abril 16, 2008

Xiu Xiu: Veemência Sónica

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Com o novo álbum "Women as Lovers", os Xiu Xiu oferecem mais uma dose de canções desencantadas, que balançam entre as sensações de conforto e desconforto. A estrutura da música da banda norte-americana não é convencional: os temas são fracturados; não seguem uma linha contínua.

São vários os desenhos sonoros que se cruzam entre si, gerando uma multi-dimensionalidade musical. A apoteose dos arranjos, a leveza e solidão da guitarra acústica, a percussão impetuosa e a electrónica experimental - que acaba em ofensivas noise - entrelaçam-se e constroem canções disfuncionais que, em "Women as Lovers", o mentor Jamie Stewart consegiu levar à maturidade.

O novo trabalho dos Xiu Xiu conserva o tom confessional de Stewart, bem como o desdobramento da sua voz em tons dramáticos e intensos. Uma sinestesia de audições é provocada pelos sons desconcertantes, esquizofrénicos e desarrumados que colidem com a melodia. Veemência sónica e emotividade é o que não falta em "Women as Lovers". Um dos regressos mais felizes de 2008.

Posted by Mariana Duarte at 08:46 PM | Comments (1)

abril 01, 2008

As peças sonoras de James Blackshaw

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James Blackshaw destaca-se pelo seu virtuosismo na guitarra de doze cordas e pelo cultivo do fingerpicking. Compõe longas-metragens de um folk ancestral, com um travo de minimalismo clássico que comporta influências de um Arvo Part.

Os temas dos cinco álbuns realizados até ao momento desenvolvem-se sob rendilhados de guitarra que são tão complexos quanto arrebatadores. Com melodias próximas da música medieval, os dedilhados sucessivos empreendidos por Blackshaw confluem em crepúsculos sonoros. Há toda uma sinfonia criada a solo, imbuída de um grande sentido de drama. O músico inglês consegue transmitir ocasiões de tensão e de desanuvio sem recorrer à comunicação verbal.

"The Cloud of Unknowing", o mais recente trabalho do músico britânico, é uma viagem por trilhos acústicos intensos, hipnóticos e suados de emoção. "The Mirror Speaks" e "The Cloud Of Unknowing" são dois exemplos de instrumentais que celebram o experimentalismo e círculos infinitos de beleza.

Posted by Mariana Duarte at 12:05 AM | Comments (0)