contemporâneo, que por pouco (uma questão de datas) não esteve este ano presente no único festival do género realizado em Portugal, o Gouveia Art Rock, mas que já percorreu outros dos mais importantes eventos mundiais do género como o americano Nearfest.
Será assim, a primeira oportunidade de ver ao vivo uma banda cuja carreira já percorreu diversas fases, sempre em progressão: desde o psicadelismo inicial de álbuns como "The Sky Moves Sideways" (1995) ou daquele que é considerado a obra máxima da banda, "Signify" (1996), ao "post-prog-pop-rock" (?) de álbuns como "Stupid Dream" (1999) e "Lightbulb Sun" (2000), desembocando na fase actual, mais pesada, distorcida, do recente "Deadwing" (2005), álbum que servirá de base ao concerto de Vilar de Mouros, antes da subida ao palco do antigo Led Zeppelin, Robert Plant.
Será também uma oportunidade para conhecer de perto um dos mais requisitados produtores do actual underground. Steven Wilson assinou já trabalhos importantes da cena alternativa (progressiva ou não) como os excelentes "Smiling and Waving" da norueguesa Anja Garbarek, "Kallocain" dos suecos Paatos, ou a mudança radical de direcção musical que foi "Damnation" dos também suecos Opeth.

Posted by Luís Miguel Loureiro at junho 25, 2005 10:20 AM
Comments

Caro Luís,
Isto é que é uma MAGNÍFICA notícia!!! E dada aqui em 1ª mão pelo nosso prog-redactor. Vou já espalhá-la pelos sete cantos! Estive a ouvir os excertos do novo álbum no site oficial e gostei mesmo destes Porcupine Tree. Acho que vai ser dos melhores concertos deste sobrebo Vilar de Mouros'2005. Temos de combinar a ida ao festival, para te mostrar os paradisíacos esconderijos da mais bela aldeia de Portugal.
Um grade abraço,

Posted by: Fernando Zamith on junho 25, 2005 07:38 PM

'Tamos nessa! ;-)

Posted by: Luís Miguel Loureiro on junho 26, 2005 07:15 PM

Queria só aqui deixar a minha opinião em relação a esta notícia. É óptima, claro, e pode ser que abra os olhos à organização não só deste festival, como de outros, para a cena progressiva mundial, com bandas que dão "show de bola" em palco e tocam por uns míseros tustos. Era bom para a organização...e para o público! Quanto ao "Deadwing", conhecendo eu toda a discografia da banda, confesso que é dos menos conseguidos álbuns da banda, mas ainda assim não me demove de os ir lá ver! Fui vê-los há uns anos a Madrid na tournee do anterir "In Absentia" (um álbum fantástico!) e garanto que são fantásticos em palco!
Queria tb salientar o facto de o Steve Wilson ter sido também produtor de grande álbum do Fish (ex-vocalista dos Marillion), "Sunsets on Empire". Quanto aos Opeth, queria só dizer que não acho que o Steve fosse responsável pela "viragem" em Damnation, até porque ele já vem trabalhando com a banda desde "Blackwater Park" (grande álbum!) e também produziu "Deliverance" (outro!). Steve Wilson foi responsável, isso sim, por fazer dos Opeth uma grande banda! :) Acho que ele é melhor para os outros do que para ele próprio, ou seja, para os Porcupine Tree... :) Outro destaque também para o projecto dele, "Blackfield", muito à imagem dos PT! Muito bom! Destaque também para o projecto "No-man", mais "suave" e ambiental, mas igualmente muito bom! Por alguma razão é conhecido por Steve "Prog-Prince" Wilson... :)

Posted by: Spulit on junho 28, 2005 12:06 AM

Não é uma banda de massas nem de arrastar multidões mas é daquelas bandas que daqui a 20 anos nossos filhos nos perguntam quém foram ou vão à net ver e dizemos nós ou aparece na net : uma das bandas mais importantes do rock progressivo de todos os tempos.
Não só de grandes nomes para grandes massas precisam os festivais.
Isso de ter casa em Vilar não é para todos :(.

Posted by: Paulo Pereira on junho 28, 2005 01:46 PM

A melhor banda de rock progressivo dos 90's/00's finalmente em Portugal. Estou certo que só por si irá arrastar montes de gente para o nosso melhor festival. Perfeito!!! Só tenho que elogiar a organização e ao mesmo tempo agradecer a oportunidade de vê-los por cá!!!!

Posted by: Jorge Oliveira on junho 29, 2005 08:51 AM

Finalmente !!! Finalmente os apreciadores de bom rock Progressivo vão ter esta magnífica oportunidade de ver ao vivo esta grande banda!
Não considero que "Deadwing" seja um dos menos conseguidos albuns da banda, pois na sua concepção e tecnicamete é perfeito, outra coisa não seria de esperar, e comercialmente é um sucesso pois foi a primeira vez na historia dos PT que um album entrou nos "Charts" de quase todos os países onde foi editado ,a destacar, 1º album de sempre dos PT classificado no top 200 dos EUA, (132 US Billboard) , #9 na Polónia, # 26 na Suécia , etc ... ( ver site ). O problema pode estar apenas numa questão de rumo mas aí julgo que não haverá ninguém melhor que o Steven Wilson para decidir ( e bem como sempre ) que caminho tomar.É, como sempre,um album dos PT, díficil e estranho ao principio mas delicioso á medida que se vai ouvindo mais vezes ("it grows inside ").É o preço a pagar quando uma banda vai ganhando mais fans, com gostos diferentes, fruto do trespassar das varias fronteiras que os PT fazem ou fizeram dentro do complexo mundo do progressivo, abraçam o space, o psicadélico, o prog-metal, o neo prog, etc..., assim como fora dele, como o alternativo e o metal.
Bem, vai ser um grande espectaculo ver e ouvir "Arriving Somewhere but not Here " e "The Start of Something Beautiful" em palco e se o pessoal gritar bem alto pode ser que saiam uns "encores" ao gosto de todos!!!

Posted by: Rui on julho 1, 2005 07:07 PM
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